22 de jan de 2013

A crise dos partidos

Acho que a pesquisa IBOPE divulgada pelo Estadão, no último domingo, 20, merece uma reflexão mais cuidadosa. Mesmo os petistas, que andam comemorando sua extraordinária liderança na preferência do eleitorado, deveriam colocar um pulga atrás da orelha. E se, a meu ver, até os petistas deveriam se conter, muito mais prudentes deveriam ficar os políticos das demais agremiações. Outros levantamentos já vinham mostrando os partidos como as instituições de menor credibilidade nacional; esse de domingo só fez reafirmar esse fato. O seu principal recado foi inequívoco: os brasileiros estão se afastando dos partidos. Se, em 1988, 61% diziam ter alguma afinidade partidária, pela primeira vez, a maioria - 56% - confessou-se apartidária. Ou seja, nenhum dos 30 partidos instituídos, hoje [outubro de 2012], no Brasil, anda conseguindo representar alguma coisa para a maioria de nós. Isso é muito ruim!

Nas redes sociais, o PT anda comemorando seu patamar de preferência. Sob um ângulo, tem razão para isso. É, disparadamente, o partido de maior número de adeptos: teve 24% da preferência nacional, enquanto o segundo lugar, o PMDB só alcançou um quarto disso [6%] e o PSDB, nem isso [5%]. Mas, a partir de outra ótica, seria aconselhável ao PT colocar as suas barbas de molho: em 2 anos, ele sofreu uma razoável erosão. De seu ápice, em 2010, ao final do governo Lula, com 33% de simpatizantes, foi a 24%. Ou seja, perdeu quase 30% de seus antigos eleitores. O que é um bom motivo de preocupação...

Mas, no fundo, o que o PT anda comemorando são seus resultados relativos: suas razões não estão apenas na vantagem que obteve, mas, sim, se teve perdas, nas perdas muito mais acentuadas dos demais partidos. Parece-me que há, aí, uma segunda conclusão a se chegar: a oposição errou, e errou feio, ao acreditar que o julgamento do mensalão arrasaria o PT. Não, seu efeito foi outro: o resultado efetivo do "maior julgamento do século" não foi um tiro na testa do PT, mas um tiro no pé do sistema representativo partidário brasileiro. O festival midiático do mensalão parece ter desacreditado todo o sistema partidário e não um ou outro partido, individualmente.

De fato, para os demais partidos, os números foram tenebrosos. O PMDB, que já teve 26% da preferência nacional, no período Sarney, minguou para 6%. E o PSDB - exatamente por ser o partido que se propõe a duelar com o PT - atingiu um cenário mais crítico. O que a pesquisa mostrou foi que os tucanos caminharam para se tornar um agrupamento raquítico, regional e elitista. Raquítico, porque amealharam apenas 5% de eleitores fiéis no país [metade do que tinham, nos seus momentos de glória, no período FHC: 10%]; regional, porque mostraram continuar tendo base com alguma expressão apenas no Sudeste [ainda assim com uma erosão tremenda: se em 1995 tinham 15% da preferência do eleitorado dessa região, agora, mostraram ter apenas 7%] e elitista, porque aglutinaram a maior parcela [23%] dos brasileiros com renda acima de 10 salários mínimos. Nesse contexto, há quem aposte que o PSDB esteja rumando para a forca...

Para todos os gostos, algumas leituras associadas:
José Roberto de Toledo: Petistas e tucanos de ponta

3 comentários:

Anônimo disse...

Flávio, belo texto !!! Como petista fico satisfeito pela liderança e preocupado com a perda de eleitorado. Espero que um dia possamos comemorar essa liderança aqui em Sete Lagoas.

Cláudio Nacif - Caramelo

Blog do Flávio de Castro disse...

Caramelo,

Obrigado por sua presença aqui.

Acho que, efetivamente,enquanto a população achar que todos os partidos são a mesma coisa, ela continuará se afastando.

Um partido ideológico, como o PT, precisa voltar a defender um ideário que faça sentido para uma parcela importante da população que tem propensão a pensar como ele.

A política não pode ser mais apenas uma ação de bastidores.

Em Sete Lagoas, você tem um papel importante nisso...

Grande abraço, Flávio

rogerpardal disse...

Salve Flavio, praticas cada vez mais desajuizadas de representantes do PT que já se acostumaram no poder estão cada vez mais afastando aquela militância positiva e de peito aberto.
Abs.