18 de dez de 2012

Dez anos...

Dizem que o tempo aplaca
a dor e a saudade.
Não aplaca!
O tempo apenas nos envelhece;
e mais velhos,
somos apenas mais silenciosos
ao lidar com a mesma dor e a mesma saudade.
Dizem que a ausência transcende.
Drummond diz que a ausência é um estar em mim.
Não!
Ausência é falta e falta.
Dez anos foi ontem.
Dez anos foi um minuto desta manhã.
Ainda ontem comentamos os jornais do dia.
Ainda esta manhã falamos do Natal.
Para certo jeito peculiar de ver a vida;
para várias cumplicidades;
para um monte de utopias;
o mundo parou naquela manhã de 18 de dezembro.
É até possível revisitar aquela manhã,
todos os dias.
Mas é inútil.
João Luiz, meu velho,
asseguro-lhe:
cá estão: a dor, a saudade e a ausência.
Intactas,
implacáveis.
Silenciosamente,
implacáveis!

Um comentário:

Ramon Lamar disse...

E vou completar... aos 22 anos de saudades a situação ainda se intensifica. Difícil...