9 de fev de 2013

É tempo de carnaval

Mas o importante é que emoções eu vivi...

Por Flávia Augusta

Eu amo carnaval! Eu amo o Carnaval desde... desde sempre, desde que me entendo por gente, porque a minha família também ama Carnaval. Para você ter uma ideia eu tenho vários volumes do LP, isso mesmo LP! , “Samba, Suor e Ouriço” com marchinhas de carnaval, que eu ganhei de presente, a maioria deles dada por meu tio Gui, nos meus aniversários [que para minha felicidade às vezes cai no Carnaval]. E na casa da minha mãe tem os de samba enredo do Rio de Janeiro de diversos anos. Tento ilustrar aqui o quanto o carnaval fez e faz parte da minha vida, como me faz feliz e acima de tudo como me emociona.

Por isso, hoje, quando li a coluna Cidade Aberta de Flávio de Castro, no jornal Sete Dias, cujo o título é “Tem que falar do amor” - onde Flávio se valeu de uma entrevista do cantor Zeca Pagodinho que afirma que, dentre outras coisas, o bom samba tem que falar de amor - fui logo dando meus pitacos. Não que gostar de carnaval me faça uma profunda entendedora ou uma especialista no assunto, de jeito nenhum! Mesmo porque acredito que os especialistas devam manter certo distanciamento afetivo do assunto, o que definitivamente não é o meu caso! Eu, por assim dizer, prefiro manter certo “aproximamento” do tema.


E já que é carnaval e carnaval é um momento oportuno para usar fantasias venho aqui fantasiada de escritora (?), entendedora (?), sei lá, acho que é de metida a besta mesmo (!) pra contar pra você sobre alguns lugares e pessoas, do mundo do samba, que me emocionam.

Eu acredito que além de falar de amor, o samba, que aqui vou tratar como carnaval de modo geral, tem que ser feito com amor para emocionar, pra fazer a gente se arrepiar da cabeça aos pés, para dar aquele frio na barriga e fazer o coração da gente querer ser membro e instrumento da bateria.

No mês de janeiro de 2013, eu realizei um sonho que foi conhecer a quadra do Bloco Carnavalesco Cacique de Ramos, que fica em Ramos, subúrbio do Rio de Janeiro, e que foi fundado em 1961 por três famílias (olha a família aí!). Por que o Cacique me emociona? Não seria mentira se eu dissesse que me emociona porque faz samba da maneira mais simples possível, porque mantém suas raízes, porque faz parte da trajetória de vários grupos e pessoas que eu admiro como: Beth Carvalho, Zeca Pagodinho, Fundo de Quintal, Luiz Carlos da Vila, Jorge Aragão, Alcione e tantos outros. Só que o Cacique é muito mais que tudo isso que escrevi, não que o que já citei seja pouco, contudo, ele me emociona pelo fato de ter sua sede em um local em que eu tenho certeza que muitos não iriam por medo, já que existe o pré-conceito de que se trata de um lugar violento, onde só existem criminosos, drogados ou marginais. Tem-se, em nossa sociedade, o senso comum que lugar onde se paga caro para entrar é seguro e “bem frequentado”, talvez, por isso algumas pessoas não passem nem na porta da quadra. No entanto o que se vê na quadra é justamente o contrário. Lá não se paga nem um centavo pra entrar. Acontece que, assim como eu, várias pessoas estavam acompanhadas de suas famílias, o lugar é limpíssimo e não teve nenhuma confusão. O que senti é que lá existe um código de conduta ou um combinado que: ESTAMOS TODOS AQUI EM NOME DA DIVERSÃO, COM RESPEITO, E, SE QUISER CONTINUAR FREQUENTANDO,RESPEITE ESSA CONDIÇÃO. Não que isso esteja afixado em cartazes, nada disso. Isso simplesmente faz parte de lá, está lá!

Também me emocionei no Clube Renascença que fica em Vila Isabel/Andaraí, também no Rio de Janeiro, onde acontece o Samba do Trabalhador todas às 2ª feiras e é comandado por Moacyr Luz.

Moacyr Luz é o tipo de artista que muita gente jura que nunca viu mais gordo, no entanto ele é autor de várias canções que são grandes conhecidas da maioria de nós. Parceiro de Aldir Blanc, já compôs para Maria Bethânia, Bete Carvalho, Zeca Pagodinho, Gilberto Gil, Nana Caymmi e outros. Escreveu o livro: Manual de sobrevivência nos botequins mais vagabundos”. Em uma entrevista ao ser perguntado sobre seu tipo de botequim preferido respondeu: “O caseiro. Que não seja muito sujo para se ter medo, nem muito limpo para parecer uma CTI”. Adorei isso!

E é com essa irreverência que ele conduz o Samba do Trabalhador, que é uma grande roda de samba onde músicos que trabalham durante o final de semana se reúnem para cantar, tocar e tomar umas geladas e que, por não ter palco e nem nada que separe os artistas do público, deixa a gente que é público achando que é artista e o artista achando que é público. Tem como não se emocionar?

Agora vamos ao Paulo Barros, carnavalesco da Unidos da Tijuca, por que ele me emociona? É difícil definir o carnaval que ele apresenta por ser, em alguns momentos, tão complexo e ao mesmo tempo tão simples... Bom, na realidade tem duas coisas que eu admiro nas pessoas: uma é a inteligência, ai como eu adoro gente inteligente! Não aquela inteligência erudita, pra essa eu nem tenho muita paciência, eu gosto mesmo é da inteligência perspicaz!

A outra é a generosidade! Adoro gente generosa, acho tão lindo, tão elegante que nem sei explicar...
E em minha opinião o Paulo Barros reúne essas duas características. Ele é inteligente e generoso. Além de ser lindo, maravilhoso!

É inteligente porque cria um carnaval tão exclusivo, tão dele que impossível alguém copiar e não incorrer no plágio. Um exemplo é o clássico carro DNA que Unidos da Tijuca apresentou em 2004; e o que dizer das comissões de frente? Em 2010 as moças da comissão trocaram de roupa umas cinco vezes na frente de todo mundo, como num passe de mágica deixando todo o público sem entender como aquilo era possível. E, aí, quando todos acharam que ele já tinha feito de tudo, em 2011 vimos cabeças caindo em plena comissão de frente! O cara é ou não um fenômeno?

Mas acima de tudo isso, o que mais me emociona é ele, ele mesmo, sua pessoa, de dia, por aí. O jeito como ele, em toda entrevista que já vi, reparte seus méritos com sua equipe, o jeito como ele afirma depender dessa equipe, é possível sentir a sinceridade em suas palavras. Essa generosidade fica mais evidente ainda quando a entrevista é com algum membro da equipe. O Paulo Barros antes de ir para o barracão da escola passa em um mercado e compra os ingredientes para ele próprio preparar o almoço dos trabalhadores. Isso é ou não é generosidade? Eu me emociono e você?

Cacique de Ramos

Samba do Trabalhador

Moacyr Luz

Lindo, maravilhoso e vitaminado Paulo Barros!

Unidos da Tijuca
DNA 2004

2010

2011

2 comentários:

Anônimo disse...

carnaval é muito bom.
Pena que aqui em Sete Lagoas não temos.
Hoje o que temos sãos os Blocos das Moscas e Cachorros pois a cidade está um lixo só, KD VINA, kd as autoridades que não olham pra isso. Meus Deus porque esses políticos querem acabar com a nossa Sete Lagoas?

Blog do Flávio de Castro disse...

É... essa história do lixo virou uma reclamação geral. A situação passou de ruim para péssima...