25 de ago de 2012

A falta de limite entre o público e o privado

Em Minas, tudo pode. Para alguns. O candidato Márcio Lacerda está usando em seu programa eleitoral uma adaptação da música 'Lugar Melhor que BH', da dupla sertaneja Cesar Menotti e Fabiano. Isso não seria imoral se a mesma música não tivesse sido adaptada para uso institucional da Prefeitura de Belo Horizonte. Ela se tornou o hino oficial da PBH, nos últimos anos da gestão Lacerda, portanto, tornou-se um bem público. Um bem público, agora, apropriado de forma privada em seu programa eleitoral, para fins óbvios. A legislação permite? Claro que não! Mas nem por isso...

Hoje, o Ilimar Franco deu uma nota a respeito, n'O Globo, 'A mesma melodia caipira':



Incrível! Não é uma questão subjetiva. É uma demonstração cabal de que o prefeito não sabe e não se interessa em diferenciar o que é público do que é privado.

Para aqueles, como São Tomé, que precisam 'ver para crer', vejam o programa da criatura e comparem com a música original e a adaptação pública e oficial:

Música original de Cesar Menotti e Fabiano:


A adaptação oficial da Prefeitura de Belo Horizonte:

7 comentários:

Zeca Dias Amaral disse...

Olá,

a estupidez de deixar fora do jogo, nos últimos tempos, um nome como o do Patrus ainda vai custar muito mais ao PT. Bem feito pra quem se dobrou ao populismo pragmático dos anos Lula; pior para a Política.

Espernear agora não adianta e só afeta indignação onde há reconhecimento de derrota. Calma que ainda tem jogo.

(e pensar que em 1992 o cara derrotou Aécio Neves, Maurício Campos, Sérgio Ferrara...)

Abs

ENIO EDUARDO disse...

Flávio, mesmo concordando com você, no dia 22/08/12, a justiça eleitoral pronunciou-se sobre este fato:

"A coligação “BH Segue em Frente”, que apoia o prefeito e candidato à reeleição, Marcio Lacerda (PSB), poderá continuar usando o jingle com a melodia da música “É Aqui Que Eu Amo”, na campanha. A decisão foi tomada nesta quarta-feira pelo presidente da comissão de propaganda eleitoral da capital, juiz Luiz Carlos Corrêa. O pedido para que o uso da música fosse barrado foi feito, nessa terça-feira, pela coligação “Frente BH Popular”, do candidato Patrus Ananias (PT). Conforme a medida judicial impetrada pela coligação do petista, os comerciais do adversário estariam usando a mesma música que compõe o jingle publicitário da prefeitura, o que corresponderia à propaganda irregular.
Para o juiz não existe irregularidade no uso da melodia, já que não foi comprovada nos autos que a canção pertença à Prefeitura de Belo Horizonte (PBH). “Ressalto, de início, que inexiste prova nos autos no sentido de que o direito de exibição da música ‘É aqui que eu amo’ pertença ao município de Belo Horizonte, mediante aquisição do titular do direito”, disse.

A coligação que apoia Patrus também entrou com uma Ação de Investigação Judicial acusando Marcio Lacerda de crime de abuso de poder político, mas o caso ainda não foi analisado."

Portanto, o Jingle continua valendo e segundo a justiça está legal.

Blog do Flávio de Castro disse...

Zeca, eu não estou esperneando. Estou apenas acusando uma ilegalidade. Por favor, deixe-me dizer o que quero neste blog, com a liberdade que penso ter. Acho esse assunto absurdo e acho justo trazê-lo pra cá. Ao invés de debater o mérito, você prefere fazer interpretações que desvirtuam o que está sendo dito. Desde quando, acusar um absurdo significa reconhecimento de derrota? Muito pelo contrário, estamos a um mês e meio das eleições e muita água ainda vai passar, Patrus tem uma chance enorme, ainda que o adversário tenha, sempre, quatro pedras nas mãos...

Blog do Flávio de Castro disse...

Enio,

Eu conheço essa decisão e discordo integralmente dela. O juiz diz que não há provas nos autos de direito de exibição pela Prefeitura. Ora, ora, se a PBH não comprou esses direitos, pior, então ela os roubou. Mais, sentença de juiz não é palavra de Deus. Tanto que o próprio sistema processual permite recursos a instâncias superiores, não é mesmo?

Eu continuo com minha posição: trata-se de uma prova inconteste de que Márcio Lacerda não distingue o que é público do que é privado.

ENIO EDUARDO disse...

Flávio, eu também discordo da decisão. Apesar do jingle estar "legal", em minha opinião não significa que seja legítimo. Acho que o Juiz agiu impulsionado por "forças estranhas" à legislação eleitoral. O pior é que h a pessoas que aceitam tudo passivamente, onde está a capacidade de indignação?

Se um jingle institucional pode fazer parte de campanha, além de logomarcas e outros instrumentos institucionais, estamos entrando em outra geração de processo eleitoral no Brasil, onde o público e o privado definitivamente não se distinguem.

Blog do Flávio de Castro disse...

Enio,

Temos opiniões convergentes. Faço apenas um reparo: o fato de um juiz ter julgado o assunto legal, não quer dizer que ele seja, de fato, legal. Não é; é ILEGAL! Veja o post que transcrevi do Luis Nassif...

Zeca Dias Amaral disse...

Olá,

não desvirtuo o que dizes, procuro ler nas entrelinhas. O absurdo do jingle é óbvio. Só acho patético dispender energia "esperneando" como disse. Como o mérito é fraco, no sentido objetivo, procuro ir além.

Se elogio seu candidato é porque reconheço nele valor e faço troça do mau uso que o prórpio time faz dele. Só.

Até 4 de outubro, se (porque lidar com torcida é phoda, olha a do Cruzeiro ontem a merda que fez).

Abs