20 de jan de 2012

'Cidade Aberta'

Educação Urbana

"O que vem primeiro: o ovo ou a galinha? O poder público, ao cuidar bem ou mal da cidade, é quem constrói ou destrói essa relação de afeto; ou é o cidadão e a sociedade, ao se apropriarem intensa e publicamente do espaço público ou não, que empurram ou desobrigam o poder público?"

Essa é a pergunta que eu me faço, na coluna cidade Aberta, no SETE DIAS, desta semana. A partir dos casos de vandalismos tão comentados nos jornais, nos últimos dias, eu tento discutir a relação afetiva entre as pessoas e os lugares, a relação de pertencimento e apropriação entre cidadãos e cidades. O SETE DIAS está nas bancas. A versão digital da coluna está AQUI.

5 comentários:

Anônimo disse...

Olha, Flávio. Tema interessante e denso. Todo relacionamento afetuoso se constrói a partir do outro, de um espelhamento, em como você enxerga esse outro e de que forma ele preenche sua incompletude existencial, seus anseios e expectativas. Em resumo, o cuidado com o espaço público é uma via de mão-dupla, mas que alguém precisa dar o primeiro passo ou o primeiro exemplo de cidadania/pertencimento.
Abraços,
Ivan

Anônimo disse...

Bom, complementando o raciocínio acima. O sujeito só se torna social a partir do relacionamento, condicionamento e reflexão interior acerca do meio em que vive. Logo, ele aprende, por meio das experiências, a gostar ou não da cidade onde vive. Esse sentimento de pertencimento precisa, então, ser trabalhado no interior das pessoas. No entanto, ações pontuais e localizadas não fazem com que se desenvolva esse afeto pelo meio social em que vive. Trocando em miúdos: não é do dia para a noite que as pessoas vão gostar de Sete Lagoas se nunca esse sentimento de afeto pela cidade foi trabalhado verdadeira e profundamente (leia-se, a cidade sempre esteve abandonada pelos cuidados públicos); é um processo de aceitação de longo prazo, digamos, educacional. Abs, Ivan

Blog do Flávio de Castro disse...

Excelente, Ivan: vou postar sua reflexão para ficar mais visível...

Anônimo disse...

Flávio,
muito bom o seu texto...
Estive revendo o livro do Hertzberger, 'Lições de Arquitetura" e ele aborda muito bem essa questão da depredação do espaço público no mundo inteiro, imputando à alienação do ambiente de vida, com uma "alarmante acusação à nossa sociedade como um todo".
Ele aborda tambem, com muita propriedade a questão da escala dos espaços públicos, que quando se tornam muito grandes extrapolam a capacidade das pessoas de 'tomarem conta' como se fossem delas, e propõem uma descentralização das responsabilidades em favor da "delegação de responsabilidade a quem de direito".
Isto não é teoria. É prática.
No fundo, pouco me importa se é o ovo que vem antes da galinha ou o contrário. O que não queremos é passar fome....
No caso da sua cidade, que não é diferente da maioria das cidades, a população se ressente da pouca atuação do poder público, que se ressente da falta de envolvimento da comunidade. E então, nada se faz, gerando um circulo vicioso.
Mas veja alguns exemplos de participação da sociedade em decisões públicas que conseguiram transformar espaços caóticos em espaços revigorados, e desde então mais bem conservados pela população. Isso existe e é possível. E de mais a mais, o poder público, que não é um ente misterioso e abstrato, reflete de alguma forma a nossa predisposição, por mais que façamos oposição.
Como bem disse o Ivan, isto tudo é um processo, de longo prazo. Mas que se começa hoje, em 10 anos (pouco tempo) muda-se uma cidade inteira.
Abraços,
ZJ

Blog do Flávio de Castro disse...

ZJ,

Como diz o Ramon:
Modo em pé - ON,
clap-clap-clap!
Modo em pé - OFF.