17 de abr de 2012

As razões do vandalismo

Refiro-me aos tão comentados atos de vandalismo em Sete Lagoas, como nos casos das lixeiras recém-instaladas em torno da Lagoa Paulino e da academia ao ar livre no Parque Náutico da Boa Vista, então, sequer inaugurada. Antes, um preâmbulo: acho todo vandalismo injustificável: não há fim que justifique esse meio de manifestação. Mas acho importante tentar entender suas razões, não para admiti-lo, mas para revertê-lo. Por quê esse assunto volta a me ocorrer, exatamente, agora? É que, por mera coincidência, em viagem a Sidrolândia-MS, que comentei AQUI,  pude ver uma academia como a nossa, rigorosamente intacta. E mais, retornando a BH, no final de semana, vi outra, na Barragem de Santa Lúcia [e é bom lembrar: um local entre um dos maiores conglomerados da cidade, a Favela Santa Lúcia, e alguns dos bairros mais nobres da capital, o Santa Lúcia e o São Bento, portanto, um local com a freqüência mais diversificada possível], também em uso e perfeita. Vem a dúvida: os setelagoanos são mais propensos a vandalismos do que o resto do mundo? Não creio: quando estive em Curitiba, há um mês, na tal decantada Curitiba, também há casos de vandalismos, por exemplo, nas bem sucedidas estações-tubo. Intuo, então, que o problema é outro: que o setelagoano sente-se desprestigiado pelo poder público, sente-se ultrajado em seus direitos a uma cidade sem poluição sonora, a uma cidade com espaços públicos bem cuidados; e quando recebe ganhos pontuais, vê como 'migalhas' e reage grosseiramente. Digo isso, especialmente, depois de ler o post publicado pelo Ramon Lamar em seu blog [AQUI], com as já conhecidas fotos do deprimente e vergonhoso estado de conservação do Parque Náutico da Boa Vista. Pergunto: será que haveria a mesma reação de vandalismo se a boa iniciativa da academia tivesse sido integrada a uma recuperação global daquele maravilhoso espaço de lazer? A compreensão e a reação seriam as mesmas? Duvido!


[Fotos da academia ao ar livre de Sidrolândia]

PS.: A propósito do estado de [não] conservação do Parque Náutico, fico lembrando das inúmeras afirmações do governo municipal de que uma reforma abrangente desse espaço estava em projeto, estava em curso ou estava em licitação. Ao final, nada! Nesse período, entraram e saíram secretários. Especialmente, com relação ao Lairson Couto e ao Bláudio Busu, que conheço mais, sei que não faltaram esforços. E, ainda assim, nada! Justiça seja feita: seguramente, vê-se que o problema não estava ou está nos secretários...

11 comentários:

Ramon Lamar disse...

Sugiro a leitura dos tópicos (1, 2, 3 e 4) sobre a Teoria das Janelas Quebradas. O 1 está em
http://ramonlamar.blogspot.com.br/2010/06/teoria-das-janelas-quebradas.html

Não acredito 100% que o vandalismo seja sinal de descontentamento com a ausência de ações mais abrangentes. Acredito mais numa forma de "arte" do tipo "tá vendo essa m**** aí? fui eu!". Acredito também na falta do "cuidar" dos espaços públicos. Cadê a Guarda Municipal nessas horas? Esses dias saiu a notícia de que metade dos "olhos-vivos" já não está funcionando...
Meio de cultura para o vandalismo!

Ramon Lamar disse...

Ah... e obrigado pela citação!

Blog do Flávio de Castro disse...

Discordo em parte, Ramon. Vandalismo do tipo 'tá vendo essa m3&§@...' sempre existirá. Até aí concordo com você. Mas entre nós, o que está acontecendo, em minha modesta opinião, vai muito além disso. Há um vandalismo mais generalizado. Nesse caso, sim, acho que há descontentamento. E entre cuidar bem do espaço público, eu incluo a sua revitalização, a sua boa manutenção [inclusive reposição do que foi vandalizado, de forma sistemática] e a sua guarda patrimonial. Não fazemos nenhuma das três coisas...

Vou ler os tópicos sugeridos...

Abs, Flávio

Anônimo disse...

Podemos, é o que acontece quando uma gestão age em pontos isolados e descoordenados. Pelo o que podemos ver é que não há um planejamento, uma organização, um envolvimento entre os órgãos municipais para a realização de atos na cidade.
Em parte, também acredito que o vandalismo é uma forma (irracional) de demonstrar o descontentamento, por parte de alguns indíviduos, da população, que se veêm seguros ao ponto de sair por aí destruindo o patrimônio público.
É uma boa pergunta: cadê a guarda municipal??? Uma resposta pode ser que sua equipe esteja no centro concentrada para autuar as infrações de trânsito, enquanto o patrimônio público é depredado.


Rodrigo Assis

Luciana Thomsen disse...

Flávio, favor encaminhar aos seus contatos as informações sobre a palestra abaixo. Fonte: http://www.setelagoas.mg.gov.br/

Palestra sobre Dia Internacional da
Conscientização sobre o Ruído
Secretaria Municipal de Meio Ambiente participa de campanha mundial

Divulgação
Palestra faz parte do programa "Sete Lagoas com Postura Ambiental"
A Prefeitura de Sete Lagoas/Secretaria do Meio Ambiente, através do programa "Sete Lagoas com Postura Ambiental", em parceria com a Secretaria de Saúde, promove nesta quarta-feira, 18, palestra sobre o Dia Internacional da Conscientização sobre o Ruído (International Noise Awareness Day - Inad), celebrado no próximo dia 25 de abril. A palestra acontece na Escola do Legislativo, na Câmara Municipal de Sete Lagoas, das 14h às 15h30, e a participação é aberta à população.

De acordo com a fonoaudióloga, coordenadora estadual do Inad e fiscal da Secretaria de Meio Ambiente, Luciana Thomsen, na palestra serão apresentadas as atividades a serem desenvolvidas em Sete Lagoas nos meses de abril e maio visando a conscientização sobre o ruído excessivo, o que pode levar a alterações na saúde e no meio ambiente. "Sete Lagoas tem sofrido muito com o ruído. Existem muitas reclamações de poluição sonora registradas na Secretaria de Meio Ambiente como, por exemplo, som automotivo, templos religiosos e bares. Além de uma perturbação do sossego, dependendo da situação, o ruído pode ocasionar problemas auditivos", alerta.

Para o dia 25 de abril, haverá programação lembrando sobre a data no Centro de Apoio ao Turista - CAT, das 09h às 17h, e no Shopping Sete Lagoas, de 10h às 22h. Na ocasião, as fonoaudiólogas da Secretaria de Saúde Andrea Dutra (Saúde Auditiva) e Aline Martins (Centro de Referência em Saúde do Trabalhador - Cerest) darão orientações aos interessados.

Mais informações no site www.inadbrasil.org e na Secretaria de Meio Ambiente, pelo telefone 3771-9441.

Obrigada.
Um abraço.

Ramon Lamar disse...

Flávio,
quem está fazendo esses atos de vandalismo nem sabe o que é descontentamento com coisa alguma. O cérebro já foi reduzido a uma caixinha de pó.
É a mesma coisa que falar que as pichações que aparecem na cidade são sinais de descontentamento.
É pura manifestação de testosterona misturada com drogas (lícitas ou não) e a certeza da impunidade.
Seja realista, não seja utópico.

Blog do Flávio de Castro disse...

Sim, Ramon, mas o fazem, por mais irresponsavelmente que seja, porque não há uma 'moral' urbana de preservação da coisa pública, não há guarda patrimonial, não há risco de punição, não há nada. Sobretudo, não há uma população orgulhosa do seu espaço público que brigue por ele, que difunda um sentimento de apropriação, contra esses vandalismos. Vandalismo há em toda parte. Aqui, a diferença, é que ele sai de graça...

Anônimo disse...

Mas isso não quer dizer descontentamento. aliás ficam bastante contentes rindo da nossa cara... e não me refiro só aos vândalos. Ramon Lamar sem computador por falta de energia!!!

Ramon Lamar disse...

Energia voltou...

Anônimo disse...

Flavio,
penso que o tratamento dado ao espaço público e principalmente o envolvimento da comunidade nas soluçoes a serem adotadas traz o sentimento de pertencimento já tanto discutido por aqui. Só se cuida do que nos parece ser nossa propriedade.
O exemplo de Sidrolandia é de alguma forma sintomatico. Será que os cerébros de lá são de outra espécie e de menos pó, como o citado pelo Ramon?(não é pó de santa não, né?)
A adoção de regras claras e suas consequencias conduz à liberdade e não o contrário. É claro que a impunidade conduz ao caos. Nada é de ninguém e aí ninguém cuida de nada.
A organização da sociedade também pode fazer frente a uma inatividade do poder público, não acha?
abraços,
ZJ

Blog do Flávio de Castro disse...

ZJ,

Eu concordo integralmente e acho muito preciso o que você diz. O Ramon, ao contrário, enxerga um vandalismo em estado bruto. Eu acho que o sentimento de pertencimento pode interferir nisso, mesmo nesse vandalismo sem causa.

Abração.