11 de jan de 2011

Incompletude

Há quem diga que existem perdas mais dolorosas do que outras; que há dores mais profundas do que outras. Eu hoje apenas sinto que cada perda é uma perda, profundamente dolorosa em si.

A morte de Rim, o Juninho, é um desfecho incompleto para uma vida incompleta. De um rapaz tão bonito, tão sensível, tão talentoso, tão disposto à vida que vai embora, precocemente, sem que complete sua própria história. É a morte de quem foi e que se esperava que voltasse um dia, um dia que não chegará. É a morte solitária, distante. É a morte que não se conhece, que se conta nos jornais. É a morte que se revela por testemunhas ocultas. É a morte sem intimidade. É a morte imaterial, sem corpo. É a morte que todo esforço de construção de sentido se depara com uma simples foto sobre um caixão. É a morte que faz, mas não responde perguntas. É a morte que abre e não fecha lacunas. É a morte que interrompe, mas não completa uma vida. Que é apenas transtorno e atrocidade. Silêncio, cansaço e perplexidade...


É a morte em que apenas a presença de familiares, de amigos dele, meus, de meus irmãos, de minha mãe e de minha família; de amigos deste blog, de amigos dele da Prefeitura de BH, de amigos da Prefeitura daqui, de amigos do UNIFEMM, de amigos de sempre torna possível vivenciar o que, na verdade, é impossível existir...

De coração, obrigado a todos pela solidariedade e pelo carinho.

20 comentários:

Quim Drummond disse...

Meu caro Flávio

Prefiro neste momento de dores ser acalentado pela certeza que o nosso querido amigo João Luiz o pai, ja esteja de mãos firmemente dadas ao Junior. Acalmando-o ante o imcompreensivel partir brutalmente repentino.Que neste triste momento todos nos amigos estejamos com as mentes fluindo os melhores pensamentos para que estas boas energias se transforme em uma estrela a iluminar este seu novo caminho.
Que Deus abençoe todos voces

Disa disse...

A essa família cada dia mais querida, o meu abraço silencioso e apertado. De alento. Silêncio bonito, que vem da calmaria do oceano, do balançar das árvores ao vento, do olhar de mãe. O silêncio ensina e nos torna Grande, agora é momento de ouvi-lo.

Mais e mais abraços e carinho a todos vocês, tão queridos para nossa cidade, para nossa história, para nossas vidas.

Florestare disse...

Flávio e amigos,
Deixo aqui, meu profundo sentimento pelo ocorrido. Infelizmente nem tudo acontece como queremos ou imaginamos... mas, a nossa caminhada continua. O momento é de união, para que possamos ter força para suportarmos o morro íngrime rumo a nossa evolução.
Abraços,
Alessandra Casarim

Eduardo disse...

Flávio,
para você, sua família e amigos,

Viver o luto na plenitude,
Exorcizar pensamentos nefastos,
Resguardar as lembranças,
Dar amparo,
Ampliar memórias,
Desejar a PAZ,
Eternidade!

Para sempre...

Claudia Bartolomeu disse...

Flávio, Dona Selma, demais familiares e amigos do Juninho, que Deus esteja cada dia mais forte dentro de vocês para que possam superar este momento e então transformá-lo em lembranças e muitas saudades dele!!!
Um grande abraço da prima Bartolomeu. Cláudia Bartolomeu

Geyse disse...

Flávio,
Uma perda, uma tragédia, uma dor, que imagino ser neste momento uma dor lascinante.

Este é mais um dos momentos da vida que não conseguimos explicação.

Espero que você e seus familiares consigam lidar com todo este vazio, tão cheio de perguntas.
Muita paz na mente e coração de vocês.
Com meu melhor abraço.

Zeca Dias Amaral disse...

Amargamente dócil. Assim era meu amigo Juninho. "Juninho do del rey", como era tratado pela patota. Houve um tempo em que carros eram quase um sobrenome da pessoa: fulano da kombi, sicrano do corcel... Amante das polêmicas, um dia Juninho e eu discutíamos algo banal de relevância planetária e fomos sendo expulsos dos lugares por caussa da hora, já ida. Sem nos fazer de rogados, fomos até a Lagoa Pizzaria, que já estava fechada. Sem sequer olharmos um pro outro, pulamos o portão, subimos a escadinha da entrada, nos sentamos numa mesa e continuamos o debate. Meia dúzia de amigos passaram e se juntaram a nós. O que ficou de momentos como este foi a tenacidade, palavra que eu simplesmente não discernia, mas que descreve bem as atitudes deste meu grande amigo. Olhando pelo lado ruim da coisa, Juninho padecia daquilo que Caetano pôs em versos quando escreveu que "sua estupidez não lhe deixa ver que eu te amo". Carente de amor, não se deixava amar. Mas nos deixou a pensar. Saudades absurdas, de mim, de minha família e de todos os amigos.

Zeca Dias Amaral disse...

PS: Roberto escreveu sua estupidez, sorry Rei.

Paulo do Boi disse...

Fica o conforto de que foram para o Juninho o melhor...

Deus os abençoe
Paulinho do Boi

Blog do Flávio de Castro disse...

"Amargamente dócil"... Ele era isso mesmo, Zeca.

Anônimo disse...

Eu e Stella ficamos muito transtornados com a notíicia. Com certeza o joão pai irá conduzi-lo à felicidade plena. Nosso carinho a toda a família. Memé e Stella.

Marilia Gemperlé disse...

Aqui no computador da casa da mamãe tem uma foto do Max e olhando para ela posso imaginar a sua DOR que bem dita por vc não é a mesma, o tempo já apagou coisas refez outras trouxe respostas e levou perguntas.

Eu não concordo com a descida dos corações amantes à terra dura. Assim é, será e foi desde tempos imemoriais: eles seguem pelas trevas, os sábios e os belos. Coroados de lilases e de louros, eles partem; mas eu não me conformo. Amantes e pensadores, contigo, dentro da terra, transformados na poeira morna e cega. Um fragmento do que tu sentias, daquilo que tu sabias, uma fórmula, uma frase apenas restou - mas o melhor está perdido. As respostas rápidas e vivas, o olhar honesto, o riso, o amor - estes partiram. Partiram para alimentar as rosas. Os botões serão meigos, elegantes e perfumados. Eu sei. Mas eu não aprovo. Mais preciosa era a luz em teus olhos que todas as rosas do mundo.

Fundo, fundo, fundo na escuridão da cova, docemente, os belos, os ternos, os bons, calmamente eles descem, os inteligentes, os espirituais, os bravos. Eu sei. Mas não estou de acordo. E eu não me conformo.

Edna St Vincent Millay, traduzido por Roberto Freire.

Cristiana Lima Matos disse...

receba meus sentimentos. que Deus possa trazer paz ao seu coração.

Geraldo Donizete disse...

Flávio:

Um abraço a você e família.

Celle disse...

Flávio,
Consternados com a notícia do falecimento do seu querido irmão e, por estarmos ausentes da cidade, somente agora, nos é
possível transmitir à Selma, à você, e à toda a familia enlutada, os nossos sentimentos de pesar.
Em nome de toda nossa família, inclusive da nossa filha, Regina Marcia, que se encontra no exterior.
Lamentável,acontecimento que nos deixa perplexos!
Antonio Pontes e familia

Ramon Lamar disse...

Flávio, tenho recebido várias mensagens no tópico que abri no meu blog pedindo para enviar as condolências para você e para sua família. Acredito que você já tenha tido contato com o Claret e a Rosana. Recebi esse que encaminho por aqui:

"também estou chocada com essa notícia...
Gostaria de poder abraçar Dona Selma,(trabalhei com ela no SERPAF) tentar conforta-la e mas atualmente moro em Salinas e só soube hoje do ocorrido. Se puder, transmita a ela e familiares meus sinceros sentimentos de tristeza e solidariedade.
Denise aparecida ferreira
Deniseaf26@gmail.com"

Blog do Flávio de Castro disse...

Ramon,

Estou acompanhando os comentários no seu blog.
Obrigado pelo seu apoio.

Abs,

Flávio

Amaro Marques disse...

Há momentos em que a gente não sabe direito o que dizer. Diante de perdas inexplicáveis, inesperadas e, sobretudo, de pessoas que, de certa forma, definem a nossa existência. Nesse momentos, o império o silêncio acaba sendo-nos mais eficaz.

Abraço, amigo, e tenha força para aceitar esse momento de dor. Seus amigos todos compartilham esse sentimento com vc.

Jaqueline França disse...

Flávio,
o que o Zeca disse reproduz todo o sentimento desses velhos amigos de Juninho do del rey.
Essa dor incomoda, dá saudade...
O que dizer?
Não sei...Mas, receba vc e sua família o meu abraço carinhoso...
Jaqueline

HUGO disse...

OI flavio,receba aqui e sua familia o meu abraço carinhoso,seu irmão pra mim era mais que um amigo.Foi uma perda muito grande,mas sempre presente em nossos corações,e que Deus concerteza vai está com nos neste momento dificil que estamos passando,meus sentimentos a vc e sua familia.HUGO BH