30 de set de 2011

Para Max Gemperlé


Outubro é o mês de Max. Dia 11, abre-se a exposição em sua homenagem, na Casa da Cultura. Enquanto aguardamos, podemos ir revendo o seu trabalho no blog que está sendo montado pelo curador da exposição [AQUI].

29 de set de 2011

'Cidade Aberta'

‘Uma poderosa mensagem’

Na coluna desta sexta-feira, no SETE DIAS, eu faço referência a duas gestões públicas inovadoras e criativas: a de Antanas Mockus em Bogotá e a de Sergio Fajardo em Medellín, duas cidades colombianas. A certa altura, eu indago ao leitor: "essas histórias não lhe causam profunda admiração e inveja?" É que a forma de fazer política que elas descrevem parece-me tão profundamente diversa da nossa, que causa-me enorme embaraço. Não podemos ser melhores? Por favor, deem uma lida na coluna Cidade Aberta e me digam o que acham. O SETE DIAS amanhece nas melhores bancas; sua versão digital pode ser acessada AQUI.

Blog e site recomendados

Eu inseri aí à direita, na coluna 'Por onde ando', dois links que gostaria de recomendar, ambos relacionados a espaços virtuais voltados para a temática urbana:

Raquel é urbanista, professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo e relatora especial da Organização das Nações Unidas para o direito à moradia adequada.

Instituto Nacional de ciência e Tecnologia
É constituído por um grupo que funciona como um instituto virtual, reunindo hoje 159 pesquisadores (dos quais 97 principais) e 59 instituições dos campos universitário (programas de pós-graduação), governamental (fundações estaduais e prefeitura) e não-governamental, sob a coordenação geral do IPPUR - Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional da Universidade Federal do Rio de Janeiro. As Instituições reunidas hoje no Observatório das Metrópoles vêm trabalhando de maneira sistemática sobre 14 metrópoles e uma aglomeração urbana: Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre, Belo Horizonte, Curitiba, Goiânia, Recife, Salvador, Natal, Fortaleza, Belém, Santos, Vitória, Brasília e a aglomeração urbana de Maringá. a coordenação do Observatório é de Luiz Cesar de Queiroz Ribeiro – Professor Titular do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional. Doutor em Arquitetura (Estruturas Ambientais Urbanas) pela USP. Pesquisador I-A do CNPq.

A propósito, ambos os espaços estão com matérias sobre a Copa 2014 que não podem deixar de ser lidas. No Blog da Raquel, leiam a postagem 'Lei Geral da Copa - vale tudo para a FIFA?' [AQUI]; no Observatório, 'Qual o valor da copa?' [AQUI],  com dados atualizados referentes ao orçamento total das obras previstas para a Copa do Mundo de 2014. Impressionantes R$ 25bi!

A tese da concentração em cascata


Eu quero fazer aqui um rápido resumo de minha participação, na segunda passada, dia 26, no Encontro da Região Central, no Seminário Legislativo Pobreza e Desigualdade, promovido pela Assembléia Legislativa de Minas Gerais. O tema da minha exposição foi 'Dimensão da Pobreza e das Desigualdades Sociais e Regionais'. Duas teses: [1] o nosso modelo de desenvolvimento é concentrador em cascata; [2] a saída para enfrentamento da pobreza e da desigualdade social é instituir um modelo descentralizado de desenvolvimento.

Sobre a primeira tese: 'a concentração em cascata'



Vejam esses dois mapas: o primeiro mostra que a Região Central, objeto da exposição, é muito heterogênea e extensa. Vai de Diamantina a São João Del Rey, de Três Marias a Barbacena, de Itabira a Pará de Minas. Além disso, é uma região sujeita a forte contágio externo: Diamantina, da região do Jequitinhonha; Barbacena, da Zona da Mata; Pará de Minas, da centro-oeste etc. No entanto, é vista, apenas e exclusivamente, como a região mais rica de Minas Gerais: ela concentra 46,6% da produção estadual de riqueza [PIB], quase metade. No imaginário, a leitura subliminar é que essa região é rica; a pobreza, portanto, está no Jequitinhonha.

O segundo mapa, abrindo-se a Região Central, apresenta um fato curioso: 82% do PIB regional está concentrado apenas na Região Metropolitana e no Colar Metropolitano de Belo Horizonte. todo o restante da região responde por apenas 18% do seu PIB. O nome disso é desigualdade, e por trás da desigualdade está a pobreza, mesmo na região mais rica.

Eu apresentei, em seguida, uma sucessão de planilhas de PIB, IDH-M e outros indicadores sociais, explorando, especialmente, duas microrregiões: a da sede mais rica, depois de BH [Sete Lagoas]; e a da mais pobre [Conceição do Mato Dentro], para tentar demonstrar que também nos níveis microrregionais replica-se o processo de concentração. No nosso caso, por exemplo, Sete Lagoas concentra perto de 70% do PIB regional, enriquece-se e empobrece a região. A imagem abaixo mostra como essa concentração determina índices de desenvolvimento humano melhores no centro e piores nas periferias regionais.


No passo seguinte,  atendo-me a Sete Lagoas, eu procurei mostrar dados diversos de renda, de diferenças entre renda deduzida de PIB per capita, médias reais etc. para mostrar evidências que, em cascata, há no território intra urbano a reprodução do modelo concentrador.

Trocando em miúdos, a tese que eu desejo continuar estudando é a seguinte: ainda que de modo relativo, a pobreza não é localizada no organismo social, mas se distribui perifericamente, por todo o corpo: a pobreza na periferia da RMBH encontra similaridade na da periferia setelagoana, na da microrregião de Sete Lagoas e na da região central.

Sobre a segunda tese: a saída é o modelo descentralizado

A primeira tese é óbvia; esta segunda também. Mas são ignoradas: esse é o ponto! Quando defendo que a saída é a descentralização, eu o faço em vários níveis. Vou dar alguns exemplos. Exemplo 1: as políticas estaduais de equilíbrio regional só enxergam grandes regiões. Segundo elas, desequilíbrio regional é Região do Jequitinhonha/Mucuri versus Região Central. Isso só ataca parte do problema. Grande parte da pobreza e da desigualdade fogem a essa lógica. Nesse caso, é preciso conciliar políticas de desenvolvimento macrorregionais com políticas de desenvolvimento microrregionais. Exemplo 2: as cidades pólos não são alavancadoras do desenvolvimento regional, mas 'drenos' regionais. Os prefeitos dessas cidades, inclusive da nossa, precisam compreender que já se alcançou o ponto de saturação, que o desenvolvimento de Sete Lagoas, por exemplo, pressupõe descentralização e compartilhamento de oportunidades com as cidades vizinhas. Exemplo 3: A responsabilidade pelo combate à pobreza e à desigualdade está concentrada nas políticas sociais, estritamente. É preciso descentralizar aí também: a política urbana, por exemplo, tem papel muito relevante no processo de inclusão territorial. Exemplo 4: Todas as políticas públicas verticalizadas - Saúde, por exemplo - são excessivamente concentradoras; a parte mais relevante dos seus investimentos, por exemplo, em nossa região, vêem para Sete Lagoas, reforçando a concentração de serviços, aqui, e a relação de dependência da região para conosco. Se não se pensar modelos descentralizados vamos perpetuar desigualdades e pobreza.

Fotos do Seminário Legislativo pobreza e Desigualdade em Sete Lagoas, 26|09|2011



[Fotos de Marcelo Metzker no site da ALEMG]

Dentro e fora


Em protesto contra a corrupção, 594 vassouras verdes e amarelas amanheceram fincadas, ontem, no gramado do Congresso Nacional. Sabe o que aconteceu com elas? Foram sendo roubadas uma a uma; não por parlamentares corruptos, mas por passantes, ambulantes, seguranças dos prédios da Esplanada e servidores. Ou seja, o que fazem os 594 deputados e senadores dentro do Congresso apenas espelha o que fazem os milhões de nós brasileiros do lado de fora.

[Daí, não dá nem pra ler com indignação a notícia logo abaixo desta, no Estadão: Maluf dá receita para resolver a falta de dinheiro da saúde: "É só acabar com a roubalheira". Bem que a gente podia ter ficado sem essa...].

PSD: entre o PSDB e o PT, com cara de PMDB


Com a aprovação do TSE, o PSD de Kassab nasceu. Segundo todos os analistas, um partido 'nem de direita, nem de esquerda, nem de centro' é, seguramente, um partido com vocação governista. Vai ser divertido: muito anti-petista de carteirinha vai aderir, agora, a base do governo petista da presidente Dilma. É esperar pra ver. Na política dos dias atuais, dá pra esperar de tudo...

28 de set de 2011

Dalva Pires merece


Parabéns a Glória Rodrigues, secretária de formação Política do PT de Sete Lagoas, pela nobreza da homenagem; mais simpática e mais justa por dar o nome da Dalva exatamente a uma biblioteca. 

O projeto da biblioteca tem a apoio da Fundação Perseu Abramo que está doando para o partido, mais de 120 obras. Economia, Política, Filosofia, Sociologia, Biografias, estão entre os temas dos livros que estarão à disposição dos militantes do PT e da população em geral.

A inauguração será no próximo sábado, dia 1º, às 9 da manhã.

Bingo do Constantino


O Bingo do Bloco do Cordão do Constantino, que era dia 24, será neste próximo sábado, dia 1º...

SL precisa de uma política com critérios públicos e justos de incentivos a pequenos e médios negócios

A doação individual e ocasional de terrenos não é justa e é irrelevante para o desenvolvimento do setor

Está no setelagoas.com.brCâmara aprova projeto que prevê doação de terreno para fábrica de fraldas em Sete Lagoas [AQUI].

É o tipo de notícia que parece positiva, mas que, quando se aprofunda o seu conhecimento, apenas mostra a precariedade com que o Executivo toma decisões e a superficialidade com que a Câmara as aprova. Eu gostaria de trazer alguns pontos ao debate, ressalvando, antes de mais nada, que não se trata de se opor a esse caso particular, a essa fábrica de fraldas propriamente ou a essa empresa beneficiária, mas de abordar o tema em seu caráter geral:

[1] Eu sou absolutamente favorável ao incentivo a pequenas e médias empresas dentre as quais uma fábrica de fraldas, constituída como uma microempresa [ME], como é o caso, se insere perfeitamente. Mas acho que governo municipal tem a obrigação de formular uma política de incentivos e fomento com objetivos e critérios claros. Sem um política pública definida é inevitável que fiquem algumas perguntas no ar: [a] porque a doação a essa empresa e não a outra? [b] em que essa empresa se diferencia de várias outras que também demandam terreno? [c] o poder público tem condições de contemplar outras empresas além dessa?

[2] Um dos critérios para doação deveria ser o impacto social do projeto. Refiro-me a um impacto objetivamente mensurável capaz de ser comparado aos de outras empresas e se mostrar mais vantajoso para o município. Sobre isso, procurem pelo Projeto de Lei Ordinária nº 086/2011 no site da Câmara e leiam a mensagem do prefeito a respeito: "Esclarecemos que, com a doação do imóvel, pretende a donatária a construção de nova unidade, ampliação de suas atividades, proporcionando a geração de novos empregos, maior faturamento e conseqüentemente maior arrecadação de tributos pelo Município, o que trará benefícios à economia local". Ou seja, não esclarece nada! Precisamente: [a] construção de uma nova unidade de quantos metros quadrados?; [b] proporcionando a geração de quantos empregos?; [c] para qual faturamento? [d] para qual o ganho tributário? [e] os números a serem conhecidos justificam a doação de um terreno nada pequeno de 1.500m²?

[3] Uma política de incentivos a pequenas e médias empresas pressupõe que a Prefeitura tenha um estoque de terrenos para disponibilização, seja para doação, seja para concessão de direito de uso. Eu conheço bem a Prefeitura e afirmo que ela não tem esse estoque. Ela não dispõe de nenhum terreno para uso industrial! O caso em questão é sintomático: para doar, a Prefeitura está tendo que desafetar uma área institucional, cuja finalidade não é industrial. Sendo claro: isso sinaliza que a Prefeitura não tem como generalizar essa iniciativa para outras empresas.

Ainda que não seja o caso, é inevitável supor, como sempre, que houve motivação política para essa doação. Por que, ao invés de atuar nesse varejo, o Executivo não formula uma política geral e não cria um distrito industrial com essa finalidade, exclusivamente para pequenas e médias empresas? Por que não faz isso em escala de forma a produzir efeitos econômicos representativos? Por que a Câmara, ao invés de ficar refém do Executivo, não o pressiona a fazer a coisa certa?

PS1: Ao que soube, a Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Turismo - SMDET trabalha com um conjunto consistente de critérios para decisão de apoio a empresas. Duas perguntas: [1]  Por que o Projeto de Lei do prefeito não foi acompanhado de parecer técnico da SMDET, com base nesses critérios? [2] Por que nenhum vereador requereu manifestação da SMDET?

PS2: Como o mundo muda e se contradiz... Bem lembrado por um leitor deste blog: há 10 anos, o vereador Mário Márcio Maroca condicionou a análise de todos os projetos de lei originários do Executivo, do então prefeito Ronaldo Canabrava, que versassem sobre doação de áreas públicas, a prévia e favorável manifestação da Secretaria de Planejamento.

Parque Estadual Serra de Santa Helena tem parecer favorável na ALEMG


Tombini

Quando Tombini e o BC abaixaram a taxa de juros os críticos desceram o malho. Curiosamente, os mesmos que sempre criticaram os juros altos. O papo era de perda de autonomia do BC e subordinação ao governo. O tempo vai mostrando que Tombini estava vendo, à frente, o que os críticos ainda não conseguiam ver e que tinha razão. Artigo de Cristiano Romero, no Valor de hoje, 'O mundo de Tombini' [AQUI], mostra que o que não falta ao presidente do BC é argumento...

26 de set de 2011

'Projetos inovadores para Sete Lagoas'

O excêntrico Antanas Mockus

No propósito de levantar experiências inovadoras de gestão pública que nos ajudem a quebrar o modelo que temos em mente, um modelo claramente rebaixado, conservador e pouco eficaz, que extraímos da nossa política setelagoana, também rebaixada, conservadora e pouco eficaz, eu falei AQUI sobre Sergio Fajardo e sua experiência transformadora em Medellín.

Eu quero, hoje, propor um novo nome para pesquisarmos e conhecermos: Antanas Mockus e seu trabalho como prefeito de Bogotá.

[Foto extraída do site Hemispheric Institute Encuentro 2005]

Matemático colombiano, filósofo e político, Mockus deixou seu cargo como reitor da Universidade Nacional Colombiana, em Bogotá, em 1993, e nesse mesmo ano dirigiu com sucesso uma campanha para prefeito. Ele continuou a presidir Bogotá como prefeito por dois mandatos, nos quais realizou muitas surpresas e, freqüentemente, bem-humoradas iniciativas para os habitantes da cidade. Tais iniciativas tenderam a envolver grandes eventos, incluindo freqüentemente artistas locais ou, até mesmo, ele próprio – como, por exemplo, um comercial no qual tomava banho a fim de defender a conservação da água; ou caminhando nas ruas vestido de Super-homem. Mockus contratou 20 mímicos para controlar o tráfego e fazer brincadeiras com os violadores das regras de trânsito – um programa tão bom que outros 400 mímicos foram rapidamente treinados. Ele também iniciou uma "Noite para as mulheres", na qual pedia-se aos homens da cidade que ficassem em casa por uma noite cuidando da casa e das crianças. A cidade apoiou concertos gratuitos em áreas abertas; bares faziam promoções só para mulheres, e as policiais femininas da cidade eram encarregadas de manter a paz. Sob sua liderança, Bogotá viu inúmeras melhorias – o uso de água não potável caiu 40%, 7000 grupos de segurança comunitária foram formados e a taxa de homicídios caiu 70%, os acidentes fatais no trânsito caíram mais de 50%, água potável chegou a todas as casas (de 79% em 1993), e o saneamento básico foi fornecido para cerca de 95% das casas (de 71%) [AQUI].


Mockus inaugurou em 1994 a importante tradição dos prefeitos reformadores em Bogotá, capital do país. Ela perdura até hoje. É de esquerda e inovadora. Consiste na adoção de programas distributivos de alto impacto (entre eles, excelentes escolas públicas em período integral e restaurantes populares); no estímulo à participação da sociedade civil na administração da cidade; num combate ao crime constante e central — que, no entanto, não se baseia principalmente em medidas repressivas [AQUI].


Antanas Mockus é matemático e filósofo. Ex-reitor da Universidade Nacional,foi prefeito da cidade de Bogotá, Colômbia, por dois mandatos. Conhecido por uma gestão que foi capaz de reduzir drasticamente as taxas de homicídio da cidade, Mockus também trouxe à tona questões como o uso dos lugares públicos como estratégia de segurança para os cidadãos. Trabalha hoje como consultor do Bando Interamericano de Desenvolvimento, prestando consultoria para diversos países [AQUI].


Mais:
'Academic turns city into a social experiment - Mayor Mockus of Bogotá and his spectacularly applied theory' [AQUI].
'Cultura como segurança: Antanas Mockus e a experiência de Bogotá' [AQUI].

25 de set de 2011

Caderno de Esportes

Excepcionalmente nesta noite de domingo o caderno de esportes não circulará. É que nem na F1, nem no futebol consegui uma única notícia nova... [risos amarelos, na porta do inferno]

Artigo de Marcos Nobre

Lembram-se de um artigo de Marcos Nobre que comentei AQUI em que ele falava do 'condomínio peemedebista' e do PT como novo síndico deste condomínio? Pois então, o mesmo Marcos Nobre está no Ilustríssima de hoje, da Folha, com outra tese polêmica: A jovem guarda vem aí - como o PSDB e o DEM vêm sendo engolidos por novos líderes 'vintage-retrô'. Alguém aí leu?

PS: Para leitura do artigo, na íntegra, cliquem AQUI.

O buraco da rodoviária

O portal setelagoas.com.br chamou a atenção, na semana passada, para um abatimento de solo na Avenida Renato Azeredo, próximo à rodoviária. A matéria tinha o seguinte título: 'cratera na calçada e rachaduras no asfalto apontam risco iminente na Av. Renato Azeredo' [AQUI]. Vale a pena vocês lerem tanto a denúncia, quanto as explicações da Secretaria Municipal de Obras. Por curiosidade, dei um pulo lá: fica um pouco antes da rodoviária, alí onde se tem um ponto de taxi. Depois vi, no blog do Ramon [AQUI], que a coisa é antiga. Eu não entendo de geologia, mas duas coisas me deixaram encucado: uma, que o buraco está aumentando [vejam a foto de janeiro feita pelo Ramon, na postagem em seu blog, e comparem com a foto abaixo]; outra, mais importante, que não se tem um abatimento localizado, como me pareceu no setelagoas.com.br: na verdade, há trincas transversais à pista, do passeio da rodoviária até o meio fio do córrego; e, em um trecho, tem-se uma visível depressão. Não sei não; eu acho que a Prefeitura devia consultar um especialista. Rupturas de solo não são raridades nas imediações do Córrego do Diogo...



Oposição geral

A decisão está tomada, mas acho que essa história de aumento de número de vereadores nas Câmaras municipais merece ser avaliada de forma mais abrangente. Pelo menos para ficar como lição. Eu entendo os argumentos em jogo, favoráveis e desfavoráveis, e tenho minha própria opinião, que já defendi aqui. Vejo também que há desinformação, sobretudo com relação ao não aumento de repasse ao Legislativo. OK!, não vou voltar a nenhum desses pontos. Mas uma questão anda me chamando a atenção: em todos os municípios, essa medida está sendo motivo de forte oposição popular. O jornal 'O Tempo' trouxe hoje uma matéria a respeito, citando Montes Claros e Governador Valadares [AQUI]. Ainda que eu possa entender que não se deve deixar-se pautar, sempre, pela 'opinião pública' - senão os governos só deveriam adotar medidas 'populares' -, como menciona a nota do PT de Sete Lagoas de sexta-feira passada, não é estranho que, em todo lugar, a população esteja contra o aumento e apenas os próprios vereadores a favor? Uma coisa é fixar a observação apenas no caso local e particularizá-lo; outra é verificar que o caso local não é particular, mas reproduz um padrão geral...

24 de set de 2011

Coluna social

Bernardo, o caçula daqui de casa, faz 20 anos na segunda, 26.

Antecipamos a comemoração para hoje.

Presente: uma camisa do grande time da cidade, a verde retrô, sem publicidade. Maravilhosa!
Entrada: queijo camembert com mel, levemente aquecido, com torradas, que eu aprendi a fazer lá no antigo Entreposto da Serra do Cipó, e um espumante para o brinde de costume. Risos, abraços e fotos.
Logo depois: pato, o velho Mathias, de novo, temperado com cachaça e alecrim, ao molho de tamarindo, com arroz branco e cenouras na manteiga com tomilho fresco. Vinho Alempue Pro, Cabernet Sauvignon/Merlot. Sugestão de Adriane Penna, minha prima.
Para arrematar: picolé Diletto [gelato italiano], o melhor deles: yogurte com limão, com água gasosa São Lourenço.
Concluindo: ser pai de um cara de 20 anos dá muito trabalho...

Fórmula RBR

Só deu Vettel. Mais uma pole. Não será nenhuma surpresa vê-lo sagrar-se campeão, neste domingo, na corrida noturna de Cingapura, a partir das 9 da manhã de Brasília, com cinco provas de antecedência. É muito!


O grid ficou todo pareado: duas RBR, Vettel à frente; duas McLaren, com Button; duas Ferrari, com Alonso; e duas Mercedes, com Rosberg à frente. Barrichello larga na 12ª, bem à frente de Maldonado; e Senna na 15ª posição, três adiante de seu companheiro Petrov.

Um projeto para o Legislativo

A decisão sobre número de vereadores para a próxima legislatura, fecha um ciclo, mas não põe um ponto final na questão principal: a da organização do Poder Legislativo setelagoano. Nesse Caso, acho que o PT e o PV, pela qualidade indiscutível dos assessores existentes nos gabinetes dos vereadores Dalton,  Claudinei e Renato, poderiam dar um salto de qualidade extraordinário nesse debate se oferecessem à cidade 'um projeto para o Legislativo'. Esses assessores conhecem a Câmara como ninguém e poderiam reunir outros, de outros gabinetes, também qualificados. Sabendo-se qual é o orçamento disponível - e isso já será conhecido no próximo dia 30 de setembro, quando o Executivo apresentar à Câmara o projeto de LOA-2012, com todas as suas projeções, dentre elas a do repasse ao Legislativo - como se poderiam instituir as consultorias técnicas temáticas? Quantas e quais seriam, como funcionariam e quanto custariam? Como seriam organizados os novos 17 gabinetes? Como garantir remuneração digna e segura aos próprios assessores parlamentares? Como informatizar os gabinetes tanto para suas rotinas internas [agenda, acompanhamento de projetos e demandas etc.] quanto para que o cidadão possa acompanhar o desempenho do seu representante? Ou seja, como reunir as condições necessárias e suficientes ao bom desempenho dos parlamentares?

23 de set de 2011

O PT, o voto 21 e os vereadores Dalton e Claudinei

Na tarde desta sexta, a direção do PT, pelo seu presidente, veio a público fazer a defesa da posição do partido a favor do aumento do número de vereadores para 21 e em defesa do voto partidário dos vereadores Dalton e Claudinei. Os dois trechos que me pareceram mais importantes estão descritos abaixo. 

Antes, um breve comentário. De antemão, quero dizer que acho a nota oportuna e necessária. E que acho legítima a defesa de posições, sejam quais forem. Especialmente posições coletivas e partidárias. A certa altura, a nota fala da falta de uma discussão de fundo sobre o tema, que merecia ter sido objeto de uma audiência pública. Concordo inteiramente com essa posição também, tanto que cheguei a defendê-la em entrevista ao Edvar Gamela. Seria uma oportunidade de contrapor ou conciliar a tese da 'representatividade', que o partido adota, com a da 'profissionalização', que defendemos aqui, por exemplo. De fato, não se deve temer a 'opinião pública', como a nota diz; mas é necessário disputá-la. Minha dúvida: ao perceber que o assunto estava sendo mal debatido e mal encaminhado, o próprio PT não poderia ter tomado a iniciativa de abrir e aprofundar o debate, não internamente, mas com a sociedade? Mesmo esta nota, ela não teria sido mais eficaz se publicada antes da votação na Câmara, buscando adesão à sua tese? Por último, acho que a nota cumpre o dever de fazer a defesa de vereadores que, mesmo em desacordo com as próprias opiniões, seguiram a orientação partidária.

NOSSA OPÇÃO POR 21

O diretório municipal do PT de Sete Lagoas optou pela aplicação da emenda Constitucional que garantia a Sete Lagoas 21 cadeiras no parlamento municipal. Fizemos o debate interno, houve quem defendeu opinião diversa, porém, prevaleceu a tese de que o partido deveria optar pela representatividade política. Predominou o argumento de que, com a ampliação das cadeiras, o princípio constitucional do pluralismo político-parditário estaria sendo respeitado pelo PT. Prevaleceu também o entendimento de que com 21 não haveria aumentos de gastos, mas repartição dos recursos.

Eleição também é matemática, tanto é verdade que se em 2008 fosse 21 cadeiras, legendas como (PC do B e PSB), e muitas outras teriam vagas garantidas. Pela a lógica dos grandes partidos, o PT deveria defender ou a manutenção de 13 ou no máximo 17. Mas o que prevaleceu no partido dos trabalhadores foi a vontade em garantir maior representatividade política. A decisão foi partidária e não individual.

VEREADORES DO PT: CLAUDINEI E DALTON
No mesmo sentido alguns veículos de comunicação (que também tinham interesse nesta votação) criticaram a votação dos vereadores do PT que seguiram a orientação partidária e votaram pelos 21. Porém, porque os críticos a 21 cadeiras não oportunizaram a sociedade sete-lagoana  pela existência de um debate a cerca da questão de fundo. Uma audiência pública que convocasse entidades de classe, partidos políticos, igrejas e o cidadão, não seria um caminho para a legitimidade. Pergunto por que em todo o país a mídia massacrou quem defendeu ampliação dos vereadores? Será que a mídia não sabia que não haveria aumento dos gastos? Será que existiu algum interesse externo no número de vereadores no Brasil?

Na verdade, Claudinei e Dalton demonstraram porque precisam e devem ser reeleitos pelo PT. Eles não pensaram apenas nos seus mandatos eles pensaram na vontade partidária, no sentimento dos nossos pré-candidatos, sentimento dos pequenos partidos e também deste [o presidente do PT] que subscreve que se fosse vereador também votaria 21 sem medo da “opinião pública”. Dalton e Claudinei não pensaram em garantir maiores recursos para seus mandatos, mas se colocaram dispostos a repartir o “bolo”.

Filho feio não tem pai

Voltem algumas semanas atrás: o vereador Dalton Andrade [PT], depois de acompanhar, pessoalmente, todo o processo de negociação entre professores e governo, postando-se ao lado dos professores, numa votação sem alternativas, votou no que lhe pareceu mais vantajoso para a categoria, embora parte dela não reconhecesse isso. A direção do PT soltou uma carta em que criticou duramente não apenas o Dalton, como os dois outros vereadores petistas. Em português vulgar: os vereadores do PT ficaram como bandidos da história.

Vamos, agora, aos fatos da semana: na votação sobre o número de vereadores para a próxima legislatura, o vereador Dalton Andrade [PT] era contrário ao aumento [não comento, porque desconheço a posição de mérito dos outros dois petistas]. O PT, no entanto, fechou questão a favor do aumento para 21 o que, do ponto de vista prático, determina o voto dos seus vereadores. No plenário, contra a própria opinião, em obediência ao partido e em respeito aos seus companheiros, Dalton Andrade e Claudinei Dias votaram 21. O voto 21 tornou-se a coisa mais impopular do mundo e os dois vereadores estão apanhando nos jornais de hoje. De novo, viraram bandidos da história. Curiosamente, desta vez, da direção do partido: silêncio, apenas silêncio. Por analogia, a direção partidária não deveria fazer, publicamente, de forma igualmente enfática, como da vez passada, a defesa soberana da sua posição a favor do voto 21 e a defesa intransigente de seus dois vereadores, Dalton e Claudinei?

Força-tarefa na Saúde? Pra que?

O SETE DIAS trouxe, na edição de hoje, a matéria: 'Força-tarefa vai investigar Saúde'. A reportagem de Renato Alexandre relatou as denúncias feitas pelo ex-secretário Jorge Correia, em audiência na Câmara Municipal, na semana passada. Em um box, ela resume as irregularidade sob o título 'Entenda o Caso'. É incompreensível! Não a reportagem, que está claríssima; mas o fato do prefeito alegar desconhecimento de fatos. Analisem aí, caros amigos. Duas irregularidade, eu entendo que, de fato, não são da alçada do prefeito: médicos ganharem férias e licenças para forçarem novas contratações e pagamentos de plantões serem feitos sem plantões trabalhados são assuntos, de fato, gerenciais, pouco visíveis ao prefeito. Mas o prefeito não saber que o seu secretário da Fazenda tomou R$ 1,4 mi do Fundo Municipal da Saúde e não devolveu? Não saber que o Hospital Nossa Senhora das Graças não presta constas mensalmente dos repasses que recebe e que esse é um dos maiores contenciosos entre as duas instituições? E que a Saúde tem mais de 2.200 funcionários? Desculpem-me, mas disso o prefeito sabe e sabe bem. E para isso não precisa força-tarefa: precisa de atitude. Obrigar a Fazenda a devolver recursos, decidir por melindrar a relação com o HNSG, mas condicionar repasses a prévias prestações de contas e demitir contratados na Saúde [às vésperas de ano eleitoral] são atitudes que só o Chefe do Executivo pode tomar...  A não ser que existam suspeitas de outras irregularidades não ditas. Mais sobre esse assunto AQUI e AQUI.

22 de set de 2011

'Cidade Aberta'

Que se inverta a regra!

Na coluna 'Cidade Aberta', nesta sexta, no SETE DIAS, a pedido de um leitor, eu volto ao assunto do trânsito em Sete Lagoas. Um ponto focal do artigo é a 'fábrica de multas ' que a Prefeitura criou. Sou de opinião de 'que a Prefeitura, primeiro, faça a sua parte, para depois vir cobrar do cidadão; que, primeiro, discipline o trânsito, para depois vir aplicar multas aos infratores'. O que vocês acham disso? Leiam o SETE DIAS [AQUI] e comentem.

Dias de ironia e perplexidade

Comentários aqui neste blog, em várias postagens; comentários em vários outros blogs e em rede sociais; reflexivos uns; irônicos, outros, colocaram todos nós cidadãos, líderes partidários, gestores públicos, vereadores frente a um intransponível desafio de interpretação do que se passou na política local, nos últimos dias. Tanto frente ao processo de decisão do número de vereadores a prevalecer nas próximas legislaturas, no âmbito do Legislativo, quanto frente à mais recente reforma administrativa, no Executivo, restaram duas opções: ou o deboche ou a perplexidade.

No caso da decisão sobre 17 ou 21 vereadores, ainda que diversas pessoas envolvidas tivessem convicções sólidas, com fortes motivações públicas, na hora 'h', não dá pra negar: o que prevaleceu foi a conveniência eleitoral. Ninguém enxergou nada além disso. O quadro descrito por várias pessoas dando conta da pressão descabida de pré-candidatos no plenário da Câmara, de antiéticos presidentes de partidos aproveitando-se da oportunidade para atrair insatisfeitos, no calor da luta, para suas agremiações e de cenas de desrespeito entre os próprios parlamentares, deram lugar a que mais além de apenas repulsa?

De igual maneira, as mudanças no primeiro escalão do governo municipal, feitas em má hora, levaram, de forma impensada, à generalização de pilhérias. Mudaram-se nomes sem que se expusessem razões administrativas e sem que se explicitassem diretrizes futuras. O porquê ficou no ar. Uma confusão que não deu pra entender se a coisa era para melhorar ou se vai, mesmo, de mal a pior. Em meio a isso, um pout-pourri partidário ajudou a embaralhar ainda mais a cabeça dos avisados e dos desavisados. O fato dos novos ingressantes serem de boa índole atenuou o impacto, mas a coisa, vista  friamente, ainda assim, continuou soando esquizofrênica. Como evitar perguntas sobre a contradição do PT, do PCdoB e do PPS, tantas vezes críticos ao governo, por estarem, agora, lá? Ou sobre o que se esperar para o futuro: esses partidos e esses membros partidários estarão ao lado de Maroca daqui a um ano? Ou vão traí-lo na próxima esquina?

Em um caso e outro, ouviram-se boas explicações: de que era preciso manter a unidade partidária, no caso do voto 17 ou 21, ou do tipo a decisão foi pessoal e não partidária, no caso dos novos secretários, mas, mesmo as melhores explicações não convenceram a ponto de tirar os espectadores do estado default de ironia ou perplexidade. O problema é que, em determinadas situações, a imagem fala mais do que a narrativa e não há justificativa que preencha o vazio da dúvida.

Eu, sinceramente, gostaria de ter uma explicação mais abrangente para tudo isso. Eu gostaria de ter uma explicação quase sociológica  para esse nosso tempo político. Na semana passada, em Brasília, estive com um petista paulista de alta patente. Além de uma figura extraordinária, ele é um sujeito com capacidade de reflexão política muito acima da média. Muito mesmo. Não sei se traduzo bem, mas ele me disse, a certa altura: 'vivemos uma política de conjuntura; nossos políticos são políticos de conjuntura'. Adiante, disse mais: 'ando tendo dificuldades de debater política dissociada de uma discussão sobre a história do Brasil. Ora, como vou discutir com um cara que não sei o que pensa sobre o Brasil?'. É isto? Estamos sendo esmagados pela 'política de conjuntura', do aqui e agora? Estamos vivendo uma política descontextualizada? Temos visões convergentes ou divergentes sobre a história de Sete Lagoas e sobre o futuro da cidade?

A única saída, em meio a esse salseiro sem virtudes, é mesmo ficar entre a ironia e a perplexidade? Pode ser divertido, mas não leva a lugar nenhum. Dias estranhos...

A era dos advogados - III

Sete Lagoas tem restritíssima participação no debate sobre gestão pública, no país. Alguns setelagoanos participam, individualmente, via partido, outros, via academia, por exemplo, mas isso não conduz a uma experiência crítica coletiva. Muito pouco do que se passa lá fora chega aqui. Eu estou assustado ao saber que as duas postagens que fiz sobre 'a era dos advogados' estejam sendo, maliciosamente, interpretadas como críticas minhas, pessoais, ao Luís Márcio, ao Busu e ao Caio. Nunca! Pela coincidência, eu apenas recorri a um fenômeno nacional como referência para interpretação de um fato local. Qual é o ponto? O que se teme é que o tecnicismo-jurídico, filho da luta popular pela reforma urbana, hoje, esteja se voltando contra ela. Quem diz isso são os próprios advogados comprometidos com a efetivação do Estatuto da Cidade, com a regularização fundiária urbana e por aí afora. Essa observação não é uma afronta aos advogados, mas um alerta a eles e a todos nós.

Ou isto ou aquilo

"Mas não consegui entender ainda
qual é melhor: se é isto ou aquilo"
[Cecília Meireles]

A Prefeitura, em notícia oficial, no dia 13/09/2011 [AQUI], exaltou a ação da Secretaria do Meio Ambiente no combate a incêndio na Serra de Santa Helena:
Prefeitura, bombeiros e voluntários combatem incêndio na Serra de Santa Helena
O trabalho de prevenção é fruto da parceria entre Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Defesa Civil de Sete Lagoas, Instituto Estadual de Florestas (IEF), Corpo de Bombeiros e Adesa.

A Prefeitura, em nota oficial, no dia 21/09/2011 [AQUI], para justificar a demissão do secretário do Meio Ambiente, detonou a ação da Secretaria do Meio Ambiente no combate a incêndio na Serra de Santa Helena:
Maroca realizou Café com Imprensa
“Infelizmente, a secretaria de Meio Ambiente pecou por não ter dado o devido apoio, em tempo hábil, durante o combate aos incêndios que ocorreram na Serra Santa Helena há duas semanas" [Prefeito Mário Márcio].

[Ser jornalista da Prefeitura de Sete Lagoas, nos dias atuais, tornou-se uma das profissões mais ingratas do mundo]

Dia Mundial sem Carro: é hoje!

Que rodada!

Em nove pontos, fizemos um! Entre os seis piores times do campeonato, os mineiros, agora, representam 50%. E amanhã a coisa pode melhorar: se o Ceará ganhar, seremos 3 em 5, ou seja, seremos 60% dos piores times do Brasil!

E o Atlético segue tranquilo na zona de rebaixamento... Deus conserve!

21 de set de 2011

Festival de Teatro Templo 8

Deu 17

Eu acho essa a decisão mais correta dentre as possíveis. Tenho certeza que a outra opção - 21 - punha em risco a própria instituição. Já falamos disso aqui.

Mas isso não estava em jogo. Os relatos dão conta de uma sessão tensa com a presença de muitos pré-candidatos pressionando pelo voto 21. O voto dividido dos petistas, determinante para o resultado, ainda vai dar muito o que falar...

Orai, irmãos!


Minha mãe sempre me recomendou iniciar as orações logo ao amanhecer. Quando a empreitada é difícil e o demônio insiste em nos testar, aí então, pode ser necessário alguma penitência. Muito cometimento, refeições leves, boas ações podem ajudar. Mas sobretudo, orações, muitas orações. A Deus. A Nossa Senhora. Aos Santos. Nesse caso, acho melhor deixar as preferências de lado e rogar pela proteção de todos. Não estamos em condições de fazer escolhas. Eu, de minha parte, passei a noite concentrado: - "Deus, meu pai, se esse filhadaputa desse Coxa fizer conosco o que fez com o Botafogo duas rodadas atrás, espere pelo pior. Relações rompidas, OK?! Entendeu? Rompidíssimas! Não me venha com esse papo de que Você fez tudo que podia, mas o time não ajudou. Fazer tudo o que pode e o time não ajudar eu mesmo faço. Eu quero coisa grande, aquelas que Você só faz quando quer: milagre. Fui claro? Milagre! Meu bom Deus, meu pai celestial, larga de preguiça e libera aí uma cota extra de milagres. Mas milagrizinho, não, que não adianta. Quero, meu Deus de bondade eterna, milagres de primeira linha: use sua especialidade em multiplar pães na montanha, e multiplique gols nos gramados; ao invés de ressuscitar Lázaro ressuscite os moribundos times mineiros. Mas pelamordedeus, meu Pai Onipresente, não erre o lado! Anote aí pra não esquecer: C-R-U-Z-E-I-R-O. Anotou? Quer que soletra? Beleza. Para que você não me puna pelo pecado do egoísmo, se der, vá-lá, a contragosto, dê também uns golzinhos para os times aí que começam com a letra A. Quais? Uai, assista os jogos e veja. Quer tudo de mão beijada? Meu Pai Amado, espero por você às 20:30, no Couto Pereira. Por favor, não atrase. Qualquer vacilo pode ser fatal.

20 de set de 2011


O 'Pão com Bola', na Santa Catarina, 459, do nosso amigo Didi, além do melhor e mais tradicional pão com bola da cidade, está com uma surpresa: o bolinho recheado. Bem, não é exatamente um bolinho, mas um bolão recheado. A título de descrição: é um super hambúrguer artesanal, espesso, à milanesa, frito, com recheio de mussarela e tomate, preparado na hora. Podem ir por mim: sensacional! O novo petisco está em fase de teste e ainda não está no cardápio. Segundo o Didi, eu fui o primeiro [falso que dói...], além da família a provar a novidade. [R$12, como tira-gosto, servem 2 pessoas]. Nota dez!

A era dos advogados - II

No que diz respeito à política urbana, Sete Lagoas está tão isolada do resto do mundo que debates usais, lá fora, são interpretados, aqui, como coisa de outro mundo. Isso porque, no setor público local, a política urbana é inteiramente desprezada, não há quadros qualificados e os raríssimos existentes [eu só me lembro de um!] são ostensivamente desprestigiados. Mesmo os cargos de gerente e diretor de políticas urbanas, no meu tempo ocupados por arquitetos urbanistas, estão, agora, em desvio de função. Se algum de vocês duvida, é fácil tirar a prova: basta citar nomes de especialistas nessa área na Prefeitura Municipal. Alguém se arrisca?

Ora, se não temos competência técnica nem no Executivo, menos ainda no Legislativo, como vamos avançar na revisão do Plano Diretor ou da Lei de Uso e Ocupação do Solo? É uma pergunta sem resposta... Ou essas revisões serão financiadas por empresas privadas interessadas em especulação urbana, como se comenta?

Pois bem, foi com a intenção de trazer pra cá uma dessas discussões feitas no resto do mundo, em razão de certa coincidência [?] que se observa aqui, que eu falei sobre 'a era dos advogados'. Não quis suscitar uma polêmica, mas foi o que aconteceu. De toda forma, para vocês não acharem que eu estava inventando coisas, segue transcrito abaixo trecho de um e-mail entre dois membros da rede do Instituto Brasileiro de Direito Urbanístico / IBDU, que não congrega só advogados, mas também urbanistas em desuso como eu. Um detalhe: as abreviaturas correspondem a nomes reais, de dois advogados. Esse e-mail faz parte de uma série cujo tema original era o 'direito achado na rua'. Vejam aí o que os próprios advogados concluem sobre o efeito do 'formalismo jurídico' sobre a reforma urbana:

M., vc tem toda razão. A luta da reforma urbana, antes de ser uma questão técnico-jurídica como é encarada por muitos dessa rede, é sobretudo uma luta política contra as apropriações do capital. Essa luta emergiu das experiências dos movimentos sociais. Mas, contraditoriamente, a emenda da reforma urbana na Constituinte nos levou, inicialmente sem sabermos, a abdicarmos da política e cairmos no direito como único meio de garantir uma cidade justa e democrática. Infelizmente, o formalismo jurídico, a capitulação do governo federal para o capital privado transformaram a luta pela reforma urbana em conjunto de procedimentos jurídicos muito festejados nesta rede... ai, nós perdemos a luta... J.A.B.

Dia Mundial sem Carro: 22 | setembro

Deu no Estado de Minas

Estado de Minas, pág. 6, de ontem, 19/09/11: 'Deputados Rumo às Prefeituras - corrida eleitoral já movimenta um quarto dos parlamentares estaduais e federais de Minas em busca de cadeiras de prefeito ou de vice. Só em BH, sete são pré-candidatos'.

Na coluna 'pé no Legislativo, olho no Executivo', entre as 14 cidades listadas, lê-se:
Sete Lagoas - Deputado estadual Duílio de Castro (PMN): prefeito.

Em um trecho da matéria:
"[...] Da mesma forma, o deputado estadual Duílio de Castro (PMN) não divide a base eleitoral com ninguém na Assembléia Legislativa e é uma opção para a sucessão do atual prefeito de Sete Lagoas, Mário Márcio Campolina Paiva, o Maroca (PSDB), caso este decida não concorrer. Duílio está na base de sustentação ao governo Maroca e passou a ser considerado liderança política local depois de ter obtido, nas últimas eleições, mais de 30 mil votos na cidade".

Comentário:
Não é natural duvidar que um prefeito com direito a reeleição vá concorrer, não é mesmo? O natural é partir do princípio de que ele é candidato. Ora, o que o Estado de Minas anda sabendo para acreditar que tem chances de Maroca não concorrer?

A era da maledicência

Na postagem abaixo, minha intenção foi comentar um fenômeno que não é apenas local, mas nacional, da hegemonia dos advogados na gestão pública municipal urbano-ambiental. Pra todo lado, isso tem dado o que falar. Acho que é um fato que vale a pena ser identificado e refletido porque tem dimensões filosóficas e ideológicas. Não há, no meu texto, desabono a ninguém. Entretanto, os comentários que se seguiram concentraram-se em críticas ao PT e ao Busu. Como não se configuram ofensas pessoais, não as apaguei. Não se pode proibir as pessoas de explorar contradições que elas enxergam em determinados comportamentos políticos. É mais do que previsível que um fato como esse - do Busu vir a assumir um cargo de secretário no governo, no mesmo governo com quem o PT rompeu, meses atrás - geraria opiniões contra e a favor. Isso é democracia.

Em defesa do Busu, um anônimo me atacou com o comentário que segue. Há duas hipóteses: ou esse anônimo desconhece os fatos ou é simples caso de mau-caratismo.


Os esclarecimentos são fáceis. E não me refiro a esclarecimentos formais e legalistas. Naquela linha palocciana de que 'fiz tudo dentro da lei'. Os esclarecimentos são fáceis porque tem embasamento legal e, sobretudo, técnico e ético. A propósito, disponho-me a apresentar toda a documentação pertinente a qualquer pessoa. Vamos lá:

Primeiro, eu e minha mulher somos arquitetos. Eu entendo que não é ético, como se fazia no passado remoto e recentíssimo, secretários aprovarem projetos próprios. Todavia, eu não posso proibir a minha mulher de exercer a sua profissão. Mas ela poderia fazê-lo de qualquer forma? De jeito nenhum! Definimos, então, uma regra clara: que ela poderia exercer a sua profissão em Sete Lagoas, enquanto eu fosse secretário, apenas e exclusivamente, para clientes históricos do seu escritório. Sendo direto e reto: ela não poderia trabalhar para ninguém que a escolhesse, com segundas intenções, na expectativa de ser favorecido pela sua relação comigo, ou seja, ela não poderia trabalhar para lobistas. Ponto!

Segundo, é falsa a afirmação de que a minha mulher aprovou 'vários' projetos durante a minha gestão. ELA NÃO APROVOU NENHUM!!! Ela deu entrada em um único projeto ligado ao programa Minha Casa Minha Vida, quando eu era secretário, obteve parecer técnico favorável da Gerência de Políticas Urbanas da secretaria que eu ocupava, parecer favorável de um conselheiro do Conselho Municipal de Desenvolvimento e foi aprovado por este conselho, por unanimidade, em reunião em que eu próprio acusei a minha suspeição. Depois que eu saí do governo, o projeto tramitou pelo SAAE, pela Secretaria de Obras [onde se instalou uma oposição ferrenha a mim] e pelo CODEMA, até ser licenciado pelo DLO e assinado pelo atual secretário. Por que ninguém o barrou? O secretário que me sucedeu, o Luís Márcio Machado, é advogado; você, anônimo, está acusando-o de improbidade?

Terceiro, anônimo, faça-me um favor: coloque na mesa TODOS os projetos vinculados ao programa Minha Casa Minha Vida, com soluções prediais. Faça isso, anônimo! Explique-me: por que NENHUM dos projetos aprovados antes da minha gestão foi obrigado a reservar área verde e área institucional para uso público? Por que todos eles foram autorizados pelo poder público a aplicar a Lei 4.591 e foram dispensados de aplicar a Lei 6.766 [para saber sobre isso, anônimo, clique AQUI]? Isso sim é 'condomínio sem regulamentação'. Agora veja o tal projeto da minha mulher: a Lei 6.766 foi integralmente cumprida, está lá uma praça com 10% da área total e uma área institucional, também com 10%. E preste atenção num detalhe importantíssimo, essas áreas públicas não estão nos cantos do terreno, não!, elas ocupam a faixa mais nobre, na frente, voltada para a Rua Padre Teodoro Grond. Fantástico!

Quarto, a Atenas Engenharia, dona do empreendimento é cliente antiga do nosso escritório em BH, para quem, inclusive, já projetamos um conjunto habitacional em solução predial, em Contagem, similar ao que a minha mulher projetou aqui.

Então, 'se vamos criticar, vamos criticar a todos que passaram pela prefeitura', mas com conhecimento de causa, com embasamento técnico, com competência e sem mau-caratismo. Que tal?!

19 de set de 2011

A era dos advogados

Há certa tendência, hoje, a uma hegemonia dos advogados nas questões urbano-ambientais. Arquitetos, urbanistas,  ambientalistas, biólogos perdem espaço político para os operadores do direito urbanístico e do ambiental. Os críticos vêem nisso a sobreposição do formalismo legal à realidade e aos processos sociais, o que traduz uma visão de mundo. Curiosamente, por coincidência ou não, Sete Lagoas parece estar adotando essa tese. Independente dos nomes de seus titulares [diga-se de passagem: ótimas figuras], o fato é que a confirmação do Cláudio Busu Figueiredo como novo secretário da SEMMA coloca-o ao lado de Luís Márcio Machado, dois advogados, portanto, à frente das políticas urbana e ambiental do município. Sinal dos tempos...


Em tempo: Caio Valace também é advogado. Como trânsito faz parte da política urbana, a hipótese da hegemonia dos advogados fica mais convincente.

18 de set de 2011

Rodada de lascar

O Atlético retornou ao lar. Está lá na Z4, de novo. O Cruzeiro e o América deram um abraço de afogados. Dos sete últimos times da tabela, um é cearense, um catarinense, um paranaense, um baiano e TRÊS mineiros! Um desastre. Nesse segundo turno, a seleção celeste não sabe o que é ganhar. Já não sabia bem, acabou de esquecer. Os atacantes, então, não têm a menor ideia do que é fazer um gol. O trem está feio. Pobre do Perrela; disse que vai mudar o nome se o Cruzeiro cair. Está quase: Kalil, Zezé Kalil...

A semana de Dilma

Nesta semana, a presidente Dilma Rousseff será capa da Newsweek Internacional [AQUI],  será a primeira mulher a fazer a abertura da Assembléia Geral da ONU [AQUI] e receberá o prêmio Woodrow Wilson para Serviços Públicos, concedido pelo instituto Woodrow Wilson International Center for Scholars.

Dia Mundial sem Carro: 22 | setembro

A data está chegando: cai na próxima quinta. O World Carfree Day começou na Europa, há pouco mais de uma década, e está se alastrando pelo mundo. A ideia é promover uma reflexão coletiva sobre a dependência e a irracionalidade no uso de automóveis, sobre o nosso estilo de vida e o seu impacto sobre a cidade.

Com essa inspiração, o Estado de Minas fez um teste divertido: colocou duas repórteres para fazerem o percurso Bairro Floresta - Praça Sete, uma a pé, outra de carro. O resultado está na edição de hoje: 'Teste comprova: é possível ser mais rápido a pé do que de carro no Centro de BH'. Leiam AQUI.

Em vez de consumir gasolina, dinheiro e paciência e ainda ganhar doses de estresse, gaste a sola dos sapatos. A pé, em 13 minutos e 23 segundos, dá para vencer a distância do Bairro Floresta, na Região Leste de Belo Horizonte, à Praça Sete, no coração da capital. O mesmo percurso, sobre quatro rodas, consome 14 minutos e 17 segundos. Mas de carro é preciso estacionar. Então, prepare-se para perder 35 minutos do seu dia, quase 17 deles só para encontrar uma vaga. Nesse intervalo, daria para sair andando do Bairro de Lourdes, na Região Centro-Sul, cortar o Centro da cidade, chegar à Praça da Estação e até descansar por três minutos. No mesmo caso, se você optasse pelo veículo, levaria 19 minutos até chegar ao destino, estacionar, comprar e preencher o talão de estacionamento rotativo.

17 de set de 2011

A modernidade segundo os tucanos

Os tucanos se auto-rotulam de modernos. Gostam do glamour da modernidade, uma modernidade um tanto estranha: sem apego social, refratários aos professores e ao tema da educação, obcecados pela domesticação da mídia [não prometem controlá-la, controlam de fato] e por aí afora. Essa notícia que está no Blog do Lucas Figueiredo é emblemática: eles preocupam-se com a corrupção, mas de braços dados com Ricardo Teixeira. Moderníssimo! Leiam AQUI.

mundoparamorar

Vai aí uma dica: 'mundopara morar - ideias inovadoras e sustentáveis para você viver melhor' [AQUI]. Tem coisas geniais que nos fazem pensar um pouco mais sobre o nosso insustentável estilo de vida. Vejam um exemplo:

Troque seu carro por passagem de trem vitalícia [AQUI]
A cidade espanhola de Múrcia usou uma maneira bastante inusitada para convencer seus cidadãos a adotar o transporte público e amenizar o caos no trânsito. Ao invés de incentivar o uso de bicicletas ou o hábito de oferecer e tomar caronas, o governo resolveu dar passagens vitalícias de trem em troca de um carro. Isso mesmo, qualquer murciano que entregar um carro quitado, novo ou velho, pode se registrar para ter passagem grátis para o resto da vida. Você trocaria seu carro se pudesse pegar ônibus e metrô de graça para sempre?

Rubião

O nosso amigo Julinho de Assis está com um belo texto, n'O Tempo, sobre Murilo Rubião [AQUI]: 'A magia de um contista chamado Rubião'. É uma lembrança oportuna, uma vez que, exatamente neste 16 de setembro, completaram-se 20 anos de sua morte.

[Ilustração de O Tempo]

Para os que quiserem ler mais sobre esse escritor mineiro, vale a pena dar um pulo no site realizado pela USIMINAS sobre sua vida e sua obra [AQUI].

16 de set de 2011

Seminário Legislativo Pobreza e Desigualdade


A Assembléia Legislativa está promovendo o Seminário Legislativo Pobreza e Desigualdade. São doze encontros regionais, quatro já realizados, que convergem para a etapa final em BH, no final de outubro. O encontro da região central será em Sete Lagoas, no próximo de 26/09/2011, no auditório do UNIFEMM. Eu tive a honra de ser convidado para a exposição 'Dimensão da pobreza e das desigualdades sociais e regionais'.

Programação Encontro Região Central - Sete Lagoas
Local: Auditório Dr. Marcelo Viana / UNIFEMM

07:30 - Credenciamento
08:00 - Abertura Oficial
Deputado Dinis Pinheiro/PSDB - Presidente da Assembleia Legislativa do Estado de Minas Gerais
Mário Márcio Campolina Paiva - Prefeito Municipal de Sete Lagoas
Antônio Rogério Teixeira - Presidente da Câmara Municipal de Sete Lagoas
09:00 - Exposição
Dimensões da pobreza e das desigualdades sociais e regionais
Flávio José Rodrigues de Castro - Coordenador de Extensão do UNIFEMM
10:00 - Grupos de Trabalho
Grupo 1- Desenvolvimento Social
Tema 1: Promoção e Proteção Social
Tema 2: Educação e Cultura
Tema 3: Saúde e Qualidade de Vida 
Grupo 2 - Desenvolvimento Econômico Sustentável
Tema 4: Produção e Trabalho
Tema 5: Infraestrutura, Rede de Serviços e Circulação
Tema 6: Ciência, Tecnologia e Inovação
12:00 - Almoço
13:30 - Continuação dos Grupos de Trabalho
16:30 - Plenária 
Breve relato do trabalho dos grupos e apresentação dos representantes regionais eleitos nos grupos
17:30 - Encerramento

Apoio:
Câmara Municipal de Sete Lagoas
Centro Universitário de Sete Lagoas - UNIFEMM

Para conhecerem a programação geral, cliquem AQUI;
Para saberem mais sobre a programação em Sete Lagoas, cliquem AQUI;
Para inscrição no encontro em Sete Lagoas, cliquem AQUI.

Outros caminhos para a inclusão social

A postagem abaixo sobre a Medellín de Sergio Fajardo me fez lembrar uma discussão importante que anda pouco frequente, nos últimos tempos. Especialmente quando ele diz: "quando as crianças mais pobres de Medellín chegam na melhor sala de aula da cidade, está sendo passada uma poderosa mensagem de inclusão social". A que discussão me refiro? A de que a inclusão social não pode ser relacionada apenas aos programas de assistência social ou de geração de renda, como se tem feito. Ao contrário, um dos instrumentos mais resolutivos de inclusão é a política urbana. Bairros com infraestrutura deficiente e sem serviços públicos são profundamente excludentes. Aliás, o maior estigma social está vinculado ao território: onde se mora denota quem a pessoa é, socialmente. A melhor urbanização inclui. Uma praça bem cuidada e aberta a várias formas de apropriação pública inclui. O transporte coletivo pode ser um extraordinário mecanismo de inclusão se tiver qualidade. Ou de exclusão, se não tiver...

Eu quero mais para Sete Lagoas

Uma amiga voltou, há pouco, de Medellín e trouxe na bagagem histórias impressionantes sobre Sergio Fajardo Valderrama, prefeito da cidade de 2003 a 2007; hoje, candidato a governador de Antioquia. Fajardo não é político, mas doutor em matemática e se candidatou, sem partido, a prefeito e ganhou. Fez uma revolução com secretários, todos, fora do mundo da política. Usou uma lógica simples: sem corrupção dá pra fazer mais. Demonstrou isso de forma matemática: tanto de dinheiro [-] o custo da corrupção [=] mais dinheiro pra mudar o mundo. Apostou tudo em educação e acabou com a herança sanguinária de Pablo Escobar. Fez construções geniais nas áreas mais pobres da cidade; sabem de quê? De bibliotecas! Putz!, eu acredito muito nisso! Porque não fazemos o mesmo em Sete Lagoas?

Faço uma proposta aos leitores deste blog: pesquisarmos, juntos, sobre Fajardo e Medellín. Que tal? De minha parte, vou abrir aqui no blog uma nova linha de postagens, com o título 'PROJETOS INOVADORES PARA SETE LAGOAS': textos com experiências que nos ajudem a destruir, no nosso próprio imaginário, a péssima ideia que fazemos de políticos, em razão dos péssimos políticos que temos [com raras exceções], e a construir o conceito de político inovador e transformador.

Para dar a partida, um primeiro link: 'Medellín e o prefeito Sergio Fajardo'.


"Nossas construções mais bonitas devem ser em nossas áreas mais pobres [...]. O primeiro passo em direção a educação de qualidade é a dignidade do espaço. Quando as crianças mais pobres de Medellín chegam na melhor sala de aula da cidade, está sendo passada uma poderosa mensagem de inclusão social. Essa criança descobre uma nova auto-estima e aprende as matérias mais facilmente”, constata Sergio, filho de um grande arquiteto, mostrando sua fé na arquitetura para chegar à seus objetivos.

Os 21

Os 17 - Será na próxima terça-feira reunião que define o número de vereadores a serem eleitos para a próxima legislatura. A proposta de 21 foi abortada e, tudo indica que - assim como ocorreu no primeiro turno - a maioria vai optar por 17 vereadores. Os partidos menores esbravejam. Consideram que as chances de eleger um representante ficam reduzidas.

Essa nota está no Sem Reserva do SETE DIAS de hoje. Não estou muito seguro de que a proposta de 21 esteja, de fato, fora de cogitação. A verdade é que a Câmara não poderia ter escolhido pior hora para tomar essa decisão: às vésperas de um ano eleitoral, argumentos de mérito, a favor de qualquer dos votos, estão prejudicados pela pressão de interesses de futuros candidatos e de partidos. O ambiente não anda muito racional. Nesse contexto, não há o bem e o mal. Os que estão optando por 17, em sua maioria, também estão de olho nas urnas. A opção por 21 aumenta o número de vagas, mas também o número de candidatos. A interpretação é de que isso é bom para os pequenos partidos e ruim para os grandes. A maior parte não está votando ideologicamente, mas sim com a calculadora na mão. Pra tornar tudo mais complicado trata-se de uma eleição desequilibrada. A posição pró-21 precisa de apenas 5 votos; a pró-17, precisa de 9. Pra quem não sabe, explico: trata-se de emenda à Lei Orgânica, o que exige maioria qualificada não de sete, mas de nove votos. No ano passado, já houve uma alteração no art. 40 da LOM, aumentando o número de vereadores para a próxima legislatura de 13 para 21. Ou seja, o que está na lei, hoje, é 21. [Engraçado que isso foi decidido sem nenhum alarde...]. O que está em pauta é reduzir de 21 para 17. Nesse caso, a mudança [17] precisa de 9 votos; se 5 vereadores votarem contra ou se abstiverem ou não aparecerem, fica como está [21]. Pra fechar: a opção de manter as 13 cadeiras atuais - que eu acho a mais correta -, esta sim está fora de cogitação, há mais de um ano...