12 de abr de 2012

Sidrolândia

Eu devia estar em Corumbá, de frente para a Bolívia. Mas a TAM não permitiu: uma pane na aeronave que faria o trecho Brasília-Campo Grande, atrasou o voo e inviabilizou a conexão com o único voo diário para Corumbá. Resultado: perdi a oportunidade. Mas ganhei outra: a de conhecer Sidrolândia, no Mato Grosso do Sul, a 50 km de Campo Grande, para onde minha missão foi redirecionada. É uma cidade em meio a uma região de agricultura mecanizada e pecuária de corte. Nos poucos quilômetros da estrada, vê-se áreas de plantio e pastos a perder de vista. O nome enigmático se deve a um tal Sindrônio Andrade, que parcelou sua fazenda e iniciou o processo de urbanização, em meados de 1900; mesma época em que a região foi atravessada pela via férrea: uma história comum à formação de várias cidades. Seu impulso urbano, todavia, deu-se com a instalação da capital do Mato Grosso do Sul em Campo Grande, aqui ao lado, em 1979. Foi um "fator estratégico de prosperidade", diz o site oficial [AQUI]. Esse fato recente e a vinda de migrantes do sul do país, nos anos 1960, explicam as suas características urbanas; é uma cidade aparentemente nova, com traçado reticulado muito organizado - com avenidas e ruas muito largas -, 100% plana, com pavimentação asfáltica impecável, bastante arborizada, extremamente limpa e com algumas construções típicas do sul, o que não chega, propriamente, a marcar a arquitetura local. A meu ver, o que marca essa arquitetura é o grande número de casas de alto padrão de estilo - goste-se ou não - 'contemporâneo'.

O município tem pouco mais de 40 mil habitantes. Mas tem muitos assentamentos agrícolas, povoados indígenas e um distrito. Com isso, a cidade-sede não deve ter metade da população municipal, o que explica sua pequena conformação e sua tranquilidade. Eu cheguei ao cair da tarde e saí para correr. A topografia plana, sem nenhuma exceção, permite correr em qualquer via, em qualquer direção; mas há uma avenida que é o point esportivo: de ponta a ponta da cidade, completa um circuito de cerca de 2 km de ida; 4, de ida-e-volta. Dispõe, no largo canteiro central, de uma academia ao ar livre [sem destruição por vandalismos e com instrutor permanente]. Na corrida, pude observar que as casas tem grades e pouquíssimas têm sistemas de proteção ou cercas elétricas. Muito mais do que tenho visto em outras cidades de interior, o velho e bom costume de pôr cadeiras na calçada, aqui, é generalizado, inclusive entre jovens. Além de camionetes [como não?!], na cidade, o uso de bicicletas é generalizado...

Um comentário:

Administrador Mario Arruda disse...

Neste momento, onde pessoas desconhecidas deparam com uma imagem de um povoado limpo organizado e bonito, existem pessoas, talvez com pouco conhecimento ou talvez nenhum faça comentários maldosos. Há muitas coisas a se fazer, nisso nós vemos a olho nu. Muito obrigado Senhor Flávio de Castro, parabéns pelas belas palavras, percebemos que és uma pessoa criteriosa.
Mas quando dirijo a pessoas com a falta de conhecimento, digo por que, dentre milhares de patrimônios, distritos e sedes, a nossa supera em muitas qualidades. Antes de falar, pense. Antes de criticar, participe. Pois muitos que criticam, poucos participam. Pergunto aos que criticam, ou melhor, aos que somente sabem reclamar. Vocês conhecem alguma entidade seja ela filantrópica ou não que trabalha a seu favor? Responda a si mesmo, e faça a reflexão.
Portanto enriqueço este agradecimento a este arquiteto e urbanista mineiro, validando com minha sincera consideração. Sidrolândia agradece.
Adm. Mário Arruda