28 de nov de 2012

Telhadódromo

Não sei quem inventou essa história, em Sete Lagoas, de que afastamento frontal destina-se, apenas, a uma eventual [e improvável...] cessão de área para alargamento futuro da via pública. Nunca soube disso na minha vida. O afastamento frontal é uma tradição urbanística com vários impactos: atribuir mais amplitude ao espaço público, criar uma área de transição entre o público e o privado, permitir uma faixa de permeabilidade de solo e de jardinagem e arborização e por aí afora. Também não sei quem difundiu o conceito de que o afastamento lateral só interessa à relação de vizinhança, ou seja, de que está subordinado apenas e tão somente a uma relação privada entre vizinhos e nada mais. Como se não tivesse virtudes urbanísticas e arquitetônicas mais nobres como aumentar as área de ventilação e iluminação das habitações, aumentar, também, o espaço de permeabilidade etc. Essa visão mais restrita de que uma coisa só serve para eventual alargamento de rua e a outra subordina-se apenas a uma relação entre vizinhos só me pareceu razoável como condicionantes [no caso, de não gerar direitos sobre as áreas ocupadas irregularmente] para regularização de imóveis populares, nos termos que eu expus em recente artigo no SETE DIAS [AQUI]. A não ser nesse caso excepcionalíssimo, em nenhum outro! Acho que a importância desses dois parâmetros urbanísticos deve ser rediscutida em seu mérito e não apenas como dispositivo legal, e deve ser reposta em seu devido lugar, se queremos uma cidade melhor. Hoje, num edifício no centro, eu fiquei observando como os quarteirões estão se fechando, como estão ficando 100% edificados, sem nenhuma garantia de salubridade, sem nenhuma reserva de área para infiltração das águas da chuva, sem um palmo sequer de terreno para arborização. Os lotes são privados, mas a sua ocupação tem um inequívoco sentido público. Estamos perdendo esse sentido...

[Quarteirão integralmente edificado, no centro de Sete Lagoas]

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