31 de out de 2012

A natureza contra-ataca

Sob uma temperatura histórica na região de Belo Horizonte, desde a criação do INMET, em 1910,  de 37,1º, assistimos pela TV, estupefatos, os efeitos devastadores da supertempestade Sandy, na costa leste americana, mostrando uma New York irreconhecível. Como se não tivéssemos nada a ver com isso, como se nada tivesse a ver com nada, seguimos discutindo mudanças em códigos florestais e simplificações em  licenciamentos ambientais, dia a dia, como se fossem na Lua... God!

Cliquem AQUI e vejam sequência de fotos impressionantes no G1.

Perfis dos participantes da Literata

Vai aí um quem-é-quem na 3ª Literata. A biografia foi obtida pelo caminho das pedras, ou seja, aquele mais acessível pela internet, mesmo, quando necessário, alguns não validados como o Wikipédia. Não faz mal: a intenção aqui não vai além de dar uma noção geral de quem são os participantes. Cliquem nos nomes para acessarem as informações:

Vladimir Sacchetta
Zuenir Ventura
Leo Cunha
Maria Antonieta Cunha
Neusa Sorrenti
Cristiane Costa
Claudiney Ferreira
EugênioBucci
João Marcos
NélidaPiñon
ReinaldoMoraes
Wellington Srbek

Lá vai mais lenha...

Sinceramente, com essa eu não contava. O pressuposto é que os ministros do STF sejam absolutamente experientes. Mas há um problema aí: a praia deles é o Direito Constitucional, não o Penal. Ou seja, não se pode exigir que eles sejam experientes naquilo que lhes foge à competência. Só que no caso do mensalão eles estão tendo que improvisar em praia alheia. Isso é bom?!

Deu no IG: Inexperiência

"Advogados dos réus do mensalão acreditam que o STF tem adotado uma postura incoerente no momento da imputação das penas. Segundo eles, isso é fruto da falta de experiência da corte em análise de crimes. Dos dez ministros, apenas um tem uma maior experiência em julgamentos criminais onde são comuns o estabelecimento de penas: o revisor do mensalão, Ricardo Lewandowski".

Viva Carlos!


Uma homenagem aos 110 anos de nascimento de nosso poeta maior...

Memória

Sempre um Papo na 3ª Literata

Festival Enogastronômico [3]

Encontro marcado: Japinha Sushi Bar, hoje, às 21:00! Acessem informações sobre o prato e o vinho e sobre reservas AQUI.


30 de out de 2012

Monteiro Lobato inspira a 3ª Literata


Depois de Guimarães Rosa e Fernando Sabino, a Iveco homenageia Monteiro Lobato na 3ª Literata de Sete Lagoas. É um momento oportuníssimo, quando mentes insanas pelo país afora tentam censurar a obra desse extraordinário escritor sob o pretexto de racismo. A Literata será uma bela ocasião de reencontrarmos a melhor literatura infantojuvenil do Brasil, da melhor maneira possível: revisitando-a com a liberdade das crianças que sabem, perfeitamente bem, contextualizá-la e extrair dela toda a sua genialidade. Bem-vindo a Sete Lagoas, Monteiro Lobato! Vida longa à Literata!


ABERTURA
31/10/2012
10h00
Casa da Cultura

Abertura da Exposição dos Trabalhos de Alunos das Escolas Municipais

A exposição acontece simultaneamente no Museu Histórico Municipal, Museu Ferroviário, Shopping Sete Lagoas, Faculdade Promove e Casarão até o dia 10 de novembro. Funcionamento: Diariamente, das 10 às 22h. Na Casa da Cultura, a exposição fica aberta para visitação nos dias 31/10 e 1º/11.

ESPAÇOS
Urupês (Plenárias - Casarão) – Funcionamento: das 9h00 às 24h00
(Primeiro livro de Monteiro Lobato. Diversidade de contos, assim como será diversificada a programação literária, os autores convidados e os debates)

Serões de D. Benta (Feira de Livros - Casarão)  Funcionamento: das 9h00 às 23h00
(Livro de Monteiro Lobato. Resume a característica da personagem que conta e adapta histórias e livros de grandes escritores)

Memórias de Emília (Coreto - Praça Tiradentes) – Funcionamento: das 8h00 às 17h00
(Livro com a boneca de pano protagonista. Esse espaço será para brincadeira e travessura das crianças que visitarem a Literata. Grandes emoções)

Bolinho de Chuva (Café Literário - Casarão)  Funcionamento: das 9h00 às 23h00
(Doce imortalizado na obra de Lobato pela simpática Tia Nastácia, que, inclusive, foi salva do Minotauro por causa do bolinho)

Espaço Pirlimpimpim (Exposição: Vida e obra de Monteiro Lobato - Casarão) – Funcionamento: das 09h00 às 23h00
(Na obra - O Sítio do Pica-pau Amarelo - este pó era utilizado pela boneca Emília, Pedrinho, Narizinho e pelo Visconde para transportarem-se, magicamente, de um lugar para outro. Homenagem à obra vasta de nosso autor)

O bicho inventor (Exposições e atividades digitais interativas - Casarão) – Funcionamento das 9h00 às 23h00
(Capítulo do livro histórias das invenções)

Sítio do Pica pau amarelo (Museu Histórico Municipal / oficinas) – das 8h00 às 16h00
(Pela própria estrutura do local, remete-nos ao lugar mágico, cenário da turma do sítio)

Saci (Museu Histórico Municipal / Herbário) – Funcionamento das 8h00 às 17h00
(Personagem do folclore nacional e onipresente na obra de Monteiro Lobato, além de outras características guarda os segredos das ervas e plantas da floresta)

Reinações de Narizinho (Exposições das Escolas Municipais – Casarão, Museu ferroviário, Faculdade Promove e Shopping Sete Lagoas) – Funcionamento das 08h00 às 22h00
(Assim denominado por apresentar todos os personagens que deram vida à exposição)

PROGRAMAÇÃO PARALELA
07 a 09/11/12
7h00 às 11h30 e 13h00 às 16h30

Espaços: Memórias de Emília (Coreto - Praça) Sessão Curta Animação
Saci (Herbário/Museu Municipal) Palestras e plantio de mudas de ervas e plantas

Nestes dias, as atividades serão restritas aos alunos inscritos, previamente, pelas escolas municipais.

Estas atividades são voltadas para alunos das séries iniciais do ensino fundamental. A partir das 8h00, a cada uma hora, 30 alunos passam por estas atividades: 30 minutos para 15 alunos na sessão curta animação, e 30 minutos, no herbário, e vice-versa.

10/11/12
9h00 às 12h00 e 14h00 às 17h00
Aberto à população

OFICINAS
Espaço Sítio do Pica Pau Amarelo (Museu Histórico Municipal)
Eventos fechados a alunos e professores previamente selecionados pela Secretaria de Educação

01 – Contação de histórias - Trupe Maria Farinha
Ministradores: Sandra Bittencourt e Babu Xavier
Público alvo – Professores do ensino fundamental da rede municipal
Data: 9/11/12
Carga horária: 03 (3 horas)
Horário: 13h00 às 16h00
Vagas: 30

02 – Palavra em movimento - Trupe Maria Farinha
(Trabalhando o texto literário de forma lúdica)
Público-alvo- Alunos do ensino fundamental: 12 a 15 anos de idade
Data: 9/11/12
Carga horária: 03 (3 horas)
Horário: 8h00 às 11h00
Vagas: 30

03 - O sabor do saber - Associação Palavra Bem Dita
Ministradores: Sônia Haddad e Patrícia Monteiro
Público alvo - alunos do ensino fundamente entre 09 e 11 anos
Data: 8 e 9/11/12
Carga horária: 06 (seis horas)
Horário: 13h00 às 16h00
Vagas = 30

04 – Palavra em movimento - Trupe Maria Farinha
(Trabalhando o texto literário de forma lúdica)
Ministradores: Sandra Bittencourt e Babu Xavier
Público-alvo- Recuperandos da APAC
Data: 7 e 8/11/12
Carga horária: 06 (seis horas)
Horário: 9h00 às 12h00
Vagas: 30

OUTRAS ATIVIDADES ABERTAS AO PÚBLICO
8 e 9/11/12
9h00 às 11h00

Espaço Urupês (Plenárias)
Apresentação de dança / teatro / coral / música de alunos das escolas municipais de Sete Lagoas

PROGRAMAÇÃO LITERÁRIA
Espaço Urupês (Plenárias)

07/11/12
19h00
Abertura Oficial
19h45
Monteiro Lobato, por Vladimir Sacchetta
21h30
Sempre um Papo com Zuenir Ventura

08/11/12
19h00
Literatura infantojuvenil: 'Por que ler os clássicos?'
Mediador: Léo Cunha
Debatedores:
Maria Antonieta Cunha e Neusa Sorrenti
21h00
Sempre um Papo: Humberto Werneck entrevista Nélida Piñon

09/11/12
20h00
Politicamente correto
Mediadora: Cristiane Costa
Debatedores:
Reinaldo Morais
Eugênio Bucci

10/11/12
20h00
Quadrinhos e literatura
Mediador: Claudiney Ferreira
Debatedores:
Wellington Srbek
João Marcos

Espaço Serões de D. Benta (Feira de livros) - Casarão
Funcionamento: diariamente de 7 a 10/11/12
Das 10h00 às 23h00
Venda de livros e sessões de autógrafos

Espaço: O Bicho Inventor

Casarão – 2º andar
Funcionamento: diariamente, de 7 a 10/11/12, das 9h00 às 22h00
Exposição Monteiro Lobato: Vida e Obra – Linha do Tempo

Túnel de Acesso às plenárias
Muro de pensamento e palavras – Lobato
Funcionamento: diariamente, de 7 a 10/11/12, das 9h00 às 22h00

29 de out de 2012

Festival Enogastronômico [2]

Fotos do primeiro dia: Maquiné Park Hotel, 26/10/2012 [by Quin Drummond].


E preparem-se: na próxima quarta-feira, dia 31,  às 21h00, os 'trabalhos' terão lugar no Japinha Sushi Bar [Avenida Villa Lobos, 625].  Não percam!

Para saberem mais sobre o Festival, visitem a sua agenda virtual AQUI.

O perde e ganha das eleições

As estatísticas eleitorais dominaram os portais de notícias da internet, hoje, ao término efetivo das eleições, com a divulgação dos resultados finais do segundo turno. As discrepâncias são poucas e vêm, de lado a lado, exatamente, de aonde se espera. Depois de ler de tudo um pouco, vai aí a minha opinião:

Os vencedores
O PT
Ouvi de muita gente que a coincidência das eleições com a votação do mensalão destroçaria o PT. Essa circunstância torna o bom resultado do PT mais valioso. Há uma série de indicativos a seu favor: [1] foi o partido com maior número de votos do país; [2] foi o partido que elegeu mais prefeitos entre as 83 cidades com mais de 200 mil habitantes; [3] foi o 3° partido que mais elegeu prefeitos no país, mas enquanto alcançou um crescimento de 14% [com relação a 2008], viu os dois à sua frente perderem terreno [o PMDB continuou sendo o líder, mas com 14% menos prefeitos eleitos; e o PSDB, o vice-líder, mas com queda de 11%]; e [4] ficou com o que mais vale, a 'joia da coroa', a cidade de São Paulo [Confiram dados AQUI].


Lula... e Haddad
Não interessa se onde ele foi, ele transferiu votos. Todo mundo sabe que há um limite para isso. Para ele, para Aécio, para Dilma, para quem for. Nesses termos, o melhor que ouvi é que "Lula é boa companhia": é bom tê-lo ao seu lado, embora isso possa não ser decisivo. Mas a vitória é mérito de Lula. Contra a convicção de que Lula seria um Chávez que tenderia a se perpetuar no poder, ele tem feito o oposto: tem apostado na renovação das lideranças petistas. Apostou em Dilma e ganhou. Apostou em Haddad e ganhou de novo!

Eduardo Campos
O PSB foi o partido com maior crescimento percentual de eleitores e de prefeitos eleitos [só aí, 42% de crescimento]. Além disso, é o partido que mais governará capitais [5], à frente do PT e do PSDB [4]. Todo esse ganho partidário vai direto para a conta pessoal do governador Eduardo Campos que, para qualquer papel, tornou-se o grande coringa para 2014.

Kassab
Pra mim, Kassab não perdeu nada com a derrota do Serra em SP. Pelo contrário, saiu no lucro: pagou a conta que devia ao PSDB e se alforriou. Faz, daqui pra frente, o que bem quiser da vida. E com cacif pra isso: o PSD pode ser o partido mais anti-partido do país, mas saiu como a 4ª máquina do país com quase 500 prefeitos eleitos, logo atrás do PT.

Aécio
Há uma curiosidade na opinião da maioria dos analistas que me parece um fato real: Aécio é apontado como vitorioso mais pela derrota de Serra em São Paulo, do que pelo seu desempenho em Minas. Em Minas, ele não deu o show que prometeu. A vitória de Márcio Lacerda é importante, em BH, com o seu apoio, menos por ela em si, mas, relativamente, pelo gigantesco prejuízo que seria, para o senador, a sua derrota. Se safou bem. De modo geral, o resultado mineiro, observando o PT e o PSDB, tem sido avaliado como 'fragmentado': os tucanos se metropolitanizaram, os petistas, se interiorizaram; o PSDB elegeu mais prefeitos, no geral, o PT, mas nas 50 maiores cidades, que era o projeto mais acalentado por Aécio. Em resumo, Aécio ganha, mas não o seu partido [este, especialmente pela derrota em São Paulo].

Os cavalheiros do Apocalipse
Dessa vez, sete anos depois, os três jovens mosqueteiros da CPI dos Correios - ACM Neto, Fruet e Eduardo Paes - se deram bem. E o quarto cavalheiro, junto: o indomável Arthur Virgílio.

Os perdedores
Serra
É o político de maior rejeição do país. Sua derrota, mais do que os adversários externos, fortalece aqueles do seu próprio campo: Aécio, Alckmin e até Kassab. Praticamente, encerra seu futuro para qualquer cargo executivo.

O DEM
O DEM caminha a passos largos para o extermínio ou para a ignomínia. Perdeu quase metade de seu eleitorado e de seus prefeitos, com relação a 2008. Um desastre! O último soluço do guerreiro foi a vitória em Salvador.

Os padrinhos azarados
Alguns apadrinhamentos não funcionaram: em Recife, João da Costa [PT] não fez seu sucessor. O governador Eduardo Campos foi mais forte. Em Fortaleza, Luizianne Lins [PT] conseguiu levar seu candidato ao segundo turno, mas aí a família Gomes falou mais alto. E na Bahia, na última hora, o governador Jacques Wagner tomou uma virada, justamente, para o velho carlismo reencarnado.

Ainda pondo lenha na fogueira...

O ar profundamente humano do STF

Autor: 
 
Coluna Econômica
Períodos eleitorais deixam nervos à flor da pele e o comportamento do STF (Supremo Tribunal Federal) não tem ajudado a trazer bom senso para o debate político.
O que se passa é apenas mais um capítulo de um penoso processo de aprendizado democrático. Especialmente em um momento em que as urnas tornam mais distantes os sonhos de uma rotatividade no poder.
Do lado de parte da mídia, há uma tentativa insistente de envolver Lula no julgamento e, se possível, de processá-lo e fazê-lo perder seus direitos civis. Do lado de parte do PT, um chamado à resistência capaz de elevar ainda mais a temperatura política.
No meio, botando lenha na fogueira, os doutos Ministros.
***
Mentes mais conspiratórias à esquerda podem suspeitar da preparação de um novo golpe. Mentes conspiradoras à direita podem mesmo acreditar que poderão fomentar o golpe.
No fundo, o que ocorre com o Supremo é apenas uma manifestação eloquente de humanidade. Não da grande humanidade, dos princípios que consagram homens e civilizações. Mas das fraquezas e vaidades que tornam - do mais solene magistrado ao mais simples cidadão - os homens iguais entre si.
***
O capítulo atual do aprendizado é o da exposição do STF à luz dos holofotes, com transmissão ao vivo e, pela primeira vez, analisando um processo penal. Vaidosos por natureza, como o são todos os intelectuais dotados de conhecimento especializado – e, no caso do STF, com esse conhecimento sendo manifestação de poder – os Ministros foram expostos ao desafio de se tornarem celebridades e não perderem a linha.
Alguns não conseguiram.
***
Foi o que levou um Celso de Mello a colocar gasolina na fogueira, e esforçar-se tanto pelo grande momento de oratória, insistir tanto na ênfase definitiva, a ponto de comparar partidos políticos ao PCC.
O mesmo fez Marco Aurélio de Mello, com sua defesa do golpe de 64. O Ministro que sempre se jactou de chocar os pares – inclusive com alguns posicionamentos históricos – com a concorrência inédita dos demais ministros precisou avançar alguns tons na competição. E pode haver prato melhor do que um Ministro da mais alta corte defendendo uma transgressão à Constituição?
***
Essa mesma sensação de poder acometeu Joaquim Barbosa, a ponto de avançar sobre colegas que ousassem discordar da voz de Deus. Contra os advogados dos réus, não a explosão de trovões – que só são utilizados contra iguais – mas o riso irônico de quem trata com personagens insignificantes, perto da grandeza do Olimpo.
Todos trovejam e Ayres Britto passarinha, com sua voz de pastor das almas, tentando alcançar o tom grave dos colegas mais eloquentes.
***
No plano real, fechadas as cortinas do espetáculo, não há possibilidade de se alcançar Lula. A teoria do “domínio do fato”, encampada pelo Procurador Geral da República, subiu na escala hierárquica e pegou José Dirceu e José Genoíno. Mas mesmo o PGR considerou exagero alçar voo para mais um degrau e alcançar Lula. Definitivamente, Lula está fora do processo.
***
Assim, as investidas dos Ministros do STF explicam-se muito mais pelas fraquezas humanas, pelo estrelismo que acomete espíritos menos sábios, do que pelo maquiavelismo político. Eles são humanos. Apenas não foram informados disso.

28 de out de 2012

Sumpaulo

A pág.A3 da Folha, deste domingo, em Tendências/Debates trouxe dois artigos em resposta ao assunto proposto: POR QUE DEVO SER PREFEITO. Um novo tempo, por Fernando Haddad; e É preciso ter propostas - e princípios, por José Serra. A leitura de ambos ajuda a entender o chocolate - pelo menos nas pesquisas - que Haddad está aplicando no Serra. O primeiro faz uma análise da desigualdade paulistana e fala dos rumos de seu eventual governo. "A cidade mais humana que pretendemos construir será boa para ricos e pobres. Não aceitamos mais uma São Paulo partida, com baixa qualidade de vida e uma população amedrontada (...)". Não usa uma única vez a palavra adversário. Ao contrário, Serra gasta 3/4 de seu artigo tentando vincular o mensalão ao PT e fazendo acusações a Haddad. A palavra adversário é recorrente. "O paulistano, arguto e esclarecido, sabe que com o candidato vem todo o seu partido. Partidos tem a sua maneira de encarar a política. A nossa é clara, como demonstra a história. A de nossos adversários também, como demonstram a polícia e a justiça".

Para dissabor de Serra, o eleitorado paulista parece ser mais "arguto e esclarecido" do que ele deseja. Ao final do dia de hoje, saberemos quem tem razão.

O GP de Alonso


O mérito muitas vezes não está em ganhar, mas em minimizar estragos. O GP indiano era totalmente de Vettel. Alonso chegou a Nova Delhi com uma sentença sob sua cabeça: podia começar a sair fora da disputa, alí. Uma vitória provável de Vettel e um desempenho mediano seu já seriam o bastante. E a Ferrari não lhe oferecia muito mais do que isso, enquanto a Red Bull estava pondo o céu a disposição de Sebastian. Para quem chegou com 6 pontos de desvantagem, sair com 13 é melhor do que a encomenda. Pra mim, o GP da Índia foi a corrida de Alonso que, ao invés de chorar, espenear e reclamar, como de costume, foi atrás de pontos. E levou. Seu segundo lugar, para o meu dissabor [que gostaria de vê-lo fora na primeira curva...], o mantém no páreo. Domingo que vem tem mais, no belíssimo circuito de Yas Marina, em Abu-Dhabi...

Viva a Política!

De Marcos Coimbra
[Transcrito do Luis Nassif Online]
Hoje, quando se encerra em todo o Brasil o processo eleitoral de 2012, é dia de celebrar a democracia e o instituto sem o qual ela não existe: a representação popular.  
Em um país como o nosso, é sempre necessário lembrar a importância do ritual eleitoral. Ele foi mais a exceção que a regra em quase 125 anos de vida republicana.  
Vivemos a maior parte de nossa experiência como nação moderna sem que a grande maioria da população pudesse se expressar e dizer o que desejava.
Até 1930, éramos uma República de participação fortemente limitada, em que as oligarquias mandavam sozinhas e apenas os “bem pensantes” podiam votar. A quase totalidade dos trabalhadores, dos pouco educados e dos jovens não tinha voz. Nenhuma mulher votava.
Por um breve período, as amarras foram relaxadas, mas voltaram a se fechar em 1937, quando uma ditadura baniu a política representativa. Só voltamos a fazer eleições em 1945.
Ainda que controlada, tivemos a primeira democracia ampla por 20 anos, quando  uma nova ditadura foi implantada. Essa não eliminou as eleições, mas colocou o sistema político no cabresto. 
O golpe de estado de 1964 aconteceu quando as Forças Armadas entenderam que a democracia era ineficiente e perigosa. Que, em última instância, era impossível confiar no sistema eleitoral e nos partidos políticos.
Os generais não agiram sozinhos. Assumiram o poder em resposta aos “clamores” dos setores da sociedade incomodados com o trabalhismo de João Goulart, especialmente o  empresariado tradicional, os grandes proprietários rurais e a parte mais conservadora da classe média.
Até o 1º de abril, a “grande imprensa” fez seu papel. Quem não se lembra das manchetes de um jornal carioca: “Basta!”, “Fora!”. A nascente indústria de comunicação brasileira tinha lado e estimulava a impaciência dos militares com a democracia.  
Queria derrubar o governo.
Na nova ordem, a política permaneceu, mas foi “disciplinada”. Os golpistas achavam que precisavam “saneá-la”.  
Todo ditador acredita que a democracia é corruptível, que a política é “suja” e que os políticos são inconfiáveis. Que existe uma política “certa” e uma “errada”.
Nisso, podem ser parecidos com as pessoas normais, que costumam preferir um partido e achar que é o correto.
Mas há uma imensa diferença. Os ditadores - e os autoritários, em geral -, impõem sua visão. Decretam o que é certo ou errado, decidem o que é “limpo” e o que é “sujo”.
Não reconhecem o valor do processo eleitoral e acham que o povo é tolo e conduzido por demagogos. Que o cidadão precisa deles para protegê-lo, no fundo, de si mesmo.
Como várias coisas na vida, que só existem na inteireza, não há democracia “pela metade”. Quem acha que vai consertá-la, do alto de sua fantasia de onipotência e superioridade, a inviabiliza.
A democracia orientada por uma falsa elite de “homens de bem” - fardados ou vestidos com qualquer roupagem - não é de verdade. Mesmo quando seus pretensos  benfeitores se imaginam sábios e se creem imbuídos das melhores intenções.
Hoje, quando formos à urnas nas cidades com segundo turno, é bom meditar a respeito de nosso passado.
Viva a política! Vivam os políticos, que se expõem ao voto e conquistam o direito de representar as pessoas! Que só falam em nome dos outros depois de receber um mandato!
Vivam os partidos autênticos, que juntam opiniões e visões de mundo! Que transformam convicções individuais em projetos coletivos!
Com seus acertos e erros, viva o processo eleitoral livre, sem interferência! Só assim expressa a vontade do cidadão, que ninguém tem o direito de confiscar!

27 de out de 2012

Vamos ao que interessa: F1

Que me desculpem os asturianos, mas a era Alonso parece ter terminado, nesta temporada. Na hora H, a RBR voltou e voltou com tudo: só dá Vettel! No grid da Índia, na primeira fila, ele e seu companheiro; na segunda, duas McLaren; só na terceira, as Ferrari. No Mundial de Pilotos, ele já tomou a dianteira e tem mais vitórias do que o moço do macacão vermelho. Como perder não é exatamente a arte que Alonso prefere, o final da temporada promete muito choro, que é a sua especialidade... Amanhã, a corrida não é em horário nobre, mas é totalmente 'assistível', às 7h30 da matina.

Festival Enogastronônico [1]


Vencemos a primeira e árdua etapa. E a primeira conclusão: o papo é sério! Super organização do setelagoas.com.br; profissionalismo total do Maquiné Park Hotel; um prato e um vinho magníficos. E para completar, o melhor humor dos jurados e acompanhantes.

Eu gostaria de sugerir aos amigos que se deem a esse desfrute: que saiam da rotina, tomem a estrada até o trevo de Cordisburgo [que está um tapete] e entrem nessa festa. Vocês merecem e Sete Lagoas precisa que boas iniciativas como essa sejam um sucesso!

Relembrando: para conferirem os pratos, cliquem AQUI.

26 de out de 2012

'Cidade Aberta'

Filho feio não tem pai


Sendo direto: eu sou bastante favorável a que se construam muitas moradias pelo programa Minha Casa Minha Vida, em Sete Lagoas. Meu ponto de discussão é simples: como? Por exemplo, conjuntos habitacionais periféricos sem infra-estrutura pública, não! Na coluna Cidade Aberta, no SETE DIAS, desta semana, eu traço um paralelo entre um caso local e a matéria da Folha de São Paulo, de domingo passado, sobre o mesmo tema. As ilustrações da matéria da FSP seguem acima e abaixo; o link para a versão digital do artigo está AQUI.


Bituca, 70

Festival Enogastronômico


Achei essa iniciativa muito bacana. O desenvolvimento da gastronomia de nossa cidade, em todas as suas variações, seja a comida de boteco que o Sabor de Bar promove, seja a chamada cozinha gourmet que é o caso desse festival, só vem contribuir para que sejamos uma cidade melhor de se viver, com mais opções de entretenimento, com um entretenimento de mais qualidade; uma cidade com mais atrativos turísticos e mais receptiva. Além de gostar da ideia, eu fiquei surpreso e imensamente grato por ter sido convidado para participar do grupo de jurados. Os 'trabalhos forçados' começam nesta sexta-feira.

Confiram AQUI  os pratos inscritos no 1º Festival Enogastronômico e, no link indicado, acessem  o livreto digital com informações completas.

O evento conta com a consultoria de dois nomes de peso: o chef Henrique Burd e a sommelier Kaili Oliveira. É uma realização do site www.setelagoas.com.br, com patrocínio do Supermercado Santa Helena, da Massima Alimentos e da DelItália.

O Justiceiro autofágico

Pondo de lado a especificidade do julgamento do mensalão, eu não gosto nem um pouco da figura de justiceiro. O significado é ruim. Há um quê de personalismo, de messias, de salvador. Do super herói iluminado que detém, e ninguém mais, a razão. Esse papel, que no STF tem sido exercido com excessiva liberdade pelo ministro Joaquim Barbosa, incomoda-me profundamente. Acho um desrespeito os sucessivos bate-bocas que esse cidadão promove, sentindo-se no direito de julgar não apenas os réus do processo, mas os seus próprios pares. Não há um dia em que ele não ultrapassa os limites de sua competência. E não há outro em que não é obrigado a recuar, reconhecer seus arroubos e desculpar-se. Mas a figura virou ídolo nacional e falar mal de ídolos nacionais virou pecado mortal. Pois não é que, ultimamente, seus próprios colegas de STF passaram a questionar o novo presidente da Casa? Leiam AQUI: 'Colegas questionam atuação de Barbosa no plenário do STF'.

[O justiceiro autofágico]

"Na mais recente [afirmação], durante a sessão de quarta-feira, afirmou que o sistema penal brasileiro é “risível”, repetindo crítica feita pela imprensa americana. Essa última declaração foi classificada como “autofágica” por um dos integrantes da Corte. Outro ministro afirmou que Joaquim Barbosa deu um “tiro no pé” ao criticar o sistema judicial do qual ele faz parte e presidirá a partir de novembro".

24 de out de 2012

Caro Walcyr, não seja carrasco!

Um breve manifesto em favor dos bons arquitetos

A última edição do jornal SETE DIAS, de Sete Lagoas, trouxe, 'a pedido', um artigo publicado, originalmente, na revista Época, edição 751, de 08/10/2012, cujo título, por si só, já se constitui numa grave ofensa: 'Arquitetos, Designers & Propina'. Acho que nós, arquitetos, devemos repudiá-lo, com veemência. O seu autor, Walcyr Carrasco, comete um erro irreparável, especialmente para um jornalista: o da generalização, o de tomar uma exceção pela regra.

O artigo relata um fato real: há arquitetos e decoradores que desconsideram valores culturais de seu cliente, valores expressos em seu estilo de vida, nos velhos objetos que veio reunindo ao logo do tempo, por exemplo, e querem lhe impor soluções que julgam, pretensamente, modernas, e desenvolvem relações, digamos, pouco convencionais com seus fornecedores, através do que Carrasco chamou de RT ou reserva técnica.

Não é demais dizer que há bons e maus arquitetos, como há bons e maus jornalistas. Ao generalizar, entretanto, reunindo todos como farinha do mesmo saco, Carrasco acaba por qualificar como incultos ou 'propineiros' ou anti-éticos tanto expoentes da arquitetura como um Oscar Niemeyer ou um Paulo Mendes da Rocha ou um Sérgio Rodrigues quanto, por extensão, todos os arquitetos, famosos e anônimos, que, laboriosamente, são fundamentais para a construção das cidades e da cultura brasileiras.

É justo que o jornalista Walcyr Carasco denuncie a experiência em que se sentiu ludibriado por um arquiteto ou um designer. Mas devia fazê-lo na justa medida. Ao transgredi-la, acabou por denunciar sua própria limitação de análise da realidade. O que ele debita, com simplismo, na conta dos arquitetos deve ser ampliado para todos os profissionais e toda a parcela da sociedade de alto consumo e baixa cultura que se apegam a seu futuro de um nouveaux-richismo eufórico e desdenham sua própria história, incapazes de reconhecer a sua beleza. É de se parafrasear James Carville e dizer ao indignado jornalista: 'é o mercado, estúpido!'. Um mercado, semelhante a qualquer outro, de que participam aqueles que comungam dos mesmos valores ou da mesma falta deles.

"Está na hora de moralizar a relação cliente, designer e arquiteto". Concordo! Acho até que já passou da hora. Mas uma boa forma de se fazer isso - tanto quanto proibindo e penalizado a tal RT - está nas mãos dos próprios clientes: mais do que se preocupar em chamar "uma profissional famosa", como fez Carrasco, cuidar-se de chamar um(a) profissional competente. E ponto!

Serenidade e Pureza

Quando estou em Brasília, sempre que posso, vou correr no Parque da Cidade. A sua pista de corrida de 10 km é algo! Mas, quando estou distante, corro pelas quadras. Os caminhos são retilíneos e intermináveis. E arborizados...


Mas há sempre surpresas... Eu estou hospedado no final da Asa Sul. Corri até o extremo da 316; depois, em sentido contrário, fui até a 307; aí, retornei até a minha quadra. Uns 10 Km. Primeiro, deparei-me com a capela de Nossa Senhora de Fátima, entre as quadras 307/308, um projeto que não conhecia, de Niemeyer. Singela. No meio da corrida, aproximei-me e ouvi que tocava um canto gregoriano. Impossível não 'ajoelhar e rezar'...





A propósito, a quadra 308 é particularíssima. Seus caminhos não são lineares porque precisam se desviar de árvores. O paisagismo é genial. Isso, com o barulho ensurdecedor das cigarras, nessa época quente do ano, faz toda a diferença.

Uma hora prazeirosíssima de corrida que terminou depois da passagem pelos pórticos da serenidade e da pureza, diante do Templo Budista da Terra Pura.