25 de ago de 2012

Sete Lagoas: primeira pesquisa

Está nas ruas a primeira pesquisa sobre as eleições sete-lagoanas. Alguns amigos me ligaram com comentários. Os números, friamente, são sempre muito perigosos e levam a interpretações, a meu ver, mais perigosas ainda. Lá vou eu com minhas opiniões... Só me interessam dois quadros:

O primeiro: o voto espontâneo
Há uma interpretação de que o voto espontâneo é o voto consolidado. É o piso. Nessa altura do campeonato, tenho dúvida. É muito cedo. Acho que o voto espontâneo, por ora, não revela o voto seguro; mas o voto mais fácil de ser anunciado porque o recall é alto. Daí, minha opinião de que é natural as lideranças de Márcio e Caio: são os dois candidatos oficiais. Mas, até aí, o que chama a atenção, de verdade, são os votos NS/NR e os NENHUM/BR/NULO: somam quase 60%. Sinal de que o nível de desinteresse do eleitorado continua alto.

[Fonte: Instituto Doxa, em setelagoas.com.br]

O segundo: o voto estimulado
O voto estimulado abre o leque real de candidaturas e leva o eleitor a se posicionar frente a ele. O número de 14%, tanto para NS/NR quanto para NENHUM/BR/NULO, está dentro da normalidade. De resto, por enquanto, nada me surpreende. A pesquisa foi feita entre os dias 11 e 12 de agosto, período em que a campanha ainda estava em banho-maria. A cinquenta dias da eleição, com um eleitor ainda muito desmotivado, os números tem certa precariedade e podem mexer muito. No detalhe, há curiosidades. Na ordem. Sobre Márcio Reinaldo, na eleição para deputado, ele teve 46% dos votos válidos. Seus 44 totais, aí, correspondem a 60% dos votos válidos. Ou seja, tem quase um terço de votos de quem não é seu eleitor tradicional. Na minha opinião, isso significa que tem muita gordura e que tende a cair ou emagrecer. Sobre Múcio, eu fico apenas curioso: sendo muito conhecido, sendo um ex-prefeito, 13% é até uma largada decente. Não entendi por que, então, teve apenas metade disso na espontânea. As confusões em torno de sua candidatura, as conversas sobre sua impugnação. o que se mostrou improcedente, gerou no eleitor a percepção de que ele não era mais candidato? De toda forma, Múcio não tem do que reclamar desse resultado. Sobre Caio, a boa notícia que a espontânea lhe dá, a estimulada lhe tira. Parece uma candidatura enrijecida, em que o espaço entre teto e piso é quase nenhum. Aquela história: quem vota em Caio já disse que vota. Será isso? De toda maneira, essa inércia dos números não é boa pra ele. E Emílio? Os seus números estão abaixo dos que conquistou na eleição passada. Como está em campanha há 4 anos, eu imaginava que largaria num patamar superior. Ele mostrou, em 2008, que, familiarmente, tem aí alguma coisa perto de 10% dos votos válidos. Seus 5% de votos totais não chega, agora, a 7% dos válidos. Sabendo-se que o PT é, estatisticamente, o partido de maior prestígio junto ao eleitorado [em qualquer pesquisa é o único que supera a casa de dois dígitos, já tendo chegado, no passado, a perto de 30% e, hoje, tem alguma coisa entre 15 e 20%], já era para ter colhido mais dividendos. Ou há muita rejeição ou muita desinformação ou as duas coisas...

[Fonte: Instituto Doxa, em setelagoas.com.br]

No frigir dos ovos, primeira pesquisa, nessa altura do campeonato, é apenas ilustrativa. O recomendado é esperar a próxima para se avaliar o movimento dos números. Isso é o que interessa. Pesquisa é foto; eleição é filme...

11 comentários:

Zeca Dias Amaral disse...

Olá,
como no STF, vamos fatiar a coisa:

"No frigir dos ovos, primeira pesquisa, nessa altura do campeonato, é apenas ilustrativa. O recomendado é esperar a próxima para se avaliar o movimento dos números. Isso é o que interessa. Pesquisa é foto; eleição é filme..."

Pesquisa é ilustração ou foto?

Pela lógica exposta, o recomendado não é esperar a próxima pesquisa, mas esperar a eleição. Ou, perguntando, se esta pesquisa não diz algo por que a próxima dirá?

Um movimento dos números para efeito de comparação já foi analisado no argumento do post, quando compara o desempenho dos candidatos em eleições passadas.

Decida-se mon ami.

E para não dizer que fiquei apenas na desconstrução do raciocínio, vamos lá:

quem arrisca um palpite sobre quantos vereadores fora da campanha de MR (de fato) serão eleitos?

Política é novela.

Abs

Blog do Flávio de Castro disse...

Zeca, ando com dificuldades de debater com você. Acho que transitamos em mundos distintos...

A eleição está lá na frente. A graça da pesquisa, em série, uma atrás da outra, não é adivinhar ou palpitar o futuro das urnas. Eu não faço nenhuma aposta sobre resultado. Pra mim, o que interessa, o divertido da coisa, no momento, é entender o movimento do eleitorado, as estratégias que estão funcionando ou não, a dinâmica do processo. O eleitor não tem um voto certo e o está escondendo para informá-lo no dia 7 de outubro. Nada disso. 60% não têm a menor ideia do que farão. E alguns que têm, não mudam de nome para mudar de voto.

Eu não desconsiderei essa pesquisa, apenas a contextualizei. Você sabe bem o que é uma pesquisa hoje, outra daqui a 15 dias, outra daqui a 30 e outra na boca de urna...

Tenha um pouco mais de boa vontade com esse seu humilde criado.

Zeca Dias Amaral disse...

Olá,

olha que legal! Dois candidatos com as iniciais MR. Puxa...

Independente do mundo não deixa de ser uma coincidência legal, né. Super. Digno de nota.

Abs

LEANDRO VIANA disse...

Flávio, gostaria de conhecer melhor a metodologia da chamada “1ª Simulação”. Em um cenário de desinformação, fica fácil alguma espécie de indução, mesmo que involuntária. Acho a espontânea, pelo momento inicial e ainda precoce, mais representativa. Há candidatos com mais potencial de crescimento do que outros. O número de nulos e brancos é muito alto.
Confesso que me chamou a atenção a largada ruim do candidato Emilio. Acho que essa impressão está clara nos números nas diferentes situações apresentadas pela pesquisa. Sua candidatura vem sendo anunciada a cerca de 4 anos, ou seja, mesmo reconhecendo a desinformação frente ao desinteresse político dos eleitores, é uma largada muito abaixo da expectativa e revela certa rejeição, mas não de caráter irreversível.
O Enio me perguntou no blog sobre minha opinião a respeito do plano de governo do Emílio. Eu fiquei devendo resposta em um dos post passados. Eu li o conteúdo redigido e achei muito bom. Com uma identidade grande com os ideais e as bandeiras do PT. Entretanto , aí cabe um questionamento. Em tempos em que até Maluf sai na “fita” abraçado com Lula, a Dilma trata servidores públicos a base de spray de pimenta e corte de ponto, é de se duvidar e questionar para não cair no conto do estelionato eleitoral.
O servidor público municipal, por exemplo. Os trabalhadores precisam de planos de carreira, correção de distorções entre cargos e funções, gestão eficiente de pessoas, fixação de data base para manutenção do poder de compra, já que a inflação corroeu seu salário. A sociedade precisa de transparência no gasto público com adequação rápida e absoluta a Lei de Acesso a Informação. Emílio, de fato, está representando esta bandeira? A trajetória política do candidato tem que mostrar a identificação ideológica com suas propostas. É um questionamento, como eleitor! abs

Blog do Flávio de Castro disse...

Leandro,

Eu não acho que entre a pesquisa espontânea e a estimulada se possa dizer que haja uma melhor do que a outra; acho que dão duas informações diferentes, ambas importantes.

A 2ª Simulação é estranha e foi a razão da polêmica que se gerou em torno da pesquisa: foi uma estimulada sem o nome do Múcio Reis.

Concordo com você sobre a largada muito baixa do Emílio. Pelo excesso de exposição em quatro anos, eu também esperava mais...

Quando eu disse, na postagem, que tinha curiosidade de ver outras pesquisas, eu tinha em mente o caso de BH. Lá, a primeira leva de pesquisas de seis ou sete institutos distintos, todas na segunda quinzena de julho, mostrou diferenças impressionantes. Pode ser que os números dessa pesquisa sete-lagoana, a única a que tive acesso, possam ter, também, os seus desvios, seja por qual razão for...

Hoje, no jornal Tribuna, essa mesma pesquisa foi republicada. Cai pra trás com as rejeições dos candidatos. Você viu? Na ordem, Emílio com 49%, Caio com 47, Múcio com 45 e Márcio Reinaldo com apenas 19. Aí, sinceramente, duvidei...

Sobre programas de governo, eu sou da opinião de que não são relevantes para o eleitor. Quase ninguém os lê e, não poucas vezes, são muito similares. Eu diria que alguns pontos fundamentais [que podem ser extraídos do 'programa'] que conformam um arcabouço retórico, alguma coisa que se possa chamar de 'plano de campanha', que se ajusta tanto ao 'estilo' do candidato quanto à expectativa social, esses sim fazem diferença...

Abs, Flávio

Anônimo disse...

Flávio, sobre pesquisas eleitorais, recomendo o artigo desta semana no Suplemento "Eu & Fim de Semana" do Valor. Lá, o prof. Carlos Alberto Almeida faz uma correlação entre aprovação do mandato e reeleição; e aprovação do mandato e candidato apoiado. Basicamente, se o atual prefeito tiver apenas 20% de ótimo ou bom, não se reelege e nem consegue fazer um sucessor. Para ir bem no pleito, teria que ter aprovação de 55% no mandato.
A análise do Almeida significa que, se a população rejeita a política atual, ela vai procurar quem se diz da oposição. No caso de Maroca, para que Caio Valace tivesse fôlego na disputa, o atual prefeito deveria ter "ótimo e bom" da maioria da cidade; ou seja, em termos estatísticos, o apoio de Maroca para Valace é prejudical.
Abraços,
Ivan

Blog do Flávio de Castro disse...

Ivan,

Eu acho que essa análise faz todo sentido. Talvez justifique a enorme rejeição do Caio; ou seja, seria uma rejeição transferida.

Mas não consigo entender a rejeição do Emílio, especialmente, porque, mais do que qualquer outro, ele vem se colocando como um candidato de oposição. Em tese, deveria merecer um olhar menos duro do eleitor.

Ou então essa pesquisa está furada; o que não é de todo impossível...

Abração, Flávio

Anônimo disse...

Bom, Flávio, toda e qualquer pesquisa é induzida. O que os institutos sérios fazem é, simplesmente, diminuir os efeitos de interferências das perguntas e das formas de abordar o eleitor, bem como procuram reduzir as falhas de representatividade dos grupos.

Nas terras das Sete Lagoas, é bom duvidar de tudo...até da metodologia e da seriedade das pesquisas eleitorais. Afinal, a pesquisa pode ser instrumento para convencer os indecisos de que não existe outra saída a não ser votar no primeiro colocado.

De qualquer modo, o que se tira de lição é: se Emílio pretende angariar votos, precisa consolidar o seu discurso como o DA Oposição e não "mais um" da oposição.

Acredito que o cenário vai mudar e as distâncias irão diminuir entre os candidatos. A corrida está só no começo e o interesse do eleitor pelo pleito é baixo.

Abração,
Ivan

Anônimo disse...

A quem tiver interesse em saber mais sobre o instituto responsável pela pesquisa eleitoral, a metodologia, quem pagou e quanto, pode acessar o site do TRE-MG. A pesquisa setelagoana custou R$10mil, entrevistou 500 pessoas e foi encomendada pelo jornal Notícia.
Abs,
Ivan

Anônimo disse...

Um detalhe apenas. O Jornal Notícia encomendou umas pinóias. . . Ele foi mandado a encomendar e quem pagou foi o Sr. Arnaldo Nogueira, futuro todo poderoso da Prefeitura.

Anônimo disse...

Gente estou morando fora de Sete Lagoas e estou horrorizada com as noticias e comentários sobre a politica aí. Marcio Reinaldo eu já conheço de outros carnavais e do sr. Arnaldo eu sei por alto de alguns processos. Será que poderiam me atualizar sobre quem são estes homens que poderão futuramente ter o destino da cidade na mãos?
Agradeço informações sobre estes e outros "candidatos".