19 de jan de 2012

Bumerangue

Imaginem uma situação mais ou menos assim: um amigo seus, americano, um tipo curioso, sagaz e perspicaz, faz uma viagem a alguns países europeus, aonde vai para entender melhor a fria dessa crise em que nos metemos. Vai, volta, encontra-se com vocês e, num bate-papo, faz um relato do que viu. Entre amigos, é pouco provável que seja pedante e cite números e números sem parar; ou que use todo o seu economês com primes, subprimes, hedge funds ou coisas semelhantes, não é mesmo? Ao contrário, imaginem que ele lhes fale sobre o [mal] jeito do pescador islandês de lidar com dinheiro, do seu caráter, e do tipo de banqueiros e de governo criou. Que ironize a capacidade dos gregos de mentir com os números e esconder dívidas, justo eles que 'inventaram a matemática'. Que cite o fascínio dos alemães pelas regras, tanto quanto, secreta e literalmente, pela merda. Que use como fontes de seus relatos desde um primeiro-ministro, a um monge enfurnado em um mosteiro que ganhou fama de corrupto, a um economista bizarro que sabe tudo sobre o impacto econômico da era glacial e que, em um artigo que ninguém leu, previu milimetricamente a crise que ainda não tinha chegado, a uma alemã que ele contratou como tradutora e que acabou se tornando sua motorista. Enfim, imaginem um cara que consegue lhes fazer parecer absolutamente banal a coisa mais complexa do mundo e, ainda, lhes arranque umas boas risadas... Pois foi essa minha sensação ao ler Bumerangue, o livro do jornalista Michael Lewis sobre a 'economia do novo terceiro mundo'. Em um pulo, vai de esclarecedor a hilário. Muito bom!

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