18 de fev de 2013

Larica total

Durante oito dias, fui inteiramente abduzido pela preguiça, em Itacoatiara. Fiz quatro coisas que duvidava que seria capaz: desliguei-me da internet, do blog, do facebook; desliguei os celulares; não li jornais e não vi o Carnaval pela TV. E sobrevivi. Juro! Hedonismo puro. A vida resumida a coisas essenciais: dormir, comer, beber, descansar, conversar com amigos. E nada mais. Aí você presta a atenção em coisas que estavam invisíveis. Aos livros que seus amigos estão lendo com novos autores que estão pintando por aí, às tortilhas espanholas do Paulo de Oliveira, do Larica Total, a um novo filme, a um novo prato e por aí vai. Esses tempos sabáticos são ótimos para reconfigurar suas vontades, suas expectativas para, como disse o Macaco Simão, "este restinho de ano". Primeiro, eu adotei o lema do Larica: aquela história de que o que importa é o "amor e o erro". É isso aí! Segundo, depois de assistir, em 3D, a 'Hugo' ('A invenção de Hugo Cabret'), essa belíssima homenagem de Scorsese ao cinema, eu decidi que vou mais ao cinema. Ir tão pouco ao cinema, como fiz no ano passado, é uma autoflagelação que não quero mais pra mim. Terceiro, vou ler mais. Se já leio bem, vou ler exageradamente. Quarto, vou cuidar mais de mim, vou correr mais, vou tomar mais sol, vou botar mais os pés pra cima, vou fazer acupuntura para qualquer fim que seja, vou cozinhar mais comidas ogras e vou aprender culinária de guerrilha, ou seja, vou estender, longamente, essa minha curta fase hedonista. E quinto, essas coisas que dão stress e, só por serem estressantes, dão mais stress ainda, tipo trabalhar, sobreviver, ganhar o sustento da família, pagar as contas; essas coisas menores, por recomendação médica, eu só vou fazer nas horas vagas, 'nesse restinho de ano'. E seja o que Deus quiser...

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