31 de ago de 2012

'Expansão imobiliária constrói periferia desigual'


Estudo revela: sem reforma urbana efetiva, simples construção de novas moradias não assegura serviços públicos de qualidade — e pode expulsar parte da população para regiões ainda mais distantes

O artigo de Bruna Romão [AQUI] refere-se, mais particularmente, à Região Metropolitana de São Paulo, mas pode ser, com muita propriedade, estendido para outras cidades do país. Para os leitores deste blog interessados em questões urbanas, recomendo sua leitura. Em vários aspectos, ele é convergente com algumas teses que tenho defendido aqui.

'Cidade Aberta'

Secos e molhados

Adianta construirmos uma agenda pública estratégica se o prefeito a ser eleito mantiver a tradição de exercer o poder apenas por relações de clientela? Esse é o tema da coluna Cidade Aberta, no SETE DIAS,  desta semana. Leiam. Comentem. O artigo pode ser lido AQUI.

30 de ago de 2012

Bons ventos...

Acho que vou voltar a editar o caderno de esportes... A normalidade voltando aos gramados; a F1, às pistas, no próximo dia 02... Bons ventos, bons motivos, não?!

29 de ago de 2012

Facebook bloqueado

Alguém já passou por isso?

Eu estava ali, tranquilo e belo, cumprindo a tarefa matinal de vigiar os amigos, quando, tibum!, a coisa despencou, saiu do ar e me bloqueou. O pior é que estou desconfiado de que quem acessou a minha conta de outro computador fui eu mesmo. Ou seja, o Facebook anda me estranhando... O mais esquisito é que, para desbloqueá-la, eu preciso mandar cópia de documentos provando que eu sou eu. Será que lá na outra ponta tem alguém que fica conferindo documento por documento, foto por foto, nome por nome? Não seria melhor usar aquele velho expediente de perguntar o nome da mãe, a cor do seu primeiro carro, o apelido de sua mulher, qualquer dessas intimidades?!

27 de ago de 2012

Câmara 1

Nesta terça, 28/08, às 10 da noite, eu estarei no programa Câmara 1, com os jornalistas Márcio Vicente e Roberto Andrade, em um bate-papo sobre a cidade e os desafios postos ao novo prefeito. O programa é transmitido pela TV CentroMinas, nos canais 58 UHF e 9 NET. Prometo: não direi nenhuma palavra sobre eleições e candidatos, mas darei minha opinião sobre qual deve ser a nossa agenda pública, sobre a participação da sociedade, os nossos principais entraves, as nossas prioridades estratégicas e por aí afora. Peço aos amigos que assistam e comentem...

Deu na Tribuna
Na última edição do jornal Tribuna, dirigido pelo Roberto Andrade, a coluna 'Na esquina' [pág.2] deu uma nota a respeito:

26 de ago de 2012

De volta ao passado...

Transcrevo abaixo matéria publicada no blog Luis Nassif Online [AQUI]. Pelo visto, não sou apenas eu que me assusto com o nível de ilegalidades permitidas nas eleições de BH...


Em Minas, eleições na idade da pedra

TRE-MG favorece candidato de Aécio com uso de placas e jingle oficial
 A Justiça Eleitoral de Minas Gerais, o estado de Aécio Neves, está fazendo as eleições municipais em Belo Horizonte regredirem ao tempo do bico de pena.  A capital é certamente a única cidade do Brasil onde o prefeito e candidato à reeleição, Márcio Lacerda, está autorizado a usar os símbolos oficiais da Prefeitura em placas de obras e até na propaganda eleitoral de radio e TV.  
 Veja exemplos de placas, fotografadas em 12 de agosto (data no jornal).




Compare o jingle da campanha de Lacerda com a música oficial da Prefeitura de BH.
A parcialidade das decisões é tão flagrante que os cinco candidatos da oposição já estão articulando manifestação conjunta de repúdio a essas decisões.
A música de campanha de Lacerda, com o mote "deixa o Márcio trabalhar", é a mesma melodia do tema utilizado há mais de três anos em todas as campanhas institucionais da prefeitura, que tem o mote "não para de trabalhar". Trata- se da adaptação de um sucesso da dupla César Menotti e Fabiano, "Lugar melhor que BH".
Como os direitos de uso da melodia foram transferidos à Prefeitura para as campanhas institucionais, o caso vai além de ofensa à lei eleitoral: é uma apropriação de patrimônio público pela campanha do prefeito, segundo a coligação do candidato Patrus Ananias (PT), que apresentou representação para retirar o junge do ar e uma ação responsabilizando Lacerda por abuso de poder político e econômico.
Tanto a representação quanto a ação foram indeferidas inicialmente pelo juiz Luiz Carlos de Azevedo Corrêa Junior. Já o juiz Rogério Alves Coutinho permitiu que a Prefeitura continue assinando placas em que se lê, em letras gigantescas: "Obra da Prefeitura", depois do prazo estipulado em lei para que elas sejam retiradas ou cobertas. As placas também mostram símbolos gráficos identificados com a administração de Lacerda.
No Estado de Aécio Neves, o TRE também produziu uma decisão esdrúxula na última semana, ao multar a coligação Frente BH Popular, de Patrus Ananias, por suposta litigância de má fé, numa questão em que ainda cabem recursos: a participação do PSD nas coligações, disputada por dois grupos políticos, um deles aliado ao PT, outro a Aécio

'Que a Tiza trouxe da fazenda'

Eu só cozinho tranqueiras. Cozinha rústica. Experimental. Quando me meto a besta e faço um risoto, por exemplo, é com carne de sol e abóbora. Tranqueiríssimo! Meu maior mote é qualquer coisa 'que a Tiza trouxe da fazenda'. O pato que fiz foi motivado pelo tamarindo 'que a Tiza trouxe da fazenda'. O frango da roça preguento que fiz também foi por conta do frango 'que a Tiza trouxe da fazenda'. E a dobradinha com feijão branco? Maravilha! Com a dobradinha 'que a Tiza trouxe da fazenda'. Ontem, juro pelo que há de mais sagrado que o pescoço de peru que eu fiz ficou um escândalo. Um show! Claro, o pescoço de peru 'que a Tiza trouxe da fazenda'...

25 de ago de 2012

A falta de limite entre o público e o privado

Em Minas, tudo pode. Para alguns. O candidato Márcio Lacerda está usando em seu programa eleitoral uma adaptação da música 'Lugar Melhor que BH', da dupla sertaneja Cesar Menotti e Fabiano. Isso não seria imoral se a mesma música não tivesse sido adaptada para uso institucional da Prefeitura de Belo Horizonte. Ela se tornou o hino oficial da PBH, nos últimos anos da gestão Lacerda, portanto, tornou-se um bem público. Um bem público, agora, apropriado de forma privada em seu programa eleitoral, para fins óbvios. A legislação permite? Claro que não! Mas nem por isso...

Hoje, o Ilimar Franco deu uma nota a respeito, n'O Globo, 'A mesma melodia caipira':



Incrível! Não é uma questão subjetiva. É uma demonstração cabal de que o prefeito não sabe e não se interessa em diferenciar o que é público do que é privado.

Para aqueles, como São Tomé, que precisam 'ver para crer', vejam o programa da criatura e comparem com a música original e a adaptação pública e oficial:

Música original de Cesar Menotti e Fabiano:


A adaptação oficial da Prefeitura de Belo Horizonte:

Sete Lagoas: primeira pesquisa

Está nas ruas a primeira pesquisa sobre as eleições sete-lagoanas. Alguns amigos me ligaram com comentários. Os números, friamente, são sempre muito perigosos e levam a interpretações, a meu ver, mais perigosas ainda. Lá vou eu com minhas opiniões... Só me interessam dois quadros:

O primeiro: o voto espontâneo
Há uma interpretação de que o voto espontâneo é o voto consolidado. É o piso. Nessa altura do campeonato, tenho dúvida. É muito cedo. Acho que o voto espontâneo, por ora, não revela o voto seguro; mas o voto mais fácil de ser anunciado porque o recall é alto. Daí, minha opinião de que é natural as lideranças de Márcio e Caio: são os dois candidatos oficiais. Mas, até aí, o que chama a atenção, de verdade, são os votos NS/NR e os NENHUM/BR/NULO: somam quase 60%. Sinal de que o nível de desinteresse do eleitorado continua alto.

[Fonte: Instituto Doxa, em setelagoas.com.br]

O segundo: o voto estimulado
O voto estimulado abre o leque real de candidaturas e leva o eleitor a se posicionar frente a ele. O número de 14%, tanto para NS/NR quanto para NENHUM/BR/NULO, está dentro da normalidade. De resto, por enquanto, nada me surpreende. A pesquisa foi feita entre os dias 11 e 12 de agosto, período em que a campanha ainda estava em banho-maria. A cinquenta dias da eleição, com um eleitor ainda muito desmotivado, os números tem certa precariedade e podem mexer muito. No detalhe, há curiosidades. Na ordem. Sobre Márcio Reinaldo, na eleição para deputado, ele teve 46% dos votos válidos. Seus 44 totais, aí, correspondem a 60% dos votos válidos. Ou seja, tem quase um terço de votos de quem não é seu eleitor tradicional. Na minha opinião, isso significa que tem muita gordura e que tende a cair ou emagrecer. Sobre Múcio, eu fico apenas curioso: sendo muito conhecido, sendo um ex-prefeito, 13% é até uma largada decente. Não entendi por que, então, teve apenas metade disso na espontânea. As confusões em torno de sua candidatura, as conversas sobre sua impugnação. o que se mostrou improcedente, gerou no eleitor a percepção de que ele não era mais candidato? De toda forma, Múcio não tem do que reclamar desse resultado. Sobre Caio, a boa notícia que a espontânea lhe dá, a estimulada lhe tira. Parece uma candidatura enrijecida, em que o espaço entre teto e piso é quase nenhum. Aquela história: quem vota em Caio já disse que vota. Será isso? De toda maneira, essa inércia dos números não é boa pra ele. E Emílio? Os seus números estão abaixo dos que conquistou na eleição passada. Como está em campanha há 4 anos, eu imaginava que largaria num patamar superior. Ele mostrou, em 2008, que, familiarmente, tem aí alguma coisa perto de 10% dos votos válidos. Seus 5% de votos totais não chega, agora, a 7% dos válidos. Sabendo-se que o PT é, estatisticamente, o partido de maior prestígio junto ao eleitorado [em qualquer pesquisa é o único que supera a casa de dois dígitos, já tendo chegado, no passado, a perto de 30% e, hoje, tem alguma coisa entre 15 e 20%], já era para ter colhido mais dividendos. Ou há muita rejeição ou muita desinformação ou as duas coisas...

[Fonte: Instituto Doxa, em setelagoas.com.br]

No frigir dos ovos, primeira pesquisa, nessa altura do campeonato, é apenas ilustrativa. O recomendado é esperar a próxima para se avaliar o movimento dos números. Isso é o que interessa. Pesquisa é foto; eleição é filme...

24 de ago de 2012

'Cidade Aberta'

Menos blá-blá-blá

No SETE DIAS que circula nesta semana, eu comento uma breve nota da coluna Sem Reserva, em que se comenta a frieza da campanha eleitoral, a escassez de recursos e o encurtamento da sua duração. Ou seja, três fatos numa nota só. Um bom mote para algumas reflexões. Deem um pulo lá, leiam e comentem. A versão digital está disponível no site do jornal e AQUI.


Sexta-feira

Nesta semana, foi tanto vai-e-vem que a todo tempo eu me perguntava: - que dia é hoje? Sabem quando segunda parece quarta, terça tem cara de sexta e o seu estado de espírito implora para que seja sábado? Pois, então. Talvez seja sintoma de cansaço. Ou, então, overdose de BR-040. Putz!, ando impressionado com aquela coleção seriada de radares. Dois deles, eu concordo que são importantes para salvar vidas; os outros oito são como sinais de advertência: 'falta de obras à frente'. Aquela história, há ali um buraco e, ao invés de tapá-lo, a Prefeitura vai lá e coloca uma placa: 'lombada' à frente. No caso da zero-quarenta, não tem nada a ver com prefeitura nenhuma, mas com a central federal de inoperância e suspeitas que atende pelo nome de DNIT. Mas, ainda que o sábado e o domingo prometam mais trabalho, o fato é que hoje é sexta. Tenho certeza: já conferi aqui no calendário do notebook. Ele acusa: 'sexta-feira, 24 de agosto de 2012, 06:55'. "Sexta-feira é o dia em que a virtude prevarica"; já disse Nelson Rodrigues. Infinitamente melhor do que sábado: "Sábado é uma ilusão", disse também o Nelson. Pois é, a expectativa por alguma coisa é melhor do que a coisa em si, mais ou menos isso. Ou seja, sexta de manhã, como agora, é o mais especial  e o mais inspirador momento do final de semana. A propósito, minha indolência bloguística me deixou passar uma data histórica: ontem, 23 de agosto, comemorou-se o centenário de nascimento do jornalista, dramaturgo, escritor, frasista implacável e maior entendedor das virtudes e das mazelas nacionais, Nelson Falcão Rodrigues. Perdoem-me! Em sua homenagem, não vou fazer um apanhado de frases. Deixo aqui uma foto, ao seu estilo - com um cigarro, uma gravata frouxa e uma máquina de escrever, à frente: marcas registradas - e uma só frase, em que ele próprio se define. Salve, Nelson!


Sou um menino que vê o amor pelo buraco da fechadura. Nunca fui outra coisa. Nasci menino, hei de morrer menino. E o buraco da fechadura é, realmente, a minha ótica de ficcionista. Sou (e sempre fui) um anjo pornográfico (desde menino).

21 de ago de 2012

Relatório ONU-Habitat


O relatório da ONU-Habitat, publicado hoje, Estado de las Ciudades de America Latina y el Caribe 2012 - rumbo a una nueva transición urbana, merece uma leitura atenta. Eu fiz uma leitura transversal, mas quero refazê-la ponto a ponto. Ainda que muitas informações sejam conhecidas, o conjunto do trabalho é muito bom. Oportunamente, quero abordá-lo aqui. Por ora, recomendo a todos vocês que se interessam por questões urbanas que se debrucem sobre o documento. Ele pode ser baixado, na íntegra, a partir de diversos jornais, como AQUI, ou diretamente do site da ONU-Habitat.

“Para avanzar hacia un modelo de ciudades más sostenibles, más compactas, que doten a nuestras zonas urbanas de una mayor movilidad y eficacia energética, es preciso reafirmar el interés colectivo en la planificación urbanística, trabajar en políticas de cohesión social y territorial, así como en políticas nacionales urbanas, y aplicar reformas al marco legal e institucional”, advierte Joan Clos, Director Ejecutivo del Programa de las Naciones Unidas para los Asentamientos Humanos (ONU-Habitat).

A mais, vários links estão com análises parciais que podem contribuir para a compreensão global do relatório:
América Latina e Caribe formam a região mais urbanizada do mundo

19 de ago de 2012

[sem comentários]

Juro. Eu estava aqui editando o 'caderno de esportes' quando fui chamado, com urgência, para apresentar o Gilvan ao Roth, o Roth ao elenco celeste, e cada jogador do elenco ao seu companheiro. Pelo jeito, alí, está todo mundo se estranhando... Se bem que não sei se essa apresentação ainda faz sentido... Volto já!

17 de ago de 2012

Seminário de Mobilidade Urbana


A Seltrans está de parabéns pela realização do Seminário Mobilidade Urbana. Achei o temário muito oportuno, voltado, essencialmente, para a montagem de um grande mosaico sobre o assunto, ou seja, um temário pedagógico, compreensivo e acessível, mesmo para não iniciados em mobilidade urbana. Achei, também, os palestrantes muito bem escolhidos. Pela densidade da agenda - cinco palestras com tempo médio de 40 a 50 minutos - talvez teria valido a pena ter ocupado um tempo maior, duas sessões pelo menos e não apenas uma, para permitir maior assimilação e uma participação mais espontânea da platéia. De toda forma, foi um evento muito bom! Adiante, vou postar alguns tópicos a respeito...

[Palestra Mobilidade Urbana, por Marcelo Cintra do Amaral | BHTRANS]

[Palestra Arquitetura e Acessibilidade Urbana, por Renato Melhem | EMPLASA]

'Cidade Aberta'

Endereço errado

Em Sete Lagoas, as eleições não tem sido um mecanismo eficaz para modernização do setor público. Salvo exceções pessoais, a cada quatro anos, ao invés de avançar, a Prefeitura e a Câmara retrocedem. Outros atores sociais precisam entrar no jogo e impulsionar o mundo público na direção da inovação. Esse é o tema da coluna Cidade Aberta, no SETE DIAS. Leiam AQUI.

13 de ago de 2012

Eu sou Cruzeiro e voto Patrus


A cartolagem apoiar um candidato, qualquer que seja, como fez em 2010 e está fazendo em 2012, é um desrespeito para com as suas torcidas... Cada torcida se une nos estádios, na paixão pelo seu time. Na urna, vale a consciência de cada um...

12 de ago de 2012

Uma fase zen, duas cachaças e um porre

Minha fase zen segue próspera. Uma das suas maiores vantagens tem sido as contas de buteco. Ontem, eu e Tiza fomos ao paraíso que mora aqui ao lado de casa, o Via Cristina e seus mais de 700 rótulos de cachaça. Antes, eu passava a tarde lá, bebendo todas e nada. Agora, cinco cervejas e duas cachaças [para dois...] são suficientes para me colocar em ponto, pra lá do ponto. Saí do Via, na noite passada, depois da gloriosa vitória do glorioso time celeste, em estado lamentável. Além da conta barata, ganhei na conta de farmácia. Nada de lexotan. Cinco cervejas, duas cachaças e dez horas de sono. Para quem nunca dorme nada é uma eternidade. Encontramos lá com o Cacá Brandão que me recomendou uma cachaça baratíssima: a Vargem Grande. Foi uma boa sorte, sobretudo porque a minha Canarinha alçou ao status de impagável. Treze pilas a dose. A Vargem Grande saiu a cinco, de bom tamanho...

Ainda ganhei pela ressaca bem humorada. Tiza ainda não largou do meu pé pelas besteiras que falei, pelos tombos que tomei. Reconheço: graças a Deus, fui miseravelmente ridículo...


Na verdade, meu humor, hoje, é um transbordamento do bom humor da Tiza. Mas ela me deve por isso. É que ela está lendo e se deliciando com o livro que eu e o Bê trouxemos para ela de Paraty: Cyro e Drummond. Ela fica dando gargalhadas. O livro é uma troca de cartas entre duas comadres. Os detalhes são, mesmo, maravilhosos. Para Tiza isso tem um sentido especial: Cyro, o escritor Cyro dos Anjos, amigo de Drummond, autor de 'O amanuense Belmiro' e 'A menina do sobrado', é tio-avô dela. Ele é irmão de vó Elisa, mãe da minha sogra Helena dos Anjos Fernandez. É legal ver a literatura entrando aqui em casa, sem pedir licença, pela porta-sempre-entreaberta-dos-fundos, aquela sem tramela pela qual só entram os da família, os chegados, os queridos...

Feliz Dia dos Pais

Homenageio, aqui, todos os pais que frequentam este blog, republicando um texto em homenagem ao meu pai, ainda tão profundamente presente em minha vida. Feliz Dia dos Pais a todos nós, com nossos filhos...
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João Luiz, meu velho,

Eu lhe confesso que, ainda hoje, tenho algumas recaídas. Não me é raro ler uma notícia no jornal e, inadvertida e instintivamente, movimentar-me para pegar o telefone para fazer com você um comentário e dar uma risada. Aí vem aquela história: ‘eu levantei mesmo pra que?’. E volto a engatar a primeira, virar a página e seguir. Até exatos sete [agora, já quase dez...] anos atrás, você sabe, era um hábito simples. Aquelas coisas: escovar os dentes, tomar café, ler jornais e ligar pra você ou receber uma ligação sua... Mais ou menos assim. Tão simples como essencial. Era uma forma bastante funcional de conferirmos se a terra continuava em sua órbita regular, se os dias continuavam se sucedendo como previsto no calendário, se o fuso-horário continuava sincronizado, se o norte continuava na ponta da agulha; OK!, se eu podia por os pés fora de casa sem o risco de estar em Marte. Era uma forma bastante prática de certificarmos que nós dois, pelo menos, continuávamos normais, ainda que o resto do mundo, como de hábito, seguisse um tanto instável...

Preciso lhe dizer que a maioria das dúvidas que me ocorreram nesses sete [quase dez...] anos está coberta de poeira. A maioria das idéias que me vieram segue inacabada. Assim como se essas dúvidas e idéias tivessem me ocorrido não pelo conteúdo delas, em si, não pelo sentido delas, propriamente, mas apenas como pretexto para um telefonema, um comentário e um riso. [Riso solto, riso sarcástico, bons risos aqueles!]. Ou seja, dúvidas e idéias inúteis, não é mesmo? Como aqueles sons guturais que um cantor força para aquecer suas cordas vocais ou aqueles exercícios de memória que um velho pratica regularmente para manter sua atividade cerebral o mais acessível possível. Sons e exercícios sem nexo, inúteis, de forma geral, mas, para quem precisa deles, indispensáveis. Em outras palavras, dúvidas e idéias servíveis apenas para manter nossa amizade em dia, para manter um e outro em forma para o futuro. E, cá entre nós, mais do que eu, você tinha certeza do futuro. A bem da verdade, você deve reconhecer, um futuro um tanto utópico, engendrado de uma maneira muito singular, não sei se atrativo para a maioria, mas que, para você e para mim fazia o maior sentido...

Ainda que seja vulgar, às vezes, eu penso em gente próxima como lugares que nos tornaram familiares. Quando eu era menino, por exemplo, você se lembra, mãe gostava de uma loja no centro de BH chamada Slöpper. Nem a Savassi nem os shoppings haviam sido inventados. Quando eu fui pra BH, eu ia ao Metrópole, ao Guarani, mas gostava mesmo do Cine de Arte Pathê. A Slöpper e o Pathê podem ter feito o maior sucesso, mas fecharam. A morte de alguém próximo é mais ou menos como o fechamento de um desses lugares importantes. É certo que sempre se consegue uma solução alternativa; no princípio é estranho, mas todo mundo acaba achando natural ter fechado, inclusive eu; minha mãe não passa o dia lembrando-se da Slöpper, nem eu do Pathê; só algumas pessoas entendem quando eu, animado, falo a respeito como se fosse hoje; mas mãe, com ela mesma, e eu, cá com meus botões, sabemos bem que alguns artigos ou alguns filmes nós só podíamos encontrar na Slöpper ou assistir no Pathê. Paciência... É que nessa história de portas que se fecham, pessoas que se vão não fica só a saudade e a lembrança. Fica um endereço que ainda recebe cartas que se acumulam. Fica uma lacuna preenchida por coisas que não se encontra mais em lugar nenhum. Uma lacuna onde, vira e mexe, um dia sim, outro também, eu guardo mais alguma coisa. Uma notícia por lhe comentar, um livro por lhe recomendar, uma ironia por fazer com você... Fazer o quê?!

Dê noticias!

Sete Lagoas, véspera de 18 de dezembro de 2009.

Código Florestal: e então?!

Às vezes, eu receio que nossa capacidade de indignação seja tão efêmera quanto o interesse da mídia por determinados temas. O assunto aparece, explode, dá o maior IBOPE e, de repente, some. A reação às modificações no Código Florestal é um bom exemplo. O Congresso Nacional fez a besteira que fez, o VETA DILMA! explodiu e... sumiu!

E a quantas anda esse tema? Anda mal e longe de nosso radar. Ninguém fala mais nada. A presidente Dilma vetou parcialmente o projeto e enviou uma MP ao Congresso regulando os pontos vetados. Há uma avaliação quase consensual de que a presidente foi ao limite de sua autonomia política. Até agora, ela perdeu todas, nesse assunto, para a bancada ruralista. E, sob o nosso silêncio, corre o risco de perder mais uma vez: nesta semana, por 15 a 12, a emenda que acaba com áreas de APP nas margens de rios intermitentes foi aprovada na Comissão do Congresso que analisa a Medida Provisória. E o pior: o risco é que, sob o nosso silêncio, essa MP caia no dia 08 de outubro. E então?!

'Os meios e os fins'

Já me filiei ao PT duas vezes e já me desfiliei outras duas; portanto, hoje, não sou filiado; continuo sendo apenas simpático ao partido e nada mais. Gosto mais do PT do que de outros partidos por uma única razão: acho que, a despeito de tudo mais, o PT tem uma visão mais brasileira do Brasil, menos elitista, mais popular. De resto, tem todas as mazelas que todos os partidos tem e não sou cego a isso. Quando escrevi Remando contra a maré, eu falei da existência de uma 'ira contra o lulopetismo'. Alguns frequentadores desse blog não concordaram. Até aí, acho natural. Mas tanto aqui como em outras situações, quando digo isso, vejo que há uma interpretação incorreta: a de que minha percepção de que há, em alguns setores da sociedade, um preconceito de classe contra o PT significa que eu desculpo o PT por todas as suas mazelas. Já essa interpretação não vejo como natural porque nunca disse isso. Quando, naquela postagem, usei um artigo do Jânio de Freitas comparando procedimentos contraditórios do STF com relação ao mensalão petista e o tucano mineiro, não disse que um anulava o outro, como alguns leitores incorretamente leram, mas que ambos tinham e tem a mesma gravidade e merecem o mesmo tratamento punitivo. O fato desses mensalões merecerem da imprensa e da Justiça tratamento diferenciado apenas reforça, a meu ver, que há, de fato, em alguns setores, um antipetismo exacerbado. Esse é o tema de um artigo do sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi, Marcos Coimbra, que está reproduzido no Luis Nassif Online e no Blog do Noblat. Como eu ando gostando de por lenha na fervura e remar contra a maré, vai aí a sua mais completa transcrição:

Os Meios e os Fins, por Marcos Coimbra

Há os que desgostam do PT, dos petistas e de tudo que fazem com tal intensidade que qualquer explicação é desnecessária. Apenas têm aversão profunda pelo que o partido representa.

Alguns a desenvolveram por preferir outros partidos e outras ideias. Mas são a minoria. Os mais sinceros anti-petistas são os que somente sentem ojeriza pelo PT. Veem um petista e ficam arrepiados.

Sequer sabem a razão de tanta implicância.

Detestavam o PT quando era oposição - dizendo que era intransigente - e o detestam agora que está no governo pela razão oposta - acham que é tolerante demais. Odiavam os petistas quando vestiam camiseta e discursavam na porta das fábricas. Hoje, os abominam porque usam terno e gravata e fazem pronunciamentos no Congresso.

Um dos argumentos que invocam para justificar a birra é capcioso: o mito da “infância dourada” do PT, quando ele teria sido virginal e puro. O invocam com o intuito exclusivo de ressaltar que teria perdido algo que, em seu tempo, não admitiam que tivesse.

O PT abstrato e irreal que criaram é uma figura retórica para denunciar o PT que existe de fato - que não é nem menos, nem mais real que os outros partidos que temos no Brasil e no mundo.

Além desse anti-petismo figadal e baseado em pouco mais que um atávico conservadorismo, há outro. Que pretende ser mais sóbrio.

Nestes tempos de julgamento do “mensalão”, é fácil encontrá-lo.

Seus expoentes são mais racionais e menos folclóricos. Usam uma lógica que parece sólida.
O que mais os caracteriza é dizer que não discutem os fins e sim os meios do PT. Que não são anti-petistas por definição, mas que repudiam aquilo que os líderes petistas fizeram para chegar ao Planalto - e passaram a fazer depois que o partido lá se instalou.

Ou seja, sua oposição não questionaria o projeto petista, mas sua tática. Não haveria problema no fato de o PT querer estar - e estar - no poder. Mas em o partido ter usado meios inaceitáveis para lá chegar e permanecer. 

Parece uma conversa bonita. E nada mais é que isso.

No fundo, esse anti-petismo é igual ao outro. Sua aparente sofisticação apenas dá nova roupagem aos mesmos sentimentos.

O que o anti-petismo não perdoa em José Dirceu - e outras lideranças que estão sendo julgadas - não é ter usado “meios moralmente errados” para alcançar “fins politicamente aceitáveis”. Salvo os mal informados, seus expoentes sabem que o que o ex-ministro fez é o mesmo que, na essência, fariam seus adversários se estivessem em seu lugar - sem tirar, nem por.

Quem duvidar, que pesquise quem foi e como atuava Sérgio Motta, o popular “Serjão”, “trator” nas campanhas e governos tucanos. (Com ele, não havia meias palavras: estava em campo para garantir - seja a que preço fosse -, 20 anos de hegemonia para o PSDB - e que ninguém viesse a ele com a cantilena da “alternância de poder”. Não foi por falta de seu empenho que o projeto gorou.)

O pecado de José Dirceu é ter tido sucesso no alcance dos fins a que se propôs - um sucesso, aliás, notável.

Sem sua participação, é pouco provável que tivéssemos o “lulopetismo” - um dos mais importantes fenômenos políticos de nossa história, gostem ou não seus adversários. Sem ele, o Brasil não seria o que é.

Isso é muito mais do que se pode dizer de quase todos os contemporâneos.

Mas é essa a realidade. Enquanto José Dirceu vive sua ansiedade, Sérgio Motta é nome de ponte em Mato Grosso, anfiteatro em Fortaleza, centro cultural em São Paulo, praça no Rio de Janeiro, edifício em Brasília, avenida em Teresina, usina hidroelétrica no interior de São Paulo e rua na longínqua Garrafão do Norte, nos rincões do Pará. 

E de um instituto em sua memória, patrocinado pelo governo federal, que distribui importante prêmio de arte e tecnologia.

Gente fina é outra coisa.

11 de ago de 2012

Lá e cá...

Fui a Brasília, na quinta. O climatempo dava conta de um clima parecido com o de BH: frio na sombra, quente no sol e bem frio à noite. O melhor tempo que há. Não sei se me desabituei, mas achei Brasília quente demais e seca demais. Incômoda. Dentro de um terno, insuportável! Dois dias de muito trabalho e pouco sono. Na quinta, fechei o dia com um reencontro com a 'Rapariga da Quinta'. Um vinho e fim. Ontem, reunião até tarde e correria para não perder o voo. Em Confins, mudei de rumo: ao invés de ir pra casa, em BH, vim para Sete Lagoas matar a saudade. Cheguei às 11 da noite. Que beleza: Sete Lagoas tranquila, parada, fria. Dei um pulo de meia hora no Aconchego. Uma paz. Foi aí que me dei conta de que era dia de Paula Fernandes na Exposete. A chance de eu ir na Exposete é nenhuma; mas gosto desse efeito que ela produz, que os donos de bares, ao contrário de mim, odeiam: ela produz o maior paradeiro na cidade. Manhã de sábado sete-lagona fresca e agradável. Ótima para um treino de 10 km. Rua afora, como a Exposete ainda não abriu, a cidade está lotada. Eu acho que a Exposete devia funcionar 24 horas...

'Cidade Aberta'

'Colchão de pedras'

"A cidade é um dos maiores feitos da humanidade. Ainda que reproduza, na sua ocupação, desigualdades sociais e econômicas, ela tem uma vocação natural para o encontro das pessoas. Todas elas nasceram em torno de mercados, de caminhos, de oportunidades de riqueza e trabalho. Não se pode usar a cidade como cenário para um embate entre pobres e ricos. Ao contrário, o espaço público, as ruas, as praças, que denotam o seu caráter, precisam ser de todos. A insanidade higienista do prefeito Márcio Lacerda compromete valores urbanos fundamentais: o da liberdade de ir e vir, o da democracia, o do respeito ao próximo, o da socialização dos direitos sociais".

As pedras embaixo de viadutos são o tema da coluna da semana no SETE DIAS. E não poderia ser outro. Essa [não] solução do prefeito Márcio Lacerda é cruel, estigmatizadora, inclemente, desumana. É preciso denunciá-la, tantas vezes quantas necessárias, até que cada uma daquelas pedras malditas seja retirada de onde estão. Cliquem AQUI e leiam o artigo...

9 de ago de 2012

[sem comentários]

Por problemas técnicos, literalmente, o caderno de esportes deste blog não circulará, nesta semana. Pedimos desculpas, em especial, aos fiéis seguidores do esporte bretão.

Locais de Resistência

Muito bom: Locais de Resistência, Lutas e Memória - o mapeamento de lugares que homenageiam vítimas da ditadura militar. Cliquem AQUI e vejam. E vejam também que em Sete Lagoas não há nada...

8 de ago de 2012

Arquitetura anti-mendigo - II

O gesto trai a intenção. A desculpa do prefeito Márcio Lacerda [de que as pedras sob o viaduto, na Avenida Cristiano Machado, eram para proteger os moradores de rua contra enchentes] cai por terra quando ele passa a padronizar essa solução. Mesmo onde não há enchente alguma. No vídeo divulgado no Facebook, mais viadutos, mais pedras... Isso é inaceitável! Eu custo a acreditar que alguém possa ter uma visão de cidade tão perversa quanto essa. É tão perversa que o prefeito, ele próprio, se contesta. É uma agressão aos moradores de rua, à cidade, a todos nós:

5 de ago de 2012

Que fiasco

Era para ser uma rodada de gala. O Atlético foi amarrado pelo Flamengo e não jogou: não perdeu, mas também não ganhou. Aí, o miserável do Vasco, que tinha tudo para ganhar do Corinthians, resolveu empatar e jogar fora a chance de liderar. Que time estúpido! Pra piorar, a minha raposa que tinha tudo para liquidar a macaca, dentro de casa... perdeu! Ô timinho ruim esse do Celso Roth...

[Quando as coisas vão mal, vão mal mesmo: até o indefectível Fábio, dessa vez, errou; e feio!]

Remando contra a maré

Vou tocar em um assunto maldito: mensalão! E vou remar contra a maré. De largada, um consenso: acho que todo mundo concorda que, para o bem da democracia brasileira, é fundamental que o 'julgamento da história' faça justiça. Em seguida, uma dissensão: o conceito de justiça está contaminado pelo pré-julgamento; o conceito de justiça não pressupõe o respeito ao contraditório, ele está sendo confundido com uma compulsória e prévia condenação. OK!, eu tenho uma propensão petista e sou suspeito. Lanço mão, então, de dois artigos publicados, hoje, de dois não petistas: Jânio de Freitas, na Folha, e Marcos Coimbra, no Estado de Minas.

Em 'Dois pesos e dois mensalões', Jânio de Freitas apontou uma contradição do ministro Joaquim Barbosa. Barbosa disse que a questão do desmembramento do mensalão já havia sido debatida pelo STF por três vezes. Freitas desmentiu: foram quatro! Na primeira e esquecida dessas vezes, quanto se debateu o mensalão mineiro, a versão inaugural dessa tramoia, o maior tribunal do país tomou medida diametralmente oposta à de quinta-feira: ele aceitou a tese do desmembramento que agora negou. Para tornar os fatos mais suspeitos, o artigo lembrou que, embora seja anterior ao mensalão do PT, o mineiro ainda não tem data para ser julgado e não tem sido objeto das mesmas preocupações quanto ao risco de prescrição. Freitas deixou uma pergunta no ar: 'Por que o tratamento diferenciado?"

Em 'Quem julga?', Coimbra fez uma análise de outra ordem. Abordou o pré-julgamento da grande imprensa que já condenou os réus. Ele foi contundente: "O que a 'grande imprensa' brasileira menos quer é que o Supremo julgue. Ela já fez isso. E não admite a revisão de seu veredicto".

Eu terminei a leitura dos jornais dominicais bastante reflexivo: acho que o país terá que decidir o que realmente deseja entre duas opções. Ou quer justiça, seja qual for a consequência, ou não quer justiça, apenas destilar a ira contra o 'lulopetismo'.

4 de ago de 2012

Arquitetura anti-mendigo

Juro: logo que vi, eu achei que fosse brincadeira. Que fosse uma montagem fotográfica. Coisa de época da política para ironizarem o posicionamento do prefeito Márcio Lacerda com relação à ocupação do espaço público. Ele, de fato, tem uma visão burocrática e não democrática de cidade. Basta lembrar o que ocorreu na Praça da Estação que mereceu uma reação bem humoradíssima da população ['a praia']. Mas isso foi tomando tal dimensão na internet que entendi que não era brincadeira. É verdade: está lá na Cristiano Machado...


A foto acima está na internet, em várias páginas. A explicação é de que o prefeito gastou R$6 mil com essas pedras pontiagudas para essa solução alucinada. A desculpa é de que ela serviria para afastar moradores de rua do local para protegê-los contra enchentes. A leitura social é outra: serve apenas para afastar mendigos e ponto. Convenhamos: a solução é agressiva demais para merecer outra interpretação!

[Imagem no site oficial em que se dá a versão oficial para as pedras...]

Como disse Chico Buarque, "há distância entre intenção e gesto". Por melhor que fosse a intenção, há desprezo pela cidade como gesto. A ninguém que tem a convicção de que a cidade deve ser acolhedora, inclusiva, plural, democrática, e que o espaço público deve comunicar esses valores, ocorreria uma ideia tão estúpida. O gesto externaliza algo mais, diz de uma visão higienista da cidade...

Eu, sinceramente, achei que essa visão higienista estava superada, pelo menos, há duas ou três décadas. Não se ouve mais ninguém sensato dizer que pobres são pobres porque são preguiçosos e não trabalham; há clara compreensão de que a pobreza e a desigualdade são efeitos próprios do capitalismo. Da mesma forma, não se ouve mais ninguém sensato condenar as favelas e todas as outras expressões da 'cidade ilegal' como excrecências urbanas; há clara compreensão de que a ocupação urbana reproduz as contradições sociais e econômicas e seus padrões de exclusão.

A mendicância, o uso ostensivo de crack, a pobreza devem ser objeto de políticas sociais, no campo da assistência social, da saúde e da educação.

Não será acabando com viadutos e áreas embaixo de viadutos que se acabará com a pobreza. Essa visão higienista de cidade, no estilo 'você lava, eu enxugo' é um tanto fascista. Ao vivo e a cores, essa solução é de arrepiar. Ela é agressiva aos olhos, ao cidadão, à noção mais ampla de 'cidade'. Ela é uma negação da cidade. Com ou sem uma boa explicação...

3 de ago de 2012

'Cidade Aberta'

Planejamento ou aposta?

Quando o poder público não faz, a população acaba fazendo por ele. E com competência! Fantástico o diagnóstico que os moradores das imediações da esquina das ruas Juca Cândido e Cel. José Pereira da Rocha, em Sete Lagoas, fizeram do trânsito na região. É um puxão de orelha. Enquanto a Prefeitura aposta, a população pensa e planeja. Esse é o tema da coluna Cidade Aberta, no SETE DIAS,  desta semana. Cliquem AQUI, leiam e comentem...