9 de dez de 2012

Pampulha: 1h50m53s depois...

Correr, pra mim, é um esporte solitário. Faço isso quase todo dia, em Sete Lagoas, rua afora. Correr a Volta da Pampulha faz um hábito solitário tornar-se coletivo. E põe coletivo nisso: 14 mil participantes. Uma mar de gente. E o legal é que ninguém corre contra ninguém. Cada um faz sua corrida. Cada um corre contra suas próprias limitações.





Eu corri a Volta da Pampulha em 2006. Fiz 18km em 1h45m08s: 10,2km/h. Hoje, resolvi não controlar nada. Disparei o cronômetro na largada, no celular, pus no bolso e não olhei mais. Nem uma única vez. A largada é sempre uma farra. A descida do Mineirão foi linda. Legal ver a cena do alto... Os primeiros quilômetros são e foram bizarros: muita gente, você precisa achar o seu lugar e não tem a menor ideia do ritmo que está seguindo. Só a partir do quilômetro 6, com mais espaço, consegui esquecer o entorno, ignorar o mundo à volta, me achar no meio da multidão, concentrar em mim mesmo e definir a minha corrida. Só duas coisas me interessavam: manter a pisada leve e a respiração tranquila. Nem arrasta-pé nem respiração ofegante. O tornozelo colaborou: chiou no início, dando sinal de vida do tipo: - "cuidado comigo'; depois, sossegou. Muita gente reclamou do calor. Estava quente, mas podia ser pior. O sol foi gentil e não apareceu hora nenhuma. Mormaço. Nos primeiros quilômetros, a sensação térmica foi pior. Depois, todos parecem ter se adaptado. Nos pontos de água, não há quem não se aclimatize. Muita gente  reclamou da água quente; pra mim foi indiferente: para superar o calor, estava de bom tamanho. Mantive uma velocidade padrão, sem nenhum excesso, até o quilômetro 12. Aí, apertei um pouco o ritmo; depois do 16, mais um pouco. Ainda assim, fui conservador. Se tivesse mais experiência no circuito, saberia, possivelmente, que poderia dar um pouco mais de gás. Não dei. E ainda tem um problema: quando você vê gente passando mal no caminho, você tende a se preservar. Só nos últimos metros, tive certeza que estava inteiro e disparei. Em frente a Igreja de São Francisco, no embalo, dei um berro: - "Viva Niemeyer!" e segui animado. Até fazer a curva e ver a turma subindo a ladeira da chegada. Incrível: quem foi o louco que teve essa ideia estúpida de colocar 400 metros de subida no final de 19km?! Se a descida foi linda, a subida foi hard, non sense total. Eu sabia dela, me preparei pra ela, mas, na hora H, foi de matar. Tirei o celular do bolso e, no pórtico, parei a cronometragem. Nas minhas contas: 1h50m57s; na contagem oficial: 4 segundos menos - 1h50m53s. Publicamente, consta que a mudança do local da largada aumentou 800m nos 18km originais. A turma que correu com GPS, entretanto, mediu 19km150m, uns; 19km210, outros. A ser verdade, minha média ficou melhor do que a de seis anos atrás: 10,5km/h. Maravilha! Ou seja, como se diz, estou igual vinho: quanto mais velho melhor...



O que interessa, na verdade, é a alegria contagiante, de todo mundo, na chegada. Cada um a seu modo,  cada um com seu cansaço, cada um com seu tempo, todo mundo com sua medalha no peito. Uma medalha genial: ela não significa que você superou alguém, ela diz que você superou a si mesmo. Isso é tudo!

5 comentários:

ENIO EDUARDO disse...

Flávio, fiz a volta da Pampulha por duas vezes e a Meia Maratona do Rio uma vez. Na época eu estava com 25 quilos a menos e muita disposição, pois treinava todos os dias e corria 25Km todos os sábados. Eu tinha um Personal que me orientava. Aprendi a correr, disse aprendi, porque achava que sabia, mas há técnica específica para esta atividade, mesmo sendo amador. a primeira vez que corri fiz em 1h43min, na segunda vez, já com mais domínio da técnica de corrida, consegui fazer a volta em 1h31min.
Hoje não sou nem sombra do que fui. Com meus 100 quilos e pouca disposição, vejo suas fotos e morro de inveja (inveja positiva, se é que existe isto). Vou pensar muito neste fim de 2012 e quem sabe, depois de ficar babando de inveja, eu me decida a entrar novamente em forma, perder uns 20 quilos e no final do próximo ano, te fazer companhia em uma mais volta da Pampulha.
Parabéns pelo feito e continue com esta disposição.

Abraço, Enio.

Blog do Flávio de Castro disse...

Enio,

Eu só fiz a volta porque tive um ano mais disciplinado e perdi 18 quilos. Coloque isso nos seus planos! Você sabe o quanto vale a pena. A Volta da Pampulha acaba sendo, apenas, um prêmio por bom comportamento [risos...]. Mas que dá uma enorme alegria completá-la, no meio daquela multidão, ah, isso dá...

Juízo!

Flávio

Ramon Lamar disse...

Parabéns, Flávio!

Blog do Flávio de Castro disse...

Vamos também, Ramon, no ano que vem?!

Ramon Lamar disse...

Tá, quando você for na Fórmula 1.