23 de jan de 2012

Cobras

Uma das atividades dessa minha fase zen é tornar diário e obrigatório o hábito de caminhar. Contraditório isso aí: se fosse um hábito não precisava ser obrigatório e já seria diário. Mas vá lá... Eu já caminhava; só profissionalizei a coisa. Padronizei um percurso, no caso, o meu preferido: Praça da Prefeitura, Praça Tiradentes, algum caminho até a Avenida das Nações Unidas, Perimetral, até o shopping, depois a Avenida Dr. Sebastião de Paula Silva, Renato Feio, Rua da Prainha, até a origem Já sei que isso mede de 7,4 a 7,5km. Antes, percorria esse trecho andando. Depois que perdi 5 quilos, passei a fazer parte caminhando, parte correndo. Uma corrida leve, pra ir pegando o jeito. Eu quero muito retomar minha forma de cinco anos atrás, quando, ainda em Brasília, corria 10 km, todo dia. Meu objetivo imediato - aquelas coisas que você inventa para ajudar a se auto-motivar - é fazer, novamente, a volta da Pampulha, neste ano. Fiz em 2006; prometi a mim mesmo voltar nos anos seguintes e nunca mais! Agora vai!

Pois, então: como tenho rodado aquele trecho da Fazenda Arizona, habitualmente, ando impressionado com o tanto de cobras que andam aparecendo nesses dias pós-chuvas. Já vi quatro: duas atropeladas na Perimetral; uma, na terra, ali onde ficam aquelas carrocerias de caminhão, perto do shopping; e a quarta, hoje, vivinha da silva, nas Nações Unidas. Lá ia eu, distraído, numa corrida básica, quando sou obrigado a uma freada brusca [!] pra não pisar na dita cuja. A criatura olhou pra mim com cara de poucos amigos. E continuou a serpentear, de volta para casa. Mas acho que errou na dose: foi longe demais, calculou mal o tempo de volta, a areia ficou quente demais... De repente, literalmente, não mais que de repente, abriu a boca, espichou-se, virou a cabeça como se fosse picar a si própria e estatelou-se. Um menino que apareceu a cavalo e duas meninas de uma casa em frente também pararam pra observar. Mexemos com uma vara, ela deu sinal de vida, mau humorada e sossegou, de novo. Jogamos de volta ao mato, mas já não parecia haver ali naquele bicho mais nenhuma sombra nem de maldade nem de bondade. À frente, o senhor que mora quase na esquina da Perimetral, um que é catador de sucatas, ficou conversando comigo e acabou fazendo o mesmo comentário: que elas andam muito animadas após as chuvas; jararacuçus e corais; saem pra tomar sol no asfalto e terminam seus dias por ali...

[A dita cuja: uns 70 cm de comprimento e uns 3cm de diâmetro]

17 comentários:

Ramon Lamar disse...

Cobras são "topo de cadeia alimentar". Se estão ativas é porque alimento para elas por ali não falta, mesmo com o RIMA falando que ali não tem nada. E gostam de pegar um solzinho para manter seu metabolismo em ordem. Parece que essa exagerou na dose.
Lugar bom para construir casas sem afetar a biologia do local, não é mesmo?

Frederico Dantas disse...

Ramon.

Pergunta que pode ser idiota, de leigo no assunto mesmo. Elas não poderiam estar fora do mato justamente procurando alimento que não estão encontrando lá ao invés de tomando sol?

Blog do Flávio de Castro disse...

Ramon,

Mais uma pergunta: que cobra é essa?

Ramon Lamar disse...

Respostas:
Frederico, poderiam sim. Mas como há relatos de grande número de cobras e se elas estão desse tamanho, é porque não cresceram da noite para o dia, concorda? Além do mais ela parece estar razoavelmente saudável (antes do banho de sol, é claro).
Flávio, se você tiver a foto com resolução melhor, me envie. Mas o jeitão é de uma legítima Bothrops jararaca, ou seja, uma jararaca! E qual o horário dessa caminhada? Se for sem corrida, eu topo!

Ramon Lamar disse...

Ah, Frederico, e nessa época em particular lá tem alimento pra caramba. Garanto!

Blog do Flávio de Castro disse...

Foto de celular, Ramon. Não tenho nada melhor. Por baixo ela é clara, o desenho é bem repetitivo... E ela não estava passando fome não. Estava bem gordinha.

Blog do Flávio de Castro disse...

Esses dias tenho caminhado muito tarde. Trabalho, corro, almoço e trabalho. Mas o sol anda muito quente. Vou passar a fazê-la perto das sete. Dou notícias...

Geraldo Donizete disse...

Elas andam soltas por aqui. O bicho tá pegando.

Anônimo disse...

Prova da biodiversidade ainda existente na área da Lagoa da Chácara, que o Poder Público insiste em não ver e valorizar. É uma pena que estamos perdendo uma área verde do porte da área da Fazenda Arizona, para a "feroz" especulação imobiliária...
Flávio, belo ( e inusitado) encontro, hein?
Complementando as afirmações do Ramon, as cobras não estão só encontrando seu alimento (roedores e aves, especialmente), mas estão reproduzindo... Um equilíbrio ambiental ameaçado no local, que pena, viu.

Rodrigo Assis
Setelagoano

Luiza. By Lu disse...

No meio do caminho tinha uma cobra rsss.

Zeca Dias Amaral disse...

E também tinha uma pedra, no meio do tal caminho. E com a pedra mataram a cobra.

Só não mostraram o pau...

Porque pau não era, e a pedra que era sumiu no mato, depois de quicar no asfalto.

Tadinha da bicha...

Abs.

Frederico Dantas disse...

Obrigado pela resposta, Ramon. Apesar de a pergunta parecer de advogado do diabo a resposta era a que queria ouvir.
Moro próximo a esta área e já me deparei com uma coral na minha garagem. Sapos, nesta época, incontáveis. Aranhas, parece que crio em casa. Outros insetos, de modo geral, como desde criança não via em tal variedade. A região é bem rica, realmente. Só não tenho ratos e baratas, felizmente. Mas se a coisa tomar o rumo que ameaça tomar, terei.

Ver de Vida disse...

Um outro detalhe é que grande parte destas cobras reproduzem na estação chuvosa. É o período em que a sua mobilidade é maior.

Ramon Lamar disse...

Isso, Cláudio, é a abundância de alimentos que permite a reprodução.
Abraços!

Zeca Dias Amaral disse...

Freud deveria explicar: pra se ter noção do tamanho da cobra, deita-se um pincel ao lado dela. Redundância de símbolos ou equivalência de escalas. É otal doinconsciente... Abs.

Blog do Flávio de Castro disse...

Zeca,

É que na hora não tinha uma régua para servir de parâmetro ou para que eu pudesse medi-la e afirmar que tinha 72,3 cm, por exemplo. Aí o pincel passou e entrou na foto de coadjuvante. Ajudou na escala, não ajudou?

Ramon Lamar disse...

Mas o pincel deveria estar com a mesma inclinação do eixo principal de deslocamento do ofídeo. Eu diria que essa cobra mede 3,128 pincéis!!!