28 de fev de 2011

Mais paz, menos ódio


Ainda sobre a maluquice no RS: a frase é ótima, mas é bom lembrar que 'motor' sozinho não atropela bicicletas; é preciso ter o pé no acelerador de um animal cheio de ódio na cabeça...

[Podemos não chegar a esses extremos, mas qual de nós, vez e outra, não perde a paciência no trânsito com motoqueiros alucinados, motoristas irresponsáveis e pedestres distraídos?  Essas situações limites são oportunas para nos fazer refletir que, no trânsito, não dá mais pra perder a paciência, a calma e o humor...]

Que coisa!!! - II

Em Porto Alegre, a defesa do atropelador de ciclistas anda insistindo na tese de que foi acidente e que o estúpido agiu em legítima defesa. Um absurdo!


Para acompanharem o caso, cliquem aqui e acessem o blog 'Massa Crítica':

Que coisa!!!

Dois acidentes assustadores marcaram o final de semana. Em Bandeira do Sul - MG, numa festa pré-carnavalesca, fios de alta tensão se romperam e ficaram ricocheteando no chão, entre foliões. Resultado: 16 mortos e mais de 50 feridos. O mais deprimente é ver a idade da moçada: 13, 16, 17, 18, 19 anos. Putz! Que barra...

Já em Porto Alegre, uma cena odiosa: um motorista louco perde a paciência com um passeio ciclista do movimento 'Massa Crítica' à sua frente e resolve, simplesmente, passar por cima de dezenas de participantes, em alta velocidade, e cair fora, sem olhar pra trás. As cenas são pura barbárie. Putz! Não dá pra crer...

Fase mexicana

Eu reli Juan Rulfo, na semana passada. De forma um tanto diagonal, é verdade, mas reli. Depois me maravilhei com seu novo livro póstumo '100 fotografias'; e, então, escrevi o artigo 'México Imaginário' para o site do vereador Dalton Andrade. México, trêz vezes México...

Três, não; quatro. Cheguei em casa nesse domingo e o Bernardo havia pegado na locadora o mexicaníssimo 'Tragam-me a Cabeça de Alfredo Garcia'. O filme, de quase 40 anos, de Peckinpah foi vista, à época, como uma obra-prima maldita de um diretor alcoólatra, de relacionamento pra lá de difícil. O filme junta, a princípio, à realidade tórrida e destituída de tudo do México, onde tudo é imundo e maltrapilho, um amoral roteiro de ambição, cobiça. Mas, no fundo, não é bem isso. A coisa se transforma em um road movie etílico, movido a tequila, cheio de momentos sensíveis, outros de profundo tédio. Claro, tudo isso em meio a um interminável banho de sangue.


'Tragam-me a cabeça de Alfredo Garcia' (Bring me the head of Alfredo Garcia, EUA/MEX, 1974). Direção de Sam Peckinpah; com Warren Oates, Isela Vega, Robert Webber e Gig Young. 112 minutos.

27 de fev de 2011

Reta final

De hoje para amanhã, o contador vai cravar 100.000 visitas neste blog, desde o final de agosto de 2009. Então, está valendo: o 'visitante 100 mil' leva o prêmio da próxima festa. É fácil: quem zerar o contador deve manter a imagem na tela, dar um 'print screen', salvar a imagem e enviá-la para o e-mail fjrcastro@gmail.com.

Moacyr Scliar

O premiado escritor Moacyr Scliar faleceu hoje em Porto Alegre. É um dia de luto para a literatura brasileira... Scliar tinha mais de 70 obras publicadas, ganhou por três vezes o prêmio Jabuti e era membro da ABL. 

Privilegiados os poucos sete-lagoanos que aproveitaram a oportunidade de debater com ele e o João Paulo Cuenca ['Minha aldeia, meu mundo: regionalismo e universalidade'], no final de uma bela tarde, ao ar livre, nos fundos do Casarão, durante a Literata da Iveco, em novembro passado...

[Scliar, Guga Barros e Cuenca, no debate no dia 19/11/2010]

Toró em BH

O que vale é o resultado

O jogo de ontem do Cruzeiro foi ruim de se ver: campo ruim, times ruins, jogadores ruins, juiz pra lá de ruim [até anular um gol aparentemente legítimo do América de Teófilo Otoni o cara anulou...]. Só valeu pelo resultado. O gol contra, aos 47' do 2º tempo, a favor da seleção celeste compensou qualquer sofrimento.

O clássico Atlético versus América, hoje, foi melhor de se ver, também e especialmente pelo resultado. Ver o time das panteras apanhar de virada, mesmo com a roubalheira a seu favor do juiz [que anulou outro gol americano legítimo e deu um pênalti para o Tardelli errar...], não tem preço!

Fora do padrão

A Drogaria Araújo tem um modelo de projeto de arquitetura comercial pra lá de bem sucedido. Quem acompanhou a expansão da empresa viu que ela se deu pari passu com o desenvolvimento de um padrão de organização espacial que se tornou parte fundamental do negócio. Agora, sinceramente, não deve ser fácil para os seus arquitetos verem a criatividade da empresa em melhor 'explorar o ponto':


[Estoque de ração na circulação da Araújo da curva do Chuá: drogaria ou veterinária?]

Nonsense

Tem horário mais adequado do que a manhã de sábado para um caminhão de carga de uma loja de eletrodomésticos circular em torno da Lagoa Paulino? Não tem... Especialmente quando a operação desejada é a conversão à direita na Avenida Coronel Altino França, vindo da Rua Lassance Cunha. Perfeito!


[Sete Lagoas anda precisando de ordem!]

Pardal, o vendedor de filhote de papagaio

25 de fev de 2011

Audiência da Lagoa da Chácara: razões para apreensão

Eu acompanhei, do começo ao fim, a audiência sobre o Boulevard Santa Helena, no auditório do UNIFEMM, ontem à noite. Saí muito mais apreensivo do que entrei.

Apreensão nº 1: o fim da solução mediada
A participação maciça na audiência mostrou um consenso social a favor do parque. Houve tanto argumentos de caráter puramente ideológico, quanto – e não foram poucos – posicionamentos técnicos e legais consistentes nessa direção. O custo dessa opção ‘parque’, entretanto, pode não sair barato. Apenas por essa razão, eu tinha a expectativa de que se pudesse desenhar uma solução de mediação: por exemplo, a ocupação da faixa ao longo das ruas Cachoeira da Prata e Dr. Sebastião de Paula Silva e o entorno da sede da fazenda (áreas de pastos, pomar e cultura), trechos, aparentemente, já antropizados, para viabilização, em todo o restante, de um parque público. Definitivamente, não é isso que está posto. Ou seja, a alternativa de mediação naufragou.

Apreensão nº 2: o fim do diálogo
Independente da questão ambiental, da FEAM e da SUPRAM, há um impasse jurídico cuja transposição depende de uma ampla concertação social. Qual é esse impasse? O Plano Diretor veda a ocupação residencial da área, sob qualquer modalidade. Como o PD é o principal instrumento de política urbana por força constitucional [CF, art. 182, §§1º e 2º], colocá-lo de lado a favor da aplicação exclusiva da atual Lei de Uso e Ocupação do Solo é arriscado. Esse risco recomendava, a meu ver, o caminho da negociação. E é bom lembrar que licenciamento urbanístico é competência exclusiva de municípios. Isso também é matéria constitucional. Significa dizer que, mais hora, menos hora, o projeto de parcelamento de solo terá que ser apresentado para licenciamento municipal. Por essas razões, eu, ingenuamente, inferi que o sistema SUPRAM/FEAM arbitraria apenas as diretrizes de ocupação ambiental e não entraria na seara urbanística. A audiência mostrou outra coisa: o projeto de parcelamento de solo já está pronto e é ele que está sendo licenciado ambientalmente, sem que tenha sido trazido à prévia apreciação dos órgãos municipais competentes. Para quem não sabe, o único órgão competente no caso é o DLO. O ideal é que isso chegasse a ele já acordado publica e socialmente. Não sendo assim, o diálogo acabará por dar lugar a uma discussão jurídica nada simples.

Apreensão nº 3: ‘porque sobre isso ninguém tem certeza de nada’
Frase similar a essa foi dita pelo consultor responsável pelo EIA-RIMA, quando se referiu àquilo que, no cerne, me parece ser a questão decisiva para, ambientalmente, orientar uma eventual ocupação da área: a condição hidrogeológica e geotécnica do terreno, o que ele remeteu para estudos posteriores. Ou seja, no que mais se esperava, em razão dos fortes indicativos de que aquela área cumpre um papel crítico na drenagem pluvial macro-urbana e na recarga de aqüíferos e que tem problemas de sustentabilidade, por exemplo, o EIA-RIMA não foi conclusivo. Pelo contrário, sob esse aspecto, a meu ver, o estudo apresentado agravou o nível de suspeição. Nesse contexto, minhas apreensões: o licenciamento ambiental vai se dar sem a elucidação prévia e cabal dessa condição, sendo que, exatamente na área mais crítica, está prevista uma ocupação verticalizada? Esses decisivos resultados conclusivos levarão a um posicionamento dos órgãos ambientais estaduais sem nova audiência?

Enfim, acho que se está trilhando o caminho mais pedregoso...

24 de fev de 2011

Silêncio

Hoje, fiz uma caminhada, pela manhã, em torno da Lagoa da Chácara. Perto das 7:00, o dia estava pra lá de agradável. A chuva da madrugada deixou o tempo fresco e úmido. E as nuvens impediam que o sol nos castigasse, inclemente, como no último mês. Achei que veria uma algazarra de pássaros. No entanto, não vi nenhum cruzando a Perimetral, entre a serra e a lagoa. Também não ouvi nenhum pio. Só nos ficus da flora, perto do shopping, ouvi um canto de bem-te-vi. De resto, silêncio. Na Lagoa da Chácara, apesar dos bons ares da manhã, o clima, hoje, era de pura apreensão...

Boa quinta-feira a todos!

23 de fev de 2011

[não fosse isso]

não fosse isso
e era menos
não fosse tanto
e era quase

[Leminski]

Grito de Carnaval


No próximo dia 27, o bloco carnavalesco Boi da Manta subirá as ruas do bairro Santa Luzia prestando uma homenagem aos antigos foliões das Virgens do Peitudo, homens que se vestiam de mulher e faziam a alegria do povo setelagoano, em um bloco, na década de 80. O Boi da Manta irá puxar o cortejo a partir das 15h e 30min, saindo do Coral Dom Silvério, Rua José Duarte Paiva, 431, com destino as ruas Matozinhos e Nestor Foscólo - bar do Nego e Peitudo.

O intuito desta manifestação é relembrar os carnavais de outrora, aos sons de marchinhas carnavalescas e fazer valer o tema adotado pelo Bloco Boi da Manta neste ano, “De Peito Aberto Para Felicidade”. Estamos convidando os homens a se vestirem de mulher, colocarem sutiãs e a saírem com o bloco, seguindo o cortejo, fazendo uma justa homenagem também a “Elas” [Paulinho do Boi].

Coca-Cola

Eu participei, ontem, na hora do almoço, da entrevista com o Gamela, na rádio Eldorado. É um bom programa porque o entrevistador dá muita liberdade ao entrevistado. Liberdade, no caso é tempo para responder. E ele faz as perguntas que acha que tem que fazer. Jogo limpo e aberto. No meio da conversa, o Ramon Lamar me deu um alô pelo telefone, o que é sempre um estímulo. Mas o fato é que eu saí do programa um tanto reflexivo. A minha sensação é que ando sendo absolutamente repetitivo. Não agüento, mais, por exemplo, defender o trabalho que estou fazendo no DLO. É tão óbvio que a mesma coisa já foi feita em todas as médias e grandes cidades, há mais de 10 anos. É chão batido. E tem coisa mais estúpida do que ficar defendendo coisas óbvias como se fossem novidades? Não tem... No fundo, sob formas diferentes, há dois anos, falo coisas parecidas, defendo as mesmas teses e não consigo me desvencilhar da sensação crescente de que isso não vai dar em nada. Alguém vai dizer que sou arrogante – isso agora virou moda – e que eu acho que, porque sou eu quem falo, eu tenho que ser ouvido. Mas minha sensação é oposta a essa: tanta gente boa fala coisas boas, tanta gente boa defende teses corretas e as coisas seguem sempre tão iguais que acaba ficando no ar essa quase certeza de que nada vai dar em nada. Nem no meu caso, nem no seu, nem no dos outros.

Eu tenho um amigo que jura que defesas quase religiosas de idéias remetem a um reformismo incremental e que governo nenhum evolui de forma incremental; que as únicas transformações possíveis se dão por saltos, por rupturas. Ou seja, põe-se pra quebrar e muda-se tudo pra valer ou ‘um governo é apenas mais um governo’. Palavras dele. Às vezes, sou tentado a crer nisso. Significa contrariar o ditado de que ‘devagar se vai ao longe’. Não vai. Devagar você é atropelado pela história.

Outro amigo me disse, há pouco tempo, que a única forma de santo de casa fazer milagre é se ele tiver um pensamento Coca-Cola. Ou seja, se a versão normal não funcionar, você tem que tentar a opção light plus ou zero ou garrafa ou lata ou 1,5 litros ou 2 litros ou 600ml ou coquinha ou 'de máquina' ou fanta ou fanta uva ou Kuat ou Sprit; e se ainda não for suficiente, você deve testar suco Del Valle Mais, Aquarius Fresh, Schweppes, Burn ou Gladiator; e se ainda for pouco, então, você entra na onda de virar água. Com ou sem gás. Ou seja, você precisa lançar mão de todos os artifícios necessários para se adaptar ao mercado. Moral da história: pra sobreviver, você tem que se adaptar ao seu lugar e nunca esperar que o seu lugar adapte-se a você. Cruel isso? Muito. Quase pavoroso. Mesmo porque se adaptar não é fácil. É preciso ter muito, muito talento. O que, ainda assim, não desfaz o risco de, depois de tanta ginástica, nada dar em nada...

9 a 0


No Aligator Arena, só vento a favor...

22 de fev de 2011

'México Imaginário'

Eu falei que estava no forno, mas já saiu, já passou pelo departamento de censura e já está publicado o nosso novo artigo, intitulado 'México Imaginário', no site do vereador Dalton Andrade. Dêem um pulo lá, leiam e comentem...

Entrevista às 12:30

Para quem tiver paciência: por agendamento feito pela Comunicação da Prefeitura, eu dou entrevista, hoje, das 12:30 às 13:30 no programa 'Frente a Frente', com Edvar Gamela, na rádio Eldorado - AM 1300.

21 de fev de 2011

'Minha cama de zinco'

Ramon, um dos DVD's que você viu sobre a minha cadeira na Arena do Jacaré, no jogo de quarta, foi 'Minha Cama de Zinco'. Confesso que peguei o diabo do filme só por conta de Uma Thurman e da chamada na capa 'atração, tentação e vício'. Ou seja, atração, tentação e vício com Uma Thurman era uma pedida certa, ou não era? Não era... A história tem até um papo-cabeça meio pretensioso, mas não decola...

Carros demais, ruas de menos...

Em duas postagens abaixo - 'Mobilidade' e 'Pela velha ou pela nova?' - nós falamos, rapidamente, sobre problemas de transporte e trânsito. Em um último comentário com o Marquinho [aqui], ontem, eu mencionei a questão da insustentabilidade da opção que, em última instância, fizemos e que prevalece  nas cidades brasileiras pelo uso ostensivo do veículo particular em detrimento de soluções coletivas de transporte. Conclusão: carros demais, ruas de menos...

Seguramente, intervenções na geometria do sistema viário para aumento da capacidade de circulação e melhor ordenamento de fluxos são importantes, mas têm limites. De uma forma ou de outra, tem-se que intervir também no controle da demanda para reduzir o tamanho do problema.

Em 2003, um estudo que fizemos, na então Secretaria Municipal de Planejamento e Desenvolvimento Urbano, identificou que um dos problemas críticos na área central de Sete Lagoas era o de estacionamento de veículos para carga e descarga, especialmente nas avenidas Monsenhor Messias e Emílio de Vasconcelos, e de ônibus de transporte escolar, mesmo fora do horário de entrada e saída de crianças. Elaboramos então um projeto de lei que estabelecia três padrões de veículos, em função de tamanho e capacidade de carga, e regulamentamos os horários e as formas de acesso, de cada um deles, à área central. A ideia era inacabada, merecia ser aperfeiçoada com um debate mais amplo, mas não reuniu a adesão necessária e não passou pelo crivo do Legislativo.

Lembrei-me dessa história, hoje, ao ler a matéria no em.com.br: "Começa a valer a proibição de caminhões no centro de BH". Leiam o primeiro parágrafo: "A partir desta segunda-feira, está proibido o trânsito de veículos pesados em 15 corredores de trânsito que dão acesso ao Centro de Belo Horizonte. Caminhões com mais de 6,5 metros de comprimento ou peso superior a cinco toneladas ficam proibidos de rodar nos horários de pico (das 7h às 9h e das 17h às 20h) de segunda a sexta-feira, e aos sábados pela manhã (veja mapa). No Anel Rodoviário, também passam a valer hoje regras de circulação dos veículos pesados. Caminhões de carga especial têm liberação para transitar só durante a madrugada".

O problema de BH é o impacto da circulação de veículos pesados nos principais corredores de trânsito; o de Sete Lagoas era mais simples: o impacto do estacionamento desses veículos, em operações de carga e descarga. Problemas diferentes, mas parecidos; soluções diferentes, mas parecidas. Ou seja, não estávamos tão errados assim...

Na lista

Duas sugestões de leitura nos jornais do final de semana: 'Mensagem de uma mãe chinesa desconhecida', de Xinran Xue [Companhia das Letras, R$42] e 'Museu do Romance da Eterna', de Macedonio Fernández [Cosac Naify, R$49].

Sobre a escritora e jornalista chinesa, já comentamos aqui neste blog, quando do lançamento de seu outro livro, 'As filhas sem nome' [cliquem aqui]. Xinran, autora também de 'As boas mulheres da China', aborda, usualmente, o drama das mulheres chinesas em meio a sua milenar cultura machista.

Sobre o argentino Fernández -  que é posto como 'eminência parda' do modernismo portenho, foi amigo do pai de Borges e mestre do próprio Borges e de Cortázar -, o seu livro póstumo, de 1904, parece instigante. É uma sucessão de prólogos a um romance que nunca acontece...

20 de fev de 2011

Mais sobre 'economia criativa'

Desde que se mudou para lá, Gilberto Dimenstein transformou-se em um correspondente de Harvard, Massachusetts e Boston. Suas colunas dominicais na Folha passaram a trazer, sempre, novidades locais, dentro de sua área de interesse, a educação. Hoje, ao falar sobre 'criadores de novidades', ele acabou falando de um professor chamado Edward Glaeser. Dimenstein o caracterizou como um cara que vive peregrinando entre cidades, mundo afora, investigando o funcionamento de cada uma e dando sugestões de 'arrepiar a maioria dos urbanistas'. Uma dessas sugestões é que os prefeitos deveriam permitir uma maior verticalização das cidades para não dificultar o acesso de 'gente jovem, talentosa e disposta a produzir novidades'. O artigo de hoje encerrou-se com um post scriptum em que Dimenstein fez menção ao conceito que comentamos aqui, anteontem, de 'economia criativa': "PS- A lição prática do livro de Glaeser: um bom prefeito de São Paulo tem de investir na economia criativa, com estímulos fiscais, empréstimos, incubadoras, pólos tecnológicos ligados a empresas e centros de pesquisa. É muito pouco dinheiro para um retorno gigantesco. Nunca vamos ser uma cidade nem bonita nem agradável, mas podemos ser cada vez mais interessantes". Eu replicaria o conselho para Sete Lagoas, com uma correção: aqui além de mais interessante, podemos continuar sendo uma cidade bonita e agradável...

Folia

A folia pré-carnavalesca anda mais divertida do que o próprio carnaval...

Ontem foi o dia do bloco 'Trema na Lingüiça', com a charanga do Bororó, que saiu daqui do Bairro Santo Antônio em direção à Savassi. No próximo sábado, 26, a partir das 14:00, aqui na Praça Cairo, também no Santo Antônio, o bloco 'Mamá na Vaca', em homenagem à vaca da Rua Leopoldina, dá a largada ao desfile pelas ruas do bairro.


Um dia antes, na sexta, 25, em Sete Lagoas, tem o bloco 'Cordão do Constantino', a partir das 18:00. O desfile vai de boteco em boteco, na Boa Vista: do Constantino ao Bar Vânia, da Vânia ao Skina 2, e daí de volta ao Constantino, depois de passar pelo Querosene.

19 de fev de 2011

De bom tamanho...


Cruzeiro 2 x 0 Ipatinga

Cara de pau

Aécio Neves, justo Aécio Neves, o rei das Leis Delegadas mineiras, no afã de ocupar espaço político nacional, chamou a presidente Dilma de autoritária por encaminhar ao Congresso, para votação e não para delegação, projetos sobre regras de reajuste salarial. É muito! É hipocrisia demais...

'Modelo não inclui o morador como protagonista'

Sérgio Magalhães [Especial para a Folha]

[Foto: Sérgio Lima / Folha]

Em um país onde, dizemos, tudo é volátil. surpreende constatar que as políticas de moradia popular mantêm um mesmo modelo desde a década de 40. Mas o modelo é bom?

Na República Velha (1889-1930), a habitação não fazia parte das preocupações do governo - pensava-se que seria equacionada pela iniciativa privada.

É no Estado Novo (1937-45) que adquire caráter de problema social, e o governo assume a responsabilidade de prover habitação popular.

Os programas se sucedem: Casa popular, institutos de aposentadoria, BNH, Caixa, Minha Casa, Minha Vida. em todos, os governos assumiram o protagonismo: decidiam onde, como e o que construir. Os empresários atuam como empreiteiros: cosntroem, mas não empreendem.

Tampouco as famílias participam do processo, senão para morar. Onde? Como? Em que condições? Do modo como os governos decidiram.

Esse modelo tem sido ineficiente. Deteve o monopólio do escasso financiamento da habitação popular e produziu nem 20% das moradias.

Isto é, as ações promovidas por governos (federal, estaduais e municipais), institutos, BNH, Caixa e bancos somam menos de 10 milhões dos 60 milhões de domicílios construídos no período.

Foi o povo que construiu as cidades, do jeito que pôde. Mas, precisando de casa, é tratado como inepto.

Por que as políticas de moradia não contemplam a família como núcleo das decisões? Por que não lhe garantem o crédito para que possa escolher onde e como morar?

Por que os empresários não são chamados a empreender moradias, que interessarão portadores do crédito universalizado (com subsídio, se necessário)?

Se houver outros modelos, nossas cidades serão melhores. Evitaremos conjuntos residenciais gigantescos, mal localizados, mal construídos, impostos como única alternativa à favelização.

Precisamos da diversidade espacial, tipológica, construtiva. Nossas cidades não podem continuar se expandindo sem infraestrutura e serviços. Mas podem aproveitar os vazios urbanos, as áreas da desindustrialização, conectar-se às linhas de transporte - adensar-se, enfim.

[Sérgio Magalhães é arquiteto e professor do PROURB/FAU-UFRJ]

No forno

Está no forno mais um artigo nosso para o site daltonandrade.com: 'México Imaginário', com comentários sobre Juan Rulfo. O link do site está na barra da direita. Aguardem...

Baru

Vivendo e aprendendo... Tiza foi, ontem, à Goiânia, a trabalho, e voltou trazendo 'castanha de baru' do Empório do Cerrado - produtos socialmente justos e solidários. Nunca tinha visto, nem provado. Vocês conheciam?!

Red Bull Street Art View

Bacana isso. Uma viagem pelo mundo inteiro, através do Google Street View, observando uma infinidade de exemplos de 'arte de rua'. Cliquem na imagem abaixo e naveguem:

Céline

O Sabático, do Estadão, debate hoje, em dois artigos, a decisão do governo francês de tirar da lista das comemorações nacionais deste ano o escritor Louis-Ferdinand Céline, morto há 50 anos.

Céline teve sua literatura tardiamente reconhecida. Apenas nos anos 1980 ela foi resgatada, depois de manter-se, por anos e anos, no obscurantismo. São dele: Viagem ao Fim da Noite, de 1932 [no Brasil: Companhia do Bolso, 536 págs., R$33], e Morte a Crédito, de 1936.

As razões de coisa e outra são as mesmas: o seu colaboracionismo com o nazismo hitleriano na ocupação francesa e o seu anti-semitismo desenfreado, externados em panfletos virulentos, o mais conhecido, intitulado ‘Bagatelles pour Un Massacre’ [Versão em pdf, em francês].

Os dois artigos, um de Mario Vargas Llosa, outro de Rachel Cozer, são convergentes em separar a qualidade do escritor Céline do abjeto militante Céline.

Diz Llosa, em ‘A literatura não é edificante’: “Politicamente falando, Céline foi, de fato, uma escória. Eu li nos anos 60 sua diatribe Bagatelles pour Un Massacre e senti náuseas ante esse vômito enlouquecido de ódio, injúrias e propósitos homicidas contra os judeus, um verdadeiro monumento ao preconceito, ao racismo, à crueldade e à estupidez. [...] Dito isso, é preciso dizer também que Céline foi um extraordinário escritor, seguramente o mais importante romancista francês do século 20 depois de Proust, e que, com a exceção de Em Busca do Tempo Perdido e A Condição Humana de Malraux, não existe na narrativa moderna em língua francesa nada que se assemelhe em originalidade, força expressiva e riqueza criadora às obras-primas de Céline [...]”.

Diz Cozer, em ‘Na fronteira entre o gênio e o monstro’, citando o escritor Milton Hatoum: "É evidente que discordo visceralmente da posição dele nesse ponto [da militância política]. Mas também discordo de Borges, que apoiou os militares na Argentina e foi condecorado pelo Pinochet no Chile. E, no entanto, é impossível não lê-lo".

Meio século

"Se um trabalhador que receber o  salário mínimo aprovado na Câmara, de R$ 545, for à labuta por 56 anos ininterruptos – e não gastar nada – ele poderá enfim somar o equivalente ao que recebe um deputado federal em um ano. O site Congresso em Foco fez essa conta e mostrou o tamanho do fosso que separa assalariados comuns dos parlamentares de Brasília" [Estadão].


18 de fev de 2011

As lições que ficam

O movimento ‘Fora Maroca’ surgiu a partir de informações desencontradas. Havia quem assegurasse que era uma ação legítima de cidadãos, especialmente estudantes; havia quem citasse nomes de políticos conhecidos, malandramente, escondidos por trás da história. Pra mim, o bordão ‘Fora Maroca’ tinha um sotaque golpista. Ou seja, a coisa nasceu com uma interrogação, o que suscitou um debate aqui neste blog, no post ‘Desnecessária desagregação’.

A melhor cobertura do que ocorreu, afinal, está no blog ‘No Prelo’, sob o pertinente título de ‘Uma faísca’: “Não era aquele papo Fora Maroca! E sim, cobravam melhorias da cidade”. Além desse ponto, outros estão lá muito bem abordados: a legitimidade e o caráter cívico, independente do número de participante, o alerta contra os ‘aproveitadores de plantão’ e por aí afora.

Vendo à distância, eu acho que ficam duas lições. Para o poder público, de que o exercício do poder é cada fez mais público. E todos nós, agentes políticos, devemos nos preparar para esse futuro-presente de que a democracia direta tende a ser cada vez mais exercida pela população. Da forma de hoje ou de várias outras. A meu ver, isso conduz não apenas à aceitação pacífica desses movimentos, mas, proativamente, à construção de mecanismos mais participativos que compartilhem não só a prestação de contas publicitária, mas a própria tomada de decisão. Um caminho que me parece inevitável para isso é a implantação do Orçamento Participativo, uma experiência exitosa recomendada, hoje, até pelo Banco Mundial, que não é petista. Para além do OP, de forma mais abrangente, acho que o poder público tem que avançar em sua capacidade de articulação, comunicação e negociação com a comunidade. Isso não é fácil. Há outros temas mobilizadores à vista que, pela sua natureza, dificilmente se reservarão ao ambiente burocrático. O próximo na agenda é o debate em torno do loteamento da área da Lagoa da Chácara.

Para os participantes fica a lição de que ‘movimentação cívica’ pressupõe organização e disciplina, de que nada é simples. Até ontem se previa centenas de participantes. Trinta ou sessenta, conforme a fonte de informação, não desfaz o mérito, mas não é o mesmo que centenas. Há também a questão da garantia de legitimidade, frente aos "urubus voando por cima da carniça", expressão usada em um comentário na postagem de No Prelo. E mais, há, ainda, a necessidade de uma visão mais compreensiva dos problemas municipais. Nem todas as soluções estão no 3º andar do prédio mais importante da Praça Barão do Rio Branco. O ambiente político é mais amplo, comporta um pesado e constante jogo de pressão e nem sempre se pauta por ‘interesses públicos’. Nesse sentido, torço para que outro comentário naquele post tenha razão: que a surpresa “pela cara diferenciada de cada participante”, que a expectativa de que “brevemente, teremos novas lideranças” seja mesmo um sinal de oxigenação desse ambiente envelhecido.

Vem aí: economia criativa

Determinadas políticas inovadoras, ‘de fronteira’, custam a emplacar por falta de espaços institucionais que as impulsionem. Temas como sustentabilidade de cidades, aí no meio do caminho entre a área urbana e a ambiental; ou economia solidária, com um pé no trabalho, outro na assistência social, costumam patinar por muito tempo até se estruturarem como políticas públicas respeitáveis, com volume de recursos significativos alocados.

Parece óbvio e é, mas nem por isso a roda gira. Um exemplo: o desastre da região serrana do Rio, com seus quase mil mortos, tornou inequívoca a compreensão de que o que falta não são programas habitacional e de saneamento, ou seja, programas setoriais fragmentados, mas, sim, uma política urbana coordenada, com visão global de ocupação do território, portanto, também ambiental. Mas e daí? Daí que é bastante improvável que o Ministério das Cidades, como é o caso, decida abrir picada sobre esse terreno de fronteira. Alguém duvida? Políticos de linhagem conservadora, como os que comandam o MCidades, acham essa história de política pública urbana uma balela e preferem os programas setoriais com mecanismos clássicos de gestão (convênios com prefeituras, emendas parlamentares etc.) e ponto. Sabem lidar com isso, mas não com aquilo. Se tiver que surgir alguma novidade sobre esse tema da sustentabilidade urbano-ambiental é mais fácil esperar que venha do Ministério do Meio Ambiente...

Outra política em área de fronteira é a da ‘economia criativa’, aquela que gera riqueza a partir do trabalho intelectual. Os nossos políticos atrasados vão falar que não passa de mais uma conversa fiada. Mal sabem, entretanto, que essa economia, que reúne arquitetura, música, arte, moda, cinema, design e afins, representa “a terceira maior indústria do mundo, atrás de petróleo e armamentos”, “vivem um boom global e geram, no país, R$ 380 bi” [FSP, 13/02/11, pág. B1 e B3]. Graças a Deus, a ministra Ana de Hollanda pensa diferente e deu sustentação institucional ao assunto, criando a Secretaria da Economia Criativa, no Ministério da Cultura.

O tema chega ao Brasil com quase vinte anos de atraso, depois de experiências bem sucedidas na Espanha (Barcelona), Reino Unido e Austrália. A ideia é criar núcleos e redes de cidades criativas, envolvendo, inclusive, o patrimônio histórico (IPHAN) e com uma visão inclusiva, em cooperação com as populações locais.

Ao que parece, na visão da ministra, o ‘vício’ das leis de incentivo criam dependência e apenas o tratamento da cultura como indústria pode ‘emancipar o mundo da criação’. Nessa perspectiva, “a economia criativa não deve ser entendida como política cultural, mas de desenvolvimento” (Adriana Dias – FGV/RJ). O que pressupõe transitar na área de convergência entre educação, cultura, ciência e tecnologia e indústria.

Pelo jeito, é bom mantermos atualizados os nossos radares...

545, a lição

Eu acompanhei a votação do salário mínimo e a sua repercussão na imprensa. Há destaque, por exemplo, para a absoluta lealdade do PMDB que não teve uma só dissidência. Os jornais creditaram todo o mérito na conta do vice-presidente Michel Temer. De toda forma, o bom comportamento já teve preço: o PMDB mostrou a fatura na hora, com a exigência de cargos nas estatais. Normal. Vindo do PMDB, normalíssimo. Vi destaque também para a posição do PSDB, do radicalismo dos R$600 dos serristas à tentativa de contemporização dos aecistas com a proposta meio-termo de R$560. Ah, sim! Muito destaque também para o ressurgimento das centrais sindicais que andavam sumidas. No frigir dos ovos, saí com duas conclusões. A primeira de que o governo mandou bem. O que me chamou a atenção não foi a sua demonstração de força, embora isso tenha impressionado deus e o mundo, mas a determinação em manter uma proposta compromissada com a responsabilidade fiscal. O governo Lula demonstrou que é possível obter uma valorização continuada do poder de compra do salário mínimo sem riscos. O novo governo está certo em manter esse caminho. De mais a mais, acho que o mar não está pra peixe, que há sinais preocupantes de eventuais abalos na nossa estabilidade macro-econômica e que é hora de se ter juízo. A segunda conclusão é a contra face da primeira: como pode o PSDB dar um tiro no pé de seu mantra de ‘choque de gestão’, que não é mais do que um ‘choque fiscal’, propondo um patamar salarial qualificado, não por mim, mas por muitos analistas, como ‘demagógico’? Enquanto o governo mostrou controle e coerência, a oposição deu um show de descontrole e incoerência. Os tucanos e agregados acabaram utilizando a pauta salarial para colocar mais lenha na fogueira da briga suicida e autofágica que travam, internamente, serristas e aecistas. Se deram mal nos quesitos unidade e discurso...

Onde está Wally?

Essa foto está no Facebook. Eu e Bê estamos aí, no momento sagrado da comemoração de um dos gols da esquadra celeste...

Pela velha ou pela nova?

Tudo fica sempre pra última hora... As condições de trânsito e, especialmente, o volume de tráfego nas BR-040 e na MG-424 já foram matéria de todos os jornais. Agora, aos 46 do segundo tempo, os governos estadual e federal se uniram para, juntos e ao mesmo tempo, tornar tudo mais complicado. As obras de melhoria de pavimentação das duas rodovias tornaram o deslocamento dos reduzidos 70 km entre Sete Lagoas e BH pra lá de caótico. O Estado fez um meia-boca na estrada velha que não adiantou nada. Na verdade, sequer foi concluído. É um caminhão lento à frente e será um caminhão lento à frente até depois dos quebra-molas de Matozinhos. E, agora, com um volume maior de carros, fugindo das obras na 040. Ali, vai-se até Neves; de Neves em diante não se vai ou vai-se muito mal, com redução de pistas e retenções quilométricas. Toda vez é a mesma dúvida: por onde seguir? Por uma ou outra, tanto faz: se vocês têm compromisso em BH, saiam uma hora mais cedo...

[Seria impossível uma ação articulada? Por que não se melhorou, antes e de fato, as condições da 424, não apenas com um arremedo de correção de pavimentação, mas com um mínimo de faixas adicionais para ultrapassagens em pontos críticos e uma sinalização um pouco mais eficiente, para, depois, se mexer na 040? Pode ser coincidência, mas toda semana, por exemplo, eu vejo algum carro, passando aperto e tendo que voltar de marcha-ré porque perdeu o ponto da quase não sinalizada saída para Confins, em Pedro Leopoldo.]

17 de fev de 2011

Afonia

E não é que minha voz sumiu?! Desde o segundo gol de ontem, nada! O jeito foi consultar nosso guru da otorrinolaringologia, Maurício Mattar: um e outro remédio e repouso da voz. Ou seja, estou em regime de silêncio compulsório. Calma aí: não se sintam aliviados. Eu não posso falar, mas posso digitar...

Dicionário Houaiss
Afonia. Datação 1720
Acepção
substantivo feminino
Rubrica: otorrinolaringologia
perda parcial ou total da voz em virtude de lesão nos órgãos da fonação
Etimologia
gr. aphónía,as 'incapacidade de falar, perda da voz'

Dicionário do Blog
Afonia. Datação 2011
Acepção
substantivo feminino
Rubrica: futebol
perda parcial ou total da voz em virtude de lesão nos órgãos da fonação por anos e anos gritando: 'Gooooooooool. É do Cruzeeeeeeeeiro!'

O campeão voltou

Naturalmente, o massacre de ontem na Arena do Jacaré não teria sido possível sem a modesta, mas decisiva contribuição da dupla pé quente Flávio e Bernardo, no meio da massa azul...

Libertadores: ser campeão!

Eu estava lá e vi com meus próprios olhos: um show de futebol inesquecível! Há quanto tempo eu não via, ao vivo e a cores, um futebol tão exuberante! Cuca acertou em cheio ao colocar Gilberto na lateral esquerda para a entrada de Roger ao lado de Montillo. Acertou mais ainda em escalar Wallyson como um atacante que mais parecia um ala direito. Cara!, e o Victorino? Com apenas uma semana na Toca, foi perfeito na zaga, com uma qualidade extraordinária na reposição de bola, rápida e objetiva. Difícil dizer quem não foi bem. Talvez Wellington Paulista que, ainda assim, foi o responsável pelo desarme que resultou no primeiro gol celeste. Fantástico! 5 a 0 contra o melhor time argentino.


A voz, naturalmente, não resistiu à comemoração do segundo gol...

16 de fev de 2011

A guerra do salário mínimo

O governo Dilma tem seu 1º teste político, agora, a partir das 13:00, com a votação sobre o salário mínimo na Câmara de Deputados. A conversa é que há ameaça de retaliação contra deputados da base que não votarem com o governo e de exoneração do ministro Lupi se o seu partido continuar defendendo o valor de R$ 560. O twitter está a mil... O Estadão [cliquem aqui] traz uma boa cobertura do assunto.

De: Enio | Para: Todos

Tenho uma estranha mania de escrever [Enio Eduardo]

Escrever acalenta a alma.
Escrever controla os impulsos.
Escrever equilibra os sentimentos.
Escrever aproxima as pessoas.
Escrever dá vida às ilusões, aos sonhos e às fantasias.
Escrever constrói, desconstrói, reconstrói.
Escrever recupera o prazer em viver, em desejar.
Escrever é fixar o olhar distante.
Escrever, perceber que a vida é um instante.
Escrever revela as tribulações dos amantes.
Escrever, pois errar é insignificante.
Escrever os problemas conflitantes.
Escrever as soluções constantes.
Escrever em algum lugar errante.
Escrever porque superar é desafiante.
Escrever porque a mente é mutante.
Escrever porque a emoção é flutuante.
Escrever porque atingir o inatingível é vibrante.

15 de fev de 2011

Desnecessária desagregação

No dia 05 de outubro de 2008, muita gente podia até ter um ou outro receio com relação ao futuro desempenho do prefeito recém-eleito, mas ninguém fugia do consenso de que, pelas suas qualidades, Maroca faria um governo agregador, com uma relação bem estruturada com todas as forças políticas locais, com quem, indistintamente, ele sempre teve diálogo. Transcorrido pouco mais de dois anos, sobre essa certeza de boa articulação política, é incômodo se deparar, hoje, com uma avaliação esquizofrênica. De um lado, nunca se teve uma pessoa tão amistosa na chefia do executivo, nunca se teve uma pessoa com tão poucos inimigos, nunca se teve um clima tão distendido na Prefeitura, sem temores de retaliações e perseguições; mas, paralelamente, nunca se teve um ambiente político tão fora de controle, tão desagregado, tão imprevisível.

As ocorrências mais recentes atestam isso: a última eleição da mesa da Câmara, entre ser interpretada como vitória de oposição ou vitória da chapa preferencial do prefeito, acabou mesmo marcada pela emergência de um grupo auto-nomeado como independente; o PV deixou o governo, recusando a oferta de indicar outro nome do partido para o Meio Ambiente; o PSDB, que tem hegemonia no governo, reagiu com intransigência ao risco de perda da COHASA para o PT; o PT, depois de um ano tentando avançar no relacionamento com o governo, desistiu e foi, ontem, para a oposição; o líder do governo no Legislativo está demissionário e não há outro à vista. Propaga-se o comentário que nenhum vereador quer ficar com o ‘pepino’. Formalmente, o prefeito não tem mais maioria na Câmara. Ou seja, desnecessariamente, o ambiente não é bom...

Em 27 de janeiro do ano passado, quando o ministro Patrus nos visitou na Conferência da Cidade, ele não gastou 2 segundos para observar que eu estava isolado na relação PT-governo. Nos dias 05 e 08 de fevereiro seguintes, eu postei neste blog textos defendendo a repactuação do partido com o governo [cliquem aqui e aqui]. Eu estava sozinho nessa empreitada. Mas não foi preciso um mês para que, no dia 25 do mesmo fevereiro, o prefeito e a direção do PT selassem um acordo. Ontem, esse acordo deu água. O clima na reunião do diretório para decidir o fim da aliança era acachapante: ruptura e ruptura. Não havia espaço e argumento para qualquer contraposição. Enfim, infelizmente, um ano depois, a minha tese de repactuação naufragou.

Independente da decisão do PT, a minha posição no governo, há dias, é precária. O prefeito anunciou uma reforma na minha secretaria que tira da minha alçada o DLO ou, em outras palavras, a gestão da política urbana. Frente a isso, tenho um acordo com a minha equipe e com os cidadãos que acreditaram em mim que fico no governo até a implementação dessa reforma. Não quero sair como aquele que, no momento difícil, abandonou a luta e os colegas. Quero sair quando, com a retirada do DLO, nos próximos dias, com a consciência tranqüila, eu ver findada a minha oportunidade de contribuir politicamente com o governo. Ainda assim, a despeito da minha precariedade e da minha iminente saída do governo, não acho essa progressiva desagregação política boa para Sete Lagoas. Acho que o prefeito deveria se dedicar a recosturar alianças em bases seguras e estáveis.

Não gosto nada dos efeitos mais recentes e mais heterodoxos dessa anomia política que se percebe no ar. Pode ser bobagem, mas esse papo de movimento ‘fora-Maroca’, a meu ver, é a primeira ameaça de emersão de ataques despropositados. Movimentos reivindicatórios, de contraposição política, são sempre legítimos. Mas não penso o mesmo de movimentos que põem em risco nossas instituições democráticas e que podem resvalar para um golpismo perigoso. Ruim isso...

14 de fev de 2011

Não é por nada não...

Eu estou aqui estudando normas de regulação urbana de outros municípios para concluir uma proposição para o Departamento de Licenciamento de Obras, o DLO, por ora vinculado à Secretaria de Planejamento, Orçamento e Gestão, do qual ainda sou titular. Independente do desfecho das mudanças anunciadas pelo prefeito Maroca, eu desejo chegar até onde for possível nesse tema, deixando minha contribuição a quem me suceder na direção do departamento. Mas, amigos, me perdoem a franqueza: eu estou aqui dando risadas... Se com o pouco que passei a exigir no DLO, por ora, eu já ganhei a fama de legalista e passei a responder por desgastes políticos à administração, imaginem se eu exigisse a metade do que se exige, por exemplo, em BH? Acabei de ler, neste momento, a Portaria SMARU nº 001/2010, que estabelece o padrão de representação gráfica dos projetos de aprovação de edificação e de licenciamento. Incrível: o seu Anexo I chega a definir os layers que deverão ser usados nos desenhos; exige versões simplificadas e completas de projetos; estabelece a padronização de formatos, selos, textos, estilos de textos e de cotas... Só rindo!

Reflexão pessoal sobre a relação do PT com o governo

A minha insólita posição atual no governo Maroca não me dá legitimidade para propugnar, como há um ano, a repactuação das relações entre o governo e o PT. Mas essa mesma fragilidade minha, de hoje, não me autoriza, também, agora, por puro oportunismo pessoal, a pleitear a ruptura com o governo. Se eu entrei numa tal cota do prefeito, sem prévia anuência do partido, não é justo envolver o partido quando, para mim, o chão estremece.

Quero com isso defender, firmemente, a despersonalização dessa decisão de continuidade ou não do partido na coalizão governista, seja em razão do meu nome, seja de qualquer outro companheiro, como o do Fábio Nepomuceno, mencionado num comentário no post ‘Isso vai acabar mal...’.  Entendo que governabilidade envolve nomes na composição da equipe, sim, mas essa conversa tem que se dar à luz do dia e vinculada a determinado enfoque político e gerencial. Por si só, nem a minha eventual saída, em algum momento, nem a eventual entrada do Fábio, agora, deve ser o elemento determinante desse debate, sob o risco óbvio do posicionamento do PT ser interpretado como fisiológico.

Acho que os membros do partido devem se guiar por critérios objetivos que levem em consideração tanto aspectos políticos, quanto de conjuntura.

Politicamente a questão, a meu ver, não pode conflitar com o discurso que o partido tem feito nos últimos meses e tomar um viés casuístico. Eu entendo, por exemplo, as posições externadas pelo Enio tanto em defesa da visão de política urbana que eu venho implementando na Secretaria de Planejamento, quanto as suas críticas à política habitacional que vem sendo desenvolvida na COHASA, para onde, hipoteticamente, o Fábio iria ou irá. Mas as circunscrevo a uma dimensão pessoal. É inevitável reconhecer que, institucionalmente, esses assuntos não fizeram parte da agenda e do discurso recentes do PT [e não vai aqui nenhuma crítica sobre isso]. É temerário, portanto, usar esses argumentos agora.

Conjunturalmente, acho que o partido tem que zelar para que sua decisão seja soberana. Ela não pode ficar maculada nem pela provocação de um jornal que não tem isenção jornalística porque tem vinculação partidária conhecida (ao PMDB); nem pela movimentação de outro partido, no caso o PSDB, que detém a maioria dos cargos estratégicos do governo; nem pelos interesses multipartidários que já orbitam em torno de 2012. Não pode ser uma decisão a reboque de nada, nem de ninguém, mas uma decisão que seja publica e autonomamente defensável.

Em minha opinião, tem-se um ponto central que deve nutrir a decisão de sair ou ficar: avaliando-se o cenário político sete-lagoano, é possível, é crível, é viável, ainda, construir relações políticas com o governo, sobre bases concretas, com mecanismos previamente ajustados, que permitam ao PT contribuir, de fato, no seu direcionamento, de forma convergente com as posições de esquerda do partido?

Papo de arquiteto

O caderno ‘Mercado’, da Folha de ontem, trouxe, como ilustração numa matéria sobre ‘economia criativa’ [mais tarde quero falar disso aqui...], um projeto do escritório Triptyque, na Vila Madalena, em SP. O mesmo projeto, já construído, ocupa as págs. 24 a 29 da revista AU, nº 203, deste mês de fevereiro. Recomendo aos amigos arquitetos que têm assinatura da revista que prestem atenção nesse edifício. É muito bacana. Em um lote com inacreditáveis 13x50m, portanto, estreitíssimo, os arquitetos criaram um edifício no conceito apartamento-casa, com 11 plantas completamente distintas. Há também uma preocupação urbana: no recuo frontal, adotou-se uma solução de praça que ‘desafoga a vista de quem passa pela rua íngreme do bairro boêmio de São Paulo’. São 9 pavimentos, mais dois subsolos de garagem, em dois blocos separados pela circulação vertical recoberta por um jardim (também vertical, claro!). Os apartamentos têm alturas diferenciadas, alguns normais; outros duplex, com pé-direito duplo. E tem toda um questão tecnológica pensada de forma a permitir a variação, inclusive, da posição das áreas molhadas nos apartamentos, o que não é fácil...

Desenvolvimento Regional - I

Num bate-papo dentro do post ‘Mobilidade’, eu me comprometi com o Marquinho Moreira a dar continuidade a um tema que ele abriu: o do desenvolvimento regional.

Em 99% dos casos, quando ouço alguma liderança local falar da relação de Sete Lagoas com a região, tendo a discordar. Sete Lagoas, como cidade pólo, é posta como centro regional. Subliminarmente, isso dá a entender que ela lidera o desenvolvimento da região. Uma inverdade. É o contrário: ela subdesenvolve a região em benefício do seu desenvolvimento. Sete Lagoas funciona como uma cidade-ralo para onde escoam a produção, a poupança, os investimentos e o melhor capital humano das cidades do entorno. Ela produz uma exaustão: 70% da riqueza gerada regionalmente estão concentradas aqui. Sob a ótica das relações de troca que o velho Milton Santos falava, temos uma estrada de mão única.

Outras lideranças propõem que Sete Lagoas (leia-se o Poder Público Municipal) auxilie as cidades da região a construírem seus projetos próprios de desenvolvimento. Eu também discordo. Há uma série de pressupostos falsos aí: um, o de que SL tem competência para desenvolver para os outros o que ela não tem conseguido nem para si mesma: formular um projeto compreensivo de desenvolvimento; outro, de que o interesse é apenas das cidades da região, e não, e sobretudo, da própria Sete Lagoas.

Minha opinião é taxativa: não há perspectiva de desenvolvimento sustentável, do ponto de vista sócio-ambiental, para Sete Lagoas fora de uma visão de desenvolvimento com abrangência regional. Em outras palavras: Sete Lagoas precisa da região e a região de Sete Lagoas. A relação é de interdependência.

Por isso mesmo, quando formulei, com a minha equipe da Secretaria de Planejamento, Orçamento e Gestão, as linhas estratégicas do Plano Plurianual, o PPA 2010-2013, em 2009, o ‘compromisso com o desenvolvimento regional’ foi uma das 8 linhas definidas. Pena que ninguém levou a coisa a sério. Nem dentro, nem fora do governo. Para contextualizar isso, por pura ilustração, vai aí a listagem dessas linhas estratégicas, constante do PPA vigente:

Linha1: Inovação e aumento da capacidade governativa do poder municipal [modernização administrativa, ajustes nas carreiras dos servidores etc.];
Linha 2: Participação e controle social na gestão pública [OP, reacionamento pró-ativo com Conselhos etc.];
Linha 3: Estabilidade e sustentabilidade na gestão da saúde [especialmente, solução para o financiamento da saúde, sem prejuízo para a própria saúde, mas também sem exaurir as demais políticas];
Linha 4: Integração das políticas públicas com foco na inclusão social [projeto 'Territórios' etc.];
Linha 5: Sustentabilidade ambiental na provisão de água e destinação de resíduos [sem comentários...];
Linha 6: Desconcentração, diversificação e sustentabilidade do modelo econômico [por exemplo, abrir espaço para a 'economia sildária'];
Linha 7: Melhoria da qualidade urbano-ambiental [o que a cidade mais reclama: recuperação de praças, melhoria de pavimentação de vias, melhoria no sistema de transporte etc.]; e
Linha 8: Comprometimento com o desenvolvimento regional.

Em uma próxima postagem, vou tentar aprofundar um pouco minha visão sobre esse último ponto. Inté!

No radar

Não chega a ser um livro, apenas um panfleto de 32 páginas. Já vendeu 1,3 mi de exemplares na França. Foi escrito pelo nonagenário embaixador Stéphane Hessel. ‘Indignez-vous’ (Indignem-se!), uma pregação inconformista radical, otimista e pacifista, está deixando de ser um fenômeno apenas francês, está contaminando a Europa e tende a se universalizar. Nele, Hessel incorpora todas as teses ‘subversivas’ atuais: é contra o neoliberalismo e a financeirização do mundo, é a favor das conquistas sociais do pós-Guerra, defende os sem-teto, os imigrantes ilegais e a Palestina. Em 2009, Hessel apoiou as candidaturas ambientalistas de Cohn-Bendit e Bové para o Parlamento europeu. Tudo isso, segundo ele, ‘para ver uma esquerda impertinente que tenha peso na realidade política’. Ele foi herói da Resistência, diplomata e filho do casal que inspirou o romance ‘Jules et Jim', levado às telas por Truffaut.

13 de fev de 2011

Não alimente os animais

O destino do Egito

Ilustração sugerida por Claret, no link indicado no comentário abaixo, retirada do perfil 'Pastronomia' do facebook. Perfeita:

"Os egípcios são um povo doce..."

Esclarecedora a entrevista, no caderno Aliás, do Estadão, nas bancas neste domingo, com o frade dominicano Emilio Platti. De origem italiana, Platti é um renomado pesquisador do islamismo e integra, no Cairo, o Instituto Dominicano de Estudos Orientais (Ideo). Autor, entre outros livros, de Islã - Inimigo Natural? (Éditions du Cerf, Paris, 2006), ele é também professor da Universidade Católica de Louvain, na Bélgica. Na entrevista, ele "apresenta um minucioso diagnóstico do Egito, relacionando a situação atual com a trajetória do país ao longo do século 20" [Cliquem aqui para acessarem].
 
[Recorte de foto de Asmaa Waguih/Reuters]

12 de fev de 2011

Sugestão do dia

Já que hoje não teve futebol, só treinos, vou pular esse assunto... A dica do dia está na Ilustrada da Folha de São Paulo: 'Papéis Avulsos', reedição de livro de Machado de Assis, de 1882, com 12 narrativas célebres do escritor carioca (Companhia das Letras, 272 págs., R$ 25)

Sobre livros, o do Antoine de Baecque, de que já falamos aqui duas vezes ['Cinefilia'], voltou a ser recomendado, dessa vez como objeto de uma entrevista com o autor, no Sabático, do Estadão ['Corpo a corpo com a paixão pelo cinema']. Sinal de que a coisa promete...

Isso vai acabar mal...

O assunto é a articulação interpartidária na coalizão que sustenta o governo Maroca. Os jornais, esse ou aquele, com ou sem credibilidade, distorcendo fatos ao sabor de seus interesses políticos ou não, formaram uma nuvem de fumaça sobre isso, essa semana. Até aí, tudo bem; mas é preciso reconhecer que onde há fumaça há fogo: essa articulação é mesmo frágil. O papo que está nas ruas de que o simples fato do PT ter pressionado pelo cumprimento de um acordo político com o prefeito provocou uma reação contrária do PSDB é prova disso. Em ambientes frágeis, jogar ‘a’ contra ‘b’ é fácil.

A direção do PT emitiu uma Nota de Esclarecimento, ontem, em que defendeu sua posição, historiando como se deu sua entrada nessa coalizão partidária, como foram as negociações de nomes e em que bases ocorreram as negociações na tentativa de construir uma relação programática e não fisiológica com o governo.

Até aí, a nota foi bem. Mas acho que faltou uma análise mais crítica dessa relação institucional e da posição do partido frente ao governo. Alguns pontos estão lá, mas pouco destacados. Por exemplo, sobre a composição inicial do governo em 2009, a nota disse que ‘o PT viu com bons olhos a indicação de quadros petistas para o primeiro escalão, mesmo não tendo havido uma consulta prévia ao partido’; sobre a repactuação em 2010, que ‘nem todos os cargos oferecidos foram ocupados conforme entendimento, assim como não foi criado o Conselho Político e instituído o Orçamento Participativo’. Juntando coisa e outra – ou seja, a dificuldade em se estabelecer uma relação institucional com o prefeito em 2009 e em se fazer cumprir um acordo, em 2010 –, chega-se a uma conclusão óbvia: institucionalmente, o PT ainda não conseguiu estabelecer uma relação estável e produtiva com o prefeito, nesses dois anos.

Quanto à posição do partido frente ao governo, diferente da prática política corrente, é de se ressaltar que o PT tem agido sem nenhum banditismo ou chantagismo político, apesar da difícil relação institucional a que sempre esteve subordinado. Mas é inevitável reconhecer também que se vai criando um contencioso intrincado, com um crescente descontentamento interno. Nesse sentido, a nota não me pareceu traduzir bastante bem a realidade ao afirmar que ‘os petistas que ocupam cargos no Governo tem feito avançar as propostas do partido e do Executivo Municipal’. Com humildade, acho o contrário, acho que há sim muito esforço para isso, mas sem efeito real, sobretudo no que diz respeito a contribuir, efetivamente,  no direcionamento político e gerencial do governo. Infelizmente, essa é a verdade. Ruim para o PT, péssimo para o governo...

Falo isso sem personalismo. Não acho que seja uma questão de nomes, mas de ‘bandeiras’. Há um ano, o partido estava propenso a romper com o governo e eu defendi aqui, quase solitariamente, uma repactuação. Seja como for, ela foi feita, mas não foi cumprida. E precisa ser. A compreensão do que significa uma coalizão política precisa ser melhor interpretada pelas lideranças políticas do PSDB, que é o partido  hegemônico no governo. A essa altura, mais do que nunca, o governo precisa do PT.

10 de fev de 2011

Lá como cá...

Esta matéria está na Folha de São Paulo, caderno Cotidiano, de hoje. Pelo que se vê o 'DLO' paulistano é mais enérgico do que o 'DLO' sete-lagoano... O espigão tem apenas 30 metros a mais do que o que foi licenciado. Trinta metros equivalem a apenas 10 andares... Observem na matéria que ninguém disse que o secretário responsável pela política urbana de São Paulo está travando o desenvolvimento da cidade. E reparem que a turma de infratores tem um pedigree e tanto. Nem por isso...

Espigão de luxo é ocupado sem Habite-se

Símbolo de irregularidades, prédio embargado na rua Tucumã ganhou moradores; apartamentos custam R$ 9 mi.

Prefeitura não emitiu documento porque recorre de ação para demolir parte do imóvel erguida acima do limite.

Ricardo Gallo, de São Paulo

O prédio de luxo que se converteu em símbolo de irregularidades em São Paulo - e custa R$ 9 milhões a unidade - está ocupado sem autorização da prefeitura.

Depois de 12 anos de espera, moradores resolveram ocupar o edifício Villa Europa, que ficou conhecido como espigão da Tucumã -em alusão à rua onde fica, em Pinheiros (zona oeste de SP).

O prédio, porém, não tem Habite-se, certificado que atesta a regularidade do imóvel e libera a sua ocupação. Trata-se, para os registros da prefeitura, de um empreendimento em obras. Sem a autorização, o imóvel fica sujeito a multa pelo município.

Por ter 30 metros acima do limite, o Villa Europa foi embargado em 1999 pela prefeitura, que pediu a demolição de parte dele. Ainda não há decisão definitiva na Justiça.

O edifício está pronto. Seguranças ficam no interior do prédio o dia inteiro; à noite, a Folha flagrou luzes acesas nos andares superiores.

A empresária Montserrat Coelho Ryan admitiu que está no local. "Só venho esporadicamente, porque moro em Londres."

Se for por falta de Habite-se, diz ela, a prefeitura terá que "destruir a Hungria com a Faria Lima inteira, inclusive as transversais".

O apartamento pertence a Gregory Ryan, marido dela, fundador do McDonald's no Brasil e executivo de uma rede hoteleira dona das marcas Comfort, Radisson e Clarion.

A Folha apurou que outro morador é Manuel Rodrigues Tavares de Almeida Filho, dono do Banco Luso Brasileiro e da Tatuzinho, que faz a aguardente Velho Barreiro.

O Habite-se do Villa Europa não foi emitido porque a prefeitura ainda recorre de ação na Justiça em que solicita a demolição de parte do edifício.

O empreendimento tinha 87 metros de altura no projeto original, mas foram erguidos 117 metros. Em 1999, a prefeitura embargou o imóvel e, no ano seguinte, entrou na Justiça para pedir a demolição de parte dele.

Em 2004, a Justiça autorizou a demolição, mas a sentença foi revertida no Tribunal de Justiça cinco anos depois. A prefeitura recorreu.

Mesmo sem o Habite-se, um condomínio foi estabelecido em setembro de 2010. Cada proprietário recebeu um boleto de R$ 8.150.

O Villa Europa tem 31 andares com 13 dúplex e um tríplex - cerca de 675 metros quadrados cada um.

Um consultor imobiliário anunciou um dos apartamentos do edifício no Twitter, na semana passada, por R$ 9 milhões.

9 de fev de 2011

Calibrando expectativas

Eu ando tentando fazer um esforço pessoal para compreender, com realismo, o que será o governo Dilma, neste primeiro ano. Os sinais são trocados e acho que é preciso decodificá-los. Especialmente para os que torcem a favor, como eu, o mais importante é não esperar mais do que é possível realizar.

Primeiro sinal: há uma linha de posicionamento da mídia centrado no ‘estilo’ da nova presidente ou presidenta, como queiram. Os jornais andam ávidos por qualquer onda que ela emite e tenderam, nesses primeiros dias, a elogiá-la irrestritamente. Em destaque, a Carta Capital, desta semana, trouxe uma matéria de capa ressaltando a ‘marca’, o ‘estilo próprio’ de Dilma. Isso é positivo. Mas há um risco: o de confundirmos esse estilo pessoal, e o bom humor da mídia para com ele, com o governo e com o país.

Segundo sinal: eu fui a Brasília, na semana passada, e voltei achando que há, ainda, um descompasso entre a imagem da presidenta e o seu governo. Pensando bem, isso sim é natural; o contrário é que seria improvável. O governo está em processo inicial de constituição, alguns novos membros, em cargos estratégicos, sequer assumiram; há muitas mudanças de cadeiras em curso; há redirecionamentos políticos à vista; há, portanto, ainda, muitas incertezas no ar. Ou seja, não é possível, por ora, aplicar o mesmo bom humor da mídia com a presidenta para com a velocidade do passo atual do governo. Calma!

O último sinal vem da realidade. E são sinais amarelos. Leiam, por exemplo, os jornais de hoje. Há uma disputa em torno do novo valor do salário mínimo. Segundo o governo, qualquer valor acima de R$ 545 gera um buraco; a oposição quer R$ 600 [!]; o contingenciamento orçamentário deve ser superior a R$ 50 bi, cortando, sobretudo, nas emendas parlamentares [leia-se crise!]; por falar em crise, continua a indefinição dos cargos no setor elétrico. Tem uma queda de braço ali que ou se resolve agora ou nunca; a inflação aproxima-se de um dígito e do teto da meta de 2011; depois do apagão (ou que nome se queira dar) no Nordeste, ontem teve outra interrupção em SP, pondo em risco a credibilidade do sistema...

Calibrando as expectativas: a realidade vai exigir do governo uma ação que vai muito além de uma simples questão de estilo! Como petista que sou, acho melhor não apostar em facilidades. A hora, agora, como diz o Léo Braga, repetindo a frase de um peão de obra, é de ‘massa na caixa’! Aqui, nenhuma calma!

Fogo-amigo

Eu recebi alguns telefonemas de amigos, esta manhã, me chamando a atenção para críticas dirigidas a mim, nas páginas de um diário local. De certa forma, críticas a mim já se tornaram fato comum. A única novidade, dessa vez, é que elas teriam partido do PT, o partido a que sou filiado, ou seja: seria o bom e velho fogo-amigo. Um dos amigos que me ligou chegou a me dar nome, endereço e profissão da fonte do jornal,  do tal 'alto cargo do partido na cidade'. Enfim: o tipo de assunto que dá uma preguiça danada...

Eu li a matéria na hora do almoço: "[...] Flávio de Castro, cuja atuação merece repulsa do partido, que inclusive questiona a sua situação política partidária, segundo a informação de um alto cargo do partido na cidade" ou "[...] não se tocou quanto a possível exoneração do Flávio, por quem segundo o mesmo informante não vale a pena comprar uma briga em sua causa". A matéria tratava, no geral, das exigências do PT para manter seu apoio ao governo Maroca.

Eu trago esse assunto pra cá porque não desejo fazer de conta que não é comigo e porque quero usar o meu direito de afirmar que, sendo verdadeira ou não, havendo ou não uma fonte do partido por trás dessa conversa, eu quero distância de intrigas. O PT merece mais de todos nós filiados do que intrigas. Vou completar essa informação não com mais intrigas, portanto, mas com fatos correlacionados: [a] há um anônimo bastante provocador que, eventualmente, comenta aqui neste blog, dizendo-se ou deixando a entender ser do grupo majoritário da direção atual. Embora esse anônimo queira trazer assunto partidário pra cá, eu nunca o respondi indo além do meu papel de filiado. Ou seja, nunca deixei um blog pessoal tornar-se um blog do partido. Eu não tenho mandato pra isso. Sobre esses comentários, nas vezes em que ocorreu, o diretor de comunicação do PT me ligou e desautorizou esse anônimo; [b] é fato que eu entrei no governo na cota pessoal do prefeito. Para o bem ou para o mal. Por isso mesmo, nunca me coloquei como interlocutor do partido com o governo e vice-versa, que entendo ser papel da Executiva. E nunca usei a força do PT a meu favor, ainda que o presidente do partido, nesse imbróglio das mudanças de governo, tenha me autorizado a falar em nome da legenda. Mesmo assim não o fiz; [c] eu tenho uma atuação partidária condizente com a minha função no partido. Eu não faço parte da Executiva, apenas do Diretório. E participei das duas reuniões para as quais fui convocado, a última no dia 1º passado; [d] publicamente, dentro do partido, que é o que interessa, jamais ouvi qualquer questionamento ou manifestação de 'repulsa' à minha 'atuação' como secretário; e [e] nunca pedi ao PT para comprar briga em minha causa. Confesso, entretanto, que já me posicionei, junto ao partido, para que ele dispute, na agenda política, não posições a favor de pessoas, muito menos de mim, mas a favor de causas que, historicamente, sempre foram caras ao PT, como a da reforma urbana, a da habitação popular, a da cultura etc.

Bello Horizonte

A revista Bello Horizonte foi publicada em BH de 1933 a 1947. Falava da vida social e cultural da ainda jovem capital mineira. As suas 50 edições foram digitalizadas pelo Arquivo Público e encontram-se disponíveis para consulta no site da PBH. É muito legal! Os desenhos modernistas de capa de Monsã são um destaque à parte. Cliquem aqui e acessem...

[Capa da edição de 03/09/1933]

Mobilidade

Eu acho que não valorizamos, ainda, suficientemente, esta questão da mobilidade urbana em Sete Lagoas. Tratamos, de forma fragmentada, a questão da ocupação do solo, da habitação popular, do transporte público e da acessibilidade, mas não construímos uma visão de sistema. Ora, mobilidade interfere diretamente sobre o valor da terra, que é um tema afeito à ocupação do solo, e o valor da terra, ou seja, a questão fundiária, é decisivo na política habitacional. Ainda que não tenhamos a complexidade de realidades metropolitanas, acho que já temos tamanho suficiente para mapearmos melhor como se dá o movimento de pessoas no território da nossa cidade.

Comento isso porque está se encerrando, hoje, em BH, o ‘Seminário Internacional de Gestão de Mobilidade Urbana na RMBH’, onde foi anunciado o início da 4ª edição da pesquisa de OD (Origem e Destino), abrangendo toda a região metropolitana, o que funciona como um censo decenal de mobilidade. Os resultados desses censos têm sido fundamentais para o planejamento do transporte pelo governo do Estado. O censo de 2001, por exemplo, foi revelador da necessidade de se fazer intervenções no trânsito da área central de BH, para criação de alternativas de circulação transversal. A pesquisa de OD custará R$ 2,5 mi. [Ver Estado de Minas, caderno Gerais, pág. 24]

8 de fev de 2011

'É necessário proibir'

O nosso amigo Marquinho Moreira nos sugeriu a leitura de um texto muito bom sobre a questão da ocupação desordenada das nossas cidades. Cliquem aqui e dêem um pulo no blog Instituto CAROS OUVINTES  de Estudos de Mídia. Vale a pena...

"Pode parecer óbvio, sobretudo da parte de quem cria e deve fazer cumprir essas normas; mas, quantas pessoas já morreram em função dessa ocupação indevida que, em vez de coibida pelas autoridades, em alguns casos é até favorecida e consolidada por omissão ou interesse de alguns, em troca de votos e áreas de influência lucrativa?".

Júlio Verne

Quando menino, eu tomei gosto pela leitura com Monteiro Lobato (claro!), Mark Twain e, meu favorito, Júlio Verne ('Viagem ao centro da Terra', '20 mil léguas submarinas', 'A volta ao mundo em 80 dias...), o pai da ficção científica moderna. Julio Verne nasceu em 08 de fevereiro de 1828. Faria, hoje, portanto, 183 anos. Embora esse não seja um número redondo, ele ganhou uma homenagem do Google. Bacana pra danar! O logo do Goolge na sua página é o que está abaixo. Já são corriqueiras essas variações no desenho do logo, mas, dessa vez, ele é interativo. Não na imagem abaixo, mas lá no site [cliquem na imagem pra acessarem o site], se vocês moverem a alavanca à direita, o submarino também se moverá...

A turma do bico-baixo

A Hispania, outra equipe da F1doB, outra heróica concorrente à última posição no ranking, tão 'zero pontos' como a sua concorrente direta, a Virgin, mostrou, hoje, as primeiras imagens do seu carro para 2011, o F111. E não é que, copiando a Virgin, e contrariando a tendência dos carros de todas as grandes equipes, lá vem ela com um bico pra lá de rebaixado? Povinho corajoso...

Ramon?! Você pode nos ajudar a entender?