30 de nov de 2011

Mark Twain

Para a minha geração, a homenagem do Google, hoje, a Mark Twain, pela passagem de seu 176º aniversário, é muito especial. Eu tinha três autores prediletos na minha infância: Monteiro Lobato, Mark Twain e, um pouco depois, Júlio Verne. Os personagens de Twain, Tom Sawyer, Joe Harper e Huckleberry Finn, e suas aventuras no Mississipi são inesquecíveis pra mim. Foi com essa turma que eu comecei a ler, tomei gosto e nunca mais parei...

100 anos de Nelson Cavaquinho: é hoje!

Pena que estou em viagem a trabalho e vou perder... Saravá mestre Saúva!

A III Semana da Consciência Negra terminou no sábado último com capoeira e congado, mas não acabou de todo! O show de semana passada foi interrompido por uma chuva torrencial e os amigos da Literata deixaram a belíssima tenda para o Show de 100 anos de Nelson Cavaquinho, com Mestre Saúva e os bambas do Sindicato da Cor.

Hoje, quarta, dia 30/11, às 21 horas, haverá uma emocionante homenagem a um dos maiores artistas da nossa Música Brasileira: Nelson Cavaquinho, que se vivo estivesse, faria 100 anos em 2011. Um de nossos maiores e melhores cantores fará as honras da noite. Ele, que é uma unanimidade na terra dos lagos encantados, maestro de todas as idades, tocador de tambor de moçambique, sambista de boa hora e amante dos ritmos e das melodias da nossa melhor música: Saúva, o Mestre, recebendo convidados para balançar as estruturas do Centro Cultural Casarão.

Tudo isso para saudar e lembrar que devemos grande parte da alegria do planeta aos ritmos que a África espalhou pelas Américas.

E viva Zumbi, viva Nelson Cavaquinho! Salve Saúva, mestre da voz e do ritmo.

29 de nov de 2011

Seminário Carste de Sete Lagoas - III

Algumas palavras sobre o assunto 'carste de Sete Lagoas'

Independente das polêmicas na mesa redonda de ontem, olhando pra frente, eu acho que há, da sociedade setelagoana e, em especial, do poder público, certo desapreço por esse tema. Falou-se, ontem, que o novo Plano Diretor irá abordá-lo. Se bem conheço o formalismo dos atuais planos diretores, acho improvável que o faça, de forma aplicável. Acho que temos que ter uma plano específico de manejo do carste, que tenha rebatimento direto na nossa Lei de Uso e Ocupação do Solo.

O Decreto 3.736/2008 procurou caminhar nessa direção. A meu ver tinha méritos e deméritos. Dois méritos: regular emergencialmente a perfuração de novos poços artesianos, o que era o seu principal objetivo; e estabelecer um conjunto de procedimentos técnicos, sobretudo quanto a estudos mais aprofundados para edificações em áreas críticas. Dois deméritos: proibir, indevidamente, edificações autorizadas por lei complementar, determinando uma ineficácia parcial [por hierarquia, um decreto não pode confrontar uma lei]; e utilizar o princípio da 'porta arrombada'. Explico melhor.

As áreas críticas definidas pelo projeto foram aquelas no entorno dos locais onde já ocorreram subsidências. Essa tese não é unânime. Isso é procedente? Quem dorme numa área onde não houve ruptura de solo está mais seguro do que quem dorme noutra onde já houve? Há controvérsias. Após conversas com especialistas - o que cheguei a iniciar durante a minha gestão - a proposição era de se mapear o território cárstico setelagoano e estratificá-lo segundo diferentes níveis de vulnerabilidade e, para cada nível, de se preconizar diferentes protocolos relacionados a estudos geotécnicos mínimos para prescrição de tipos adequados de fundações para diferentes edificações. Eu ainda creio que esse é o melhor caminho. Até lá, minha opinião, que não formou consenso no governo, era de se reeditar, temporariamente, o Decreto 3.736.

Esse é um dos pontos que penso que poderia ser avaliado na elaboração da agenda de gestão do carste, nas oficinas do Seminário promovido pela Brennand/OIKOS.

F1: the iceman

O campeão de 2007, o finlandês Kimi Raikonen, o homem de gelo, está de volta. Para surpresa geral, quando todos esperavam que ele iria sentar-se no banco do Rubinho, na Williams, a notícia hoje foi a sua contratação pela Renault-Lotus. Se isso faz aparecer uma ainda discreta luz no fim do túnel para Barrichello, faz, entretanto, tremer o chão de Bruno Senna...

Seminário Carste de Sete Lagoas - II

O seminário cuja programação está AQUI, iniciou-se hoje. Uma programação extensa que durou das 19:00 às 23:30. Edson Ribeiro, em nome da Brennand Cimentos, fez a abertura. A seguir, três boas palestras introdutórias: a professora Alenice Baeta abordou o tema do Patrimônio Arqueológico, valorizando o nosso patrimônio e sugerindo a construção de um museu regional; o professor Cláudio Maurício Teixeira-Silva falou sobre Espeleologia, caracterizando a nossa região carste e apontando os riscos da ocupação urbana, do turismo etc.; e a professora Ângela Lutterback tratou de Educação Ambiental, a necessidade de reaprendermos, de revermos nosso modelo civilizatório, de entendermos o desenvolvimento sustentável como 'ideia força mobiliadora'. A seguir, uma mesa redonda que eu tive a oportunidade de moderar. Participaram, dentre os secretários convidados, apenas o Eder Bolson; a Marlede representou o de Planejamento e o Anderson, o do Meio Ambiente; A Érica representou o Comitê do Jequitibá, o Marcos Allan, o Circuito das Grutas e o Sílvio Linhares, a ADESA. Boas intervenções e boas polêmicas...

O Seminário segue de terça a quinta com oficinas de trabalho que produzirão uma agenda de gestão do carste. Todas as inscrições estão esgotadas. Na sexta, eu volto a moderar uma segunda mesa redonda, em torno da agenda proposta. Participam como comentaristas, dentre outros, representantes da ACI e do UNIFEMM. No encerramento, a agenda será entregue a uma autoridade ambiental municipal.

'A denúncia é grave!'

A denúncia é grave sim. Ela está no comentário de alguém que se identifica como Leonardo Braga, na postagem abaixo. Diz respeito a um tema que estamos debatendo aqui no blog, faz tempo: a qualidade da infraestrutura dos loteamentos populares vinculados ao programa Minha Casa Minha Vida. Eu recebi um telefonema de um servidor do SAAE, hoje, sobre o mesmo tema, querendo compreender como havia sido o processo de licenciamento deste empreendimento. Ao final, eu garanto que foi regular. Inicialmente, a Prefeitura [a então Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana] chegou a aprovar uma primeira versão, irregular, com 436 residências, que simplesmente ignorava a faixa de domínio para prolongamento da Norte-Sul. No entanto, quando o processo foi à Secretaria de Planejamento, nós determinamos sua correção, o que reduziu o número de casas para 377. Depois de analisado pela área urbanística e aprovado pelo Conselho de Desenvolvimento, o processo foi para o sistema ambiental SEMMA/CODEMA, que analisa os projetos de drenagem, pré-aprovado pela Secretaria de Obras, e o de água e esgoto, pelo SAAE. Não há como aprovar projeto que lança esgoto in natura em curso d'água. Quem me ligou, nessa manhã, deu-me um detalhe adicional: O SAAE já recebeu a obra, mesmo sem a ETE! Se for verdade, é inaceitável!

"Estou sabendo que o residencial Jardim dos Pequis 2 vai ser entregue sem a solução do esgoto que será produzido pelos moradores. A ETE que está na condicionante de licença do CODEMA não foi construída. Segundo informações de funcionários do SAAE, o que foi feito foi uma caixa de receptação de esgoto grande que deverá, posteriormente, jogar o esgoto no córrego dos tropeiros, que passa ao fundo do bairro. Cadê o CODEMA? Os ambientalistas? O Ministério Público? A Câmara de Vereadores? A Caixa Econômica. A Secretaria de Meio Ambiente não vai fazer nada. A festa de entrega das casas já é sexta-feira".

28 de nov de 2011

'Faça o que eu falo, mas não faça o que faço!'

Um respeitado empresário da cidade enviou um e-mail para sua rede de contatos com um questionamento absolutamente justo. O assunto é 'estacionamento de veículos sobre a calçada'. Ao protestar, ele, de ante-mão, disse que sua empresa já está adequando o seu estacionamento e que não quer 'descumprir lei nenhuma, mesmo que involuntariamente'. Ele acusa a Prefeitura de cobrar dos outros, mas não dar o exemplo. O caso que ele cita me é muito caro porque fui criando nas proximidades da Praça da Prefeitura, que era uma praça super bacana e não esse estacionamento absurdo. Concordo que a Prefeitura deve, sim, ser rigorosa nessa questão de uso indevido de calçadas [e acho, mesmo, que deveria ir além, proibindo e fiscalizando também os desníveis que contrariam o direito e a lei de acessibilidade, a venda de produtos etc.], mas não tenho dúvida de que cabe a ela dar o primeiro passo, de forma exemplar...

"Enquanto issssssoooo....

Enquanto a prefeitura distribui pela cidade Intimação Extra Judicial a empresas por motivos de estacionamento com avanço ao passeio, mesmo que por apenas uns 10 cm e/ou  por falta de habilidade dos motoristas em estacionar adequadamente, parece a que a lei não vale pra ela mesmo, ou será que para prefeitura seria interessante o proprio Poder Judiciario mandar um Oficio Judicial para que possam liberar os passeios pelo menos da Praca da Prefeitura....

Vale como sempre a máxima : Faça o que eu falo, mas não faça o que faço! 

Outra pergunta:  será que os guardas municipais andam multando estes carros conforme estão fazendo em frente as lojas ?"


A propósito, observem a dificuldade de pessoas idosas ou outras com dificuldades de locomoção ao transitarem em torno da Praça da Prefeitura: se forem pela praça são jogadas na rua pelos carros estacionados na calçada; para atravessarem a rua, a largura da rua, a pouca visibilidade e a velocidade dos veículos as põem em risco; o jeito mais seguro é ir pelo passeio externo e circular a praça por fora dela, atravessando, uma por uma, as ruas radiais...

Olhos em Durban

Começou hoje e vai até o dia 09 de dezembro, em Durban, na África do Sul, a Cúpula da ONU sobre mudanças climáticas. A Conferência reúne 20 mil delegados e observadores de 200 países. É um assunto para ficarmos de olho... Leiam mais no Estadão [AQUI].

A mudança climática "já não é só um desafio de meio ambiente, mas um desafio para o desenvolvimento", o que para muitas pessoas é "questão de vida ou morte".
[Jacob Zuma, presidente da África do Sul]

27 de nov de 2011

Sobre nossos cartões postais

Por Vanessa Karam – Arquiteta e Urbanista

A palavra cultura vem do latim “colere” que significa cultivar, criar, tomar conta, cuidar. Olhando assim, para a acepção da palavra, nossa carência cultural parece ainda maior... A impressão que dá é que os problemas à nossa volta, como a falta de manutenção das nossas ruas e calçadas, a carência de saneamento em vários pontos da cidade, o desprezo pelo patrimônio histórico, a desvalorização dos nossos pontos turísticos e, principalmente, a mentalidade descompromissada com a consciência pública e os valores educacionais, éticos e morais da nossa comunidade, refletem a “anti-cultura”.

Na verdade, parece tudo pura ignorância mesmo, uma vez mais, na acepção da palavra: falta de conhecimento. Ora, se ainda vigora a idéia de que cultura é algo fútil, supérfluo e restrito à chamada “elite” social e que seu sustento seria “perda” de recursos financeiros, o grande engano está na falta de informação sobre os ganhos já comprovados do chamado “Marketing Cultural”.

Não fossem lucrativos os incentivos à cultura, alguns grandes Bancos e outras instituições financeiras de peso (ora, sua intenção primeira são os lucros!), não estariam investindo massivamente em ações dessa natureza. Ao divulgarem sua imagem desta forma, essas e outras empresas não só ganham prestígio e fortalecem suas marcas, como usufruem de leis de incentivo fiscal e tem comprovada melhora em seus desempenhos.

No campo político e administrativo, a atividade cultural produz renda, gera empregos e proporciona arrecadação tributária. Assim, não se revela um gasto, mas um investimento. Até mesmo o aspecto psicológico e emocional de uma sociedade que tenha liberdade de expressão de suas demandas e repertórios locais, contribui, em última instância, para uma população mais consciente, mais envolvida com suas responsabilidades fiscais e comportamentais. O reflexo é a prática da “gentileza urbana”, numa cidade mais bela e mais limpa, que produz e cresce de forma ordenada. E lucra! E chama sobre si uma atenção positiva da mídia.

Há pouco, fomos (Sete Lagoas) mais uma vez citados na revista Veja pela crescente produção industrial, que responde a certa representatividade no PIB nacional. A matéria, intitulada “A Economia que Pulsa no Interior do País”, enfatiza a força da indústria na arrecadação de divisas, mas destaca também diversas cidades pelo mesmo mérito (relativo ao PIB), por suas ações e evolução por razões turísticas e culturais.

Sete Lagoas é linda, de indiscutível potencial nesses setores, e conta com edificações e locações prontas para ajustes que os tornem divisas importantes para nosso crescimento. Não podemos nos acomodar à idéia de vê-los menosprezados, subutilizados ou entregues a usos que não retornem recursos à própria cidade e não agreguem valor à nossa identidade. A Ilha do Milito, a Ilha das Flores, o Mirante e o restaurante do Parque da Cascata merecem, no mínimo, estudos prévios para sua ocupação. Com autonomia do município ou com parcerias público-privadas, precisamos fazer acontecer o que esperamos há muito: uma Sete Lagoas ainda mais rica, pronta para a História e apta a melhor receber!

Ramon manda mensagens


Manda mensagens, literalmente. De Interlagos, para onde vai, há 15 anos, para o GP Brasil de F1, Ramon mandou-me várias mensagens, ontem e hoje, com arquivos de sons e imagens dos treinos. Pura provocação: Ramon sabe que sou aficionado por F1, mas nunca dei as caras em um GP...



["Amanhã a previsão é pé d'água" - Ramon]

Por falar em GP Brasil, Vettel com a 15ª pole no ano deixou o velho Leão Mansell para trás...

Ah!, quem surpreendeu com um nono lugar no grid, seis postos à frente de seu companheiro de equipe, foi Bruno Senna. O encerramento da temporada, com chuva, promete emoções. Vale a disputa do vice campeonato...

PS - 16:00: GP Brasil: fim de uma temporada marcada por pouca emoção, pela hegemonia das estratégias de boxes, pela estréia do polêmico mecanismo de abertura de asas traseiras, pela irrelevância dos pilotos, com alguma exceção para Vettel e Button, pelo domínio absoluto da Red Bull e, sobretudo, pelo império dos pneus. A corrida, hoje, foi apenas mediana. O pé d'água previsto pelo Ramon não aconteceu. Um suspeito jogo de equipe da RBR deu o primeiro lugar a Webber, o que lhe valeu o terceiro lugar no campeonato. Button, o piloto mais limpo das últimas temporadas - meu predileto, mais por razão do que por paixão - chegou em terceiro e levou o vice-campeonato. Alonso não foi além do pouco que mereceu: o quarto piloto do ano. Para Massa, o sexto lugar geral foi um prêmio de consolação sem honra nenhuma, depois de três anos sem vitórias, numa equipe que pode ter seus problemas, mas é a Ferrari. Aliás, uma temporada desastrosa para os brasileiros, que pode marcar o fim da carreira de Barrichello.

Literata: a sexta e o sábado

Sexta
Às sete, foi o momento que menos se falou de Sabino e mais se falou de literatura. Foi o momento que menos espaço se deu à informalidade e mais à concentração. Imaginar a vinculação entre literatura e teatro não é difícil. Mas ouvir de Paulo Bicalho toda a engenharia para encenar o Encontro Marcado, valorizando a sua literatura, em sua originalidade, foi singular. Talvez a ligação da música com a literatura também seja fácil de conceber. Mas não quando posta numa triangulação entre a literatura, o teatro de Yara de Novais e a música de Dr. Morris. Nada a ver com 'musicar' uma letra, por exemplo. Mas da criação, na junção das três artes, do mesmo ambiente. Sem reduções. Como não se pode falar em redução quando a literatura vira moda. Muito bom ver Ronaldo Fraga contrapor a provocação de que moda não tem palavra. Ele disse algo como roupa é palavra; guarda-roupa é livro. E um livro sem palavras impressas, como a literatura de Drummond e Guimarães Rosa traduzida em sua moda. Surpreendente.
















Quem entrevistou Agualusa, na mesa das 21:00, não foi Laura Grennhalgh, mas outro José Eduardo, o jornalista, editor e escritor José Eduardo Gonçalves. No princípio, jurei que aquilo não ia dar certo. Por mais que um José Eduardo, o Gonçalves, provocasse, mais o outro José Eduardo, o Agualusa desconversava. Respostas sempre evasivas, breves, sem ganchos. Mas foi o tempo do angolano, recém-chegado da Alemanha, acabar de chegar, vencer o fuso horário e embalar. Não sei qual juízo fazer dele, confesso que nunca o li, mas no contexto de um tema muito peculiar, a aventura de se escrever em português, um mesmo, mas um também diverso português, ele mandou bem. Lembrei-me do também angolano, Valter Hugo Mãe, cujo livro A máquina de fazer espanhóis, eu comentei no site do Dalton. É um livro mantido em grafia portuguesa de Portugal, mesmo na edição brasileira, o que não deixa de remeter quase a outra língua, quase a outra pátria, e, ao mesmo tempo, não.






Ah, claro! Como podia me esquecer? A sexta terminou em alto estilo, com show de Verônica Sabino, no Templo 8...

[Recorte de foto no site da Literata]

Sábado
Uma pena: não pude ver Fernando, o correspondente, às 15:00, com Luís Henrique Pellanda, Humberto Werneck e Sérgio Rodrigues; nem Sabino, o romancista, às 17:00, com Sérgio Rodrigues, João Paulo Cuenca e Paulo Roberto Pires [apenas recebi uma mensagem de Fredy Antoniazzi, dizendo que Cuenca agradeceu à Literata pelo seu encontro com Scliar, no ano passado; que foi emocionante]...



Às 20:00, eu fui um naquela mar de gente que foi assistir Luís Fernando Veríssimo falar e tocar. Engraçado: Veríssimo não se parece com rigorosamente nada do que ele faz. Dono da crônica mais divertida do país, é constrangedoramente tímido; um dos caras mais publicados, em jornais e livros, ao vivo, é contido nas palavras; para quem é visto sempre como um escritor, com aquela cara séria e ajuizada, tocando sax, fica tão estranho quanto Wood Allen; e, para um gaúcho, é pacífico demais. Um sujeito bacana. Um fechamento da Literata com chave de ouro.






A outra atração das 20:00, em meio a tantos amigos, foi a presença inesperada de Rosa, do Claret, ao vivo e a cores...

[Tiza, Luiza, Flávia, Rosa e Flávio]

[Fredy, Francisca, Jáder, Tiza e Luiza]

25 de nov de 2011

Dose dupla

Tenham paciência comigo. Hoje eu estou em dose dupla no SETE DIAS:  na coluna Cidade Aberta, na pág. 2, do primeiro caderno, como habitualmente; e na contra capa do caderno especial de aniversário com uma matéria com o título 'O presente é auspicioso; e o futuro?'

'Cidade Aberta'

Boa Literata pra você!

O assunto da semana não poderia ser outro: a Literata. Já se foram duas noites de debates sobre literatura, sobre Fernando Sabino, marcados, sobretudo, pelo bom humor. Nenhuma conversa pra boi dormir. Papos ótimos, provocadores, inovadores e divertidos. O diacho é que, quanto melhor a Literata me parece, mais eu sinto falta de gente lá, de muita gente que devia estar lá. Eu acho que a nossa primeira batalha, à vista, é nos apropriarmos dela, garantirmos que não seja um evento passageiro, que seja duradouro. Adiante, vemos como ela pode se popularizar mais, envolver mais os bairros, mais as crianças e os jovens. "Se você, meu caro, ainda não deu um pulo lá; por favor, faça isso, hoje. E volte, amanhã, para ouvir o Veríssimo". O SETE DIAS  está nas bancas. A versão digital do Cidade aberta está AQUI.

Literata: o que rola nesta sexta

Quem faz a mediação do primeiro debate desta sexta-feira, às 19:00, é Michele Borges, secretária de redação do O TEMPO. O tema é a literatura e sua conversa com outras artes. Para isso, entre os debatedores, pessoas de várias tribos:

Dr. Morris. Cantor, violinista, compositor e produtor musical paulista, integrante da banda Os Vivos

Paulo César Bicalho. Diretor, pesquisador, professor, autor, iluminador e cenógrafo. Conhecido pela ousadia de linguagem em seus espetáculos e pela criatividade como diretor. É pesquisador dos processos e métodos sobre o trabalho do intérprete. Polêmico e irreverente, desenvolve um teatro que reflete sua relação com a sociedade, sempre enfrentando dogmas e transgredindo regras [fonte: http://www.itaucultural.org.br]

Ronaldo Fraga. Formado pelo curso de estilismo da UFMG, com pós graduação na Parson’s School of Design de Nova York e Saint Martins School de Londres, Ronaldo Fraga lançou sua marca no extinto Phytoervas Fashion em 1996 com a coleção “Eu Amo coração de galinha”, metáfora que  colocava frente a frente o universo público e privado. Em seguida apresentou “Álbum de família”, “Em nome do Bispo”. Em 1998,  passa a desfilar suas  coleções na semana de Moda - Casa de Criadores. Em 2001 passa a fazer parte do grupo de marcas a desfilar  no São Paulo Fashion Week. Estréia com “Rute - Salomão”, estória de amor  fictícia entre um judeu  ortodoxo e uma cristã. Na coleção seguinte desfila uma de suas coleções memoráveis,”Quem matou Zuzu Angel”. Em todos os desfiles, estabelece diálogo da cultura brasileira com o mundo contemporâneo. O universo da obra de Carlos Drummond de Andrade, O sertão de Guimarães Rosa, a cerâmica das bonecas do Jequitinhonha,o legado da cantora Nara leão, foram temas em coleções – manifesto que sempre são citadas pela crítica como marcos do São Paulo Fashion Week e da estória da Moda no Brasil. É autor do livro “Moda Roupa e tempo – Drummond selecionado e ilustrado por Ronaldo Fraga. A coleção para o inverno 2008, “A Loja de Tecidos” apresenta o universo e a poética de uma loja de tecidos, comercio em extinção no Brasil.No São Paulo Fashion Week a coleção de verão “São Francisco” abordando o tema da transposição do Rio São Francisco e os problemas causados por essa transposição [fonte: http://www.ronaldofraga.com.br]

Yara de Novais. Nasceu em Belo Horizonte, em 1966. Formada em Letras pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), decidiu seguir a carreira teatral. Na adolescência, sem idade para frequentar a Escola de Teatro do Palácio das Artes, faz oficinas com o diretor Pedro Paulo Cava, estreando profissionalmente na montagem do infantil "Cigarras e Formigas, de Afonso Drumond. Seu primeiro espetáculo adulto foi "A Lira dos 20 anos", de Álvares de Azevedo, quando integra o grupo teatral Encena, sob a direção de Wilson Oliveira, onde permanece por dez anos, atuando como atriz, assistente de direção e produtora. Em 1989, estreia como diretora, no espetáculo "Casablanca, Meu Amor", de Fernando Arrabal. Em seguida, passa a dar aulas de teatro nas universidade UNI-BH e PUC Minas. Na Cia. Odeon, dirige "Ricardo III", de William Shakespeare. Em seguida, muda-se com a família para o Recife, onde se submeteu e passou em concurso para professor substituto da Universidade Federal de Pernambuco. Em Pernambuco, com o grupo Escambo, dirige "A História do Zoológico", de Edward Albee. Em 2006, transfere-se para São Paulo e entra para o elenco de "O Inspetor Geral", montada pelo grupo Galpão, sob a direção de Paulo José. Na sequência, funda o Grupo Três, com a atriz Débora Falabella e o produtor Gabriel Paiva, para montar "O Continente Negro", de Marco Antonio de la Parra, com direção de Aderbal Freire-Filho; "Noites Brancas", de Dostoievski; e "A Serpente", de Nelson Rodrigues, ambos dirigidos por ela. Dirigiu os espetáculos "A Mulher que Ri", de Paulo Santoro, e O Caminho para Meca", de Athol Furgard, protagonizado por Cleyde Yáconis [fonte: http://www.spescoladeteatro.org.br]

Em seguida, às 21:00, Laura Greenhalgh, editora-executiva do jornal O Estado de S. Paulo, entrevista José Eduardo Agualusa. O tema é a aventura de escrever em português.

José Eduardo Agualusa. Nasceu no Huambo, Angola, em 1960. Estudou Silvicultura e Agronomia em Lisboa, Portugal. Os seus livros estão traduzidos para mais de vinte idiomas. Também escreveu várias peças de teatro: 'Geração W', 'Aquela Mulher', 'Chovem amores na Rua do Matador' e 'A Caixa Preta', estas duas últimas juntamente com Mia Couto. Beneficiou de três bolsas de criação literária: a primeira, concedida pelo Centro Nacional de Cultura em 1997 para escrever 'Nação crioula', a segunda em 2000, concedida pela Fundação Oriente, que lhe permitiu visitar Goa durante 3 meses e na sequência da qual escreveu 'Um estranho em Goa' e a terceira em 2001, concedida pela instituição alemã Deutscher Akademischer Austauschdienst. Graças a esta bolsa viveu um ano em Berlim, e foi lá que escreveu 'O Ano em que Zumbi Tomou o Rio'. No início de 2009 a convite da Fundação Holandesa para a Literatura, passou dois meses em Amsterdam na Residência para Escritores, onde acabou de escrever o romance, 'Barroco tropical'. Escreve crónicas para a revista LER. Realiza para a RDP África 'A hora das Cigarras', um programa de música e textos africanos. É membro da União dos Escritores Angolanos. Em 2006 lançou, juntamente com Conceição Lopes e Fatima Otero, a editora brasileira Língua Geral, dedicada exclusivamente a autores de língua portuguesa.

Literata: comentários sobre o segundo dia

A primeira mesa deixou a entender que a conversa mais informal, mais espontânea, menos - digamos - técnica ou acadêmica, é uma opção da curadoria para essa Literata. O Ivan Ângelo foi sempre mais sereno, mas o Carpinejar foi o Carpinejar: um turbilhão da melhor qualidade. Entre os dois, um equilíbrio ao abordar o tema da crônica. Um gênero literário menor? Esse foi o pano de fundo do papo. Eu queria muito ter anotado algumas pérolas, tanto de um quanto de outro, e mesmo do Humberto Werneck, ao confrontar essa tese. De novo, muito divertido!








Sobre a segunda mesa, eu não dava nada por ela, e foi ótima! Especialmente, a discussão sobre o futuro do livro, o e-book, o dilema entre a boa literatura e os best sellers. A Mariana mandou bem na moderação. Aprendi muito com a sinceridade da Júlia sobre sua experiência com um e-book infantil e seus desafios. A Luciana pareceu-me mais executiva, com muita clareza do mercado editorial. Mas me identifiquei mais com o Fernando e seu pessimismo: não menos profissional, mas mais reflexivo sobre a vinculação do livro e nosso padrão educacional e cultural muito incipiente. Minha questão nesse assunto é sobre o papel das editoras na 'formação de leitores': muita experimentação e muito oferta comercial que contaminam o fundamento da leitura, a relação necessariamente longa com o livro. Aí, não gostei nem um pouco da crítica anti-governista da Luciana: até aonde ela situa esse problema de [não] formação de leitores no desempenho deficitário do Estado, eu acompanho; quando ela partidariza e quer por a culpa no governo do PT, eu acho uma besteira, uma politização infantil. Nesse caso, prefiro ficar com o aparte do Fernando que, antes do governo, disse que quem cumpre mal o seu papel é a classe média, ou seja, nós mesmos. 100% de acordo.