31 de jul de 2012

Bicicletário: a iniciativa é boa, mas...

[Recorte sobre foto do setelagoas.com.br]

A matéria sobre o bicicletário foi publicada hoje AQUI. Eu acho a iniciativa louvável, mas cheia de problemas. Primeiro problema: um bicicletário para 12 bicicletas? É um número irrelevante! Ainda que se distribuam vários desses equipamentos, continuará sendo irrelevante. Se é para funcionar, tem que ter escala. Só para efeito comparativo, vai aí a foto de um bicicletário em Sidrolândia. E Sidrolândia tem pouco mais de 40 mil habitantes...

[Flávio de Castro, Sidrolândia, 2012]

O segundo problema é o local. Um bicicletário em meio a uma rua já super congestionada? Se essa proposta não for apenas um protótipo e se tiver ambição de ser um equipamento para, efetivamente, resolver o problema, é preciso identificar espaços mais amplos e apropriados.

O terceiro, francamente, é o desenho. É rudimentar demais. As cidades estão procurando desenvolver desenhos modernos de mobiliário urbano. Há uma clara compreensão de que os objetos que ocupam espaços públicos não podem se constituir em mais obstáculos para ambientes já muito caóticos. Leveza, beleza, transparência, bom emprego de materiais, contemporaneidade são atributos indispensáveis. Não há nada disso agregado no design desse bicicletário. É um completo non-sense. Só para efeito comparativo, vai aí, na ordem, o nosso bicicletário e o que está sendo utilizado no Rio e em São Paulo. Tudo bem: ignorem a padronização de bicicletas, que não é o nosso caso; prestem atenção apenas na simplicidade e na beleza do suporte [ou seja, do bicicletário] em si. Isso não é questão de grana; é questão de qualidade de projeto. Um detalhe: o padrão do Itaú, quando está sem bicicletas, some na paisagem. O sete-lagoano, com ou sem bicicletas, será sempre mais um transtorno na rua. Outro detalhe: a fragilidade dos tubos e da chapa frontal e o excesso de pontos de fixação, por exemplo, no nosso caso, indicam forte propensão a degradação rápida...

[Recorte sobre foto do setelagoas.com.br]

[Flávio de Castro, Paraty, 2012]

O último: um bicicletário fora do contexto de um programa de mobilidade por bicicletas, sem conexão com ciclofaixas ou ciclovias, vai funcionar?

29 de jul de 2012

Melhor do que a encomenda

Cada dia é um dia. Ou cada rodada é uma rodada. Esta 13ª podia até ter sido ótima, mas não sendo tanto, foi, pelo menos, boa ou pra lá de boa. Os desembestados à nossa frente, todos pisaram no freio, ou na bola: o Atlético, o Vasco, o Fluminense e o Internacional empataram e o Grêmio perdeu. Na verdade, o Atlético perdeu, mas empatou. Ou seja, o Cruzeiro foi o único a vencer entre os seis primeiros, subiu para quinto lugar e colou no G4. Maravilha! O melhor foi que, depois de duas atuações desastradas - a vitória imerecida sobre o Flamengo e a justa derrota para o Corinthians -, enfim, o time voltou a jogar bola. Ainda não um bolão, mas já alguma coisa parecida com futebol. E o mais animador: a linha de frente que havia morrido, ressuscitou: Montillo jogou quase como dantes, Wallyson pareceu Wallyson, Borges marcou dois, Tinga valeu por dois. Que Deus conserve...

Montillo dando trabalho aos camisas marca-texto

Tédio húngaro

A F1 encerrou sua primeira fase e entrou em férias com uma corrida pra lá de entediante. Nem na pista nem nos boxes, nada de interessante. Como destaques apenas o bom desempenho dos dois pilotos da Lotus e de Bruno Senna, na Williams.


A temporada passou de sua metade revelando ser a temporada dos pneus. Nem a badalada asa móvel foi capaz, até o momento, de desbancá-los. A mais, como bem insiste Claret, está sendo a temporada Santander: Fernando Alonso, sem ter um grande carro, fechou esse primeiro ciclo na liderança, com uma razoável vantagem de 40 pontos sobre Webber, o segundo colocado [164 a 124]. Para uma temporada em que nenhuma equipe se destacou e em que se viu um nivelamento de pilotos por baixo, 40 pontos é uma diferença e tanto. Com míseros 25 pontos e desempenhos sempre lamentáveis, Massa parece estar se despedindo da categoria. O outro brasileiro, o Bruno Senna, embora muito criticado, na minha opinião, não tem fugido à regra da falta geral de grandes talentos: foi até sempre mais equilibrado do que o seu companheiro Maldonado, que teve um instante de glória - com uma pole e uma vitória - e depois só fez besteiras. Pelo menos para mim, a grande surpresa desses 11 GP's disputados foi a queda de rendimento da RBR [ainda que detenha a liderança da classificação de construtores] e, mais, dentro dela, da de Vettel, com uma vitória e dois pontos a menos que seu companheiro de equipe. Para os torcedores renitentes, um descanso até setembro...

28 de jul de 2012

O senhor do perdão


Política é assim: quanto mais se conhece, menos se entende... Li, ontem, a entrevista do ex-prefeito Marcelo Cecé, concedida ao SETE DIAS. Ao final da leitura, pareceu-me um Cecé ‘tranqüilo’, ‘entusiasmado’, mas, sobretudo, poderoso. Apoiador da candidatura do Márcio Reinaldo, Cecé já o vê como eleito ‘com larga vantagem’. OK. A minha pergunta é como o eleitor reagirá a tudo isso. Não, não quero fazer aqui juízo nenhum; apenas entender a lógica da coisa. Vejam: [1] Recapitulando: Cecé saiu da Prefeitura, em 2000, com um bom tanto de processos contra ele, impetrados pelo promotor Amauri Artimos da Mata. Esses processos o aniquilaram, politicamente. A maior demonstração de poder de Cecé, na entrevista, para mim, está na sua abordagem desse assunto. Cecé reconheceu, a la ‘Pollyana’, que agrediu o promotor, errou e levou o troco. E que não guarda mágoas. Palavras dele. No mundo das pessoas comuns, uma pessoa inocente só usa palavras magnânimas depois de inocentada. Até que seja feita justiça, nunca vi ninguém falar em mágoa ou não mágoa, em erro ou troco, apenas em desejo de justiça. Ao que eu saiba, Cecé ainda não foi inocentado, em seus mais de 30 processos. Só quem tem ciência de um extraordinário poder dispensa, antecipadamente, as palavras ‘inocência’ e ‘justiça’. Cecé não as pronunciou. Será que, politicamente, o eleitor também já esqueceu os tais processos e já reabilitou o poder de Cecé? [2] Em 2000, Cecé teria intenção de se reeleger e teria colocado, guardando sua vaga, o Dr. Ronaldo João, até que o calor dos processos se esvaísse. Quando quis o lugar, não levou. Consta que a sua relação com Dr. Ronaldo teria se azedado de vez. Ao que se vê, agora, não foi tão ‘de vez’ assim: estão juntos de novo. Cecé disse mesmo que “se Márcio Reinaldo sentar Dr. Ronaldo João na Saúde, ele ficará muito bem. Dr. Ronaldo é competente e trabalhador. Ronaldo tem ainda uma irmã e sobrinha que foram minhas secretárias, que ajudam demais”. Palavras dele também. [3] Cecé tentou voltar, mais uma vez, na eleição de 2004. Do embate entre ele e Ronaldo Canabrava, quase que Maroca levou, de primeira. A análise, à época, foi de que Ronaldo se beneficiou do voto útil anti-Cecé. O povo queria o capeta, mas não Cecé. E Cecé se deu muito mal. Pelo jeito, já não anda mais tão mal assim... [4] A propósito, Cecé não mencionou Canabrava na entrevista. Mas não me surpreenderia se, generosamente, também o tivesse elogiado, já que estão, desta vez, ombreados no mesmo palanque marcioreinaldista. [5] Até quatro anos atrás, Cecé continuava como um nome maldito. Nenhum candidato buscou o seu apoio. Todos passaram longe. A candidatura do Márcio Reinaldo, agora, o reintroduziu glamourosamente na cena política. Um Cecé ‘tranqüilo’, ‘entusiasmado’, mas, sobretudo, poderoso. Se o eleitor confirmar nas urnas que o tempo não é o senhor da razão, mas o senhor do perdão, estaremos diante do duro e intrincado desafio de interpretar o significado desses últimos quatro anos...

27 de jul de 2012

'Cidade Aberta'

Inovação

"A 'tarefa de inovação’ não é uma quimera como os conservadores a vêem. Acredite em mim: para os nossos principais problemas públicos, a incubação de ideias ‘vanguardistas’, em parceria com diversos segmentos sociais, não é opção; é condição de solução". Esse é o desfecho do artigo desta semana, no SETE DIAS. Leiam e opinem. Para acessá-lo, cliquem AQUI.

25 de jul de 2012

Obras sustentáveis

Vejam aí duas dicas de sites interessantes sobre sustentabilidade: 'obras sustentáveis', uma fanpage no Facebook; e 'The family handyman'. O esquema abaixo de aproveitamento de água de chuva é um exemplo bacana. Está AQUIHow to build a rain barrel - build it yourself for less than $100:

22 de jul de 2012

Rumo ao G4...

Com ajuda de todos os deuses, deusas e orixás. De torcedores e gandulas. Da grama, do travessão e das traves. Das bolas contra que não entraram de jeito nenhum. Da sorte. De Joel Santana. E das minhas fundamentais, indispensáveis e extraordinárias mandingas. Vencemos!

Fi

F1, não! Fi, i de idiotas...

Usar a pista, a zebra e além da zebra para fazer ultrapassagens sempre foi legítimo na F1. O que não pode é atalhar em gicanes, por exemplo, porque aí há um ganho de tempo. Mas o que Vettel fez, hoje, de errado para merecer 20' de punição? Ele já havia feito a ultrapassagem sobre Button na curva, por fora; Button não é burro e deixou o carro 'espalhar'; qual a saída de Vettel? Jogar o seu carro sobre o de Button? Frear e não ultrapassar? Que isso? Ele arriscou ir por sobre a pintura publicitária do Santander, isso era pior e mais arriscado para ele - já que a pintura é escorregadia -, ainda assim, deu conta do recado, tinha os pneus melhores, o carro na mão, e passou [vejam o vídeo AQUI]. Ponto.

Que F1 é essa? Claret, você tem toda razão. A F1 acabou; agora, é mesmo a Fórmula Santander. E eu ainda fico feito um idiota torcendo por essa geringonça...

[A F1 não é para qualquer um; apenas para quem tem a palavra mágica no macacão: S.A.N.T.A.N.D.E.R...]

A prova incontestável da tramoia contra Vettel

O Frederico foi no alvo. Leiam o comentário dele: "Só pra servir de exemplo, veja esta ultrapassagem de Schumacher sobre Trulli no mesmo batlocal. Isso é que é usar a extensão da pista. E, lógico, não houve nem poderia ter havido punição".

21 de jul de 2012

Hockenheim

Meu negócio é foco. Hoje, estou ocupado em secar as panteras, que já foram felizes demais nessa temporada. Já está na hora delas voltarem pra casa, dezenove posições abaixo na tabela, não é mesmo? E, amanhã, eu preciso entrar em campo com o Cruzeiro. Francamente, depois que o Tinga bateu aquela falta diretamente para a lateral, no jogo passado, eu entendi que não posso me descuidar nada, mas nada mesmo. É um segundo de desatenção minha... e os meninos fazem besteira. Aí, Claret, secar o Alonso será tarefa sua, OK?!

Mas vamos ao grid do GP da Alemanha... O pacote aerodinâmico que a McLaren levou para Hockenheim não adiantou bulhufas. Hamilton e Button só conseguiram emplacar o 7º e o 8º tempos. Depois, cada um ganhou uma posição pela punição ao Webber, mas aí é outra história; não tem nada a ver com o esforço de reabilitação da equipe inglesa. O Alonso é que não anda fácil. Ou, aliás, ao contrário, tem andado fácil demais... O líder do campeonato levou a pole com uma mão nas costas. Com o vice-líder Webber largando apenas em 8º, corre-se o risco, pela primeira vez no ano, de alguém se distanciar na liderança. E o alguém é justamente ele: o espanhol chorão! Danou-se! A salvação da lavoura pode ser Vettel, que larga em segundo. O alemão está a 29 pontos da liderança e precisa mostrar serviço. Quem sabe não será amanhã? Com chuva, a vedete do treino de hoje, outro alemão também pode fazer alguma graça: Schumi! Ele mesmo: o bom e velho Schumi, debaixo d'água, ainda é capaz de mostrar serviço. Vai largar em terceiro, bem atrás da Ferrari de capacete azul. Sobre os brasileiros, mais do mesmo: Massa e Senna estão precisando recomeçar lá pelo kart para ver se chegam, de novo, à F1. No momento, eles correm em outra categoria. O companheiro de Massa fez o primeiro tempo; ele, apenas o 14º. Maldonado fez o quinto; Senna, o 16º [depois lucrou um posto com a punição a Grosjean]. Melhor esquecê-los...


Claret, vai que é sua! Só uma boa mandinga espanhola pode frear esse sujeito aí.
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PS1, sábado, 21:00 - Mandinga #1: consegui derrubar as panteras da liderança por alguns minutos. Depois, deu tudo errado... Aproveitamento: 0%.
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PS2, domingo, 10:35 - Mandinga #2: nada feito! Claret tinha razão: não dá para brigar contra Santander e Ecclestone. Eles subornaram São Pedro, limparam os céus e limparam a pista para Alonso vencer de ponta a ponta. Numa temporada apertada, uma vantagem de 35 pontos - como ele acabou de abrir - já é uma espécie de favoritismo ao título. Danou-se. Meu aproveitamento em mandingas, neste final de semana, continua em 0%.
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PS3, domingo, 19:00 - Haha! A mandinga #3, enfim, funcionou. Parafraseando: 'praga de urubu não pega em raposa gorda'... Meu aproveitamento em mandingas não foi dos melhores, mas foi 100% no essencial.

20 de jul de 2012

'Cidade Aberta'

- Nunca!

Entre um artigo de César Maia e uma entrevista de Mangabeira Unger, uma reflexão sobre as perspectivas de criarmos uma 'política de alta energia' e um projeto inclusivo de cidade. Quando chegaremos a isso? Esse é o tema da coluna, no SETE DIAS,  desta semana: AQUI.

19 de jul de 2012

Bicicletas de bambu para alunos

Uma dica genial de nosso amigo Zeca Dias Amaral: 'Fábrica em CEU faz bicicletas de bambu para alunos' - AQUI.


Todos os dias, um grupo de 12 jovens bate ponto no Centro Educacional Unificado (CEU) Jardim Paulistano, zona norte de São Paulo. Logo de manhã, já começam a desamarrar pacotes de bambu. Com uma cola natural, feita ali mesmo, juntam os pedaços, formando quadros triangulares. Três horas de secagem e outras peças são acopladas. Rodas, câmbio, catracas, guidão e aí está: uma bicicleta novinha, para um dos 4,6 mil alunos da rede municipal ir e voltar da escola pedalando.

Tristes mortes

Há mortes que de tão tolas, tão estúpidas, parecem mais tristes. Hoje, um operário da Prefeitura de Belo Horizonte morreu bem ao lado daqui de casa. Está-se recapeando todo o entorno da Praça Cairo; a um quarteirão dela, na Mar de Espanha com São João Evangelista, o senhor Benedito, de 58 anos, segundo os jornais, foi esmagado pela enorme máquina de recapeamento. Dizem que seu colega, o operador da máquina, fugiu. E para tornar tudo mais deprimente, relatam os mesmos jornais que o filho de seu Benedito também integrava a equipe da Prefeitura e, abalado, deparou-se com o corpo morto do pai. Não é incomodamente triste?!

Fatos assim fazem-me lembrar a mais tola, a mais estúpida e, portanto, a mais triste das mortes. Foi em 1979. Eu trabalhava em um escritório de geologia, na esquina das avenidas do Contorno e Raja Gabaglia. Ainda não havia uma trincheira ali. Um caminhão baú subiu a Contorno, indo em direção à Amazonas, e no trecho plano, bem embaixo da minha janela, deixou cair uma gigantesca bobina de cabo de aço. Lentamente, ela pôs-se a girar, em direção à ladeira. Um senhor quase conseguiu apoiá-la e interromper seu curso. Mas o sinal abriu e ele teve que se refugiar no passeio. Meu Deus!, bastava esse toque de mão para segurá-la. Mas não foi possível. A bobina ganhou velocidade e desceu a Contorno, tresloucadamente, na contra-mão dos carros. Na esquina oposta à minha, miseravelmente, estava em construção uma sede bancária da Caixa. Com os passeios tomados, em parte, por tapumes e materiais, muitos pedestres iam, usualmente, pela rua. Exatamente por onde passou a bobina desembestada. Uma senhora que descia Contorno abaixo sequer viu o perigo atrás de si. A bobina esmagou-lhe, antes de amassar carros e carros e se deparar com a frente de um caminhão, já na altura da Prudente de Morais. Era uma senhora simples. Quando fui até lá, já estava coberta por jornais. Vi que usava congas que lhe descalçaram o pé. E que levava nas mãos uma pequena e singela sacola de pano. Não vi seu rosto, não soube seu nome, não tive notícias de sua idade, nem como a notícia de sua morte chegou à sua família. Procurei alguma pista nos jornais, na manhã seguinte, e nada. Por dias e dias, eu me perguntava como teriam contado a essa família a fatalidade da morte de uma senhora, uma avó talvez, atropelada por uma bobina? Por dias e dias, eu fiquei numa tristeza danada. Não me parecia justa uma morte assim tão desamparada...

18 de jul de 2012

‘Sobre as nossas Câmaras Municipais’

Trecho de artigo do ex-prefeito do Rio, César Maia, na folha de São Paulo, de domingo:

“Elas [as Câmaras Municipais] contavam com vereadores de bairro, vereadores temáticos, vereadores ideológicos, além dos da tradicional clientela. Com o tempo, os ideológicos foram desaparecendo. Os comunitários -...-, reduzidos (...). Com os temáticos aconteceu a mesma coisa (...). Hoje, quase todos os vereadores são de clientela, com seus centros sociais e seus favores. (...). Em geral, não exercem o poder que têm no processo legislativo, mas buscam usar o voto para conseguir apoio para as suas ações de clientela”.
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Ao falar do Legislativo carioca ele não parece descrever, com absoluta fidelidade, a Câmara de Vereadores de Sete Lagoas, com exceção de dois ou três de seus membros?

16 de jul de 2012

'Cidade Aberta'

A FLIP e a Literata

Comentários associados sobre a FLIP, a Festa Literária Internacional de Paraty, Sete Lagoas e a nossa Literata. Esse é o tema da coluna, no SETE DIAS, nesta semana: AQUI.

Blog do Dalton

Cliquem AQUI e deem um pulo no blog do candidato à reeleição Dalton Andrade. De novo, Dalton e sua equipe fazendo diferente, mais e melhor: além da biografia do candidato, vocês verão as realizações do 1º mandato e, o que é mais bacana, as metas de um próximo mandato. Participem dessa construção!

A volanteria celeste

A seleção celeste incorporou, hoje, com muitos elogios, mais um volante ao seu elenco. Já se contam mais de uma dezena deles. Uma verdadeira volanteria. Já em matéria de laterais, o jornal O Tempo contabilizou 16 jogos seguidos com improvisações no setor, à esquerda e à direita, o que responderia por uma queda no rendimento do time para míseros 43,7%. Um 'problema crônico' e sem solução definitiva à vista. Para a direita, OK!, vem aí o Ceará; mas para a esquerda, necas de pitibiriba...

Caro anônimo,

Ou: a minha opinião sobre o quadro eleitoral

Um anônimo, numa postagem abaixo [Pois é...], escreveu um comentário que merece uma resposta mais cuidadosa: "vc fala q nao esta estimulado com as eleiçoes entao vai votar nulo? qual sua opiniao sobre os 4 candidatos? pra vc nenhum presta?".

[1]
"... pra vc nenhum presta?". Prestar ou não prestar é um juízo sobre a 'pessoa' do candidato. Eu jamais colocaria as coisas nesses termos. Não tenho interesse na vida pessoal de ninguém. Mesmo porque, dos quatro candidatos, eu tenho relações cordiais com três: com o Emílio, o Valace e o Múcio. E sobre o Márcio Reinaldo, a despeito da animosidade que ele tem por mim e, natural e reativamente, eu por ele, prefiro ignorar esse aspecto da questão. Enfim, sobre se "... pra vc nenhum presta?", acho que não é o caso...

[2]
"... entao vai votar nulo?" Embora eu reconheça o voto nulo, em determinadas situações, como expressão política lícita e legítima, não me parece que isso se aplica, no momento. Como cidadão, acho que devo procurar escolher o melhor para a cidade, dentre as opções disponíveis...

[3]
"qual sua opiniao sobre os 4 candidatos?". Politicamente, esse é o ponto. Vamos lá:

Sobre Márcio Reinaldo. Sua candidatura reúne a quase totalidade dos grupos políticos conservadores e clientelistas da cidade. Da velha guarda [Cecé, Canabrava e seus agregados] ao que há de mais novo nesse estilo de se fazer política [Duílio, Ronaldo João e por aí afora] estão todos lá. Leone e Maroca só não estão por acidentes de percurso. Foram pra lá, foram humilhados e voltaram. É, portanto, a candidatura que mais claramente representa a direita sete-lagoana, com um discurso de 'progresso' que não me convence por ser, a meu ver, já bastante ultrapassado. Para além de tudo isso, é a candidato do projeto Aécio 2014, na cidade, o que não é pouco. Já vi gente desdenhando a sua candidatura e já ouvi gente dizendo que já ganhou. Não acho nem uma coisa nem outra: por um lado vem pesado, com muito apoio e dinheiro, por outro, não quer dizer que é imbatível; muito pelo contrário...

Sobre Múcio Reis. É, para mim, uma candidatura pibolar: quer se afirmar como modernizante - lembrando o lado bom da sua própria gestão, há quase uma década, na área social -, ao mesmo tempo em que se sustenta no PMDB sete-lagoano que é a coisa menos moderna que se tem notícia na paróquia. A mais, é uma candidatura com dois problemas de largada: um, o candidato vive um momento pessoal ruim; e dois, a coligação é fraca. Sobre o momento do Múcio, eu tenho pra mim que seu sucesso político dependeria da superação de seu imbróglio empresarial. Nesse sentido, ele não superou, está embaralhado demais e a eleição chegou antes da hora. Sobre a coligação, o PMDB é, eleitoralmente, fortíssimo, mas a coligação - só com o PSOL - é fraca. No PMDB cada um cuida de si e ponto; ninguém vai carregar Múcio...

Sobre Caio Valace. A chance de Caio depende de sua capacidade de inventar um discurso novo. Não será fácil porque, para isso, ele tem problemas a superar. Pelo menos três. Um: tem um passado político de candidato forte a vereador e sofrível a prefeito; ou seja, luta contra ele mesmo. Dois: é o candidato da situação de um governo átono, com alta rejeição, que sequer conseguiu viabilizar sua reeleição. Isso pode se constituir em um fardo pesado. Três: embora tenha conseguido uma coligação forte, ainda que de última hora, é uma coligação sem cabeça. Todos os partidos são da base do governador que apóia outro candidato; dificilmente o Palácio Tiradentes vai deixar as respectivas lideranças partidárias [do PSDB, do PPS, do PSD...] alavancarem [$] a candidatura de Caio contra a de Márcio. Nesse contexto, não imagino qual será a sua estratégia, além da tentativa já visível de seduzir o servidor público...

Sobre Emílio. Se for possível usar a F1 como analogia, Emílio pode não ter o melhor motor, mas tem o melhor desenho aerodinâmico. É uma candidatura que está posta há quatro anos, o que pode ser uma vantagem. Além disso, sua coligação de oito partidos [só MR tem tantos...], sustentada pelo PSB e pelo PT, pode indispô-lo com o governo estadual, mas o credencia, em contrapartida, como o único representante legítimo do federal [Lula, Dilma, Eduardo Campos & Cia]. Nesse caso, pode atrair nomes de fora para se cacifar. Ou seja, tem uma boa oportunidade de se colocar como um projeto popular; e, mais, como um projeto de oposição, catalizando o voto anti-maroquista e anti-marcioreinaldista. Mas Emílio também tem desafios pela frente. Primeiro, como Caio, está obrigado a construir um discurso novo sobre a cidade; mas, diferente do Caio, sendo oposição, não precisa fazer malabarismo e carregar o peso de defender o indefensável. Segundo, ele tem que 'sair de casa'. Sua herança familiar já lhe deu, na eleição passada, o que tinha a dar: 10% dos votos válidos, o que é um bom tanto. Agora, para ter êxito, Emílio tem que mostrar sua própria força, sua capacidade de articulação política e interpartidária e sua penetração social.

Resumindo: acho que Múcio, desta vez, vai ficar longe dos 30% dos votos válidos que teve na sua tentativa anterior, em 2000; que Márcio Reinaldo vem forte, pelos apoios políticos e pelo poder econômico que reúne, mas não é imbatível; e que, entre Emílio e Caio - com mais chance para o primeiro -, quem for mais hábil em assumir o papel de 'novidade' vai ser o destaque dessas eleições...

15 de jul de 2012

13 de jul de 2012

Pois é...

Este blog já foi mais elétrico; uma postagem atrás de outra. Ultimamente, passa por dias mais tranquilos. E talvez esses dias mais tranquilos durem um pouco mais. Se a alguém interessar, digo que isso tem algumas explicações. Penso que uma delas é que o tema mais relevante que sustenta essa praça, o das questões urbanas sete-lagoanas, também vive dias menos pulsantes. A largada da campanha eleitoral, ao invés de evidenciá-lo, na prática, em Sete Lagoas, o oculta. Sempre foi assim. Aqui, nenhum candidato entra em bola dividida, polemiza e assume um lado do jogo. A tendência é pelos discursos genéricos, das grandes e boas intenções que a todos une e que a ninguém diferencia. Uma segunda explicação é meio pessoal: já defendi, aqui, tantos pontos de vista sobre esse tema que corro o risco de me repetir. Se é que já não me repeti demais. Ando, reativamente, por ora, apenas interessado em ver o desdobramento de algumas questões que me parecem emblemáticas. Uma delas era o aumento do perímetro urbano na região de Bougainville. E isso já deu no que deu: embora esse aumento tenha consequências importantes, do ponto de vista mais amplo de concepção de cidade, ele foi aprovado pelos vereadores com a displicência com que se compra um drops. Outras questões ainda circulam e resta-me somente esperar pra ver os respectivos desfechos: o Plano Diretor, a Regulamentação da APA, o licenciamento do Boulevard Santa Helena. Pessoalmente, não tenho nada mais a dizer sobre nada disso. Pelo menos, nesse momento. Mas ainda há outras explicações. O pouco empolgante cenário eleitoral é mais uma. Nesse caso, eu chego a não entender grande parte do que anda se passando. Essa história da divisão da base do governo estadual; esse vai não vai da candidatura da situação; agora, essa conversa sobre irregularidades na chapa de vereadores dessa coligação oficial, tudo isso me soa muito bizarro. Essa eleição anda parecendo um acidente de percurso, que chegou antes da hora e pegou todo mundo desprevenido. Ou seja, esse é um assunto que não anda me trazendo qualquer estímulo. Salvo, claro!, a aposta na candidatura à reeleição de nosso vereador Dalton Andrade. De toda maneira, nesse cipoal, ando recorrendo aos livros. E intuo que essa história de comentar livros aqui não é, exatamente, uma preferência nacional. Então mesclo com futebol e F1. O que dá no mesmo e não altera o ritmo tranquilo da temporada. Digamos, então, que este blog, decididamente, está atravessando uma fase low profile. Um desencanto para quem prefere polêmicas; o que já foi comum nessas páginas. Por fim, devo confessar, que como esse blog é muito pessoal e ele segue os meus passos, nos próximos dias, por certo, ele continuará estampando suas crônicas sete-lagoanas, mas deve falar um pouco mais de nossa capital, aqui ao lado. Estou tirando férias de minhas atividades no UNIFEMM e, no limite de minhas possibilidades, estou me incorporando à campanha de Patrus Ananias à Prefeitura de Belo Horizonte. Há convites irrecusáveis. Não posso negar que esse, em especial, me arrebata. Para além da minha amizade com o ex-prefeito e o ex-ministro, há, de minha parte, um grande respeito pelo tipo de liderança que ele exerce, pelo estilo de vida que ele se impõe e, sobretudo, pelo projeto político e pelas ideias que ele representa. É isso: enquanto descanso, vou carregar pedras. O blog vive dias tranquilos na proporção direta em que eu, ao contrário, vou entrando em um turbilhão. Um pé lá, outro cá. Se a candidatura do Patrus me anima, não me anima menos alguns temas relacionados a desenvolvimento regional que circulam em torno do UNIFEMM. E, ainda que em período sabático, quero continuar sintonizado com eles. É que quando você se compromete com projetos, você se compromete também com pessoas. E, também para além da amizade, eu tenho grande apreço pela inteligência, pela visão de desenvolvimento e pela compreensão política de educação do nosso reitor Antônio Bahia. Nos próximos dias, vou ficar nesse trecho, não exatamente na ponte aérea, como se diz, mas entre os radares da 040. Talvez escreva menos, talvez escreva mais. Não sei. Mas, seja como for, espero que vocês não desapareçam...

12 de jul de 2012

Associações perversas

Sabe aquele sentimento de que você andou perdendo alguma coisa ou muita coisa? Pois é; ando assim com relação ao Sabor de Bar. Nessa minha fase zen, ainda não me sinto apto a enfrentar a coisa mais perigosa que existe no mundo: a associação de uma mesa de bar com um garçom amigo. Pior, se tiver, além do garçom amigo, algum amigo do peito por perto, a reação sobre mim é devastadora. Ainda não estou suficientemente convertido para me submeter a tamanha provação. De forma que o Sabor de Bar passou à distância, só por fotos, pelo site. Até achei que tinha sido um presente dos deuses a coincidência de datas do Butecão 2012 com minha ida a Paraty. Deus estava me poupando: era isso! Mas voltar e ver as fotos nos blogs e ouvir comentários, aqui e alí, não anda sendo fácil. A toda hora me vem aquela frase de Santo Agostinho que já mencionei certa vez: Deus,"dá-me a castidade, mas ainda não agora".

10 de jul de 2012

E agora, José?


Ilustração de Alexandre Benoit, no blog da FLIP, fechando a festa.

De volta pra casa...

Manhã de segunda. A vida normal volta a Paraty. Alguns turistas pingados, como nós, ainda resistem. Fizemos um último programa: uma visita à exposição 'Faces de Drummond', na Casa de Cultura. Depois, preparativos finais de viagem e estrada. Pela primeira vez, em três, que passo pelos túneis de pedra da RJ-155, que desce de Lídice a Angra - a primeira, há 18 anos, sob chuva; a segunda, nesses dias, na ida, à noite - consigo avistar a belíssima vista da região de Angra. De volta pra casa...

Paraty vazia...

Paraty e sua gente...

Bernardo na 'Faces de Drummond'...

...e eu também.

A RJ-155, na íngreme subida até Lídice, em meio à mata Atlântica...

...e a maravilhosa vista, ao alto, no belvedere, na boca do primeiro túnel.

8 de jul de 2012

Fim de festa na FLIP

Choveu durante a madrugada. Depois de dois dias bonitos, um domingo de vento, céu nublado, garoa e frio. Ainda há muita, muita, muita gente em Paraty. Mas não mais do que a metade de ontem. Não temos mais energia para mais mesas e debates. Uma passada na livraria, um minuto no café ou uma rápida caminhada sem rumo, em meio à multidão, é o máximo possível. Nada mais. Minhas pernas doem. Há uma coisa estranha com o calçamento das ruas da parte histórica de Paraty. É absurdamente irregular. Caminha-se, o tempo todo olhando para o chão, escolhendo-se, pedra a pedra, aonde pisar. É como andar, rio acima, em um rio de pedras, até uma cachoeira. É exaustivo. Cadeiras de rodas, carrinhos de bebê precisam ser conduzidos a quatro mãos. Duvido que tenha sido sempre assim e penso que foi se deformando pela sobrecarga do tráfego de veículos e por intervenções sucessivas para instalações de redes públicas, com recomposições desastradas. Esse assunto já mereceu horas de conversas e intermináveis especulações. Em meio à tarde, fomos a um bar, no largo do Rosário, que havíamos visto, um dias desses. 'Benditas'. Enfim, esbaldamo-nos! Cervejas, tira-gostos e bons pratos de almoço. Ao anoitecer, com o cansaço, desistimos de ir à última mesa. Pelas conversas, pouco perdemos. Teve apenas o sentido de uma solenidade de encerramento. Ao final, apenas entrei para ver, com atenção, a famosa Tenda dos Autores. Às dez, haverá uma festa na área do telão. Pouco provável que tenhamos forças para escalar até lá. A belíssima experiência com a FLIP encerra-se aqui. Amanhã, estrada...

Leila, Patrícia, eu, Miriam e Fernanda [em pé], a dona da casa.

Eliana, Leila, Patrícia e Miriam.

A fachada das Benditas.

O palco da Tenda dos Autores...

...e a enorme platéia.

Tudo eu!

Tudo eu, tudo eu! Eu dei um pulo a Cordisburgo, na semana passada, e, pelo jeito, meus colegas de trabalho também se mandaram e deixaram a seleção celeste perder para o São Paulo. Eu venho a Paraty para um descanso e, de novo, a Azzurra mineira perde para o Internacional. Que é isso, companheiros?! Se eu não desse um tempo à FLIP e me dedicasse, nesta manhã, a F1, vocês iam deixar o Alonso ganhar? Claret, aonde você se meteu? Tudo eu, tudo eu!

O carro de Webber, depois das minhas bençãos salvadoras...

'Cidade Aberta'

Duas teses e uma dúvida

Não, o comentário, dessa vez, não é o livro 'Cidade Aberta' de Teju Cole; mas a minha coluna no SETE DIAS. Nessa semana, o tema é a política, numa tentativa de tentar compreender o processo, em Sete Lagoas, que teve início na última sexta. Deem uma lida. O artigo está AQUI.

FLIP: mesas acidentais

Não tínhamos ingressos para uma mesa concorrida: mesa 11, 12:00, Ian McEwan e Jennifer Egan, com mediação de Arthur Dapieve, e com o tema de 'Pelos olhos do outro'. Mas a FLIP tem os seus caminhos das pedras: assistimos, assentados nos bancos de papelão do Itaú, no estande da CPFL, em uma TV até razoável, a custo zero. Ela está com um conto chamado 'Black Box' no site do NYT; ele está com lançamento novo na FLIP: 'Serena'. Um belo bate-papo sobre o ato de criar, sobre a atmosfera como início do processo, os personagens como o outro e pelos olhos do outro.

O estande da CPFL, as caixas de papelão do Itaú...

... e nós lá.

E mais gente lá.

Dapieve,...

...Jennifer Egan,...

...e Ian McEwan

Depois, às 15:00, esbarramos em outra conversa - uma dica de um amigo brasiliense que nos mandou por uma mensagem -, na Casa da Cultura: a inglesa Annalena McCafee, criadora do suplemento literário do Guardian, e o jornalista e escritor Paulo Roberto Pires, editor da revista Serrote, com moderação de Paulo Werneck, editor do Ilustríssima. Outro assunto: o salto do frisson das editorias de jornal, com textos compactos e tudo para ontem, para a literatura, de textos e tempos indeterminados. E sem adrenalina.

Paulo, Annalena e Paulo

7 de jul de 2012

Mehta, Bombaim e a FLIP [mesa 10], again....

Trecho do livro Bombaim Cidade Máxima, de Suketu Mehta, lido por ele, na abertura da mesa 10. Lindíssimo e emocionante. O tema da mesa era Cidade e Democracia.

O administrador do sistema de ferrovias suburbanas de Bombaim foi indagado, recentemente, sobre o quando o sistema será melhorado a ponto de poder transportar confortavelmente 6 milhões de passageiros por dia. "Não antes de eu morrer", respondeu ele. Certamente, se viaja de trem em Bombaim você se dará conta da temperatura exata do corpo humano enquanto ele se enrosca em você por todos os lados, ajustando-se a cada curva do seu. Nenhum abraço entre dois amantes jamais foi tão apertado.

Asad Bin Saif trabalha no instituto de secularização, andando incansavelmente de uma favela para outra, catalogando incontáveis conflitos e tumultos, vendo em primeira mão a lenta destruição do tecido social da cidade. Asad é de Bhagalpur, Bihar, lugar não apenas dos mais graves tumultos comunitários do país, mas também de um sangrento incidente em que a polícia cegou um rupo de ladrõezinhos com agulhas de crochê e ácido. Asad, logo ele, viu o que a humanidade tem de pior. Pergunto-lhe se ele é pessimista com relação à espécie humana.

"De jeito nenhum", responde ele. "Olhe para as mãos dos trens".

Se você está atrasado para chegar ao trabalho de manhã em Bombaim, e chega à estação exatamente quando o trem está saindo da plataforma, é só correr para os vagões apinhados e muitas mãos estarão estendidas para ajudá-lo a embarcar, desdobrando do trem como pétalas. Enquanto corre ao lado do trem, você será levantado e um minúsculo espaço se abrirá para que você ponha os pés na beira da porta aberta. O resto é por sua conta. Você provavelmente terá de se agarrar na porta com as pontas dos dedos, tomando o cuidado de não se inclinar muito para fora e ser decapitado por um poste à beira dos trilhos. Mas pense no que aconteceu. Os outros passageiros, já mais amontoados do que o gado tem permissão de ficar, já com as camisas encharcadas de suor no compartimento mal ventilado, em pé naquela posição há horas, continuam a sentir empatia por você, sabendo que seu chefe pode gritar com você se você perder o trem, e abrem espaço onde não há espaço para levar outra pessoa com eles. e, no momento do contato, eles não sabem se a mão estendida pertence a um hindu, a um muçulmano, a um cristão, a um brâmane, ou a um intocável, nem se você nasceu na cidade ou chegou de manhã, ou se mora em Malabar Hill, Nova York ou Jogeshwari; se você é de Bombaim, de Mumbai ou de Nova York. Tudo que eles sabem é que você está tentando chegar à cidade de ouro, e isso basta. Suba a bordo, dizem eles. Nós nos ajeitaremos.

Mehta, Bombaim e a FLIP [mesa 10]

Sábado, 10:00 - Roberto DaMatta e Suketu Mehta, com mediação do arquiteto Guilherme Wisnik. Tema: Cidade e Democracia. Suketu foi a minha segunda grande surpresa na FLIP, depois de Adonis. Especialmente emocionante. Um indiano, radicado em New York que tenta retornar a Bombaim. O livro, cujo título é, exatamente, 'Bombaim', é uma reconstrução de um reencontro impossível. Bombaim, a cidade máxima. Bombaim, a cidade partida. É possível voltar para casa? Várias incursões sobre o tema da cidade. A cidade de outsiders. DaMatta falou uma coisa muito acertada: 'o nosso grande problema não é a desigualdade; mas a alergia à igualdade. Em nenhuma outra situação, reagimos com tanta ira quando somos impulsionados para a igualdade. No trânsito, por exemplo, em que somos iguais, por princípio'. O trecho de Bombaim lido por Suketu, na abertura da mesa, merece transcrição em um post à parte...

]
Wisnik,...

...DaMatta,...

...e Mehta.

E eu aí, na sessão de autógrafos, com Mehta.

O entendiante Jonathan na FLIP [mesa 9]

Sexta, 19:30 - Encontro com Jonathan Franzen, com mediação de Ángel Gurría-Quintana. Melhor ficar com a literatura de Franzen. 'Liberdade' é ótimo. O escritor resumiu-se a uma mistura de simpatia, bom humor, algo de showman... e muito tédio. Não respondeu nada. Ou só o que quis. E ficou por aí...



Adonis na FLIP [mesa 8]

Sexta, 17:15 - Adonis e Amin Maalouf, com mediação da portuguesa Alexandra Lucas Coelho. Tema: Literatura e Liberdade. Amin é de Beirute, viveu uma Beirute harmoniosa, escreve romances em francês, é um otimista e um cara sensato. Adonis é da idade do pai de Amin, é sírio, até os 12 anos foi educado com poesia e com o alcorão, pelo pai, na tradição oral, escreve poesias, é um homem incontido, uma rebelião em pessoa. Até agora, foi quem mais me encantou na FLIP. Ninguém nunca me pareceu tão preciso em explicar o mundo árabe. Impressionante. Coisas como: 'o problema árabe não é a religião, mas o imperialismo ocidental; somos vítimas do petróleo e da indústria de armas'. Ou: 'a cultura árabe tem dois pilares: a religião e a poesia'. Mais: 'o islã é a última verdade de Deus dita ao último profeta; é um mundo fechado. Só há o passado. A literatura é o futuro. O escritor precisa rebelar-se. Se não se rebelar, não há literatura. É preciso transgredir e fazer perguntas'. E a mais impiedosa de suas frases, quando indagado sobre Obama: 'Obama é uma máscara negra em um rosto branco'.

Adonis, Amin e Alexandra

Amin Maalouf

Alexandra Coelho

Adonis [recitando uma poesia de cor]...

...mais.

E mais...

Bernardo recebendo autógrafo de Adonis...

...e o autógrafo em árabe

Teju Cole na FLIP [mesa 7]

Sexta, às 15:00 - Teju Cole e Paloma Vidal, com mediação de João Paulo Cuenca. Tema: Exílio e flânerie. Perambulações pelo mundo. Paloma é argentina, radicada no Rio; Teju, nigeriano, em New York. Paloma me pareceu uma carioca que escreve por hobby. Mas ela disse uma coisa bacana. Respondendo Cuenca se 'a gente escreve para gostar do mundo', ela abreviou: 'toda a obra de Drummond foi entre a casa e o escritório'. Teju Cole me impressionou. Disse coisas como 'a cidade ideal que temos em nós é o conjunto de fragmentos de cidades que vivenciamos'; e depois de dizer de composições clássicas, que 'falamos obsessivamente a mesma coisa, com variações diferentes, como se fizéssemos uma curadoria de histórias corretas'. Teju é autor do livro 'Cidades Abertas'...

Paloma e Cuenca

Teju Cole

Teju, Paloma e Cuenca