15 de out de 2012

E ainda mais lenha na fogueira: Comparato

Na postagem 'Eleições II', eu prometi uma resposta ao Enio, ao Claret e ao Quin e, também, ao Brenno, sobre o mensalão. Ou seja, mais uma consideração sobre o mensalão, somando-se a outras que já fiz AQUI, AQUI, AQUI e AQUI. Por ora, vai aí, para os interessados em debater esse tema para além de estigmas e preconceitos, um artigo de Fábio Konder Comparato: 'Para entender o julgamento do mensalão'.

38 comentários:

Ramon Lamar disse...

Argumentos:
1) Não houve mensalão.
2) Mas se houve não tem problema, pois já houve outros mensalões e mensalinhos. E também a reeleição do FHC. E as privatizações desastrosas...
3) A culpa é da classe média e da imprensa.
4) O STF não presta para julgar nada.
5) O relator do mensalão não sabe de nada.
6) Bom mesmo são alguns juízes "companheiros".
7) Onde há fumaça, não quer dizer que tenha fogo.
8) A classe média é formada de golpistas que enganam o fisco e tudo o mais e depois fica cobrando moralidade.
9) A alta sociedade está cheia de novas prostitutas.
10) E vamos assumir o Caixa 2 porque já prescreveu mesmo.
11) O melhor é calar a imprensa... e os blogs... e tudo o mais. Bom mesmo é o Taliban!
12) Não houve mensalão.
13) Mas houve o mensalão mineiro.
14) Não houve mensalão.
15) Mas houve o mensalão mineiro.

Resumo ou moral da história: Só vou aceitar ir para o inferno se eu puder levar mais gente comigo!

Blog do Flávio de Castro disse...

Ramon,

Para além de estigmas, acho que o país vive um momento seríssimo e análises independentes sobre o que se passa é direito de todo cidadão. Jamais usei qualquer dos argumentos que você cita para fugir do debate franco, honesto e respeitoso. Qualquer que seja o nome que se dê [mensalão ou não], qualquer que seja a extensão da história [se deve ou não retroagir a compra de votos de 1998, se deve ou não incluir o mensalão mineiro], o que tenho defendido é um julgamento justo, não um linchamento. Em nome da justiça, é direito inalienável meu questionar alguns fundamentos do STF jamais utilizados antes, como é direito meu apontar excessos da mídia. Sobre isso, em especial, é inocência achar que a mídia é isenta e santa. A capa da Folha de quarta foi tão indisfarçável de seu lado nessa história que a própria ombudsman do jornal, Suzana Singer, reputou-a como sensacionalista e histérica. Lamento, mas acho que com seus argumentos você está rebaixando o debate que ando querendo fazer aqui.

Abs, Flávio

Ramon Lamar disse...

Flávio,
não quero rebaixar debate algum. Só acho que o Mensalão do PT existiu (e todos devem ser punidos), que o Mensalinho Mineiro existiu (e todos devem ser punidos), que a compra da extensão do mandato do FHC existiu e todos devem ser punidos. Todos os envolvidos, é claro. E que o Presidente Lula poderia ter acabado com o instituto da reeleição (afinal o PT não era contra?).
Quanto à questão de "fundamentos do STF jamais utilizados antes", acho que temos que ver a justiça como dinâmica, já que os crimes também tornaram-se dinâmicos. Dar recibo de compra de deputados é querer muito, não? Recibo de propina é coisa rara de se ver.
Quanto a excessos da mídia, independe de qual mídia. Todas têm seus excessos, estejam mais à direita, mais à esquerda ou no centro do poder.
Quanto às frases que usei, em momento algum coloquei-as como você as tivesse usado, mas vejo-as na boca de muitos dos acusados e de seus advogados e de seus ex-advogados hoje ministros do mesmo STF.
Mas julgar um escândalo dessas proporções sete anos depois, e com risco do decurso de prazo... não poderia dar coisa diferente.
Quanto a linchamentos, ainda não vi nenhum mesmo porque as penas não foram estabelecidas. Linchamento moral está havendo sim, mas do mesmo nível que sofremos todos ao saber que nas entranhas do poder (seja qual for o mandatário) somos apenas os otários.
Veja só a declaração do JD de que está mais preocupado com o resultado da eleição paulistana do que com o julgamento do mensalão. Isso não afronta a você?
E duas perguntas:
1) Você acha os votos do Tóffoli e do Lewandowski isentos?
2) Você acha que um texto numa página que traz a sigla "PIG" como link como "elevador do debate"?

Anônimo disse...

Tentar defender o assalto da quadrilha do MOLUSCO que operou o Mensalão é no mínimo imoral, e afronta capacidade de raciocínio dos brasileiros lúcidos, que não sofreram a lavagem cerebral imposta pelo PT aos seus filiados e simpatizantes "companheiros".

Blog do Flávio de Castro disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Blog do Flávio de Castro disse...

Anônimo, não defendo assalto algum; nem generalizações com sangue na boca...

Blog do Flávio de Castro disse...

Ramon,

Tenho várias divergências de opinião com você, mas atenho-me a responder as suas duas perguntas:

1) Eu acho que o Lewandowski não tem voto menos isento por divergir do relator. Sobre Toffoli, sou de opinião de que ele [por ter sido subordinado de JD] e Gilmar Mendes [por ter externado seu voto antes do julgamento e, por óbvio, das apresentações dos votos do relator e do revisor e das defesas dos acusados] deveriam ter tido suas participações postas em suspeição;

2) Eu não generalizo, mas tenho muitas críticas a parte da chamada grande imprensa. Já vi a sua ação, com claro e expresso interesse ideológico, quando, em 2004, decidiu promover uma ação orquestrada contra o programa Bolsa Família. Dessa feita, eu estava do lado de lá e vi o quanto faltava, - diga-se, escancaradamente - com a verdade dos fatos. Mesmo quando posta diante desses fatos, de forma inquestionável. A mesma imprensa que, poucos anos depois, quando o programa mostrou seu efeito anti-cíclico e virou uma unanimidade resolveu exortá-lo. Para alguns veículos, o tratamento de PIG não me incomoda nada e, dependendo da forma e de quem vem, não acho que rebaixa o debate.

Abs, Flávio

Blog do Flávio de Castro disse...

Ramon, sobre a terceira pergunta, anterior às outras duas, achei a declaração de JD uma afronta a mim e a todo mundo...

Ramon Lamar disse...

Flávio, há imprensa com interesse ideológico e há governos com interesses ideológicos.
Não concorda? Ou tais interesses só cabem aos governos?
Aliás, seriam ideológicos mesmo?

Blog do Flávio de Castro disse...

Ramon, concordo. Imprensa e governo tem interesses ideológicos. Só que um você pode mudar com seu voto, o outro, não! E concordo também, para ambos os casos, que os interesses nem sempre são ideológicos. Mas, aí, de novo, um você pode punir com seu voto, o outro, não...

ENIO EDUARDO disse...

Meus amigos Flávio e Ramon, gostaria de dar uns pitacos nesta questão.

1. O mensalão existiu?

Acho essa uma questão inócua. Esse apelido, cunhado pela jornalista Ana Maria Tahan, pegou que nem Dengue. O batismo não poderia ter sido melhor.
Na realidade, independente do nome que se dê, o que ocorreu (e pasmem, continua ocorrendo) é uma regular compra de parlamentares em troca de voto - apoio político ao governante de plantão. Isso ocorreu no Governo FHC e no Governo Lula, só para ficarmos nos últimos dois governos, anteriores ao Governo Dilma. Se retroargirmos, encontraremos inúmeros 'mensalões' na história do Brasil.
Vocês sabem muito bem, que isto ocorre não só no congresso nacional, mas em Assembléias Legislativas (lembram-se do caso do ex-governador Ivo Casol em Rondônia?) e Câmaras Municipais.
O problema que enfrentamos agora é de outra ordem: Que a corrupção não é uma coisa estritamente brasileira, disso sabemos, mas que a impunidade é coisa bem nossa, disso tb sabemos. É nesta toada é que estou achando ótimo a condenação dos réus do mensalão.

2. O PT é um partido de corruptos?

Evidentemente que não. A democracia brasileira não poderia prescindir do PT. Foi este partido que abrigou a esquerda democrática brasileira, rompeu paradigmas, cunhou bandeiras importantes, deu voz e vez aos movimentos sociais de luta pela terra, pela moradia, pela defesa dos direitos humanos, pelos direitos das minorias, pelas questões ambientais (não é Ramon?). Basta olhar a lista dos fundadores para vermos qual a cepa petista (Apolônio de Carvalho, Sérgio Buarque de Holanda, Vinicius Caldeira Brant, Plínio de Arruda Sampaio, Antônio Cândido, Helena Greco, Francisco de Oliveira, Chico Mendes, Lélia Abramo, Hélio Bicudo, Olívio Dutra, Jacó Bittar, Lula, Hamilton Pereira e tantos outros)

Enfim, o PT não é apenas um partido, o PT abrigou lutas históricas para que a democracia brasileira avançasse. O PT reuniu grande parte da esquerda brasileira. O surgimento do partido era impulsionado, entre outros fatores, pela popularidade do movimento operário do ABC paulista, com as grandes greves de 1978 a 80, pelo retorno de diversos militantes de esquerda do exílio, com a Anistia, em 1979, e a ascensão do movimento de base da Igreja Católica, inspirado na Teologia da Libertação. Assim, o PT foi fundado no Colégio Sion em São Paulo, no dia 10 de fevereiro de 1980.

ENIO EDUARDO disse...

Continuação . . .

3. Mas o que ocorreu no PT para que ele mudasse tanto?

Como disse o Claret em um dos seus comentários, o que está acontecendo com membros do PT, aconteceu com os membros do PSOE na Espanha. Chamo isto de 'efeitos colaterais do exercício do poder'. Ao se tornar poder e protagonizar uma ampla aliança política, o Governo Lula do PT, manteve um discurso de centro-esquerda com uma prática de centro direita. Essa fórmula deu certo, deu tão certo que o Lula se reelegeu, elegeu a Dilma e aponta para um futuro promissor dentro dessa proposta de governo e projeto de poder.
O PT mudou porque o contexto histórico assim exigiu. Desse modo, deixou inúmeros militantes mais ideológicos totalmente sem rumo e sem um ideário a defender.
Outros militantes passaram simplesmente a viver na lógica de fidelidades na qual se estrutura o poder interno do PT. Ainda há militantes que se encontram fora dessa lógica de fidelidades e que são homens e mulheres de bem.

Deixo claro que a história do PT não abona as ações dos envolvidos no processo do 'mensalão'. Pelo contrário, essa história exige respeito e não se pode banalizar essas ações.

Contudo isso, o PT permanece em crescimento eleitoral, em avanço na conquista de parcelas substantivas de poder e desse modo deve também ser ainda mais cobrado.

O mais engraçado é ver aqueles que sempre combateram o PT, virem posar de vestais ao encherem a boca para colocar todos os petistas na vala comum da corrupção.

Não se trata aqui de ficar na trincheira da defesa do PT. Trata-se apenas da tentativa de colocar as coisas em seu lugar.

Punir corruptos e corruptores, vale tanto para membros do PT, como membros de qualquer outro partido. E deve valer também para todos aqueles que fazem da corrupção meio de vida.

Blog do Flávio de Castro disse...

Enio, de pleno acordo...

Anônimo disse...

Se o mentor do PT é o mentor do mensalão, logo, todos os seus seguidores são iguais.
Questão de lógica explicada com uma boa dose de raciocínio e inteligência...
"Diga-me com quem andas e te direi quem tu és..."

A. Claret disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Frederico Dantas disse...

Concordo com o Ênio e Flávio e discordo do anônimo. Não acho que são todos iguais. Também sou contra a generalizações e julgamentos precipitados.

Espero que a Justiça, enquanto instituição, continue nos dando a segurança de que é a guardiã das nossas garantias constitucionais e não se deixe manipular pelo clamor popular, pela imprensa, pelo governo, pela oposição ou por quem quer que seja.

A Justiça tem que ser justa e não justiceira. Tem que caçar culpados e não bruxas. E que assim seja, cega e sábia. Que assim seja...

A. Claret disse...

Sinto discordar de voce, Anonimo.

Por esta "logica" e regra de tres simples Jesus Cristo era um ladrao e um frequentador de prostibulos???? "Diga-me com quem andas e com quem fostes crucificado e eu te direi quem es..."

E' obvio que quem praticou algum crime deve pagar (e caro) por ele mas voce generaliza de uma forma perigosa e cega
a extensao do castigo.

Ramon Lamar disse...

Aí vem a pergunta: qual a ideologia do PT hoje? Há um projeto ideológico ou um projeto de poder?

Ramon Lamar disse...

Ênio, você acha a questão do mensalão (sinônimo para compra de votos por apoio, seja em qual esfera ou partido for) ter existido inócua? Que a compra de apoio político é regular?
Desculpa, meu amigo, mas dá a entender que você está aceitando a corrupção (corruptos e corruptores) como naturais... quem sabe até necessários.
E o "engraçado" não é ver o PT ser combatido por antigos corruptos agora em "pele de cordeiro)", é ver o PT com práticas que antes combatia e aliando-se a figuras do quilate de Paulo Salim Maluf.
Quanto à "história do PT", o partido continua escrevendo sua história. Não se vive só do passado, de lutas democráticas e pelo meio ambiente. Vivemos um dia após o outro... "nada como um dia atrás do outro com uma noite no meio". E que noite!
Francamente!

Blog do Flávio de Castro disse...

Ramon, respondo suas perguntas, sem prejuízo a que o Enio se posicione, adiante:

[1] Há no PT quem tenha, sim, projeto ideológico legítimo, comprometido com as causas originárias do partido; há muitos assim e posso citar-lhes nomes. Como há também aqueles que vislumbram no PT apenas um instrumento de luta política pelo poder. Assim no PT como em qualquer outro partido que tenha algum ideário constitutivo, como o PSDB, o PSB e outros [o que não se aplica para as dezenas de legendas pragmáticas que não tem ideário algum, senão apenas projetos de poder];

[2] Acho que o PT inteiro paga caro, e muito caro, por ter se posto, originalmente, como o defensor da ética e de novas práticas políticas, e por ter se comprometido, quando no poder com as práticas que condenava, ainda que apenas por parte de seus dirigentes. Nesse caso, se não se pode escamotear o seu presente maldito, tampouco se pode ignorar os méritos de seu passado. Isso não é viver só de passado. É história... De toda forma, de meu lado, não acho natural nenhuma forma de corrupção. Mas não a acho natural nem no PT nem em qualquer outra instituição. Entenda bem: digo isso não por justificativa [para relativizar o erro do PT], mas por princípio. Daí porque condeno igualmente - e sempre condenei e não só agora, pós-mensalão do PT, de forma reativa - o mensalão tucano mineiro, o mensalão do DEM, a compra de votos da reeleição de FHC, e a mal contada história da privatização da Telebrás e o inexplicável grampo entre Mendonça de Barros e FHC. Ainda que saiba que a mais remota menção que eu faça ao mensalão tucano mineiro, ao mensalão do DEM, à compra de votos da reeleição de FHC, e à mal contada história da privatização da Telebrás e ao inexplicável grampo entre Mendonça de Barros e FHC soe, para muitos, como proibida, como artifício medíocre e estigmatizado de mais um que quer que tudo dê em nada. Nesse caso, Ramon, tenho para mim que o país seria outro, e já mais avançado, se a justa indignação que se abateu sobre o mensalão petista não tivesse se revestido da mais hipócrita complacência nos casos anteriores. Não do ponto de vista partidário, mas cívico, como brasileiro, essa é uma questão crítica pra mim: por que só um partido é posto como bode expiatório, ainda que mereça em sua medida, se mazelas idênticas aplicam-se aos demais? Já não é hora de enxergar o PT como um partido normal, já maculado por seus próprios erros? Depois de tudo, no seu comentário, por que AINDA lhe incomoda a ligação de Lula com Maluf [que eu, particularmente, condeno e condenei aqui no blog], mas não de Maluf com Serra, que era seu parceiro até ontem? Por que a ninguém causava espécie a vinculação do PSDB com ACM, por exemplo, e causa tanta estranheza a do PT com Sarney? Ora, já não é hora de reinterpretar mais amplamente o nosso ambiente político, sem desculpas, pretextos e passionalidades e estender a crítica a todos que a mereçam, exigindo mudanças mais amplas? Ou você acha que a judicialização de tudo, a condução do STF a um papel de justiceiro, dará conta do recado, higienizará os poderes Executivo e Legislativo, como se ele próprio, o Judiciário, não precisasse ser higienizado. Eu insisto nisso: o momento é crítico; o mensalão passará, tudo continuará como dantes no quartel de Abrantes e nossa efêmera indignação se diluirá como sempre. Espero apenas que o legado do STF, quando transformado em jurisprudências aplicáveis pelo país afora, seja um patrimônio jurídico bom e perene e não meramente circunstancial, como em alguns momentos me parece.

Abs, Flávio

Ramon Lamar disse...

Flávio,
concordo plenamente com toda a sua argumentação em relação aos mensalinhos e mensalões do PSDB ou de quem quer que seja.
Mas me espanta ver que em um passado tão recente tais práticas tucanas eram condenadas (e foram amplamente divulgadas... quem não as conheceu foi porque não lê jornais, não ouve rádio e não vê TV). Aproveitando, leia a VEJA números 1573 e 1574 (sobre os grampos - matéria de capa) e 1496 (sobre a compra de votos para a reeleição de FHC). Ou seja, foi noticiado na Imprensa PIG também, e notícia de capa. Não são histórias de surdina.
Causa-me estranheza sim a relação Lula-Maluf exatamente por ser sucedânea da relação Serra-Maluf ou PSDB-ACM. Oras, pipocas! Estás argumentando agora no estilo "por que o PT não pode"?

Abraços, Ramon.

PS.: Sei que você não lê a VEJA, mas pode acessar todo o acervo digitalizado no site da revista, basta procurar pelos números citados.

Blog do Flávio de Castro disse...

Ramon,

'Estás argumentando agora no estilo "por que o PT não pode"?'

Eu fiz questão de argumentar longamente, exatamente, para ser bem entendido e não merecer interpretação enviesada. Eu afirmei, precisamente, o contrário: 'o PT não pode!'.

Agora, precisamos escolher o foco do nosso debate: se desejamos persistir numa crítica apenas sobre o PT, é uma coisa; se desejamos discutir as mazelas [mensalão...] do PT no contexto político brasileiro, observando casos similares - mais uma vez: que não justificam, mas mostram a magnitude do problema -, é outra...

Ramon Lamar disse...

Acessou as capas das VEJAs?

Ramon Lamar disse...

Outra coisa, Flávio, é afirmar que hoje se discute mais e se acusa mais do que na Era FHC. Putz... e na Era FHC existia Facebook, blogs e toda essa facilidade de discussão?

Ramon Lamar disse...

Quanto a discutir mazelas, crie então as postagens: Mazelas Gerais Nacionais, Mazelas Gerais Estaduais e Mazelas Gerais Municipais.
Aí poderemos fazer uma longa lista de mazelas de todos os partidos.
A Aliança PSDB-PT em Sete Lagoas pode merecer até um tópico à parte!

Blog do Flávio de Castro disse...

Ramon,

[1] Sim, vi as capas da Veja. No que deu cada uma daquelas denúncias? Foram todas engavetadas pelo então conhecido 'Engavetador-Geral da República' e ninguém se indignou, muito menos a Veja;

[2] Discordo de você: 'Facebook, blog e toda essa facilidade de discussão' não existiam na era FHC, mas nem, muito menos, na era Collor. Segundo sua lógica, sem essas mídias não teria acontecido nada ao Collor. Aliás, o mesmo Collor que foi inocentado pelo STF por falta de provas, que ainda não devia conhecer esse fundamento de 'domínio funcional dos fatos'...

[3] Eu não desejo criar postagem alguma sobre mazela nenhuma, Ramon. Vou apenas continuar a acompanhar esse processo do STF, pelo interesse que ele me desperta, segundo a ótica que me parece mais sensata, ainda que ela não seja a mesma sua, o que é normal e merece respeito de ambas as partes.

Abs, Flávio

Ramon Lamar disse...

O Collor fez uma clara provocação à nação, lembra-se? E toda a classe política se uniu contra seu partido nanico. É bem diferente.
Bem, hoje o Collor é elogiado até pelo ex-presidente Lula. Interessante, não?
Fico também com uma pergunta: o Lula não poderia ter reaberto investigações sobre os problemas do governo FHC? Não sei sobre a questão de prazos... mas acho que daria para investigar algumas coisas, não? Está aí o julgamento do Mensalão com 7 anos de atraso...
Sei lá, não entendo de prazos em política.

Ramon Lamar disse...

Ah, e mais um detalhe sobre a Era Collor que ajudou a por muita lenha na fogueira... existia a UNE! Aliás, cadê a ditacuja?

Blog do Flávio de Castro disse...

A provocação do Collor que lhe custou o mandato foi ao Congresso. Tivesse ele uma boa base aliada [sabe Deus a que preço...] não haveria nem CPI, como FHC teve a graça de não ter...

O mensalão do PT não teve atraso. Foi o mais célere já visto. Em sete anos, houve uma longa CPI, a instrução do processo [e que processo, sei lá quantas mil páginas...] pela PGU e já está em final do julgamento. Embora você não goste de comparações, atrasado está o mensalão mineiro: está caminhando para o seu 15º aniversário, com instrução incompleta, julgamento sem data, e tendo como presente, o sagrado direito à prescrição.

É... a UNE sumiu mesmo. Cadê os cara-pintadas?

Ramon Lamar disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Ramon Lamar disse...

A diferença deve ser por causa da proporção do dano causado... imagino.
Mas realmente, concordo com você, é um abuso o atraso do julgamento do mensalão mineiro e o do DEM. Só não concordo é com entrelinhas que sugerem de forma subliminar que um não deveria existir porque o outro não existiu, como vejo em vários textos. (E não estou dando diretas ou indiretas.)
Mas, mudando de pau pra cavaco, meus comentários são raivosos? Estou com "pobrema"?

Ramon Lamar disse...

Eu não entendo a UNE. Parece que no caso de seus dirigentes era mais um "projeto de poder" do que a "defesa de ideologias pró-estudantis".
Não lhe parece, Flávio?

rogerpardal disse...

Que bom que o blog voltou a efervescer....viva o Alka-Seltzer para a ressaca eleitoral!
Abraços.

Blog do Flávio de Castro disse...

Ramon,

Você viu lá? Tem um anônimo achando que você está com pobrema. Coisa de alvinegro: é ver o time perder que perde o humor junto...[rs]

A propósito, que cor de camisa era aquela que seu glorioso time usou, na quarta? Credo!

Blog do Flávio de Castro disse...

Grande mestre Pardal, estamos aí, a mil... Volte sempre!

ENIO EDUARDO disse...


Ramon, responderei suas questões, vamos lá.

Ênio, você acha a questão do mensalão (sinônimo para compra de votos por apoio, seja em qual esfera ou partido for) ter existido inócua?

Não acho nada disto Ramon e não sei porque você assim interpretou. Eu disse apenas que ficar discutindo se o Mensalão existiu ou não é que é uma questão inócua. Não importa o nome com o qual as práticas de corrupção receba, o que existiu e ainda existe em grande escala é a sua prática. Infelizmente para mim, que fui simpatizante e militante do PT por cerca de 25 anos e acreditei por muito tempo que seria possível ter um partido e um governo onde a corrupção fosse fortemente combatida, o PT faz parte da esparrela nacional da corrupção. O partido como um todo paga, mas gostaria de deixar claro que concordo com o Flávio em todas as suas argumentações sobre essa questão.

Que a compra de apoio político é regular?

Sim Ramon, na estruturação do poder nacional, a compra de apoio político é regular mesmo. Discordo plenamente desta prática, mas isso é fato em todos os níveis de governo. Claro que reconheço as exceções que existem e elas são salutares e exemplos a serem seguidos e perseguidos. E olha que há muita gente honesta governando, independente da coloração partidária.

Desculpa, meu amigo, mas dá a entender que você está aceitando a corrupção (corruptos e corruptores) como naturais... quem sabe até necessários.

Essa sua inferência não procede Ramon quanto a tudo aquilo que penso e defendo. Se deu a entender assim, é sinal que não me comuniquei bem. Não aceito de forma alguma a corrupção. Constatei (e isso é fácil constatar) que a corrupção funciona como um certo lubrificante do Sistema Capitalista, esta em sua essência, portanto não é uma coisa estritamente brasileira. Eu disse que a impunidade sim, é uma coisa bem nossa. E é nesse sentido que estou gostando das condenações referentes ao "Mensalão".

Espero que tenha conseguido me fazer entender.

Ramon, gosto de ser direto naquilo que penso. Procuro calcular (de um tempo para cá) tudo aquilo que falo. Não sou bastião de moralidade alguma, não acredito na inocência das intenções. Acredito que a corrupção deve ser combatida no cotidiano. E quando falo assim, acho que todas as suas formas, desde aquelas encrustadas no poder oficial (executivo, legislativo e judiciário, passando por aquelas das classes dominantes, como muito bem descrita pelo Fábio Konder Comparato, até às pequenas corruptelas. Sei que não é tarefa fácil, mas a vigilância cotidiana, ajuda na formatação de uma cultura de rejeição às práticas de corrupção. Acho que a sociedade evolui dia a dia, muita coisa melhorou, há muito a se melhorar.

Ramon Lamar disse...

Flávio, não vi o jogo. Agora vi umas fotos e não achei nada de estranho na camisa. Deve ser comemorativa de alguma coisa.
Ênio, pode ser isso mesmo, que suas palavras não me soaram claras. Mas ainda não me sinto a vontade em pensar na tese de que a corrupção seja regular (apesar de imoral, claro).
Abraços.

Blog do Flávio de Castro disse...

Ramon, pode ser que nas fotos não pareçam estranhas. Não a corrupção, mas a camisa do seu time. Mas na TV, eram engraçadas. No começo eu achei que os caras estavam suados pra danar; depois eu vi que só os corintianos estavam suados pra danar; aí é que me dei conta de que era coisa da camisa, que tinha umas faixas muito esquisitas. Vê lá se aquilo é camisa de time de futebol...