11 de out de 2012

Eleições IV: SL [renovação conservadora]

Com razão, está todo mundo propalando a profunda renovação na nossa Câmara de Vereadores. Dos treze vereadores atuais, apenas seis se reelegeram: ou seja, há aí uma renovação de, pelo menos, 46%. Somando-se os sete não reeleitos com os quatro que ocuparão as quatro novas cadeiras criadas, teremos, então, 11 novos vereadores. Se tudo isso puder ser considerado renovação, o índice, nesse caso, sobe para 65%. Seria uma renovação histórica...

Seria...

As minhas perguntas centrais: renovação de nomes significa renovação de posturas? Superaremos o modo de atuação 'por clientela', que privilegia o atendimento de demanda para formação de nichos [para não dizer currais] eleitorais, na direção de uma atuação estratégica que busca formular um projeto global e sustentável de cidade?

Duvido!

A nova Câmara, com todas as suas novidades, mostra ser profundamente conservadora. Ainda que se distinga o PCdoB, que integrou uma coligação ideologicamente pragmática e de direita [e não elegeu ninguém], e o PV, que participou de uma coligação de centro-direita [e reelegeu um vereador], só se pode dizer [com toda imprecisão que esses conceitos têm] que tende para o campo progressista e de esquerda apenas a coligação PT/PSB, que obteve apenas 10% dos votos válidos e elegeu dois vereadores [Dalton e Caramelo]. Além desses dois nomes, pode-se qualificar como não-pragmáticos apenas o vereador Renato do PV e, em tese, o Ismael do PSOL. Ponto. Ou seja, 24% da composição do nosso Legislativo é do campo progressista; 76% do pragmático ou conservador. Um para três.


E há alguns sinais dos tempos que mais me preocupam do que me animam. Um deles, o de que o eleitor está trocando médicos - que nas últimas legislaturas dominaram o plenário - por pastores e padres. Segundo o SETE DIAS, dos 17 eleitos, quase a metade - 8 eleitos - são religiosos. Como fato individual, não tenho nada contra médicos ou religiosos terem carreira política; como tendência, tenho tudo contra. É uma evidência de que se antes se capturava votos em consultórios; agora, é nas igrejas e templos. Duas formas de sedução do eleitor que não indicam qualquer avanço no processo de politização eleitoral. Lamentável!

2 comentários:

Anônimo disse...

Prezado Sr, não sou cidadão sete-lagoano mas abraçei essa cidade para recomeçar, inclusive profissionalmente. Amigo comum indicou-me seu blog para conhecer posições éticas, visionárias, entre várias outras coisas. Nos últimos meses, o Sr tem escrito, vez por outra, sobre uma cidade a ser desenvolvida global e sustentavelmente. Ao que parece o Sr. não acredita no próximo prefeito e novos vereadores para tal. Não seria o novo Plano Diretor, inclusive com suas Leis complementares, o escudo, a ferramenta social para exatamente legitimar as necessidades de Sete Lagoas? Salvo engano, inicialmente, o Sr. criticou a forma de execução daquele Plano. E agora que o mesmo foi concluído via audiência pública recente? O que a população deve fazer para garantir a aplicação do mesmo, já que foi ampla e participativamente debatido com ela?

Blog do Flávio de Castro disse...

Anônimo,

[1] Sobre o próximo prefeito, não se trata de se acreditar ou não. Tudo vai depender de sua ação daqui pra frente. Se ele se cercar de pessoas qualificadas é uma coisa, se resumir-se a voltar com diversos nomes que estão na política local há mais de 3 décadas [e que penso que têm pouco a acrescentar] é outra. Eu não torço contra. Sete Lagoas anda merecendo um bom governo...

[2] Sobre a Câmara, tenho elementos de sobra para ter pouca crença. Aqui e em qualquer lugar, a tendência ao clientelismo do Legislativo é devastadora...

[3] Sobre o Plano Diretor, não sei dizer. Quando fiz algumas críticas de método, no início do processo, e vi que elas não foram e não seriam bem aceitas, achei que devia me retirar desse debate e respeitar aqueles que o conduziam. Já ouvi coisas boas e ruins sobre a sua produção, mas não quis e não quero fazer juízo prévio. O fato de ter tido boa participação social é um sinal positivo. Essa é uma condição necessária. mas não suficiente. Acho que outro ponto central é a qualidade dos consensos estabelecidos. Se esses consensos forem bons e firmes, se tiverem gravado no direito de uso terra escolhas essenciais, acho que ele poderá ser o escudo a que vocês se refere. Particularmente, só desejo comentá-lo aqui, depois dele ter se tornado lei e quando eu puder ter acesso público a ele.

Abs, Flávio