20 de dez de 2013

'Cidade Aberta'

O primeiro Natal de Francisco

Como fica a festa pagã e comercial em que transformamos o Natal frente às palavras e atitudes surpreendentes do papa Francisco?! Essa reflexão é o mote da coluna Cidade Aberta, no SETE DIAS, desta semana pré-natalina, que pode ser lida AQUI.

13 de dez de 2013

'Cidade Aberta'

Pela rota do caos!

De um lado, o novo distrito industrial com grandes indústrias como a IVECO e a AMBEV. De outro, a BR-040, rodovia por onde vêm os insumos e por onde se escoa a produção. No meio, miseravelmente, a cidade de Sete Lagoas! E ao invés de viabilizar o propalado rodoanel, passando por fora da cidade, a Prefeitura insiste em rotas de carga para caminhões pesados, em meio a bairros residenciais e, agora, atravessando a nossa principal área de proteção ambiental. Parece mentira, mas não é. Esse é o tema da coluna Cidade Aberta, desta semana, na página 2 do SETE DIAS, cuja versão digital pode ser lida AQUI.

[A propósito, sobre esse tema, leiam mais AQUI e AQUI]

12 de dez de 2013

Paixão ou ingenuidade

A paixão pelo futebol e pela F1 me levam, como a uma multidão de fanáticos, a torcer, ano a ano, por esse ou aquele piloto, na F1, e pelo Cruzeiro, no futebol. A cada fim de uma temporada e início de outra, a cada ciclo, é sempre aquela coisa envolvente de prestar atenção em cada notícia, esperar pelos lançamentos dos novos carros, pelos primeiros resultados das mudança de regras, por novas contratações e de fazer novas apostas e criar novas expectativas. Mas, também a cada ano, a cada ciclo, vai se tornando um pouco mais difícil não desconfiar de que por trás de tanta paixão, esconde-se, na verdade, uma enorme ingenuidade.

Na F1, é de se suspeitar, sempre, que os patrocínios, 'a força da grana que ergue e destrói coisas belas', os jogos de equipe, a distância entre os carros 1 e 2 nem sempre tem motivações exatamente esportivas.

No futebol tupiniquim as coisas não apenas não são melhores, como são mais bizarras. Ridículas mesmo. Neste Brasileirão, as únicas certezas que tive foram de que o Cruzeiro foi o melhor time e o Náutico, o pior. Ponto! Que campeonato é esse em que a maior emoção está no rodapé da tabela? Em que, dado o último apito, a disputa segue no tapetão, com quatro times na corda bamba, dois com chance de sair da zona da degola, dois com chance de entrar? Em que as imagens mais marcantes do encerramento do torneio são de um massacre de bandidos travestidos de torcedores?

E não me venham com a conversa de que foi o campeonato com menor nível técnico. Campeonatos com bons níveis técnicos são apenas os que têm a liderança do eixo Rio-SP? Nada disso! Falar isso é criar uma cortina de fumaça. O problema não está no nível técnico; o problema real está no nível de incompetência, de desorganização, pra não dizer tudo mais que se pode dizer, dos jurássicos cartolas do futebol brasileiro.

Desanimador!

[Confronto entre torcedores do Vasco e do Atlético-PR pra fechar o campeonato com chave de ouro!]

10 de dez de 2013

Decisão impensada direciona transporte de cargas para área ambiental - II

Continuando a discussão iniciada em postagem anterior, com o mesmo título, eu gostaria de comentar a colocação do prefeito Márcio Reinaldo, sobre o assunto em questão, em sua entrevista ao SETE DIAS. Logo no começo, o prefeito diz, textualmente:
NOVO ANEL VIÁRIO 
O anel rodoviário que sai da Iveco está totalmente estrangulado, passando pela região do CDI. A ideia do Governo de Minas é sair da MG-238 e seguir pela região norte da avenida Perimetral. O novo percurso passaria pela região dos bairros Mangabeiras, Jardim Arizona o que já necessitaria de várias adaptações. Perto do Shopping Sete Lagoas será outro problema de estrangulamento e teremos que partir para as hipóteses. Uma seria pegar a antiga estrada do pé da serra e sair próximo à sede da Polícia Rodoviária Federal. O problema é que esta é uma área de Controle Ambiental. Minha assessoria aconselhou que nesse caso não deveríamos usar asfalto e sim bloquete. A outra alternativa é passar pela avenida Otávio Campelo Ribeiro, um caminho mais complicado para os caminhões maiores. Temos que pensar bem o que vamos fazer, porque esta é uma necessidade.
Até o momento, eu estava entendendo que a ROTA DE CARGA PROPOSTA por ele utilizaria o sistema viário existente: ou seja, ou a opção Perimetral/Castelo Branco/040 ou a alternativa Perimetral/Otávio Campelo/040. Mas não é nada disso! A proposta do prefeito, destacada em negrito, é outra: ao que se depreende, ele está estudando abrir uma estrada nova [com "bloquete"] rasgando a Fazenda Arizona. Ora, não há outro caminho para sua descrição de "pegar uma antiga estrada do pé da serra", que está dentro de "uma área de controle ambiental" e que dá acesso direto "à sede da Polícia Rodoviária Federal" senão a que está ilustrada no mapa abaixo.

Francamente, o mundo está perdendo o juízo?! A ocupação dessa área por um condomínio residencial, o Boulevard Santa Helena, já foi motivo, recentemente, de uma polêmica tremenda; agora, levanta-se uma proposta ainda mais agressiva do ponto de vista urbano-ambiental?! Eu não acredito! E que história é essa de bloquete?! O prefeito deveria saber que uma via destinada a tráfego intenso de caminhões de carga precisa ter um nível de compactação tão alto que se torna praticamente impermeável, qualquer que seja o material de pavimentação utilizado. E essa decisão será tomada assim, sem um debate público?! A lei exige estudos de impacto ambiental e audiências públicas para projetos dessa natureza, especialmente dentro de uma APA. A lei ambiental não vale mais em Sete Lagoas?!

[Simulação da via descrita pelo prefeito Márcio Reinaldo no SETE DIAS]

9 de dez de 2013

Corrida Circuito das Lagoas: 10 sugestões para 2014

Eu não me arrependi nem um pouco de ter feito a Corrida Circuito das Lagoas. Na verdade, eu gostei, e muito, de duas coisas: uma, de ser uma corrida muito familiar, uma corrida em que você conhece muita gente; porque é sempre muito prazeroso correr entre amigos, uns torcendo pelos outros, não é mesmo?!; outra, de que uma corrida em casa, pelas ruas da sua cidade, não tem preço. E, cá entre nós, a definição do percurso, do meu ponto de vista, foi muito feliz, com subidas e descidas muito equilibradas, que tornaram a prova mais instigante e um pouco mais exigente.

Por isso mesmo, meu sentimento foi de que a alegria de correr nesse ambiente fraterno suplantou todos os problemas de organização. E olha que eles não foram poucos!

Eu espero que tenham sido problemas próprios de quem organiza uma corrida pela primeira vez. Que não sejam usados para jogar uma pá de cal sobre a ideia. Mas que sejam usados como meio de aprendizado para que se tenha, no ano que vem, uma II Corrida Circuito das Lagoas impecável. O importante é isso: que esse evento tenha vindo pra ficar; que ele passe a fazer parte do nosso calendário esportivo, se possível, sempre no aniversário da cidade, sempre no segundo domingo de dezembro, sempre no domingo seguinte à Volta da Pampulha. Nesse sentido, olhando, então, para os erros a superar, seguem aí abaixo 10 sugestões para 2014.


7 de dez de 2013

Decisão impensada direciona transporte de cargas para área ambiental

Há mais de uma década, quando se definiu o novo distrito industrial de Sete Lagoas para instalação da IVECO, um dos requisitos observados, até onde se sabe, foi a boa condição logística que sua localização oferecia. Tinha-se ali, de pronto, rota para transporte de carga utilizando a Avenida Perimetral, transpondo a cidade, tanto com saída pela BR-040 quanto pela MG-424, como, ainda, alternativa de fuga pela MG-238/MG-010. Sobretudo, havia possibilidade de abertura de novo anel viário, fora da malha urbana, com conexão, também, com a 424 e a 040, o que seria a solução definitiva.

Mais de uma década depois, nenhum investimento foi feito, o NOVO ANEL inexiste e a ROTA DE CARGA ATUAL segue utilizando as alças leste e sul da Perimetral, cortando o tecido urbano, em área progressivamente mais adensada, especialmente nas imediações do bairro Montreal. Uma opção cada dia mais imprópria!

Não bastasse essa inadequação, a atual administração, ao invés de concentrar esforços, inclusive com pressão política sobre o Governo do Estado para liberação de recursos pactuados, na direção da única solução satisfatória, a da construção do prometido NOVO ANEL, optou por liberar uma nova rota de carga, de novo, atravessando a cidade, desta feita, margeando a Serra de Santa Helena, numa das regiões de maior fragilidade ambiental no contexto urbano. A ROTA DE CARGA PROPOSTA está sendo viabilizada com a ligação da Avenida Norte-Sul à MG-238 [já em obra], o que permitirá o acesso à alça sul da Perimetral, no limite da APA Serra de Santa Helena. 

Rota de carga é rota de carga: não há fluxo de caminhões pesados que não gere degradação urbano-ambiental. E a decisão impensada é de se fazer isso interrompendo, exatamente, a ligação da cidade com o seu principal patrimônio natural; é de se fazer isso, exatamente, numa área de recarga de aquíferos. Inadmissível!

Sete Lagoas ficou no meio do caminho entre o Distrito Norte, a IVECO, a AMBEV e outras empresas e a BR-040. E isso lhe custará caro! Ou se adota uma solução definitiva que desvie o crescente trânsito de caminhões de carga para fora da malha urbana ou teremos uma cidade cercada por caminhões - com a consequente degradação que isso gera - por todos os lados. Literalmente!

O curioso é um assunto dessa relevância não ser levado ao debate público e ser objeto de uma decisão de gabinete. Mais uma prova de que essa história de gestão democrática e participativa das cidades, determinada pela legislação urbanística federal, está se tornando, dia-a-dia, apenas coisa pra inglês ver.

6 de dez de 2013

'Cidade Aberta'

Prosperidade

No artigo de hoje, no SETE DIAS, eu comento o Caderno Especial que o jornal lançou, na edição passada, sobre o Vetor Norte da RMBH e sua conexão com Sete Lagoas. O SETE DIAS fez um belo trabalho! O que me chamou a atenção, no entanto, foi o fato de que, chamadas a falar, nossas principais lideranças políticas - o prefeito Márcio Reinaldo, o deputado Eduardo Azeredo e o deputado Duílio de Castro - não terem dito uma só palavra sobre esse tema. Ruim, não?! O fato é que, gostem ou não, nossas lideranças precisam liderar esse processo. A versão digital da coluna Cidade Aberta pode ser lida AQUI.

3 de dez de 2013

Pampulha: 1h43m57s depois...

Correr é, pra mim, de fato, um ato solitário. E a solidão é sempre uma oportunidade de reflexão. Ainda que nem sempre seja uma reflexão inteiramente programada, consciente, verbal. É muitas vezes, uma reflexão do corpo. Aquela coisa de que 'o corpo fala', como no velho livro de Pierre Weil e Roland Tompakow. Tem dias que, ao correr, o corpo lhe diz que você não anda nada bem; em outros, você sabe que não está nada bem, mas surge uma energia, ao correr, não se sabe de onde, que lhe mostra que sua capacidade de superação de problemas é muito maior do que você imagina. Há, sempre, uma nova e necessária lição em cada corrida!

Por esse caminho, a Volta da Pampulha foi completamente diferente, pra mim, nesse ano. Como, nos outros anos, ela também havia sido diferente. Há sempre pequenos detalhes que são muito reveladores. Desta vez, por exemplo, eu senti que mantive um ritmo muito mais uniforme. Talvez isso tenha a ver com um ano de academia, coisa que não havia antes. Ou seja, estupidamente, eu não vinha fazendo reforço muscular para melhorar o desempenho e a segurança nas corridas. Mas, inevitavelmente, eu acabo associando essa cadência mais uniforme também a outras questões psicológicas, de momento, de vida. Por outro lado, desta vez, nos quilômetros finais, eu não encontrei em mim aquela tradicional reserva de gás para um último tiro de chegada. Pode não ser nada, pode ser coisa da noite mal dormida, mas, intimamente, eu acabo extraindo disso alguns significados pessoais mais complexos, mais profundos. O curioso é que, uma coisa pela outra, mais pique aqui menos ali, meu tempo acabou sendo melhor do que os tempos cronometrados nas outras voltas da Pampulha. Em todas elas, meu objetivo tem sido o mesmo: ficar abaixo de 1:45, o que significa alguma coisa perto de 10,5km/h. Nem mais nem menos. Esse é o meu melhor, mas também o meu limite. Esse é o lado legal da história: cada um tem seu objetivo, seu tempo, seu limite. Ninguém corre com o relógio do outro. Neste domingo, meu tempo oficial bateu em 1:43:57; um minuto a menos do que o previsto. Mas, afinal, o que é um minuto?! Obviamente, pra todo mundo não vale rigorosamente nada. Mas pra mim, naquele momento, é quase uma eternidade. Uma eternidade que comporta mil significados, duas mil reflexões...

Até o ano que vem!

[Largada...]

[... e chegada!]

30 de nov de 2013

SAAE: alguém me explica?

A boa gestão de tributos é um pilar da boa administração pública. Quanto a isso não há dúvida. Isso não significa nem tributar demais nem tributar de menos. O grande problema, do qual Sete Lagoas não está isento, está na dificuldade de se estabelecer uma política tributária, com critérios objetivos, que seja justa com o cidadão e adequada para o financiamento dos serviços públicos. Ou seja, uma política que equilibre esses dois pratos na balança. A politização do processo, no sentido pejorativo do termo, é o que mais ocorre, gerando defasagens tremendas. E defasagens de receitas geram, naturalmente, deterioração na qualidade da prestação de serviços. Quero dizer, enfim, que concordo plenamente com a atitude do atual governo municipal de enfrentar esse tema espinhoso e procurar recolocar os impostos e as tarifas públicos em patamares mais realistas. Mas, a bem do próprio governo, acho que esse processo de reajustamento precisa ser, obrigatoriamente, transparente e democrático.

O reajuste de IPTU está em discussão na Câmara e espero que os vereadores travem uma boa batalha. Uma boa batalha de argumentos e posicionamentos com olhos no interesse público. Espero que nem se subordinem ao Executivo - como já virou praxe - nem ajam com populismo. Ou seja, que ajam com responsabilidade administrativa, sensibilidade social e senso de justiça. Se quiserem, por certo, eles podem fazer um bom trabalho.

[A propósito, sobre esse assunto do IPTU já fiz comentários AQUI, AQUI, AQUI e AQUI].

Até aí tudo bem. Mas e o reajuste das tarifas do SAAE, por decreto, em 9,9%, a partir de 1º de janeiro de 2014? Alguém me explica?

Se tem um assunto que, há anos, é motivo de acalorados debates na Câmara é esse do reajuste de tarifas do SAAE. No governo passado, houve, inclusive, um fato rocambolesco em que o Executivo enviou um projeto de reajuste, o presidente do SAAE [à época, o engenheiro Ronaldo Andrade] gastou tempo demonstrando a situação insustentável a que a autarquia estava submetida pelas reiteradas negativas de aumentos anteriores, os vereadores ficaram meio lá meio cá, quando, sem quê nem pra quê, o próprio prefeito ficou contra o seu projeto e o retirou de pauta. Bizarrice pura que demonstra o ambiente político delicado em que esse tema sempre esteve submetido. E, agora, de repente, o Executivo promove o reajuste por decreto, ou seja, sem obrigatoriedade de autorização legislativa? E faz isso com base não em uma nova legislação, mas com base na Lei Orgânica do Município que, como se sabe, remonta a 1990? Quer dizer que há 23 anos já não era necessária nenhuma autorização legislativa? Como a Procuradoria Geral do Município não viu isso antes? Ou esse expediente de submeter aumentos do SAAE ao Legslativo era mera liberalidade? Sinceramente, dessa vez, não entendi nada!

[Sobre o atual reajuste do SAAE, leiam AQUI]

O que interessa perguntar: será esse, de fato, o melhor caminho? Não seria melhor enfrentar outro mais pedregoso, o do debate público, a troco de um resultado com maior apoio social? Tirar a Câmara do processo não é uma forma de diminuição e desconsideração aos vereadores? No caso de reajustes por decreto, com menor influência política, então, não deveriam ser fixados, previamente, por lei [portanto, por decisão legislativa] critérios gerais [por ex., índices aplicáveis, periodicidade do reajuste etc.]? Se o prefeito achar por bem, digamos, duplicar o valor da tarifa do SAAE, ele pode fazer isso, legalmente?

29 de nov de 2013

'Cidade Aberta'

Cidade Grande

No aniversário de Sete Lagoas, o melhor que nós e nossas lideranças podemos fazer é agir com maturidade. Sete Lagoas tornou-se uma cidade grande e merece de nós uma ação cidadã à altura. Esse é o tema da coluna Cidade Aberta, no SETE DIAS, desta sexta-feira. Sua versão digital pode ser lida AQUI.

28 de nov de 2013

O gesto de Nonice

Eu havia lido a mensagem da Maria Eunice de Avelar Marques a respeito da obra da Ilha do Milito, denunciando o desprezo com que o COMPAC foi tratado, no caso, por seus responsáveis e pelo Executivo Municipal. Achei a mensagem impecável! Hoje, soube que, além desse gesto, Maria Eunice negou-se, também, a receber homenagem do Executivo, no aniversário da cidade. Em nome do COMPAC, ela havia sido agraciada com 'medalha de ouro', modalidade mais elevada da 'Medalha de Mérito Cidade de Sete Lagoas'. Maria Eunice declinou da homenagem. Coisa raríssima! O gesto é nobre por si, por sua autenticidade, por sua coerência, por sua honradez. No entanto, para quem conhece o estilo discretíssimo da Maria Eunice, esse gesto ganha uma dimensão maior, por sua coragem, por sua contundência. É de se tirar o chapéu. Parabéns, Nonice!

MBA em civilidade

Eventualmente, o Tarcísio Magalhães me dá uma oportunidade de escrever para a Revista CDL. No último número [Edição 07 - Setembro de 2013], saiu um artigo com o título de 'MBA em civilidade' que faz uma ironia sobre a nossa injustificável falta de postura urbana. Ele está transcrito abaixo. Leiam e vejam se gostam.


26 de nov de 2013

'Fim', o romance da Fernandinha

Fernanda Torres é uma artista extraordinária. Eu acho isso, como todo mundo acha, mas, ainda assim, não chego a ser um apaixonado pela Fernanda Torres. Aquela história do 'gosto, mas não gosto'. Tirando alguns papéis excepcionais, a minha impressão é de que Fernanda é tão Fernanda, tão marcante, tão ela mesma, que, em todo papel, ela parece estar representando ela mesma. Sobretudo, depois da série 'Os Normais', o estilo cult, moderno, cômico, antenado virou o estilo Fernanda Torres. É um estilo bacana? Muito! Eu gosto? Gosto! Mas não gosto tanto assim, se é que vocês me entendem.

Quando a Fernandinha se meteu a colunista, na Folha, eu li e, de novo, gostei. Li uma, duas colunas e gostei e não gostei. Era, de novo, Fernanda Torres com o indefectível estilo Fernanda Torres. Genial demais! Fernanda demais!

Fernandinha, agora, estreou, com pompa e circunstância, no romance. Eu li resenhas de 'Fim' [Companhia das Letras, 208 págs.], em todos os jornais, e só li elogios. Muitos elogios. Tantos que eu corri pra ler o livro, propriamente. De novo, um trabalho muito bacana. Mas, de novo, um trabalho com a marca registrada da Fernanda Torres.


'Fim' narra o ocaso de cinco amigos cariocas, pra lá de cariocas: Álvaro, Sílvio, Ribeiro, Neto e Ciro. A primeira e mais importante parte de 'Álvaro' está publicada na Piauí 86. O estilo está ali: não parece nada experimental; ao contrário, o seu texto tem uma fluidez muito madura. A ambientação é precisa: uma coisa meio Copacabana decadente que mescla dramas, tristezas, poucas alegrias, muita putaria, muita sacanagem e um sentido onipresente de fim-de-linha. Mas, especialmente, mescla tudo isso com humor, um humor construído sobre tragédias, um humor refinado típico de comédias de costume.

Para aqueles que se interessarem, vai aí um aviso e um conselho. O aviso: não procurem em 'Fim' um romance sobre a velhice com a profundidade e a densidade, por exemplo, de um 'A máquina de fazer espanhóis', de Valter Hugo Mãe, sobre tema similar, mas com outro olhar. Nada disso. 'Fim' é outra coisa, mais ágil, mais leve, mais cômico, mais romance urbano mesmo. O conselho: prestem atenção na capacidade estonteante de Fernanda Torres [uma mulher, por óbvio] para falar de coisas absolutamente masculinas, sobretudo, de sacanagens masculinas, as mais bizarras, as mais grosseiras, as mais anti-feministas. Incrível! Só isso vale a leitura.

25 de nov de 2013

F1 2013: temporada para se esquecer!

Só Vettel lamentou o fim da temporada. Claro!, só ele e mais ninguém mandou no circo, durante todo o ano. O cara promoveu uma quebração desenfreada de recordes. Ele imperou. Ele foi a F1 2013! Para além dele, o campeonato foi um dos piores a que já assisti. O desequilíbrio foi absurdo, pondo fim a qualquer competitividade. Só a RBR foi uma equipe grande. Não me lembro de ter visto isso antes. A Mercedes, a Ferrari e a Lotus viraram equipes medianas. Se tanto. As outras, incluindo a McLaren e a Williams, desapareceram. Na RBR, Vettel brilhou; nas outras equipes, todos os pilotos reduziram-se a coadjuvantes. Segunda colocada depois de 19 provas, a Mercedes só conseguiu fazer 60% dos pontos da equipe campeã. Segundo colocado entre os pilotos, Alonso também só fez 60% dos pontos de Vettel. Os números são absurdos: por exemplo, o alemão ganhou 13 provas; depois dele, quem ganhou mais ganhou apenas 2. Ridículo! Outro exemplo: sozinho, Vettel fez mais pontos do que os dois carros da Mercedes ou, obviamente, os dois carros da Ferrari. Vexame! Não é preciso dizer mais nada. Foi também a temporada dos pneus. Para o mal. Os compostos da Pirelli foram um fracasso. Pouco duráveis, sempre imprevisíveis, os pneus mudaram a rotina da F1 e só fizeram acentuar a disparidade entre os carros. Decidido com três rodadas de antecedência, o campeonato arrastou-se até Interlagos. A corrida de hoje, no circuito paulista, pateticamente, foi marcada pela despedida de dois derrotados: Webber e Massa. Pilotando uma RBR igual a de Vettel, Mark Webber não marcou uma única vitória e fez apenas metade dos pontos do companheiro [companheiro, vírgula!]. Felipe Massa foi pior: numa Ferrari, fez menos da metade dos pontos de seu companheiro Alonso, só subiu ao pódio uma vez, colecionou besteiras e acabou num medíocre 8º lugar. Terrível! Webber vai pra casa, Felipe vai para a Williams. Para os apaixonados pela F1, a aposta está na mudança de regras para 2014. É a mudança mais radical de todos os tempos. Os motores que, no passado, já tiveram 12 cilindros e, neste ano, tinham 8, passarão a ter apenas 6. A potência que já foi de 1.300 HP não chegará à metade disso. E, nem sempre, essa potência poderá ser despejada totalmente porque o consumo de gasolina ficará restrito a 120 litros. E motores novos pressupõem, claro!, carros novos. Pelo menos em tese, o jogo foi zerado. Aí pode estar o acerto de Massa na escolha da Williams. Como é uma equipe muito estruturada e experiente, a expectativa é que aproveite esse período de mudanças para - com carro novo, motor novo, piloto novo, mecânico novo - recuperar seu velho prestígio, depois dessa desastrosa temporada de 2013 [desprezíveis 5 pontos e nona colocada, à frente apenas da Marussia e da Caterham que não são, exatamente, equipes de F1]. Só resta aguardar.

22 de nov de 2013

'Cidade Aberta'

"Excepcionalmente"

O ano de 2013 vai chegando ao fim e, infelizmente, a nossa Literata não aconteceu! Esse é o tema da coluna Cidade Aberta, no jornal SETE DIAS que chega às bancas nesta sexta-feira. A versão digital do artigo pode ser lida AQUI

"Não sei se em função da minha suspeita preferência pela literatura, penso que nada será capaz de ocupar o espaço vazio deixado pela suspensão da nossa quarta Literata".

17 de nov de 2013

Legitimidade condicional

"O que vai tornar ilegítimo é se, em casos semelhantes, no futuro, aplicarem penas diferentes" 
[Marcos Nobre, FSP, 16/11/2013]

A frase do cientista político Marcos Nobre, na Folha de ontem, sugere que o julgamento do mensalão não tem sua legitimidade assegurada. Se há dúvida quanto à aplicação futura dos procedimentos adotados é porque, então, eles não são pacíficos. Tem-se uma legitimidade condicional. Se ela for aplicada pra frente, saberemos, então, que o passado terá se convertido em um padrão. Senão, tardiamente, estará confirmada a suspeita de julgamento de exceção.

14 de nov de 2013

'Cidade Aberta'

Beleza

A coluna Cidade Aberta, de hoje, no SETE DIAS, se perde numa tola digressão sobre a beleza, a beleza urbana, inclusive. E faz uma provocação: "não, o objetivo da política é a beleza!" O jornal já está nas bancas; a versão digital do artigo pode ser lida AQUI. Bom feriado a todos!

13 de nov de 2013

Piauí 86

Acabei de receber o meu exemplar da Piauí de novembro [86]. Todos os assuntos do momento estão lá: Eduardo & Marina, o primeiro e badaladíssimo romance de Fernanda Torres ['Fim'], Michel Laub [de quem falei na postagem anterior], o affair Grazi & Cauã [no Diário da Dilma] e, naturalmente, a polêmica das biografias autorizadas ou não [no debochado The Lavigne Herald]. 

De cara, li o artigo de Marcos Nobre, na capa, com o título 'Lula enfrenta a nova oposição' e, no artigo propriamente, com outro, 'A volta da polarização' [pág.28]. Para quem acompanha Marcos Nobre, a base do seu texto continua sendo a ideia que ele desenvolveu da pemedebização da política brasileira. É sobre ela que ele tem assentado o papel do PT e do telecatch entre o PT e o PSDB. Nesse novo artigo, ele insere, nesse seu contexto conceitual, a aliança entre Marina Silva e Eduardo Campos. Antes, ele fala  da falência desse telecatch petista-tucano na sociedade, da sua visão das ruas, do malabarismo entre ora ser e ora não ser governo, entre a política como mobilização social versus a política como institucionalidade, de Lula e da mudança estratégica que ele [Nobre e não Lula] enxerga no PT para 2014 e por aí afora. Dá pra concordar com tudo nessa sua particular narrativa?! Não necessariamente; de toda forma, eu gosto do seu olhar, ainda que concorde ou não, que concorde mais ou menos, com as apostas que sua narrativa incorpora. Por exemplo: tenho dúvida da força que ele atribui à essa aliança entre a Rede e o PSB como uma oposição viável. Será?! A mais, uma observação óbvia e mais óbvia ainda para quem já leu outros artigos de Marcos Nobre: nenhuma palavra sobre Aécio Neves! Vale a leitura.


"[...]
O que Marina acrescenta à candidatura de Eduardo Campos não tem preço: uma aura de não contaminação pela baixaria da política oficial, uma atitude de oposição firme, mas que não aparece como agressiva ou destrutiva. O que Eduardo Campos acrescenta a Marina é vital em termos da institucionalização de seu projeto: a credibilidade própria da operação por dentro do sistema. E, se o clima latente de contestação geral se mantiver em 2014, mesmo o até agora exíguo tempo de tevê pode acabar se mostrando uma vantagem, e não uma desvantagem para a nova aliança oposicionista. 
Ao mesmo tempo, a complementaridade é também a maior fragilidade da dupla, que se mistura como água e óleo. Nem Marina pode produzir sua pretendida nova política nos termos estritos em que funciona hoje o sistema, nem Eduardo Campos pode arriscar acordos políticos costurados a duras penas simplesmente para preservar a aura de sua nova aliada.
Mas, para que uma frente de oposição se apresente como candidata a substituir a “metamorfose ambulante” que é Lula, só mesmo misturando água e óleo. Talvez apenas uma aliança como essa seja capaz de aglutinar de modo eleitoralmente viável as forças de oposição de todos os matizes, que se encontram hoje dispersas e fragmentadas. Só uma ampla frente como essa pode atacar ao mesmo tempo todos os possíveis pontos fracos (do ponto de vista de uma oposição de fato) do governo Dilma. Mais que isso, só uma aliança como a de Marina e Campos pode ter credibilidade para realizar esse ataque.
[...]"

11 de nov de 2013

Diário da Queda

Aí à direita tem-se o link da Copa de Literatura Brasileira. Não sei se alguém viu, se alguém se interessou e se alguém acompanhou, mas asseguro-lhes que foi algo divertidíssimo! As regras aplicadas foram simples: jurados [ou árbitros], um de cada vez, arbitraram um 'jogo', ou seja, uma disputa entre dois livros. Dezesseis livros entraram nas oitavas de final e, naturalmente, oito seguiram em frente. Nas quartas, claro!, esses oito foram reduzidos a quatro. Mas aí veio uma rodada de repescagem que escolheu outros quatro. Quatro a quatro fizeram um embate na rodada zumbi. Enfim, quatro foram para as semifinais; e depois, dois para a finalíssima. Então, o grande vitorioso foi anunciado: Diário da Queda, de Michel Laub.

Eu torci pelo 'Diário' não apenas porque era um dos poucos livros concorrentes que eu já havia lido, mas, mais do que isso, porque eu havia lido e gostado muito. Num momento em que se critica tanto os escritores brasileiros mais novos, entre outras razões, por serem, teoricamente, frugais demais, adolescentes demais, Laub dá bons argumentos para não se generalizar essa fama. Em um livro breve, com um tema que eu, particularmente, não gosto nada [o do semitismo, anti-semitismo, Auschwitz e etc], ele oferece um show de maturidade. Ao, aparentemente, indispor-se contra uma corrente de memória familiar judaica, você não sai convencido de que, de fato, há nisso uma contraposição ou se, no fundo, ao contrário, tudo não faz parte de uma rebelde afirmação. Ainda assim, essa complexidade temática, em momento algum, maltrata a linguagem: a escrita de Laub segue fluida, equilibrada, prazerosa, sem excessos nem pra lá nem pra cá. Vale a pena ler. 

E vale a pena ler, também, as narrativas dos 23 embates, ou 'jogos', da Copa de Literatura, clicando o link aí ao lado. Mesmo depois de conhecido o resultado de certame.

8 de nov de 2013

'Cidade Aberta'

'Made in Sete Lagoas'

Com tantas lagoas, Sete Lagoas deveria ser uma referência nacional, quiçá internacional, em tratamento de lagoas em ambientes urbanizados, não é mesmo?! Mas, infelizmente, não é bem isso o que acontece. Esse é o mote da coluna Cidade Aberta, no SETE DIAS, desta semana. Não deixa de ser uma boa hora para refletir sobre isso, sobretudo, quando observamos o lamentável estado do nosso cartão postal, a nossa principal lagoa, a Paulino. A coluna, em versão digital, pode ser lida AQUI

7 de nov de 2013

Eus

Já fui tantos, tão diversos; assim, assado, tão desconexos.
Já pensei cafajestices, bizarrices, modernices.
Já vivi tantas épocas, momentos, tempos.
Já tive tantos sentimentos, pressentimentos, ressentimentos.
Já ouvi tantas músicas.
Já li tantos livros.
Já me apaixonei por coisas tão lindas, infindas.  
Já por outras, tão pérfidas, fétidas.
Já tive planos tão geniais.
Já me meti em desgraças tão boçais.
Já senti tanta alegria.
Já, também, tanta melancolia.
Já tive tantos gostos.
Já tive tantos rostos.
Já fui tantos eus. Certos e errantes eus.
Já até acreditei em Deus.

Ao fim, sinceramente, não sei se sou, hoje, mais um novo eu de mim.
Ou, permanentemente, se sou, desde o primeiro, o mesmo eu, enfim!

6 de nov de 2013

Adivinhem quem ganhou o pregão da limpeza urbana?

[Imagem do Facebook do SETE DIAS]

Eu não tenho nenhum elemento para questionar a lisura do pregão. Não tenho nenhuma acusação a fazer. Só quero reconhecer um fato habitual: as empresas de limpeza entram nas cidades por contratos emergenciais, de curto prazo, e - as mesmas empresas - conseguem, curiosamente, se manter na execução dos serviços por contratos licitados, de longo prazo. Há pouco tempo, Márcio Pochmann afirmou que as empresas de limpeza urbana são umas das três forças capitalistas que decidem os destinos das cidades. Parece ter toda razão! Tanta razão que, hoje em dia, a ninguém coincidências assim causam qualquer estranheza...
Em seminário, em Porto Alegre, na semana passada, o ex-presidente do IPEA, Márcio Pochmann, afirmou que três forças políticas governam as cidades brasileiras: o capital da especulação imobiliária, o capital das empresas que operam o transporte público e o capital das empresas que operam os serviços de coleta e destinação do lixo. “A reinvenção das cidades pressupõe a construção de uma nova maioria política. Não existe futuro com esses três grupos”, concluiu ele. [Coluna Cidade Aberta, SETE DIAS, 30/08/2013]

4 de nov de 2013

Se SL estivesse no Brasil, as Leis Delegadas seriam ilegais

O prefeito Márcio Reinaldo, em entrevista ao novo jornal impresso SeteLagoas.com.br [Ano 1, nº 6, de 31 a 06/11/2013], disse, sem rodeios, que, no primeiro quadrimestre, o comprometimento da folha da Prefeitura estava em 56%. Melhor, disse que já esteve em 60%, caiu para 56% e que está, agora, ao que se depreende, em 54%. Essa é uma revelação interessante que eu já havia ouvido nos bastidores, mas não, oficialmente, da boca de uma autoridade municipal.


Por que é uma revelação interessante?! Porque, do ponto de vista legal e estratégico, ela recomenda uma gestão de arrumação, uma gestão austera, de redução de custeios até, pelo menos, que se alcance uma posição de equilíbrio. Naturalmente, um dispêndio dessa ordem com folha deteriora a capacidade pública de investimento e põe em risco a qualidade dos serviços prestados.

Essa foi a orientação do governo? Curiosamente, não! Mesmo de posse desses números, como se sabe, ele optou, contrariamente, por uma política de expansão de gastos, especialmente, através da criação de inúmeros novos cargos, por Leis Delegadas, o que, obviamente, só faz aumentar a folha de pagamentos, ainda que o prefeito preencha ou não a totalidade desses cargos.

Essa é uma consideração de caráter subjetivo? Não, a lei é totalmente objetiva nessa matéria. A Lei de Responsabilidade Fiscal trabalha com dois limites de folha: o máximo [que no caso do Executivo municipal é de 54%] e o que ela chama de limite prudencial [equivalente a 95% do anterior, portanto, 51,3%]. Esse limite prudencial é uma luz vermelha: uma vez alcançado, a lei define uma série de restrições e obrigações, exatamente, para não colocar em risco o limite máximo.

Leiam o inciso II, do parágrafo único, do art. 22 da LRF:
Art. 22. A verificação do cumprimento dos limites estabelecidos nos arts. 19 e 20 será realizada ao final de cada quadrimestre.
Parágrafo único: Se a despesa total com pessoal exceder a 95% [noventa e cinco por cento] do limite, são vedados ao Poder ou órgão referido no art. 20 que houver incorrido no excesso:[...]
II - criação de cargo, emprego ou função
A lei não fala em compensações ou condicionantes; ela não diz que novos cargos podem ser criados desde que só sejam providos na medida em que o limite de folha for se adequando; ela não diz que eles podem ser criados desde que outras despesas sejam canceladas; ela não diz, tampouco, que eles podem ser criados desde que haja autorização legislativa. Não! Ela diz, apenas, que se a folha do poder ou órgão em questão tiver excedido 51,3% a criação de cargos é vedada e ponto.

Segundo o próprio prefeito, a folha de Sete Lagoas, no seu governo, por herança do anterior, nunca chegou a menos de 54%, portanto, sempre foi superior a 51,3%, e, ainda assim, ele criou diversos cargos.

Não vai aí nenhuma opinião pessoal, apenas uma constatação: se Sete Lagoas estivesse no Brasil, se a LRF valesse em Sete Lagoas e se os órgão de controle funcionassem, as Leis Delegadas que criaram os novos cargos seriam, como a lei diz, 'nulas de pleno direito'!

O homem dos gols bonitos

Everton Ribeiro: a cada gol, uma pintura!



1 de nov de 2013

'Cidade Aberta'

Mas isso não é normal!

A BR-040, entre Sete Lagoas e BH, faz tempo, está em colapso; se não há solução definitiva à vista - e não há mesmo -, não deveriam ser pensadas ações emergenciais, pelo menos, para mitigar o sofrimento de quem é obrigado a ir e vir por essa 'avenida', frequentemente? Esse é o tema da coluna Cidade Aberta, no SETE DIAS, desta semana. O jornal está nas bancas. A versão digital do artigo pode ser lida AQUI. Leiam, critiquem, comentem!

31 de out de 2013

IPTU em pauta [III]

Eu quero fazer uma proposta aos nossos nobres vereadores: no momento em que se discute um aumento de IPTU que poderá onerar os bolsos dos contribuintes sete-lagoanos em até 100%, o mínimo exigível é que se tenha um processo transparente e justo. Para demonstrar a boa-fé de todos, eu proponho que a Câmara de Vereadores só inicie o debate dos projetos de lei que tratam do assunto depois que a Prefeitura publicar a lista das maiores empresas da cidade - industriais, comerciais e de serviços - com os respectivos valores pagos de IPTU, nos últimos anos. Ou os boatos que correm sobre o alto nível de evasão são verdadeiros - de deixar a todos de queixo caído - e exigem medidas corretivas urgentes ou são mentirosos e precisam ser exterminados.

30 de out de 2013

IPTU em pauta [II]

Eu comentei o assunto do IPTU em uma outra postagem [AQUI], tentando extrair lições a partir das diferentes formas de gestão de impostos equivalentes ao IPTU em São Paulo, Londres e Berlim, abordadas em reportagens da Carta Maior. Agora, eu quero focalizar, especificamente, o caso de Sete Lagoas e dos projetos de leis em tramitação na Câmara sobre esse tema. Primeiro, vai aí a minha opinião sobre os dois projetos; depois, seguem cinco aspectos da questão que eu acho que podem ser introduzidos no debate.

28 de out de 2013

Quando o poder público não faz...

Bom debate na CBN Mais BH sobre a ocupação por ativistas de prédio abandonado há 33 anos em BH para criação do Espaço Luiz Estrela, um centro de referência para a população de rua.

Papo de cruzeirense

Continuando a filosofia de buteco sobre futebol e Cruzeiro, pra mim, o melhor da vitória sobre o Criciúma foi o fato do desenrolar da partida ter levado o Marcelo Oliveira a rodar o time, a usar o banco. Marcelo vinha sendo muito inflexível nisso; muito apegado à sua formação 'ideal', mesmo quando os jogadores começaram a cair de produção. Mas dessa vez, já na escalação inicial, ele foi obrigado a entrar com Dagoberto no lugar de Ricardo Goulart; Henrique, no de Nilton; e Leo, no de Bruno. O resultado adverso, ao final do primeiro tempo, e a expulsão de um jogador adversário, logo no início do segundo, fizeram que ele fosse além e usasse uma formação mais agressiva - que não é sustentável sempre -, mas que, nas circunstâncias, funcionou bem, com 5 meias-atacantes e atacantes [com a entrada de Júlio Batista e Elber nos lugares de um atacante - William -  e de um voltante - Henrique]. Ao final, o jogo deixou uma boa lição: é possível sim renovar o time para superar o estado de esgotamento dos profissionais, nos últimos jogos, ao final de um campeonato muito longo.

O homem e a máquina


Num fim de semana esportivo em que tudo deu certo, várias imagens foram fortes candidatas a melhor da rodada. O desabafo de Borges na comemoração do gol que selou a vitória cruzeirense foi uma delas. O gol contra patético de Pará, aos 15 segundos do 1º tempo, que abriu a derrota do Grêmio por goleada, foi outra. Qualquer uma da derrota atleticana, também. Mas a mais emblemática de todas, pra mim, veio da insossa F1. A F1 vem se tornando tão sofisticada, a cada temporada mais, que você se esquece que ainda é um esporte dentro de uma máquina e não um jogo de vídeo game. Os pilotos bad boys do passadoPiquet à frente, eram caras que gostavam e entendiam de máquina, de motor, de óleo; os pilotos de hoje parecem uns mauricinhos que só entendem de tecnologia, de botões. No máximo, você se lembra que é um esporte com pneus porque os pneus mandaram na temporada. Mas aí, no final de mais um GP sem nenhuma graça, na Índia, do nada, Sebastian Vettel criou uma cena absolutamente emocionante. Pra variar, ele correu sozinho e levou a bandeirada com tempo de sobra para o segundo lugar. Ganhou o GP e, de quebra, o seu quarto campeonato mundial, com três rodadas de antecedência. Tudo previsível. Menos o seu gesto final. Ele tomou a bandeirada, fez a volta da vitória e, ao invés de ir para os boxes, como de praxe, ele foi até o grid de largada, bem em frente à arquibancada, girou o carro marcando um zero no asfalto, várias vezes, até desaparecer dentro de uma nuvem de fumaça branca, desceu, ajoelhou-se na frente da impecável máquina da RBR e reverenciou-a, gerando essa imagem belíssima daí de cima. Fantástica! Foi uma reverência a uma máquina e, por certo, a quem sempre esteve por trás dessa máquina: Adrian Newey, o mago dos bólidos da F1, o mago da aerodinâmica, projetista de carros que já ganharam dez campeonatos mundiais. Por seu simbolismo, uma foto histórica!

25 de out de 2013

'Cidade Aberta'

Janela para mudanças

'Cidade compacta', 'heterogeneidade de usos', 'novas centralidades' são conceitos que andam em debate pelo país, impulsionados pelas manifestações de junho. Eles se aplicam a Sete Lagoas? Se sim, por que não têm influenciado o nosso crescimento urbano? A coluna cidade Aberta, desta semana, no SETE DIAS, procura responder essas indagações. O jornal está nas bancas. A versão digital do artigo pode ser lida AQUI.

O efeito Marina segundo o IBOPE

O efeito da saída de Marina Silva da cédula eleitoral é menor, segundo o IBOPE, do que o DataFolha havia enxergado, dias atrás. Numa comparação entre os resultados das pesquisas mais recentes desses dois institutos, apenas Dilma mantém-se estável, com um pouco mais de 40% das intenções de voto. Para ser exato: com 42 e 41%, respectivamente. Aécio, que segundo o DataFolha tinha 21, agora, não passa de 14%; e Campos, que tinha 15, não vai além de 10%. Ou seja, comparativamente com pesquisas mais antigas, a transferência de votos de Marina para candidatos de oposição - tão esperada por analistas políticos - parece próxima de zero. A conclusão é óbvia: se quiser alterar a marcha natural da história, não adianta mandar representante, Marina terá que entrar no jogo pessoalmente. E olhe lá!

IPTU em pauta [I]

Desfeita a confusão gerada pela tramitação fragmentada da proposta da Prefeitura de aumento de IPTU [que eu comentei AQUI], acho que é hora de nos debruçarmos sobre a sua versão integral, composta pelos projetos de leis PLO 129/2013 e PLC 009/2013. Esses dois projetos encontram-se disponíveis no site da Câmara Municipal [AQUI], em que pese estar, o primeiro deles, sem os seus indispensáveis anexos. Eu estou com a versão integral de ambos em mãos e, na medida do possível, quero lê-las atentamente. Uma primeira olhada, no entanto, especialmente para quem teve oportunidade de ver a apresentação feita pelos representantes do Executivo, no dia 15, na Câmara, mostra que a Prefeitura fez um trabalho sério, trazendo ao debate conceitos novos, como o da progressividade de alíquotas. Independente de se concordar ou não com os resultados finais - o que pressupõe um maior conhecimento da matéria - um trabalho sério merece, em troca, uma avaliação séria de todos nós. A propósito, seria interessante se a Prefeitura pudesse disponibilizar essa sua apresentação [que aplica o método proposto de aumento de IPTU sobre algumas situações concretas para se ter noção de seus efeitos finais], em seu site, para todos os cidadãos. 

Por ora, apenas como pano de fundo para irmos pensando no tema, acho que vale a leitura de alguns artigos que andam circulando na internet, especialmente na página Cidades do portal Carta Maior. Pelo menos, três, para, pelo menos, três reflexões diferentes. O primeiro discute a proposta de aumento de IPTU em São Paulo, sob o título Haddad e o IPTU: erro estratégico. O ponto de destaque, nesse caso, é a crítica à correção proposta pelo prefeito Haddad de 24% em média, considerada exagerada. Ao que entendi na simulação da nossa Prefeitura, o aumento aqui deve variar entre 20 e 100%; por analogia, esse nosso aumento seria, portanto, exageradíssimo?! É uma pergunta que precisamos responder. O artigo da Carta Maior, assinado por Amir Khair, afirma que "São Paulo é disparada a capital que cobra o IPTU per capita mais caro do país, quase o dobro do IPTU de Florianópolis, a segunda mais cara". Ora, 20% sobre muito é muitíssimo! Para uma correta comparação, precisamos, então, saber se o patamar de IPTU praticado em Sete Lagoas, atualmente, é baixo ou alto, não comparado, obviamente, com SP, mas com cidades equivalentes. Se for baixo, um aumento maior aqui pode ser proporcionalmente menos significativo do que o paulistano. Ou seja, todo aumento percentual é relativo e depende da base sobre o qual se aplica. Fica aí uma primeira tarefa para todos nós.

O segundo artigo, de Marco Aurélio Weissheimer, relata o caso do imposto equivalente ao nosso IPTU em Londres: Londres - uma cidade financiada por imposto regressivo. Claro que Londres é London e Seven Lakes é Sete Lagoas; uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Mas além de curiosa, a matéria tem sim um ponto que pode suscitar reflexão até mesmo entre nós. Ela descreve a 'Council Tax' - o IPTU lá deles - que está estruturada em oito faixas, por valor de propriedade de imóvel, o que, em tese, garantiria uma "maior progressividade", à semelhança do modelo em discussão aqui. O que Weissheimer demonstra, no entanto, é que erros de proporcionalidade, que ele chama de "anomalias", acabaram, na prática, por gerar um imposto com impacto regressivo. Qual a lição? É que não devemos entender que todo escalonamento por faixas gera, automaticamente, uma correta progressividade. O tiro pode sair pela culatra. Esse é um ponto de análise que temos que considerar, localmente, em especial, no caso do PLC 009/2013.

O último artigo aborda o caso de Berlim - O IPTU em Berlim -, assinado por Flávio Aguiar. Não me pareceu haver nele nada que sugira uma vinculação direta conosco. Ele mostra que Berlim é, basicamente, uma cidade sob forte efeito especulativo e que tem um sistema de tributação bastante complexo. Ainda que nada disso tenha muito a ver conosco, chama a atenção o fato de circular, também por lá, ideias de progressividade de imposto ["A Linke - partido A Esquerda - defende a adoção de um imposto extra de 5% sobre propriedades que valham mais do que 1 milhão de euros, diminuindo o valor do imposto para as propriedades abaixo deste valor"]. Ou seja, esse caminho tributário, agora aventado em Sete Lagoas, parece não ter coloração ideológica, podendo valer tanto para a esquerda de lá quanto para a direita de cá.

Como o título desta postagem sugere, a ideia é voltarmos a esse tema, pelo menos com uma versão [II], na medida em que ele for sendo debatido na nossa Câmara. Até breve!

23 de out de 2013

Papo de cruzeirense

O time perdeu na rodada 14. Depois fez um feito extraordinário: em 12 rodadas, da 15 a 26, venceu todos os jogos, à exceção de um, do empate contra o Corinthians, na 23. O embalo era tal que empate virou tropeço. Como prêmio, ganhou 11 pontos de vantagem. Mas se sabia que, mais hora menos hora, a derrota viria. Não é possível ganhar tudo e sempre, sobretudo, num campeonato que não termina nunca, não é mesmo? E veio contra o maldito São Paulo, na rodada 27. Mais duas, na 28 e 30, contra as Panteras e o Coxa, com uma vitória de respiro, na 29, contra o Pó de Arroz. Junto às derrotas, vieram as especulações. A mais perigosa delas é que, enfim, os adversários aprenderam a parar a máquina azul. Na primeira derrota, eu concordo. O Cruzeiro foi surpreendido pela forte marcação do tricolor paulista. Sob pressão, recuou demais sua defesa e deixou isolado o seu ataque. O jeito compacto de jogar se rarefez e a vaca foi pro brejo. Como se disse: levou um nó tático do Muricy. O jogo seguinte seria uma oportunidade de se tirar a prova dos nove: os adversários aprenderam ou não aprenderam? Mas o time jogou tão mal o clássico que ficou difícil concluir se foi mais mérito do lado de lá do que demérito do lado de cá. Certo é que perdeu. Aí, quando ganhou, também não convenceu. E, enfim, contra o Coritiba foi um vai-e-vem com tantas oportunidades para um lado e outro que também ficou difícil apurar a ameaçadora tese de que os adversários encontraram o segredo da mina. Eu, particularmente, suspeito que não. Minha opinião é que o time vive um momento de esgotamento. Natural. Não foram os outros que cresceram, foi ele que diminuiu. Esgotamento, queda de produção, instabilidade psicológica. Era hora do técnico entrar em campo e rodar mais o time. Aí, o Marcelo, que vinha sendo irrepreensível, a meu ver, tem pisado na bola. Ao insistir na mesma formação e nas mesmas e previsíveis substituições, nos quinze minutos finais, nos três últimos jogos, só tem prolongado o mau tempo. Tem banco, tem cartas na manga, era hora de usá-las! Mas prefere não usá-as. Enquanto isso, tudo conspira a favor dessa tese do esgotamento. O time vai perdendo aquele apronto de vencer a qualquer preço. Começa a fazer as contas, a jogar com o regulamento, a administrar a vantagem. Prova disso é que, nas três últimas derrotas, para sua sorte, ao entrar em campo depois do Grêmio, já sabendo que não precisava correr atrás do prejuízo, aparentemente, não correu e afrouxou. Sorte ou azar? Na única rodada em que jogou antes do tricolor gaúcho, na 29, sem saber o que viria pela frente, na dúvida, foi lá e fez o resultado. Melhor assim! Mas há tempo. E essa próxima rodada promete. É uma oportunidade única de se tirar a limpo essa história toda. Primeiro, porque todos os adversários do G4 - Grêmio, Atlético/PR e Botafogo - entram em campo nesse meio de semana e se desgastam pela Copa do Brasil; enquanto isso, a seleção celeste, entre descanso e treino, tem a semana que pediu a Deus. Segundo, porque joga em casa e com casa cheia, em pleno Mineirão, a Toca III. Terceiro, porque joga antes do Grêmio, que só pisa o gramado no dia seguinte; ou seja, na dúvida, está pressionado a jogar bola e jogar bem! E, quarto, porque pega um time que está na zona de rebaixamento. E não tem esse papo de desespero do adversário: para quem quer ser campeão, é ganhar ou ganhar!

22 de out de 2013

Biografias chapas brancas, não!

Por mais que esse tema das biografias não autorizadas seja polêmico, eu tenho uma opinião muito clara sobre ele: eu sou absolutamente favorável ao livre direito de expressão e acho que a exigência de autorização é uma forma de censura. Se um biógrafo mente, calunia, difama, de forma descabida, acho que cabe um processo contra ele e ponto. Até entendo que figuras públicas possam querer preservar detalhes pessoais que considerem de interesse restritamente privado, mas isso me parece impossível pelo simples fato delas já terem se tornado, exatamente, figuras públicas. Sinceramente, acho que esse debate só se converteu nessa polêmica interminável porque está focado em artistas muito estimados. Por certo, não daria lugar a celeuma alguma se, ao invés de celebridades, os biografados fossem políticos. Ora, pau que bate em Chico bate em Francisco: se biografias de Caetano, Gil e Chico não podem; biografias de Zé Dirceu, o odiado, ou de ACM, o homem das trevas, ou de Sarney, a múmia, também não poderiam. E quando se vai ao passado longínquo e aparecem os tais herdeiros, então, tudo fica ainda menos compreensível e justificável. Por outro lado, embora pense assim, pelo mesmo direito de livre expressão, não acho justo se execrar figuras como o Chico Buarque por defenderem o que pensam. Posso discordar, mas reconheço que suas posições são legítimas. De toda forma, para quem está interessado em acompanhar esse disse-que-disse, vale ler, n'O Globo Cultura, a matéria 'A batalha das Biografias', que traz um longo histórico de todo esse bate-boca, com todos os seus personagens.

21 de out de 2013

Poetinha, 100


Nesses dias de comemoração do centenário de Vinicius de Moraes, eu vi várias interpretações de suas músicas e li vários versos seus, aqui nas redes sociais, mas senti falta de 'Dialética', um pequeno poema de que gosto muito. Vai aí, então, mais uma homenagem:

Dialética

É claro que a vida é boa 
E a alegria, a única indizível emoção 
É claro que te acho linda 
Em ti bendigo o amor das coisas simples 
É claro que te amo 
E tenho tudo para ser feliz 
Mas acontece que eu sou triste...

18 de out de 2013

'Cidade Aberta'

Pequeno detalhe

Eu não sou contra a correção de valores do IPTU de Sete Lagoas. Mas acho que esse debate precisa ser politizado. Para isso, ele precisa tramitar com transparência. O que se passou na reunião da Câmara, do último dia 15, não é aceitável. Explico. O aumento de IPTU decorre de dois projetos de lei que precisam ser analisados ao mesmo tempo: um, de lei ordinária, que altera a planta genérica de valores, ou seja, dos valores venais dos terrenos e construções; outro, de lei complementar, que altera as alíquotas do imposto no Código Tributário que incidem sobre os valores dos imóveis. O que ocorreu: o primeiro estava em debate na Câmara sem que ninguém soubesse da existência do segundo. Os vereadores foram surpreendidos, na reunião, com a apresentação da proposta global da Prefeitura. Isso é razoável? Não fosse o trabalho diligente do gabinete do vereador Dalton Andrade - que levou à convocação de representantes do Executivo para esclarecimentos - o assunto estaria na obscuridade até agora. E é preciso dizer: a proposta da Prefeitura, em seu conjunto, contém elementos interessantíssimos - como a ideia da progressividade de alíquotas - que merece uma discussão séria. Como também, a meu ver, contém, furos que precisam ser corrigidos. Esse é o tema da coluna Cidade Aberta, no SETE DIAS. O jornal está nas bancas; a coluna pode ser lida AQUI.

14 de out de 2013

Olhos de Sasha


Sasha introduziu na fazenda uma dinastia de cachorros com olhos de Sasha. 
Jagunço tinha olhos de Sasha. 
Olhos que não se furtam; fitam. Fuzilam! 
Olhos com um quê de tristeza; outro quê de nobreza. 
Olhos sem mendicância; quando menos, tolerância. 
Olhos silenciosos; totalmente misteriosos. 
Olhos que nunca se abatem, nunca latem. 
Olhos que nunca imploram; nunca choram.
Olhos altivos; vivos.
Olhos que não ameaçam: apenas olham, ignoram e passam.
Terríveis olhos de Sasha!

Encerrando esse papo sobre Marina

Eu não estava de todo errado quando, contrariando a expectativa dos analistas políticos, disse que achava que a transferência de votos de Marina para Eduardo Campos poderia ser baixa; que, nessa história, Aécio poderia não ser, necessariamente, o grande perdedor; e que Dilma, também, poderia não se dar mal com um candidato a menos no páreo. Dito e feito! A primeira pesquisa - do Datafolha - saiu nesse final de semana e mostrou que, na verdade, não há muita mágica na política. Sem Marina, Dilma foi a 42%, Aécio a 21 e Campos a 15. Numa análise precária, comparando esses números com os de outra pesquisa, do mesmo Datafolha, de agosto, Dilma pulou de 35 para 42, portanto, subiu 7 pontos; Aécio, de 13 para 21, portanto, somou mais 8; e Campos foi de 8 para 15, 7 acima. Ou seja, sob essa ótica, os pontos de Marina se pulverizaram, de forma muito equilibrada [7 a 8 pontos, igualmente], entre os três nomes que restaram na cédula. Entretanto, como essa comparação não é apropriada, por várias razões, considerando-se, então, de forma mais prudente, as porcentagens de migração de votos de Marina calculadas pelo próprio Datafolha e divulgadas no dia seguinte à pesquisa, aí, a realidade é mais esclarecedora: Dilma capturou 42% dos votos marinistas, Aécio, 21, e Campos 15. Com precisão absoluta, 41, 21 e 15 são os mesmos números registrados nas intenções de voto para esses três candidatos, nessa ordem. Ou seja, o eleitor de Marina, não tendo mais a Marina como opção, parece tender a se comportar, exatamente, como a média dos brasileiros, o que permite uma infinidade de conclusões, mais ou menos polêmicas. Uma delas, um tanto pacífica, é que o voto em Marina está longe de constituir-se em um voto de indignação a tudo-isso-que-está-aí, em um voto de rebeldia, como muitos analistas políticos quiseram interpretar, especialmente, após as manifestações de junho.


11 de out de 2013

'Cidade Aberta'

Pra inglês ver

A visão compulsória de democracia participativa tornou as gestões municipais melhores? Essa é a pergunta que o artigo desta semana da coluna Cidade Aberta, no SETE DIAS, procura responder. O jornal está nas bancas. A versão digital do artigo pode ser lida AQUI.

10 de out de 2013

Política: isso é glamour?!

[Uma breve nota que, talvez, justifique a minha opinião sobre o último movimento da Marina Silva como, de resto, minha forma de observar a vida política, aqui ou em minha coluna no SETE DIAS]

Eu discordo da visão de muitas pessoas de que a política é uma coisa cheia de glamour, um grande ôba-ôba, uma transformação constante, uma revolução ambulante. Ao contrário, no mais das vezes, com razoável ceticismo, tendo a ver a política como uma velha locomotiva que se move, mas com uma inércia tremenda e dentro de trilhos até certo ponto conhecidos. Em julho, quando fui à FLIP e assisti a alguns grandes nomes da intelectualidade brasileira falando das manifestações de junho de forma epopéica, eu achei 90% de tudo aquilo absolutamente delirante. Nada muda assim, pensei; como, de fato, não mudou. O movimento de mudança é sempre menor, ainda que não sem importância. No final de semana, enquanto eu ouvia analistas políticos comentando a inusitada filiação da Marina ao PSB, eu senti a mesma coisa. Como esses caras podem ser pagos para falarem tanta bobagem?! Como pessoas tão velhas de guerra podem insistir em cair sempre no mesmo buraco de achar que a política é um céu?! Não é! Está mais para o inferno do que para o céu. A política é sempre torta, bizarra, complicada, difícil. Aí, eu escrevi o post abaixo, com todo o meu desacordo. Pois bem, não demorou uma semana, e já há quem veja a Marina como uma 'vice problema'. Já?! E não vai aí nenhuma invenção minha; está na Folha de hoje [AQUI]. Aquela história: a vida como ela é. A política como ela é.

8 de out de 2013

Marina: um nome fora da cédula

Não se trata de ser contra ou a favor de Marina Silva. Eu, particularmente, apesar de discordar de algumas de suas posições, tenho absoluto respeito por sua trajetória política. De mais a mais, penso que quem tem um patrimônio de 20 milhões de votos tem toda autoridade para jogar o jogo eleitoral de 2014 como bem achar que deve. Gostem ou não os governistas. Sobre a Rede, confesso que acho que é uma coisa heterogênea demais e ideologicamente imprecisa demais para se consolidar como partido. Mas, frente a tantos partidos que estão aí, parece-me muito mais representativa do que vários deles.

Nesse contexto, a análise aqui é uma análise focada: minha opinião sobre a entrevista coletiva em que Marina anunciou sua filiação ao PSB de Eduardo Campos, no sábado, e minha expectativa sobre o impacto que isso terá, daqui pra frente. Duas ajeitadas de bola e três chutes.


4 de out de 2013

'Cidade Aberta'

Ao Deus-dará!

Por trás de um aparente otimismo, o artigo da coluna Cidade Aberta desta semana, no SETE DIAS, exala um tremendo pessimismo. Se, hoje, achamos "que não estamos crescendo, mas inchando", com base em quê, sem movermos uma palha, acreditamos tão piamente que o futuro será melhor? A versão digital do artigo pode ser lido AQUI.

27 de set de 2013

'Cidade Aberta'

'Puxadões'

Aumento de IPTU à vista! Não, eu não sou contra debater esse assunto. Eu não tenho dúvida de que é importantíssimo discutir, publicamente, como o poder público se financia. O problema é a forma: o aumento de IPTU, em Sete Lagoas, será, por certo, mais um projeto aprovado, silenciosamente, pela força da 'autoridade' do Executivo e da subserviência do Legislativo. Esse é o tema da coluna Cidade Aberta, no SETE DIAS, desta semana, cuja versão digital pode ser lida AQUI.

24 de set de 2013

Tudo tem limite!

Com o tempo, toda discussão se esgota e chega ao seu caroço. Como diz Pellegrini, ao 'caroço da pedra'. Nesse assunto da falta de médicos em várias cidades brasileiras, até o Carlos Heitor Cony, o Arthur Xexéo e a Viviane Mosé, comentaristas de um programa diário na CBN, sempre bastantes críticos, já jogaram a toalha. Não interessa mais a origem do problema; não interessa se, estatisticamente, faltam ou não faltam médicos no Brasil; não interessa se o problema é de número ou de distribuição; não interessa se os médicos necessários devem ser brasileiros ou cubanos; não interessa se estão sendo contratados assim ou assado; não interessa se há ou não revalida; não interessa essa ou aquela visão partidária; não interessa se eu ou você somos a favor ou contra; a única questão que interessa, nesse momento, é o que se deve fazer, objetivamente, para prover médicos no interior do país, onde eles não existem, e ponto. E, nessa direção, o que os conselhos regionais de medicina estão fazendo, nesses dias, ao não fornecerem registros provisórios aos médicos já selecionados pelo programa Mais Médicos, é deplorável. Boa ou ruim, a solução dada pelo governo está em curso, está amparada legalmente e, sobretudo, não enfrenta nenhuma contraposição viável. Afinal, fora críticas, quais propostas alternativas emergiram, nesses três meses de debate?! Nenhuma! Essa queda de braços que as instituições médicas estão fazendo é um erro, até para a defesa de suas posições. Só reforça seu foco corporativista e seu desapreço pelo problema da saúde pública, de maneira ampla. Tudo tem limite!


[A propósito, do jeito que a coisa vai, para ficar sem atenção médica, não precisa estar no interior do Brasil. Mal comparando, aconselha-se que classe média que paga caro por planos de saúde não adoeça, especialmente, nessa primavera quente, com o ar irrespirável. Fotos nas redes sociais, nesses dias, estão aí mostrando como vários pacientes, crianças em particular, estão padecendo no Hospital da UNIMED de Sete Lagoas. Fotos incômodas, muito incômodas!]

20 de set de 2013

Tempos intolerantes

Eu não me lembro de ter vivido um momento político tão estranho. Como cidadão, eu gosto de política, eu gosto de ter uma posição política, eu gosto de ter uma opinião política e, sobretudo, eu gosto de conversar sobre política. Ou gostava. É que as melhores conversas políticas são aquelas em que há divergência, contraditório, contraposição. Mas em que há, também, genuína disposição para ouvir o outro, para dialogar e encontrar áreas, ainda que poucas, de consenso. E nada disso parece haver mais. 

No bar, um conhecido chegou transtornado e puxou conversa comigo. O motivo da sua revolta era a decisão do STF pela recepção dos tais embargos infringentes. Confesso que essa é uma discussão que não me interessa porque ela é apenas mais uma que já está inteiramente contaminada e previamente definida. Na prática, não há nada a discutir. Se eu disser que sou a favor dos tais embargos, o pacote vem pronto: então, eu sou petista, sou a favor de corrupção e impunidade, sou isso e sou aquilo. Melhor, portanto, falar de futebol. Mas como o meu interlocutor preferiu manter a conversa e a indignação, eu não disse o que achava e, apenas, fiz a única pergunta que me veio: - "como você deve entender de embargos infringentes, por favor, me explica o que é isso e por que isso é tão ruim e, se é tão ruim, por que que isso foi inventado lá no tal regimento do STF e, se esse demônio está lá há tanto tempo, por que nunca gerou nenhuma indignação". Ele não sabia o que eram os embargos infringentes. E, para ser honesto, depois de ouvir trechos do longo e complicado voto do ministro Celso de Mello, eu tampouco. Aliás, até o momento, não consigo entender como uma coisa tão insípida, como esses 'embargos infringentes', foi capaz de tornar-se tão popular e mover tantos corações e tantas mentes.

Na verdade, em nenhum dos últimos debates nacionais, não só nesse, eu vi boas discussões de mérito. Ou muito poucas. Sobre a redução da maioridade penal, sobre o plebiscito para a reforma política, sobre o Mais Médicos, sobre a PEC 37, sobre todos esses temas abriram-se, apenas e tão somente,  a meu ver, divergências polarizadas. Estigmatizadas. Ideológicas. Imediatas. Contra ou a favor. Pessoalmente, tive a sensação de que, nesse apaixonado mercado de lebres, havia gatos demais sendo contrabandeados; mas fazer o quê?!

Mas saindo das grandes discussões nacionais e entrando nas grandes discussões sete-lagoanas, eu diria que  também não me lembro de ter vivido um momento político tão estranho. Mas por razões opostas. É que aqui nunca houve tamanha unanimidade, se o nome do que está no ar é mesmo esse. Aqui, desde a mudança de governo, simplesmente, não há debate político algum, sobre tema político nenhum.

Na porta do meu escritório, outro conhecido, habitual frequentador da praça da Prefeitura, fã de carteirinha do atual prefeito, tomou-me pelo braço e, em tom amistoso, sentenciou: - "secretário, eu concordei com tudo o que o senhor fez na Secretaria, mas acho que o seu erro foi a suspensão de novos loteamentos; a cidade precisa crescer, secretário!; o Márcio Reinaldo acertou em acabar com isso!", concluiu ele. Eu reagi, também amistosamente: - "mas, meu amigo, está tudo trocado; eu não suspendi loteamentos; quem suspendeu foi o Márcio Reinaldo; eu..." Foi quando ele me interrompeu com um sorriso superior: - "que isso secretário?!; eu sei das coisas"; e me deu um tapinha nas costas. E, assim, sem discussão, recusou os meus embargos infringentes.

Foi aí que eu segui, pela calçada afora, pensando como anda a vida, ultimamente, nesta terra dos lagos encantados. Até outro dia, tudo, aqui, suscitava polêmica. Uma maravilha! Agora, não mais. Pensei: que coisa!; falar em loteamento, até outro dia, dava guerra; hoje, o problema está do mesmo tamanho e reina aí essa paz na terra. Foi quando me veio à mente as tais leis delegadas. O prefeito passado fez uma só, sem criar cargos, sem impacto orçamentário e a cidade veio abaixo e o governo teve que se desdobrar em explicações. O atual prefeito começou, de cara, com três, uma centena de cargos criados, impacto de mais de três milhões, nenhuma explicação, e a coisa fluiu tranquilamente. Em seguida, mandou mais catorze [isso mesmo: catorze!] e fluiu mais tranquilamente ainda; tão tranquilamente que sequer deu nos jornais. Agora, está tramitando uma correção de IPTU; se nem um aumento de imposto que vai bater no bolso dos sete-lagoanos é capaz de gerar algum debate, francamente, meus amigos, o que será capaz?!, eu me perguntei. Nada, eu mesmo me respondi.

Tempos intolerantes. De uma intolerância nacional marcada pelo extremismo das posições. De uma intolerância sete-lagoana marcada pelo extremismo do silêncio. Um silêncio amedrontado e amedrontador. Deus nos proteja!

'Cidade Aberta'

Polo ou ralo?

"Podemos dizer que não estamos crescendo, mas inchando". Esta frase do editorial do SETE DIAS, da semana passada, recomenda-nos um esforço de formulação de caminhos para o desenvolvimento de Sete Lagoas, em bases sustentáveis, para os próximos anos. Uma das hipóteses seria estendermos a nossa própria visão de desenvolvimento de uma dimensão local para outra, regional. Esse é o tema da coluna Cidade Aberta, da edição que está nas bancas. Sua versão digital pode ser lida AQUI.

17 de set de 2013

O SETE DIAS na rede

Dois leitores do jornal se manifestaram sobre o artigo Descrédito!, da coluna Cidade Aberta da semana anterior, sobre a falta de água em Sete Lagoas. O SETE DIAS publicou as duas opiniões, ambas muito pertinentes, na última edição. Eu gostaria de comentá-las.



Ilha do Milito

A Ilha do Milito está sendo reformada e o SETE DIAS fez uma reportagem sobre isso, na edição de duas semanas atrás. Lá pelas tantas, a matéria fez menção ao projeto original que eu e a Tiza, pela Ofício Projetos, elaboramos há mais de vinte anos. O jornalista Celsinho Martinelli foi fiel ao que conversamos ao telefone. Ele estava interessado em saber qual a minha opinião sobre a interferência da reforma no meu projeto e, de fato, eu lhe disse que, quanto a isso, eu era indiferente e que achava que o foco da avaliação deveria ser, na verdade, o seu impacto na ilha como um todo. Eu quero, aqui, falar mais um pouco sobre essa minha posição.


16 de set de 2013

Velho [e agitado] mundo

Mudanças no mapa da Europa do ano 1000 AC aos dias de hoje:

14 de set de 2013

Seminário de Desenvolvimento

A Prefeitura de Sete Lagoas, através da SMDET, realizou, em momento muito oportuno, o Seminário Regional de Desenvolvimento Econômico e Turismo, no auditório do UNIFEMM, na quinta, dia 12. Ainda que eu só tenha tido oportunidade de acompanhar a programação na parte da manhã, eu gostaria de destacar duas falas: a do reitor do UNIFEMM, Dr. Antônio Bahia, sobre a proposta de Centro de Desenvolvimento Regional - CDR, que eu assisti; e a do subsecretário da SEDE/MG Dr. Luiz Antônio Athayde, que eu não assisti, mas cujo conteúdo, em tese, eu conheço.


Entre o inútil e o útil

No Seminário Regional de Desenvolvimento Econômico e Turismo, realizado pela Prefeitura, no dia 12, o prefeito de Sete Lagoas confidenciou que aplicava em nossa cidade o método de administração VTP recomendado a ele pelo ex-prefeito da cidade gaúcha de Gramado, também presente ao evento. Segundo ele, o método VTP significava Vassoura, Tinta e Pincel e tinha a ver com a ideia de manter a cidade limpa com meios-fios pintados. Coincidentemente, esse comentário tinha relação direta com o artigo da coluna Cidade Aberta que eu já havia escrito e enviado ao SETE DIAS para a edição do dia 13. Pensei: eu seria, então, contra o tal VTP?! Nunca! Que bom que, enfim, se levava a sério o clamor dos sete-lagoanos por uma cidade bem cuidada, não é mesmo?! Mas, pensando bem, ainda assim, não tiraria uma vírgula do artigo. É que, no próprio seminário, vi que há VTPs e VTPs. Logo após a fala do nosso prefeito, na sua palestra, o ex-prefeito Pedro Bertolucci apresentou a sua cidade de Gramado e, quando falou do seu VTP, mostrou foto de uma avenida de 3 quilômetros, belíssima, urbanizadíssima, limpíssima em que o que de fato se destacava não era a pintura de meios-fios coisa nenhuma, mas a pintura de inúmeras faixas de pedestre. Ou seja, entre fazer e fazer melhor, vê-se que há VTPs e VTPs melhores. Concluindo: a boa manutenção de vias é sim muito bem-vinda, mas não muda nada se não se melhora o padrão geral de urbanização! Esse é o ponto. 

'Cidade Aberta'

Entre o inútil e o útil

“Por que, ao invés de pintar meios-fios, a Prefeitura não pinta faixas de pedestres?”

Essa pergunta de um amigo, surgida em meio a uma inesperada conversa, em um encontro ocasional, ali mesmo na calçada, é o mote da coluna Cidade Aberta, desta semana. Como o artigo ainda não está disponível no site do jornal SETE DIAS, excepcionalmente, ele pode ser lido a seguir.