16 de jan de 2013

Restaurante Popular: do estigma à valorização

Patrus Ananias, quando prefeito de BH, foi um dos pioneiros na implantação de uma política pública de segurança alimentar, através dos restaurantes populares, das cozinhas comunitárias e dos bancos de alimentos. Uma década depois, como ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, não apenas teve oportunidade de nacionalizar essa política como de atribuir-lhe uma grande robustez com sua associação com o programa Bolsa Família. Há um ponto central que precisa ser destacado nesse processo: a alimentação - que, até então, para os pobres, era provida por instituições particulares de caridade - tornou-se um direito para todos e um dever do Estado. Essa sim foi a grande transformação.

No começo da década de 2000, quando se implantou o primeiro restaurante popular em Sete Lagoas, o Restaurante do Trabalhador, esse equipamento ainda era estigmatizado. Disseminou-se, na cidade, a crítica de que seria um centro de mendigos. Eu era secretário e participei, ativamente, da defesa dessa proposta. Para quem se lembra, cheguei a ser duramente vaiado numa reunião no auditório da CDL, quando convidado a explicar o que o governo municipal pretendia fazer. Escrevi artigos em jornal rebatendo, democraticamente, as críticas e justificando o restaurante popular, ali onde ele se encontra hoje. Vou revolver os meus baús e localizar esses textos...

Não há que se criticar ninguém. Eu acho que, do estigma à valorização do restaurante popular, há, na verdade, um amadurecimento da sociedade sobre nossa responsabilidade frente às desigualdades de nossa cidade e de nosso país. Independente de qualquer partidarização, a compreensão de que a superação da pobreza é um dever público, de que a fome é inaceitável e precisa ser combatida, tornou-se um legado nacional, na última década. Isso é encorajador!

O jornal Estado de Minas trouxe, nesta quarta, uma matéria que já havia sido abordada, ontem, na rádio CBN: Cardápio do Restaurante Popular I será preparado por chefs renomados [AQUI]. Obviamente, trata-se do restaurante de Belo Horizonte. Mas, ainda assim, essa matéria permite-nos uma comparação alentadora: se há pouco mais de 10 anos, um restaurante popular era motivo de estigma, hoje, ele é valorizado a ponto de se tornar um centro de gastronomia. É coisa pra comemorar!

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