29 de fev de 2012

Micro contos: EAD com o prof. Pablo Pacheco

Exercício #3
Gastou uma vida para conquistar seu único amor. Enfim! Amou naquela vez como se fosse a última. E foi. Na urna, nem sua esposa o reconheceu.
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[Ufa!: 140 toques. Aguardando nota do professor]

28 de fev de 2012

Nem que a vaca tussa...

... esse time de Mano consegue jogar bola.

Não vi o jogo, mas já me disseram que não perdi nada. Um jogo sem nexo: enquanto a Inglaterra faz seu amistoso contra a Holanda, a Argentina contra a Suíça e a Itália contra os Estados Unidos, o Brasil pega a Bósnia-Herzegóvina, time sem nenhuma tradição, e ainda passa aperto. Segundo as coberturas dos portais e dos blogs, a vantagem do Brasil sobre o adversário foi desprezível; Mano manteve sua cabeça dura com um homem a menos em campo chamado Ronaldinho Gaúcho e outro, de nome Júlio César; e precisou de um gol contra nos acréscimos para fazer 2 a 1. Incompreensível: Ronaldinho e Júlio César já deram o que tinham que dar; chega! Amistosos servem para preparar times para o futuro, não para o passado. Isso não vai dar certo.

[Recorte sobre foto do portal Terra]


PS, 29/02/2012: De Juca Kfouri: "De todas as obras para a Copa 2014, a seleção é a mais atrasada..."

Escola do Legislativo: Técnicas para Apresentação em Público

Está aí um bom curso. E gratuito. A professora e fonoaudióloga Luciana Thomsen ministra, nesta quarta-feira, dia 29, das 13:00 às 17:00, na Câmara Municipal, curso sobre 'Técnicas para Apresentação em Público'. Uma boa oportunidade...

As inscrições podem ser feitas com Alcione ou Márcio pelo telefone 3779 6337.

Micro contos: EAD com o prof. Pablo Pacheco

Exercício #1
Estava num dia de sorte. Foi atropelado. Pelo SAMU. Teve o atendimento mais rápido da história do SAMU em Sete Lagoas. Recorde! Graças a Deus, justo com ele! Passa bem. Aguarda alta no corredor do HM.

Exercício #2
Nunca bebeu. Nunca fumou. Nunca se excedeu. Só trepou por amor. Manteve os níveis de colesterol, triglicérides e glicose sempre irrepreensíveis. Acumulou uma vida de créditos para ter, na velhice, o que de melhor a vida poderia lhe oferecer. No dia dos seus 70 anos, começou a descontá-los. Saiu de casa e foi ao Bar e Mercearia, ao lado. Pediu uma cerveja gelada, uma cachaça e uma língua ao molho. Às sete da manhã. Ainda de pijama...

[Aguardando notas do professor]

Chinês vence o Pritzker 2012

Anunciado ontem, o laureado pelo Prêmio Pritzker 2012, o 'Oscar da Arquitetura', foi o arquiteto chinês Wang Shu, de apenas 48 anos. O juri destacou, particularmente, seu projeto para o Museu Histórico de Ningbo [foto]. Shu é o primeiro chinês, morador na China, a levar o prêmio, que já teve como vencedores os brasileiros Oscar Niemeyer e Paulo Mendes da Rocha. O site oficial da premiação está AQUI.

27 de fev de 2012

Obrigado!

Quando a gente fala de medicina e planos de saúde os motivos, em geral, são para críticas. Mas é bonito quando a gente vê pessoas exercendo a profissão de médico ou de enfermeiro com uma clara dedicação pessoal, ainda que esse pessoal contenha uma dimensão profissional. Eu gostaria de compartilhar aqui o que vivemos nessa última semana. Na segunda de Carnaval, minha mãe teve, logo pela manhã, uma crise respiratória que ela nunca havia tido. Levada às pressas ao Hospital da UNIMED, viu-se que ela estava em situação de risco, com um edema pulmonar agudo. O Dr. Geraldo Alcântara e os enfermeiros da sala de observação Fernando, Ana e Valdinéia dedicaram-se a ela de forma concentrada, responsável e generosa e conseguiram estabilizá-la e tirá-la da condição crítica. Eu quero agradecer-lhes muito tanto pelo que fizeram por minha mãe como pela paciência com que lidaram conosco, familiares, nos informando de tudo e deixando-nos participar ativamente daquele momento angustiante. Depois, quando ela foi para o apartamento, quem assumiu o plantão e o caso da minha mãe foi a Dra. Rita Starling. Mais uma vez, eu pude ver uma demonstração enorme de competência, seriedade e solidariedade. Ela acertou em cheio o diagnóstico – que veio a se confirmar, depois, com uma série de exames, de uma trombo-embolia pulmonar – e pôde antecipar o tratamento. Eu quero agradecer também à Dra. Rita à  Geralda à  Graziele e ao Isaías, e no turno seguinte,  à  Andréia à  Marina, da equipe de enfermagem, que cuidaram carinhosamente de mãe. É muito bacana ver como as enfermeiras, e os enfermeiros, pelo bom humor, pela destreza em lidar com situações, às vezes, constrangedoras, estabelecem uma relação afetiva com o paciente. Minha mãe está em casa e eu sei que devemos a vida dela a essa turma. Na quarta, eu só viajei para Curitiba porque me asseguraram que o caso dela já havia superado a situação de risco e, com o suporte hospitalar, seguramente, ela iria se manter estável, pelos próximos dias, o que, de fato, ocorreu. Não convivi com outros médicos e enfermeiros que cuidaram dela nos dias que estive fora, mas deixo para eles também o meu muito obrigado. Por fim, permitam-me fazer uma homenagem a uma pessoa que se parece sempre tão frágil, mas que nos momentos difíceis é um esteio, daqueles de aroeira, inabalável: a minha mãe Selma. A forma com que ela viveu a morte de meu pai, há nove anos; a morte de Juninho, meu irmão e seu filho mais próximo, em condições tão dramáticas, no ano passado; e a forma com que superou o seu próprio risco, com serenidade, com mansidão, sem reclamar de nada, apegando-se afetivamente a todas as pessoas que a socorreram, é uma enorme e silenciosa lição para todos nós, lá de casa.

26 de fev de 2012

Esse Kassab...

Outro dia mesmo, o prefeito paulistano Gilberto Kassab estava na festa de aniversário do PT. Cortejou o partido, prometeu-lhe o apoio do seu PSD na próxima eleição municipal na capital paulista, negociou a vice-candidatura, animou alguns e constrangeu outros, especialmente Martha Suplicy. Martha viu a coisa como um 'pesadelo' e disse temer 'acordar de mãos dadas com Kassab'. Nos últimos dias, o mesmo Kassab, alegando 'dever de lealdade', hipotecou o seu apoio 'incondicional' ao agora candidato José Serra, maior opositor do petismo em SP, e declarou que sua 'prioridade será elegê-lo'. Tudo na mais perfeita ordem, com explicações de tratar-se de fato normal por todas as partes. Que o mundo político ache isso normal é normal; o perigo é nós também acharmos que não há nada demais nessa viração de casaca em série. Antigamente, 'virar a casaca' era algo desabonador, tinha a ver com caráter ou com a falta dele. Agora não é mais, não tem mais a ver com coisa alguma; é apenas 'normal'... [Leiam um texto curioso sobre o termo 'virar a casaca', antes e agora, no Jangada Brasil]

Acidentes na Antártida

Na sexta, a notícia era de que o governo brasileiro estava escondendo, desde dezembro, o naufrágio de uma 'chata' com 10 mil litros de óleo combustível, na Baía do Almirantado, no litoral da Antártida [AQUI]. Hoje, enquanto ainda se aguarda a melhoria do tempo para içamento da embarcação, uma notícia pior: a base militar e científica brasileira na Antártida, a Estação Comandante Ferraz, incendiou-se. Dois militares morreram e um saiu ferido, mas fora de perigo. Entre cientistas, militares e visitantes, cerca de 60 pessoas precisaram ser retiradas da estação e transferidas, até que sejam resgatadas, para a base chilena Eduardo Frei. O mau tempo está dificultando o combate ao incêndio pela Marinha, que teve que ser suspenso, e a avaliação real de danos.

[Recorte de foto no Estadão Online]

Leiam mais AQUI, AQUI, AQUI, AQUI e AQUI.

Clarice e Nava

Clarice Lispector e Pedro Nava foram destaques nos cadernos culturais de sábado. Clarice, pelo lançamento de Clarice Lispector - Figuras da Escrita, "tese do português Carlos Mendes de Sousa, cultuada entre os estudiosos da escritora", que ganha sua versão brasileira pelo Instituto Moreira Salles, com lançamento previsto para o próximo dia 8/3. Nava, pela reedição de sua obra pela Companhia das Letras. Baú de Ossos e Balão Cativo, os volumes iniciais do escritor mineiro, já estão disponíveis [o primeiro, com 492 págs., a R$ 54,50; e o segundo, com 424 págs., a R$ 52,00]. Sobre Nava, a matéria da Ilustrada da Folha é apenas para assinantes, mas a do Sabático do Estadão pode ser lida AQUI.

A propósito, me chamou a atenção uma resenha na Ilustrada, da FSP, com avaliação 'ótima'. Acho que vale a pena colocar no radar. É um romance de caráter histórico de uma finlandesa sobre o domínio soviético na Estônia: Expurgo, de Sofi Oksanen, Editora Record, 350 págs. R$ 49,90. A conferir...

25 de fev de 2012

Bike Sampa

Nós já falamos AQUI sobre o Bike Rio, um projeto da Prefeitura do Rio, sustentado pelo Banco Itaú. A Prefeitura não pôs dinheiro; quem financiou o projeto foi o banco em troca de publicidade e da venda de cartão de crédito com a sua bandeira. São 600 bicicletas em 60 estações. Para quem quiser saber mais, há um site próprio do projeto na internet [AQUI]. O sistema é todo informatizado e o usuário pode fazer tudo por internet ou celular: saber se há bicicletas disponíveis na estação desejada, se há vaga para devolução, cadastrar-se, adquirir passe etc. Se, por exemplo, você está em Copacabana, nesse minuto,  na estação em frente ao Copacabana Palace, tem-se 4 bicicletas disponíveis e 10 vagas livres. Veja aí:


Agora é a vez de São Paulo. A Prefeitura já pôs o bloco na rua: Itaú e Bradesco disputam a autorização para instalação do sistema paulistano de aluguel de bicicletas, similar ao carioca. Mas bem maior: serão de 3.000 a 5.000 unidades. E com a primeira hora free. A matéria está no Estadão, de hoje: São Paulo terá sistema de aluguel de bikes com 1ª hora grátis [AQUI].

Apesar de plana, plana, com todas as condições favoráveis, a vez de Sete Lagoas, pelo jeito, não chegará nunca!

24 de fev de 2012

'Ocupar para melhorar!'

"Na contramão da tendência das cidades, moradores resgatam o espaço público como lugar de encontro e diversão". Isso em plena cidade de São Paulo... Acessem AQUI o Blog Cidade Democrática e leiam mais a respeito.
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'Cidade Aberta'

Gente demais, carros demais; soluções de menos

Tudo, hoje em dia, envolve muita gente. No Carnaval, as estradas e as cidades carnavalescas mostraram, como nunca, que há gente demais e carros demais. Terminados os dias de Momo, voltam todos a superlotar suas cidades. Em Sete Lagoas, a bola da vez é a implantação de mão única nas vias. A princípio, isso pode ser boa solução; como padrão, não. Para além de respostas movidas apenas pelo bom senso, precisamos de soluções estruturais. Esse é o tema do Cidade Aberta [AQUI], na edição do SETE DIAS da semana. No mais, como se diz que o ano começa na quarta-feira de cinzas, desejo, mais uma vez, agora pra valer, um Feliz 2012 a todos!

São José dos Pinhais

São José dos Pinhais é uma cidade conurbada com Curitiba, onde se localiza o aeroporto e aonde eu me hospedei, nessa viagem. Tem a cara de cidades 'metropolitanizadas', com grandes hotéis, condomínios industriais e comerciais. Por outro lado, tem uma topografia plana, uma paisagem urbana aberta e uma estrutura viária bem dimensionada. O site da Prefeitura informa que "São José dos Pinhais é a maior e mais antiga cidade da região metropolitana de Curitiba, com 320 anos de história completados em 2010. Possui, aproximadamente, 300 mil habitantes e é uma das mais ricas do Paraná, com a terceira maior arrecadação e a segunda colocação no ranking de exportações, dentre os 399 municípios do estado". Do que vi, da janela do carro, três coisas me chamaram a atenção: um Condomínio Comercial, com galpões alugados para grandes empresas, bem em frente ao hotel; o Calçadão, que é uma inovação curitibana replicada em São José; e o Terminal Urbano.

Condomínio Comercial
É uma coisa meio Miami. Pouco comum em Minas... Mas mostra bem o padrão de urbanização local.


Calçadão
Não sei por quê temos tanta resistência, em Sete Lagoas, a esse tipo de solução. No centro da cidade de SJP, ele é dominante, atravessando vários quarteirões. Quando bem propostos, quando têm vitalidade e são apropriados pela população, em minha opinião, valorizam enormemente o espaço público. 

[Começa numa grande praça...]

[...passa pela Biblioteca Pública e pela Catedral...]

[... segue como um calçadão comercial...]

[... e vai em frente, já como uma feira]

Terminal Urbano
Em função de sua população e do fato de integrar uma região metropolitana, é natural que São José dos Pinhais tenha um fluxo de transporte coletivo muito grande e, portanto, exija um terminal urbano maior do que o de Sete Lagoas. Mas terminal, maior ou menor, é terminal. Todos funcionam de forma similar. Segundo soube, esse de SJP foi proposto para, se necessário, tornar-se uma estação de transbordo. As fotos abaixo são apenas para podermos, logo mais, compararmos soluções arquitetônicas; este de São José com o que estamos construindo em Sete Lagoas, cujo projeto quase ninguém conhece. Veremos, então, se poderemos nos gabar ou se deveremos nos envergonhar...

[Esquema geral, com áreas verde e amarela]

[Visão geral da área verde]

[Uma visão da área amarela]

[... mais uma]

 [E, naturalmente, o cicloviário]

23 de fev de 2012

Curitiba

Projetos que sobrevivem ao tempo

Em viagens de trabalho nem sempre é possível juntar o útil ao agradável e fazer um pouco de turismo. Habitualmente, passo o dia trançando a cidade de norte a sul, visitando equipamentos sociais centrais e periféricos. Para cada equipamento, tem-se técnicos diferentes para acompanhar e contextualizar a execução da política, localmente. Nessas horas, o companheiro do começo ao fim costuma ser o motorista, que acaba se tornando um grande guia turístico. Hoje foi o Sr. Nivaldo. Da janela do carro, eu vou observando a cidade e matando a curiosidade. Especialmente sobre soluções urbanas interessantes. Vejam essas duas: o Farol do Saber e as bem conhecidas Estações Tubo.

Farol do Saber
Segundo soube, são quase 50 desses pequenos equipamentos comunitários, com menos de 100m², em geral dando suporte a escolas municipais ou localizados em pontos referenciais da comunidade. O acesso à biblioteca e à internet são gratuitos. O acervo bibliográfico é de cerca de cinco mil livros. O custeio é barato, não depende de um batalhão de servidores, nada disso. O único problema que vi foi relativo à acessibilidade. Os primeiros já têm quase vinte anos.





Estações Tubos
A novidade não está nas estações, já bem conhecidas há três ou quatro décadas, mas na durabilidade da solução que representam. Nada dessa bobagem de 'estação de transbordo' ou 'terminal urbano' que estão fazendo em Sete Lagoas. Ao contrário, são simples, originais e resolutivas. Fazem parte de um sistema muito mais complexo, que não é o caso de comentar aqui, com canaletas exclusivas, ônibus 'ligeirinhos' [cor prata] e biarticulados [cor vermelha]. Um sistema integrado no cartão de tarifação. O que me surpreendeu foi o bom estado de conservação de todas as que vi. E em Curitiba há vândalos como em qualquer lugar; mas o poder público parece ser mais competente do que o vandalismo.

['Ligeirinho']


[Estação tubo interligada a um terminal]

[Pichações nos vidros como em qualquer lugar; só que não duram...]


[Ônibus expressos biarticulados com capacidade para 270 lugares]

[Essas aí não são acessíveis. As mais novas já dispõem de rampas ou elevadores]

A bordo

190
Eu estou prestando uma consultoria para o PNUD para avaliação de espaços físicos de Centros de Referência Especializados da Assistência Social, especialmente para aqueles direcionados para população em situação de rua. Uma experiência e tanto... A mais, eventualmente, sou obrigado a circular por algumas cidades do país. Hoje, estou em São José dos Pinhais; amanhã em Curitiba. Para ir e vir, tenho andado em vários tipos de avião; mas cada vez que voo nas aeronaves da Embraer, saio bem impressionado. Nesta noite, voei num Embraer 190: o espaço entre poltronas é ótimo - na saída de emergência, então, nem se fala -, muito melhor do que na maioria das aeronaves, as poltronas são bacanas, de couro; e o vôo, não sei se é um caso de sorte ou não, são muito bons. Hoje, não me dediquei a livros, mas a jornais; sobretudo, ao Estadão.

Educação
Num artigo - Os desafios da educação - do vice-presidente da Fundação Itaú Social, Antônio Jacinto Matias, duas informações me chamaram a atenção. Uma, segundo dados da OCDE, "o investimento por aluno no Brasil, do ensino fundamental ao superior, era de US$ 2.416 ao ano em 2008. A média da OCDE, nesse mesmo ano, foi de US$ 8.961. O Brasil ampliou em 130% seu investimento por aluno de 2005 a 2008, ante 54% da OCDE". Outra: "Conforme o censo, o gasto público por estudante da educação básica no país é cinco vezes menor que o gasto por aluno no ensino superior, somados os investimentos do governo federal, de Estados e municípios". Em 2000, era 11,1 vezes menor...

Duas Europas?
No artigo com este título, de Gilles Lapouge, que fala da diferença entre a Europa do norte e a Europa do sul, há uma frase debochada, não fosse cruel, sobre a Grécia: "De que valeu inventar a civilização, a democracia, a filosofia e a escultura há 2,5 mil anos, no tempo de Péricles, pra se encontrar hoje coberta de bandagens, respirando com ajuda de aparelhos e controlada permanentemente por esses enfermeiros rabugentos que se chamam FMI, UE ou BCE?".

4G
Uma reportagem sobre telecomunicações me fez lembrar o promotor Dr. Ernane que, quando fui secretário, dez anos atrás, questionou a instalação de antenas para transmissão de sinal de celulares, após uma denúncia ao MP sobre prováveis efeitos maléficos à saúde humana. Ao que se vê esse temor não era só setelagoano. Cidades como BH, Brasília, São Paulo, Rio e Curitiba têm controle legal que proíbem antenas a determinadas distâncias umas das outras ou de hospitais, escolas, praças etc. A matéria é justamente sobre o problemão que legislações municipais, na falta de regulação superior, estão impondo à adoção do sistema de telefonia 4G. Como quanto maior a frequência, menor o alcance das ondas eletromagnéticas, a transição do sistema 3G para o 4G obriga a multiplicação por três do número atual de antenas no Brasil [53.207 em outubro de 2011, ainda assim com 3.815 municípios sem tecnologia de terceira geração]. Como os municípios tem competência exclusiva para determinação do uso de solo a solução não anda nada fácil...

21 de fev de 2012

'Qual o motivo de tamanho medo de solidão?'


Eu tive que me ausentar do ‘meu sambódromo’, mas nem assim caí no samba. Continuo quieto, com um ou outro jornal nas mãos. No Estadão de ontem, dois artigos interessantes. A leitura sequenciada de um mais o outro faz sentido.O artigo de Jeremy Peters fala da reforma do The Washington Post, da fusão de suas operações digitais e impressas em busca do aumento de acesso diário, não sem a inevitável pergunta se o interesse pelo crescimento online não estava sendo “conquistado a um preço alto demais”. O segundo artigo, ‘A segunda morte do flâneur’, de Evgeny Morozov, associa os flâneurs parisienses do século XIX, cortejados por Baudelaire e Benjamin como emblemas da modernidade, com os internautas atuais. Lembra o fim do hábito de flanar depois do planejamento urbano de Haussmann para dizer, peremptoriamente: “[...] se há um barão Hausmann na internet hoje, ele é o Facebook”, para completar: “Tudo aquilo que torna possível o flanar online – solidão e individualidade, anonimato e opacidade, mistério e ambivalência, curiosidade e o desejo de correr riscos – está sob o ataque desta empresa”. “Queremos que tudo seja social”, essa é a frase mortal de Sandberg, diretora do Facebook, citada por Morozov. Mais mortal ainda o pergunta-e-responde do poderoso Zuckerberg: “- Preferimos ir ao cinema sozinhos ou com amigos? – Com amigos”. O autor resiste e pondera: “[...] não parece óbvio que consumir sozinho o que a arte tem de melhor é uma experiência qualitativamente diferente de consumi-la socialmente? Qual o motivo de tamanho medo de solidão? [...] É esta ideia de que a experiência individual seria forma inferior à coletiva que subjaz no ‘compartilhamento sem atrito’ do Facebook. Esse segundo artigo, no caderno Link, na íntegra, está AQUI.

20 de fev de 2012

Futebol, ou melhor, anti-futebol

Só mesmo no Brasil uma situação dessas é admitida. Ricardo Teixeira, o imperador da CBF, há 23 anos, que nunca gozou de boa fama, foi pego com a boca na botija e ainda assim mandou dizer que seguirá como presidente da Confederação e do Comitê Organizador Local (COL) da Copa do Mundo de 2014. Não bastassem as suspeições que lhe lançaram as investigações da FIFA sobre a ISL, Teixeira se meteu, dessa vez, em outro caso que chega a ser um absoluto non sense: ele utilizou a própria filha, uma criança de 11 anos, como laranja, para receber R$ 3,8 milhões do controvertido Sandro Rosell, ex-todo-poderoso da Nike e atual presidente do Barcelona. Qual trabalho de consultoria pode ter prestado a prodigiosa filha para merecer essa nota preta? Bom lembrar que Rosell é também sócio da Alianto, a tal empresa que anda na mira do MP por suspeita de superfaturamento no amistoso Brasil e Portugal, no DF, pelo qual recebeu – sem licitação – 9 milhões do governo de Brasília. Só encrenca e encrenqueiros. Juca Kfouri, em sua coluna A agonia do cartola, na Folha desse domingo, aposta que o desembarque de Teixeira está próximo...

Por falar em futebol e Folha, a coluna da semana de Tostão foi daquelas imperdíveis: Ruim, dentro e fora [AQUI]. Tostão começou perguntando: “de quais fontes bebem os treinadores brasileiros?” Ou mais: “quando, onde e como começou o fascínio dos técnicos pelo jogo aéreo, pelos chutões, pelos lançamentos longos e outros detalhes?”; e terminou batendo na mesma tecla dos insuportáveis Teixeira e CBF. "É preciso mudar a estrutura, e não apenas o nome".

19 de fev de 2012

Meu sambódromo

Piscina de água corrente do Serra del Rey


[Cliquem nas fotos para ampliar]

Classificados dos jornais no Carnaval

Sou daqueles que adora ficar sozinho. Gosto de levantar antes de todo mundo, bem cedo, com todos em casa dormindo e a cidade ainda parada. O mundo parece recuperar, nesses momentos, sua configuração original. Volta a ser viável. Eu já sonhei em morar em um mosteiro. Mas não queria ser um beneditino, apenas um inquilino. O meu mosteiro ideal deveria estar dentro da cidade, mas longe do tumulto. Deveria ter uma livraria na esquina, aonde se pudesse ir a pé. E ao lado da livraria, um café. Não, um café, não, um boteco. Eu também deveria ser dispensado das missas das vésperas. E de todas as outras. Mas teria direito, quando quisesse, de entrar na igreja apenas para ouvir os monges na hora do canto gregoriano. Apenas para efeito terapêutico. Também não estaria obrigado a voto de castidade. Isso é coisa de monge. Ou então, como Santo Agostinho, que esse papo com Deus ficasse naquele ponto: “Deus, dá-me a castidade, mas não agora”. Mesmo porque já tenho família e gosto dela tanto quanto de ficar sozinho. Isso parece contraditório, mas vem sendo possível há mais de um quarto de século. Eu não gostaria também de fazer voto de pobreza. Mas temo que já tenha nascido com ele. Se tem uma coisa que pra mim é uma abstração é dinheiro. Nunca conseguimos desenvolver um sentimento profundo e sincero de posse, um pelo outro. Feliz ou infelizmente. Nesses dias de Carnaval, longe, longe da folia, com BH vazia, eu me sinto próximo de meu sonho. Chego a ler nos classificados dos jornais: “oferece-se, gratuitamente, quarto em mosteiro para quem é daqueles que adora ficar sozinho; gosta de levantar antes de todo mundo, bem cedo, com todos em casa dormindo e a cidade ainda parada; que acha que o mundo parece recuperar, nesses momentos, sua configuração original; e que volta a ser viável. Não se exige que seja um beneditino. Dispensa-se comparecimento às missas, especialmente, das vésperas. Não se exige nenhum voto, apenas o de silêncio. Dispõe-se de livraria e boteco, ao lado”. Perfeito! É meu!

16 de fev de 2012

'Cidade Aberta'

“Quanto mais gente na rua, melhor a vida urbana”

Eu fiz uma enorme salada no artigo desta semana no SETE DIAS. Tomei emprestada uma frase dita em Copenhague e fiz uma mistura com o Carnaval brasileiro; não o da Sapucaí, mas esse que está renascendo com os pequenos blocos pré-carnavalescos, que andam ocupando o espaço urbano com um show de alegria, como o Cordão do Constantino, do Boa Vista, e o Mamá na Vaca, do Santo Antônio, em BH. A frase é ótima, não é? Eu acredito piamente nessa cidade pública, democrática, que se realiza nas ruas: “Quanto mais gente na rua, melhor a vida urbana; simples assim". Leiam [AQUI] e comentem. No mais, bom Carnaval para todos. E juízo!

15 de fev de 2012

Avanço da dengue em Sete Lagoas é destaque no EM

A matéria de Marcos Avellar está na versão impressa e digital do Estado de Minas, de hoje [AQUI]. Os números são mais do que alarmantes. O que preocupa é o salto: no final de 2010, o Liraa era de apenas 0,9%; agora, chegou a 5,9% [janeiro], ultrapassando 20%, em alguns bairros.
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"Entre os bairros com altos índices de infestação estão o Carmo, com 22% dos imóveis pesquisados, seguido do Catarina (17%), Cedro Cachoeira e Santa Rita (16%). “O que nos preocupa mais é que o bairro do Carmo é muito populoso”, alerta Maria José" [coordenadora municipal de Controle da Dengue].

Esse assunto permite duas análises. Uma, sobre a atuação pública. Eu não acho que dá pra colocar toda a culpa na Prefeitura, nem dá pra subtrair a sua responsabilidade. É um assunto que depende, diretamente, da participação de todos os cidadãos no seu controle, a partir de suas próprias casas. Mas essa participação precisa ser estimulada por campanhas educacionais públicas de combate à dengue. Esses números, no mínimo, mostram que elas estão sendo ineficazes e precisam ser revistas. Aí a Prefeitura fica mal, especialmente o prefeito. Como se diz: ele está 'pagando língua'. É bom lembrar que na sua campanha, Maroca usou esse tema contra o seu adversário, o ex-prefeito. Em 2007, o Liraa era de 0,2 e, em 2008, ano eleitoral, pulou para 1,8%, colocando Sete Lagoas entre as cidades em situação de alerta. Maroca fez um carnaval em cima disso. Por essa ótica, passados quatro anos, em novo ano eleitoral, Maroca entrega o índice em assustadores 5,9%; portanto, em risco de surto! Ele construiu um telhado de vidro três vezes maior... Falar o quê?!

Só para rememorar, o Liraa é um mapeamento rápido dos índices de infestação por Aedes aegypti e considera os seguintes parâmetros: inferiores a 1%: cidade em condições satisfatórias; de 1% a 3,9%: em situação de alerta; e superior a 4%: há risco de surto de dengue.

A segunda análise diz respeito ao nosso comportamento social. Pra mim, esse é o ponto mais importante. Depois de anos e anos lidando com esse problema, um governo atrás de outro, uma campanha atrás de outra, como cidadãos, coletivamente, não estamos avançando. Ao contrário, a elevação dos índices dá conta de que estamos fazendo cada vez menos a nossa parte.

13 de fev de 2012

'Cidade Aberta'

Desenvolvimento e Conhecimento

Eu, em alguns momentos, acho que o poder público e a iniciativa privada, em Sete Lagoas, não perceberam que centros de produção de conhecimento, as nossas faculdades, os nossos centros universitários, são fundamentais para o nosso desenvolvimento. Não é que podem contribuir; é mais: são imprescindíveis! Universidades não servem apenas para formar pessoas e conferir diplomas, há um outro papel intrínseco a elas que é, exatamente, oferecer conhecimento, tecnologia ao processo de desenvolvimento social e econômico. Resumindo: não há desenvolvimento sem conhecimento. Esse é o tema da coluna Cidade Aberta, no SETE DIAS, que está nas bancas. Eu tomo dois fatos e os confronto: de um lado, a oportuna iniciativa pública e privada, mas sem participação de centros de tecnológicos, de se realizar o workshop sobre Plataforma Logística Intermodal; e de outro, o trabalho que vem sendo desenvolvido pelo UNIFEMM sobre o mesmíssimo tema. Por que não juntar esforços? Leiam o artigo [AQUI], pensem a respeito e comentem...

Nabil sabe o que diz...

O texto abaixo foi publicado no perfil de Nabil Bonduki, no Facebook. Nabil sabe o que diz. Foi vereador de São Paulo pelo PT e é secretário nacional de Recursos Hídricos e Ambiente Urbano, do Ministério do Meio Ambiente. Vale a pena a leitura:


Sobre a cessão ao Instituto Lula de terreno na região da Cracolândia e a aliança com o Kassab:

Participei da CPI das áreas públicas em 2002, quando vereador na Camara Municipal, quando se levantou o escândalo que é a maneira como a prefeitura cede áreas públicas. Na conclusão da CPI foram apresentadas propostas para que essas instituições pagassem contrapartidas compativeis com o valor das áreas quando a utilização não fosse compativel com o carater público. Pouco foi feito, porque ninguém queria se posicionar contra clubes de futebol, clubes de elites, igrejas, etc. Depois apresentei projeto de lei criando um fundo para aquisição de áreas verdes públicas, a ser alimentado com recursos obtidos com essas concessões e com a eventual venda de áreas públicas. Não foi aprovado e a posição do executivo foi contrária, pois se queria vender áreas para melhorar o caixa da prefeitura, como se fez com a venda da área onde estava a AR de Pinheiros (vendida por 16 milhões), hoje um condominio de luxo.

No caso da cessão para o Instituto Lula, sou da opinião que deveria ser recusada por vários motivos:
1. O projeto da Luz é contestado por vários setores da sociedade e a cessão visa legitimar a maneira como ele vem sendo feito, de forma autoritária, sem particpação a sociedade, um mero negócio, com 'n' pequeno aliás;

2. Kassab pretende com esse gesto se identificar com o Lula, lembrando que ele tem péssima avaliação e o Lula está no máximo. Vai servir para alavancar o Kassab, em quem ninguém confia;
3. O Instituto Lula e muito menos o Lula não precisam desse "favor".

Aproveito para dizer a todos que sou totalmente contrário à aliança do PT com o Kassab, que se insere num quadro de descaracterização total do partido. Será o fim do PT em São Paulo, seguindo o rumo que ocorreu no Rio, quando Zé Dirceu e a cúpula do partido impusseram a aliança com o Garotinho e o que ocorreu em Minas, com a aliança Pimentel / Aécio. Nada tem de programático e será um fator para a derrota do Haddad. Temos que nos posicionar contra essa aliança.

Um abraço,
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Nabil Bonduki

Minas: um estado na oposição

Enquanto, um a um, Kassab, Paes, Fruet, todos vão capitulando e aderindo à base aliado do governo [ou dos governos] e vão desidratando a oposição, na direção contrária, aumenta a predisposição do senador Aécio Neves de ir ao ataque. Está no jornal O Tempo online de hoje: 'Fim de lua-de-mel de Dilma é gatilho para Aécio atacar' [AQUI]. O papo é que Aécio manteve-se calado, em 2011, porque decidiu deixar o 'protagonismo' para quem ganhou a eleição: Dilma [uma boa desculpa...]; daqui para frente, subirá o tom, aproveitando-se de imaginável 'desgaste' do governo. Falta apenas acertar no diagnóstico de que esse 'desgaste' virá. Essas nuvens negras úteis ao senador ainda não despontaram no horizonte. Para nós, mineiros, o problema é que, ao atacar, isoladamente, não por razões republicanas, mas por disputa de poder, o neto de Tancredo põe o governo de Minas refém de sua candidatura presidencial. Se já se tem empresário irritado com a falta de interlocução política de Minas com o governo federal, então, é de se esperar pelo pior: pelo jeito, o país, terá por oposição, não um partido, mas um estado. Minha sensação é de que alguns políticos mineiros não têm noção de Brasil e acham que o Brasil funciona como Minas, a seu gosto, com toda mídia e todos os olhos voltados para eles. Pestana, deputado, mineiro naturalmente, aecista obviamente, apresenta a estratégica com simplicidade franciscana: "Conforme a lua-de-mel da opinião pública com o governo Dilma se encerra e as limitações do governo aparecem, Aécio, proporcionalmente, vai subindo a sua intensidade na ação oposicionista". Falta apenas combinar com o adversário; se é que eles entendem que, diferentemente de Minas, no Brasil, eles compõem uma minoria e têm adversários nada fáceis.


E adversários dentro da própria trincheira... Conhecendo-se a fama de mau de José Serra e, a ser verdade que o material que resultou no livro Privataria Tucana surgiu de um dossiê encomendado pelo então governador mineiro contra o paulista, é bom Aecinho se cuidar. Vai ter trabalho. E muito...

Les enfants ne sont pas terribles

Na CPMI dos Correios, mais conhecida como CPI do Mensalão, em 2005, três jovens deputados - um pefelista e dois tucanos - ganharam fama de enfants terribles por tripudiarem em cima do PT, do governo e de Lula: ACM Neto, Eduardo Paes e Gustavo Fruet. Paes, dois anos depois, pulou para o PMDB e para o colo da base aliada petista, para viabilizar sua eleição à prefeito do Rio. Fruet, agora no PDT, está tomando o mesmo caminho e compondo-se com o PT, através do casal Paulo Bernardo e Gleisi Hoffmann, para abocanhar a Prefeitura de Curitiba. Só falta ACM Neto. Questão de oportunidade: pelo jeito, em política, não há enfants, muito menos terribles.

12 de fev de 2012

Mamá na vaca


Eu fugi do Cordão do Constantino, mas a minha fase zen acabou derrapando no Bloco Mamá na Vaca. Inevitável: para meu desassossego, ele se concentra, exatamente, ao lado daqui de casa e envolve o Bairro de Santo Antônio inteiro: crianças, jovens, idosos, quem vai pela rua, quem fica nas janelas. Fazer o quê?! Lá fomos nós... Mas só até a vaquinha da Rua Leopoldina, que dá nome ao bloco. Até a Praça da Liberdade, onde ocorreria uma reunião de blocos vindos de vários pontos da cidade, aí era alegria demais...







Pep

Para quem gosta de Pep Guardiola, a Ilustríssima, da Folha, deste domingo, trouxe duas páginas sobre ele. Basicamente, sobre as ideias que passaram por sua cabeça nos dois anos entre a aposentadoria como jogador [2006] e o início como treinador da equipe principal do Barcelona [2008]. Um detalhe: entre as equipes e os treinadores que o influenciaram, ele cita a seleção do México de Ricardo La Volpe [2006], a seleção argentina de Marcelo Bielsa, que não passou da primeira fase da Copa de 2002, e o Ajax de Louis van Gaal; nenhuma menção a nada do Brasil. No meio do caminho uma indicação simpática: um blog do argentino Matias Manna que se dedica, com vídeos e comentários, a decifrar o futebol de Pep: Paradigma Guardiola. Para os que se interessam pelo assunto, o link está AQUI.

11 de fev de 2012

'Banquete canibal'

[Arquivo do MIS]

O caderno Sabático, do Estadão, comemora, na edição de hoje, os 90 anos da Semana de Arte Moderna de 1922. Imperdível! E diferente de outros jornais, o Estadão tem a sua edição impressa, integralmente online e aberta aos internautas, não-exclusiva apenas a  assinantes. A matéria começa, logo de cara, pondo em questão um ponto central: o que levou fazendeiros e empresários paulistas "mais interessados em fechar naquela semana a exportação de 2 milhões de sacas de café para a França" a "gastar tanto dinheiro com um bando de poetas, músicos, pintores e escultores rebeldes, o mais novo com 24 anos (o pintor Di Cavalcanti) e o mais velho com 34 anos (o maestro Villa-Lobos)"?

Para lerem, utilizem os seguintes links:
Banquete canibal da modernidade: AQUI;
Leituras da 'Paulicéia' na web, AQUI;
22 e o final (feliz) da arte brasileira, AQUI;
Nota dissonante na pauta dos moços, AQUI;

Mulher de palavra


A nova ministra da Secretaria de Políticas para Mulheres, a socióloga mineira Eleonora Menicucci desfez o consenso dos mudos. Em uma política dominada por homens e pela regra de que opinião não vale nada, que o que interessa é calar-se e ficar bem com todas as opiniões populares, com evangélicos e ateus, ruralistas e ambientalistas, pretos e brancos, com tudo e todos, ao mesmo tempo, a ministra destoou. Chegou dizendo logo o que pensa sobre o assunto mais proibido na paróquia, desde a última eleição presidencial: aborto. Disse que aborto não é uma questão ideológica, que é um assunto de saúde pública e que tem posição favorável. Ponto. Enfim, alguém que pensa e diz o que pensa, numa política que só anda dando pauta nos jornais sobre aumentos salariais, coxinhas, madrastas, alianças bizarras e nenhuma ideia que preste. Naturalmente e oportunisticamente, os evangélicos já estão se armando. Sem problemas, ao que se sabe, Eleonora é velha de guerra...

PS, 12/02 - Hélio Schwartsman, em sua coluna dominical, na Folha, lembrando o "festival de hipocrisia que foi a última campanha presidencial", saudou o fato de uma 'autoridade pública' assumir claramente uma posição [no caso, pró-aborto], como "quase um bálsamo".

STF: de onde menos se espera, às vezes, vem...

O Supremo Tribunal Federal, que tem primado por interpretações formalistas injustificáveis, como nos julgamentos da Lei da Ficha-Limpa, deu duas dentro: na semana passada, por um placar apertado de 6 a 5, ao decidir pela manutenção do poder do Conselho Nacional de Justiça - CNJ de iniciar investigações e punir magistrados, independentemente, da atuação das corregedorias locais dos Tribunais; e, nesta semana, ao endurecer a aplicação da Lei Maria da Penha, permitindo que o Ministério Público faça denúncias contra agressores de mulheres e que a investigação seja levado a cabo, mesmo se a vítima desistir da queixa, em geral, por estar vulnerável a pressão.

'Como Proust pode mudar sua vida'

A vida zen não é de todo um mal. Pode parecer uma perda de tempo, mas uma sexta-feira, em casa, sozinho, pode ser uma dádiva. Depois de um filme desses totalmente lights, mais do que lights, bons para reduzir a velocidade da semana, eu devorei 'Como Proust pode mudar sua vida', de Alain de Botton. Botton está com duas novas traduções nas prateleiras: essa e 'Religião para Ateus'. Confesso que não dei muita bola para nenhuma delas até ganhar as duas de presente, na virada de ano. Essa sobre o Proust é muito boa. As referências habituais vão na direção de que se trata de um livro engraçado ou quase um livro de autoajuda. Mas vai muito além disso: o autor faz uma releitura do nada fácil 'Em busca do tempo perdido' e extrai nove compreensões de Proust sobre a vida; coisas como 'como amar a vida hoje', 'como sofrer com sucesso' ou 'como ser feliz no amor'. Mas não se enganem: apenas o formato dá ao livro um quê de engraçado ou de autoajuda. Por aí, Botton consegue tornar acessível e envolvente o 'lago vasto e sagrado' do clássico de Proust. No conteúdo, a brincadeira não faz o livro menos erudito ou uma literatura menor. "... é, ao mesmo tempo, o retrato de um escritor e um testemunho sobre o poder transformador da literatura". Recomendável! [Editora Intrínseca, 256 págs., R$ 19,90].

10 de fev de 2012

Pois é...


Na festa dos 32 anos do PT, uma foto que dá o que pensar... Ou, ao contrário, uma foto sobre a qual não há o que pensar nem falar. Até hoje cedo, Gilberto Kassab não era o codinome de José Serra? E aí, como fica aquela campanha alucinada de Martha versus Kassab [ou PT versus PSDB/DEM...], há menos de 4 anos, e todas as besteiras que foram ditas, de parte a parte? Para o PT, Kassab, na sua atual gestão, não é ou não era 'elitista e higienista'?

Franqueza

Quem esperava que Romário fosse se tornar apenas mais um entre os mais de 500 deputados caiu do cavalo. Eu, inclusive. O cara tem sido absolutamente presente, tem se aprofundado nos temas que lhe interessa e, diferente de seus colegas, fala com uma franqueza impressionante, seja do quê e de quem for. Vale a pena ler a sua entrevista ao jornalista Cosme Rimole, da TV Record, AQUI.


Na lata: "Infelizmente, tudo indica que sim. [A FIFA] Vai lucrar de R$ 3 a R$ 4 bilhões e não vai colocar um tostão no Brasil. É revoltante. Deveria dar apenas 10% para ajudar na Educação. Iria fazer um bem absurdo ao Brasil. Mas cadê coragem de cobrar alguma coisa da FIFA. Ela vai colocar o preço mais baixo dos ingressos da Copa a R$ 240,00. Só porque estamos brigando pela manutenção da meia-entrada. É uma palhaçada! As classes C, D e E não vão ver a Copa no estádio. O Mundial é para a elite. Não é para o brasileiro comum assistir".

E ainda tem a Feijoada do Kirinas Bar...

Eu estou fora da jogada: 100% no estaleiro. Mas prometo orar para que vocês cheguem vivos na segunda: Cordão do Constantino, no sábado, à partir das duas da tarde até sabe-Deus que horas...; Boi da Manta e Bloco Pererê, no domingo, pela manhã...; e,  para não perder o ritmo, uma feijoada, à tarde. Tem que ser forte!

E tem o Boi da Manta também...

Se não for pedir muito, mantenham algum juízo no Cordão do Constantino. É que às 10 da matina do dia seguinte, no domingo, 12, tem mais bloco se apresentando:

Os blocos carnavalescos Boi da Manta e o Bloco Pererê irão se apresentar, neste domingo dia 12, das 10h às 12h, na feirinha do Bairro Nova Cidade. A apresentação conta com apoio do SERPAF – Serviço de Promoção ao Menor e à Família e a iniciativa é dos ESF’s Aeroporto, Nova Cidade, Belo Vale 1e2, Kwait, Orozimbo Macedo, Verde Vale, Bernado Valadares, e a UBS Luxemburgo. O intuito dos ESF’S é de despertar, com a proximidade do carnaval, a comunidade para a prevenção das DST’S - Doenças Sexualmente Transmissíveis e da AIDS. Segundo a enfermeira, líder do ESF Aeroporto, Paula Juliana de Souza, o evento começará às 8h da manhã com uma intervenção e abordagem na feira e ainda com a distribuição de panfletos, entrega de camisinhas, palestras e pedidos de exames para HIV no ESF Orozimbo Macedo, que fica na avenida em frente à feira. O encerramento será às 11h com a apresentação do Bloco Boi da Manta e suas marchinhas de carnaval. Tudo gratuito para comunidade. Para Paulinho do Boi e Dionei Teixeira – diretores do Bloco do Boi e do Pererê – A importância de estar junto com iniciativas dessa natureza respaldam a intenção e o desejo, das organizações carnavalescas, de termos um carnaval tranqüilo e sadio. “Nós agradecemos muito o convite e a chance que os ESF’s nos deram para participar de uma ação tão importante para nossa cidade, muito em especial para o povo que mora na região leste e nunca tiveram oportunidade de estar conosco em nossa proposta carnavalesca” diz Paulinho do Boi. “Vamos dar um grito de carnaval contra a AIDS” diz Dionei Teixeira do Bloco Pererê.

Campanha Carnaval Sem AIDS
Dia 12/02/12
Local Feirinha do Nova Cidade
Hora 8h às 12h.

Olha o Constantino aí, gente!!!

O Cordão do Constantino desfila neste sábado, dia 11. E eu aqui, na minha fase zen [zen álcool e zen coragem de chegar perto de 'concentrações'. Eu me conheço...].

Medianeras: cidade, solidão e encontro

Um filme argentino sem Ricardo Darin. Solidão ou solidões. Dois mundos paralelos que se interconectam, mas seus personagens não se vêem. A solidão ampliada pela expectativa improvável do encontro. Desconhecidos que moram na mesma quadra, da mesma rua. Dois solitários e dois fóbicos. Mariana [Pilar López de Ayala], arquiteta, vitrinista; Martin [Javier Drolas], webdesigner. Tudo é virtual. Menos Buenos Aires, a cidade e sua arquitetura, realidade e metáfora. Mais um filme argentino marcado por delicadeza e sensibilidade. E algum humor. Com direção de Gustavo Taretto.

Há textos incríveis. O primeiro, dele, Martin, abaixo, abre o filme. Há vários outros; um, dela, Mariana, mais abaixo, ao final, diz das ‘medianeras’: as paredes cegas dos edifícios. Boas reflexões para arquitetos...


[1]
Buenos Aires cresce descontrolada e imperfeita.
É uma cidade superpovoada em um país deserto.
Uma cidade onde são erguidos milhares, e milhares, e milhares de edifícios.
Sem nenhum critério.
Ao lado de um muito alto, há um muito baixo.
Ao lado de um racionalista, há um irracional.
Ao lado de um em estilo francês, há outro sem nenhum estilo.
Provavelmente essas irregularidades nos refletem perfeitamente.
Irregularidades estéticas e éticas.
Esses edifícios, que se sucedem sem nenhuma lógica, demonstram uma falta total de planejamento.
Exatamente igual é a nossa vida: a construímos sem termos a menor idéia de como queremos que ela fique.
Vivemos como se estivéssemos de passagem em Buenos Aires.
Somos os inventores da cultura do inquilinato.
Os edifícios são cada vez menores, para dar lugar a novos edifícios, menores ainda.
Os apartamentos são vendidos por quartos, e vão desde os excepcionais “cinco quartos”, com varanda, terraço, playground, área de serviço, até a quitinete, ou “caixa de sapatos”.
Os edifícios, como quase todas as coisas pensadas pelo homem, são feitas para que nos diferenciemos uns dos outros.
Existe uma frente, e os fundos.
Andares altos, e baixos.
Os privilegiados são identificados com a letra “A”, ou excepcionalmente a “B”.
Quanto mais adiantado no alfabeto, menos categoria tem o apartamento.
A vista e a luminosidade são promessas que raras vezes coincidem com a realidade.
O que se pode esperar de uma cidade que dá as costas para o seu rio?
Estou convencido de que as separações e os divórcios, a violência familiar, o excesso de canais a cabo, a falta de comunicação, a falta de desejos, a bulimia, a depressão, os suicídios, as neuroses, os ataques de pânico, a obesidade, as contraturas, a insegurança, o estresse, e o sedentarismo, são responsabilidade dos arquitetos e empresários da construção.
Desses males, salvo o suicídio, padeço de todos.



[2]
Todos os edifícios, absolutamente todos, têm um lado inútil, imprestável, 
que não dá à frente, e nem aos fundos: a parede medianeira.
Superfícies enormes, que nos dividem e nos lembram o passar do tempo.
As medianeiras mostram o nosso lado mais miserável.
Refletem a inconstância, as lacunas, as soluções provisórias, 
e a sujeira que escondemos embaixo do tapete.
Só nos lembramos delas excepcionalmente, quando, atingidas implacavelmente pelo tempo, deixam infiltrar suas queixas.