31 de dez de 2012

Presente de Zeca: 'A Palavra'



Soneto de Homenagem

Se há nesta vida um Deus para os acasos,
Que pela humanidade o bem reparte
Que te dê da fortuna a melhor parte
Que venturas te dê, sem lei nem prazos.

Eu, de alegrias tenho os olhos rasos
de lágrimas, querida, ao vir brindar-te
Quando vejo que até para saudar-te,
As flores se debruçam sobre os vasos.

O meu brinde é sumário, curto e breve
Se o nome que se quer, quando se escreve
Move-se a pena com traços ideais.

Um anjo como tu, quando se brinda
Tem-se a missão cumprida e a festa finda
Quebra-se a taça e não se bebe mais.

Antero Quental

'Os mais doces bárbaros', para 2013!

Com amor no coração
Preparamos a invasão
Cheios de felicidade
Entramos na cidade amada

Peixe Espada, peixe luz
Doce bárbaro Jesus
Sabe bem quem não é otário
Peixe do aquário nada
Alto astral, altas transas, lindas canções
Afoxés, astronaves, aves, cordões
Avançando através dos grossos portões
Nossos planos são muito bons
Com a espada de Ogum
E a benção de Olorum
Como um raio de Iansã
Rasgamos a manhã vermelha


Tudo ainda é tal e qual
E no entanto nada igual
Nós cantamos de verdade
E é sempre outra cidade velha
Alto astral, altas transas, lindas canções
Afoxés, astronaves, aves, cordões
Avançando através dos grossos portões
Nossos planos são muito bons.


[Caetano Veloso]

De onde menos se espera...

.... às vezes, vem...

Entrei no último dia do ano assistindo ao show e ao making of de 'Os doces bárbaros'. Magnífico! Melhor é lembrar que assisti ao show, ao vivo e a cores, em 1976, no Mackenzie, em BH...

O mais divertido foi que o programa começou com a internação do Gil, em uma Clínica Psiquiátrica, em Florianópolis. Ele passou por lá um mês, até que fosse liberado para trabalhar, por razões terapêuticas [risos, muito risos...].

O inusitado: o programa foi transmitido pela TV Justiça. Tem base?!


Terá sido uma forma tardia de se fazer justiça àquele rapaz desencaminhado na vida que, anos depois, veio a ser ministro da Cultura?!

Mundo, mundo, vasto mundo... [mas aí já é Drummond...].

30 de dez de 2012

Ingenuidades literárias

A descuidada boa fé da gente tende a nos fazer pensar que a curadoria das vitrines das livrarias é feita pelos livreiros. Aí, é preciso uma reportagem de Raquel Cozer, na Folha [na Ilustrada de ontem: 'Área VIP'], para nos trazer para a realidade: oh, estúpido, o mundo funciona de outro jeito, inclusive as livrarias! Pois é... Impressionantes os preços e, sobretudo, a inflação dos preços com o mercado editorial mais competitivo, para exposição de livros nos pontos estratégicos das livrarias. O aluguel deles, por parte das editoras, alcança valores estratosféricos. Todo cuidado é pouco...

[Foto de box da Folha, de 29/12/2012]

28 de dez de 2012

'Cidade Aberta'

Serenidade e coragem

A cada quatro anos, é a mesma coisa. O prefeito que está tirando o time de campo é obrigado a vir a público mostrar as mazelas que deixa: dívida com o INSS de quase R$100mi, dívida com a Via Solo de mais R$10mi, folha de pagamento com comprometimento, acima do legalmente previsto, de 58%, falta de dinheiro para pagar tudo e todos. Por sua vez, o prefeito prestes a assumir não poupa impropérios para falar de sua 'herança maldita' nem adjetivos superlativos para falar dos milagres que pretende operar. Coisas da política...

No artigo de hoje, eu dou minha opinião: é necessário mais do que trocas de nomes e apertos de parafusos; é preciso uma ruptura. Ou daqui a quatro anos as notícias serão as mesmas, apenas com os personagens trocados. Leiam a coluna Cidade Aberta, no SETE DIAS. A versão digital está AQUI.

25 de dez de 2012

Os imortais estão morrendo



Os imortais estão morrendo. Neste dia de Natal, foi-se D. Canô. Neste mesmo dezembro, já havia partido Niemeyer. 2012 levou também Pignatari, Hebe, Millor, Chico Anisio, Armstrong, Ivan Lessa, Hobsbawm, Brubeck, Shankar. Uma turma insubstituível. Definitivamente, o mundo ficou pior…

23 de dez de 2012

Como pétalas


Um pequeno trecho do livro Bombaim, lido por seu autor, o indiano Suketu Mehta, na FLIP, em julho, foi, provavelmente, uma das coisas que mais me marcou nesse ano. Suas palavras, a expressão de solidariedade que elas contém, ecoaram, muitas vezes, na minha cabeça, de lá pra cá. Eu gostaria de compartilhar esse trecho com os amigos, mais uma vez, para desejar que tenhamos, todos nós, mãos como as dos passageiros dos apertados trens indianos. Mãos que se desdobram como pétalas. Que as nossas sejam, sempre, pétalas para quem quer que seja; e, se Deus permitir, quando formos nós os que precisam ‘embarcar’, que encontremos pétalas estendidas para nós. Com as palavras de Mehta, desejo a todos um Feliz Natal e um Feliz 2013!
[...] Pergunto-lhe se ele é pessimista com relação à espécie humana. 
"De jeito nenhum", responde ele. "Olhe para as mãos dos trens". 
Se você está atrasado para chegar ao trabalho de manhã em Bombaim, e chega à estação exatamente quando o trem está saindo da plataforma, é só correr para os vagões apinhados e muitas mãos estarão estendidas para ajudá-lo a embarcar, desdobrando do trem como pétalas. Enquanto corre ao lado do trem, você será levantado e um minúsculo espaço se abrirá para que você ponha os pés na beira da porta aberta. O resto é por sua conta. Você provavelmente terá de se agarrar na porta com as pontas dos dedos, tomando o cuidado de não se inclinar muito para fora e ser decapitado por um poste à beira dos trilhos. Mas pense no que aconteceu. Os outros passageiros, já mais amontoados do que o gado tem permissão de ficar, já com as camisas encharcadas de suor no compartimento mal ventilado, em pé naquela posição há horas, continuam a sentir empatia por você, sabendo que seu chefe pode gritar com você se você perder o trem, e abrem espaço onde não há espaço para levar outra pessoa com eles. e, no momento do contato, eles não sabem se a mão estendida pertence a um hindu, a um muçulmano, a um cristão, a um brâmane, ou a um intocável, nem se você nasceu na cidade ou chegou de manhã, ou se mora em Malabar Hill, Nova York ou Jogeshwari; se você é de Bombaim, de Mumbai ou de Nova York. Tudo que eles sabem é que você está tentando chegar à cidade de ouro, e isso basta. Suba a bordo, dizem eles. Nós nos ajeitaremos.

21 de dez de 2012

Valeu, Chico Maia!


'Cidade Aberta'

A agenda da urbanidade

Fechando a discussão sobre agendas públicas para Sete Lagoas, eu falo, hoje, na coluna Cidade Aberta, no SETE DIAS, da agenda da urbanidade. Deem uma lida e opinem. A versão digital pode ser lida AQUI.

18 de dez de 2012

Dez anos...

Dizem que o tempo aplaca
a dor e a saudade.
Não aplaca!
O tempo apenas nos envelhece;
e mais velhos,
somos apenas mais silenciosos
ao lidar com a mesma dor e a mesma saudade.
Dizem que a ausência transcende.
Drummond diz que a ausência é um estar em mim.
Não!
Ausência é falta e falta.
Dez anos foi ontem.
Dez anos foi um minuto desta manhã.
Ainda ontem comentamos os jornais do dia.
Ainda esta manhã falamos do Natal.
Para certo jeito peculiar de ver a vida;
para várias cumplicidades;
para um monte de utopias;
o mundo parou naquela manhã de 18 de dezembro.
É até possível revisitar aquela manhã,
todos os dias.
Mas é inútil.
João Luiz, meu velho,
asseguro-lhe:
cá estão: a dor, a saudade e a ausência.
Intactas,
implacáveis.
Silenciosamente,
implacáveis!

17 de dez de 2012

Quin, na Myralda

Quin Drummond abre, hoje, na Galeria Myralda, a fotoexposição Terra Madre. Até 03/01/2013.


16 de dez de 2012

Dulcinéia

Tem pessoas que se tornam, com o passar do tempo, verdadeiras lições de vida que nos esforçamos para imitar. Outras transcendem a isso: mais do que lições, são referências intangíveis e inalcançáveis. É o caso de Dulcinéia.

Eu a conheci em meados dos anos 1970. Ela tinha, então, dez anos menos do que eu tenho agora. E já era, ainda tão jovem, a mesmíssima e impressionante pessoa que é hoje, quando completa 80 anos.

Eu diria que a primeira marca de Dulcinéia é o seu destemor. Não há quem não reconheça sua determinação, seu vigor, seu espírito combativo. Se a vida, algum dia, quis, com suas vicissitudes, tomá-la de assalto, perdeu tempo; não há um dia que Dulcinéia não parecesse estar pronta e disposta, para o que quer que fosse.

Engraçado que, em geral, pessoas assim vigorosas carregam grandes fardos. É que ostentar fardos pesados valoriza a luta. Dulcinéia, não. A fardos, ela prefere ostentar risadas. Um humor insuportável. Uma alegria permanente. Um tanto travessa, um bocado debochada, de uma fina ironia. Uma alegria que transborda em generosidade e afeto. Daquelas alegrias que contagia, nos pega de surpresa e nos
arrebata.

Mas além de combativa e alegre, Dulcinéia é interminável. Se você disser que ela é professora está descrevendo apenas parte do que ela, de fato, é. Empreendedora, criativa, já fez de tudo nessa vida. E quando você imagina que já basta, ela se renova e lá vem ela, como uma nova Dulcinéia, agora, por exemplo, escritora. E se sente com o que dizer à vida, escolhe, exemplar e justamente as crianças para se realizar. E que livro belíssimo!

Mas, do fundo de minha alma, quando me refiro a Dulcinéia e a descrevo como lutadora, alegre e criativa, sinto que não disse nada. Sendo sincero, às vezes, acho que essas qualidades em Dulcinéia são escudos que ela inventou para nos ludibriar e ludibriar a vida. Sempre achei que nos olhos e no coração de Dulcinéia há algo de insondável. Algo que não é dado a nós, mortais, penetrar. Algo que, talvez, ela partilhe apenas na intimidade de sua família. Algo que, talvez, ela só compartilhe com Deus. Ou com ninguém. Há em Dulcinéia, em sua história, em sua raiz, um abismo profundo e silencioso de onde ela retira essa sua força, esse seu humor e essa sua capacidade de renovação. Mas, sobretudo, de onde ela retira uma coisa que, com pouco mais de quarenta anos, ela já tinha e, aos oitenta, preserva indelével: uma autoridade absurda diante da vida; uma autoridade assim de quem, como quase ninguém, tem a vida nas mãos.

Eu quero me juntar aos filhos, aos netos e aos amigos de Dulcinéia, hoje, nesse brinde por seus oitenta anos. Tenho certeza que oitenta anos, para Dulcinéia, é apenas mais uma traquinagem que ela engendrou consigo mesma e impôs à vida e a Deus. Ela ainda vai nos aprontar muitas...

Querida Dulcineia Antoniazzi Nepomuceno de Almeida, saravá!

14 de dez de 2012

O triste destino da política urbana

Em 2002, após a eleição de Lula, um tema que gerou grande expectativa foi, enfim, a perspectiva de implantação de uma política urbana no Brasil. O grande problema brasileiro, para não dizer mundial, hoje, são as cidades. Há um entendimento, que eu compartilho dele, de que a política urbana precisa ganhar um caráter sistêmico, como já se tem na política social - tanto na assistência social quanto na saúde - e na ambiental. Essa visão de uma política que se organiza apenas por programas fragmentados [Minha Casa Minha Vida, por ex.], que prevalece na área urbana, por mais importantes que esses programas possam ser, claramente, não dá conta do problema. Voltando a 2002, a expectativa criada tinha razão de ser: Lula transformou a antiga Secretaria de Desenvolvimento Urbano, a SEDUR, vinculada a Presidência da República, no período de FHC, no Ministério das Cidades; ou seja, atribuiu-lhe um status muito superior. E mais: trouxe para sua gestão nomes históricos da reforma urbana no Brasil, como Ermínia Maricato, Raquel Rolnik e Edésio Fernandes. Esse caráter sistêmico começou a ganhar força com o Conselho das Cidades, o Fundo Nacional de Habitação de Interesse Social, o Conselho Gestor do FNHIS e por aí adiante. Eu presenciei isso, fui membro tanto de um Conselho quanto de outro, e acreditei nisso. A coisa prometia. Até, justamente ele, o Ministério das Cidades, ter se tornado moeda de troca política. Sem uma política estruturada tornou-se, na verdade, um ministério muito atrativo para o pragmatismo político, movido por emendas parlamentares. O problema é que esse expediente fez história: a área urbana tornou-se um território totalmente pragmático, especialmente do PP, em vários lugares. Infelizmente, até na mais complexa de nossas cidades, onde se concentram os nomes mais relevantes da política urbana brasileira: São Paulo. Haddad, o prefeito petista paulistano recém-eleito, seguindo esse caminho viciado, entregou a Secretaria de Habitação ao PP de seu aliado Paulo Maluf.

Deu nas redes sociais [Edesio Fernandes]

"[...] Até quando o PT vai continuar ignorando a centralidade da questão urbana/fundiária/habitacional para qualquer projeto de transformação socioeconômica e verdadeiro desenvolvimento sustentável do Brasil?
 Do Ministério das Cidades às secretarias municipais por toda parte, a questão urbana é sempre a primeira a ser rifada quando o PT busca apoio de outros partidos políticos. 
Isso porque o PT ainda não entende que a questão urbana não é "apenas" uma questão de "política social", ou mesmo de "infraestrutura para o desenvolvimento econômico" : a questao urbana em todas as suas dimensões está no coração mesmo da economia e de qualquer projeto de inclusão socioambiental.
 O PT ainda não entendeu que a antiga disputa entre capital e trabalho se dá cada vez mais fora dos limites das fábricas, e que as cidades não são apenas o local da produção capitalista, mas cada vez mais o próprio objeto da produção - e da acumulação - capitalista.
 O Brasil ainda não tem uma política nacional de ordenamento territorial, uma política urbana, uma política fundiária, uma verdadeira política habitacional para além de programas específicos. [...]"
Deu na Folha de São Paulo [Raquel Rolnik]

Arquiteta diz que indicado à Habitação contraria proposta
A arquiteta Raquel Rolnik disse que a escolha do engenheiro José Floriano de Azevedo Marques Neto para a Secretaria da Habitação é contrária à proposta de reforma urbana apresentada por Fernando Haddad (PT) na campanha. Ao lado de urbanistas e líderes de movimentos de moradia, Rolnik é signatária da carta a Haddad contra a indicação de um nome pelo PP do ex-prefeito Paulo Maluf, que o apoiou na eleição. Marques Neto, que não é filiado a partido, foi indicado a Haddad pelo ministro das Cidades, Aguinaldo Ribeiro (PP). O petista anunciou anteontem a escolha de Marques Neto, que atua na área de habitação popular - é especializado no programa Minha Casa, Minha Vida - e terá como função atender 55 mil famílias com casas populares e 70 mil com urbanização de favelas. "A carta tratava da necessidade de indicar alguém comprometido com a reforma urbana. Essa pessoa, que eu não conheço, não tem essa trajetória", disse Rolnik.

'Cidade Aberta'

Um pacto para a saúde

Eu continuo aproveitando esse final de ano para debater algumas agendas públicas para Sete Lagoas. Ao falar de uma agenda para a governança, no artigo passado, eu levantei três questões consensuais: a necessidade de uma profunda reforma administrativa, de reorganização do quadro de servidores e de reordenamento do orçamento municipal. Na coluna desta semana, insisto nesse último ponto: não há como equilibrar o orçamento do conjunto da Prefeitura se não se equilibrar o financiamento da saúde. A saúde drena todo o recurso discricionário e impede que outras funções públicas avancem: a cultura, o esporte, o planejamento urbano, o turismo, o meio ambiente e por aí afora. Pode parecer brincadeira, mas é um fato real: há anos, essa questão do orçamento da saúde, ao invés de caminhar na direção de um acordo estratégico dentro do governo - ainda que seja necessário o aumento de investimentos, agora, para viabilizar uma gestão mais econômica, à frente -, é objeto de uma queda de braço sem fim entre os secretários da pasta e o da Fazenda, sob o olhar inerte do prefeito. Isso precisa mudar! O SETE DIAS  está nas bancas. A coluna Cidade Aberta pode ser lida, em sua versão digital, AQUI.

O homem que desenhava - V

Como eu já falei bem, bem e bem de Oscar Niemeyer, estou com crédito para falar mal. Ontem, em Campina Grande, foi inaugurado o 'Museu dos Três Pandeiros', mais um de seus projetos. É isso mesmo: o nome decorre do partido adotado que tem a forma de três pandeiros. E, sinceramente, não gostei nem um pouco. Entra na série 'Oscar se auto-copia' ou variações sobre um velho tema. Pareceu-me uma versão em miniatura do edifício da PGR, em Brasília, também de Oscar. As torres da PGR parecem enormes tanques de diesel. São horríveis. O museu paraibano vai na mesma e desastrada linha...

Museu dos Três Pandeiros

PGR

Um pouco de futebol...

Mundial de Clubes
Eu assisti, apenas, aos 30 minutos iniciais da partida do Corinthians, anteontem. O time brasileiro estava com 66% de posse de bola e 100% no ataque. Um a zero. Sai com a certeza de que o jogo estava no papo. Qual o quê! À noite, em um programa esportivo na TV, numa sequência dos melhores momentos, vi que, no segundo tempo, só deu o tal Al Ahly. Os egípcios deram a maior trabalheira para a defesa alvinegra. Mas tudo bem: a vitória magra é vitória do mesmo jeito... Já nesta madrugada, assisti a boa parte do replay de Chelsea versus Monterrey. Imaginava um jogo mais apertado: afinal, os mexicanos tem muito mais tradição no esporte bretão do que os egípcios. Foi o oposto. O azuis ingleses jogaram muito, venceram e convenceram. Não sei não, Ramon, mas algo me diz que você devia ir se concentrando porque seu time vai precisar muito de você, na manhã de domingo. Juro que vou torcer para o Corinthians. Se bem que é duro torcer para um time alvinegro quando se tem uma camisa azul do outro lado do campo...

Sul-americana
Alguém já tinha visto aquilo? Um meio WO? Eu sai do escritório e vim para casa ver o segundo tempo de São Paulo e Tigre, vi os últimos cinco minutos do primeiro tempo, entendi que estava 2 a 0 para os paulistas, vi a confusão depois do apito do juiz, fui lanchar, voltei e fim. Nada de segundo tempo. Putz!, esses hermanos são mesmo furiosos. Como batem! No La Bombonera, foi de lascar. Anteontem, não sei dizer, mas parece que foi a mesma coisa. E os caras não deviam estar muito satisfeitos mesmo porque foram recebidos pelos são-paulinos a pedradas. Copazinha sem raça essa...

12 de dez de 2012

O fim das ideologias

Esse papo do fim das ideologias pode merecer um debate mais acalorado e aprofundado. Mas não é o caso aqui. Fico na superfície. A mesma superficialidade demarcada pelo [ainda] prefeito paulistano, Gilberto Kassab, que, ao fundar o seu novo partido, o PSD, não corou ao dizer que "o PSD não será de direita, não será de esquerda nem de centro". Ou seja, será um partido invertebrado. Pois bem, sem discutir aspectos pessoais, atendo-me, exclusivamente, à seara política, referenciando-me nos DNA's partidários, eu cai na bobagem, em postagem no mês de outubro, de separar direita e esquerda, ou, para ser menos ortodoxo, conservadores e inovadores, dentre os eleitos à Câmara, no último pleito. Errei feio! Pelo jeito, esses contornos ideológicos, factualmente, inexistem. Até poucos dias atrás, parecia natural que a Câmara se dividisse entre a base do governo e a sua oposição. Falo de base e de oposição no melhor sentido; no que tem a ver com identidades políticas, convergências de projetos e por aí afora. Nada de base subserviente nem de oposição sistemática. Tanto isso parecia natural que se formou, de pronto, o grupo dos nove, representando a base; alijando o grupo dos oito, da oposição e da oposição nem tanto assim. O que, aliás, não deixava de ser uma grande burrice porque maioria de 9 a 8 não é maioria nenhuma. É uma bela plataforma de chantagem: como um pra lá um, pra cá pode inverter completamente o jogo, o valor do passe aumenta muito, não é mesmo?! Na linha do que era natural, era de se admitir que, dentre os oito, os de posição mais ao centro fossem seduzidos para o lado governista, para constituir uma base aliada mais confortável. Que nada! Pois não é que o site setelagoas.com.br [AQUI] está dando como certo que a base, de fato, ampliou-se para 12, mas com a adesão, justamente, daqueles, presumivelmente, mais à esquerda ou menos pragmáticos, do PT e do PV?! Exatamente, os que, teoricamente, estariam mais distantes da linha conservadora e pragmática do próximo prefeito?! Aí, meus amigos, não é difícil apostar que, no toma-lá-dá-cá, essa tal base aliada ainda vai acabar reunindo os 17 membros da Casa. De fato, o poder imanta. Oposição pra quê?! Ideologia pra quê?!

9 de dez de 2012

Pampulha: 1h50m53s depois...

Correr, pra mim, é um esporte solitário. Faço isso quase todo dia, em Sete Lagoas, rua afora. Correr a Volta da Pampulha faz um hábito solitário tornar-se coletivo. E põe coletivo nisso: 14 mil participantes. Uma mar de gente. E o legal é que ninguém corre contra ninguém. Cada um faz sua corrida. Cada um corre contra suas próprias limitações.





Eu corri a Volta da Pampulha em 2006. Fiz 18km em 1h45m08s: 10,2km/h. Hoje, resolvi não controlar nada. Disparei o cronômetro na largada, no celular, pus no bolso e não olhei mais. Nem uma única vez. A largada é sempre uma farra. A descida do Mineirão foi linda. Legal ver a cena do alto... Os primeiros quilômetros são e foram bizarros: muita gente, você precisa achar o seu lugar e não tem a menor ideia do ritmo que está seguindo. Só a partir do quilômetro 6, com mais espaço, consegui esquecer o entorno, ignorar o mundo à volta, me achar no meio da multidão, concentrar em mim mesmo e definir a minha corrida. Só duas coisas me interessavam: manter a pisada leve e a respiração tranquila. Nem arrasta-pé nem respiração ofegante. O tornozelo colaborou: chiou no início, dando sinal de vida do tipo: - "cuidado comigo'; depois, sossegou. Muita gente reclamou do calor. Estava quente, mas podia ser pior. O sol foi gentil e não apareceu hora nenhuma. Mormaço. Nos primeiros quilômetros, a sensação térmica foi pior. Depois, todos parecem ter se adaptado. Nos pontos de água, não há quem não se aclimatize. Muita gente  reclamou da água quente; pra mim foi indiferente: para superar o calor, estava de bom tamanho. Mantive uma velocidade padrão, sem nenhum excesso, até o quilômetro 12. Aí, apertei um pouco o ritmo; depois do 16, mais um pouco. Ainda assim, fui conservador. Se tivesse mais experiência no circuito, saberia, possivelmente, que poderia dar um pouco mais de gás. Não dei. E ainda tem um problema: quando você vê gente passando mal no caminho, você tende a se preservar. Só nos últimos metros, tive certeza que estava inteiro e disparei. Em frente a Igreja de São Francisco, no embalo, dei um berro: - "Viva Niemeyer!" e segui animado. Até fazer a curva e ver a turma subindo a ladeira da chegada. Incrível: quem foi o louco que teve essa ideia estúpida de colocar 400 metros de subida no final de 19km?! Se a descida foi linda, a subida foi hard, non sense total. Eu sabia dela, me preparei pra ela, mas, na hora H, foi de matar. Tirei o celular do bolso e, no pórtico, parei a cronometragem. Nas minhas contas: 1h50m57s; na contagem oficial: 4 segundos menos - 1h50m53s. Publicamente, consta que a mudança do local da largada aumentou 800m nos 18km originais. A turma que correu com GPS, entretanto, mediu 19km150m, uns; 19km210, outros. A ser verdade, minha média ficou melhor do que a de seis anos atrás: 10,5km/h. Maravilha! Ou seja, como se diz, estou igual vinho: quanto mais velho melhor...



O que interessa, na verdade, é a alegria contagiante, de todo mundo, na chegada. Cada um a seu modo,  cada um com seu cansaço, cada um com seu tempo, todo mundo com sua medalha no peito. Uma medalha genial: ela não significa que você superou alguém, ela diz que você superou a si mesmo. Isso é tudo!

7 de dez de 2012

'Cidade Aberta'

Uma agenda de governança

Nos dois últimos artigos, na coluna Cidade Aberta, no SETE DIAS, falei sobre uma agenda para o desenvolvimento de Sete Lagoas. Neste e no próximo, falo sobre uma agenda de governança. A obsolescência da máquina pública de sete-lagoana não tem paralelo. Tem servidores excelentes, vive a custa deles e não os valoriza nunca. Uma analogia: quando o motor está fumando, não adianta colocar mais areia na carroceria nem trocar o motorista. De um jeito ou de outro, não se entrega nem 10% do demandado. A prioridade é cuidar do caminhão! Leiam o artigo da semana AQUI.

O monstro da judicialização

Há anos, tudo no Brasil vem sendo judicializado. Não há nada que não vá parar no STF. Dos debates mais importantes do país, nenhum esgotou-se no Congresso, com a aprovação de uma lei segura. Ficha-limpa, célula-tronco, união homoafetiva, tudo foi parar no Supremo. De sua função de controle constitucional, acabou investido do poder de controle dos dois outros poderes. Muita gente tem batido palmas. Alguns poucos, mais serenos, tem alertado que isso não condiz com o Estado Democrático de Direito, que pressupõe a autonomia dos poderes. Agora: 'embate à vista'. O STF, naturalmente, reconhece como seu o direito de cassar parlamentares condenados; o Poder Legislativo, através do seu presidente, já avisou que não cumpre decisão do STF sobre prerrogativa do Congresso. Está aí uma crise institucional anunciada.

Só um adendo: esse processo de judicialização não anda acontecendo apenas no nível federal. Decisões executivas precárias, decisões legislativas viciadas tem tomado o mesmo curso. O Ministério Público, em vários municípios, tem se tornado a tábua da salvação. Ainda que, imediatamente, sobre o fato concreto, na maioria das vezes, isso seja bom; mais amplamente, isso fortalece uma cultura judicialista perigosa. E já não são raros os casos em que promotores, por força dessa realidade, extrapolam seus poderes. Daí se entende porque muitos, mesmo com as melhores intenções, passam a defender a redução dos poderes do MP. A meu ver, o poder do MP cresce na exata medida em que os poderes Executivos e Legislativos se fragilizam, por suas reiteradas práticas clientelistas e patrimonialistas. E na medida em que nós, da sociedade civil, aceitamos esse jogo. Resumindo: estamos todos criando um monstro.

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PS: Reza a lenda, ou a história, que, na noite maldita do AI-5, o vice-presidente Pedro Aleixo teria resistido à ideia de endurecimento do regime militar. Gama e Silva, ministro da Justiça e um dos signatários do ato ditatorial, teria batido boca com o vice, questionando-lhe se ele não acreditava na justiça com que o presidente Costa e Silva conduziria o processo. Aleixo não teria pensado duas vezes: "Não tenho nenhum receio em relação ao presidente, eu tenho medo do guarda da esquina". Eu diria a mesma coisa: não tenho nenhum medo do presidente Joaquim Barbosa, tenho medo dos tais operadores do direito, comarcas afora, quando entenderem que têm, todos eles, os mesmos ilimitados poderes...