31 de mar de 2011

Despedida oficial

Hoje, todos sabem, encerro minha participação no governo Maroca. Nos últimos dias, despendemos toda energia possível para entregar a Secretaria de Planejamento, Orçamento e Gestão em dia. Não há, sobre minha mesa, um único processo a despachar. A equipe do DLO, nessa tarde, conclui a organização da Central de Processos. Agora, às 18:07, contam-se exatos 4.634 processos cadastrados. Penso que, mesmos os momentos adversos, e sobretudo eles, devem ser vividos com dignidade... Em meio a esse rito de desembarque, recebo telefonemas de amigos informando-me que, às 14:49, a Prefeitura Municipal postou em sua página oficial no Facebook uma mensagem tentando colocar nos meus ombros o insucesso pela má gestão do prefeito Maroca, nesses dois anos. A imagem da mensagem está aí. Não tenho rigorosamente nada a dizer. Fosse muito esperar por reciprocidade em se encerrar dignamente  essa relação, pelo menos, não por tamanha deselegância...
[Para visualização ampliada, cliquem na imagem]

Deu pro gasto...

Em jogo morno, sem a torcida paraguaia, o Cruzeiro bateu o Guarani por 2 a 0 e manteve a liderança do seu grupo na Libertadores. Com saldo positivo de 16 gols [17 gols pró e 1 único contra], contra saldo de apenas 1 gol do Estudiantes, só perde o primeiro lugar se for derrotado por diferença de 8 gols. Mamão com açúcar...

29 de mar de 2011

Cidade democrática

Frederico, obrigado por nos recomendar a entrevista do arquiteto Richard Rogers, na Folha de hoje [cliquem aqui]. Ele trabalha com conceitos que são inteiramente convergentes com o que penso. Em especial, sobre a necessidade de barrarmos a conformação da 'cidade de guetos', a cidade que perde a noção de pluralidade, social e funcional, típica das áreas centrais, e avança, perifericamente, através de condomínios fechados de ricos e bairros populares ou ocupações precárias de pobres. A cidade sem interação, sem convivência, sem relação de troca. A cidade impenetrável. Ele trata de conceitos importantes, mas para os quais há poucos ouvidos entre nós...

"Um área só para ricos contraria a ideia de cidade".

"O problema de pobres e ricos no Brasil é igual ao que existia entre brancos e negros nos Estados Unidos. Cidades não podem ter guetos, seja para negros ou pobres".

"Não há soluções para o trânsito com carros".

"As cidades precisam de leis para controlar as forças do mercado. [...] O plano [para cidades governadas pelo partido trabalhista inglês] dizia que as pessoas têm direito a espaços públicos, assim como têm direito a água. Que as cidades devem ter leis que obriguem bairros ricos a ter habitações sociais. E têm de limitar os carros no centro".

Lá se vai um bravo!

[Recorte de foto de José Alencar no Portal Terra]

[Recorte de foto, de Lula e Dilma emocionados com a notícia, no Portal Yahoo]

[PS: 31/03: Recorte de foto de Lula, aos prantos, na despedida de Alencar, no Portal G1]

Claret, salve-nos! - II

Nós temos falado muito aqui apenas sobre a dimensão material da tragédia japonesa. Esse final de semana, algumas matérias em jornais me alertaram para a dimensão humana dessa tragédia. Para além da mórbida contagem de perdas humanas, o terrível convívio com a destruição e os escombros, com o regime de guerra com racionamento de comida e filas monumentais. Mais um duro castigo imposto a um povo já calejado...

A partir desse foco, considerando o que não sei quem disse, de forma muito apropriada, de que 'os animais são seres humanos como outros quaiaquer', eu faço mais algumas perguntas ao nosso mestre Claret: a gente comentou de leite sendo jogado fora; como fica o rebanho leiteiro? Ele também está contaminado, vai pro abate e para o túmulo de concreto? E a fauna marinha? Peixes nadando em iodo radioativo vão ter filhotes com dois rabos e duas cabeças? Se a radiação está chegando à América, do outro lado do mundo, a pesca no Pacífico está condenada?

Vamos com moderação...

Alguns amigos deste blog reacenderam, nos últimos dias, com razão, a discussão sobre a necessidade de moderação de comentários. Isso em razão da participação de anônimos com intervenções pessoais muito agressivas. Não só a mim, mas a outros freqüentadores desta praça.

Eu tenho insistido na ideia de que o blog aberto é mais democrático ou mais participativo. Isso é apenas uma meia verdade. O lado verdadeiro é que, nesse período de quase dois anos de participação no governo, circunstancialmente, ficar sujeito a criticas pró e contra, de fato, me pareceu mais correto. O lado falso é que blogs não são instâncias democráticas. Mais importante do que se preocuparem com democracia e acabarem se metendo numa bela anarquia, o objetivo deles deve ser zelar pela comunidade de freqüentadores que cada um reúne. Eu me referi a isso, uma vez, usando a expressão ‘comunidade de sentidos’. O Cláudio falou uma coisa muito legal em seu comentário, ontem: o que nos une é ‘a vontade sincera de trabalharmos, sempre, a partilha’. Ou seja, o ideal é que os comentários se restrinjam apenas aos que comungam dos mesmos sentidos, aos que se predispõem a essa partilha.

Por outro lado, é curioso observar que cada blog vai adquirindo o seu estilo, o que decorre não só do blogueiro, mas, sobretudo, da sua interação com aqueles que se interessam por seus temas. É com esse estilo que cada um constrói sua ‘comunidade de sentidos’ ou ‘trabalha a sua partilha’. Por isso mesmo, imagino que a predisposição de cada pessoa deve ser diferente quando acessa um ou outro blog. Minha dúvida: até que ponto o que marca o estilo deste blog aqui não é, mais do que as postagens, a espontaneidade dos comentários, o bate-pronto, o comentou-publicou, a réplica rápida, e mais a tréplica? Em geral, os blogs têm, digamos, uma linha editorial mais definida. Uma concentração mais madura em determinados temas. A falta, aqui, dessa, digamos, linha editorial mais demarcada – e não me perguntem porque a coisa tomou esse rumo –, com futricas sobre futebol e F1, com recomendações, às vezes bizarras, de livros e filmes, e mais experiências culinárias tolas, tudo misturado a discussões sobre urbanidades, essa coisa confusa não precisa de comentários assim mais à vontade e com maior velocidade de interação?

Resumindo: meu medo é de que, ao me preocupar em limitar a participação temerária de indesejáveis, tão temerária quanto efêmera [podem escrever: depois do dia 31, eu deixo de despertar interesse e eles somem...], eu acabe dando um tiro no pé e perca o que há de melhor, e nada efêmero, aqui: exatamente, o bom humor, a gratuidade, o descompromisso, a generosidade dos desejáveis nesta praça...

[PS1: parafraseando, eu estou meio como Santo Agostinho: ‘Deus, daí-me a moderação, mas não agora!’]

[PS2: ou seja, essa história de comentários livres não é destemor meu ou mais ‘fígado’, como se comentou. É temor mesmo: eu receio que, se eu instalar a moderação, muita gente boa venha a desaparecer...]

28 de mar de 2011

Claret, salve-nos!

Eu não vou repetir aqui tudo que está na imprensa sobre a tragédia nuclear japonesa. Em linhas gerais, o processo de contaminação radioativa é grave e crescente. Já se fala em um raio de contaminação de 40km e não mais apenas 20. Água, leite e plantações da região estão proibidas para consumo. No mar, próximo a Fukushima, a presença de iodo radioativo está 1.250 vezes acima do admitido. E por aí vai... Minha pergunta ao Claret: OK, já sabemos que a situação é pra lá de ruim; então, qual o futuro? Como se dá o processo de descontaminação? A natureza, nessa hora, trabalha contra ou a favor?

Novas pautas: 'À beira de um colapso'

Esta semana que se inicia fecha o nosso período catártico. Eu vou esperar virar essa página para abrir novos debates aqui, para que não fiquem contaminados pelo momento. Um deles será sobre 'desenvolvimento regional'. Num bate-papo com Marquinho, aqui, eu me comprometi a dar curso a esse tema e não o fiz. Farei! Outro assunto que quero aprofundar será sobre o 'padrão de crescimento periférico de Sete Lagoas'. Na postagem abaixo, eu citei o artigo de Ricardo Sargiotti, na revista AU, de março. É uma boa base de apoio para essa discussão. Ele descreve, de maneira compreensiva, o processo de periferização das cidades, referindo-se a casos argentinos: "A cidade que durante muito tempo era um imã [entenda-se: a imantação gerada pelo centro, o mercado, o teatro, a igreja...], hoje trabalha como uma máquina centrífuga de seus habitantes" [... a periferização, com guetos ricos e pobres]. Isso vale pra nós. E sobre isso, Sargiotti lança três alternativas de enfrentamento, razoavelmente conhecidas, que quero por na mesa. A propósito desse tema, vale a leitura, no caderno Gerais, do Estado de Minas, de hoje, da reportagem 'À beira de um colapso', retratando os problemas criados pelo crescimento periférico de BH, 'da mais charmosa região de condomínios', na direção de Nova Lima, sem os investimentos necessários em infraestrutura e com graves riscos ambientais. O que o Poder Público fala sobre isso? "A região das Seis Pistas e os condomínios não estão preparados para esse crescimento urbano do ponto de vista de água, esgoto e trânsito", reconhece o prefeito novalimense, sem perspectivas. Essa questão é convergente com a que o Pablo propôs debater em seu comentário, também abaixo. Esses assuntos estarão na nossa pauta de abril...

27 de mar de 2011

Coelhada

Montillo voltou e brilhou. O Cruzeiro venceu o clássico contra o América, se isolou na liderança e foi o primeiro time a garantir vaga na próxima fase...


Léo [da banca], também pudera: vocês deixaram uma avenida aberta na direita do ataque celeste!

12 voltas

Eu pulei da cama às 3 da madruga para ver o GP da Austrália. Achei um excelente início de campeonato. Até a 12ª volta...

A largada foi fantástica. Cheia de ganha e perde: Alonso caiu de 5º para 9º; Petrov avançou; Massa pulou de 8º para 5º; Button ficou atrás de Massa; Rubinho escapou e voltou em último.

Com um carro com melhor rendimento, Button iniciou um duelo com Massa. Duelo de gente grande. Massa ganhou todas no braço. Até a 12ª volta... Aí Button cortou caminho, trouxe Alonso - que já estava atrás dele - com ele e jogou Massa para 7º. Não por causa de Massa, mas, de fato, acabaram-se aí as emoções. 

Daí em diante, nada de novo, nada de duelos, nada de boas ultrapassagens. Button foi penalizado, Alonso se deu bem, Massa se deu mal, Rubinho chegou na zona de pontuação, mas bateu e voltou para o final da fila. Vettel brilhou.


A F1, ao que parece, seguirá a mesma. Os novos arranjos tecnológicos não deram em nada. A asa traseira móvel não tornou ninguém mais competitivo. [Button a usou várias vezes contra Massa, sem sucesso]. A história de mais pit stops em razão do maior desgaste de pneus também não aconteceu. [O mexicano Sérgio Perez, com uma Sauber, ficou em 7º, com uma única parada nos boxes].

Não voltei pra cama seguro de que teremos coisa melhor do que no ano passado...

'O triste destino da periferia'

Mais hora, menos hora, eu quero discutir aqui a questão do crescimento periférico de Sete Lagoas. A revista AU - Arquitetura e Urbanismo trouxe um artigo muito bom do arquiteto argentino Ricardo Sargiotti sobre isso ['Periferias'], na sua última edição. Vou comentá-lo adiante... Um dos pontos que defendi à frente da gestão urbana municipal, ainda que com restrita adesão política, refletia diretamente sobre 'o triste destino da periferia': a necessidade de se condicionar a expansão urbana à expansão de serviços públicos, na origem. Um exemplo: a exigência de que programas habitacionais periféricos deveriam prover, na sua incorporação, não apenas moradias, mas também escolas, creches, unidades de saúde etc., a partir de uma avaliação objetiva da nova demanda criada. É óbvio que eu não estava errado. Prova disso está na declaração do ministro da Educação, hoje, em São Paulo. Espero que o seu colega do Ministério da Cidades pense algo parecido...

"Fernando Haddad, ministro da Educação, defendeu neste sábado (26) que os programas habitacionais, tanto do governo federal como dos governos estaduais, façam planejamento prévio da demanda por infraestrutura de educação. 'Se você prever a demanda potencial de educação, o MEC pode entrar simultaneamente [construindo as escolas], enquanto constroem casas', disse após participar de um seminário sobre falta de vagas em creches, na Cidade Ademar, zona sul paulistana" [O Tempo Online].

26 de mar de 2011

Água: 'Os custos econômicos e sociais do desperdício'

Vale a pena a leitura do artigo de Dal Marcondes, na Carta Capital [cliquem aqui] sobre esse tema:

"Um levantamento recém-divulgado pela Agência Nacional de Água (ANA) aponta que o problema do abastecimento é generalizado pelo País. Dos 5.565 municípios brasileiros, mais da metade terão problemas de abastecimento até 2015. E para tentar adiar o problema por ao menos uma década será preciso desembolsar 22 bilhões de reais em obras de infraestrutura, construção de sistemas de distribuição, novas estações de tratamento e manutenção de redes muito antigas, que perdem mais de 30% da água tratada antes de chegar à casa dos clientes. E nesse valor não estão incluídos os recursos necessários para resolver o problema do saneamento básico, com a construção de sistemas de coleta de esgoto e estações de tratamento, de forma a proteger os mananciais onde se faz a captação para consumo humano. Para isso, segundo a ANA, serão necessários outros 47,8 bilhões de reais".

[...]

"Quase tudo que é produzido no País tem sua cota de água embutida. Os especialistas denominam de “água virtual”. Como exemplo, para se produzir 1 quilo de arroz são necessários 3 mil litros de água, e 1 quilo de carne bovina precisa de 15,5 mil litros. Uma simples xícara de café não gasta menos do que 140 litros de água. Não é que essa água desapareça depois de servido o cafezinho, mas para se chegar aos produtos tão necessários nas mesas das pessoas é preciso que ela esteja não apenas disponível, mas limpa, isenta de contaminações por esgotos ou produtos químicos. E há mais. Para um automóvel chegar à garagem dos brasileiros, o consumo de recursos hídricos chega a 150 mil litros. Ou seja, a economia precisa, e muito, de água de boa qualidade. Isso sem mencionar o fato de que 18% das faltas de trabalhadores ao serviço poderiam ser evitadas com uma gestão mais eficaz dos recursos hídricos".

Salazar: totalitário, mas não fascista?

O caderno Sabático, do Estadão de hoje, resenhou o livro 'Salazar', de Filipe Ribeiro de Meneses, que está nas livrarias. Ao que parece, o livro faz uma releitura um tanto explosiva do ditador português, desfazendo sua face fascista. Será? [Cliquem aqui e leiam 'No encalço do Salazar histórico']

"Diferentemente de Hitler, Mussolini e Franco, líderes com os quais Salazar costuma ser comparado, o ditador português era um acadêmico, que acreditava que Portugal seria salvo pela educação moral e pela preservação dos pilares do cristianismo. Como homem de origem rural, apresentava-se como contraponto ao cosmopolitismo de Lisboa - uma falsa imagem, como prova o historiador - e entendia que o país não aproveitava as oportunidades econômicas que se lhe apresentavam porque atravessava uma crise de princípios. Salazar se propôs, então, a salvar os portugueses de si mesmos".

"Mussolini e Hitler, antes de mais nada, não trabalham como eu" [Salazar].

"Salazar resumia em si essa imagem mítica de Portugal. O ditador representava, para os nacionalistas, o fim da humilhação do país. Por isso conseguiu ficar no poder quase até o fim da vida - talvez porque boa parte dos portugueses temesse que, quando ele partisse, o país enfim despertasse para a fria realidade de uma potência morta".

Incentivo a Cultura

O projeto 'Viva Voz', do mandato do vereador Dalton Andrade, e o Coletivo Colcheia estão levando em frente uma discussão sobre a legislação municipal de incentivo à cultura. Lembrei-me disso ao ler na coluna Tendências/Debates, da Folha deste sábado, dois textos, um favorável, outro desfavorável, à seguinte questão proposta pelo jornal: 'O governo deve ter maior papel na aprovação de projetos da área cultural que recebam incentivo?'. É um debate decorrente, naturalmente, da polêmica dos últimos dias sobre a aplicação da Lei Rouanet, envolvendo o incentivo ao blog da cantora Maria Bethânia. Pois bem, os dois textos trouxeram informações que me pareceram surpreendentes, levando-se em conta, especialmente, o preconceito de alguns com a vinculação de recursos para a cultura. Vamos a eles:

"E é bom frisar que, em 2009, a renúncia fiscal total para a cultura representou 1,26% de todas as renúncias, enquanto os setores de comércio e serviços ficaram com 30,70%, e a indústria com 19,89% (ou seja, 50,59% do total!). E ninguém discute a pertinência ou a aplicação individual desses recursos pelo governo, muito mais robustos e suscetíveis a lobby". [Cristiane Olivieri]

"Mas a legislação precisa ser renovada. No caso da Lei Rouanet, o MINC apresentou um diagnóstico: só 3% dos proponentes captam mais da metade de toda renúncia, contemplando poucos artistas. [...]. A almejada parceria público-privado não ocorre: 95% do montante geral é oriundo de renúncia fiscal, e não se estabeleceu um genuíno empresariado cultural: ao contrário, aumentou a dependência. [...]". [Alfredo Manevy]

Má companhia

A Companhia das Letras está lançando uma nova coleção de livros em formato de bolso e preços mais acessíveis: Má Companhia. Segundo o editor André Conti, destina-se a 'livros únicos, malditos, que marcaram época e depois sumiram'.

Os primeiros da fila devem ser 'Tanto Faz & Abacaxi', de Reinaldo Moraes, e 'O Invasor', de Marçal Aquino, dois autores sobre os quais já comentamos aqui. De Moraes, falamos de 'Pornopopédia' e, de Aquino, de 'Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios'.

'Usina de confusões'

Claret, essa é, especialmente, pra você. IstoÉ [aqui]: Governo demite toda a diretoria da CNEN após descobrir que reatores atômicos operam sem licenças e que Angra 2 não tem autorização definitiva para operar.

Diário de desembarque – III

Enigma
As críticas a mim, aqui no blog, espelham, mais ou menos, as que estão nas ruas. Eu não sou refratário a elas. O problema é decifrá-las. Assim como os elogios, dependem muito de quem faz, em que circunstâncias e referindo-se, exatamente, a quê. Nas críticas anônimas, há uma questão curiosa: são sempre pessoais e só pessoais. Nunca entram no mérito das ideias ou do trabalho.

‘Fale de mim quem quiser falar’
Podem me prender, podem me bater
Podem até deixar-me sem comer
Que eu não mudo de opinião
[Opinião, Nara leão]

Eu aprendi uma coisa muito bacana com Darcy Ribeiro, nos anos 1980: na política, você tem que ter opinião! Quando ele fez o sambódromo e as tias dos morros, todas, foram contra; num debate na TV, ele não entrou nessa história de contemporizar; nada disso, ele foi lá e defendeu sua ideia do começo ao fim. Animadíssimo! Desavergonhadamente. Na política é preciso ter ideia, ter crença, ter lado. E você tem, não direito, mas obrigação de disputar seu ponto de vista. Pra ganhar ou pra perder.

Complexo de colônia
Se você tem uma idéia incrível
É melhor fazer uma canção
Está provado que só é possível
Filosofar em alemão
[Língua, Caetano Veloso]

Como disse um anônimo, eu posso ser, mesmo, o cara mais metido a besta do mundo. Mas nem precisava ser. Para muita gente no nosso meio político, parece que quem se mete a ter ideias, incríveis ou não, é metido a besta, por definição. Defendê-las, então, é um pecado capital. Não ficar pulando de um lado para outro do balcão é fatal. É isso? Nós não merecemos pensar, isso não é pra nós? Tenho certeza que, para muitos, esse teria sido o meu maior erro. Aliás, um anônimo já criou uma polêmica sobre isso aqui. O correto é silenciar-se, ser sempre cordial, não confrontar nada nem ninguém, buscar zonas de conforto e se garantir eternamente no cargo, em qualquer cargo? Isso não é política...

Sem dramas
Se chorei ou se sorri
O importante é que emoções eu vivi
[Emoções, Roberto Carlos]

Ou seja, tudo é uma questão de feitio. Há um jeito certo de ser tudo, a que não se deve contrapor. Como secretário você deve ser discreto, não deve ter opinião própria, não deve ter blog, mais ou menos isso. Na hora de sair, você deve ser discreto, não ter opinião própria, não deve ter blog, mais ou menos isso. Como se ser secretário ou deixar de ser, fosse coisa de outro mundo. O cidadão deve anular-se. Bobagem. Eu penso o contrário. Quando você se torna um ‘agente público’ você tem, sim, obrigação de participar do debate, de disputar a opinião pública. Com todo risco! O importante é a guerra que você trava, na perspectiva de levar adiante a sua utopia. A batalha, que se vence ou se perde, é parte da guerra. Perder é ruim? É péssimo! É péssimo ver a desmontagem da equipe, perder a agenda de trabalho, perder a opotunidade de mudar o seu mundo. Mas, peraí, pessoal: não há drama nisso! Eu tenho a mesma disposição para viver bons e maus momentos. Com todo risco!

Ficha Limpa: só em 2020!

Estadão Online [aqui]: STF pode adiar vigência da lei por uma década

Isso ocorrerá se a Corte decidir que candidatos só podem ser barrados após esgotados todos os recursos à Justiça.

enF1m...

Demorou, mas chegou! O circo da F1 está de volta. Depois do cancelamento do GP do Bahrein, que seria no dia 13; só neste final de semana, na Austrália, voltaram os roncos dos motores. E os da Renault e da Mercedes, nos carros da Red Bull e da Mclaren, soaram mais alto. Vetttel ficou com a pole, pra variar. Hamilton, Webber e Button fecharam as duas primeiras filas do grid de largada. Massa e Rubinho foram Massa e Rubinho: não fizeram nada de novo. Massa fez o 8º tempo; Rubinho, depois de uma rodada, o 17º. Amanhã é dia de varar a noite: a corrida é às 3 da madruga...

[Recorte sobre foto do Portal Terra]

24 de mar de 2011

E aí, Amaro?!

Amaro, quando você fazia críticas ao PT e sua coligação com políticos nefastos, eu lhe lembrava que o PV também tinha um Sarney pra chamar de seu. Lembra-se? Sem provocação, apenas para uma reflexão que vale para todos nós, leia aí a crítica da ex-candidata Marina Silva, de quem eu gosto muito, sobre o seu partido:


A ex-senadora e candidata derrotada à Presidência da República Marina Silva divulgou nesta quinta-feira, 24, uma carta com críticas à direção de seu partido, o PV. Acusa-a de não honrar compromissos de democratização interna assumidos quando se filiou ao partido no ano passado e renovados na campanha presidencial. "Se deixarmos de lado a renovação política dentro do partido, acabou-se a moral para falar de sonhos, de ética, de um mundo mais justo e responsável com o meio ambiente", diz.

[...]

Sem citar nomes, o texto ataca de maneira inequívoca o presidente do partido, deputado José Luiz Penna (SP), que está no cargo há 12 anos e é conhecido sobretudo pelo estilo pragmático com que conduz a legenda. A ex-senadora afirma que o novo jeito de fazer política que ela defende "requer enfrentar a crise geral pela qual passam os partidos, que, de instrumentos de representação e avanço social, cristalizaram-se como máquinas burocráticas, amorfas e voltadas para a conquista do poder pelo poder, muitas vezes não importando os meios, e abandonando a disputa programática pela simples disputa pragmática".

IBOPE

Segundo o Google Analytics, desemprego dá ibope... Em tempos recentes, nosso recorde era de 517 aberturas de página por dia. Pois não é que depois do meu pedido de exoneração, em dois dias seguidos, batemos em 617 e 675 visitas/dia!

Diário de desembarque – II

Cronômetro
O cronômetro foi disparado. Entramos, agora, na última semana...

Plano de desembarque
Os assuntos burocráticos usuais da Secretaria foram todos postos em dia. Fizemos, em equipe, hoje, um plano de desembarque para o DLO. Todas as nossas ações vão convergir para nos dias 30 e 31, quarta e quinta da semana que vem, fecharmos o departamento para organização interna, em especial, para organização da ‘Central de Projetos’, o que é impossível de ser feito com processos em trâmite. De nossa parte, vamos entregar as chaves com a casa arrumada. Se isso é irrelevante para o próximo gestor, se ele vai demolir e reformar tudo, como se tem aventado, é outra história.

Fim de governo
Se para alguns, portas se fecham; para outros, oportunidades se abrem. Há quem lamente; há quem comemore. Fim de governo é sempre igual. Dizem que é uma das melhores épocas para se saber do que é capaz a raça humana. Para quem nunca passou por isso, o mal estar é inevitável; para quem já passou por essa prova, é duro, mas dá pra levar na esportiva...

Olé!

No alçapão do Jacaré, a torcida atleticana gritou 'olé!'... mas para o time adversário. Joguinho horroroso! Aliás, jogar bem as panteras não têm jogado. A sorte é que tem sido boa companheira, ainda que apenas alí pelos 47' do segundo tempo. Hoje, em casa, faltou futebol e sorte...

Ficha suja

Ficha limpa não vale para as eleições de 2010
Lei ainda pode ser questionada para 2012

Estas são as manchetes do G1.com.br. que, com essas ou com outras palavras, estão em todos os portais da internet. Pra mim, a questão vai além da simples validade ou não da lei da 'Ficha Limpa' com todos os seus méritos. Há duas dimensões mais relevantes. Uma, a inexistência de canais legais e legítimos para se validar a vontade popular. Nenhuma outra lei, ultimamente, teve tanto apoio quanto a da 'Ficha Limpa'. Ainda assim, acabou por imiscuir-se nas fragilidades do Congresso Nacional, sempre incapaz de legislar tempestiva e solidamente, rendendo-se a um papel oportunista e pragmático. Outra, na contra-face desse Congresso, a já contumaz judicialização de toda e qualquer decisão relevante. De fato e de direito, o STF acabou se impondo como a principal instância legisladora do país. Significa dizer que um órgão formado por apenas 11 ministros indicados pela Presidência da República, autoritariamente, decide os rumos institucionais do país. Desculpem-me, mas isso não é democracia representativa. Não aqui, só na China!

23 de mar de 2011

De: Marquinho | Para: Claret

Por troca de e-mails, Marquinho Moreira e Claret continuaram o debate sobre a questão dos terremotos, dos tsunamis e das usinas nucleares, com base em dois textos da Eletronuclear e do CNEN. Acabaram por concluir que valia a pena trazer esse debate para este blog. Vamos lá:

Vejam os textos sobre o assunto publicados nos sites www.eletronuclear.gov.br (...) e no site www.cnen.gov.br que transcrevo abaixo:

Eletronuclear:
11/03/2011

A consideração dos terremotos nas usinas nucleares Um forte abalo sísmico atingiu o Nordeste do Japão nesta sexta-feira (11 de março, às 02h46 da madrugada, horário de Brasília), com magnitude 8,9 na escala Richter e epicentro no oceano, a aproximadamente 130 km da cidade litorânea Sendai. Como conseqüências do evento, 11 das 27 usinas nucleares japonesas na região afetada foram desligadas automaticamente e, até o momento, não há notícias de vazamento radioativo para o meio ambiente.

O terremoto suscita questionamentos sobre os efeitos de um sismo nas proximidades das usinas brasileiras, em Angra dos Reis (RJ). Uma comparação direta entre as situações brasileira e japonesa não é adequada, pois enquanto o Japão está situado em uma região de alta sismicidade - causada pela proximidade da borda de placa tectônica, onde ocorrem cerca de 99% dos grandes terremotos -, o Brasil está em uma região de baixa sismicidade, em centro de placa tectônica.

Confira, abaixo, as respostas para algumas dúvidas mais freqüentes:

O projeto estrutural das usinas de Angra leva em consideração a possível ocorrência de um abalo sísmico?
As usinas nucleares de Angra dos Reis foram projetadas para resistir a vários tipos de acidentes. Mesmo estando numa região com probabilidade muito baixa de ocorrência de eventos sísmicos, o projeto das usinas de Angra, entre outros acidentes externos considerados, leva em conta o maior terremoto que poderia ocorrer no sítio. O prédio onde fica o reator nuclear tem barreiras de concreto e de aço dimensionadas para resistir a esses tipos de evento. Diversos sistemas garantem, de forma segura, o desligamento das usinas após qualquer abalo que atinja as especificações consideradas no seu projeto.

O projeto se baseia em normas de segurança internacionais, que consideram uma aceleração horizontal na rocha de 0.10 g (aceleração da gravidade, g=10m/s2). Especialistas da PUC/RJ e do Instituto de Astronomia e Geofísica da USP (IAG/USP) estimaram que a probabilidade de ocorrência de um abalo dessa proporção na Central Nuclear é de uma a cada 50 mil anos. O maior terremoto registrado na região Sudeste, nas últimas décadas, ocorreu em 22 de abril de 2008, atingiu 5,2 graus na escala Richter e teve seu epicentro no Oceano Atlântico, a 215 km da cidade de São Vicente, no litoral paulista, e a 315 km da Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto (CNAAA). O nível das acelerações registrado na Estação Sismográfica de Angra dos Reis foi de 0,0017 g, (2% do valor de projeto), e inferior ao nível mínimo acima do qual passaria a ser registrado na instrumentação sísmica das próprias usinas (0,01 g).

Existe um monitoramento sísmico nas usinas?
A Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto (CNAAA) possui uma Estação Sismográfica equipada com aparelhos modernos que monitoram, identificam e analisam os eventos sísmicos locais e regionais. Essa Estação opera desde 2002, monitorando continuamente qualquer vibração no sítio das usinas e registrando todos os eventos. Ela permite determinar o epicentro, a magnitude e as demais características de qualquer evento sísmico, além de indicar o nível de aceleração na região da Central Nuclear. Esses registros, aliados aos catálogos sísmicos disponíveis, confirmam a baixa sismicidade da região de Angra.

Além disso, cada usina possui instrumentação sísmica própria e independente para monitoramento dessas acelerações. Caso ocorra um abalo que ultrapasse 10% das acelerações estimadas no projeto, um alarme é disparado na sala de controle onde sua intensidade pode ser identificada imediatamente. Nesse caso, os valores de aceleração são analisados para calcular seu impacto na Usina. Se as acelerações atingirem 50% dos valores de projeto, a Usina deve ser inspecionada para verificar a existência de algum dano.

Qual a possibilidade de um tsunami (maremoto) atingir o litoral brasileiro na região Sudeste?
Um evento desta natureza é provocado na maioria das vezes em decorrência de um abalo sísmico de grande magnitude (superior a 7.0) no mar, em que o foco esteja pouco profundo e em regiões de borda de placas tectônicas que se movem uma em direção à outra, gerando ondas que podem alcançar grande amplitude nas regiões costeiras próximas. Este fenômeno é o que ocorreu em várias ocasiões no Pacífico e no episódio do Japão de 11 de março de 2011.

A região Sudeste do litoral brasileiro está situada na placa tectônica Sul-Americana, que se afasta da placa tectônica Africana. Portanto, no oceano Atlântico Sul, não existem as condições necessárias para gerar os tsunamis (maremotos).

CNEN: Redação
Comunicado da CNEN sobre os acidentes em usinas nucleares japonesas
Comunicação Social CNEN

Atenta aos acontecimentos no Japão envolvendo usinas nucleares e sensível aos anseios que eles podem despertar na população brasileira quanto à segurança das usinas Angra 1 e Angra 2, a Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) vem a público trazer alguns esclarecimentos:

Acidentes relevantes com usinas nucleares são raros. O último deles ocorreu há 25 anos, em Chernobyl. Atualmente, a tecnologia empregada evoluiu bastante, o que torna ainda mais improvável a repetição de algo semelhante. O acidente no Japão vem apresentando um nível de gravidade muito menor que Chernobyl, mas que ainda exige bastante atenção por parte das autoridades daquele país.

As condições extremas causadas pelos abalos sísmicos no Japão não fazem parte da realidade brasileira. Porém, mesmo aqui, as usinas nucleares estão preparadas para problemas que possam eventualmente ocorrer, mesmo com probabilidade muito baixa. Elas seguem rigorosas normas nacionais e internacionais de segurança que garantem a proteção de trabalhadores, da população local e do meio ambiente. Qualquer possível evolução nas condições de segurança resultante da experiência japonesa, caso se mostre necessário, será adequadamente incorporada à realidade nacional após as conclusões técnicas que forem tiradas.

O Programa Nuclear Brasileiro está em crescimento, com a perspectiva de ampliação do uso da energia nuclear na medicina, indústria, pesquisa, agricultura e também na geração de eletricidade. A construção de Angra 3 já iniciou e há previsão de outras usinas em território nacional. Esses planos não devem sofrer alterações, pois a CNEN investe continuamente em um rigoroso trabalho de fiscalização e controle das aplicações de técnicas nucleares no Brasil e acredita nos benefícios que o uso seguro e pacífico da energia nuclear pode trazer ao nosso País.

Diário de desembarque

Contagem regressiva
Estoque zero. Minhas gavetas na Secretaria já estavam limpas desde 27 de dezembro, quando o prefeito anunciou que faria uma reforma administrativa. No mais, tudo o que me compete fazer eu concluo amanhã, quinta-feira: respostas formais a requerimentos, despachos obrigatórios, essas coisas. Aí começa a contagem regressiva até a outra quinta, 31.

Alívio
Eu me sinto mais tranqüilo de estar saindo tendo recuperado, tanto quanto possível, uma relação fraterna com Maroca. Os últimos tempos haviam sido de distanciamento e desentendimento. É melhor cultivar amizades do que rivalidades.

Mais alívio
Toda mudança gera transtornos e demanda tempo. Em outros setores da administração, processos de mudança têm mais de 2 anos, sem resultados definitivos. No DLO, ele começou há apenas 8 a 9 meses e não chegou ao segundo mês sem uma resistência feroz. Nos últimos três meses, após a declaração do prefeito de que o DLO sairia do Planejamento, a situação ficou fora de controle. Eu ainda acho o DLO um belo desafio do qual eu não abriria mão; mas desautorizado, sem perspectivas de implementar a progressão de medidas idealizadas, sem conseguir recursos humanos adicionais, de mãos amarradas, qualquer desafio vira pesadelo. Ufa!

Lamentável
As relações internas no DLO eram civilizadas até o final do ano passado. Difíceis, mas civilizadas. Depois do anúncio da reforma, desandaram. Chegaram ao limite, exigiram medidas no limite, até abrir um fosso entre os servidores antigos e a equipe que eu aloquei lá. Isso eu lamento muito. Havia resistências a vencer, havia perdas para alguns poucos, mas um novo-DLO, sobretudo com a ampliação do quadro com novas carreiras e novo concurso, traria, no futuro, ganhos extraordinários para novos e velhos servidores. Torça para que isso ainda ocorra.

Transição
Nem eu nem minha equipe somos insubstituíveis. Mas há problemas de transição que podem se tornar críticos. Dois exemplos: um, nós já estamos chegando a 4.500 processos cadastrados, disponíveis para consulta pela internet. Tem gente que não valoriza isso, mas quem tem juízo sabe o valor atual e potencial desse sistema, em contínua implantação. O outro: nosso maior gargalo sempre foi a análise de projetos, por absoluta falta de pessoal habilitado. Esse gargalo não vai deixar de existir com a minha saída. Um complicador: tanto num caso como no outro, essas funções estão sendo conduzidas por minha equipe que, inevitavelmente, sai comigo. Eu solicitei ao prefeito, ontem, a indicação de um responsável pela transição, pelos próximos 10 dias. Não gostaria de deixar a peteca cair.

Bola pra frente
As intrigas continuam. Vamos a um bate-bola. Uma: dizem as más línguas que eu estou pulando do barco na hora certa porque o governo vai mal. Resposta: eu disse ao prefeito e reitero aqui que, estando o governo bem ou mal, eu iria até o fim se pudesse contribuir com a conclusão da reestruturação do DLO. Outra: que eu estaria retaliando e que teria suspendido as análises técnicas de projetos. Resposta: esse gargalo é crítico desde o início; agravou-se quando o CREA nos advertiu de que essa função é exclusiva de profissionais habilitados que inexistem no DLO; tornou-se mais agudo, ainda, com a realocação de uma analista, a pedido, para sua função concursada de fiscal; ou seja, o problema está do mesmo tamanho que sempre foi e com que eu tive que conviver ao longo de todo esse tempo.

A propósito,...
Por oito meses, eu tentei de todas as maneiras, junto ao prefeito, a PGM e a outras secretarias, obter arquitetos ou engenheiros, ainda que temporariamente, para a função de analista de projetos. Não se vislumbrou nenhuma alternativa e eu não consegui rigorosamente ninguém. Curiosamente, somente agora em fevereiro, depois de oito meses de transtorno, depois que o Dr. Leonardo assumiu a Secretaria de Administração, não por minha causa, mas no momento em que a Secretaria de Educação elaborou um projeto de criação de cargos de engenheiro em sua estrutura, descobriu-se que existem na Prefeitura 13 cargos de engenheiro e 3 cargos de arquiteto, em regime de 4 horas/dia, criados por lei e não providos por concurso, passíveis, portanto, de ocupação por 12 meses, prorrogáveis por mais 12. Inacreditável! Se eu tivesse tido acesso a 6 ou 8 desses cargos a crise do DLO sequer haveria existido... E acusam a mim de sabotador?

'O tempo vai dizer'
Eu ganhei flores de uma amiga muito querida, com um cartão confortador que termina com essa frase: 'o tempo vai dizer'. Não que eu queira o tempo a meu favor e contra os outros. Quero apenas que o tempo me diga se ter posto o DLO e a gestão urbana responsável e ética no debate terá sido bom ou ruim para nossa cidade... E por falar em flores e amigos, inclusive e sobretudo, os que me animaram com comentários neste blog, eu quero compartilhar dois sentimentos: o de surpresa e o de gratidão por tantos telefonemas,  por tantos cumprimentos que tenho recebido, às vezes de pessoas as mais improváveis, às vezes das maneiras as mais inadvertidas, especialmente de servidores municipais que entendem muito bem o que fizemos e porque fizemos ou tentamos fazer. Sem palavras...

Tragédia sem fim

Nós paramos de comentar aqui, mas no Japão a tragédia segue interminável. Passado o impacto das primeiras notícias, as coisas parecem que passam a ser aceitas com certa 'normalidade'. Mas é uma 'normalidade' agravada, aterradora. Hoje, pelo segundo dia consecutivo, o reator 3 de Fukushima liberou uma fumaça escura e os trabalhadores foram evacuados. A informação é de que não se sabe bem a sua origem... Em Tóquio já se verifica a presença de iodo radioativo na água acima do aconselhável. Os mortos já superam a casa dos 24 mil e tendem a crescer muito. Às fotos com as quais já nos acostumamos de uma paisagem destruída desalentadora [agora, apresentadas de forma panorâmica, com recursos de 360º, tem cabimento?!], somam-se, dia após dia, outras tantas de descarte de material contaminado: produtos agrícolas, leite... Acho que estamos rezando pouco!

[Recorte sobre foto do Portal Terra]

O discurso do rei

A história é simpática, o filme é simpático, os atores são simpáticos, mas daí a levar 4 estatuetas [melhor filme, melhor direção, melhor ator e melhor roteiro] pra casa é demais...

21 de mar de 2011

Obama, o breve


É fato! A rápida passagem de Barack Obama pelo Brasil não serviu pra muita coisa. Serviu pra turma daqui conferir que Michelle é mesmo elegante, que ele é mesmo simpático, serviu pra animar os jornais no final de semana e ponto. O Brasil não foi muito além de uma escala para o Chile.

Arquitetura em declínio

Portal UAI:
"Um fotógrafo que merece atenção: André Hauck. Nos últimos quatro anos, fez várias exposições, apresentando contundente conjunto sobre a paisagem urbana vista a partir da observação de lugares abandonados. Chama a atenção a riqueza de questões: o artista aborda de temas estéticos à reflexão sobre o registro fotográfico. Aos 32 anos, expõe trabalhos em grandes formatos na galeria da Copasa. Arquitetura em declínio reúne obras que, valendo-se de aparente intenção documental, investigam a erosão das utopias modernistas. André explica que pretende trazer inquietação, questionamento de aspectos que marcam a fotografia tradicional, como objetividade, foco e profundidade de campo".

[Cliquem aqui e vejam algumas imagens]

20 de mar de 2011

Paineiras

Minha mãe veio comigo passar o fim de semana em BH. Na entrada da cidade, na Gameleira, ao lado da FUMED, vimos diversas paineiras floridas de rosa. Ficamos falando sobre paineiras. Foi quando me lembrei de uma enorme, na esquina das ruas Mato Grosso e Bernardo Guimarães, no Bairro Santo Agostinho. Convivi muito com ela nos anos em que trabalhei na Secretaria de Estado do Trabalho e Ação Social, no PRODECOM, órgão que antecedeu a URBEL na urbanização de vilas e favelas, logo ali ao lado. Decidimos sair da rota habitual para vermos se também ela estava florida. Que tristeza! Está destruída... Pesquisando aqui na internet [aqui], descobri que ela tinha 95 anos e foi vítima de um temporal, no final de 2010. Ela já estaria fragilizada por ataque de cupins. Nessas horas é que entendo a importância do trabalho de arborização urbana que o ex-secretário Lairson Couto estava desenvolvendo e o acompanhamento de árvores da cidade que, vira e mexe, Ramon Lamar comenta que está realizando junto com a arquiteta Regina Márcia.

A elegância de Michelle

O ponto alto da visita do presidente Obama deve ficar na beleza e elegância de sua esposa. Ela supera a atenção que desperta o aparato de segurança americano e os discursos simpáticos do marido, tão simpáticos quanto efêmeros. De concreto, nada de novo no front. Obama apenas reafirma o seu apreço e o seu desejo de parceria com o Brasil. É pouco. Como bem disse a jornalista Luciana Coelho, 'apreço não é apoio; parceiro não é aliado'. Ficam apenas os sorrisos. Mesmo porque a visita de Barack Obama é apenas de 'corpo presente'. Sua mente está na Líbia...

[Recorte sobre foto do Portal Terra]

Nota 1: De bom, até agora, apenas o discurso da presidente Dilma com cobranças objetivas aos americanos contra suas medidas econômicas de desvalorização do dólar, seus excessos protecionistas para produtos brasileiros e sobre a desvantagem brasileira no fluxo comercial com os EEUU. Gostei!

Nota 2: Incrível essa história de mostrar a todo visitante apenas as nossas excentricidades. Não há uma autoridade estrangeira que não visite uma favela e não assista a um show de capoeira ou de percussão baiana. Nada contra, mas porque não lhes apresentam, também, um balé do Grupo Corpo, por exemplo? Do lado cultural da agenda, só gostei da exposição de artistas brasileiras, entre elas Tarsila do Amaral.

Até W.Paulista fez gol...

De pênalti, é verdade, mas fez. Fábio podia ter jogado com as mãos amarradas: não fez uma única defesa e só usou os pés. O jogo foi horroroso, ninguém do Cruzeiro jogou bem, ninguém do Funorte jogou e o placar foi muito magro para o nosso padrão atual: 3 a 0. Vá lá...

19 de mar de 2011

Menos conversa e mais solução...

No 116º comentário na postagem ‘Amigos, perdi!’, um anônimo afirmou que fulano e cicrana, responsáveis pelo PAC, estariam me acusando de ser ‘o culpado’ pela falta de ligação de água nas 240 casas construídas pela Prefeitura, no novo Bairro Jardim dos Pequis, para onde estão sendo transferidas as famílias moradoras em área de risco do Iraque e do Kwait.

O assunto é sério: aí não dá pra ficar calado! O fato é verídico: as famílias estão mudando sem ligação de água, mas o culpado nem de longe sou eu. Uma explicação objetiva:

Um esclarecimento: a rotina até a ligação de água
Quando se tem um processo de parcelamento de solo, a porta de entrada é o DLO. No DLO, o processo é analisado tecnicamente. Em seguida vai à Procuradoria para análise documental. Depois, ao Conselho de Desenvolvimento. É verdade que passa por outras instâncias, como a Superintendência de Rendas Mobiliária, mas isso é menos importante. Superada essa primeira fase, vai ao CODEMA para licenciamento ambiental. O ciclo se fecha com o retorno do processo ao DLO para emissão do ‘Alvará de Construção’. A Declaração de Numeração é concedida também pelo DLO quando requerida, individualmente, por proprietários de lotes de loteamentos regulares. O número [na rua: rua tal, número tal] é vinculado aos números do lote, da quadra e ao bairro, constantes do projeto. A Declaração de Numeração é necessária para a ligação de água pelo SAAE. Sem ela nada feito: sinal de que há alguma irregularidade.

Um detalhe: porque o licenciamento é importante
Pelamordedeus: não me venham com o papo de que isso é burocracia e legalismo barato, como insinuou o anônimo. O licenciamento, nesse caso, tem dois aspectos relevantes. Primeiro: é uma exigência do Ministério das Cidades, uma garantia de que se está investindo recursos públicos em projetos legais. O segundo e mais importante: é ele que dá ‘segurança jurídica’ aos novos proprietários. Sem regularidade fundiária não há averbação e registro em cartório, não há título de propriedade ou equivalente. Bobagem? Perguntem o que acham disso as centenas de famílias que receberam lotes de prefeitos anteriores, sem documentação. Não têm segurança alguma, não tem acesso a crédito, não podem usar em plenitude o que possuem...

O que de fato se deu
Eu não sei quando essas casas começaram a ser construídas. Foi antes de minha entrada no governo. Essa obra é de inteira responsabilidade da equipe do PAC e da Secretaria de Obras Públicas. O parcelamento de solo e as construções deveriam ter sido licenciados desde o início. Não foram. O processo de licenciamento só se iniciou, em meados do ano passado, quando houve cobrança de Brasília. A primeira fase foi, parcialmente [com pendências], superada, há meses; o processo encontra-se, agora, na etapa de licenciamento ambiental. Em razão da urgência da mudança das famílias, o pedido de declaração de número foi feito verbal e informalmente ao DLO, apenas no último dia 02 de março, pelo ‘gerente do PAC’, demonstrando absoluto desconhecimento do assunto: o DLO nem tem autoridade, nem tem, operacionalmente, como atribuir numeração a lotes que não estão regularizados e sequer são passíveis de identificação. Trouxeram-me o problema e, no mesmo dia 02, solicitei orientação à Procuradoria, formalmente, através do Ofício SMPOG/GAB/042/2011. Desde o início, a própria PGM entendeu que a declaração de numeração era, de fato, inviável pelo rito ordinário e que só seria possível, provisoriamente, em caso emergencial a ser caracterizado e declarado por decreto do prefeito. O decreto só foi publicado nesta quarta-feira, dia 16 [Decreto nº 4.247 - cliquem aqui]. O DLO realizou todos os procedimentos legais obrigatórios subsequentes, emitiu as duas vias das 240 declarações e eu as assinei, todas, ontem, dia 18; ou seja, tudo em dois dias.

Enfim, anônimo: se há culpado, de quem é a culpa?

Lua, lua, lua, lua...

A lua cheia desta noite está no seu ponto de máxima aproximação com a terra. Dizem que ela está no perigeu: terá um tamanho 14% maior e um brilho 33% mais intenso. Se esses números são verdadeiros ou não, só o Claret pode nos esclarecer, mas que a lua nasceu belíssima, isso eu vi...

Lua, lua, lua, lua
Por um momento meu canto contigo
compactuar
E mesmo o vento canta-se
Compacto no tempo
Estanca
Branca, branca, branca, branca
A minha, nossa voz atua sendo silêncio
Meu canto não tem nada a ver com a lua
[Caetano Veloso]

As enchentes da semana

O Ramon Lamar fez uma postagem bastante responsável sobre as enchentes sete-lagoanas, nesta semana. As fotos são elucidativas da dimensão do problema [cliquem aqui]. Esse assunto vem tomando proporções cada vez maiores, embora seja previsível. Ainda assim, vem sendo, há anos, relegado a um plano inferior. Até onde eu sei, a sistemática atual prevê apenas projetos de drenagem pluvial para cada loteamento em aprovação, que é submetido e aprovado pelo setor responsável da Prefeitura. Essa estratégia pontual é necessária, mas, do ponto de vista global, ineficaz. O problema é macro-urbano e precisa de um plano abrangente. Eu desconheço a existência de um plano atualizado. No passado, houve proposta para drenagem das águas que descem pela Rua Quintino Bocaiúva, parcialmente executado, mas que efetivamente não funciona. Houve uma proposta muito lúcida do nosso saudoso Benjamim Marques Ferreira que utilizava a Lagoa da Chácara como lagoa de contenção, na cabeceira do Córrego do Diogo. É uma proposta que corre risco, hoje, de inviabilizar-se. [Eu não vi nada sobre isso na audiência para apresentação de EIA/RIMA do Boulevard Santa Helena]. Havia outra proposta de se implantar um parque horizontal ao longo do Grotão do Canaã, que funciona como um mecanismo natural de drenagem. Esse grotão está, hoje, em grande parte, já ocupado por edificações particulares. Com o passar do tempo as soluções vão ficando mais complexas porque as alternativas vão ficando mais restritas.

No veludo

O América de BH perdeu, hoje, para o América de Teófilo Otoni. Conclusão: a seleção celeste entra em campo, nesta rodada, como líder, com chances remotas de cair, meia posição que seja, na tabela...

18 de mar de 2011

Serenidade

As pessoas vivem a política de várias maneiras. Eu fui muito influenciado por duas delas. A do meu pai, que dizia gostar de política e se colocava, no mundo político, cheio de indignação e idealismo e a da minha mãe que, ao contrário, embora tenha dedicado uma vida inteira aos mais pobres, no SERPAF, diz detestar a política. Para ela, a política é um lugar de desonra. A Tiza, minha mulher, não pensa muito diferente e não guarda muita paciência para esse assunto.

Quando larguei a arquitetura e passei a me dedicar à vida pública, contei com o entusiasmo do meu pai e a censura de minha mãe e, em certa medida, também da Tiza. Procuro, desde então, equilibrar a firmeza de posicionamento, de um lado, com a moderação e o respeito, de outro.

Nem sempre isso é fácil. Num ambiente tão comumente degradado, em que as intrigas se multiplicam e as provocações prosperam, é fácil perder a cabeça. Nesses últimos meses, por exemplo, não me faltaram razões para me sentir traído com algumas atitudes que me desagradaram, nem me faltaram motivos para misturar, algumas vezes, tristeza, desânimo e ira.

Como há tempos não fazia, eu termino esta semana, entretanto, com muita serenidade.

Uma única coisa me interessou na conversa, não com o prefeito, mas com o velho amigo Maroca, na terça: não foi o desfecho, afinal!, da minha situação no governo; não foi a franqueza, às vezes dura, da necessária conversa, frente a frente; confesso que a única coisa que me valeu, de fato, foi ter reabilitado, ainda que momentaneamente, o sentimento de respeito e amizade numa relação que parecia não comportar mais nada disso.

É verdade que temos, hoje, eu e o prefeito, diferenças políticas importantes e concepções de gestão pública opostas. É natural que eu queira fazer e faça a legítima defesa de meu ponto de vista, do meu trabalho e da minha equipe, e o faça de forma intransigente. E é provável que, muitas vezes, isso leve ao confronto com as posições dele e de seu governo. Espero, nesse caso, ter a sabedoria necessária para restringir as diferenças ao campo político, deixando em boa sombra o apreço pessoal.

Digo isso para concluir que, mesmo fora da Prefeitura, eu pretendo, sim, continuar, aqui no blog, debatendo soluções para Sete Lagoas; eu quero, sim, e muito, continuar com a nossa prática política virtual, mas, prometo, fazer isso, eticamente, no campo das idéias e da apreciação das boas experiências. Não esperem, portanto, que, agora, por estar fora do governo, eu desaprenda a guardar o respeito pelos amigos que lá estou deixando.

Bom fim de semana a todos!

15 a 1

Em 4 jogos na Libertadores, o Cruzeiro fez 15 gols e sofreu um único tento. De arrebentar!


PS - 19/03/2011: Quando eu li 'Febre de Bola' de Hornby, em certos trechos eu pensava 'putz!, esse cara roubou meus pensamentos'. Como ele, eu tenho certeza que meu time depende muito da minha torcida, na frente da TV ou na arquibancada; que algumas bolas só entram porque eu, decisivamente, estou lá, firme e forte, fazendo figa, pondo o juiz na linha, lembrando-o, vez por outra, da senhora sua mãe, ensinando o bandeirinha a levantar o braço para o ataque do time adversário, essas coisas básicas. E tanto é verdade que eu sou mesmo indispensável que meu time, pra não me perder, quando me vê em momentos delicados, como nessa semana, me retribui me estimulando, me dando alegrias e mais alegrias. Convenhamos: eu sou um cara de sorte!

16 de mar de 2011

Amigos, perdi!

Há quase três meses a Prefeitura vive a expectativa de uma reforma administrativa. Há quase três meses eu vivo a ameaça de uma reforma administrativa.

É possível viver um dia inteiro sob a certeza da morte ao entardecer. É impossível amanhecer, dia após dia, com a incerteza se a vida alcança o pôr do sol ou não. Sem cenários, não há projetos...

Tudo que soube da reforma administrativa, eu soube, infelizmente, pelos jornais. Por três meses, esperei, disciplinado, receber do prefeito, não justificativas, que ele não me deve, mas apenas o seu veredito. Não recebi. A nossa identidade política se foi, a nossa visão de mundo se desencontrou, os nossos círculos de relações políticas não são mais os mesmos e se opuseram, mas, antes que o que restou de respeito mútuo e fraterno também se esvaia, eu decidi tomar a iniciativa de procurar o velho amigo e por as cartas na mesa.

Uma conversa pessoal entre amigos, ainda que amarga, guarda-se entre amigos.

A sua dimensão pública, porém, é pública. O prefeito segue determinado a me tirar o DLO. Alega fortes pressões e desgastes. Segue intencionado a me delegar uma Secretaria de Planejamento fortalecida, com novas e mais amplas atribuições gerenciais. Eu tenho plena convicção de que minha única contribuição ao governo é exatamente na política urbana, que inclui o DLO. Por outro lado, há tempos, eu não reúno capital político, numa equipe de governo que me é majoritariamente adversa, para desempenhar um papel de coordenação gerencial. Ainda que o prefeito entenda que sim; entre coisa e outra, não há opções reais.

Eu e minha equipe – naturalmente, aqueles que quiseram me acompanhar – deixamos o governo no próximo dia 31.

Pode parecer retórica, mas não é: os últimos três meses foram, talvez, os piores de minha vida. Eu vivo, hoje, o alívio pelo fim de uma infinita tormenta; alívio não maior do que a tristeza pelo insucesso.

Teimosamente, eu tenho convicção do que fiz. Posso ter errado, posso ter me perdido em um ou outro atalho, mas sei que o rumo do caminho percorrido está certo. Há dez anos, quando fui secretário pela primeira vez, ninguém falava em orçamento municipal. Três anos depois, o orçamento havia se tornado um tema candente. Ontem, ninguém dava valor a três letras: DLO. Hoje, é motivo de crise, de desgastes, de elogios e de apoios. Tornou-se um assunto sério. Sem mim e sem minha equipe, ele pode avançar, pode retroceder, mas tenho certeza: não volta a ser o órgão irrelevante que sempre foi.

Sei que se perdi, perdi na luta, não na omissão. Com minha equipe, defendi, com unhas e dentes, um novo modelo de desenvolvimento urbano e de ocupação territorial, com controle público rígido e conduta ética e igualitária. Defendi a modernização administrativa da Prefeitura e viabilizei, em vão, a vinda do INDG. Iniciei a montagem de uma central de projetos. Negociei com a União o terreno da Rede Ferroviária . Desenvolvi um modelo de monitoramento das ações prioritárias de governo. Briguei muito pela redução das despesas de custeio, expansão da capacidade de investimento e maior focalização do orçamento. Em todas essas frentes, ainda acho que estava totalmente certo. Mas em todas elas, reconheço: não tive apoio político, lutei sozinho, ao lado da minha equipe, e perdi!

A política não comporta ilusões ou desilusões. A política não comporta gratidão, ingratidão ou mágoa. A política comporta saber ganhar e saber perder. Eu sei que perdi e sei perder!

Mas a política comporta também a indignação e o incessante desejo de mudança. Se, mais uma vez, a mudança não veio agora, virá à frente... Comporta o compromisso com o futuro. Comporta o sonho. Comporta a construção de novas identidades capazes de formar novas comunidades de sentidos e de valores. Comporta a utopia. Isso eu sei que não perdi...

15 de mar de 2011

'Tragédias naturais expõem perda da noção de limite'

Este artigo está publicado na Carta Maior [cliquem aqui]:

Nas catástrofes atuais, parece que vivemos um paradoxo: se, por um lado, temos um desenvolvimento vertiginoso dos meios de comunicação, por outro, a qualidade da reflexão sobre tais acontecimentos parece ter empobrecido, se comparamos com o tipo de debate gerado pelo terremoto de Lisboa, no século XVIII, que envolveu alguns dos principais pensadores da época. A humanidade está bordejando todos os limites perigosos do planeta Terra e se aproxima cada vez mais de áreas de riscos, como bordas de vulcões e regiões altamente sísmicas, construindo inclusive usinas nucleares nestas áreas. A idéia de limite se perdeu e a maioria das pessoas não parece muito preocupada com isso. O artigo é de Marco Aurélio Weissheimer.

Marco Aurélio Weissheimer

No dia 1° de novembro de 1755, Lisboa foi devastada por um terremoto seguido de um tsunami. A partir de estudos geológicos e arqueológicos, estima-se hoje que o sismo atingiu 9 graus na escala Richter e as ondas do tsunami chegaram a 20 metros de altura. De uma população de 275 mil habitantes, calcula-se que cerca de 20 mil morreram (há estimativas que falam em até 50 mil mortos). Além de atingir grande parte do litoral do Algarve, o terremoto e o tsunami também atingiram o norte da África. Apesar da precariedade dos meios de comunicação de então, a tragédia teve um grande impacto na Europa e foi objeto de reflexão por pensadores como Kant, Rousseau, Goethe e Voltaire. A sociedade europeia vivia então o florescimento do Iluminismo, da Revolução Industrial e do Capitalismo. Havia uma atmosfera de grande confiança nas possibilidades da razão e do progresso científico.

No Poème sur le desastre de Lisbonne, (“Poema sobre o desastre de Lisboa”), Voltaire satiriza a ideia de Leibniz, segundo a qual este seria “o melhor dos mundos possíveis”. “O terremoto de Lisboa foi suficiente para Voltaire refutar a teodiceia de Leibniz”, ironizou Theodor Adorno. “Filósofos iludidos que gritam, ‘Tudo está bem’, apressados, contemplam estas ruínas tremendas” – escreveu Voltaire, acrescentando: “Que crimes cometeram estas crianças, esmagadas e ensanguentadas no colo de suas mães?”

Rousseau não gostou da leitura de Voltaire e responsabilizou a ação do homem que estaria “corrompendo a harmonia da criação”. "Há que convir... que a natureza não reuniu em Lisboa 20.000 casas de seis ou sete andares, e que se os habitantes dessa grande cidade se tivessem dispersado mais uniformemente e construído de modo mais ligeiro, os estragos teriam sido muito menores, talvez nulos", escreveu.

Já Kant procurou entender o fenômeno e suas causas no domínio da ordem natural. O terremoto de Lisboa, entre outras coisas, acabará inspirando seus estudos sobre a ideia do sublime. Para Kant, “o Homem ao tentar compreender a enormidade das grandes catástrofes, confronta-se com a Natureza numa escala de dimensão e força transumanas que embora tome mais evidente a sua fragilidade física, fortifica a consciência da superioridade do seu espírito face à Natureza, mesmo quando esta o ameaça”.

A tragédia que se abateu sobre Lisboa, portanto, para além das perdas humanas, materiais e econômicas, impactou a imaginação do seu tempo e inspirou reflexões sobre a relação do homem com a natureza e sobre o estado do mundo na época. Uma época, cabe lembrar, onde os meios de comunicação resumiam-se basicamente a algumas poucas, e caras, publicações impressas, e à transmissão oral de informações, versões e opiniões sobre os acontecimentos. Nas catástrofes atuais, parece que vivemos um paradoxo: se, por um lado, temos um desenvolvimento vertiginoso dos meios de comunicação, por outro, a qualidade da reflexão sobre tais acontecimentos parece ter empobrecido, se comparamos com o tipo de debate gerado pelo terremoto de Lisboa.

A espetacularização das tragédias e a perda da noção de limite

Em maio de 2010, em uma entrevista à revista Adverso (da Associação dos Docentes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul), o geólogo Rualdo Menegat, professor do Departamento de Paleontologia e Estratigrafia do Instituo de Geociências da UFRGS, criticou o modo como a mídia cobre, de modo geral, esse tipo de fenômeno.

“Ela espetaculariza essas tragédias de uma maneira que não ajuda as pessoas entenderem que há uma manifestação das forças naturais aí e que nós precisamos saber nos precaver. A maneira como a grande imprensa trata estes acontecimentos (como vulcões, terremotos e enchentes), ao invés de provocar uma reflexão sobre o nosso lugar na natureza, traz apenas as imagens de algo que veio interromper o que não poderia ser interrompido, a saber, a nossa rotina urbana. Essa percepção de que nosso dia a dia não pode ser interrompido pelas manifestação das forças naturais está ligada à ideia de que somos sobrenaturais, de que estamos para além da natureza”.

Para Menegat, uma das principais lacunas nestas coberturas é a ausência de uma reflexão sobre a ideia de limite. É bem conhecida a imagem medieval de uma Terra plana, cujos mares acabariam em um abismo. Como ficou provado mais tarde, a imagem estava errada, mas ela trazia uma noção de limite que acabou se perdendo. “Embora a imagem estivesse errada na sua forma, ela estava correta no seu conteúdo. Nós temos limites evidentes de ocupação no planeta Terra. Não podemos ocupar o fundo dos mares, não podemos ocupar arcos vulcânicos, não podemos ocupar de forma intensiva bordas de placas tectônicas ativas, como o Japão, o Chile, a borda andina, a borda do oeste americano, como Anatólia, na Turquia”, observa o geólogo.

Não podemos, mas ocupamos, de maneira cada vez mais destemida. O que está acontecendo agora com as usinas nucleares japonesas atingidas pelo grande terremoto do dia 11 de março é mais um alarmante indicativo do tipo de tragédia que pode atingir o mundo globalmente. O que esses eventos nos mostram, enfatiza Menegat, é a progressiva cegueira da civilização humana contemporânea em relação à natureza. A humanidade está bordejando todos os limites perigosos do planeta Terra e se aproxima cada vez mais de áreas de riscos, como bordas de vulcões e regiões altamente sísmicas. “Estamos ocupando locais que, há 50 anos atrás, não ocupávamos. Como as nossas cidades estão ficando gigantes e cegas, elas não enxergam o tamanho do precipício, a proporção do perigo desses locais que elas ocupam”, diz ainda o geólogo, que resume assim a natureza do problema:

"Estamos falando de 6 bilhões e 700 milhões de habitantes, dos quais mais da metade, cerca de 3,7 bilhões, vive em cidades. Isso aumenta a percepção da tragédia como algo assustador. Como as nossas cidades estão ficando muito gigantes e as pessoas estão cegas, elas não se dão conta do tamanho do precipício e do tamanho do perigo desses locais onde estão instaladas. Isso faz também com que tenhamos uma visão dessas catástrofes como algo surpreendente".

A fúria da lógica contra a irracionalidade

Como disse Rousseau, no século XVIII, não foi a natureza que reuniu, em Lisboa, 20.000 casas de seis ou sete andares. Diante de tragédias como a que vemos agora no Japão, não faltam aqueles que falam em “fúria da natureza” ou, pior, “vingança da natureza”. Se há alguma vingança se manifestando neste tipo de evento catastrófico, é a da lógica contra a irracionalidade. Como diz Menegat, a Terra e a natureza não são prioridades para a sociedade contemporânea. Propagandas de bancos, operadoras de cartões de crédito e empresas telefônicas fazem a apologia do mundo sem limites e sem fronteiras, do consumidor que pode tudo.

As reflexões de Kant sobre o terremoto de Lisboa não são, é claro, o carro-chefe de sua obra. A maior contribuição do filósofo alemão ao pensamento humano foi impor uma espécie de regra de finitude ao conhecimento humano: somos seres corporais, cuja possibilidade de conhecimento se dá em limites espaço-temporais. Esses limites estabelecidos por Kant na Crítica da Razão Pura não diminuem em nada a razão humana. Pelo contrário, a engrandecem ao livrá-la de tentações megalomaníacas que sonham em levar o pensamento humano a alturas irrespiráveis. Assim como a razão, o mundo tem limites. Pensar o contrário e conceber um mundo ilimitado, onde podemos tudo, é alimentar uma espécie de metafísica da destruição que parece estar bem assentada no planeta. Feliz ou infelizmente, a natureza está aí sempre pronta a nos despertar deste sono dogmático.

14 de mar de 2011

'Bomba-relógio de R$ 128 bi'

Essa foi a manchete da página 3 do primeiro caderno do Estado de Minas, também de sábado. 'Ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, dá ordem para que todos os ministérios reduzam drasticamente os restos a pagar. Prefeituras e parlamentares vão ter que se contentar com menos'.

Para quem não sabe, 'restos a pagar' são despesas empenhadas até 31 de dezembro do exercício anterior, com base no orçamento daquele ano, liquidadas ou não, mas, efetivamente, não pagas, tornando-se obrigações financeiras, não-orçamentárias, do exercício corrente.

O valor total inscrito esse ano como 'restos a pagar', pelo Governo Federal, chega a R$ 128,6 bi. O caso do Ministério das Cidades chega a ser curioso: tem-se R$ 18 bi de restos a pagar para um orçamento autorizado para este ano de R$ 12 bi.

'O orçamento virou a escolha de Sofia: ou se realiza o que vem de de restos a pagar ou o orçamento do ano em curso', comentou o senador Jorge Viana (PT-AC).

A ordem do governo é pelo cancelamento desse verdadeiro 'orçamento paralelo'...

Isso me fez lembrar, pelas bandas de cá, as críticas injustas feitas ao CODEMA por não ter licenciado, em sua última reunião do ano passado, um processo ainda bastante incompleto e irregular. Embora a própria CAIXA assegurasse que não havia recursos disponíveis, ainda em 2010, para o seu financiamento, os interessados alegaram para a imprensa e ganharam manchete de que Sete Lagoas estava perdendo recursos e casas populares. Está aí a verdade dos fatos...

'Prédio irregular complica secretário'

Não é em Sete Lagoas... Esta manchete foi capa do caderno Gerais, do Estado de Minas, de sábado. O MP abriu inquérito para apurar responsabilidade do titular da Regional Noroeste de BH na concessão de autorização para ampliação de imóvel na Avenida Catalão, no Bairro Caiçara. A obra é da Autokorea, uma concessionária de carros, e estaria invadindo uma via pública, a Rua Frei Orlando. O secretário teria autorizado a continuidade da obra, revogando ato administrativo de embargo realizado pela Gerência de Fiscalização, também da PBH. A história é um cipoal. Os fiscais teriam dado 48 horas de prazo para demolição, mas a Regional, a que eles estão subordinados, teria concedido 15 dias para a empresa recorrer. E, mais: ao que se depreende, a empresa não teria alvará de construção, mas teria o de funcionamento, o que o procurador geral do município qualificou como 'paradoxal'. E por aí afora, nada que seja muito surpreendente, muito antes pelo contrário... 

Verdadeiro ou não, o que me parece importante nesse caso é a mudança de paradigma que ele sinaliza. Esse tipo de procedimento em que uma autoridade pública superior dá ordens em confronto com a lei e com atos administrativos legais vem de priscas eras e parece querer seguir em frente. Mas o mundo está mudando...

13 de mar de 2011

9 a 2

As panteras se deram mal... Na Arena do Jacaré, a pantera negra valadarense tomou um olé da seleção celeste. O Cruzeiro fez um gol em homenagem a cada lagoa que dá nome à cidade anfitriã (7 a 0). No Vale do Aço, a pantera cor-de-rosa não saiu de um empate com o Ipatinga, que era o lanterna do campeonato, e começou seu costumeiro caminho tabela abaixo (2 a 2)... Nada mal!

Martí

Eu sou dos que acham que se a democracia e a liberdade de expressão são boas para brasileiros, seriam ótimas para cubanos. Ou seja, não me dedico a bater palmas para tudo que Fidel fez e faz. Ainda assim, se tem uma coisa que desprezo é propaganda ideológica barata, seja contra quem for, mesmo contra Cuba. Hoje, no Telecine Touch, passou o filme ‘A Cidade Perdida’ [The Lost City, EEUU, 2006], dirigido e estrelado por Andy Garcia. Como musical e romance de época (Cuba de Fulgêncio Batista, de 1959) é simpático; como discurso político, é incômodo e estereotipado. De qualquer forma, independente da opinião sobre o filme, tem-se um poema no final que é muito bacana. Na verdade, descobri na internet que são trechos de diversos poemas de José Marti, líder da independência cubana, do seu livro Versos Sencillos [cliquem aqui] :

[Yo soy un hombre sincero - 1ª e 2ª primeiras estrofes:]

Yo soy un hombre sincero
De donde crece la palma,
Y antes de morirme quiero
Echar mis versos del alma.

Yo vengo de todas partes,
Y hacia todas partes voy:
Arte soy entre las artes,
En los montes, monte soy.

[Yo soy un hombre sincero - 16ª estrofe:]

Todo es hermoso y constante,
Todo es música y razón,
Y todo, como el diamante,
Antes que luz es carbón.

[Odio la máscara y vicio - 2ª estrofe:]

Con los pobres de la tierra
Quiero yo mi suerte echar:
El arroyo de la sierra
Me complace más que el mar

[Yo pienso cuando me alegro... - 2ª estrofe:]

Yo quiero, cuando me muera,
Sin patria, pero sin amo,
Tener en mi losa un ramo
De flores, –¡y una bandera!

[Cultivo una rosa blanca:]

Cultivo una rosa blanca,
En julio como en enero,
Para el amigo sincero,
Que me da su mano franca.

Y para el cruel que me arranca,
El corazón conque vivo,
Cardo ni ortiga cultivo,
Cultivo una rosa blanca.

[Os que quem quiserem assistir ao trecho do filme com o 'poema' recitado cliquem aqui]