6 de dez de 2012

File not found

Eu vasculho meu estoque de palavras. 
Não acho nenhuma adequada.
No máximo, algumas aparentemente interessantes,
Mas pouco úteis.
Tento lembrar uma poesia nova.
Inusitada...
“File not found”...
Não sou geógrafo,
Não lido com a imprevisibilidade da geografia.
Com o gradiente largo e mutante que degenera a noção de espaço e de tempo...
Sou arquiteto.
Olho lugares com certa obsessão de controle.
Aprendi simetria, métrica, proporção áurea.
Pensa bem: estudei geometria analítica!
Mundo estreito...
Muito, muito estreito.
Mesmo quando o renego,
Uso de uma estética cartesiana.
Cheia de sotaque.
Sou muito previsível.
Muito, muito previsível.
Sou limitado, sou datado.
Como um alfinete preto no mapa.
Como um móvel de antiquário.
Nem paleontológico,
Nem moderno.
Muito menos pós-moderno.
Empoeirado...
Dá no que dá:
Para quem é do mundo-será da geografia,
Quem é deste mundo-findo da arquitetura nem existe...


[Brasília, 2006, lendo Milton Santos...]

Um comentário:

Anônimo disse...

Gosto qdo vc escreve poemas. Devia escrever mais!