31 de jan de 2013

Quentin is Tarantino

Vingança, humor negro, diálogos bizarros, violência, muita violência e sangue demais, tudo isso é com ele mesmo. E as referências cinematográficas são sempre impagáveis; desta vez aos velhos westerns spaghetti italianos. E com uma trilha sonora de matar de boa. Eu quase nunca vou a cinema em Sete Lagoas porque quase nunca passa coisa que vale a pena. Dessa vez, valeu: 'Django livre' é um filé para quem gosta de Tarantino...

[Leonardo DiCaprio, Jamie Foxx e Christoph Waltz]

27 de jan de 2013

Lei Delegada: dá com uma mão e tira com a outra...

Determinados temas públicos deveriam merecer uma reflexão social mais aprofundada, em especial por parte do Legislativo. Sei, entretanto, que é inútil esperar por isso: não se pode exigir que os vereadores sejam especialistas em um ou vários temas, se não foram eleitos a partir desse critério; e, tampouco, dispõe a Câmara de consultorias especializadas que possam oferecer subsídios ao debate. O resultado não pode ser outro: a discussão é rasa, a capacidade de contribuir com o Executivo, em seus projetos, é pequena; há apenas uma negociação política e uma função homologatória. Um exemplo disso é a edição da recente Lei Delegada. A meu ver, ela trata de forma absolutamente imprópria um tema de alta relevância que é o da modernização administrativa da Prefeitura.

Culinária educada

Todo final de semana, eu sou uma criatura de forno e fogão. É praticamente uma espécie de escravidão familiar. Ontem, a coisa ficou mais grave: até o meu horóscopo, na Folha de São Paulo, me mandou para a cozinha. Verdade! "Áries - Pela manhã e até o início da tarde, você pode se dedicar à família e às artes da culinária, preparando um gostoso almoço para os seus queridos [...]".

O que não tem solução, solucionado está, não é mesmo?! Lá fui eu para os supermercado e,  de lá, diretamente para a cozinha...

Ontem, ainda fui meio ogro. Fiz um arroz Ráris com carnes, cenoura e brócolis. Uma coisa meio paella natureba; ou, em bom português, meio mexidão. E garanto: não ficou nada mal...

Hoje, deixei meu lado ogro de lado e fiz um esforço danado para ser mais educado. Fiz um risoto de bacalhau, bem al dente, com champignon, tomate e ervilha. O resto, o habitual de todo risoto. Para acompanhar, abóboras assadas com alho e alecrim; e tomate pelado apimentado, refogado no azeite. No capricho...

26 de jan de 2013

Bombaim

Eu tomei conhecimento de Suketu Mehta na FLIP, em julho. Comprei - e tenho autografado - o seu livro Bombaim Cidade Máxima. No final do ano, transcrevi AQUI um trecho belíssimo desse livro, em que ele fala das mãos que se oferecem 'como pétalas', nos trens de Mumbai. O próprio Mehta leu esse trecho, na mesa da qual participou [AQUI], na FLIP. Eu comecei, ainda em Paraty, a leitura desse seu livro. Mas, assim que retornei, envolvi-me na campanha eleitoral de Patrus, em BH, e perdi o controle sobre o meu tempo, especialmente, sobre o meu tempo para leituras. Depois de outubro, acabei me entretendo com outros livros e deixei Bombaim de lado. Retomei-o, agora, e quanto mais avanço na leitura, mais o livro me surpreende e impressiona. É um esmerado relato da vida atual nessa que é a maior cidade indiana. É uma coisa cheia de contrastes absurdos. Ao mesmo tempo que transita no mundo do luxo e da riqueza, Mehta adentra no pior dos submundos. E não é um livro ficcional, embora tenha ares de um romance; é a narrativa da experiência pessoal de retorno da autor à cidade onde foi criado, depois de anos residindo em New York. E, nessa narrativa, ele faz um desfile de personagens com quem vai tendo interlocução, na tentativa de re-compreender uma cidade que lhe é, simultaneamente, familiar e estranha. Coincidentemente, no momento em que lia sobre a vida das mulheres em Mumbai, a organização das mulheres faveladas - o Rahe-haq - e, sobretudo, sobre a banalização do estupro, esse tema ganhou destaque mundial, desde o estupro coletivo, em 16 de dezembro, de uma jovem de apenas 23 anos. Uma barbaridade! Não apenas para aqueles que tem interesse pela Índia, mas também por enredos urbanos e sociais metropolitanos e, mais, por um belo texto, é uma leitura imperdível! [Bombaim Cidade Máxima, Companhia das Letras, 512 págs., R$58]


"As mulheres aguentam muita coisa caladas na favela, porque, como observa Sunil, 'como é que ela vai contar para todo mundo o que fizeram com ela?'. Eles perseguem as mulheres mais vulneráveis: as muito jovens, as filhas ou mulheres de bêbados, ou mulheres que não são muito boas da cabeça. Quando seus homens descobrem o que fizeram com elas, costumam ficar quietos. Quem vai querer que o mundo saiba? Como fica a masculinidade dos homens que se mostram incapazes de proteger suas mulheres?"

25 de jan de 2013

'Cidade Aberta'

Aos céus que nos protejam!

A coluna Cidade Aberta aborda, nesta edição do SETE DIAS, o impacto das chuvas sobre as cidades. Todo dia, basta ligar o Jornal Nacional para se assistir uma sequência de tragédias. Mas nada disso, há anos, parece preocupar os sete-lagoanos. Será que estamos mesmo, por bençãos divinas, a salvo deste problema?! O SETE DIAS está nas bancas, a versão digital do artigo pode ser lida no site do jornal [AQUI].

22 de jan de 2013

A crise dos partidos

Acho que a pesquisa IBOPE divulgada pelo Estadão, no último domingo, 20, merece uma reflexão mais cuidadosa. Mesmo os petistas, que andam comemorando sua extraordinária liderança na preferência do eleitorado, deveriam colocar um pulga atrás da orelha. E se, a meu ver, até os petistas deveriam se conter, muito mais prudentes deveriam ficar os políticos das demais agremiações. Outros levantamentos já vinham mostrando os partidos como as instituições de menor credibilidade nacional; esse de domingo só fez reafirmar esse fato. O seu principal recado foi inequívoco: os brasileiros estão se afastando dos partidos. Se, em 1988, 61% diziam ter alguma afinidade partidária, pela primeira vez, a maioria - 56% - confessou-se apartidária. Ou seja, nenhum dos 30 partidos instituídos, hoje [outubro de 2012], no Brasil, anda conseguindo representar alguma coisa para a maioria de nós. Isso é muito ruim!

21 de jan de 2013

Psoríase: assuma, sem vergonha! - 2


Tempos atrás, eu escrevi sobre psoríase AQUI, a propósito de uma matéria que havia sido publicada no Portal Sete. E acabei dando um depoimento pessoal sobre minha longa convivência com essa doença um tanto enigmática. Ainda que esse assunto não interesse à maioria das pessoas, penso que ele interessa a algumas. Volto a ele, agora, para uma recomendação de leitura. Na verdade, é mais do que isso: é uma retribuição a uma gentileza. O Dr. Antônio Bahia, nosso reitor no UNIFEMM, emprestou-me uma edição recente da revista Nature [Ed. 492, 20/27-12-2012], cuja seção Outlook trouxe uma série de artigos científicos sobre psoríase. Mesmo para quem não tem a versão impressa da revista, é possível ler todos esses artigos em sua versão digital, no site www.nature.com, mais precisamente AQUI. Fica a dica...

Há quem não ache muito aconselhável essa minha mania de ler tudo e mais um pouco sobre uma doença ainda envolta em muitos mistérios. Eu discordo. Acho que tudo depende de como e o quê se lê. É preciso ler com maturidade e sem propensão a se angustiar com qualquer coisa. E é melhor ler textos com boa base científica, como é o caso da Nature. Pessoalmente, acho que a melhor forma de lidar com uma doença crônica é ampliando o seu conhecimento sobre ela. Afinal, a doença é um problema seu e não do seu médico...


De qualquer maneira, mais uma vez, dou o meu relato pessoal: é impossível não entrar em certa montanha russa emocional ao longo da leitura dos artigos. Ao lê-los, nos três últimos dias, eu tive momentos de aguçada curiosidade, especialmente quando os primeiros artigos descreviam a doença - digamos - não como uma doença de pele, mas uma doença na pele; na verdade, um distúrbio do sistema imunológico que passa a trocar as bolas na identificação de células patogênicas e células normais do organismo e passa a atacar as duas; ou seja, a combater processos inflamatórios e, junto, a combater a você mesmo, criando novos processos inflamatórios, num ciclo vicioso de auto-destruição. Mas tive, também, momentos de enorme desalento, sobretudo, quando li sobre o difícil caminho dos novos medicamentos, as evidências cada vez maiores de relação entre psoríase e stress e, mais, entre psoríase e problemas cardiovasculares. Coisas um tanto fora de controle... Mas, sinceramente, para quem é psoriático, acho que é necessário enfrentar esse sobe-e-desce de sentimentos e encarar a leitura, do começo ao fim, da seção Outlook.

-------------------------------------------------------------
PS - Ao reler a postagem anterior, de maio do ano passado, eu me dei conta de dois comentários que foram publicados e que eu não havia lido nem, portanto, respondido. Um de um 'anônimo' ou 'anônima' que se identificou como Ingrid e outro de um blogueiro chamado Gabriel Pretel. O Gabriel, que também é psoriático, deu dica de uma postagem que ele fez sobre o assunto, no seu blog [www.gabrielcastaldini.com]. A Ingrid me fez uma pergunta que, indelicadamente, não respondi. Se a Ingrid, por acaso, ainda passar por aqui, eu queria dizer a ela que, tardiamente, a resposta está lá [AQUI]...

18 de jan de 2013

'Cidade Aberta'

Isso não cheira bem

O Orçamento 2013 de Sete Lagoas consigna quase R$19 milhões para contratação de empresas para limpeza urbana. Esse valor, para uma só despesa, supera o orçamento de qualquer secretaria ou órgão municipal, à exceção da Saúde, da Educação e do SAAE, e equivale a todo o orçamento da Câmara de Vereadores. Incrível! Como tanto dinheiro, ao invés de proporcionar boas soluções, consegue gerar tantos problemas?! Esse é o tema da coluna Cidade Aberta, no SETE DIAS desta semana. O jornal já está nas bancas. A versão digital do artigo está AQUI.

"Ao cidadão, acho que interessa pouco o nome da empresa contratada, as acusações, de um lado, e as explicações, de outro. Interessa é o lixo recolhido e a cidade limpa, com a tranquilidade de que isso está sendo feito pela empresa mais credenciada e pelo menor preço".

16 de jan de 2013

Restaurante Popular: do estigma à valorização

Patrus Ananias, quando prefeito de BH, foi um dos pioneiros na implantação de uma política pública de segurança alimentar, através dos restaurantes populares, das cozinhas comunitárias e dos bancos de alimentos. Uma década depois, como ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, não apenas teve oportunidade de nacionalizar essa política como de atribuir-lhe uma grande robustez com sua associação com o programa Bolsa Família. Há um ponto central que precisa ser destacado nesse processo: a alimentação - que, até então, para os pobres, era provida por instituições particulares de caridade - tornou-se um direito para todos e um dever do Estado. Essa sim foi a grande transformação.

No começo da década de 2000, quando se implantou o primeiro restaurante popular em Sete Lagoas, o Restaurante do Trabalhador, esse equipamento ainda era estigmatizado. Disseminou-se, na cidade, a crítica de que seria um centro de mendigos. Eu era secretário e participei, ativamente, da defesa dessa proposta. Para quem se lembra, cheguei a ser duramente vaiado numa reunião no auditório da CDL, quando convidado a explicar o que o governo municipal pretendia fazer. Escrevi artigos em jornal rebatendo, democraticamente, as críticas e justificando o restaurante popular, ali onde ele se encontra hoje. Vou revolver os meus baús e localizar esses textos...

Não há que se criticar ninguém. Eu acho que, do estigma à valorização do restaurante popular, há, na verdade, um amadurecimento da sociedade sobre nossa responsabilidade frente às desigualdades de nossa cidade e de nosso país. Independente de qualquer partidarização, a compreensão de que a superação da pobreza é um dever público, de que a fome é inaceitável e precisa ser combatida, tornou-se um legado nacional, na última década. Isso é encorajador!

O jornal Estado de Minas trouxe, nesta quarta, uma matéria que já havia sido abordada, ontem, na rádio CBN: Cardápio do Restaurante Popular I será preparado por chefs renomados [AQUI]. Obviamente, trata-se do restaurante de Belo Horizonte. Mas, ainda assim, essa matéria permite-nos uma comparação alentadora: se há pouco mais de 10 anos, um restaurante popular era motivo de estigma, hoje, ele é valorizado a ponto de se tornar um centro de gastronomia. É coisa pra comemorar!

15 de jan de 2013

Limpeza urbana: muita grana para muito problema

Curiosidade: vocês sabiam que a limpeza urbana, em Sete Lagoas, tem recursos orçamentários de quase R$ 19 milhões, em 2013, e que essa única despesa, paga através de duas rubricas - uma com recursos vinculados à Taxa de Coleta de Lixo e outra com recursos livres do Tesouro - é maior do que o orçamento de qualquer secretaria ou órgão municipal - à exceção da Saúde, da Educação e do SAAE - e equivale a todo o orçamento anual da Câmara de Vereadores?

Como tanta grana consegue se converter em tanto problema... estranho, não?!

13 de jan de 2013

Pesadelo

Sai da cama e tomei, imediatamente, a rua. Segui a direção leste. Singrei, como um barco, a chuva e a escuridão. Em frente à fábrica de meu avô, o silêncio repetia o barulho dos antepassados das máquinas paradas. Lamentos mudos vinham do velho Pronto Socorro do Hospital misturados aos passos sem sons das irmãs. Tomei o córrego na direção oeste. Fui embora São José afora. Queria chegar até a Lapa d’Orelha. Eu precisava subir sobre ela e berrar, insistemente: - “não subam a 040. Calor, calor, calor. Sertão, sertão, sertão. Terra do diabo. Aqui é apenas o rabo. O rabo do diabo”. Não subi. Não tinha forças. Subi a 040. A chuva e a escuridão; a chuva e a escuridão. Segui rumo a Cordisburgo e, depois, a Curvelo. Terras quentes. Infernos. Tocas do diabo. Molhei-me, sujei-me e fedi. E segui. O caminho de São Geraldo. O caminho do diabo. Dias de chuva e escuridão. Sentei-me na escadaria da Igreja de São Geraldo e proclamei a verdade: - “Deus não existe. Só o diabo governa. Só o medo detém o diabo. O medo, o medo, o medo”. Os beatos desdenharam. E rezavam. Rezavam por medo. Eu sabia que eles rezavam por medo e proclamava e proclamava e proclamava a verdade. Eu, o profeta. Os homens se movem pelo pecado; e o diabo é o pai dos pecados. Luxúrias. As virtudes não existem. São sombras envergonhadas do medo. Com giz, risquei as quatro calçadas da igreja, com milhares e milhares da mesma frase: - “Só o diabo governa. Só o medo detém o diabo”. O diabo não deixou ninguém ler. Uns jogaram moedas como penitência. Mas eu insisti. Eu estava cansado de tanto medo e estava disposto a fazer um acordo com o diabo. Se Quelemém fez, eu tinha o direito de fazer. Mas ele não queria livrar-me do meu medo, não queria conversa comigo. Minas unhas estavam imundas, negras. Minha pele fedia ao diabo. Mas ele me ignorava. Insisti. Se eu fizesse um acordo, perdia o medo. Ainda que ganhasse o arrependimento. Eu queria o arrependimento, mas não queria mais o medo que inventa deus. Com carvão, risquei as quatro paredes da igreja, com milhares e milhares da mesma frase:  - “Só o diabo governa. Só o medo detém o diabo”. O diabo não deixou ninguém ler. Outros jogaram moedas como penitência. O diabo é ruim e não quis acordo comigo. Deus é invenção do medo. Eu disse, eu disse, eu disse. No silêncio, no meio da chuva e da escuridão, a verdade que eu proclamei ecoava em auto-falantes: - “Só o diabo governa. Só o medo detém o diabo”. Levantei e retomei o caminho de volta. Precisava de um banho e de uma cama quente.

11 de jan de 2013

Com casa, sem cidade

Esta matéria está n'O Globo [AQUI]: Sem transporte para Minha Casa Minha Vida. Refere-se a um tema sobre o qual já insistimos aqui e que continua a merecer uma reflexão mais séria. E é bom lembrar que aborda um fato que conheceremos, brevemente, em Sete Lagoas. Também aqui o PMCMV está se consolidando como um programa periférico, com baixo nível de infraestrutura urbana. Para os que tem boa memória, esse foi o tema mais crítico que enfrentei, quando secretário municipal, a respeito do qual sofri as acusações mais agressivas. Os fatos, todavia, são mais soberanos do que as acusações. O problema está aí. Empreendimentos depois da Cidade de Deus, periféricos, em áreas até então categorizadas como áreas rurais, sem creches, sem escolas, sem postos médicos e sem transporte público de qualidade ofertam moradias, mas negam o direito à cidade. Isso significa ser contra o programa e os empreendimentos? Claro que não! Significa que é possível e necessário que o poder público interfira na origem, na concepção desses empreendimentos, estabelecendo condicionantes que o tornem sustentáveis. Isso não significa 'travar loteamentos'; significa sim viabilizar a expansão equilibrada e justa da cidade.

Sobre isso, leiam também [AQUI]: Minha Casa Minha Vida: governo diz que programa está em aperfeiçoamento.

'Cidade Aberta'

Homo centrum lacunarum

O tema de hoje, na coluna Cidade Aberta, no SETE DIAS, é a barulheira que virou o centro de Sete Lagoas. É barulho pra todo gosto, pra todo lado, de manhã à noite. Como não há o que fazer, como não adianta reclamar com o bispo, resta rir da própria desventura. Bom proveito! A versão digital do artigo está AQUI.

10 de jan de 2013

Lixo na rua, nuvens no céu

Eu não tenho o que dizer sobre a troca da Via Solo pela Vina. Se havia razões administrativas, muito bem. Especificamente sobre isso, já que houve uma acusação de superfaturamento pelo prefeito, contra a Via Solo, apenas acho que isso devia ser provado, de maneira simples: o prefeito devia mostrar o contrato de uma e outra empresa, a economia de valores e o ganho em idoneidade. Ponto.

Mas o assunto aqui é o lixo na rua. Fui almoçar no Eufrásio e no trecho de três quarteirões entre o escritório e o restaurante, foi impossível não ficar impressionado com o volume de lixo não coletado, por todo lado. OK, OK! Eu entendo a justificativa de que a nova empresa está há apenas três dias na cidade e ainda tem problemas logísticos. Natural. Mas o que não me parece natural é, exatamente, do ponto de vista executivo, não terem pensado nisso. Não teria sido possível uma solução de transição entre uma empresa e outra?

Sobretudo porque há um agravante: tanto lixo na rua e tantas nuvens negras no céu não costumam ser uma feliz associação... Se a Vina demorar, a chuva faz o serviço por ela. Aí, as consequências costumam não ser lá muito boas...


O Tempo Agora está prevendo tempo fechado e chuvoso, com possíveis trovoadas. Onze milímetros, hoje; 33, amanhã e 24, no sábado. O Climatempo faz previsões piores: respectivamente, 18, 39 e 29mm. É muito? Se for por várias horas, não; mas, se for uma chuva concentrada em pouco tempo, pode dar trabalho...

9 de jan de 2013

Oásis urbanos

Essa leitura é imperdível. Está no Globo: Oásis urbano, alívio em tempos de calor recorde [AQUI]. "Estudos mostram que praças e parques podem reduzir em até quatro graus a temperatura do entorno".  Mais: "pesquisas indicam que praças e parques devem ter pelo menos 50% de cobertura vegetal para proporcionar redução significativa de temperatura no local e em seu entorno".

O problema é que nem meus colegas arquitetos [com suas maquetes áridas...] nem gestores públicos parecem acreditar muito nisso...

8 de jan de 2013

Respondendo ao Ivan

Quanto Sete Lagoas recebe de FPM?

Na postagem abaixo, um leitor que se identificou como Ivan deixou a pergunta acima. Respondendo: eu não tenho a LOA 2012 em mãos para saber qual foi a previsão para o ano passado. De toda forma, para sabermos quanto o município recebeu, efetivamente, teremos que aguardar a prestação de contas do terceiro quadrimestre. Um bom indicativo, entretanto, é quanto foi previsto de FPM no Orçamento 2013: Sete Lagoas tem expectativa de receber, neste ano, R$ 65mi de FPM.

Mas essa pergunta conduz a outras...

A primeira seria: o FPM é significativo no contexto do nosso orçamento? Aparentemente, não; de fato, sim. Digo que aparentemente não porque frente ao orçamento total de R$ 760mi, para 2013, ele representaria 8,5%. Mas essa é uma análise precária: a vantagem do FPM é que ele é um recurso livre e o valor total do orçamento inclui, em sua maioria, receitas vinculadas. Se deduzirmos essas receitas vinculadas [grosseiramente: R$ 320mi de receitas de capital, R$ 30mi de taxas e contribuições vinculadas, R$ 5mi de receitas patrimoniais também vinculadas, R$ 25mi de receita de serviços que tem vinculação na origem, R$ 120mi de transferências correntes também com vinculação, sobretudo, com a saúde, e a parte vinculada de outras receitas correntes de R$ 5mi], o orçamento livre reduz-se para R$ 300mi. Aí, sim, o FPM passa a ter uma importância substantiva, de mais de 20%.

A segunda seria: quer dizer, então, que o município perdeu alguma coisa perto de 20% de suas receitas livres? Claro que não! Esse é o ponto que precisa ser esclarecido: de quanto foi a queda real do FPM de Sete Lagoas? O que interessa é que essa queda tem impacto sobre 20% do orçamento livre e sobre menos de 10% do orçamento fiscal. Ou seja, se tivesse ocorrido, por exemplo, uma perda de 10% de FPM, isso significaria um prejuízo orçamentário de 1 a 2%...

PS - 09/01, 16h00: No comentário abaixo, o Luciano Lyra, com base no Portal da Transparência do Governo Federal, estimando a transferência de dezembro, concluiu que o repasse de FPM no ano de 2012 deve ter sido da ordem de R$ 42,6mi. Eu tive acesso à LOA 2012 [obrigado, Caio Pacheco ..] e verifiquei que ela previu um montante de FPM de R$ 61,6mi. Ou seja, se esses números estiverem certos, houve uma perda de R$ 19mi, alguma coisa próxima de 30%. De novo, se esses números estiverem corretos, a queda de FPM teve um impacto de 2,6% sobre o Orçamento Fiscal de 2012 ou, em outros termos, de 6% sobre as receitas consideradas de livre aplicação. Pelo jeito, para este ano, como consignado na LOA 2013, parece que a expectativa do governo municipal é de que essa transferência recupere o patamar anterior.

Má gestão ou má sorte?

O site do Estado de Minas está com uma matéria que merece ser lida: Brasil tem 97% das Prefeituras endividadas [AQUI]. O dado é da Confederação Nacional dos Municípios - CNM que cumpre seu papel litúrgico de colocar a culpa na queda do FPM. Eu, particularmente, acho necessária uma ponderação: se há diferentes níveis de dependência dos municípios do FPM, é razoável usar uma causa comum para justificar a  quebradeira de todos? Eu penso que não. O FPM pode ter complicado, e muito!, a administração dos pequenos municípios que, praticamente, vivem dele. A própria matéria faz referência a isso: Pequenos municípios sofrem ainda mais com dívidas de prefeituras [AQUI]. Mas, a meu ver, em municípios de médio e grande porte a sua queda pode, no máximo, ter amplificado o efeito negativo de gestões que já vinham, mesmo antes, apresentando problemas. Casos como o de Sete Lagoas não podem ser comparados aos de cidades de pequeno porte no norte do estado, como Japonvar, citado na matéria, lugar que eu nem sabia que existia. Há diferenças enormes: Sete Lagoas tem um leque de receitas muito mais diversificado e tem uma capacidade instalada de gestão incomparavelmente maior. Se otimiza sua arrecadação e se usa bem essa capacidade gerencial é o xis da questão. A análise do orçamento [por mais que falem que ele não passa de uma peça de ficção], nas mãos de quem sabe interpretá-lo [e muitos servidores na Prefeitura sabem e sabem bem...], vis-à-vis o progresso da arrecadação e das despesas, ao longo do ano, diz tudo e mais um pouco. O diacho é que ninguém quer ouvir os alertas que essa comparação sistemática emite. A realidade é que os gestores metem o pé no acelerador, esquecem o freio, descem ladeira abaixo e acreditam que vão chegar inteiros. Não chegam e culpam a má sorte e o FPM...

7 de jan de 2013

A falta ampla, geral e irrestrita de discurso

Elio Gaspari, na sua tradicional coluna de domingo, em vários jornais, deu destaque a dois temas interessantes: um, sobre Alan Turing, o pioneiro da era da informação; outro, no qual o título diz por si: 'PT, um partido em busca de um discurso'. Aí, ele diz que parte da liderança petista já se deu conta de que o enfrentamento às decisões do STF está custando caro ao partido e que é necessário "organizar um novo repertório". E que a grande aposta está no governo Haddad, em São Paulo.

O artigo me chamou a atenção por duas razões. A primeira é que "a busca de discurso", pela falta dele, vem sendo debitada, costumeiramente, por analistas políticos sérios, não ao PT, mas à oposição. Nesse caso, o enunciado é mais ou menos o seguinte: naquilo que muda a vida do eleitor e influencia seu voto, a oposição, serrista ou aecista, não tem conseguido dizer nada novo que contraponha ganhos concretos dos últimos dez anos do PT no governo, em termos de melhoria da condição de vida da população. O discurso oposicionista tem sido um não-discurso que apenas reage e acusa o PT. O que tem dado resultados contrários aos desejados, como comentei na postagem 'Qual a explicação plausível?"[AQUI].

Pois muito bem. A questão não é essa; a questão está no fato de que, ainda assim, ainda que eu não identifique um discurso oposicionista que crie uma nova agenda para o país, eu concordo com o Gaspari de que o discurso petista também já se esgarçou. O PT tem resultados positivos de governo para mostrar, olhando pra trás, mas não tem muitas luzes para o futuro para anunciar. A não ser que alguém acredite que o discurso da "infraestrutura", de parte a parte, vai conseguir se impor como uma agenda nova. Pra mim, esse é um passivo geral que não alavanca discurso nenhum e de ninguém. Sobre isso, na mesma coluna, Gaspari matou a pau: comentando o fato de que "os marqueses da oposição acreditam que os buracos dos aeroportos e das estradas serão um tema decisivo na eleição de 2014", ele lembrou o conselho do marqueteiro James Carville [o mesmo de 'é a economia, estúpido!'], a Clinton, em 1992, de jamais usar essa palavra 'infraestrutura'...

Trocando em miúdos, aceitar a tese de que o PT também está sem discurso significa reconhecer que o chamado 'modo petista de governar', que se consolidou desde as primeiras gestões municipais, baseado nos conceitos da ampliação da democracia direta [orçamento participativo] e da inversão de prioridades [com uma agenda social mais robusta], já deu o que tinha que dar. É importante, mas já não responde, por si, aos problemas contemporâneos.

Está aí o ponto: qual partido tem propostas novas e transformadoras para as grandes questões de hoje? Qual tem um discurso inovador sobre as cidades, admitindo-se que elas representam o fenômeno moderno mais desafiador? Qual partido tem o que dizer sobre meio-ambiente, segurança pública e mobilidade urbana? Qual tem respostas para as enchentes de Xerém, a absoluta falta de capacidade preventiva pública, até mesmo para lidar com lixo e limpeza urbana [apontado como o principal fator para o estrago das chuvas, no território de Zeca Pagodinho, no começo deste ano]?

Resposta direta e reta: nenhum!

Eternamente incompleto

Permanece em todos nós o sentimento de incompletude... Saudades!

4 de jan de 2013

Cidade Aberta

Ou é ou não é!

As notícias sobre o estado calamitoso das finanças públicas de Sete Lagoas continuam se sucedendo. Hoje, o SETE DIAS trouxe mais uma: a dívida com o 13º não pago ao funcionalismo chegaria a R$5,2 mi. Eu sempre debitei esses resultados negativos na conta dos equívocos administrativos do ex-prefeito Maroca. Mas o atual prefeito Márcio Reinaldo parece debitar em outra conta: na da improbidade administrativa. Na edição passada do jornal, ele deixou no ar que havia superfaturamento no contrato com a Via Solo; acusou a Via Solo de fazer tráfico de influência, envolvendo inclusive gabinetes de Brasília; denunciou licitação forjada em contratação de empresa de sistemas de gestão; e calote no INSS. Na edição de hoje, afirmou  mais: que a Fazenda municipal é uma 'caixa preta'. Seja como for, eu só acho que não podemos ficar submersos nesse clima de suspeição, entre o malfeito e a difamação. A verdade precisa prevalecer! Esse é o tema da coluna Cidade Aberta, no SETE DIAS. O jornal está nas bancas; a versão digital do artigo pode ser lida AQUI.

3 de jan de 2013

Festival Enogastronômico [encerramento]

Dia 11 de janeiro, na sexta-feira da próxima semana, termina o 1º Festival Enogastronômico de Sete Lagoas. Uma boa oportunidade de confraternização para todos aqueles que participaram desse evento. Para maiores informações, cliquem AQUI.


CARDÁPIO

ENTRADA:
Tulipa de frango ao molho de laranja
File de tilápia empanado ao molho de alcaparras com uva
Espetinho de salmão ao molho bechamel com castanha do Pará
Medalhão de palmito na manteiga de pistache
Queijo pachá
Quiche de frango com tomate seco
Damasco recheado com gorgonzola e geleia de pimenta
Tartalete com antepasto de berinjela

JANTAR:

2 MASSAS: espaguete e penne
3 MOLHOS: file com funghi, bolonhesa, camarão

SOBREMESA:
Panacota com geléia de frutas vermelhas

BEBIDAS
Zanella 2008
Zanella Brut Champenoise
Moscatel Quinta Don Bonifácio

Local: Bela Vista Clube
Av. Getúlio Vargas, 111 Sete Lagoas - MG
11/01/2013 às 21h.
 Adesão: R$95,00

Qual a explicação plausível?!

Se alguém tivesse projetado o ano de 2012, inadvertidamente ou não, teria dado um presente à oposição. Vejamos: a crise mundial, impactando fortemente a economia brasileira, gerou um ironizado pibinho; o julgamento do mensalão, sendo explorado como o julgamento do século, coincidentemente, na mesma época da eleição, teve um time perfeito; o resultado severíssimo do julgamento, com apropriação de diversas inovações na jurisprudência brasileira, levou à punição da maioria dos réus, especialmente dos petistas, da situação; a teatralização do julgamento ampliou-se com sua transmissão ao vivo pela TV Justiça e cobertura ostensiva pela Rede Globo. Houve mais uma tentativa de envolvimento pessoal do ex-presidente, a partir de mais uma operação da PF. Foi um sucesso quase [não fosse o Demóstenes...] absoluto a desvinculação total de qualquer desses eventos com a oposição, seja com o mensalão mineiro, seja com o caso Goiás, do Cachoeira. Ou seja, foi ouro puro nas mãos da oposição. Juro que eu mesmo, nesse contexto, tinha forte receio de que seria um ano de matar para o petismo, o lulismo, o dilmismo, ou qualquer nome que se queira dar à situação.
.
Desfecho do enredo: é de pasmar! Se tudo isso fosse uma armação, não poderia parecer melhor; e não poderia dar piores resultados!

Avaliação do governo Dilma
Atingiu, no final do ano, o patamar recorde de 62%. A aprovação pessoal da presidente foi a estratosféricos 78%. Quem deu esses números inéditos foi o Ibope e a CNI. Se a eleição fosse em dezembro, Dilma venceria, no primeiro turno, com 53 a 57% dos votos. Lula, com 56%. Na oposição, Marina chegaria a magros 18%; ninguém mais ultrapassaria 15%. Informações do Datafolha.

Avaliação do resultado das eleições
Transcrevo parte de um artigo de Marcos Coimbra, do Vox Populi, com uma avaliação numérica. A oposição teve, em 2012, o pior resultado eleitoral desde o período FHC e perdeu a jóia da coroa, São Paulo. Com isso, tem um futuro, em tese, potencialmente, comprometido: 
Entre 1996 e 2000, PSDB e DEM cresceram no número de prefeituras conquistadas, indo de 1851 para 2018. Nas eleições legislativas, foram de 152 deputados federais em 1994 a 204, em 1998. Voltaram a 154, em 2002, quando Lula obteve seu primeiro mandato.
De 2000 para cá, os dois partidos sistematicamente perderam bases municipais: 1350 prefeituras em 2004, 1282 em 2008 e 980 este ano. Na Câmara dos Deputados, suas bancadas vieram de 131, em 2006, para os 96 que elegeram em 2010. 
São números que sugerem haver relação estreita entre os dois processos. Partidos que se saem mal na eleição municipal tendem a diminuir de tamanho na representação na Câmara.
É o horizonte dos dois maiores partidos de oposição. Com metade das prefeituras que tinham na época de Fernando Henrique, vão para 2014 se arriscando a não passar de discreta minoria no futuro Congresso.
Avaliação das Instituições
Se é fato que, politicamente, a imprensa se partidarizou, deu-se muito mal. A avaliação da imprensa despencou 9 pontos, entre os que confiavam muito, e 1%, entre os que confiavam pouco. Entre os que não confiavam, piorou o nível de desconfiança em 10 pontos. O STF melhorou. A Presidência continuou como a Instituição mais confiável e os partidos e o Congresso, os de pior desempenho:



Avaliação da Rede Globo
A poderosa Globo encerrou 2012 com a pior audiência de sua história. A rede que chegou a ter quase 22 pontos de média de audiência, no início dos anos 2000, terminou o ano passado com míseros 14,7 pontos.

Qual a explicação plausível?!
Minha opinião: goste-se ou não, ao ser incapaz de criar uma agenda própria e positiva e ao fazer-se refém de uma agenda acusatória, negativa, a oposição e a imprensa só fazem manter Lula e Dilma no centro da cena política e transformá-los em lideranças messiânicas, ou como disse a Folha, 'majestáticas'. Isso mantém em evidência todos os pontos positivos dos 10 anos do PT no poder: ganho real do salário mínimo, ascensão de milhões de brasileiros pobres à classe média, novo patamar de proteção social etc. Ao final, entre a percepção de melhora de vida e nenhuma proposição do outro lado, a população faz uma escolha objetiva quanto ao que lhe é mais conveniente. Nesse processo, a oposição e quem se identifica com ela vão se auto-implodindo. A conferir...

Bye, bye, Montillo

Estava na cara. O tom irado do Zezé Perrela [AQUI] não tinha nada a ver com o Cruzeiro, a melhor forma de gerí-lo, se vender dois ou três jogadores por ano era ou não a fórmula do sucesso. A ira era pressa. Com o time fora da Libertadores, Zezé estava preocupado era com a desvalorização de seu patrimônio pessoal: 20% de Montillo pertence a um fundo de investimentos que é dele [AQUI]. Ponto. Rugiu, rosnou e mandou: Montillo é do Santos por cogitados 10 milhões de euros. A vida que já andava difícil vai virando osso...

A estupidez dos alarmes

Todo mundo instala alarmes sem se preocupar com o essencial: para qual utilidade? Quando o maldito alarme disparar, quem será acionado para dar cobertura? O alarme da MasterCabo Sete Lagoas, próximo à Prefeitura, disparou antes das 2h00 da madruga de hoje; são quase 7h30 da manhã e continua disparado. Alguma central de segurança foi acionada? Não! Os responsáveis pela MasterCabo compareceram ao local? Não! A Polícia Militar? Não!

Para quê esse alarme está disparado? Óbvio, só há uma resposta: para alertar a vizinhança! Alguém nas redondezas conseguiu dormir? Não! A lógica da MasterCabo e de meio mundo é simples: a segurança deles está em enlouquecer os vizinhos. Os vizinhos é que devem se levantar, passar a noite acordados, fazer a ronda e chamar a polícia. Uma lógica simples, barata e irresponsável!

Não há um dia que não dispara um alarme no centro da cidade, não desses que dispara e alguém, em seguida, desliga; mas do tipo que dispara e disparado fica. E como isso é um dia sim, outro também, ninguém mais dá a menor importância ou se 'alarma' com eles...

Isso precisa ter uma regulação. As empresas instaladoras deveriam estar obrigadas a exigir do proprietário uma vinculação a uma empresa de segurança ou a um número mínimo de celulares que fossem, automaticamente, acionados.

Vizinhos, em geral, não são seguranças gratuitas de empresas. Vizinhos, em geral, à noite, dormem. Quando podem...