26 de jan de 2013

Bombaim

Eu tomei conhecimento de Suketu Mehta na FLIP, em julho. Comprei - e tenho autografado - o seu livro Bombaim Cidade Máxima. No final do ano, transcrevi AQUI um trecho belíssimo desse livro, em que ele fala das mãos que se oferecem 'como pétalas', nos trens de Mumbai. O próprio Mehta leu esse trecho, na mesa da qual participou [AQUI], na FLIP. Eu comecei, ainda em Paraty, a leitura desse seu livro. Mas, assim que retornei, envolvi-me na campanha eleitoral de Patrus, em BH, e perdi o controle sobre o meu tempo, especialmente, sobre o meu tempo para leituras. Depois de outubro, acabei me entretendo com outros livros e deixei Bombaim de lado. Retomei-o, agora, e quanto mais avanço na leitura, mais o livro me surpreende e impressiona. É um esmerado relato da vida atual nessa que é a maior cidade indiana. É uma coisa cheia de contrastes absurdos. Ao mesmo tempo que transita no mundo do luxo e da riqueza, Mehta adentra no pior dos submundos. E não é um livro ficcional, embora tenha ares de um romance; é a narrativa da experiência pessoal de retorno da autor à cidade onde foi criado, depois de anos residindo em New York. E, nessa narrativa, ele faz um desfile de personagens com quem vai tendo interlocução, na tentativa de re-compreender uma cidade que lhe é, simultaneamente, familiar e estranha. Coincidentemente, no momento em que lia sobre a vida das mulheres em Mumbai, a organização das mulheres faveladas - o Rahe-haq - e, sobretudo, sobre a banalização do estupro, esse tema ganhou destaque mundial, desde o estupro coletivo, em 16 de dezembro, de uma jovem de apenas 23 anos. Uma barbaridade! Não apenas para aqueles que tem interesse pela Índia, mas também por enredos urbanos e sociais metropolitanos e, mais, por um belo texto, é uma leitura imperdível! [Bombaim Cidade Máxima, Companhia das Letras, 512 págs., R$58]


"As mulheres aguentam muita coisa caladas na favela, porque, como observa Sunil, 'como é que ela vai contar para todo mundo o que fizeram com ela?'. Eles perseguem as mulheres mais vulneráveis: as muito jovens, as filhas ou mulheres de bêbados, ou mulheres que não são muito boas da cabeça. Quando seus homens descobrem o que fizeram com elas, costumam ficar quietos. Quem vai querer que o mundo saiba? Como fica a masculinidade dos homens que se mostram incapazes de proteger suas mulheres?"

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