5 de fev de 2013

Mineirão: vexame é vexame...

Bem que o governador Anastasia tentou minimizar os incidentes no Mineirão, no último domingo, qualificando-os como 'normais'. Inútil: eram incidentes demais para serem tapados com uma peneira só. Em sua salvação, veio o secretário Extraordinário para a Copa do Mundo, tentando interpretar os fatos com um pouco mais de realismo, dizendo que uns eram 'aceitáveis', outros, 'inaceitáveis'. Tudo isso para tirar a batata quente do colo do governo de Minas e colocá-la no da Minas Arena, nova gestora do gigante da Pampulha. E para que não restasse dúvida, aplicou uma multa para inglês ver sobre a operadora. Puro jogo de cena. O estrago já estava feito e bem feito. A meu ver, depois de despendida a bagatela de R$ 700mi nas reformas do Mineirão, simplesmente, nada do que aconteceu podia ter acontecido. Ponto. Amadorismo puro; maior ainda porque vindo de um governo que se gaba, exatamente, por apresentar um padrão superior de gestão.

Aquela história: é como se, numa big festa de casamento, dessas milionárias, tudo desse errado e os noivos negligentes resolvessem culpar o buffet. Ora pois, a culpa é deles! Desde quando, numa situação dessas, terceiriza-se a responsabilidade e lava-se as mãos? Nada disso, você compra um serviço, acompanha, monitora, cuida dos detalhes e só sobe no altar quando está seguro que nem São Pedro é capaz de atrapalhar a farra.

OK! Alguns pequenos problemas poderiam ser postos na conta do imponderável: um erro de sistema na venda de ingressos, por exemplo, e vá lá. Mas restos de obras espalhados por todo lado, serviços mal feitos, poeira na arquibancada toda? Isso é coisa que se supervisiona 10, 15 dias antes, a tempo de se acender a luz vermelha. Problemas de alvará e/ou logística [conforme a versão] de bares, com falta de água e comida? Isso é coisa cujo funcionamento se testa uma semana antes, a tempo de se promover reparações. E os banheiros? Putz!, desde quando é normal uma obra dessa envergadura não estar com banheiros em perfeitíssimas condições?

Pra mim, o mais ilógico é o seguinte: esta inauguração não precisava ter ocorrido ontem. O clássico entre Cruzeiro e Atlético seria no dia 24 de fevereiro, na terceira rodada. Foi propositalmente antecipado para o dia 03 de fevereiro que é uma data em que não se comemora nada, a não ser o centenário do início da guerra dos Balcãs. Pra quê?! Com mais três semanas, o novo Mineirão, com roupa de gala, lavado, escovado e enxaguado poderia ser, perfeitamente, inaugurado. Sem esse arsenal de vexames.

Chico Maia, em um providencial artigo, pôs o dedo na ferida: o problema é a danada da 'política': "na ânsia de mostrar serviço para o Brasil, como modelo de gestão, o governo tentou queimar etapas e o tiro acabou saindo pela culatra". É isso, sem tirar nem por...

Aliás, além do que o Chico falou, vale um comentário adicional, sim. A política gosta de queimar etapas em todos os sentidos. Vejam esse ponto: a Copa é um assunto delicadíssimo e cada dia mais; é daqueles que tem que matar a onça com uma bala só na agulha. Ou seja, não dá pra errar; senão morre. Quem vocês aconselhariam que fosse colocado à frente da estratégica Secretaria Extraordinária para a Copa do Mundo? No mínimo, um executivo experiente, testado, que já tenha lidado com desafios tão complexos quanto e gerenciado crises potencialmente semelhantes às que podem vir por aí, não é mesmo?! Pois bem, o seu ocupante, o secretário Tiago Lacerda, aos 31 anos, pode ser um gênio [eu não o conheço e não me atrevo a falar nada contra ele...], mas foi nomeado, exclusivamente, por razões 'políticas'. Ou alguém é capaz de citar outro atributo seu que não o de filho do prefeito de BH? Ruim isso...

[Como o meu Cruzeiro foi, viu e venceu, merecidamente, não vou nem comentar a drenagem do gramado que não passou pelo teste das chuvas de sábado. Como na 'política', a turma só faz jogar para a platéia, essa história da drenagem vai acabar se tornando um assunto menor. Afinal de contas, no meio do ano, em 2013, durante a Copa das Confederações; e em 2014, na Copa do Mundo, não chove mesmo em BH, não é?!...]

PS - E o assunto já ganhou o mundo: AQUI...

5 comentários:

Enio Eduardo disse...

Gastaram a bagatela de R$ 700 milhões e inventaram uma turma de "amigos" (da onça), através de uma PPP (tradução impublicável), sem nenhuma experiência para administrar.

Como eu queria ganhar uma mina de dinheiro para administrar viu!!!

O pior de tudo é que se o Galo tivesse perdido para um time com Tostão, Alex, Dirceu Lopes, Aristizàbal, Piazza, vá lá!!! Agora perder para o time de PAULÃO DO CAVEIRÃO, não tem perdão mesmo!

Marcos Oliveira disse...

O assunto da drenagem é mais sério do você imagina.

Blog do Flávio de Castro disse...

Enio,

Eu ando cada dia mais assustado com comentários de pessoas - diga-se, não partidárias - sobre a péssima qualidade construtiva da Cidade Administrativa; e começo a ouvir a mesma coisa sobre o Mineirão. Ouvi elogios à Esplanada e à beleza do novo estádio, mas sobre a qualidade construtiva, só críticas...

Sobre o jogo. Acho muito cedo para falar qualquer coisa sobre os dois times. O seu time tem a vantagem de já ter um padrão, mas, naturalmente, está - e estava totalmente - fora de ritmo, em princípio de temporada. sobre o Cruzeiro, ele terminou tão mal a temporada passada que foi animador ver, não propriamente a vitória [merecida], mas algumas promessas. A ver...

Blog do Flávio de Castro disse...

Marquinho, não estou menosprezando o problema de drenagem. Eu quero ver uma chuva no meio de um jogo para ter a real dimensão do problema. O que disse foi apenas uma ironia... Por falar nisso, o que mais você sabe a respeito?

Ramon Lamar disse...

Brasil, meu Brasil brasileiro...