30 de abr de 2012

Encontro dos Movimentos Sociais

No final da manhã, eu saí de casa de carro em direção ao Palácio das Artes e, pelo rádio, soube do 4º Encontro dos Movimentos Sociais Mineiros. O trânsito estava parado na Afonso Pena, próximo à Prefeitura. Tomei um caminho alternativo, fui, voltei e segui para correr na Praça da Liberdade, onde não ia, fazia um bom tempo. Lá pelas tantas, começou uma concentração de PM. Ninguém gosta tanto de passeata quanto PM. Até a Tropa de Choque apareceu. A Tropa de Choque, então, essa não perde uma. Ou seja, passeata à vista... Dito e feito: uns quinze minutos depois, a passeata dos movimentos sociais subiu a João Pinheiro, deu volta na Praça e parou em frente ao Palácio da Liberdade, onde, no passado, ficava o governador do Estado. Estava bonita, cheio de gente... Entre uma volta e outra correndo, de repente, eu me dei conta de um corre-corre danado e de um início de conflito entre manifestantes e PM. Do caminhão de som, a direção lembrou o caráter pacífico da passeata, reclamou da desnecessária ação da PM e conclamou a turma a recuar. Parei de correr e fui ver o que se passava. A turma recuou. A PM recuou. E aí o cara do microfone lembrou que estavam todos com fome e que deveriam se dirigir até a praça, aonde seria distribuído o almoço. Já passava das duas da tarde. Os manifestantes foram para o centro da alameda, estenderam a bandeira do movimento no chão e entraram na fila. Tudo na mais santa paz. Segui em frente. E não é que, quando passei pelo camburão da PM, a Tropa de Choque já estava toda lá dentro batendo, satisfeita, um marmitex?! De um lado e outro, bateu a demolidora fome da paz. 







PS, 22:30: A reportagem sobre a manifestação no UAI chegou a ser hilária. Até parece que houve um confronto bárbaro. Ao vivo e a cores, nada que tenha durado mais do que 5 minutos e pronto. A fome acelerou o entendimento. Melhor ainda foram os comentários de um bando de gente que não estava lá. Uns criticando a PM, outros os manifestantes. Um, mais exaltado, surtou e sem quê nem pra quê, detonou: "até quando a imprensa vai ter medo de comentar que nunca teremos primeira dama". Só rindo...

29 de abr de 2012

UX

A Ilustríssima, da Folha, publicou, hoje, um artigo fantástico de Jon Lackman sobre o grupo Urban eXperiment. Eu desconhecia inteiramente a existência desse grupo. É uma turma meio pirata que especializou-se, nos últimos 30 anos, a invadir e restaurar patrimônios públicos parisienses abandonados, a partir da rede subterrânea de túneis. Uma história que beira ao inacreditável. Durante um ano, por exemplo, o UX restaurou o relógio enguiçado do Panthéon e o deixou em condições de funcionamento. Ganharam um processo por conta disso. O mais louco é que é um grupo nada midiático. Fazem o que fazem por interesse próprio e sem nenhum propósito de divulgação, o que torna tudo mais misterioso e clandestino. O artigo de Lackman - Noturno parisiense, as invasões construtivas do UX - foi publicado, originalmente, na Wired e pode ser lido, na versão integral, no site da Folha [AQUI], com tradução de Paulo Migliacci e ilustração [belíssima!] de André Farkas. Vale a pena...


"Os membros do UX não são guerrilheiros, subversivos, combatentes pela liberdade nem rebeldes, muito menos terroristas. Não consertaram o relógio para causar embaraços ao Estado nem sonham em derrubar o governo. Tudo o que fazem é para seu próprio consumo; se podem ser acusados de algo, é de narcisismo".

O futebol é uma caixinha de surpresas

Cruzeiro, Barcelona e Real Madrid estão fora da final...

27 de abr de 2012

Deu no SETE DIAS

A nota está na coluna Sem Reserva. É um assunto, há anos, comentado nos corredores. E, há anos, sob os pretextos mais auto-indulgentes possíveis: fazer caixa para atendimento de pedidos da população, fazer caixa para campanha ou envolvimento 'solidário' dos funcionários em um pretenso projeto 'coletivo'. Balelas... Na verdade, a ser verdade, isso é crime e ponto! Isso é corrupção! Corrupção não é um conceito subjetivo, do tipo 'eu' acho que isso pode, isso não pode. Na área pública, faz-se o que a lei autoriza; o resto é ilegal, é improbidade. Dá perda de mandato e torna o cidadão inelegível. Além do mais, no caso, é um tremendo desrespeito ao funcionário, aos seus direitos, aos seus projetos e compromissos pessoais. Eu pagava pra ver esse e outros assessores abrirem o bico...

AMEAÇA
Ex-assessor de um vereador da atual legislatura ameaça tornar público os absurdos que acontecem no gabinete do dito cujo. Entre os desmandos, recolhimento para o próprio bolso do 13º salário, do abono natalício e até parte dos vencimentos dos servidores.

'Cidade Aberta'

Favorito

Todo mundo com um pé no feriado e o outro na casca de banana? Então: não vou incomodá-los com assuntos sérios. Antes de entrar no bom debate sobre cotas raciais que se desenrola na postagem abaixo, vou dar uma indicação de leitura: o artigo da semana da coluna Cidade Aberta [cliquem AQUI], no SETE DIAS. É uma brincadeira com o uso da palavra 'favorito' aplicada, no caso, aos 'bares' de Sete Lagoas. Ou é o contrário: uma brincadeira sobre bares, aproveitando o sentido singular e plural da palavra 'favorito'. Espero que gostem. No mais, bom feriado a todos!

26 de abr de 2012

Cotas raciais são constitucionais

Certa vez, fui convidado para falar no UNIFEMM sobre políticas públicas de inclusão social. Eu morava em Brasília e esse era o meu tema de ofício. Um dos pontos que abordei foi, exatamente, o das cotas raciais. Para ninguém ter dúvida, eu sempre fui absolutamente favorável. Eu reuni, então, todas as críticas e procurei contrapô-las. Usei um mar de estatísticas. As estatísticas, nesse assunto, são lapidares. Não há nada que se mostre eficaz, com o passar do tempo, para redução do abismo entre bancos e negros e pardos, ou afrodescendentes. Nada! Você pode me contrapor: a educação nivela! Eu retruco: mentira! A comparação entre brancos e negros, por nível de escolaridade, mostra um aumento da disparidade. Incrível! Na palestra, para ser mais claro, eu procurei fazer leituras inversas das estatísticas. Por exemplo: se você é mulher, nordestina e negra, então você é pobre. Cruel, não?! Tão cruel quanto verdadeiro. Outro exemplo: você é homem, pobre e tem entre 18 e 25 anos? Suas chances de entrar para as estatísticas de óbito por agressão são altas. Ainda mais, é negro? Suas chances, então, de não entrar são remotas. Números são números. Por nenhuma outra razão, eu fiquei super feliz com a decisão unânime do STF de sacramentar as cotas raciais. A verdade é que ainda não concluímos o processo de abolição da escravatura no Brasil. As cotas, num olhar mais amplo, vão nessa direção...

Código Florestal: como votaram os nossos deputados


A internet, hoje, está cheia de sites indicando como os deputados votaram o Código Florestal que pretende anistiar desmatadores de áreas de APP. O voto 'sim' foi o voto favorável à versão do Senado, defendida pelo governo, e, nessa altura do campeonato, tida como mais ambientalista; o voto 'não' acompanhou as modificações introduzidas pelo relator Paulo Piau, beneficiando os ruralistas. Vejam, por exemplo, no site Congresso em Foco, clicando AQUI. Vale a pena conferir como votaram os dois deputados setelagoanos, como tido como setelagoanos, o Márcio Reinaldo Moreira, do PP, e o Eduardo Azeredo, do PSDB.

Márcio Reinaldo votou 'não', emprestando seu apoio à causa ruralista, favorável à anistia a desmatadores. Eduardo Azeredo não tem seu nome incluído em nenhuma lista; ou seja, como bom tucano, não votou 'sim' nem 'não', o que - sabendo-se que a tese ambientalista era minoritária - significa creditar apoio indireto à causa contrária.

Pois é...

Código Florestal

Essa história do Código Florestal ruralista, aprovado hoje na Câmara, merece um comentário sem a ira do calor da luta. Aguardem... A propósito, o deputado Paulo Piau [PMDB-MG], relator do Código aprovado, disse que é difícil mesmo entender os méritos de seu projeto. Com as minhas limitações, eu estou achando dificílimo!

Deu Bayern

Não vi nada do jogo e não posso falar nada. Alguém aí assistiu? Em pleno Santiago Bernabéu, como o Barcelona no Camp Nou, o Real Madrid foi eliminado pelo time alemão. Quem esperava ver a final Real versus Barcelona, verá Bayern versus Chelsea. A finalíssima da Liga dos Campeões será no próximo dia 19...

25 de abr de 2012

Maroca não vai à reeleição: mais jogo de cena?

Minha última coluna no SETE DIAS falava do 'deserto político' que Sete Lagoas virou. A cada dia, acredito mais nisso. Refiro-me à política, com P maiúsculo: a que diz respeito ao confronto de posições ideológicas, de proposições para a cidade. Não à politicagem de bastidores. A primeira não se vê porque parece não existir nesse 'deserto'; a segunda não se vê porque transita apenas nos subterrâneos. Francamente, a apenas cinco meses das eleições, é isso que Sete Lagoas merece? Esse quadro político marcado pela mediocridade e por uma impressão generalizada de que o pouco que se vê não passa de jogo de cena?

A movimentação anterior havia sido a do deputado Márcio Reinaldo, dizendo-se, de própria voz, pré-candidato pelo seu partido, o conservador e pragmático PP. Há quem jure que se trata apenas de um jogo de cena. Essa é, por exemplo, a desconfiança do blog No Prelo [AQUI]. Ao confirmar sua hipotética candidatura, o deputado estaria travando o jogo e colocando-o, exclusivamente, na sua mão. Já ouvi de tudo, inclusive que, dentro da lógica nacional, a tendência do deputado seria apoiar o cortejado PSB do governador Eduardo Campos, aqui representado por Emílio. Só para lembrar: o PSB é a noiva disputada tanto pelo projeto nacional petista quanto tucano, o que terá impacto nas eleições municipais [BH que o diga...].


Ontem, foi a vez do prefeito Maroca movimentar-se, jogando a toalha da reeleição. Mais um jogo de cena?

Dizer que Maroca não deseja ou desejava a reeleição não é verdade. Ele tentou sua última cartada na virada desse ano: reposicionou sua Comunicação, tornando-a mais agressiva, a ponto de pagar caro no horário mais nobre da TV. Quem faz isso quer o quê? Tudo, menos ir pra casa... Mas nada deu certo. Quando apareceu no Fantástico, a cidade estava sob chuvas, cheia de buracos, e o servidor sem receber. Na pior hora, foi um tiro no pé. Além de tudo, o cara é um azarado. A meu ver, tem-se aí um outro problema: Comunicação nenhuma funciona sem o amparo das ações de governo. E não estou fazendo uma apreciação administrativa das ações do governo Maroca, mas uma apreciação política. Nessa hora, governo precisa ter discurso, ter retórica. Em outras palavras: a Comunicação precisa ter um discurso sensível à população para potencializar. Qual? Eu tenho uma opinião, que já manifestei aqui, que acho procedente: desde o início do seu governo, cada vez que Maroca temeu o desgaste político e recuou, em geral destituindo um secretário, ele sepultou, junto, um tema, um discurso possível. Foi perdendo pegas. Com isso, por mais que sua equipe possa fazer um bom trabalho, numa área ou outra, não alavanca nada, nada constrói mais esse discurso, nada altera o imaginário político popular. Maroca tornou-se vítima de seu medo!

É mesmo carta fora do baralho? Não sei... O fato de ter escolhido o momento de um anúncio importante, o fim das negociações com o BNDES, é sintomático e curioso. Pode ser apenas uma tentativa de encontrar uma saída honrosa para um final melancólico. Ou não. Pode ser - por quê não?! - um jogo de cena. Desfaz uma expectativa e faz um "desabafo relacionado às agruras do cargo e da vida de homem público", enquanto afirma que sua administração foi "uma das mais avançadas da história de Sete Lagoas". Ora, se é verdade, por que não defendê-la na próxima eleição? Como disse, o prefeito sabe bem que "muita água ainda vai passar debaixo da ponte até a concretização dos nomes via as convenções partidárias de junho de 2012".

Talvez seja esse o ponto: tudo o que os nossos políticos querem, nesse 'deserto', é que ainda passe muita água debaixo da ponte e que junho de 2012 demore uma eternidade...

24 de abr de 2012

Tarde de enlouquecer

2 [18:00]
Fui abduzido pelas plantas e planilhas. Quando olhava a TV muda, só via que a água mole do ataque catalão não furava a pedra dura da defesa inglesa. O placar continuava imóvel. Inacreditável. Ou nem tanto: o fata é que, com 10 em campo, a forte resistência do Chelsea conseguia se impor sobre a dança espanhola. Aumentei o som quando vi que haviam anulado um gol do Barça, faltando uns 10 ou 15' para o fim. Só aí soube que o Messi havia perdido um pênalti aos 3'. O pênalti do jogo, putz! Depois do gol anulado, uma bola na trave. E aí o silêncio em Camp Nou: o Chelsea encaixou um contra-ataque, empatou, classificou-se e tirou o Barcelona da final da Liga dos Campeões. Eu apostava numa goleada catalã. E apostei mais ainda pelo primeiro tempo: mais de 70% de posse de bola do Barcelona, o adversário com um a menos, jogo em casa, casa cheia... Errei!

1 [17:00]
Um olho no trabalho, em várias plantas e uma planilha abertas; outro olho, na TV: Barcelona e Chelsea. Para não enlouquecer, com a TV sem volume, claro! Durante 45 minutos, quando me lembrava do jogo e virava para ver, via um jogo de ataque [Barcelona] contra defesa [Chelsea]. Sempre! Achei que o time inglês tinha cometido suicídio, jogando 99% recuado, com apenas Didier Drogba avançado. Nenhum contra-ataque. Algum pode ter me passado desapercebido; mas vi apenas uma chegada do atacante marfinense, pela esquerda, pouco agressiva. Imaginar ser suportável essa pressão por 90 minutos, pra mim, era loucura. Lá pelos 35', o inevitável: Barcelona 1 a 0. Um minuto depois, a casa do Chelsea parecia ter caído: expulsão de Terry, por falta grosseira, fora do lance. Mais uns 5 minutos: Barcelona 2 a 0. Eu não tinha dúvida de que os ingleses haviam errado na estratégia: a posse de bola exclusiva nos pés dos espanhóis, o jogo compactado dentro da área inglesa e a triangulação interminável do Barça era insuportável. E até Ramires na defesa? Incrível! Mas incrível mesmo é a surpresa do futebol. Num único contra-ataque, já no tempo adicional, e Ramires, o volante que estava de beque, se deslocou, recebeu e, num toque só, por cobertura, emplacou: 2 a 1. Com gol fora de casa, o Chelsea leva vantagem e vai pra final. Mas tem o segundo tempo daqui a 15'. De volta à planilha...

A nova e a velha classe média

Uma discussão interessante. Artur Xexéo, no Blog do Xexéo, escreveu um artigo, a meu ver muito ruim e pra lá de desavisado, em que mostrou o ressentimento da velha classe média [interpretado por ele próprio] pela invasão dos novos padrões de consumo da nova classe média brasileira: Sobre a classe média [AQUI, em 15/04/2012]. Nas redes sociais, o artigo foi taxado de tudo: 'preconceituoso', 'racista' e por aí afora. Mas a melhor análise, sem adjetivos precipitados, veio de um certo Bolívar Torres, no Jornal da Imprensa Online, de Goiânia, com um artigo intitulado Nova classe média versus velha classe média [AQUI, em 23/04/2012]. Torres, muito oportunamente, apoiou-se no conceito de 'capital simbólico' de Pierre Bourdieu e deu uma resposta definitiva. Recomendo a leitura dos dois artigos, na ordem em que foram escritos, disponíveis nos links acima.

"Que todas as classes médias, velhas ou novas, tenham consciência: bom gosto é apenas o mau gosto com alguns anos de envelhecimento" 
[B.Torres, no artigo citado]

By Lu...

[Ouro Preto, 21/04/2012]

23 de abr de 2012

Salve Cervantes, salve Shakespeare, salve o livro!

Dia 23 de abril: Dia Internacional do Livro [UNESCO]


Miguel de Cervantes

William Shakespeare

Salve Jorge!

Dia 23 de abril: Dia de São Jorge guerreiro

22 de abr de 2012

Zeeeeeeero!!!

Estávamos, ainda, comemorando o campeonato na Superliga Masculina de Volei...


... quando enfrentamos o Ameriquinha. E o time verde-negro se aproveitou... Chegou a nos tirar da final do Mineiro [3 a 0]; mas vacilou e nos chamou de volta [3 a 2]...

Oi! Você viu esse cidadão por aí?

PROCURA-SE THOR! 

Em casa, em Sete Lagoas, temos dois cães da raça Boxer. Madona é uma senhora, tranquila, silenciosa e brava. Thor, seu filho, é um eterno adolescente, agitado e ninguém sabe se é bravo ou não. Um malandrão. Nosso problema: THOR FUGIU! Ele sempre dá uma volta no passeio, quando se abre o portão da garagem. Hoje, deve ter ficado para fora quando o portão fechou. Quem encontrar esse cidadão garboso por aí, pelamordeus, avise! É que temos o maior apego a ele...


GP do Bahrein - III

Errei feio: apostei nas McLaren e elas foram um fiasco. Button terminou na garagem e Hamilton - depois de três péssimas paradas nos boxes - em 8º. A corrida foi de Vettel e de Raikkonen. Ou da RBR e da Lotus. Isso mesmo: da Lotus-Renault. Aliás, a ascendência da Lotus diz muito desse início de temporada. Há muito tempo não vejo tamanho nivelamento entre as equipes. Com a Ferrari estacionada em um patamar inacreditavelmente baixo [isso para o que se espera da Ferrari, porque mesmo se arrastando, já levou uma prova...], acima dela andam fazendo bonito, revezando a cada corrida, a McLaren, a RBR, a Mercedes; agora, a Lotus; e até a Force India. Prova disso é que, depois de 4 GP's, tem-se 4 pilotos vencedores diferentes, de 4 equipes também diferentes: Button, Alonso, Rosberg e Vettel; McLaren, Ferrari, Mercedes e Red Bull. Muito bom! Na minha opinião, esse nivelamento - diferente de anos anteriores - que acaba dando gás a 10 a 12 pilotos, responde muito mais pelo aumento no volume de ultrapassagens do que os mecanismos artificiais introduzidos com essa finalidade, como o polêmico dispositivo de asas móveis.


A Ferrari merece um comentário especial. Impressionante como perdeu o senso de equipe, se é que já teve algum, em algum momento. Hoje, quando pela primeira vez Massa mandava bem, podia ter-lhe assegurado uma posição a mais se tivesse permitido que ele ultrapassasse Alonso, mais lento à sua frente, no segundo trecho da prova. Massa estava com pneus moles e Alonso com médios. Na troca seguinte, isso se inverteria e Alonso, muito provavelmente, retomaria sua posição. Mas Massa teria tido a oportunidade de roubar a posição de Hamilton...

21 de abr de 2012

Padrão [in]culto

Quando vi o abaixo assinado circulando no Facebook, juro que achei que era brincadeira. Incrível: é verdade! Está em vias de votação na ALMG o Projeto de Lei nº 1.983/2011, do deputado Bruno Siqueira [PMDB], que pretende proibir, nas escolas das redes pública e privada, a adoção de "livros que contrariem a norma culta da língua portuguesa". Na prática, o projeto levará à proibição nas escolas de grandes escritores mineiros e brasileiros como João Guimarães Rosa, que fez de tudo na vida, menos escrever na "norma culta"

É impressionante como os deputados conseguem ser tão férteis em gerar ideias tão inférteis. Esse projeto recua numa discussão velha e mais do que superada que reconhece, para além da língua escrita na norma culta, a língua viva, a língua popular que se regionaliza, customiza-se com o tempo e com o passar das gerações, levada para a literatura por nomes como Guimarães Rosa, Clarice Lispector, Manoel de Barros e tantos outros.

Dizer da ignorância do deputado, nesse caso, é pouco...

[Deputado Bruno Siqueira - PMDB, o autor da geringonça]

A propósito, vai aí o poema de Oswald de Andrade, Pronominais, lembrado em matérias publicadas na imprensa [AQUI, por exemplo] sobre a estupidez do projeto:
Dê-me um cigarro
Diz a gramática
Do professor e do aluno
E do mulato sabido
Mas o bom negro e o bom branco
Da Nação Brasileira
Dizem todos os dias
Deixa disso camarada
Me dá um cigarro

GP do Bahrein - II

Uma classificação cheia de surpresas...

A primeira, as Mercedes não foram bem. A expectativa era de que teriam bom desempenho na formação do grid, melhor do que devem ter na corrida, quando tendem a sofrer com desgaste de pneus. Schumacher não passou do Q1; Rosberg só fez o quinto tempo. A segunda, o reaparecimento de Vettel e da RBR. Vettel na pole, Webber em terceiro. Mais uma: uma STR e uma Sauber, em 6º  e 8º lugares, ambas com motores Ferrari, na frente dos dois carros legítimos da Ferrari.

Sem surpresas: o desempenho sofrível das Ferrari, sobretudo de Massa [14º] e os bons resultados das McLaren, com Hamilton em 2º e Button em 4º, em meio às RBR.

Pelo jeito, Bahrein será das McLaren. A conferir, amanhã, às 9:00 [Ufa! Até que enfim, uma corrida em horário decente].

GP do Bahrein

Ainda sob os ventos da Primavera Árabe, sob a promessa de ativistas pró-democracia de ‘dias de fúria’, sob a tentativa da família real Al Khalifa de aparentar normalidade e sob a ‘garantia’ de Ecclestone de uma situação “tranquila e pacífica”, o GP do Bahrein começa oficialmente daqui a pouco, às oito, com o treino oficial...

20 de abr de 2012

Sete Lagoas na contra-mão

Nenhum dos dois deputados federais setelagoanos assinaram o requerimento da CPMI do Cachoeira. Nem o Eduardo Azeredo nem o Márcio Reinaldo. Curioso, não?! Confiram AQUI.

'Cidade Aberta'

Deserto político

Eu ando impressionado com o processo político eleitoral de Sete Lagoas. Um processo que só existe nos bastidores, em que todo partido conversa com todos os demais, em que toda coligação é possível, em que não há diferença entre esquerda e direita é sintomático de falta generalizada de propostas para a cidade. Tudo parece se resumir a uma mera disputa de poder. A bola da vez é a pré-candidatura do deputado Márcio Reinaldo. Bastou ser anunciada para se tornar um tsunami. Esse é o tema da coluna Cidade Aberta, no SETE DIAS, deste fim de semana. Leiam AQUI...

19 de abr de 2012

Dia do Livro Infantil

Imperdoável! Ontem, dia 18, foi comemorado o Dia Nacional do Livro Infantil e eu não podia ter me esquecido de soltar alguns foguetes, aqui no blog. A data relembra o nascimento, em 1882, do nosso grande Monteiro Lobato. Eu tenho a satisfação de ter toda sua obra reunida em edição comemorativa ao seu centenário. Uma edição maravilhosa. Fica aqui o nosso viva! ao pai da Emília, do Visconde, da tia Nastácia, da D. Benta, de Narizinho e de Pedrinho e de todos os meus amigos de infância do sítio do Pica Pau Amarelo.


[E para não nos esquecermos, segunda-feira, dia 23 de abril, é o Dia Internacional do Livro e do Direito do Autor. A data foi instituída pela UNESCO em homenagem a Cervantes e Shakespeare, que faleceram neste dia, ambos em 1616, por calendários diferentes, gregoriano e juliano. É uma data bonita. Na Catalunha, é dia de St. Jordi, quando a tradição manda  que se presenteie, uns aos outros, com livros e flores. No Brasil, é dia de São Jorge, o santo guerreiro...]

A CPMI do submundo

Começou com o Demóstenes no alvo, depois, também o Perillo, adiante, ainda o Agnelo. Pareceu que seria a CPMI do mensalão do Centro-Oeste. Mas como o Carlinhos Cachoeira é um verdadeiro call center a coisa foi ampliando até chegar na Delta. Pegar empreiteira é encontrar um baú. O risco de se encontrar uma bomba dentro é enorme. Mas se for uma bomba de estilhaço, daquelas que atinge gregos e troianos, o efeito é nenhum. Aquela história: numa roda, se todo mundo está armado, focando seu adversário, por outro lado, todo mundo está também exposto a tomar bala. Ou seja,  essa CPMI vai ser tão ou mais explosiva do que a do mensalão ou vai se tornar uma guerra-fria, se imobilizar e contemporizar. Já ouvi de tudo. Uma história é que o Carlos Augusto Ramos tem um ego e tanto e, para início de conversa, odeia ser chamado de bicheiro; não se vê como tal, como contraventor, ou como bandido. E vai querer lavar sua honra. Se tomar esse caminho será um Deus-nos-acuda. Outro papo tem a ver com as aventadas relações entre os arapongas de Cachoeira e a revista Veja. Nesse caso, dizem que o Roberto Jefferson só abriu o bico e delatou o tal esquema do mensalão porque achou que quem pegou a turma do PTB, nos Correios, tinha sido o José Dirceu e decidiu ir à forra. Vê-se, agora, que foi coisa do Cachoeira, amigo do Demóstenes e de meio mundo. Se essa arapongagem for posta na vitrine pode ser que venhamos a conhecer como, no submundo da política e dos interesses corporativos, todos os caminhos levam a 'Roma'. Aí, vão aparecer romanos até de olhos puxados, de todas as etnias partidárias. Não duvido de nada! A propósito, a coisa mais engraçada e reveladora do mundo anda sendo a capa semanal da Veja. No auge das escutas flagrando Demóstenes, ela veio com uma capa sobre sexo dos anjos. Nessa semana, ela ignorou o telefone giratório de Cachoeira e insistiu em estampar, de novo, o assunto do mensalão. Diversionismo exagerado é uma forma de auto-delação... Pois é. O que interessa mesmo é que, com assinatura de 337 deputados e 72 senadores, a CPMI do Cachoeira foi aberta hoje. Senhores e senhoras: o jogo começou! O difícil, por ora, é saber se será um jogo de pôquer, cheio de blefes e muito barulho, ou um jogo de xadrez, totalmente cerebral e silencioso.

Pelada


O primeiro tempo do jogo Cruzeiro versus Chapecoense foi uma das maiores peladas que já vi na vida. Digna das velhas e famosas 'jacas' do recreio do Colégio D. Silvério. Uma coisa nunca foi tão evidente: se não fosse a presença minha, de Pio e de Rodrigo, na Arena do Jacaré, nessa noite fria de quarta-feira, a coisa não terminava bem. No segundo tempo, bastou o Rodrigo pedir um mexidão para o W.Paulista meter aquela bola no travessão; e foi o cidadão bater aquela pratada para o time ganhar energia e fazer o placar. Incrível, Não?!

18 de abr de 2012

Dia Internacional da Conscientização sobre o Ruído

Palestra faz parte do programa "Sete Lagoas com Postura Ambiental"

A Prefeitura de Sete Lagoas/Secretaria do Meio Ambiente, através do programa "Sete Lagoas com Postura Ambiental", em parceria com a Secretaria de Saúde, promove nesta quarta-feira, 18, palestra sobre o Dia Internacional da Conscientização sobre o Ruído (International Noise Awareness Day - Inad), celebrado no próximo dia 25 de abril. A palestra acontece na Escola do Legislativo, na Câmara Municipal de Sete Lagoas, das 14h às 15h30, e a participação é aberta à população.
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De acordo com a fonoaudióloga, coordenadora estadual do Inad e fiscal da Secretaria de Meio Ambiente, Luciana Thomsen, na palestra serão apresentadas as atividades a serem desenvolvidas em Sete Lagoas nos meses de abril e maio visando a conscientização sobre o ruído excessivo, o que pode levar a alterações na saúde e no meio ambiente. "Sete Lagoas tem sofrido muito com o ruído. Existem muitas reclamações de poluição sonora registradas na Secretaria de Meio Ambiente como, por exemplo, som automotivo, templos religiosos e bares. Além de uma perturbação do sossego, dependendo da situação, o ruído pode ocasionar problemas auditivos", alerta.
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Para o dia 25 de abril, haverá programação lembrando sobre a data no Centro de Apoio ao Turista - CAT, das 09h às 17h, e no Shopping Sete Lagoas, de 10h às 22h. Na ocasião, as fonoaudiólogas da Secretaria de Saúde Andrea Dutra (Saúde Auditiva) e Aline Martins (Centro de Referência em Saúde do Trabalhador - Cerest) darão orientações aos interessados.
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Mais informações no site www.inadbrasil.org e na Secretaria de Meio Ambiente, pelo telefone 3771-9441.
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Em tempo: o secretário do Meio Ambiente Cláudio Busu e a fonoaudióloga Luciana Thomsen são pessoas extraordinárias e merecem todo o nosso apoio nessa iniciativa. A campanha é importante. Espero que tenham êxito tanto na sensibilização dos contumazes produtores de barulho quanto dos membros do Legislativo e do Executivo que os protegem e não oferecem à SEMMA condições para melhor enfrentamento do problema.

17 de abr de 2012

As razões do vandalismo

Refiro-me aos tão comentados atos de vandalismo em Sete Lagoas, como nos casos das lixeiras recém-instaladas em torno da Lagoa Paulino e da academia ao ar livre no Parque Náutico da Boa Vista, então, sequer inaugurada. Antes, um preâmbulo: acho todo vandalismo injustificável: não há fim que justifique esse meio de manifestação. Mas acho importante tentar entender suas razões, não para admiti-lo, mas para revertê-lo. Por quê esse assunto volta a me ocorrer, exatamente, agora? É que, por mera coincidência, em viagem a Sidrolândia-MS, que comentei AQUI,  pude ver uma academia como a nossa, rigorosamente intacta. E mais, retornando a BH, no final de semana, vi outra, na Barragem de Santa Lúcia [e é bom lembrar: um local entre um dos maiores conglomerados da cidade, a Favela Santa Lúcia, e alguns dos bairros mais nobres da capital, o Santa Lúcia e o São Bento, portanto, um local com a freqüência mais diversificada possível], também em uso e perfeita. Vem a dúvida: os setelagoanos são mais propensos a vandalismos do que o resto do mundo? Não creio: quando estive em Curitiba, há um mês, na tal decantada Curitiba, também há casos de vandalismos, por exemplo, nas bem sucedidas estações-tubo. Intuo, então, que o problema é outro: que o setelagoano sente-se desprestigiado pelo poder público, sente-se ultrajado em seus direitos a uma cidade sem poluição sonora, a uma cidade com espaços públicos bem cuidados; e quando recebe ganhos pontuais, vê como 'migalhas' e reage grosseiramente. Digo isso, especialmente, depois de ler o post publicado pelo Ramon Lamar em seu blog [AQUI], com as já conhecidas fotos do deprimente e vergonhoso estado de conservação do Parque Náutico da Boa Vista. Pergunto: será que haveria a mesma reação de vandalismo se a boa iniciativa da academia tivesse sido integrada a uma recuperação global daquele maravilhoso espaço de lazer? A compreensão e a reação seriam as mesmas? Duvido!


[Fotos da academia ao ar livre de Sidrolândia]

PS.: A propósito do estado de [não] conservação do Parque Náutico, fico lembrando das inúmeras afirmações do governo municipal de que uma reforma abrangente desse espaço estava em projeto, estava em curso ou estava em licitação. Ao final, nada! Nesse período, entraram e saíram secretários. Especialmente, com relação ao Lairson Couto e ao Bláudio Busu, que conheço mais, sei que não faltaram esforços. E, ainda assim, nada! Justiça seja feita: seguramente, vê-se que o problema não estava ou está nos secretários...

16 de abr de 2012

Mantenha os livros ao alcance das crianças...

Essa mensagem é preciosa. Ela está circulando no Facebook e foi-me enviada por Vanessa Karam. Muito legal!

15 de abr de 2012

'Cidade Aberta'

O valor das ideias

"Fala-se, atualmente, em conectar Sete Lagoas ao Vetor Norte de BH, onde se está implantando um pólo de TI, biotecnologia e nanotecnologia. fica a dúvida: arrebataremos esse novo mundo, cheios de ideias, ou, com cabeças vazias, de novo, só teremos mãos baratas para vender?" Leiam a coluna Cidade Aberta, no SETE DIAS que está nas bancas, ou clicando AQUI.

A F1 pós-China


Vi trechos do GP chinês, entremeados por um chichilo atrás de outro. Rosberg mandou bem. Teve um fim de semana de ouro e mereceu a vitória. Foi a primeira de sua carreira, em 111 corridas disputadas. E - curiosidade - a primeira da Mercedes, como equipe, desde 1955, com o lendário Fangio. A McLaren confirmou que, como team, vem sendo o melhor de 2012. Por pouco, muito pouco, Button não roubou a cena e o primeiro lugar de Rosberg. Não é à toa que Hamilton e Button, nessa ordem, lideram o campeonato, após três provas. Por mais que as RBR tenham perdido espaço, ainda se sobressaem sobre as outras equipes. Ocuparam as 4ª e 5ª posições no GP, logo atrás das McLaren. E é bom lembrar que Vettel, em especial, fez uma prova de recuperação e tanto. Na classificação mundial de pilotos, entre os brasileiros, duas comparações levam a duas conclusões opostas: Senna [9º] já somou 14 pontos e está dando um chocolate em seu companheiro Pastor Maldonado [14º], com apenas 4. Enquanto isso, Felipe Massa [18º] não conseguiu pontuar nada, ao passo que seu companheiro de Ferrari, Fernando Alonso, para infelicidade geral, está em terceiro lugar, com inacreditáveis 37 pontos. Um detalhe: dentre todos os pilotos, apenas Massa, com uma Ferrari, se junta aos pilotos das equipes Marussia, Caterham e HTR - que disputam outra categoria que não a F1 - como os que não somaram, ainda, um mísero ponto na temporada. Vexame total!

14 de abr de 2012

F1: o circo chegou à China

Não vi o treino classificatório, mas vi o treino livre. O resultado do grid não assusta. Ele mostra o que anda acontecendo nesse início de temporada de F1: as RBR perderam mesmo qualidade com relação a 2011; as McLaren evoluíram; as Mercedes deram um salto gigantesco [em parte, por causa do polêmico sistema de dutos aerodinâmicos] ; e as Ferrari seguem andando de marcha a ré.

Analisando o grid de largada
a) A primeira fila das Mercedes é uma boa notícia, com Rosberg na frente de Schumi; confirmou-se o que já era esperado;
b) As McLaren só não foram melhores porque Hamilton, o segundo tempo, perdeu 5 posições; Button, em quinto, podia ter ido além; no treino deu mais gás;
c) Surpresa pra valer anda sendo a Sauber: no GP passado, aprontou com Perez; hoje, emplacou o terceiro lugar com Kobayashi; quem diria?
d) Ferrari: o 9º e o 12º lugares dizem tudo;
e) Incrível: Vettel, justo Vettel, e Massa, nem passaram para o Q3!
j) Senna tomou um chocolate de Grosjean, digo, Pastor Maldonado, seu companheiro de Williams.

Agora, o que valeu mesmo, nos portais de notícias de hoje, foi essa foto fantástica, de Rosberg, no G1:

52

Eu acabei de comentar o livro 'Liberdade'. Ao seu final, na página 576, na autobiografia que escreveu por recomendação de seu terapeuta, Patty disse: "A autobiógrafa tem hoje cinquenta e dois anos, e aparenta a sua idade". Eu li isso, coincidentemente, ontem, e ri. Eu posso dizer a metade da frase, com segurança: eu tenho 'hoje cinquenta e dois anos'; mas não sinto coragem para concluí-la. Na verdade, não faço a menor ideia do que seja aparentar ter a idade que tenho. Quando meus pais fizeram 52 anos, na metade dos anos 1980, eu achava essa idade respeitável. Eu transferia para a idade o respeito que tinha por eles. A proximidade de pais e filhos, hoje, é tão maior que não sei se 52 anos guardam a mesma noção de um estágio respeitável da vida. Ou de um estágio sereno, em que todas as grandes dúvidas existenciais estão superadas. Sou muito confuso com relação a isso. Não tenho mais o sentimento dos vinte anos de que estou perdendo alguma coisa, quando não saio de casa, sábado á noite; mas não troquei essa ansiedade por nada que eu possa definir como muito sereno. Confundo-me. Acumulei diversas outras ansiedades. Não me enquadro na frase do Lula que acha que todo mundo é esquerdista na juventude e direitista na maturidade. Eu sigo com um punhado de velhas ideias que acho cada dia mais novas e todas, se é que isso diz alguma coisa, bem esquerdistas. Ou sou um dinossauro ou a maturidade ainda não me alcançou. Isso é um problema. Já me peguei, várias vezes, tratando por senhor ou senhora pessoas mais novas do que eu, julgando-me, inadvertidamente, mais novo. Convivo, respeito, admiro e me identifico com pessoas com idades tão diferentes que não sei qual régua usar para me medir. Já tenho alguns cabelos brancos, sou hipertenso, vira-e-mexe me pego com o colesterol alto, e não é raro o dia que tenho dores aqui ou ali, o que me diz que já não sou nada moço. Mas gosto de assuntos tão variados que não diria que são todos próprios, propriamente, de um senhor de 52 anos. Talvez por isso me sinta tão inclinado a ler, sempre, Nick Hornby: um cinquentão inglês que escreve como adolescente. Ele me dá a sensação de que a vida passa e eu não necessariamente preciso ir junto. Se o papo de que a vida é como um rio, eu acho que sou daqueles que, por força ou fraqueza, numa curva, se deixa embaraçar num galho de árvore debruçado. O que é aparentar ter a idade que se tem? Eu estava 15 quilos mais gordo, entrei numa fase zen, pela enésima vez, e dizem que rejuvenesci uns 10 anos. O que aparentava antes? Que já era um sexagenário? E agora? Que voltei aos 42? Tudo muito sem nexo. E tudo muito engraçado - ou trágico - quando pessoas que não me conhecem bem se referem a mim com adjetivos, às vezes, generosos, mas que não me pertencem. Aí lembro-me de novo de Hornby. Acho que foi em 'Alta Fidelidade' que ele disse que "eu me sinto como se tivesse feito uma careta e o vento tivesse mudado, e agora eu tenho que passar a vida inteira com esse esgar terrível no rosto". É isso: não sei em que medida meu rosto aparenta ser um autêntico rosto com a idade que tenho ou se ele é apenas uma careta qualquer, uma marca de um erro qualquer do passado. Aliás, erros, como acertos, são coisas que não faltam para quem 'tem hoje cinquenta e dois anos'. Saravá!

'Liberdade'

Eu terminei a leitura da página 605 de 'Liberdade' emocionado, ávido por mais história. Virei a folha e não havia a página seguinte. Não, a história havia se encerrado ali. No meio do voo entre Campo Grande e São Paulo, senti-me aflito em rememorar toda a trama, alucinado para encapar as pontas dos vários fios deixados descobertos. Impossível! Os fios soltos formavam o novelo do livro. O amor visto pelo olhar do desamor; a vida, pelos seus desacertos; o provável, pelo impossível; o crível, pelo absurdo. O que há de especial em 'Liberdade', 'o livro do ano e do século' para o The Guardian? Nada. Apenas a história cotidiana dos anti-heróis que formam a família Berglund: Walter e Patty, os pais; Jessica e Joey, os filhos. Uma história cotidiana demais. E de tão cotidiana, identificável. E talvez esteja aí o segredo de Jonathan Franzen: extrair o desejo de liberdade, de redenção, de propósito do quase nada que constrói a história dos Berglund. E a nossa. Vocês deviam se dar ao prazer - ou à angústia - dessa leitura. Liberdade, Editora Companhia das Letras, 605 págs., R$46,50. Franzen é um dos escritores que estará presente na próxima FLIP, em julho, em Paraty.

12 de abr de 2012

Campo Grande

Eu não conhecia Campo Grande e não posso falar que conheço. Cheguei à cidade no meio da tarde e fui, diretamente, para uma visita ao centro local de população de rua e migrantes. Mas, pelo pouco que vi, fiquei impressionado com a sua beleza. Tem uma amplitude maravilhosa. E tem ares de uma metrópole jovem e moderna. O que tem de parques é fantástico. O Parque das Nações Indígenas é imenso e muito bacana. Tem uma mata respeitável. O Horto é mais urbano, mas não menos bonito. E as ruas são muito arborizadas. 

As duas primeiras fotos mostram a Avenida Afonso Pena, a principal da cidade; a seguinte, a via ao lado da mata do Parque das Nações Indígenas; e a quarta e a quinta, os ipês floridos [ou não seriam paineiras?!] da Avenida Ricardo Brandão. A última foto é, especialmente, para o Ramon Lamar. Veja, Ramon, o trabalho dos biólogos da Prefeitura para tentar salvar uma árvore comprometida por cupins. Disseram-me que ela era muito maior, mas teve podada as partes danificadas. Estão, agora, tentando recuperar a base estrutural da árvore. O que lhe parece?!






Arte-orelhão

Na Bahia, os orelhões tem forma de côco e berimbau; em Campo Grande, de animais do Pantanal; e em Sidrolândia, de flores. Todos ficam entre o kitsch e o divertido:


Sidrolândia

Campo: riqueza e pobreza

Agricultura mecanizada e pecuária de corte pressupõem grandes áreas. Você ouve falar, facilmente, em fazendas com 5 ou 7 mil hectares. Soube de uma de 16 mil hectares, com cultura e confinamento de 8 mil cabeças de gado. É óbvio: no Brasil, ao lado do latifúndio, está a pobreza. Nos 50 kms entre Sidrolândia e Campo Grande são inúmeros os acampamentos da CONTAG.




Sidrolândia

Áreas de Pobreza

Na cidade, não se vê mendigos e há um único morador de rua cadastrado. Isso não significa que não haja pobreza. Um indício é que mais de 3.000 famílias recebem Bolsa Família. Mas os bairros pobres urbanos são regulares e com serviços públicos instalados [água, luz, esgoto e coleta de lixo]. O problema mais visível é a falta de pavimentação. O Jardim do Paraíso é um exemplo de bairro não pavimentado. No entanto, está sendo dotado de um espaço esportivo de ótima qualidade.


Sidrolândia

A cidade das bicicletas

A cidade não tem sistema de transporte urbano. O meio de transporte de todos, de estudantes a trabalhadores, é a bicicleta. Um mar de bicicletas. Nas indústrias - Seara [frangos], Tip Top [malhas], Via Blumenau [malhas], por exemplo - os bicicletários são enormes e bem cuidados...



Sidrolândia

Cenas urbanas

Ruas planas, largas e arborizadas

A Catedral

As casas de alto padrão que marcam a área central

Casario 'contemporâneo'

Câmara Municipal

Avenida com espaço para caminhada

Ginásio Esportivo 

Academia ao Ar Livre

Avenida com o único edifício da cidade

Centro de Tradições Gaúchas