10 de nov de 2012

Literata: politicamente bem humorados

Neste ano, a Literata, pra mim, foi breve. Mil coisas ao mesmo tempo. Mas os poucos momentos que tive oportunidade de aparecer foram geniais. Ontem, foi show! A Cristiane Costa não veio; a mediação sobrou para o Humberto Werneck. E ele mandou bem. Eu fui mais por conta do Reinaldo Morais, que é um cara politicamente incorreto. Totalmente. Não imaginava que o Eugênio Bucci fosse tão bem humorado. E a grande sacada foi essa, como bem disse o Zeca Amaral, que estava ao meu lado: o único jeito de falar sobre politicamente correto ou incorreto é pela via do bom humor. A pergunta posta no ar foi direta: você daria um livro de Monteiro Lobato ao seu filho e diria o quê a ele? A resposta única: sim e não diria nada! O dizer alguma coisa é exatamente o que o Estado Brasileiro deseja com a distribuição escolar dos seus livros apenas com nota de contextualização. O Estado dizendo o quê e como ler. Intolerável. Aliás, essa foi uma palavra importante na conversa: tolerância. Como bem lembrou o Bucci, pela via da intolerância, até a Bíblia deverá ser editada com notas que esclareçam porque o Faraó mandou matar todas as crianças egípcias. Toda literatura é temporal e toda leitura é interpretativa. Adultos interpretam; crianças também. A divisa tênue está entre a naturalidade e o preconceito. Ou entre a hipocrisia e o respeito. Como bem comentou o Zeca, ao meu lado, pondo mais uma pitada de bom humor na história, duro é ouvir o narrador da Globo, numa luta de UFC, identificar os lutadores pela cor do calção, quando seria dez vezes mais fácil se ele dissesse que fulano é o cara branco e beltrano é o preto. E ponto. Mais fácil e mais, digamos, politicamente correto...

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