31 de mar de 2012

Quem se salva?

Até tu, Stepan Nercessian?

[...] em gravações da Operação Monte Carlo, da PF, o deputado [Stepan Nercessian] admitiu ter recebido de Cachoeira um depósito de R$ 160 mil em 17 de junho de 2011. Nercessian afirma que o dinheiro seria usado para garantir a compra de um apartamento no Rio de Janeiro, avaliado em R$ 500 mil.

Millôr

A frase de Millôr é, miseravelmente, perfeita: "Viver é desenhar sem borracha". Haja erros! Para quem tem transtornos obsessivos compulsivos, como eu, isso é um problema. Borracha é fundamental. Não, nada contra erros. Dos outros! Os meus erros, particularmente, não combinam comigo. Não, não tenho ambição de uma vida irrepreensível. Mas há bons e maus erros. Eu penso assim: já que é pra fazer besteiras, as besteiras precisam ser homéricas. Tão absurdamente estúpidas que se tornem irrepreensíveis. E dispensem borrachas. A propósito, Millôr foi mestre em decifrar esses extremos que, de tão opostos, não mais se opõem. Quer um exemplo? De todas as taras sexuais, não existe nenhuma mais estranha do que a abstinência”. Vai ser Millôr assim lá longe! Mas a frase dele que mais me provoca, é uma rigorosamente besta. É que eu odeio queimar a boca com café. Não tomo café em xícara esmaltada nem que a vaca tussa. Muito menos naquela xícara clássica, tipo Café Nice, espessa e pelando de quente. Mas, mais do que café queimando a boca, eu odeio café velho. Daí que eu gosto de café que acabou de ser coado, em copo Lagoinha, mas esfriado. Aí vem o Millôr e diz que “esnobar é pedir café fervendo e deixar esfriar”. Esnobe, eu?! Até aonde eu acerto, eu erro? Millôr, por favor, essa você apaga...

The Piauí Herald, today

'Exames clínicos de Lula mostram que oposição desapareceu' [AQUI].

30 de mar de 2012

Deu no SETE DIAS...

O método da tentativa e erro...
Já virou um modus operandi do prefeito Maroca: quando seus secretários avançam, ao primeiro sinal de problema, ele recua. Foi assim com Ronaldo Andrade, quando da discussão na Câmara do aumento de tarifa. O SAAE avançou no embasamento do assunto, mas no primeiro momento, na primeira reação dos vereadores - sempre preocupados, não com a cidade, mas com o desgaste pessoal deles próprios -, o prefeito tirou o tapete. Há inúmeros casos assim. Agora, ele replica o método com Caio Valace, no caso da Catedral. É obvio que a igreja iria resistir, é óbvio que o tema merecia um acordo prévio, ainda assim o processo se repetiu: o secretário de Trânsito formulou a proposta, o monsenhor ficou sabendo pelo secretário de Obras [olhem a pérola dita pelo próprio secretário; "não é possível que o prefeito não tenha falado com o senhor"], botou a boca no trombone, o Caio quis avançar, mas o prefeito recuou: "Maroca revelou que o projeto será melhor avaliado, inclusive com a participação de toda a comunidade". Ora, por quê não foi melhor avaliado antes? Resultado: o prefeito sai bem na foto e a culpa cai no colo do secretário que não avaliou melhor antes e não ouviu a comunidade. A tradução é esta; se esse é o fato, não sei...

Nem o óbvio...
A Prefeitura tem falado em um Plano Emergencial de Segurança Pública, com consultoria de especialistas na área, que dá até vontade de acreditar. Aí você lê no SETE DIAS, da voz do Comandante do 25º Batalhão da PM, que o 'Olho Vivo', fundamental em matéria de segurança, "funciona precariamente" porque a Prefeitura não faz a manutenção, sob sua responsabilidade. Uai, se não faz nem o óbvio...

Tucanidades
Está no Sem Reserva: enquanto a Assessoria de Comunicação da Prefeitura diz que, em reunião com o secretário de Estado Danilo de Castro, o nome de Maroca "foi evidenciado como o principal nome do partido na condução das decisões políticas, sobretudo em relação à reeleição em Sete Lagoas"; o próprio Danilo de Castro teria 'confidenciado' a setelagoanos presentes em um evento na Zona da Mata que o nome do Governo em Sete Lagoas é Márcio Reinaldo. A ser verdade, duas conclusões: uma, esse Danilo de Castro é bom de trato que dá dó; duas, o diretório do PSDB daqui não apita nada, quem manda é o secretário Danilo que, até aonde sei, não vota aqui...

'Cidade Aberta'

Pragmatismo e pragmatismo

Na coluna desta semana, no SETE DIAS, eu me meto a dar uns pitacos na política. É que nunca vi um cenário eleitoral tão nebuloso como o que está aí, a apenas seis meses do pleito. Maroca é candidato à reeleição? Não se sabe. Uns dizem que sim, outros juram que não. E Márcio Reinaldo? Não se sabe. Justo agora que ele foi alçado ao alto clero na Câmara, vai trocar Brasília por Sete Lagoas? Uns dizem que sim, outros juram que não. Eu tento, justamente, entender a razão desse estranho quadro. Leiam a coluna Cidade Aberta [AQUI]. O SETE DIAS já está nas bancas.

Vetor Norte

Eu disse que na próxima parada ia fazer um comentário sobre o Vetor Norte. Pois, então, vamos lá... O Estado de Minas, de ontem, retomou o tema do projeto de mobilidade em torno do 'Vetor Norte', o plano estrutural de alta tecnologia - componentes eletrônicos, biotecnologia, TI e capacitação de pessoal para toda a cadeia aeronáutica espacial e de produtos de defesa - em torno do Aeroporto de Confins / Lagoa Santa. O projeto de mobilidade contempla uma solução multimodal, com transportes aéreo, rodoviário e ferroviário. A matéria do EM voltou a colocar Sete Lagoas em cena. A primeira etapa do complexo viário, com investimentos de R$ 500 mi de um pacote de R$ 3,4 bi, já estaria em fase executiva e envolveria a ligação do VN a Jaboticatubas, Santa Luzia e Sete Lagoas.

Torço para que a reportagem esteja correta. Na verdade, ela contrapõe informações anteriores, que chegaram a ser publicadas, de que não havia previsão de realização de melhorias na MG-424 até Sete Lagoas. Praticamente, a 'estrada velha' continuaria no padrão atual, totalmente despropositado, apenas com a revitalização da pavimentação executada no ano passado.

Eu sei que a Energy Choice, empresa consultora do Plano Diretor, leva esse assunto a sério. Isso é muito bom. De fato, a inserção de Sete Lagoas nesse plano, com a duplicação da MG-424, tornará irreversível a tendência de crescimento de Sete Lagoas nessa direção, o que exigirá planejamento, tanto, proativamente, para o aproveitamento das oportunidades que isso pode gerar quanto, reativamente, para disciplinar a ocupação dessa região da cidade.

Mas há uma outra questão, mais de fundo, sobre a qual eu não tenho uma compreensão e uma opinião definitivas: a integração de Sete Lagoas ao Vetor Norte, mais amplamente, terá repercussão na integração de Sete Lagoas à Região Metropolitana de BH. Esse foi um assunto posto em pauta pelo José Osvaldo Lasmar, então diretor-geral da Agência Metropolitana, quando da sua participação na II Conferência da Cidade de Sete Lagoas, em 2010. Ele próprio não defendeu uma posição, mas externou sua percepção de que era o momento de Sete Lagoas avaliar os prós e os contras de ser parte formal da RMBH ou de ater-se à sua participação no chamado colar metropolitano. Nós já estamos sendo fortemente contaminados pela  dinâmica da RM; a pergunta é como mitigar os problemas - que não são poucos - e tornar essa relação minimamente vantajosa.

29 de mar de 2012

Aí, Millor, precisava?!

Dois grandes humoristas brasileiros mudaram de endereço quase na mesma semana. Se bem que chamar Millôr de humorista não é tão preciso quanto chamar Chico da mesma coisa. O humor de Millôr se revelava no nome - originalmente Milton, mas, segundo ele, grafado no cartório com o 't' parecendo 'l', o corte do 't' parecendo acento circunflexo, e o 'n' parecendo 'r' - mas ia muito além. Começava por ser um humor ácido, ia para o cartum, os aforismos, até a poesia e a prosa. Como alguém disse, era o mais engraçado dos filósofos. Eu acompanhei muito Millôr nos tempos velhos do Pasquim e não o acompanhei nada nos tempos recentes da Veja. Mas nunca deixei de gostar, em particular, do vigor dos seus desenhos. Perturbadores, provocadores,  cortantes, dramáticos!

Vetor Norte

Só trabalho e trabalho. Na próxima parada, vou escrever sobre esse tema: Vetor Norte...

28 de mar de 2012

Zaha Hadid

Vale a pena a leitura da entrevista da arquiteta iraquiana Zaha Hadid ao Estadão [AQUI], que, coincidentemente, citou Mies van der Rohe, de quem falamos há pouco:

"[...] Como disse Mies van der Rohe: “Arquitetura é o desejo de uma época, viva, em busca do novo”. Nesses períodos de incertezas, sinto que é ainda mais importante desenvolver o domínio público. Há uma sensação de que a atual situação econômica na Europa e nos Estados Unidos vai pôr um fim na exuberância arquitetônica, mas não acho que será o caso. O Rockefeller Center de Nova York, uma das cidades mais bem-sucedidas do mundo em espaços públicos; o Centro Pompidou em Paris e outros grandes edifícios públicos e espaços ao redor do mundo foram comissionados no passado durante recessões econômicas. Esses projetos realmente fizeram avançar o ambiente público nessas cidades.

Mais sobre Zaha Hadid: AQUI.

27 de mar de 2012

Mies van der Rohe

A logomarca do Google, hoje, homenageia os 126 anos de nascimento do alemão, naturalizado americano, Mies van der Rohe (1886 - 1969). O 'doodle' foi inspirado no Crown Hall, obra de Mies para a Faculdade de Arquitetura do IIT, Instituto de Tecnologia de Illinois. Mies van der Rohe foi um dos expoentes da Bauhaus e um dos maiores arquitetos do século XX. Como vários de seus colegas, fugiu da  perseguição nazista, da Alemanha para os EEUU. Foi o projetista do Pavilhão de Barcelona, de 1929, que é considerado por muitos como a síntese de seu conceito arquitetônico modernista, industrial, 'internacional', minimalista e racionalista. Também saíram de sua prancheta as conhecidas poltronas Barcelona e Brno. Mais: AQUI e AQUI

['Doodle' da Google, de hoje]

[O Crown Hall]

[O pavilhão de Barcelona]

26 de mar de 2012

Ou Massa voa...

... ou vão correr com ele!

Em duas corridas de 2012, ele já somou mais pontos que em todas as 17 provas em que largou no ano passado. Sergio Pérez, 22 anos, é o nome do momento na Fórmula 1 e o mais cotado para substituir Felipe Massa na Ferrari, já que o contrato do brasileiro expira no fim da temporada e seu desempenho instável não conta a favor de uma renovação. Mas quem é o jovem mexicano que surpreendeu o mundo ao levar a Sauber ao segundo degrau mais alto do pódio no Grande Prêmio da Malásia, no último domingo? [Leiam no portal Terra]

Quem se salva?

Desalento

Artigo de Eliane Cantanhêde, na FSP, deste domingo, entrou nessa seara aí de 'quem se salva?', comentando o estado de desalento de dois senadores estreantes, Pedro Taques (PDT-MT) e Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), diante das relações perigosas do colega Demóstenes. Finaliza ela:

Pedro Taques e Randolfe, como muitos de variados partidos, candidataram-se e elegeram-se com o discurso de que a política move o mundo e transforma a realidade. Mas estão vendo, na prática, que o poder também corrompe e deforma.

Multiplicam-se as histórias de jovens promissores e idealistas que se desvirtuaram tanto a ponto de se tornarem irreconhecíveis até no próprio espelho.

Demóstenes coloca Taques, Randolfe e um punhado de estreantes diante de três opções: resistir bravamente, desistir da política ou aderir ao jogo - como a maioria" .

O 'resistir bravamente' é que anda raro...

25 de mar de 2012

F1: Malásia

[Para alegria de Antônio Claret, Alonso venceu em Sepang]

07:49 - Putz!, Pérez chegou, sentiu o peso e errou. Quem diria que esse tijolo da Ferrari ganharia uma corrida?  Ganhou! Quem diria que o mexicano Pérez, numa Sauber, seria capaz pressionar uma Ferrari? Pois pressionou. Quem diria que as McLaren iam desaparecer? Desapareceram. Senna mandou bem e emplacou o sexto lugar. Massa que se cuide: está com a cabeça a prêmio. Enquanto seu companheiro lidera o campeonato com 35 pontos, ele soma zero. Não adianta reclamar de aerodinâmica... Pontuaram: Alonso, Pérez, Hamilton, Webber, Raikkonen, Senna, Di Resta, Vergne, Hulkenberg e Shumacher.

07:25 - Engraçado... Pérez voa: está mais rápido do que Alonso e também do que Hamilton! Está todo mundo parando e colocando pneu slick... Uma nova chuva não ia nada mal...

07:15 - A pista seca devolve todos os defeitos aos carros da Ferrari. Massa?, esquece! E Alonso vai perdendo vantagem para o Pérez, que danou a fazer as melhores voltas...

07:00 - Enquanto Alonso lidera com volta mais rápida atrás de volta mais rápida [quem diria!], Massa se arrasta. Perdeu os pneus cedo demais e foi pra rabeira. Senna deu uma recuperada básica: está em 9º lugar. Dilema: a pista está secando, ficando mais rápida e pedindo pneus lisos, mas há previsão de chuva forte em 5 a 10'...

06:45 - Alonso lidera e bem. Pérez faz uma corridaça! Acertou tudo na estratégia de troca de pneus. Button se lascou: está no final da fila. Os 10 primeiros na volta 25: Alonso, Pérez, Hamilton, Haikkonen, Vettel, Webber, Rosberg, Massa, Di Resta e Vergne. Rosberg perdeu 3 posições em pouco mais de uma volta...

06:30 - Uma zona: depois de 4 voltas o SC pulou fora e metade dos carros foram para os boxes; a outra metade foi na volta seguinte. Todos colocando pneus intermediários. Hamilton perdeu tempo no pit stop. Com isso, pasmem!, Pérez chegou a liderar! Agora, Alonso pilota sem spray na cara. Button, que trocou pneus primeiro, tinha tudo para se dar bem, mas fez o que nunca faz: errou e detonou o bico na roda do carro da frente: volta aos boxes...

06:00 - Relargada prometida para daqui a 15', com Safety Car...

05:30 - Red Flag: a chuva extrapolou! Permitiu um início emocionante da corrida, mas passou da conta. Primeiro, Safety Car; depois bandeira vermelha, ainda na volta 9. As McLaren, com ou sem chuva dominam. Grosjean, de novo, mostrou que não é de nada: da sétima posição na largada diretamente para a caixa de brita. Schumi, a outra surpresa, também frustou: da terceira para, agora, a 15ª. Alonso mandou bem e tomou a 5ª posição, logo nas largada. Todos largaram com pneus intermediários e tiveram que trocar para pneus de chuva: quem foi a box primeiro, lucrou: Pérez [3º] e Massa [8º], por exemplo. Bruno Senna continua não se achando e brigando com o carro: sei lá o que ocorreu, mas caiu da 13ª posição para a 22ª. Por ora, está parado lá. Ou seja, acordar às 5 para ver meia dúzia de voltas foi uma fria! 

Os dez primeiros no momento da parada, na ordem: Hamilton, Button, Pérez, Webber, Alonso, Vettel, Vergne, Massa, Rosberg e Karthikeyan.

23 de mar de 2012

Quem se salva?

Até tu, Demóstenes?
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Quem diria?!, o paladino, o arauto, o baluarte da ética no Congresso, o senador Demóstenes Torres, tem um telhado de vidro enorme... Leiam Os 30% de Demóstenes, na Carta Capital:
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"Três relatórios assinados pelo delegado Deuselino Valadares dos Santos, então chefe da Delegacia de Repressão a Crimes Financeiros (DRCOR), da Superintendência da PF em Goiânia, revelam que Demóstenes tinha direito a 30% da arrecadação geral do esquema de jogo clandestino, calculada em, aproximadamente, 170 milhões de reais nos últimos seis anos".

Adeus, Chico! Adeus, Chicos!

"O humor é irmão da poesia, o humor é quem denuncia. Eu não tenho a possibilidade de consertar nada, mas eu tenho a obrigação de denunciar tudo, porque essa é a obrigação primeira do humorista. 
O humor é tudo, até engraçado."
[Chico Anysio, no Fantástico, em 28/8/2011] 
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Agenda Cultural: Amigos da Viola, neste sábado!

Agenda Cultural: blues no Templo 8, hoje!


Inaugurando a Temporada 2012, o Templo 8 abre suas portas nesta sexta, ao som de muito blues! Após apresentação de sucesso durante a Literata 2011, quando eletrizou a platéia, a banda “Dr. Klein” retorna aos palcos do Templo trazendo o legítimo blues do Mississipi. “Dr. Klein” foi idealizada por Marlon Klein - guitarrista nascido em Sete Lagoas/MG, que passeia pelo blues desde 1995, que já navegou por diversos vertentes do blues, mas especializou-se no Delta Blues, Chicago Blues, e Slide Guitar, tendo como influencias grandes mestres como Muddy Water, Johnny Winter, Otis Rush, Albert King, Buddy Guy, Freddie King, Albert Collins e outros. A banda desenvolveu o ato de improvisar, portanto, nunca uma mesma música é tocada do mesmo jeito, o que torna todas as apresentações únicas e especiais. Música de qualidade para gosto refinado, em um ambiente descontraído, prosaico e único! Convites: R$10,00 antecipado e R$15,00 portaria.

Vai não, sô!


Se você vai, é muita gente que vai junto: Professor Raimundo, Painho, Alberto Roberto, Popó, Azambuja, Baiano, Bento, Bozó, Tavares, Coalhada, Justo Veríssimo, Fumaça, Pantaleão, Roberval Taylor, Salomé... Essa turma não larga do seu pé. Para com isso, Chico!...

22 de mar de 2012

Quem se salva?

Até tu, Aécio?

A notícia é cabulosa: quando foi pego pela Lei Seca, no Rio, em abril de 2011, o senador Aécio Neves dirigia uma Land Rover, placa HMA-1003. Até aí o único problema dele era soprar ou não soprar o bafômetro. Decidiu não soprar. Sobre o problema maior, ele não pôde fazer nada. É que, com a blitz, descobriu-se que o veículo havia sido comprado em novembro de 2010 em nome da rádio Arco-Íris, uma franqueada da Rádio Jovem Pan de São Paulo. Aí vem a primeira novidade: o senador não estava dirigindo um veículo emprestado por um empresário rico: a Arco-Íris é de propriedade dele próprio e de sua irmã Andrea. Então vem a segunda novidade: quando foi governador, de 2003 a 2010, Aécio teria feito uma série de repasses à sua própria rádio. Dá pra crer? Não, não dá. Por isso mesmo o Ministério Público instaurou o inquérito MPMG-0024.12.001113-5 contra os dois irmãos [Andrea Neves era coordenadora do Núcleo Gestor de Comunicação Social do governo de seu irmão]. O inquérito investigará ainda eventuais repasses para as empresas Editora Gazeta de São João Del Rei Ltda e Rádio São João Del Rei S/A, que têm Andrea como sócia. Usando a desculpa default, comum a todo político, de qualquer partido, o senador, em nota, disse que a denúncia tem ‘caráter político’, uma vez que foi feita por políticos da oposição. Ou seja, o problema não está no mérito, mas apenas na origem da denúncia...

'Cidade Aberta'

Contundência e maturidade
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"Em política urbana, o céu não é o limite. Plano Diretor não é um uma ação entre amigos, mas um difícil processo de mediação de conflitos". A coluna Cidade Aberta [AQUI], desta semana, no SETE DIAS, mantém o tema do Plano Diretor em pauta. Discute, especialmente, o que é necessário para que a participação popular seja efetiva e não apenas 'para inglês ver'. O passado nos dá boas lições: o último plano, por exemplo, do ponto de vista da participação, foi excepcional; mas e daí?! Mais do que uma crítica, o artigo é uma proposta à reflexão. Não podemos errar de novo. Nem sermos ingênuos. O SETE DIAS já está nas bancas...

Plano Diretor: o momento da crítica é agora

"Quem disse que os que fazem críticas e discursos teóricos não ajudam no desenvolvimento da nossa cidade?"
[Amaro Marques]  

Eu fiz algumas postagens recentes sobre o processo de revisão do Plano Diretor. De volta, vieram reações diversas: de concordância, de discordância com argumentos legítimos, de discordância sem argumentos e de provocações anônimas, defendendo a Prefeitura - como se fosse necessário - e com um alinhamento a um 'pensamento único', absoluto, reativo a qualquer crítica. Nas postagens que fiz, sem exceção, não desqualifiquei ninguém, não fulanizei o assunto, não emiti opinião sobre a consultoria contratada, nada disso. Fiz críticas - aliás, críticas antigas, que já fazia enquanto secretário - sobre o que me parece constituir-se em equívocos de processo. Acho essa uma obrigação de quem tem compromisso com Sete Lagoas e deseja que o novo Plano Diretor dê bons rumos à cidade. Quem concorda com o processo, OK!, segue em frente. Quem discorda deve expor suas posições, exatamente, agora. Incorreto é omitir-se, torcer contra e, lá na frente, criticar, no velho estilo 'eu te disse'. Nada disso: se acho que há imaturidade no processo; se acho um erro não se ter estruturado, previamente, uma área de política urbana, na Prefeitura, que acompanhasse a confecção do plano e, adiante, liderasse sua implementação; se acho um erro separar plano e gestão; se acho que, da forma como está estabelecida, a participação social pode ser inócua, que o ideal seriam reuniões municiadas com estudos técnicos já realizados, se acho o momento político impróprio, às vésperas de uma eleição, então, devo manifestar-me agora ou calar-me para sempre. Nesse sentido, eu quero parabenizar o nosso amigo Amaro, que andava sumido e voltou com bateria nova, pelo comentário que inicia-se com a frase acima.

[E por falar em críticas, vai aí não exatamente mais uma, mas um questionamento: é verdade que no quadro técnico da empresa consultora não há geólogos e que se alegou, em defesa, que geólogos são dispensáveis para um Plano Diretor? Se for verdade, é de se indagar não apenas sobre o (des)conhecimento de quem falou essa besteira sobre o nosso subsolo cárstico e as diversas subsidências que já ocorreram, mas também sobre em que mundo qele vive. O chão anda se derretendo em BH, em Angra, na região serrana fluminense, em Ouro Preto, pra todo lado, e nós, precisamente nós, sobre um queijo suíço, vamos ignorar o problema?]

Pitacos - II

O Marcos Avellar postou um comentário na postagem Pitacos [deem um pulo lá e leiam...] que se assemelha a outro que ouvi, ontem, na rua: Márcio Reinaldo é mesmo candidato, a pedido pessoal de Aécio, que já estaria convencido da inviabilidade eleitoral de Maroca. Quem contou-me a história, ontem, deu detalhes e mostrou-se convencido. Eu, até segunda ordem, continuo desacreditando de tudo e debitando tudo na conta de especulações próprias do momento e nada mais. Pra mim, estamos num jogo de pôquer: 90% é blefe; o duro é saber em que mãos estão os 10% que valem o jogo...

Todavia, essa é uma versão curiosa. Eu diria que é quase melancólica. Aquele tipo de solução em que ninguém parece se sair bem. Vejamos: Maroca sairia sem conseguir construir uma saída honrosa. Sairia da pior forma possível: como preterido. Seu mais forte concorrente atual, Leone, sairia ferido pela traição. Saiu do PMDB atrás de uma vaga no PP e, agora, lhe tirariam o tapete. Seria candidato a quê, então? E o próprio Márcio, poderosíssimo hoje, prestigiado pelos governos estadual e federal, tomaria o caminho de um fim de carreira um tanto triste. Viria ser prefeito sustentado pelo governo do Estado, que anda quebrado, e rompido com o governo federal, o dono do cofre, que, seguramente, não lhe perdoaria por se colocar, desde já, a serviço de Aécio e contra Dilma. Pelo menos por dois anos, seria um governo de oposição. E mais: não teria um Márcio Reinaldo, ao seu lado, para captar oportunidades em Brasília. Melancólico! Quem ganharia com isso? De cara, Duílio e Eduardo Azeredo. Nas próximas eleições para deputado, os dois teriam metade do eleitorado, hoje cativo do deputado pepista, à disposição... Não consigo imaginar quem mais teria a ganhar. A ver...

'Retrocesso para a Cultura'

O gabinete do vereador Dalton Andrade, através do Viva Voz, o Coletivo Colcheia e vários agentes culturais, de várias áreas, debateram, longamente, e consolidaram uma proposta de Lei de Incentivo à Cultura, absolutamente sensata e inovadora, sob o nome de Programa Zacarias de Fomento à Cultura. Ninguém tirou coelho de cartola; a proposta final resultou do conhecimento da legislação de outras cidades que conseguiram emplacar uma legislação cultural democrática. Eu tive a oportunidade de contribuir nesse processo e de atestar a seriedade de todos os integrantes. Não vi nenhuma pirotecnia. Depois, com a proposição debaixo do braço, especialmente a partir do gabinete do vereador Dalton, fez-se a interlocução com as instâncias do governo municipal inerentes ao tema. Não tenho nenhuma crítica ao comportamento do secretário Fredy Antoniazzi que soube, com sabedoria, equilibrar-se entre seu papel público e de agente da cultura setelagoana. Mas a notícia, ontem, foi de que as áreas orçamentária, financeira e o gabinete do prefeito impuseram um retrocesso incontornável, mesmo com relação à legislação anterior. Aconselho a todos a leitura da postagem Retrocesso para a Cultura do nosso amigo Marcos Avellar que, redivivo [viva!], em seu blog Jornalismo no Prelo, abordou bastante bem a matéria [AQUI]. Não deixa de ser uma lição: em um momento  em que se fala tanto em participação popular na formulação de leis, como a do Plano Diretor, em curso, vê-se que tão decantada participação nem sempre dá resultado. Da mesma forma, a intensa participação nas audiências públicas sobre o Boulevard Santa Helena resultou em quê? Em nada! É de se entender que  a participação só interessa quando atende aos interesses do governo? Lamentável!

Rumo preocupante

O Código Florestal, na versão que saiu do Senado, continuou não agradando aos ambientalistas. Ainda assim, na nova tramitação na Câmara, onde a bancada ruralista está entrincheirada, o risco é de que volte a ser mais permissivo, outra vez. Os sinais são claros dos temerosos rumos que essa turma deseja dar às leis ambientais.  A vinculação da aprovação da Lei Geral da Copa à prévia apreciação do Código, como elemento de pressão, é um desses sinais. Ontem, o que esteve em pauta foi a competência para demarcar reservas indígenas. Outro motivo para se abrir os olhos. Sob protestos, a CCJ aprovou a PEC 215 que transfere essa competência do Executivo para o Legislativo. A razão constitucional  que criou essa prerrogativa da União é compreensível: mais distante do jogo de pressões locais, a União pode atuar, em tese, com mais liberdade e isenção. Há quem afirme que, nas mãos do Legislativo, na prática, não se terá mais demarcação alguma. Tudo pode sempre piorar...

21 de mar de 2012

Renovação de posturas urbanas pelo desenho

[Cliquem pra ampliar]

A matéria é boa e merece ser lida. Está AQUI. Os arquitetos que projetaram a revitalização da Savassi estão propondo uma conciliação de usos dos quarteirões fechados: via de acesso local para veículos, calçada para pedestres, faixa para disposição de mesas de bares, espaço para mobiliário urbano. A proposta vai além do Código de Posturas e caminha na direção de uma solução específica para a Savassi. O bacana é que não se trata de uma imposição da Prefeitura, mas de uma solução em negociação com os vários atores locais. Nessas horas, o desenho urbano abre perspectivas inovadoras e convergentes para o que, aparentemente, é conflitivo. Para tantos que criticam mesas em calçadas - o que, em geral, é tão agradável, especialmente em cidades quentes como Sete Lagoas - fica a reflexão: as mesas são ruins ou ruim é a falta de um bom desenho, com uma boa solução?

Tudo ou nada - II

Falamos abaixo sobre o poderoso Thor. A respeito dele, o Luis Nassif postou em seu blog um texto pra lá de curioso. Não é exatamente sobre ele, mas o tem como pano de fundo. Aí a protagonista é a poderosa Globo. O título é indicativo: Para entender o caso Globo x Eike. A pergunta é: por quê a Globo, antes mesmo de se ter o resultado da perícia, insiste em expor o caso em primeira página do jornal? A pergunta e a  resposta não envolvem o filho, mas o pai, Eike Batista:

"É simples.
Independentemente da culpa ou não do rapaz, da influência ou não do pai, por trás da matéria tem-se a mesma motivação da revista Veja quando investiu contra André Esteves, do Banco Pactual. Em ambos os casos, o objetivo era demover um bilionário da pretensão de entrar no mercado de mídia. Quando atacado por Veja, Esteves pensava em adquirir a Editora 3. Eike tem sido lembrado quando se fala em venda de controle de redes de TV.
É um vale-tudo que não respeita nada".

20 de mar de 2012

Tudo ou nada

Num sistema de tudo ou nada, nada funciona. Estou falando de trânsito em razão deste caso que está na mídia do poderoso Thor, filho do deus Eike e da deusa Luma. Sei lá se o cara tem ou não culpa no cartório no atropelamento e morte de um ciclista, na BR-040, próximo ao Rio. Não é porque uma pessoa é filho de fulano e pilota uma SLR McLaren que ela é culpada. Esse assunto a polícia resolve. A questão é outra: quem, aí sim, tem culpa no cartório é o DENATRAN ou o DETRAN do Rio que não cumprem as suas funções. Ou aplicam um rigor absoluto, como no caso das blitz da Lei Seca, ou não aplicam rigor nenhum na hora de apreender carteiras por pontos acumulados. O poderoso Thor dirigia livre, leve e solto do alto de seus 51 [!] pontos, obtidos por 11 infrações, em apenas 18 meses. Mais, tendo se habilitado em dezembro de 2009, só no seu período probatório legal, conseguiu ser flagrado em 5 infrações, todas por excesso de velocidade. Só aí, 21 pontos! E o que aconteceu? Nada! Se as coisas funcionassem, no mínimo, Thor, não mais o poderoso, mas o cidadão comum, teria cometido um crime ao, com ou sem culpa, atropelar um ciclista: o de dirigir sem habilitação! Pero...

18 de mar de 2012

Plano Diretor: aonde, exatamente, se quer chegar?

Esse tema me é familiar não por mérito meu, mas por dever de ofício. Em 2006, quando se colheu a primeira safra de Planos Diretores determinados pelo Estatuto da Cidade, eu era conselheiro titular do Conselho Nacional das Cidades e esse foi um tema recorrente nas Assembleias Ordinárias. Por isso mesmo, acompanhei de perto o processo deflagrado pela Secretaria de Programas Urbanos, à época sob a titularidade da urbanista Raquel Rolnik, hoje relatora da ONU. Estudei não só o plano de Sete Lagoas, como o de várias outras cidades. Depois, como secretário em Sete Lagoas, o nosso Plano Diretor tornou-se instrumento habitual de trabalho para mim. É natural que eu tenha uma avaliação particular do processo de elaboração de planos diretores, em sentido amplo, e um ponto de vista a respeito de todos eles e do nosso. Especialmente sobre a razão da ineficácia da maioria deles, em diversas cidades.

Eu toquei nesse assunto, recentemente, pela primeira vez, em um artigo no SETE DIAS em que o foco não era exatamente o tema dos Planos Diretores, mas o da inexistência de uma leitura compreensiva do processo econômico em nossa cidade [AQUI], nos últimos 50 anos. Ao fazer uma chamada AQUI para esse artigo, fui provocado por um leitor que, em tom aparentemente irônico, pediu a minha ‘valiosa contribuição’. Respondi-lhe na postagem ‘CaroAnônimo,’. Depois, publiquei dois outros textos – AQUI e AQUI – intitulados ‘É isso mesmo?’, em que fiz algumas críticas ao processo em curso. Eu acho legítimo fazer críticas, desde que elas não sejam pessoais – e as minhas não foram –, embora alguns leitores tenham ficado incomodados com elas.

No meio de tudo isso, uma questão foi e está me deixando, progressivamente, intrigado. Algumas propostas que li, que estão sendo formuladas para o novo Plano Diretor, já estão contempladas no atual [!]. Mais, a importância que se atribui ao processo participativo parece não incorporar as reflexões mais contemporâneas sobre essa questão, propriamente. A participação popular foi proposta como condicionante e continua válida como forma de tornar os planos menos expostos à influência do poder econômico, mais representativos do desejo coletivo e mais aplicáveis. Observou-se, na prática, que essa é uma condição necessária, mas não suficiente. Prova disso é o nosso atual Plano Diretor: o processo que o gerou foi riquíssimo do ponto de vista da participação, gerou contribuições excepcionais, mas nem por isso repercutiu em um plano menos questionável e mais aplicável. Há vários outros aspectos que precisam ser contemplados para se alcançar planos mais eficazes.

O que me deixa intrigado? É se, coletivamente, tem-se clareza de aonde se que chegar. Eu fui a campo, fiz contato com algumas pessoas integrantes da vida pública setelagoana  e fiz três perguntas, sob o compromisso de manter os nomes em sigilo. Sinceramente, as respostas surpreenderam-me negativamente. Sem qualquer malícia, mesmo para aqueles que só vêem malícia no que escrevo, deixo as mesmas perguntas aqui com um pedido, aos leitores deste blog que se dispuserem a respondê-las, de que sejam rigorosamente sinceros:

Pergunta 1: Você já leu o Plano Diretor atual, na íntegra?
Pergunta 2: Você sabe apontar os seus furos que levam à necessidade de sua revisão?
Pergunta 3: Por quê o Plano Diretor de Sete Lagoas está sendo revisado agora e não depois?

Alguém se aventura a responder?

F1: dormi...

Eu só consegui ver a largada e entender que o terceiro lugar de Grosjean não passava de um vôo de galinha. Aí, apaguei... Acordei, ao final, a tempo, apenas, de saber o resultado. E gostei. Por exclusão, meus pilotos favoritos subiram ao pódio: Button e Vettel. Agora cedo, soube do fiasco da dupla brasileira: Senna e Massa se enroscaram numa disputa gloriosa pela 13ª posição. Aí é demais! Vamos acabar tendo saudades do Rubinho, que ainda acho um injustiçado: ter largado o circo sem uma despedida à altura dos colegas foi uma barbaridade...


PS: eu menosprezei a história de se ter, pela primeira vez, seis campeões mundiais numa mesma temporada e dei com os burros n'água. Pelo menos na Austrália... Dos seis, só Schumi não pontuou; três subiram ao pódio; e até Alonso, o príncipe do choro, deu seu show, pulando da 12ª para a 6ª posição. Pelo menos no resultado fizeram diferença; na pilotagem não sei porque não vi: dormi!

17 de mar de 2012

F1: surpresas na Austrália

Aí: novidades na pista! Não vi o treino, só o grid, agora pela manhã. Uma meia surpresa: as Mclaren dominaram e tomaram as duas primeiras posições. Epa! Grosjean da Lotus em terceiro? Quem apostava nisso? Schumi vinha surpreendendo nos treinos e parece que está voltando a ser gente grande: andou quente na disputa e ficou na quarta posição. Há uma suspeita sobre alguma tramóia, legal ou não, no bico da Mercedes [leiam AQUI]. Surpresa mesmo foram as posições das RBR e, Virgem Maria!, as das Ferrari. As RBR, acostumadas, em toda temporada passada, a sentir o vento na cara, lá na frente, tiveram que se contentar com os seus dois carros na terceira fila. E as Ferrari que não passaram para o Q3, com Alonso e Massa em 12º e 16º lugares?! Que isso, meu? Até Senna, com sua desprestigiada Williams, vai largar na frente de Massa. Os dois brasileiros foram mal, naturalmente, e ficaram atrás de seus companheiros de equipe. Sobre o papo de que essa será uma super temporada pela presença de 6 campeões mundiais, fica a dúvida: Hamilton e Button largam na primeira fila, OK!; Schumacher em quarta, OK, também!; Vettel em sexto, nem tão OK assim; Alonso na 12ª, mal, muito mal!; e Raikkonen em 17º, péssimo! Agora é conferir. Às 3 da madruga...

Ah! Ia me esquecendo: os bicos horrorosos de todos os carros já ganharam um apelido: ‘bicos de ornitorrinco’... Não podia ser melhor.

Para quem gosta da coisa, um conselho: tem muito carro novo na jogada; é bom dar uma olhada nos lançamentos [AQUI].

F1 no fim de semana

Enfim, a F1 está de volta. Nem que seja para torcer contra tudo e todos, eu estou dentro. A temporada começa nesta madrugada, na Austrália, com os treinos classificatórios. Na madrugada de domingo, vem aí a primeira volta de apresentação, a primeira largada, a primeira corrida e o primeiro pódio de 2012. Eu  li tudo sobre os testes preparatórios, mas fiz questão de esquecer tudo. O que vale é daqui pra frente. Os jornais estão alardeando que é a primeira vez que, com a volta de Raikkonen, seis campeões mundiais estarão na pista. Também não dou bola pra isso: braço tem alguma importância, mas importante mesmo são os carros, quando não apenas os pneus ou uma nova e inusitada regra. Outro comentário: só dois brasileiros pilotam. Barrichello foi embora sem receber sequer uma homenagem, depois de 19 anos no circo. É um lugar ingrato. Mas a presença de Massa e Senna também não trazem qualquer esperança. Já foi o tempo que a bandeira verde e amarela emocionava na F1. Hoje, apenas diverte. Dos novos carros, só dá pra dizer que os bicos de todos ficaram horrorosos. Uma pena: até a Ferrari se lascou nessa. Mas vamos lá. Vamos ver no que dá...

16 de mar de 2012

Luto: morreu Aziz Nacib Ab'Saber

A mais bela história de nossa região eu ouvi da voz de Ab'Saber. Desde a sua formação geológica, passando pela sua ocupação humana, à caracterização do tipo de gente que aqui habita, até a relação que está estabelecida entre o homem e o meio ambiente. Uma epopeia sobre nós mesmos. Fantástica!

Aziz Ab'Saber era geógrafo e uma autoridade em meio ambiente e biodiversidade. Além de um cientista de formação humanista. Morreu, hoje, aos 87 anos, de enfarto. Ainda levava uma vida profundamente ativa e produtiva. Leiam mais sobre ele AQUI e AQUI.

[Ab'Saber com o troféu Juca Pato de intelectual do ano de 2011]

Enxurrada

Melhorar o nível de urbanização não pode se resumir ao 'embelezamento da cidade', que se tornou o bordão de última hora da atual administração. Quando, por exemplo, vão voltar a se preocupar com obras sérias de drenagem pluvial como a que foi iniciada e não terminada, em administrações passadas, na Quintino Bocaiuva? Enquanto, por baixo, tem-se uma boa grana enterrada; por cima, com o aumento da impermeabilização do solo, as enxurradas e os alagamentos estão ficando incontroláveis. A chuva da tarde de ontem foi um exemplo. Vejam matérias no Portal Sete: Chuva arrasta carros no centro da cidade; e no Sete Lagoas: Novos pontos de alagamento surgem após intensa pancada de chuva em Sete Lagoas.

[Matéria no SETELAGOAS.COM.BR]

'Cidade Aberta'

Cidadãos de rua

Na coluna Cidade Aberta, no SETE DIAS,  dessa semana, eu volto a um tema que já havia abordado no ano passado: o dos moradores de rua. Num momento em que os jornais noticiam atrocidades cometidas contra essa população, eu procuro compartilhar algumas lições que tenho extraído de minha aproximação com eles, em virtude de uma consultoria que estou prestando para elaboração de tipologias arquitetônicas para Centros de Referência para População em Situação de Rua. Leiam o SETE DIAS. Leiam a coluna Cidade Aberta. Sua versão digital está AQUI.

15 de mar de 2012

É isso mesmo? - III

Outra conversa que apareceu no bojo de críticas que ouvi sobre as reuniões do PD, de ontem: o projeto do Centro Administrativo já está pronto e é de autoria do irmão do prefeito, Paulo Rogério Campolina Paiva. Mais: que a construtora será a mesma do Hospital Regional. Algumas perguntas: a primeira, inevitável: isso é verdade? A segunda: o projeto do Centro não será licitado, prestigiando os arquitetos locais? A terceira: se for verdade, qual a relação contratual entre a Prefeitura e o irmão do prefeito? A quarta: se houve doação de projeto, porque não se fez um concurso de ideias - não oneroso - entre os arquitetos setelagoanos? A quinta: já houve elaboração de projeto executivo e licitação de obras? A sexta, foi feito um estudo de impacto de vizinhança e debatido publicamente ou foi tudo na surdina? A última: já foram definidos os parâmetros urbanísticos de ocupação daquela área, em harmonia com o entorno tombado da Estação Ferroviária, inclusive com aprovação legislativa, ou isso é bobagem? É isso mesmo?

[A propósito, em se falando de projetos do irmão do prefeito, como anda a já conhecida 'Estação do Caio', a estação de transbordo que virou terminal rodoviário, ali ao lado?]

É isso mesmo? - II

No artigo que escrevi, na semana passada, no SETE DIAS, eu expus, indiretamente, como acho que devem ocorrer as discussões do Plano Diretor. Em linhas gerais, não acredito em coleta de informações espontâneas e abstratas, que reúne um conjunto de 'boas intenções'. Isso não é participação. A participação democrática pressupõe informação. Acho que os debates devem se dar com pautas relevantes, com prévia construção de cenários e com um acervo de dados, de tal forma que a população possa opinar com conhecimento de causa. Nem tudo que se quer é possível; é preciso fazer escolhas dentro de contextos reais. Pra mim, esse é o papel central da consultoria: dar consistência técnica à decisão política da população. Desculpe-me a franqueza, mas as perguntas que soube que orientaram os debates, ontem, se forem essas mesmas, a meu ver, infantilizam completamente o processo. É isso mesmo?

Pergunta 1: quais são os 5 principais problemas da cidade?
Pergunta 2: quais são as 5 medidas para que Sete Lagoas tenha o maior IDH de Minas Gerais?
Pergunta 3: quais são as 5 medidas para Sete Lagoas se tornar uma cidade ambientalmente correta?
Pergunta 4: defina Sete Lagoas em uma frase que representa o seu sonho para a cidade?
Pergunta 5: quais são as medidas [...]

É isso mesmo? - I

Dada minha condição de ex-secretário, sobre a elaboração do Plano Diretor, eu estava disposto a um silêncio obsequioso. Mas silêncio demais, em determinado contexto, não é obsequioso, mas omisso. Aí, mais do que ex-secretário, eu sou cidadão. Por provocação de um anônimo, eu já comentei AQUI alguns pontos sobre o Plano Diretor. Volto ao assunto, depois de uma chuva de telefonemas que recebi, hoje, sobre a condução do processo em reuniões ocorridas ontem. Quero, de antemão, esclarecer dois pontos: primeiro, não torço contra a revisão do Plano Diretor; ao contrário, acho que precisamos sim de uma revisão do plano, mas de uma revisão de qualidade. Segundo, mas, porém, contudo e todavia, acho um risco o que o governo decidiu fazer: por um lado, elaborar um plano, via suporte de consultoria externa [até aí tudo normal...], mas sem a prévia estruturação de um grupo interno familiarizado com o tema da política urbana, para fazer a coordenação interna do projeto e a interlocução qualificada com os consultores; e, por outro, com o agravante de elaborá-lo, justamente, em um ano eleitoral.

Mandaram-me, pela manhã, o link de um vídeo no Youtube que mostra uma reunião bizarra e totalmente fora de controle. Há uma evidência aí: quem está coordenando o processo pode ter expertise em outras áreas da gestão pública, mas, até aonde sei, não tem nenhuma trajetória na de política urbana. Isso é um limitador enorme. Eu acho que Planos Diretores devem ser multidisciplinares, devem incorporar competências que a Prefeitura tem em todas as áreas, mas não pode prescindir de competências internas [para além da consultoria] em política urbana. Nesse caso, eu retomo minha pergunta na postagem anterior: quem responde pela política urbana de Sete Lagoas, hoje? Quais profissionais ocupam os cargos de gerente e diretor de Política Urbana, na Secretaria de Planejamento?. E respondo: “não há ninguém cuidando de política urbana”. É isso mesmo?


[http://youtu.be/98ZWFJM1YVI]

13 de mar de 2012

Pitacos

Resolvi me desdizer. Disse que não era chegado a vaticínios eleitorais, quando nem sequer se conhecem os nomes dos candidatos a prefeito, mas voltei atrás e resolvi dar uns pitacos. Afinal, livres pitados são só pitados. Na verdade, ando tão impressionado com a convicção e o ânimo de alguns 'analistas' políticos locais que me motivei. Meu problema é exatamente este: não compartilho, cegamente, de nenhuma dessas firmes convicções.

Não vi pesquisas, mas soube de várias. Dizem que o grid de largada teria na ponta Duílio, Dr. Ronaldo e Leone, numa ordem que desconheço; no meio da fila, Emílio; e na rabeira, Maroca, arrastando uma rejeição pavorosa. Não sei a posição de Múcio, nem se ele se perfilou. Aí, só consigo achar o mundo político uma piada: todos sabem que pesquisas precoces não valem nada; muitos políticos já tomaram surras homéricas dessas pesquisas; mas basta sair a primeira e todos acreditam piamente que é o resultado exato das urnas. Se isso fosse verdade, Haddad, em São Paulo já seria carta fora do baralho e não teria, do alto de seus, o quê?, 7%, enlouquecido a tucanada.

Maroca está morto: essa é a primeira convicção; quase unânime. Será? Eu sou dos que acreditam que o que vence eleições é logística: bom arranjo partidário, bons apoios e, claro!, um caminhão de dinheiro. No cargo, quem me diz que o prefeito não consegue armar esse jogo e transformar água em vinho? Fácil não é; nem impossível. De um lado, ele tem problemas: tem pouca coisa pra mostrar. Nos conflitos com sua equipe, ele foi matando secretários e temas. Acabou refém dos buracos. Agora, por mais que faça, sua visibilidade, aonde dá voto pra valer, é pequena. Tem aí umas obras a inaugurar na hora h, mas não chega a formar um belo portfólio. Por outro, cativou bons amigos, de vários partidos, e empresários, e isso vale muito. Eu não me engano: essa conversa de que ele não será candidato é jogo de cena, bem ao estilo dele, que ele vem com as burras cheias e apostando todas as suas fichas num número só: na saúde, que foi o que lhe restou! É tudo ou nada.

Logística. Se ela vale, a chance de Dr. Ronaldo João não existe: candidato de si mesmo não sai do lugar. E as de Emílio estão à prova. Emílio é um cara articulado, tem discurso e, em terra de cego, quem tem um olho é rei. Mas talvez tenha perdido seu grande momento de atrair apoios e roubar a pole, há um ano, quando era o único candidato declarado frente a um governo aos trapos. Demorou. Deixou os concorrentes chegarem perto demais. Se vier como um candidato só familiar, não colherá, aí, mais votos do que já colheu.

E Márcio Reinaldo? Eu seria a última pessoa a saber o que se passa na cabeça do cidadão. Mas, cá pra nós, é um cara com poder demais, fora daqui, para se interessar por vir cuidar de tapa-buracos. A não ser que tenha se frustrado por não ter virado ministro. Mas no fundo, eu tenho uma ideia fixa: ele sabe que é o rei do terreiro e não quer disputa. Todos lhe tiram o chapéu, até o prefeito. Seu problema é Duílio que se tornou deputado um tanto às suas custas e anda insubordinado. E ambicioso. Cada vez que Márcio  Reinaldo ameaça entrar na disputa, eu leio apenas como um recado para Duílio: sossega que a política tem fila e dono. No mais, ainda consegue fazer uma operação diversionista: cria factóides, enquanto aguarda ordens palacianas e, na dúvida, vai cacifando Leone, do seu partido. O cara não é de perder viagem. Estou muito errado, Donizete? Acertei pelo menos um submarino?

Resta o imbróglio do PMDB. Dizem que estão apenas esperando o tempo do Múcio chegar. A dúvida é se esse tempo chegará. A tempo. Com sua obra na beira da lagoa transformando um símbolo de novo sucesso em pesadelo. Sem Múcio, um partido com tantos nomes, ficará sem nome nenhum. Claro: figuração não vale. Só o indefectível Amaro para nos orientar...

Ah!, e a turma da esquerda? Sem candidatos próprios até agora, ou formam um comboio ou não formam nada. E é um comboio imprevisível. O PT é contra Maroca, mas tem petistas fortes no governo; o PCdoB, pelo jeito, também é governista, é e não é, e articula na oposição. O PV tem parte com Múcio e parte com não sei quem. Ou seja, nesse território, melhor não meter o bedelho. Se eu atirar, só acerto água...

Paulistice

Está aí um assunto que apareceu do nada. Na minha atual fase zen, nem veio em boa hora. Mas navegando na internet, eis que me apareceu a receita clássica do sanduíche Bauru. Essa vale a pena guardar no baú. Mais hora menos hora, acaba sendo útil. Depois do sanduba de salame do mercado de São Paulo, o Bauru é o mais renomado dos paulistanos. A quem interessar possa, sua receita e sua história estão AQUI.

12 de mar de 2012

Vai tarde...


O senhor Ricardo Teixeira, enfim, depois de 23 anos, limpou o beco. Entupido de suspeições, demitiu-se, hoje, da CBF e do COL. Mas como diz Juca Kfouri, o problema da CBF é estrutural; não adianta trocar cebola por cebola. Sai Teixeira, entra Marin. Tem cabimento?! Ele mesmo, o vice-governador malufista que se tornou governador de São Paulo e, nem por isso, deixou de ser uma figura 'periférica' na política paulista e nacional; ele mesmo, que se notabilizou, recentemente, por 'guardar' no bolso [mais ou menos, afanar] uma medalha na premiação do Corinthians; ele mesmo, aos 80 anos, é a 'renovação' do futebol brasileiro. Sem preconceito aos octogenários, mas com essa biografia, que 'renovação' é essa?!

'Sobre palavras e ações'


Para os interessados, leiam AQUI o artigo do Patrus, no Hoje em Dia: Sobre palavras e ações.

9 de mar de 2012

Caro anônimo,


Esse é um assunto para o qual eu não vejo razão para você, caro anônimo, tratar com anonimato. Pelo contrário, ele merece um debate franco e aberto entre cidadãos com nome, sobrenome e profissão. E com liberdade de opinião. E para se expor e trocar opiniões, é preciso saber de que lugar e com qual universo de interesses cada um fala. Portanto, é preciso saber com quem se fala... No anonimato, tudo não passa de provocação. De toda forma, eu vou pontuar aqui cinco aspectos iniciais que não espelham apenas uma visão pessoal. Se você acompanha a discussão nacional sobre política urbana, ou sobre a falta dela, você saberá que há um grande número de pessoas que lidam com esse tema que comungam das mesmas ideias minhas. Ou eu da deles. A propósito, pergunto-lhe: você tem acompanhado esse debate, que se desenrola há anos? Mas vamos lá: dessa vez, vou me ater a questões mais amplas, mas diretamente relacionadas a Sete Lagoas; numa próxima, entro em questões mais práticas. Entre uma coisa e outra, sugiro que você se identifique. 

Ponto 1: Plano diretor e economia
Foi o ponto que abordei no artigo do SETE DIAS. Os planos diretores não trabalham com cenários econômicos futuros e, portanto, não reúnem elementos para decisões que possam interferir no curso econômico da cidade. Isso é decisivo! Em minha opinião, acho que devemos continuar sendo cordiais com grandes empresas que nos procuram, mas o plano diretor deveria proibir qualquer incentivo a elas. Sobretudo se forem consumidoras de recursos ambientais escassos: calcário ou água, por exemplo. Acho que o foco deveria ser o incentivo a micro, pequenas e médias empresas. Fora isso, apenas a empresas de nanotecnologia, biotecnologia, logística e T&I, por exemplo, como mencionou o secretário de Desenvolvimento, em uma entrevista. Acho que isso deve ficar gravado no plano. Ou seja, se o município conceder incentivos fora das prioridades autorizadas, qualquer cidadão poderá obstar judicialmente. Ainda nessa linha, acho que cenários a serem estudados e descritos sobre o desenvolvimento do distrito industrial norte, por exemplo, devem levar a diretrizes mais claras sobre a ocupação do solo na região.

Ponto 2: Plano diretor e direito fundiário
O professor Flávio Vilaça, que não sei se você conhece, disse, enfaticamente, que os planos diretores são ineficazes para direcionar o futuro das cidades. Ele opinou sobre fatos concretos e, em grande parte, ele tem razão. Por quê são ineficazes? Porque não têm coragem de definir firmemente a função social da propriedade urbana e tornam-se planos meramente formalistas. Em outras palavras: tornam-se planos frouxos. É bom lembrar que, ao se definir o que pode ou não edificar [o que será detalhado na LUOS], os planos interferem no direito de propriedade. Eles restringem ou ampliam direitos. Ou seja, eles não pressupõem apenas boas intenções; sobretudo, eles resultam de disputas, de enfrentamentos complexos. Nesse aspecto, tenho dúvidas se o atual governo ainda reúne capital político suficiente para fazer essa mediação e impor decisões que contrariem interesses privados poderosos. Sugiro nesse caso, por exemplo, que qualquer alteração no perímetro urbano de Sete Lagoas, que o plano venha a promover, identifique previamente quem são os proprietários beneficiados e qual a razão pública para isso. Sugiro que se faça o mesmo com relação a alterações em áreas de interesse ambiental.

Ponto 3: Plano diretor e problemas sociais
Outra razão para o professor Vilaça concluir que planos diretores são ineficazes é que eles são legais e só controlam a ocupação legal, a cidade legal. A ocupação ilegal - sobretudo a promovida por populações pobres sem opções ofertadas por políticas públicas, mas também as realizadas pelo grande capital, com a conivência pública [vou me furtar a citar exemplos] - passam à margem. É preciso enfrentar esse ponto e há instrumentos para isso no Estatuto das Cidades. Pelo menos em parte, desde que esses processos 'ilegais' sejam prospectivamente avaliados e descritos.

Ponto 4: Plano diretor e gestão urbana
Responda-me, por favor: quem responde pela política urbana de Sete Lagoas, hoje? Quais profissionais ocupam os cargos de gerente e diretor de Política Urbana, na Secretaria de Planejamento? Não, não estou falando do DLO. O DLO cuida de regulação e fiscalização. Eu estou referindo-me ao acompanhamento, à formulação da política urbana. Outra pergunta, agora sobre o DLO: quantas duplas de fiscais o departamento tem para monitorar toda a cidade? Quantas motos e quantos carros ele tinha em 2009? Uma terceira pergunta: qual o investimento feito em geoprocessamento nos últimos anos? Respondo até aonde sei: (a) não há ninguém cuidando de política urbana; (b) o DLO só tem cerca de seis ou sete duplas e tinha duas motos velhas e nenhum carro em 2009; (c) pelo menos nos últimos 12 anos, não houve nenhum investimento em GEO. Nas duas vezes que fui secretário, não consegui um tostão... O que quero dizer: não adianta um bom Plano Diretor, uma boa LUOS se não há estrutura de monitoramento e gestão da ocupação urbana. E não venha me falar que falta dinheiro: a Prefeitura tem oito mil funcionários e quase ninguém nos lugares estratégicos. Na Secretaria de Planejamento, da qual eu posso falar com alguma propriedade, todos as gerências e departamentos estão subdimensionadas. Se a elaboração de planos diretores não vierem associadas a processos de modernização administrativa, esqueça!

Ponto 5: Plano diretor e qualidade de participação social
A exigência de participação popular na elaboração de planos diretores [Planos Diretores Democráticos e Participativos] foi proposta como forma de se garantir a prevalência do interesse coletivo sobre o privado. Hoje, há um forte questionamento sobre, não a participação em si, mas sobre a qualidade dessa participação. Ou seja, escuta-se a população, colhe-se um belo acervo de percepções e proposições sobre a cidade, depois o processo é afunilado, decidido 'tecnicamente', sob forte influência 'política' e levado à Câmara, aonde a pressão econômica costuma surtir efeito. Em bom português: até que ponto, não só em Sete Lagoas, mas também aqui, essas oitivas públicas são ou serão apenas pró-forma, 'de fachada', como no caso da Audiência Pública do Boulevard Santa Helena? O plano final retornará às reuniões comunitárias para sua aprovação, antes de ser submetido à Câmara? As decisões críticas [o que está realmente em jogo] do plano serão expostas claramente nessas reuniões comunitárias? É bom lembrar: participar pressupõe acesso a informações e interferência na decisão. Senão é balela...

'Cidade Aberta'

...o inferno está cheio

Ultimamente, as críticas ao gusa tornaram-se quase uma unanimidade. Mais ou menos como chutar 'cachorro-morto'. Me parecem todas tardias. Deveriam ter sido feitas, com propostas de mudanças, nos últimos 50 anos; agora é tarde. E fácil. Na minha opinião, o que faz sentido, hoje, é entender o que o gusa significou para a região. Fazer um esforço de compreensão do processo não com os olhos saturados de agora, mas com a cabeça de 1950 e poucos. Qual era a alternativa? E com o gusa deveríamos extrair uma lição: a de que é importante tentar entender o que significa o novo processo industrial que vivemos, enquanto ele está em sua origem, enquanto podemos interferir nele, e, prospectivamente, avaliar no que ele dará. Quem garante que ele não nos levará a um caos urbano? Ou vamos aguardar 50 anos para descobrir aonde chegamos e criticar o processo? A economia determina mais a configuração das cidades do que planos urbanísticos. Mas preferimos achar que a economia segue por si e que nos cabe, apenas, fazer planos. Inúteis. É mais ou menos esse o tema da coluna Cidade Aberta, no SETE DIAS, desta semana. Leiam AQUI, critiquem e comentem.

8 de mar de 2012

Porto Velho e 'Liberdade'

Somem aí: na vinda, uma hora e pouco de Belo Horizonte até Brasília e mais quase três até Porto Velho; na volta, duas até Cuiabá, mais duas até Guarulhos e mais uma e quase meia até Belo Horizonte. Umas dez horas de vôo mais o tempo de espera em aeroportos. No final, umas quatorze horas de deslocamento, ida e volta...

Para manter 'a espinha ereta, a mente quieta e o coração tranquilo', impossível se valer apenas de um livro trash, como, habitualmente, eu faço. Então, vim armado: 'Liberdade' de Jonathan Franzen [Editora Companhia das Letras, 761 págs., R$46,50]. Estou pela metade e estou gostando muito. É muito envolvente.

Na verdade, essa leitura faz parte da minha preparação para a FLIP 2012 [eu vou... vamos?]: Franzen é um dos escritores já confirmados em Paraty.

Porto Velho e as usinas

Desde o princípio da história, eu vi que havia alguma coisa incomum: dificuldade de vôos e hotéis, em uma cidade que, para capital, é relativamente pequena. Razão: as construções das usinas de Santo Antônio e Jirau, no Rio Madeira. Disse-me um porto-velhense, ainda no avião, que cada usina contrata mais de 30 ou 40 mil homens. A mais,  tem-se um mar de consultores, auditores e similares. Santo Antônio está praticamente dentro de Porto Velho, a montante; Jirau, a uns 100 quilômetros, a jusante. A cidade está tendo que suportar esse mega afluxo de pessoas. E há problemas. A falta de hotéis e vôos são os menores.

O problema maior é social. Gasta-se muita grana com projetos sociais. Mas são recursos, basicamente, para saúde e educação. Há uma parte fora de controle: aquela que vai bater à porta da Assistência Social. Muito trabalhador que chega a procura de emprego e não encontra, muitos problemas típicos da reunião de uma multidão de homens [uso de drogas, perda de emprego, desvinculação familiar etc.], famílias que chegam a procura de alguém que veio pra cá e sumiu e por aí afora. Dramas humanos aos quilos. E para o futuro, o temor são 'os filhos das usinas', como já houve 'os filhos da estrada'. Os problemas de gravidez que ficam de pais que se vão...

Porto Velho

No post Curitiba, eu disse que, quando viajo a trabalho, faço turismo pela janela do carro. Por menos que se possa conhecer, dá pra sentir, pelo menos, os ares da cidade. Fim de dia, é preciso correr para aproveitar a última luz do dia. Em Porto velho não havia chovido, hoje; choveu, logo que a noite caiu...

A cidade e o rio
Porto Velho não tem a tradição e a opulência de outras capitais ribeirinhas como Manaus, no Rio Negro, e Belém, no Guajará. Mas, como toda cidade, tem seus atrativos. Eu gostei da topografia local. É muito plana, mas com desníveis, ora aproximando-se do nível do Rio Madeira, ora elevando-se. Mas o maior atrativo nesses casos, sempre imperdível, é mesmo o rio. Os rios da região amazônica são impressionantes. As zonas de porto, as docas, as áreas populares, as áreas revitalizadas, o vai-e-vem de embarcações, os mercados, tudo isso é muito peculiar. No entorno próximo, as construções de época, da cidade antiga.

[Embarcação no Rio Madeira]

[Mais embarcações no Rio Madeira]

[Parque Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, ao lado do rio]

[Rio Madeira. Ao fundo, a Usina Santo Antônio]

[Parque Estrada de Ferro Madeira-Mamoré]

[Parque Estrada de Ferro Madeira-Mamoré]

[Parque Estrada de Ferro Madeira-Mamoré]

[As três caixas d'água]

[Mercado Cultural]

[Palácio do Governo do Estado]

Cupuaçu
No Centro de População de Rua que fui visitar, mostram-me um cupuaçu; depois, voltei a ver outros no mercado. Não conhecia ao vivo e a cores Achei que fosse doce como pinha, araticum ou jaca, mas é azedo...




O bacalhau nacional
O pirarucu, 'o maior peixe de escamas e de água doce do mundo', salgado, é um atrativo do mercado.


Ervas e temperos
Aí é um festival: curas para todos os males, temperos para todas as iguarias. Muito legal...




Neymar, 3

O futebol anda vivendo apenas de virtudes individuais. Nessa quarta, Neymar deu um show. Seus dois gols, partindo com a bola do campo de defesa, foram duas pinturas. Dois passeios. Pra mim, ontem, ele bateu Messi...


[A propósito, Wallyson voltou triunfal e marcou 3 na vitória cruzeirense sobre o Rio Branco, ontem. OK!, OK!, o adversário não era lá essas coisas, mas três gols são três gols...]

6 de mar de 2012

Eu já vi essa história...

.
Em Curitiba, empresário se acorrenta a paineira-rosa de 70 anos para impedir seu corte. Essa notícia está no portal Primeira Edição [AQUI]: "Um empresário de Curitiba se mantém acorrentado a uma árvore desde as 7h desta segunda-feira (5) para impedir que ela seja cortada. Carlos Eduardo Andersen, 37 anos, promete que só sai do local após ter uma garantia de que a paineira rosa com cerca de 70 anos de idade e pelo menos cinco metros de altura seja poupada. Até as 12h15, ele permanecia no local".

Isso me traz velhas lembranças à cabeça... Quem se lembra?
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[Foto disponível em vários sites da internet]

Em 1975, um setelagoano, Carlinhos Dayrell, filho de D. Doxinha, fez coisa semelhante. E muito mais impactante e arriscada porque os tempos eram outros. Subiu numa árvore em Porto Alegre para impedir seu corte. Meio Ambiente ainda era um assunto inexistente. Só existia para quem enxergava à frente de seu tempo. Carlinhos era da AGAPAM, a Associação Gaúcha do Meio Ambiente. A árvore, uma tipuana, continua lá, Carlinhos ganhou uma placa em frente à Faculdade de Direito da UFRGS e, anos depois, o título de Cidadão Honorário portoalegrense.