3 de fev de 2012

De Brasília: Parada Popular

Desde que morei em Brasília, tomei gosto por descobrir os muquifos brasilienses. Eu já falei AQUI do meu preferido: o café 'A Esplanada'. Eles parecem provocar a lógica cartesiana do urbanismo e da arquitetura da capital federal. Desde ontem, quando ia para uma reunião de trabalho, fiquei curioso com um desses muquifos, no final da Asa Norte. Com um não, com dois. E havia uma particularidade neles: um ponto de ônibus inteiramente inusitado:



Hoje, por curiosidade, terminada uma reunião pela manhã, e antes de retomar os trabalhos, à tarde, aproveitei o horário de almoço para conhecer de perto. E qual não foi minha surpresa ao saber que esses pontos de ônibus são bibliotecas populares. Isso mesmo: bibliotecas! Com estantes de livros onde você pode deixar livros em doação ou de onde você pode tirar livros para leitura. Incrível!


Não, não é uma ideia maluca; é um projeto do Açougue T-Bone. Isso mesmo de um açougue. Mas aí é outra história que quem não conhece precisa conhecer. É um açougue cultural, que eu já conhecia dos tempos que morei aqui. Além de um açougue com letras, ele promove eventos famosos, como shows musicais com a fina flor da música brasileira. Muita gente boa já passou pela casa; ano passado, por exemplo, foram José Ramalho e Milton Nascimento. Eu aproveitei que estava perto e dei um pulo lá. No balcão, estava o dono da ideia, Luiz Amorim: um açougueiro que acredita que a cultura muda o mundo e faz a sua parte. Ele se responsabiliza por dar manutenção nas bibliotecas das paradas de ônibus. Conversamos e ele me explicou o projeto Parada Cultural que já vai para quatro anos de sucesso. Façam uma visita ao site do T-Bone e conheçam o projeto, o açougue e o Luiz. No açougue, ele também tem uma biblioteca popular que fica disponível 24 horas por dia. Quem tem livros põe, quem quer ler, tira. A comunidade se apropriou e o projeto funciona desde 1998. Genial!



Ah! A propósito: o Luiz Amorim ainda garante que vende as melhores carnes do Brasil...

3 comentários:

A. Claret disse...

Flavio,

Que bom exemplo, hein? Aqui deixavam livros nos bancos das praças, campos de esporte, etc e isso era incentivado por propagandas na TV. Especificamente em Granada, se distribui mini-contos quando voce toma um onibus urbano. Poderiam fazer isso em S. Lagoas: o Pablo tem uma otima serie de micro-relatos. Fica a dica.
Abs.

Blog do Flávio de Castro disse...

O bacana é que ninguém vandaliza. A coisa funciona certinha... É demais!

Ramon Lamar disse...

Ah, Flávio. O vandalismo que ocorrem em Brasília é outro!!!
Sempre foi...
Até quando será?