Creditam ao admirável Nelson Mandela, quando presidente da África do Sul, uma frase que ele teria dito aos seus correlegionários de esquerda, que foram até ele reclamar de que o seu governo não estava atendendo às suas demandas históricas. Ele teria respondido alguma coisa como: "é preciso que a esquerda me pressione para que eu não tenha que ceder apenas à pressão da direita".
Eu utilizei essa frase, ontem, para responder a uma pergunta de um ouvinte do programa 'Comunicação Total', com Washington Munaier, na Rádio Santana. A pergunta foi se eu havia saído do governo brigado com Maroca. Eu respondi que brigado não é a melhor a palavra; que o mais verdadeiro, pra mim, é dizer que saí não por divergências pessoais, mas por razões políticas. Ou seja, que não há rancor, mas, sim, posicionamentos que foram se tornando, claramente, divergentes, quando não, antagônicos.
Eu completei a resposta dizendo que muita gente, em especial os favoráveis ao governo, acham que eu não tenho o direito de manifestar minha opinião sobre a administração, seja aqui no blog, seja no SETE DIAS, seja aonde for; e que eu devo manter um silêncio obsequioso. E que, ao contrário, eu entendo que minha condição permanente é a de cidadão, com todo direito de exercer a minha cidadania, o meu papel político e dizer o que penso da vida pública. Que a condição de secretário, essa sim foi temporária. E mais: que eu não mudei de opinião porque saí do governo: eu sigo defendendo teses, dentro de uma mesma linha de coerência, antes, durante e após minha efêmera participação no governo, de menos de dois anos.
Aí veio a frase do Mandela: que eu acho importante expormos ideias, mesmo os que discordam do governo, não por querer ver o seu fracasso, mas para, tanto quanto possível, pressionar o governo a fazer o que entendo representar avanços para nossa cidade, para que ele não seja influenciado apenas por aqueles que o levam a fazer o que, a meu ver, são retrocessos.

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