24 de ago de 2012

Sexta-feira

Nesta semana, foi tanto vai-e-vem que a todo tempo eu me perguntava: - que dia é hoje? Sabem quando segunda parece quarta, terça tem cara de sexta e o seu estado de espírito implora para que seja sábado? Pois, então. Talvez seja sintoma de cansaço. Ou, então, overdose de BR-040. Putz!, ando impressionado com aquela coleção seriada de radares. Dois deles, eu concordo que são importantes para salvar vidas; os outros oito são como sinais de advertência: 'falta de obras à frente'. Aquela história, há ali um buraco e, ao invés de tapá-lo, a Prefeitura vai lá e coloca uma placa: 'lombada' à frente. No caso da zero-quarenta, não tem nada a ver com prefeitura nenhuma, mas com a central federal de inoperância e suspeitas que atende pelo nome de DNIT. Mas, ainda que o sábado e o domingo prometam mais trabalho, o fato é que hoje é sexta. Tenho certeza: já conferi aqui no calendário do notebook. Ele acusa: 'sexta-feira, 24 de agosto de 2012, 06:55'. "Sexta-feira é o dia em que a virtude prevarica"; já disse Nelson Rodrigues. Infinitamente melhor do que sábado: "Sábado é uma ilusão", disse também o Nelson. Pois é, a expectativa por alguma coisa é melhor do que a coisa em si, mais ou menos isso. Ou seja, sexta de manhã, como agora, é o mais especial  e o mais inspirador momento do final de semana. A propósito, minha indolência bloguística me deixou passar uma data histórica: ontem, 23 de agosto, comemorou-se o centenário de nascimento do jornalista, dramaturgo, escritor, frasista implacável e maior entendedor das virtudes e das mazelas nacionais, Nelson Falcão Rodrigues. Perdoem-me! Em sua homenagem, não vou fazer um apanhado de frases. Deixo aqui uma foto, ao seu estilo - com um cigarro, uma gravata frouxa e uma máquina de escrever, à frente: marcas registradas - e uma só frase, em que ele próprio se define. Salve, Nelson!


Sou um menino que vê o amor pelo buraco da fechadura. Nunca fui outra coisa. Nasci menino, hei de morrer menino. E o buraco da fechadura é, realmente, a minha ótica de ficcionista. Sou (e sempre fui) um anjo pornográfico (desde menino).

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