16 de nov de 2012

Manual Prático de Como Morar em Cidades

As nossas cidades super povoadas estão se tornando um lugar que já não reconhecemos. Uma série de eventos nos surpreendem, cotidianamente, e, ainda que sejamos tradicionalmente urbanos, não sabemos mais, exatamente, como lidar com eles. Assaltos, arrastões, conflitos no trânsito, tempestades, desmoronamentos e outros acidentes naturais vão se tornando tão comuns quanto incompreensíveis. Não conseguimos mais interpretá-los e definir condutas corretas para lidar com situações inesperadas. Parece que acabamos de chegar, despreparados, aonde sempre estivemos.

Ontem, quando a tempestade que, em minutos, assolaria BH desabou, eu estava dentro do carro, no trânsito, fazendo o trajeto Pampulha - Santo Antônio. Foi, de fato, uma cena impressionante: vento, trovoadas, raios e, enfim, chuva, muita chuva, muita enxurrada, muito alagamento. Inevitavelmente, eu passei por vários pontos críticos. Não sou expert nesse assunto. Tenho apenas duas qualidades nessas horas: mantenho a calma e tenho noção de perigo [ou, em outras palavras, tenho medo...]. Isso me faz evitar o que mais vi: atitudes ingênuas e precipitadas, de um lado; e falta absoluta de solidariedade, de outro. Em um caso, parece que a criatura é atraída para o perigo; no outro, que gosta de expor os outros ao risco.

A ampla maioria das pessoas, na hora H, parece agir com racionalidade. É formada por motoristas que seguem com calma ou estacionam em locais seguros e deixam o pior passar. Mas a minoria imprudente ou a beira de um ataque de nervos [os que, por imperícia, deixam o carro morrer no pior lugar; os que vão naturalmente ao encontro da tragédia; os que se arriscam inutilmente; ou os que passam voando e pressionam quem está ao lado, por exemplo] é tão ostensiva que chama a atenção.

Para sobreviver nas áreas urbanas, acho que vamos ter que compilar as recomendações da PM sobre como agir em casos de assalto, as instruções da Defesa Civil sobre como evitar situações de risco e as experiências pessoais vividas por cada um de nós para elaborarmos um 'Manual Prático de Como Morar em Cidades'. Como nossa intuição parece ter entrado em colapso, estamos carentes de instruções racionais prontas, prêts-à-porter, que nos guiem. Por certo, um 'manual' desses conterá 99% de instruções lógicas e óbvias, mas, cada dia mais, mais indispensáveis e urgentes...

6 comentários:

Ramon Lamar disse...

intuição ou instituição?

Frederico Dantas disse...

Flávio, estaremos diante de outro problema que acomete a maioria dos brasileiros; a aversão a ler manuais. Seguiremos no caos.

Ramon Lamar disse...

Frederico, tem que fazer o manual em quadrinhos!

Blog do Flávio de Castro disse...

Intuição mesmo, Ramon. As pessoas parecem ter desaprendido a se guiarem pelo sentimento, pelo bom senso, em [e para] um ambiente em que, teoricamente, deveriam ter sentidos já adestrados.

Conhece essa frase de Alice no país das Maravilhas? Pois é o caso: "Alice já lera muitas histórias sobre criancinhas queimadas ou engolidas por feras selvagens e outras coisas desagradáveis, tudo porque não tinham lembrado das regras simples que seus amigos falavam para elas. Por exemplo: um atiçador de lareira pode queimá-lo se você segurar por muito tempo, ou, se você cortar seu dedo muito fundo com uma faca, geralmente sangra; e ela nunca esquecera aquela: se você beber de uma garrafa que diz 'veneno' é quase certo que isso irá prejudicá-lo, cedo ou tarde".

Alê Casarim disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Alê Casarim disse...

Preciso deste manual, urgentemente!!! Já não compreendo os fatos, atos e ratos...