3 de jan de 2013

Qual a explicação plausível?!

Se alguém tivesse projetado o ano de 2012, inadvertidamente ou não, teria dado um presente à oposição. Vejamos: a crise mundial, impactando fortemente a economia brasileira, gerou um ironizado pibinho; o julgamento do mensalão, sendo explorado como o julgamento do século, coincidentemente, na mesma época da eleição, teve um time perfeito; o resultado severíssimo do julgamento, com apropriação de diversas inovações na jurisprudência brasileira, levou à punição da maioria dos réus, especialmente dos petistas, da situação; a teatralização do julgamento ampliou-se com sua transmissão ao vivo pela TV Justiça e cobertura ostensiva pela Rede Globo. Houve mais uma tentativa de envolvimento pessoal do ex-presidente, a partir de mais uma operação da PF. Foi um sucesso quase [não fosse o Demóstenes...] absoluto a desvinculação total de qualquer desses eventos com a oposição, seja com o mensalão mineiro, seja com o caso Goiás, do Cachoeira. Ou seja, foi ouro puro nas mãos da oposição. Juro que eu mesmo, nesse contexto, tinha forte receio de que seria um ano de matar para o petismo, o lulismo, o dilmismo, ou qualquer nome que se queira dar à situação.
.
Desfecho do enredo: é de pasmar! Se tudo isso fosse uma armação, não poderia parecer melhor; e não poderia dar piores resultados!

Avaliação do governo Dilma
Atingiu, no final do ano, o patamar recorde de 62%. A aprovação pessoal da presidente foi a estratosféricos 78%. Quem deu esses números inéditos foi o Ibope e a CNI. Se a eleição fosse em dezembro, Dilma venceria, no primeiro turno, com 53 a 57% dos votos. Lula, com 56%. Na oposição, Marina chegaria a magros 18%; ninguém mais ultrapassaria 15%. Informações do Datafolha.

Avaliação do resultado das eleições
Transcrevo parte de um artigo de Marcos Coimbra, do Vox Populi, com uma avaliação numérica. A oposição teve, em 2012, o pior resultado eleitoral desde o período FHC e perdeu a jóia da coroa, São Paulo. Com isso, tem um futuro, em tese, potencialmente, comprometido: 
Entre 1996 e 2000, PSDB e DEM cresceram no número de prefeituras conquistadas, indo de 1851 para 2018. Nas eleições legislativas, foram de 152 deputados federais em 1994 a 204, em 1998. Voltaram a 154, em 2002, quando Lula obteve seu primeiro mandato.
De 2000 para cá, os dois partidos sistematicamente perderam bases municipais: 1350 prefeituras em 2004, 1282 em 2008 e 980 este ano. Na Câmara dos Deputados, suas bancadas vieram de 131, em 2006, para os 96 que elegeram em 2010. 
São números que sugerem haver relação estreita entre os dois processos. Partidos que se saem mal na eleição municipal tendem a diminuir de tamanho na representação na Câmara.
É o horizonte dos dois maiores partidos de oposição. Com metade das prefeituras que tinham na época de Fernando Henrique, vão para 2014 se arriscando a não passar de discreta minoria no futuro Congresso.
Avaliação das Instituições
Se é fato que, politicamente, a imprensa se partidarizou, deu-se muito mal. A avaliação da imprensa despencou 9 pontos, entre os que confiavam muito, e 1%, entre os que confiavam pouco. Entre os que não confiavam, piorou o nível de desconfiança em 10 pontos. O STF melhorou. A Presidência continuou como a Instituição mais confiável e os partidos e o Congresso, os de pior desempenho:



Avaliação da Rede Globo
A poderosa Globo encerrou 2012 com a pior audiência de sua história. A rede que chegou a ter quase 22 pontos de média de audiência, no início dos anos 2000, terminou o ano passado com míseros 14,7 pontos.

Qual a explicação plausível?!
Minha opinião: goste-se ou não, ao ser incapaz de criar uma agenda própria e positiva e ao fazer-se refém de uma agenda acusatória, negativa, a oposição e a imprensa só fazem manter Lula e Dilma no centro da cena política e transformá-los em lideranças messiânicas, ou como disse a Folha, 'majestáticas'. Isso mantém em evidência todos os pontos positivos dos 10 anos do PT no poder: ganho real do salário mínimo, ascensão de milhões de brasileiros pobres à classe média, novo patamar de proteção social etc. Ao final, entre a percepção de melhora de vida e nenhuma proposição do outro lado, a população faz uma escolha objetiva quanto ao que lhe é mais conveniente. Nesse processo, a oposição e quem se identifica com ela vão se auto-implodindo. A conferir...

Nenhum comentário: