26 de out de 2012

O Justiceiro autofágico

Pondo de lado a especificidade do julgamento do mensalão, eu não gosto nem um pouco da figura de justiceiro. O significado é ruim. Há um quê de personalismo, de messias, de salvador. Do super herói iluminado que detém, e ninguém mais, a razão. Esse papel, que no STF tem sido exercido com excessiva liberdade pelo ministro Joaquim Barbosa, incomoda-me profundamente. Acho um desrespeito os sucessivos bate-bocas que esse cidadão promove, sentindo-se no direito de julgar não apenas os réus do processo, mas os seus próprios pares. Não há um dia em que ele não ultrapassa os limites de sua competência. E não há outro em que não é obrigado a recuar, reconhecer seus arroubos e desculpar-se. Mas a figura virou ídolo nacional e falar mal de ídolos nacionais virou pecado mortal. Pois não é que, ultimamente, seus próprios colegas de STF passaram a questionar o novo presidente da Casa? Leiam AQUI: 'Colegas questionam atuação de Barbosa no plenário do STF'.

[O justiceiro autofágico]

"Na mais recente [afirmação], durante a sessão de quarta-feira, afirmou que o sistema penal brasileiro é “risível”, repetindo crítica feita pela imprensa americana. Essa última declaração foi classificada como “autofágica” por um dos integrantes da Corte. Outro ministro afirmou que Joaquim Barbosa deu um “tiro no pé” ao criticar o sistema judicial do qual ele faz parte e presidirá a partir de novembro".

6 comentários:

Frederico Dantas disse...

Flávio.

Joaquim Barbosa, por si só, já seria um herói. Negro, de origem humilde, superou preconceitos, adversidades e chegou onde está. É um exemplo, de fato, um herói, para todos aqueles que acham que estão fadados a ter um vida ordinária. Isso para mim nem se discute.

Quanto à sua atuação, sobretudo neste julgamento em específico, tenho que concordar totalmente com você.

LEANDRO VIANA disse...

Flavio, o cara é autentico e avesso a proforma. Ha pouco tempo atras ia ao mercado central d Bsb tomar uma boa cachaça e comer queijo. Conversa com as pessoas d uma forma simples e verdadeira.Essa figura de truculento e bossal nao existe. O que há é uma sede de justiça e personalidade impar. O cara saiu da base é exemplo.
Nosso sistema judiciário é caotico. 8 milhoes de processos e juizes 3 meses de ferías no ano, sem falar no CNJ q so depois da Heliana Calmon começou a punir. A hipocrisia nao combina com ele. Abraço

Blog do Flávio de Castro disse...

Frederico, de novo, de acordo.

Leandro, não chamei o JB de truculento ou bossal, mas de desrespeitoso. Não estou julgando a pessoa do Barbosa, mas o seu desempenho no STF, neste caso do mensalão, e em qual direção isso aponta.

Anônimo disse...

Só tenho a dizer uma coisa:

Este julgamento não irá acabar com a corrupção e nem com a impunidade no Brasil. Precisamos é de partidos políticos sérios, que possam vasculhar a vida de seus filiados e caso necessário expulsá-los da instiuição partidaria. Só acredito que estaremos livres desses "abutres", quando isto acontecer.

Ramon Lamar disse...

Eu estou esperando o julgamento dos mensalões do DEM e do PSDB para ver como os mesmos juízes irão se pronunciar. Estou aguardando com muita ansiedade até. Como serão em especial os votos do Barbosa, do Gilmar Mendes, do Toffoli e do Lewandowski. Acho que uma comparação sobre as votações de todos os ministros nos três mensalões será muito interessante.

Blog do Flávio de Castro disse...

Como eu disse lá no Facebook: se é que esses outros julgamentos vão acontecer... A maior parte do mensalão tucano, por exemplo, nem vai ao STF ou pode chegar lá muito depois de sua prescrição. O que já é, em si, um elemento de comparação.