31 de mar de 2013

Entre a cruz e a espada

Essa parece ser a situação dos imóveis de valor histórico e cultural, na maioria das cidades brasileiras. Em duas páginas, no caderno Cotidiano, a Folha de São Paulo, com matérias sobre dois casos concretos no Rio de Janeiro, mostra o impasse em que eles se encontram: ou sujeitos a especulação imobiliária ou sujeitos a degradação. 

No primeiro caso [pág. C4: qual o futuro da Carioca?], o problema está no risco de fechamento de tradicionais lojas [Bar Luiz,  Vesúvio e Guitarra de Prata, dentre elas] que ocupam velhos casarões da rua da Carioca, no centro do Rio, objeto de forte especulação, depois que 40 deles foram adquiridos pelo Grupo Opportunity. No segundo [pág. C5: incêndio faz sete imóveis ruírem no centro do Rio], o problema está na precariedade de imóveis atingidos por incêndio, no Saara, também no centro do Rio, na rua Buenos Aires.

Deu na Folha

Duas leituras interessantes na Folha de São Paulo, deste domingo:

[1] O artigo da voz dissonante na Folha, Janio de Freitas, sobre o deputado-pastor Feliciano pode ser lido AQUI: O poder à vista - o impasse sobre Feliciano é o 1º embate relevante em que os evangélicos se põem como um bloco orgânico.

"A perspectiva dessa situação delineia-se neste fato incontestável: nenhum segmento político está em mais condições de crescer, nas eleições do ano próximo para o Congresso, do que os evangélicos. A contribuição que podem levar só é promissora para eles e seu projeto de poder político".

[2] A coluna de Elio Gaspari pode ser lida AQUI: Delfim e a doméstica que virou manicure - a metáfora do homem que mandou no Brasil se contrapôs ao 'engenheiro que virou suco'.

"Quando Roosevelt redesenhou a sociedade americana, a oposição republicana levou décadas para entender que estava diante de um fenômeno histórico. Descontando-se os oito anos em que o pa'si foi presidido pelo general Eisenhower, ela só voltou verdadeiramente ao poder em 1969, com Richard Nixon, 36 anos depois".

30 de mar de 2013

Deu no Hoje em Dia

Os problemas na obra do Hospital Regional ganharam as páginas do jornal de Belo Horizonte, o HOJE EM DIA: 'Projeto malfeito deixa obra de hospital em Sete Lagoas R$32 mi mais cara'.

O jornal usou palavras do próprio prefeito. Como de hábito, são palavras superlativas. Acho pouco provável, por exemplo, que o número de R$ 32 mi tenha uma base de cálculo real. Como parece-me um 'chute' essa história de que 'foi detectado que deverão ser feitas mais de cem adequações no projeto original'. Mas ainda que esses números sejam relativizados, qualquer que seja a verdade, há claro indício de má gestão, nessa história. Ela mostra aonde se chega quando se mistura imperícia técnica com interesses políticos partidários.

28 de mar de 2013

Feliciano como símbolo

Quanto mais essa crise na presidência da CDHM se aprofunda, mais Feliciano me parece o símbolo da troca de uma política de valores por uma política de poder. Ou o efeito colateral perverso dessa troca...


Dengue

A epidemia de dengue está tão generalizada, em tantas cidades, que eu ando me fazendo algumas perguntas. Uma: esta epidemia poderia ter sido evitada ou ela era inescapável? Isso coloca no centro do debate a questão da eficácia do seu combate, tanto por parte do poder público quanto da sociedade. Outras dúvidas: se esse combate aos focos de propagação tivesse sido bem sucedido, essa infestação teria sido mais branda? Há cidades onde é comprovável que boas gestões e boas práticas tiveram efeitos positivos na redução do número de casos? As duas cidades onde moro - Belo Horizonte e Sete Lagoas - estão com números explosivos; é justo responsabilizar o poder público e a população, diretamente, de cada uma dessas cidades pela epidemia? O governo de MG e os mineiros, aqui e acolá, foram todos imprudentes e, por isso, estão pagando caro pela confirmada epidemia de dengue no estado? Ou, sob outra ótica, ainda que a prevenção seja obrigatória e esteja sendo - bem ou mal - realizada, a epidemia se deve, na realidade, ao aparecimento do sorotipo 4 da dengue, em condições favoráveis do verão tropical, e nada poderia detê-la; é isso?!

'Cidade Aberta'

Vespeiros

O prefeito tem uma dívida de todo tamanho pendurada; para solucioná-la precisaria enfrentar pelo menos dois vespeiros; mas, ao que se entende, mais do que com a dívida, a preocupação real é com o 'seu governo'. Está no SETE DIAS da semana passada: "o prefeito não pode inviabilizar o seu governo em função da dívida herdada". Ora, quando um prefeito enxergará a cidade para além do 'seu governo'? Leiam a coluna Cidade Aberta [AQUI], no SETE DIAS.

27 de mar de 2013

Mais informações >>

Para facilitar a navegação neste blog, algumas pequenas mudanças estão sendo introduzidas. O blog terá, tanto quanto possível, textos mais curtos. Quando não for possível, entretanto, as postagens serão compactadas e só ficarão expostos os parágrafos introdutórios com a apresentação do tema. Aqueles que se interessarem poderão expandí-la, para leitura completa, clicando em mais informação>>.

Ambulantes

Por falar em ambulantes, há pouco mais de dez anos, eu fiz um projeto para a Prefeitura [já esclarecendo: nada de contrato; foi um projeto de graça, hipotético, apenas uma simulação] para a praça Dom Carlos Carmelo Mota, a praça da feirinha. Como se falava em construir um novo ginásio coberto municipal, a ideia era transformar o atual em um centro de eventos, uma mini- Serraria Souza Pinto. Ao fazer essa remodelagem, o projeto cuidou da revitalização do espaço externo, no entorno imediato, sem interferir na feirinha, que continuaria lá. Bom, havia uma mudança na geometria da área de intervenção, desenho de novos acessos e mudança de materiais. As construções [públicas] existentes entre o ginásio e a lagoa [onde funcionavam bares e um buffet] seriam demolidas e substituídas por uma cobertura com lona tensionada. Ter-se-ia algo como uma ampla rua coberta. A ideia era fazer ali uma rua gastronômica. Exatamente, um lugar, sem improvisos, organizado, regulado, para ambulantes que trabalhavam com alimentos, dentro de uma política de incentivo a micro-negócios. Era apenas uma provocação...

Ambulantes

Um amigo bem informado sobre a atuação da Prefeitura, nesse caso de realocação de ambulantes, fez diversas ponderações comigo, em defesa dessa atuação: de que ela está sendo muito cuidadosa e que não há improviso, de que está sendo executada em sintonia com o MP e que o shopping popular tem, sim, perspectivas de ficar pronto em curto prazo, em parceria com a iniciativa privada. Ele havia lido meus comentários aqui e - não sei se estou certo - interpretou-os como se eu fosse contrário à retirada dos camelôs da região central e à atuação do Ministério Público nessa matéria. Nem uma coisa, nem outra. Para contextualizar aqueles comentários, vão ai, então, outros mais sobre ambulantes, sobre improviso e sobre o MP.

24 de mar de 2013

Deu no Sete Dias

Quatro notícias no SETE DIAS da última sexta-feira merecem ser comentadas: [1] O Aeroporto, [2] Na busca da paz, [3] Ambulantes realocados até construção de shopping e [4] Mudança na praça Alexandre Lanza desagrada. Vamos lá...


Saia justa na RBR

Pois é: a Red Bull não faz jogo de equipe, mais ou menos. Depois da lambança que os seus mesmos dois pilotos de hoje protagonizaram na Turquia, em 2010, a ordem é não disputar mais posição entre eles, depois do último pitstop. Aí é hora de poupar equipamento e levá-lo com segurança até a bandeirada. Mas não foi isso que Vettel fez, no GP da Malásia, hoje, após a quarta troca de pneus. A equipe deu ordem para Webber, que ia à sua frente, reduzir a rotação do motor; ele, então, aproveitou e passou. Resultado, ganhou, mas gerou um tremendo mal-estar na Red Bull. Webber negou-se a cumprimentá-lo, negou-se a colocar a mão sobre o seu ombro, na tradicional foto do pódio, e negou-se a tirar a também tradicional foto com a equipe, quando há dobradinha na pista. Saia justa total! Vettel reconheceu o erro, desculpou-se, mas foi pra casa com os sete pontos a mais que a ultrapassagem lhe deu. Aquela história: bola pro mato que o jogo é de campeonato...

[Webber: mãos para baixo, sem gracinhas...]

Sepang

O sono me abandonou em boa hora, às 04h30, a tempo de assistir à largada do GP da Malásia, às 05h00. A esperança de emoções a mais, pela chuva que andou caindo por lá, acabou nas primeiras voltas. Choveu antes da corrida, a largada foi com mista molhada, mas sem chuva, com pneus intermediários, e, a partir da 6ª das 56 voltas, os pilotos já estavam com pneus para pista seca, duros ou médios. Aí, voltou-se ao habitual, ao império dos pneus na determinação das estratégias das equipes. Se bem que, diferente da corrida passada, nenhuma equipe se beneficiou de qualquer inovação: todas optaram por quatro trocas e as que fizeram três, como a Lotus, não ganharam muito com isso. Foi uma corrida com poucas variações. Desde logo, as cartas foram dadas: as duas RBR na frente; logo depois, as duas Mercedes; em seguida, com poucas alternâncias, Massa [Ferrari], Grosjean [Lotus], Hulkenberg [Sauber] e por aí afora. Os pontos altos foram os erros de Alonso, de Massa e da Ferrari, na primeira volta; a mancada divertidíssima de Hamilton, na oitava, quando ele errou de equipe, no box; e a disputa acirrada pela liderança entre os dois pilotos da Red Bull, a dez voltas do final. Nada além. Juntando as duas corridas do ano, parece-me que haverá, nesse início de temporada, um domínio da RBR; logo depois, virão a Mercedes e a Ferrari; mais atrás, a Lotus e a equipe média do fim de semana [Force India ou Sauber]. Por ora, McLaren e Williams estão fora do jogo. Sobre Massa, não há dúvida que recuperou alguma competitividade. Mas segundo piloto da Ferrari será sempre segundo piloto da Ferrari; não dá para esperar muita coisa...

23 de mar de 2013

Massa

Tinha compromisso, hoje, logo cedo, e não vi o treino classificatório da F1, na Malásia, na madrugada. Só vi o resultado. A segunda posição de Massa, atrás apenas de Vettel, parece confirmar o que os jornais vieram falando dele, ao longo da semana: de seu surpreendente ressurgimento, depois de uma longa temporada em baixa, desde o seu acidente, em 2009. Na Austrália, andou mais do que Alonso e só não teve melhor sorte porque a equipe não deixou. Agora, em Sepang, voltou a andar na frente do companheiro. O problema aí é que, como um dos jornais afirmou, Massa é o melhor número dois da atualidade. Nessa madrugada, por certo, perderá precocemente a posição para Alonso, que larga logo atrás... Outra figura de destaque parece estar sendo Sutil, da Force India. Seu sétimo lugar no primeiro GP não fez justiça ao seu desempenho na corrida. De novo, agora, seu oitavo lugar no grid, em função da pista molhada, parece não revelar, exatamente, o nível competitivo que apresentou no treino. 

22 de mar de 2013

Moçambique

'Cidade Aberta'

A marca da parceria

O artigo de hoje comenta a matéria que está publicada na mesma edição do SETE DIAS sobre o lançamento, pelo UNIFEMM, do primeiro mestrado profissional de Sete Lagoas e região em 'Biotecnologia e Gestão da Inovação'. A meu ver, um passo importante na qualificação de nosso desenvolvimento. A coluna Cidade Aberta, desta semana, pode ser lida AQUI.

[Recorte da capa do SETE DIAS com chamada sobre o novo curso do UNIFEMM]

20 de mar de 2013

Deu no Sete Dias

Duas notícias me chamaram a atenção no SETE DIAS, de sexta passada: [1] Obras param e o Hospital Regional fica para 2015 e [2] Molhar a Mão. Vamos a elas...


17 de mar de 2013

F1: GP da Austrália

A diversão do dia, digo, da madrugada, foi acompanhar a corrida pelo F1 Timing 2013. Você tem o mapa da pista com a posição de carro por carro e todas as tabelas de posição, trocas de pneu etc. etc. Valeu a dica, Marcinho!

Eu errei feio o meu palpite. Achei que ia dar RBR. Os dois carros estavam na ponta do grid, a pista é horrível para ultrapassagem; ou seja, tudo, a meu ver, conspirava a favor de Vettel. Mas, já na largada, a coisa não pareceu tão favorável assim, com uma belíssima saída dos dois pilotos da Ferrari. Até que, aos poucos, Raikonen foi dando as caras. Largou em sétimo, na segunda, terceira volta, já era o quarto; e, aí, valeu o de sempre: a estratégia de pneus. São eles que comandam a F1. A Lotus deu um nó tático, fez uma parada a menos e levou...


Além dos pneus, quem manda na F1 é o Santander que defende seu protegido Alonso, com unhas e dentes. Curioso como a Ferrari sempre acerta nas estratégias com o espanhol e erra feio com o brasileiro Massa. Pois então!, Massa estava à frente do companheiro; lá pela oitava volta, chegou a liderar; segurou bem as investidas do chorão; mas perdeu a posição nos boxes, numa operação desastrada da equipe que o deixou tempo demais na pista, no segundo pitstop. Normal!

Ponto para Sutil e sua Force India. Chegou em sétimo, mas, enquanto pôde, mandou bem...

No final de semana que vem tem mais marmelada.

16 de mar de 2013

Enfim, a F1, mas...

Mas carro que era bom, nada! Quem ficou até às 3 da madruga acabou assistindo a uma corrida de rodos  Que chuva, hem?!


Pela primeira vez na história, um treino classificatório não classificou. A chuva era tanta no circuito Albert Park, em Melbourne, que só foi possível completar o Q1. O Q2 e o Q3 foram adiados, graças a Deus, para um horário mais civilizado: hoje, sábado, às 21h00.

Nas condições da pista, não deu para achar nada. Pela classificação do Q1, no máximo, algumas curiosidades: a Mercedes liderou, mas não com Hamilton [o 10º]. De novo, Rosberg foi o número 1 da equipe. Alonso emplacou o segundo melhor tempo; Massa, só o sexto. Mas o brasileiro ficou no lucro depois de uma batidaça. As McLaren ficaram na 4ª e na 8ª posições, com Perez na frente de Button, As RBR, na 5ª e na 7ª, com Webber na frente de Vettel. A Williams foi super mal com Bottas em 15º lugar e Maldonado, em 17º, desclassificado.

Uma dica para quem gosta de F1 e usa Ipad: baixe aí o F1 Timing 2013. Você acompanha tudo da corrida, inclusive as posições dos carros na pista, em tempo real.

15 de mar de 2013

'Cidade Aberta'

Aplausos precipitados

O prefeito não para e, vira e mexe, coloca um novo tema na agenda pública. Não são temas usuais; são importantes, mas são polêmicos. Muito polêmicos. Curiosamente, os agentes políticos, especialmente os vereadores, aplaudem de forma tão precipitada que dão a entender que não sabem, bastante bem, o que aplaudem. Esse é o assunto da coluna Cidade Aberta, no SETE DIAS, que está nas bancas. A versão digital pode ser lida AQUI.

14 de mar de 2013

FLIP 2013: a caminho...

A 11ª FLIP - Festa Literária Internacional de Paraty vai acontecer entre os dias 03 e 07 de julho de 2013. Eu fui no ano passado e estou a caminho, neste ano. O homenageado em 2012 foi Drummond; em 2013, será Graciliano Ramos. Merecidíssimo! A curadoria continua nas mãos do jornalista Miguel Conde. As notícias ainda são esparsas. O site ainda anda meio fora do ar. Mas, aos poucos, você vai se dando conta de um e mais um escritor confirmado: o irlandês John Banville, a romena/alemã Herta Müller, a francesa/iraniana Lila Azam Zanganeh já confirmaram que estarão perambulando pelas ruas de Paraty. E eu também!

Lila Azam Zanganeh

13 de mar de 2013

O Governo

Não, nada de política. O assunto é música. Eu já comentei aqui sobre Valter Hugo Mãe, o escritor português que esteve na FLIP 2011 e que desbancou a musa argentina Pola Oloixarac. Mãe é autor, dentre outros, de A máquina de fazer espanhóis, um livro belíssimo. Eu cheguei a comentar sobre ele no site do vereador Dalton Andrade [AQUI]. Pois não é que, com toda sua timidez, Valter Hugo Mãe tem uma banda?! A banda tem o sugestivo nome de O Governo. A música abaixo também tem nome divertido: Propaganda Sentimental:

8 de mar de 2013

'Cidade Aberta'

O livro de Rodrigo

"Equilibre-se! Ache o caminho do meio. Ele lhe levará mais longe." O tema de hoje da coluna é o livro recém-lançado pelo nosso amigo Rodrigo Paiva, da Academia Nado Livre. É surpreendente! Leiam 'As verdades que você precisa saber'. Leiam a coluna Cidade Aberta, no SETE DIAS [AQUI].

6 de mar de 2013

Santos e demônios

Nós sempre somos, decisivamente, levados a julgar as pessoas por um critério de fundo ideológico preconceituoso. As análises da realidade costumam ser sempre muito rasas. Se eu tenho uma identificação com fulano, eu tendo a concordar integralmente com ele ou a justificar, indulgentemente, os pontos de divergência. Tudo é oito ou oitenta. Tanto à esquerda quanto à direita.

Esses dias têm sido curiosos. A coincidência de fatos que envolvem personalidades polêmicas tem exacerbado conflitos de opinião. Com relação ao Papa, que renunciou no dia 28; a Chávez, que morreu, ontem; e a Joaquim Barbosa, que agrediu verbalmente um jornalista, também ontem - para ficar em alguns exemplos -; já ouvi de tudo.

Vamos pela direita. Já ouvi críticas conservadoras à renúncia papal por se entender que ele não poderia ter criado essa situação imprevista para a Igreja; ouvi mil vezes mais piadas sobre a morte de Hugo Chávez, visto apenas como um ditador histriônico; e, estranhamente, vi reações instintivas de defesa do ato bizarro de Barbosa por aqueles que passaram a divinizá-lo por concordância com seu papel no julgamento do mensalão. Nos três casos, eu tenho poréns.

5 de mar de 2013

Murakami

Uma amiga me indicou Haruki Murakami. Não o conhecia. É um dos nomes mais badalados da literatura japonesa contemporânea. Escreveu Kafka à beira mar, Após o anoitecer, Minha querida Sputnik, Norwegian Wood, 1Q84; livros que estão na minha lista de leitura à vista. Todos romances de ficção. Mas o que ela me indicou, a pretexto de meu gosto por corridas, foi o único livro de não-ficção de Murakami: Do que eu falo quando eu falo de corrida [Alfaguara Brasil, 152 págs., R$34,90]. Li e me diverti!


Se o livro faz sentido para quem não corre, faz mais ainda para quem gosta de correr. Murakami é maratonista, mas não é um velocista. Corre com a mesma velocidade mediana com que eu corro e com o mesmo espírito de auto-superação. Ou seja, não corre contra ninguém, mas dentro de seu próprio ritmo e em função de seus objetivos pessoais. O texto é leve, ágil e despretensioso. E as reflexões que ele faz, associando a corrida e a escrita, o corredor e o escritor são geniais!

"Para mim, correr é tanto um exercício como uma metáfora. Correndo dia após dia, colecionando corridas, pouco a pouco, elevo o meu patamar, e cumprindo cada nível aprimoro a mim mesmo. Pelo menos é nisso que deposito meu empenho, dia após dia: elevar meu próprio nível. Não sou um grande corredor, de modo algum. Estou mais para um nível comum - ou, antes, mediano. Mas isso não vem ao caso. A questão é se melhorei ou não em relação ao dia anterior. Em corridas de longa distância, o único oponente que você tem de derrotar é você mesmo, o modo como você costumava ser."

2 de mar de 2013

Terceirização da Saúde

O que você pensa a respeito?!


Um anônimo fez o comentário acima, na postagem abaixo. O tema é pra lá de relevante: terceirização da gestão da Saúde. Acho que seria interessante se outros frequentadores desta praça virtual se dispusessem a debatê-lo. De largada, deixo alguns comentários precários a respeito.

1 de mar de 2013

Fatos e versões

Em entrevista coletiva, ontem, para falar sobre a dengue, o secretário de Saúde de Sete Lagoas afirmou que a cidade sofreu uma “epidemia de má gestão, em 2012”. Depositou, assim, no governo passado, a culpa pela explosão de casos da doença. É uma versão plausível, mas não é a única. Conversando com um especialista em saúde pública, eu ouvi outra diferente: a de que esse surto era previsível por se saber do aparecimento de um quarto tipo de vírus da doença, para o qual a população não está imunizada; e que, nesse caso, faltou sim um plano de contingência e uma ação mais ágil do atual governo – e não do anterior – para o seu enfrentamento, no período de sua maior infestação, no verão. Muito bem: em que essa polêmica contribui para a solução do problema? Em nada! Deixemos de lado, então, as versões e vamos aos fatos.

'Cidade Aberta'

Simples e inovadoras

O tema do dia da coluna Cidade Aberta não podia ser outro: a epidemia de dengue em Sete Lagoas. E junto, o lixão da Rua Mendes e o Mutirão Branco. O SETE DIAS está nas bancas. A coluna pode ser lida AQUI.

"É verdade, não é o poder público que mantém água parada, mas a população! Mas são precisamente os problemas que dependem de um elevado nível de consciência coletiva – como a dengue, a violência, as mortes no trânsito, o crack – os que mais exigem do poder público o exercício de um papel de liderança. Só ele pode construir políticas públicas eficientes de estímulo ou inibição de condutas sociais. Ao que se vê, na atual epidemia de dengue, ele custou a entender isso e só agiu tardiamente".

[Como eu disse que, neste ano, estou adotando o lema do Larica Total, de que o meu compromisso é com o amor e o medo, dentre outros, vai aí um erro de concordância verbal no artigo de hoje: onde se lê voltarão, leia-se voltará, no último parágrafo]