9 de ago de 2012

Locais de Resistência

Muito bom: Locais de Resistência, Lutas e Memória - o mapeamento de lugares que homenageiam vítimas da ditadura militar. Cliquem AQUI e vejam. E vejam também que em Sete Lagoas não há nada...

24 comentários:

A. Claret disse...

Flavio,

me consta que um membro de uma familia de Sete Lagoas foi morto em Sao Paulo, durante uma operaçao urbana da policia/DOPS. Prefiro nao citar nomes nem sobrenomes. Alguns parentes dele foram meus vizinhos. Eu eram muito jovem mas me lembro da tristeza e da impotencia que sentiram quando souberam do fato.

A. Claret disse...

Errata: era em lugar de eram.

A. Claret disse...

PS1: Em S. Lagoas viveram dedos-duros ... e muitos. Nao so' na epoca da ditadura implantada em 1964 mas tambem na epoca do ditador Getulio Vargas.

PS2: acabo de ver a ficha da pessoa que citei no primeiro comentario. Consta que ele nao nasceu em S. Lagoas mas toda sua familia era dai.

Blog do Flávio de Castro disse...

Claret, temos amigos comuns que foram perseguidos...

Mas esse mapa não diz do lugar que perseguidos e mortos pela ditadura nasceram, mas de homenagens prestadas a algum deles, em nome de ruas, praças...

Em Sete Lagoas, a nossa via de acesso tem nome de um ditador; mas não sei se tivemos a dignidade de homenagear pessoas que deram a vida pela democracia, pela liberdade. Acho que não...

A. Claret disse...

E' verdade, Flavio. Alguns amigos comuns comeram o pau que o diabo amassou.

Alem desta familia vizinha que perdeu o parente em SP, havia um senhor, amigo de meu pai e de minha mae, que tambem foi perseguido em S. Lagoas mesmo! Pai de familia responsavel, trabalhador, otima pessoa. Defeito? Beber umas de vez em quando e soltar cobras e lagartos contra a ditadura.

Coincidencia ou nao, foi justamente citando esta via de acesso a S. Lagoas que participei por primeira vez do blog.

Tambem acho que nao ha' nenhum cargo politico em S. Lagoas preocupado em homenagear a quem lutou contra a ditadura.

A. Claret disse...

Desculpe-me. Outro PS: ha' um link adicional que sim da' mais detalhes sobre os desaparecidos/mortos pela ditadura.

http://www.desaparecidospoliticos.org.br/

Zeca Dias Amaral disse...

Olá,

qualquer um que for perseguido por suas idéias merece acolhida.

O poder, e o poder do estado acima de qualquer outro, não pode jamais atuar contra o cidadão ou contra grupos, minorias enfim, não importa o matiz.

Todos que lutaram contra a ditadura militar são dignos de homenagens.

Porém, sempre há um porém, um mapa deste tipo me parece simplesmente o avesso de um mapa com as avenidas castelo branco da vida e general sei lá das quantas que existem por aí.

A idéia é bacana pelo uso que faz do recurso tecnológico. Entendo que estes que morreram, vítimas da covardia, assumiram riscos que os valorizam, mas não os colocam acima dos que também lutaram contra a ditadura por meios distintos.

Abs

Blog do Flávio de Castro disse...

Claret, em todos os nomes, ou quase em todos, há um direcionamento para mais informações para o link desaparecidospoliticos.org.br. é um dossiê.

Blog do Flávio de Castro disse...

Zeca, o que eu achei genial nesse mapa foi o fato dele reunir o nome de ruas perdidas, por todo lado, e construir um sentido comum. Provavelmente, muita gente passa por uma rua chamada, por exemplo, Adriano Fonseca Filho, e não sabe nada a respeito. Ao criar um sentido comum, ele reforça a homenagem, não é?!

Frederico Dantas disse...

Muito legal.
Pra não entrar no campo ideológico desta nuvem cinza que se abateu sobre o país por tanto tempo, fico com a frase do Zeca, que sintetiza muita coisa a este respeito:

"qualquer um que for perseguido por suas idéias merece acolhida"

Vivemos hoje num Brasil cheio de problemas e tem muita gente jovem, que desconhece a história recente do país, que acha que um um pouco mais de "ordem e força" é a solução para nossos problemas. O porém é que sabemos aonde isso termina.

A frase que ouvi muito na minha infância e adolescência não pode ser esquecida nunca: Ditadura nunca mais!

Frederico Dantas disse...

Batizar ruas é tarefa de vereadores. Muitas vezes é só isso que fazem. Faz muto tempo que não tem tanta rua pra ser batizada em Sete Lagoas como nestes últimos anos, fruto da expansão da cidade.

Muitos vereadores fazem até do batismo de ruas uma ação entre amigos. "Reconhecimento" a algum "chegado" que nunca fez nada de útil para a coletividade.

Zeca Dias Amaral disse...

Olá,

realmente o sentido comum reforça a homenagem, mas dá margem para a banalização se saírem por aí agrupando mais ruas. Ficou ótimo, mas eu não faria.

Amanhã, um jair bolsonaro da vida pode sair fazendo um semelhante, com nomes de militares dirigentes de entidades esportivas, sei lá.

Com nome de rua há gente de todo tipo. Taí uma boa idéia! Fazer um banco de dados com as ruas e as respectivas ocupações (ou falta delas).

Abs.

Frederico Dantas disse...

A cidade do Rio, pelo menos na zona sul, turística, não sei se se estende pelo restante dos bairros, coloca sob os nomes das ruas nas placas o que aquele indivíduo foi. Isso é legal.

ENIO EDUARDO disse...

Prezados, tem uns dois anos que sugeri ao Vereador Dalton, fazer um projeto de lei para mudarmos o nome da Av. Marechal Castelo Branco. Em princípio ele gostou da idéia, mas não a levou adiante.

Pessoas da prefeitura disseram que seria muito difícil mudar o nome da maldita Avenida, por causa do comércio local.

Veja bem, qual a dificuldade? Ter que modificar blocos de notas fiscais? Ou outra coisa do Gênero?

Achei de uma pobreza atroz, esse tipo de argumentação.

Quando fiz a sugestão ao Dalton, pensei que aquela Avenida poderia se chamar João Herculino. Afinal, o joão foi o Deputado que vestiu de Preto em luto pelo AI 5. Ele foi cassado e preso político na Frei Caneca. Foi colega de presídio do Zuenir Ventura, entre outros.

Belo Horizonte teve uma Rua que se chamou Dami Trioni.

Esse americano veio para o Brasil ensinar tortura em Belo Horizonte, depois foi para o Uruguai onde foi assassinado. Ele morava no interior dos Estados Unidos e veio para o Brasil simplesmente porque o salário era bom. Era um funcionário casado, rotaryano, pertencia à Igreja Presbiteriana, com filhos, tudo direitinho. O trabalho dele era tortura.

Quando Dona Helena Greco se elegeu Vereadora em BH pela primeira vez em 1982, propôs um projeto de lei para mudar o nome da rua. A rua se chama José Carlos da Mata Machado e localiza-se na Cidade Industrial, próximo à Avenida Amazonas e Anel Rodoviário.

Veja bem, porque tudo é tão difícil em Sete Lagoas? O fato é que o nome Avenida Marechal Castelo Branco sempre me incomodou, pois não tem nenhum significado substantivo para Sete Lagoas, assim como a Rua 31 de Março.

Acho que Vereadores como o Dalton, o Claudinei e o Renato Gomes, poderiam empunhar a bandeira para darmos mais dignidade à nossa cidade. Do ponto de vista simbólico seria interessante modificar o nome dessas duas ruas da cidade.

A. Claret disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
A. Claret disse...

Ola Enio,

concordo com voce. Nao deve ser tao dificil assim ja' que temos pelo menos um exemplo de mudança de nome bem perto de S. Lagoas: se nao me falha a memoria, Cachoeira de (ou do) Macacos trocou o nome para Cachoeira da Prata e nao isso nao faz muito tempo. Se se pode trocar o nome de uma cidade, porque nao retirar o nome de ditadores das nossas vias publicas? Como voce mesmo argumenta, e' questao de querer faze-lo ou nao.

Sem contar que na Europa, nos anos 90 do passado seculo, se mudaram nomes de paises como se troca de roupas! E ninguem se perdeu por endereço insuficiente...

Acho que deveriamos acrescentar na sua lista a av. G. Vargas, outro ditator. Seguramente havera' mais nomes suspeitos.

Abs.

Zeca Dias Amaral disse...

olá,

rapazes, vamos nos conter. Castelo Branco não foi um acinte e Getúlio é um paradigma positivo dos que hoje estão no poder no Brasil. Portanto, vamos devagar. Dois ditadores, mil considerações.

O fulano de BH que D. Helena mudou é um caso. Se há algo aqui, assim, devemos considerar a mudança.

Do contrário a coisa vira guerra ideológica. Menos, menos...

Comecemos por estabelecer um critério, que é o caso deste post: "perseguidos pela ditadura militar". E não coisas do tipo "caras que não acho legais".

Abs.

ENIO EDUARDO disse...

Caro Zeca, sua argumentação é forte, mas acho que peca no caso do Castelo Branco. O Marechal liderou a Junta Militar do Golpe e tornou-se o 1º Presidente da Ditadura. Conta-me um feito auspicioso dele que tenha dignificado a nação brasileira, quando do exercício da Presidência?

Acho que Simbolicamente Sete Lagoas precisa dar valor e homenagear homens e mulheres que dignificaram sua história. Trocar o Marechal pelo João Herculino, acho que seria melhor para nossa história.

No caso do Getúlio, há outros elementos que devem ser considerados. Concordo com você que se trata de um paradigma positivo. Há feitos dele que foram importantíssimo para a história do nosso país.

Mas o Castelo, fez parte sim de um acinte à democracia, além do mais tivemos conterrâneos cassados pelo regime que ele iniciou à frente da Presidência.

Não creio que seria uma guerra ideológica mudarmos os nomes da Av. Castelo Branco e da rua 31 de março. Acho que seria positivo para Sete Lagoas.

Não se trata apenas de achar ou não os "caras legais". Tem uma profundidade histórica e sociológica nisto.

Abs.

A. Claret disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
A. Claret disse...

Boa tarde, Enio

sinto nao estar em acordo com voce em alguns pontos. Getulio Vargas deu golpes de estado, fez ouvidos e olhos de mercador as torturas, anulou a constituiçao, tentou nao entrar na 2ª guerra por suas simpatias nazi-fascistas, etc, etc, etc. Nao posso considerar nunca uma pessoa assim como um paradigma positivo. Sera' que ainda paira sobre nossas cabeças a influencia de nossos pais que o consideravam um bom politico?

Independentemente de seus atos politicos, o fato dele ter sido um ditador nao e' um bom cartao de visitas. Este argumento (separar em especies os ditadores) e' muito parecido ao usado pelos franquistas na Espanha, salazaristas em Portugal e peronistas na Argentina para justificar os golpes de estado: era um ditador mas criou leis trabalhistas etc e tal. Nao ha' nenhum ato politico do G. Vargas que eclipse seu passado de ditador, na minha opiniao. Era um velhaco e um vampiro da democracia: se lhe era conveniente, ele era democrata, senao, golpe de estado. E alem do mais covarde. Voce deve estar mais do que ciente da forma em que ele "deixou a vida e entrou pelo cano". O Hugo Chavez e' outro exemplo. Para mim, ele nunca tera' credibilidade pelo seu passado golpista. Fidel Castro e sua familia vao por um caminho um pouco diferente: estao fundando uma dinastia em Cuba. Decepcionante os Castro.

Quanto a troca de nome de ruas, nao advogo por nenhum em particular mas a pessoa que citei no inicio, por seus fortes laços setelagoanos, poderia estar na lista. Estou de acordo que todo perseguido politico deve ser reconhecido e na medida do possivel, ser homenageado. Seria bom que a direita tambem apresentasse sua lista de perseguidos. Pode ter certeza que eu sentiria por esta lista a mesma empatia que sinto pelos perseguidos pelos golpes de Getulio Vargas e o de 1964.

Tambem estou de acordo quando voce escreve que nao se trata de uma questao de simpatias ou antipatias pessoais. E' bastante mais que isso. A historia nao e' tao linear.

Um abraço,


PS. tive que postar de novo porque o sistema me avisou que havia problemas com alguns caracteres (???).

Blog do Flávio de Castro disse...

Claret, Zeca e Enio,

Eu acho que devemos ver o assunto sob vários prismas:

1. O mote original da postagem: acho que devemos homenagear os nossos desaparecidos políticos. Ainda há tempo, ainda há ruas...

2. Não acho que essa homenagem estar condicionada a que outras homenagens sejam desfeitas. Corremos o risco de não fazermos nem uma coisa nem outra...

3. Acho que João Herculino merece uma homenagem à altura. Mas acho que essa homenagem tem que recuperar o João Herculino líder ferroviário, político sete-lagoano e deputado; não o João Herculino brasiliense, amigo de Joaquim Roriz. A forma, nesse caso, é importante...

4. Eu discordo, no detalhe, com o que o Zeca falou, mas concordo, integralmente, no seu sentido maior: é muito difícil julgar a história. Eu tenho Getúlio na conta de um ditador, mas é provável que a maioria não faça esse juízo dele. Eu tenho Castelo Branco na conta de outro ditador, mas é provável que a maioria tenha outro juízo dele. E há outros nomes: por exemplo, meu escritório está na rua Duque de Caxias, um herói ou um assassino? Pessoalmente, inclino-me para o lado de suprimir o nome de todos eles e homenagear nomes locais, como JH, mas temo que nunca chegaremos a um consenso sobre isso... Vale a pena meter a mão nessa cumbuca? Ou esses registros, por si mesmos, dizem de nós, dizem das várias gerações e de como elas se postaram perante a história, com acertos e equívocos?

5. Agora, francamente, ruas com nomes de datas como 31 de março, essas nunca deveriam ter sequer existido...

Anônimo disse...

e;
6. Rua Sergio Paranhos Fleury,
jamais deveria existir!

Blog do Flávio de Castro disse...

E existe?! Em Sete Lagoas?!

ENIO EDUARDO disse...

Claret, concordo com todos os seus argumentos. Confesso ter dificuldades em relação ao Getúlio. Acho que a argumentação do Flávio, " Eu tenho Getúlio na conta de um ditador, mas é provável que a maioria não faça esse juízo dele", esteja de acordo com o que penso. Não diria o mesmo do Castelo.

Porém, acho que Sete Lagoas pode e deve homenagear devidamente algumas pessoas, inclusive a pessoa que você citou.

Quanto ao João Herculino, concordo com o Flávio, uma justa homenagem que resgate sua história setelagoana seria muito bom.