Essa charge, compartilhada ene vezes no Facebook, de ontem para hoje, é perfeita. Diz do retorno da política à Idade Média pela sua submissão à religião, da forma mais vergonhosa possível.
Ontem, a presidente Dilma, de quem eu espero - e vou continuar esperando - uma atitude de ruptura com o modelo político nefasto do 'toma-lá-dá-cá', nomeou o evangélico senador Marcelo Crivella como ministro. Da Pesca!, o que torna o ato indisfarçável. Ou seja, nomeou-o apenas para satisfazer a bancada evangélica do Congresso. Nada mais. A não ser que se admita que sua experiência como pescador de almas tenha alguma serventia em sua nova pasta... Pelo jeito, a presidente se vê obrigada a dar uma no cravo, outra na ferradura: depois da bem-vinda nomeação de Eleonora Menicucci, que entrou sem se furtar a manifestar a sua opinião objetiva, com claro senso público; vem uma nomeação completamente sem propósito. Ou com outros propósitos...
A propósito, nesta manhã, o Gilberto Dimenstein publicou um texto sobre isso, na Folha, absolutamente sensato e lúcido, como lhe é usual:
Aborto eleitoral envergonha
Por
questões eleitorais, José Serra se colocou, na eleição passada, contra o aborto
- e fez disso, em tom de baixaria, um ataque a Dilma Rousseff.
Agora
é a vez de Fernando Haddad que, preocupado com os voto dos evangélicos, vai no
mesmo caminho. Ou seja, dois indivíduos marcados pela racionalidade transformam
uma questão de saúde pública em religião. Dá vergonha.
O
custo da mistura da religião com política começa a ganhar força no ano
eleitoral. De novo. O grande especialista em pesca, o bispo Crivella é indicado
para o Ministério da Pesca para atrair os evangélicos para o governo no geral e
para a candidatura Haddad, em particular. Nesse caso, Dilma deu um exemplo de
desperdício com dinheiro público.
Haddad
está marcado porque cometeu o crime supremo de tentar lançar um material nas
escolas contra a discriminação aos homossexuais, vítimas de todo o tipo de
preconceito e violência.
Até
consigo entender a visão dos evangélicos, embora discorde. Crença é crença,
ponto final, e deve ser respeitada. O que me incomoda (e envergonha) é quando
os homens públicos acabam se rendendo não a fatos científicos, mas crenças para
orientar políticas públicas.

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