7 de jan de 2013

A falta ampla, geral e irrestrita de discurso

Elio Gaspari, na sua tradicional coluna de domingo, em vários jornais, deu destaque a dois temas interessantes: um, sobre Alan Turing, o pioneiro da era da informação; outro, no qual o título diz por si: 'PT, um partido em busca de um discurso'. Aí, ele diz que parte da liderança petista já se deu conta de que o enfrentamento às decisões do STF está custando caro ao partido e que é necessário "organizar um novo repertório". E que a grande aposta está no governo Haddad, em São Paulo.

O artigo me chamou a atenção por duas razões. A primeira é que "a busca de discurso", pela falta dele, vem sendo debitada, costumeiramente, por analistas políticos sérios, não ao PT, mas à oposição. Nesse caso, o enunciado é mais ou menos o seguinte: naquilo que muda a vida do eleitor e influencia seu voto, a oposição, serrista ou aecista, não tem conseguido dizer nada novo que contraponha ganhos concretos dos últimos dez anos do PT no governo, em termos de melhoria da condição de vida da população. O discurso oposicionista tem sido um não-discurso que apenas reage e acusa o PT. O que tem dado resultados contrários aos desejados, como comentei na postagem 'Qual a explicação plausível?"[AQUI].

Pois muito bem. A questão não é essa; a questão está no fato de que, ainda assim, ainda que eu não identifique um discurso oposicionista que crie uma nova agenda para o país, eu concordo com o Gaspari de que o discurso petista também já se esgarçou. O PT tem resultados positivos de governo para mostrar, olhando pra trás, mas não tem muitas luzes para o futuro para anunciar. A não ser que alguém acredite que o discurso da "infraestrutura", de parte a parte, vai conseguir se impor como uma agenda nova. Pra mim, esse é um passivo geral que não alavanca discurso nenhum e de ninguém. Sobre isso, na mesma coluna, Gaspari matou a pau: comentando o fato de que "os marqueses da oposição acreditam que os buracos dos aeroportos e das estradas serão um tema decisivo na eleição de 2014", ele lembrou o conselho do marqueteiro James Carville [o mesmo de 'é a economia, estúpido!'], a Clinton, em 1992, de jamais usar essa palavra 'infraestrutura'...

Trocando em miúdos, aceitar a tese de que o PT também está sem discurso significa reconhecer que o chamado 'modo petista de governar', que se consolidou desde as primeiras gestões municipais, baseado nos conceitos da ampliação da democracia direta [orçamento participativo] e da inversão de prioridades [com uma agenda social mais robusta], já deu o que tinha que dar. É importante, mas já não responde, por si, aos problemas contemporâneos.

Está aí o ponto: qual partido tem propostas novas e transformadoras para as grandes questões de hoje? Qual tem um discurso inovador sobre as cidades, admitindo-se que elas representam o fenômeno moderno mais desafiador? Qual partido tem o que dizer sobre meio-ambiente, segurança pública e mobilidade urbana? Qual tem respostas para as enchentes de Xerém, a absoluta falta de capacidade preventiva pública, até mesmo para lidar com lixo e limpeza urbana [apontado como o principal fator para o estrago das chuvas, no território de Zeca Pagodinho, no começo deste ano]?

Resposta direta e reta: nenhum!

16 comentários:

Ramon Lamar disse...

300.000 acessos hoje?

Blog do Flávio de Castro disse...

Verdade: 267 + 33 = 300 mil! Vou pensar numa festa. Que tal uma festa dos dois blogs?!

ENIO EDUARDO disse...

Oba!!! Finalmente alguém falou de festa aqui. Agora não tem jeito Ramon, você não vai colocar areia na nossa farofa!!! Festa, festa, festa . . . Tô Dentro, que dia, que horas, onde. Sugiro importar o Pablo de Uberlândia, afinal a casa da mãe dele é um excelente lugar.

Ramon Lamar disse...

Uai, podemos pensar nisso. Acho que agora não dá para evitar, né? Dá para ser no final de janeiro? Ou um evento pré-carnaval?

Blog do Flávio de Castro disse...

Vamos lá, Ramon, fazer uma festa de blocos, oops!, blogs pré-carnavalescos. Final de janeiro, começo de fevereiro...

Blog do Flávio de Castro disse...

Lembrando: o Carnaval vai de 09 [sábado] a 13 [quarta-feira] de fevereiro...

Ramon Lamar disse...

02 de fevereiro?

Blog do Flávio de Castro disse...

Boa data!!!

Ramon Lamar disse...

Beleza! Agora explica como é a organização porque não entendo nada disso. Como você organizava as festas?

Frederico Dantas disse...

Até que enfim!

Obs.: quem vê o título do post e o número de comentários acha que o assunto está bombando.

Blog do Flávio de Castro disse...

Fred, entenda: na falta de discurso, festa!

Blog do Flávio de Castro disse...

Ramon, vamos ter que redescobrir o modo de organizar festas. Nas festas passadas, tínhamos uma comissão organizadora insubstituível: Pablo e Flávia. Pablo é dono do local da festa e Flávia tem habilidade para dar ordens. Aí, a coisa funcionava. Pablo mudou-se para a progressista Uberlândia e Flávia desblogou-se. Ou seja, estamos a pé e vamos ter que começar do zero...

Ramon Lamar disse...

Podemos colocar uns carros de som pela cidade procurando voluntários para realizar o serviço!!!

ENIO EDUARDO disse...

A festa foi apenas um fogo de palha?

Ramon Lamar disse...

Uai... o Flávio esfriou o assunto... não fui eu!

Blog do Flávio de Castro disse...

Uai... eu? O Pablo e a Flávia é que tornaram a nossas vidas mais difíceis e a culpa é minha Ramon? Eu apenas disse que teríamos que inventar um jeito novo. Vamos lá?!