31 de jan de 2011

Janeiro sem fim

Eu comecei janeiro com os pés nas águas de Copacabana.
Não pedi mais do que um ano bom...
Nem bem tirei os pés da areia,
o ano estraçalhou-se sob um bloco de pedra de quebra-mar.
Como uma tempestade negra ao final de uma manhã de sol,
Inesperada.
Que põe fim ao dia, a tudo.
E tudo se resume, então, a apenas olhar o correr de águas.
Águas de lembranças espelhadas.
Mesmo após a estiagem,
mesmo após dias de estiagem,
o correr de lembranças e lembranças.
Janeiro termina interminável...
Como se não devesse terminar
para não tornar irreversível o irreversível.
Ainda que amanhã venha fevereiro.
Impassivelmente fevereiro.
E suceda março.
e abril...
Impassivelmente.
Janeiro fica pendurado na parede.
Incompleto.
Como uma conta esquecida a pagar.
Pra sempre...

Juntando cardume

Depois de uma período de baixa, na virada de ano, este blog voltou aos bons e velhos tempos. Aliás, voltou até melhor: enquanto nos aproximamos de 90 mil visitantes em 17 meses, pela primeira vez, vamos chegando perto de 10 mil visitas nos últimos 30 dias. Bacana isso... Pelamordedeus, não dispersa não, hem gente!

Riscos nos investimentos federais 2011

A FSP trouxe, na página A4, de ontem, um quadro preocupante. A partir de uma análise do Orçamento Geral da União 2011, cotejado com dados da execução orçamentária obtidas através do Senado [Siga Brasil], chegou a conclusões que eu torço que não sejam procedentes. O resumo da ópera é que os ajustes fiscais necessários mais os famosos restos a pagar inviabilizariam novos investimentos públicos, este ano.

Exemplos da Folha: Para as 2 milhões de moradias do PMCMV-2, em 4 anos, seriam necessários R$ 62,2bi. Para 2011 estão previstos R$ 12,7. Mas há R$ 9,5 já comprometidos do PMCMV-1 a pagar. Soma quase zero. Mais um: para criar 500 Unidades de Pronto Atendimento seria necessário R$ 1 bi. Na votação no Congresso a verba reduziu-se para R$ 213 mi. Preocupante!

Qual a proposta?

Li coisa e outra sobre a polêmica gerada pelo deputado Márcio Reinaldo ao criticar os guseiros sete-lagoanos de escravizarem, transmitirem turbeculose e explorarem seus trabalhadores.

Se um ET passasse por aqui e acompanhasse essa polêmica acharia, provavelmente, que a indústria do gusa é recente em Sete Lagoas e seus críticos são defensores históricos da classe trabalhadora.

O difícil é entender essa conversa com 40 anos de atraso. Essas críticas não deveriam ter ocorrido nos anos 1970? E não deveriam ter perseverado e recrudescido de lá pra cá? Ao que me lembro, apenas o jornal Sete Dias se interessou por esse tema, uma década atrás, quando se iniciou a renovação do parque industrial de Sete Lagoas com salários mais baixos nas filiais sete-lagoanas do que nas matrizes acolá.

Talvez valha a história do cão bravo. Enquanto ele está solto o cara fica calado, quando ele está preso o cara toma coragem. Enquanto a indústria do gusa respondia majoritariamente pela economia local, silêncio. No momento em que ela perde essa posição, novas indústrias entram no mercado, aproxima-se um processo de escassez de mão-de-obra, mesmo da de baixa qualificação, e vislumbra-se uma possível reviravolta nessa questão de base salarial, as provocações ficam fáceis.

Não estou defendendo guseiros. Nem eles próprios se entendem. Há grupos empresariais sérios, outros 100% oportunistas. Além de problemas sociais, eles têm, por exemplo, problemas ambientais graves: não foram poucos os que postergaram ad infinitum a solução de seu estoque florestal, o que acabou virando caso de polícia com a tal 'máfia do carvão'.

Minha pergunta: de que serve uma acusação com 40 anos de atraso? De que interessa, agora, a descrição das relações capital-trabalho, coisa que Marx fez, e fez direito, há mais de 150 anos? Quais propostas acompanham essas críticas?

Não é bondade individual que define valor de salário. Todo mundo sabe disso. O salário resulta de condições objetivas e regras de mercado. Capitalismo e capitalismo. Se isso não se alterar, nada feito. [É a economia, estúpido!]. Por quê nossas lideranças políticas não trabalharam para verticalizar a cadeia produtiva do gusa? Empresa de briquetagem, usando munha de carvão e pó de minério para reutilização no alto forno, empresa de cilindros industriais de alta tecnologia, fundições, mini-aciarias e aciarias tiveram interesse em se instalar aqui. Contaram com uma política industrial que as amparasse? O Dr. Antônio Bahia do UNIFEMM propôs mais de uma vez trabalhar com requalificação profissional para atribuir maior flexibilidade empregatícia ao trabalhador de baixa formação. Teve apoio político? Esses ingredientes, sim, poderiam provocar mudanças na realidade...

Pondo a conversa em dia

Ontem, eu, Tiza, Lu e Bê recebemos a visita de Vera e Patrus no Serra Del Rey. Oportunidade para por o papo em dia: lembranças de alguns amigos do Ministério, lembranças de passagens daqueles tempos para não se esquecer, outras para se esquecer, comentários sobre o difícil 2010, muita conversa sobre a vida pra frente, mais ainda sobre Sete Lagoas, que é, também, a terra da Verinha.

Tarde de bom humor: nenhum interesse do Patrus em se meter nas especulações sobre o seu nome para isso ou para aquilo, toda vontade de falar sobre a volta a vida normal, sobre o primeiro artigo sobre 'ética' para a revista do Legislativo, sobre a construção de novos espaços para o exercício de sua liderança política. Pouca conversa sobre as turbulências sete-lagoanas, muita conversa sobre os amigos comuns daqui, sobre os novos movimentos culturais e por aí afora...

No mais: jornais e jornais, cerveja no ponto, churrasco passado do ponto, de churrasqueiro que não sabia se conversava, lia ou trabalhava, e a ducha gelada do Serra...

Por falar em bola rolando...


... vou fazer uma camisa assim, para mim: metade vermelha e branca, com o escudo do Jacaré; metade azul celeste, com cinco estrelas brancas, duas amarelas e uma coroa dourada.

Mercedes


A Mercedes já disponibilizou, em seu site oficial, o desenho de seu carro para a temporada 2011: o MGP W02. A apresentação oficial será em 1º de fevereiro, em Valencia, na Espanha.

Enfim, bola rolando


O Cruzeiro começa a temporada sobrando [goleada de 3 a 0 em cima da Veterana], e as panteras se arrastando [virada sobre o Funorte, por 2 a 1, só aos 34' finais]...

30 de jan de 2011

Recuerdos

Recordar é viver... Para quem se interessar: velhos poemas, velhos textos, velhas memórias, perdidas neste blog...

Ressaca
[Cliquem aqui]

Borges
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Melancolia
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Brasília, 50
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Perdidos no espaço... da gaveta – I
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Perdidos no espaço da gaveta – II
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João
[Cliquem aqui]

Bandeira
[Cliquem aqui]

De quê?
[Cliquem na ordem: 1/6 - 2/6 - 3/6 - 4/6 - 5/6 - 6/6]

Menino
[Cliquem na ordem: 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30]

Cinema de Arte

"Houve um tempo em que assistir a filmes não era apenas um comportamento individual. Além disso, o gosto de entrar numa sala escura e procurar as primerias fileiras não se encerrava ao fim da projeção. a experiência de ir ao cinema começa antes - em leituras de livros e revistas especializados - e se estendia para além da sessão, em conversas que entravam pela noite. A estética era política, a ideologia se traduzia em psicologia, a arte era uma visão de mundo. O cinema era quase um modo de vida. Esse conjunto de disposiçções pessoais e coletivas, pode ser traduzido pela palavra cinefilia"


Isso faz algum sentido pra você? Você é dos que tem saudades dos Cines Pathé e Metrópole? Então vai aí uma dica legal do caderno 'Pensar', do grande jornal dos mineiros: 'Cinefilia - Invenção de um olhar, história de uma cultura 1944-1968", de Antoine de Baecque, Editora Cosac Naify, 472 páginas, R$ 82.

Literatura francesa

Minha geração ainda chegou a ver resquícios da decadente influência francesa sobre a cultura brasileira. No Dom Silvério, praticamente, não se estudava o inglês, mas o francês. Lembro-me, com detalhes, das aulas de Pe. Ercílio... Ainda havia, à época, grande interesse por essa língua. Eu mesmo, depois que mudei para BH, fiz anos e anos de Alliance Française, no Edifício Sulacap...

A Ilustrada, da FSP, deste sábado, fala, exatamente, do recuo da influência francesa sobre o mercado editorial brasileiro e a progressiva hegemonia dos países de língua inglesa, desde o final da 2ª Guerra. E, o que é auspicioso, fala de um movimento de retomada a partir de 2008. Enquanto em 2007, os títulos de origem inglesa contavam-se na cada de quase 4 milhares, os de origem francesa não iam além de 391. Ainda que a distância permaneça estratosférica, em 2008, o número de edições de autores da França dobrou: 748, segundo a Câmara Brasileira de Livros.

Para quem está acostumado, e eu confesso que sou um deles, a ler Ian McEwan, Paul Auster, Philip Roth ou J.M. Coethe, americanos e ingleses da gema, é bom começar a atentar para novos nomes: Jonathan Littel, Michel Houellebcg, Marie NDiaye ou Martin Page.

Segundo a matéria, há bons motivos para isso. Uma, de que os franceses pararam de olhar para o próprio umbigo e passaram a se perguntar sobre o que têm a dizer para o mundo (“Acho que eles tem feito um movimento claro para ser menos franceses, e passaram a se interessar mais os estrangeiros”, Cassiano Elek Machado/Cosac Naif); outra, que arranjos editorias abriram espaços para esses autores de língua francesa no Brasil.

Para faciliar a vida de quem se interessar pelo tema algumas dicas de escritores contemporâneos franceses, dadas pela FSP:

1. Jean Echenoz, 43: ‘Vou embora’ (Objetiva, 1999) e ‘Correr’ (Alfagura, 2010);
2. Le Clézio, 70: “A quarentena’ (Cia das letras, 1997), ‘Refrão da fome’ ( Cosac Naify, 2009) e ‘Diego e Frida’ (Record, 2010);
3. Jonathan Littel, 43: ‘As benevoletnes’ (Alfaguara, 2007);
4. Pierre Chamon, 65: ‘Vidas Minúsculas’ (Estação Liberdade, 2004); ‘Senhores e Criados e outras histórias” (Recordo, 2010);
5. Marie NDiaye, 43: “Coração Apertado’ (Cosac Naif, 2010);
6. Michel Houllebecq, 53: ‘Partículas elementares’ (Sulina, 1999), ‘Extensão do dompinio da luta ( Sulina, 2002) e ‘A possibilidade de uma ilha’ (Record, 2006).

Uma boa lista de leitura,não?! Pois é. Mas além dela, além de NDiaye, que é filha de argelinos, há um mar de escritores marroquinos, afegãos, egícios, ou seja, migrantes, que produzem em francês e estão dispostos a entrar na mesma canoa da virada. São eles: Aliq Rahimim, Tahar Bem Jelloun, Naquib Mahfuz e Ahamadou Kourouma.

Acho que vale a pena colocar toda essa turma no nosso radar...

Indignação


Tudo o que aconteceu no Anel Rodoviário, no final da tarde de sexta-feira, é estarrecedor. Quem passa por ali, com frequência, conhece os perigos. No sentido Vitória, a partir do trevo da Mannesmann, há um longo trecho em declive que muita gente aproveita para pôr o pé embaixo. Depois da entrada para o Bairro Betânia, os acessos de pistas laterais reduzem de 3 para 2 as pistas de rolamento principais, em mais de um local. Vira e mexe, há pontos de retenção ali. Todo mundo sabe e ninguém faz nada. Onde aconteceu a tragédia de ontem, já aconteceram outras que somam 14 mortos. Inacreditável! Fora uma lombada eletrônica de 70 km, que todos os carros passam por ela devagar e voltam a embalar, não há nada para obrigar a uma redução de velocidade ou para sinalizar risco de retenção à frente. É previsível: como parar um caminhão bitrem com 37 toneladas de carregamento, imprudente e desavisado?

Seguindo o anel e pegando a BR-381, o problema piora e o risco aumenta. O Portal UAI está informando, na sua edição de hoje, que os acidentes entre BH e João Monlevade aumentaram em 37%, em 2010, com relação a 2009. Foram 81 mortos no ano passado. Aqui em casa, por exemplo, todo mundo está deixando de visitar o Marcinho, a Mara e os sobrinhos, em Ipatinga, por receio de transitar pela 'rodovia da morte'. As mortes já colheram amigos próximos deles, inclusive um menino, vizinho de rua, super próximo do Rafa e do Lipe.

O DNIT é formidável na hora de disputa de cargos e um bom cabo eleitoral para os seus diretores-gerais. Já para resolver problemas críticos das rodovias federais, esquece!

Novo layout

Um dia vou arrumar alguém para fazer um desenho bacana para o nosso blog. Por ora, vou usando as ferramentas disponíveis do blogger. Eu estava achando a solução com três colunas muito poluída e cansativa. Aí, dotei esse aí, em duas colunas, valorizando mais a área de textos. Então, melhorou ou piorou a leitura? Se vocês não tiverem gostado, eu volto atrás. Comentem, por favor...

[E pra variar o nosso contador deu uma pirada ontem...]

29 de jan de 2011

Lotação esgotada

Friedman dizia que 'o mundo é plano', depois, corrigiu: 'o mundo é quente, plano e lotado'. Tem toda razão... Impossível conviver com tanta gente e tantos carros. Ontem, a BR-040, em qualquer sentido, no final da tarde, estava impossível. A entrada em BH, por causa do acesso ao anel, totalmente congestionada. Breno, meu irmão, que veio comigo e voltou em seguida, caiu na bobagem de sair pelo anel: uma hora e meia depois estava no mesmo lugar: um acidente com 5 mortos parou o mundo. ele saiu daqui às 19:30 e chegou em Sete Lagoas depois das 10 da noite...

Matéria no Portal UAI [cliquem aqui], hoje, é esclarecedora sobre o assunto: BH, por exemplo, dobrou o número de carros nesta década e 66% deles trafegam com apenas 1 pessoa, o condutor, e ninguém mais. Alguns trechos:

[...] A queixa de Wagner [refere-se a queixas de um motorista de taxi] é resultado da explosão da frota na capital, que saltou de 655 mil automóveis, em 2000, para 1,29 milhão em 2010. Esse boom expõe problemas, como a deficiência do transporte coletivo, e cria outros, conforme mostra estudo do engenheiro Frederico Rodrigues, ao apontar que 66% dos automóveis que circulam no município levam apenas o condutor.

[...]

“De cada 10 carros, quase sete rodam somente com o condutor. A ociosidade de ocupação é grande: além dos 66% que circulam apenas com o motorista, 24% dos carros transportam o condutor e apenas um passageiro. Somente 10% trafegam com três, quatro ou cinco pessoas”, disse Frederico, que é diretor executivo da Im Traff Consultoria e Projetos de Engenharia. [...]

[...]

O crescimento assustador da frota de BH pode ser medido com outras estatísticas, como o aumento de 52% do número de áreas do estacionamento rotativo: de 12.072 vagas, em 2005, para 18.337 em 2010. Hoje, 711 quarteirões são dominados pelo Faixa Azul. Há cinco anos, eram 475. Mas foram os acidentes que mais assustaram: eles cresceram 17% na comparação entre janeiro e outubro de 2010 com o mesmo período de 2009. Foram 54.077 ocorrências, contra 46.091, segundo balanço do Batalhão de Trânsito da Polícia Militar. A média diária de registros passou de 152 registros para 178.

28 de jan de 2011

Indo além no debate – II

Apontamentos a partir do 'Minha Casa Minha Vida', passando pela tragédia do Rio de Janeiro e o programa Minas Urgente...

Acerto: foco
O foco do PMCMV de produzir moradias para a população com renda familiar de 0 a 3 sm é inquestionável. Raras vezes, ou quase nunca, o governo conseguiu viabilizar soluções para essa faixa mais pobre da população. Não dá pra perder a oportunidade...

Do acerto ao erro: incompatibilidades
Frase que ouvi na CAIXA: ‘o PMCMV não é um programa habitacional, mas um programa anti-crise’. Isso foi a justificativa apresentada para o seu baixo nível de regulação. A saber: a CAIXA utiliza normas operacionais internas não públicas e as normas públicas atêm-se a uma cartilha de divulgação, sem valor gerencial. Como programa anti-crise a opção foi a favor da agilidade da iniciativa privada (‘ágil’), secundarizando o papel das prefeituras (‘lentas’). Concretamente, os construtores passaram a ser vistos como prospectores de terrenos e viabilizadores de negócios. Na velocidade anti-crise, muitos problemas só apareceram no meio do caminho: empreendimentos muito grandes com risco de sustentabilidade, falta de acessibilidade em soluções verticais etc.

Erro 1: tendência periférica
O PMCMV trabalha com um valor- teto para as unidades. As construtoras fazem as contas de trás pra frente. O valor da terra é crítico. Para viabilização de negócios o programa tende a uma periferização: terrenos periféricos, periurbanos ou rurais. Moradia, entretanto, não é só ‘construção de casas’, é, também, uma questão fundiária. Ela é que estabelece em quais condições as ‘casas’ se integram à cidade [ou à não-cidade], como bem social: acesso a trabalho, serviços públicos etc. No programa Minas Urgente, a primeira pergunta que me fizeram foi essa: por quê um barraco na favela mais violenta de BH (Pedreira Prado Lopes) custa R$ 60 mil e um apartamento novo do PMCMV, R$ 47 mil? Porque há ganhos agregados: quem mora na Pedreira mora no centro de BH e tem acesso à cidade; quem mora no Minha Casa Minha Vida (que ainda não se viabilizou em BH) mora na periferia da região metropolitana. Para esta família, o problema da mobilidade urbana reduz dramaticamente seu acesso ao trabalho, à educação etc. A especulação imobiliária funciona do mesmo jeito para pobres e ricos.

Erro 2: escala
Nas contas de trás pra frente, além da terra, outra variável é a escala. As construtoras preferem grandes empreendimentos, óbvio! Isto diferencia o PMVMC do antigo PAR. O PAR era muito regulado e trabalhava com escalas de empreendimentos menores. Só vi construtoras de médio porte interessadas no PAR. Ao contrário, o PMVMC tende a constituir-se em grandes empreendimentos, com participação de grandes empreiteiras. O problema da escala é a sustentabilidade. Falta de sustentabilidade significa favelização de empreendimentos. No meio do caminho, sei que até as grandes empresas passaram a se preocupar com isso: não querem ver suas marcas associadas a empreendimentos desastrados.

Erro 1 + Erro 2: o abandono de boas idéias
Boas idéias como as de acupuntura urbana, de Jaime Lerner, de utilização de um desenho inovador nas soluções para a cidade, de Alejandro Aravena (afinal de contas os arquitetos têm que contribuir não é só com discurso, mas com projetos), de ocupação de vazios urbanizados com moradias populares, de correta associação de políticas habitacionais e fundiárias ficaram sem vez no PMCMV periférico e em grande escala. Só vi inovação em tecnologia construtiva. Isso tudo precisa ser revisto na segunda fase...

Erro clássico: a ‘casa própria’
Aí a culpa não é do PMCMV. Ele apenas foi na onda: moradia no Brasil, como direito, virou sinônimo de ‘casa própria’. Há uma mistura entre direito à moradia e à propriedade. Não se trata de discutir ideologia, mas eficácia: é a única e a melhor forma de assegurar direitos? No final de semana, os jornais estamparam a notícia de que os primeiros moradores do PMCMV estavam passando os apartamentos na grana. Ontem, circulou pela internet o artigo ‘Minha Casa, teu subsídio,’ de Elio Gaspari, em que ele acha que isso é coisa de atravessadores que merecem punição. Gosto de ler Elio Gaspari, mas acho que ele errou a mão. Acho que há razões mais complexas. Há uma velha discussão entre urbanistas de que famílias extremamente vulneráveis têm dificuldades de se manter na ‘propriedade’ do imóvel. Famílias muito vulneráveis não têm grana, não têm emprego, não têm vale-transporte, não têm carro. Portanto, não tem mobilidade. Para essa turma, morar em área muito periférica é um castigo, um exílio numa não-cidade. Não é um tanto previsível que ela passe o imóvel na grana? Qual a solução? Avançar naquilo que no Brasil é incipiente: moradia como serviço público. Esse é um tema para aprofundarmos: ‘locação social’, serviço de moradia social etc. e tal.

Reflexão 1: e agora?
Outra pergunta que me fizeram no Minas Urgente foi sobre a discutível eficiência do bolsa-aluguel como solução para os desabrigados do Rio. O bolsa-aluguel não é uma má ideia. Ela funciona em várias cidades como solução temporária para casos de desabrigados, por que motivo for, até que se consiga prover soluções definitivas. O problema do Rio é de escala. Passa de 25 mil o número de desabrigados e desalojados. Não há oferta de imóveis vagos, efetivamente disponíveis, para atender a essa demanda. E a especulação imobiliária não tem compaixão: a notícia é de que houve uma imediata apreciação de valores de aluguéis nas áreas de procura. Enfim: como nossa cultura habitacional é vinculada à ‘casa própria’, como ‘casa própria’ não brota da noite para o dia e como desconhecemos alternativas de programas de moradia como serviço, ou seja, soluções de abrigamento mais ágeis, fica o impasse...

Reflexão 2: chega de formalismo!
A terceira pergunta que me fizeram no Minas Urgente foi sobre eficácia dos Planos Diretores e a repercussão das mudanças propostas no Código Florestal de redução de requisitos de APP’s em áreas com ocupação consolidada. É curioso que sempre que há uma tragédia a revisão da legislação urbana volta à baila. Se o caso é de julgá-la frente ao que aconteceu em Angra em 2010 e na região serrana do Rio, este ano, a conclusão é óbvia: a legislação é ineficaz. Mas, a meu ver, isso é meia verdade. De fato, os Planos Diretores precisam largar o formalismo de lado e interferir objetivamente na realidade. Mas só ‘boa lei’ é pouco. Se não melhorarmos os mecanismos de gestão urbana, nada feito. Já falamos sobre isso aqui...

Feliz Esporte Novo

Dezembro e janeiro são ossos duros de roer. Só bastidores e peladas. No máximo, alguma graça com a Copa São Paulo de Juniores. Um domingo atrás de outro sem futebol e sem F1. Falta de graça absoluta... Não dá!

Enfim, depois desse longo e tenebroso recesso, o esporte vai estrear no ano novo. Neste final de semana, começa o Campeonato Mineiro. A seleção celeste entra em campo no domingo, às 5 da tarde. Maravilha! Não bastasse, hoje, a Ferrari apresentou o novo carro para a temporada 2011: bico mais alto, sistema Kers, traseira ajustável...

A alegria está de volta!

'A dura vida de escolher o que ler'

Cliquem aqui e leiam mais um artigo nosso no site do vereador Dalton Andrade...

'Patrus Ananias, do gabinete de ministro para o cartão de ponto'


Ao atender o telefone na manhã da última terça-feira, o técnico de pesquisa da Assembléia Legislativa de Minas, Patrus Ananias, achou graça no diálogo que travou com o interlocutor.

- Eu queria falar com o Patrus.

- Pois não, é ele.

- Não, o Patrus Ananias, ministro.

- Mas é ele mesmo quem está falando! - respondeu o ex-ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, dando risada por causa da incredulidade do interlocutor, que esperava passar por pelo menos um assessor ou secretária antes de falar com ele.

Depois de seis anos à frente do ministério que respondeu pelo principal programa social do governo Lula, Patrus Ananias, 59 anos, está ainda mais acessível. Voltou ao cargo de onde estava licenciado desde o início da vida política, quando se candidatou e venceu a disputa pela Prefeitura de Belo Horizonte, em 92.

Desde dezembro, ele ocupa uma sala da Escola do Legislativo da Assembléia de Minas, onde bate o ponto como técnico de pesquisa da Casa.

Aguarda com ansiedade a publicação, nos próximos dias, de seu primeiro trabalho da retomada – um artigo sobre a ética, que será publicado nos Cadernos do Legislativo - e se prepara para voltar às salas de aula da PUC-Minas, onde lecionará introdução ao Direito para jovens recém-ingressados na faculdade.

'O poder e o dinheiro não me compram'.

A quem estranha o fato de voltar às origens depois de ter ocupado cargos importantes e administrado um orçamento de quase R$ 40 bilhões do governo federal, o ex-ministro Patrus Ananias se diz inspirado na obra de João do Rio e evoca o apreço pela dimensão das ruas, que classifica como "muito rica e bonita" e da qual diz ter sentido muita falta:


- Pode parecer uma certa arrogância, mas posso dizer a esta altura da minha vida, com muita humildade, que o poder e o dinheiro não me compram.

Sem gravata ou paletó, Patrus chega à repartição com a pasta de couro preta debaixo do braço. Cumprimenta todos que aparecem no caminho. Sabe de cor a história do local de trabalho, onde ingressou por concurso público em 1982, como participante da primeira equipe multidisciplinar convocada para trabalhar no local. Por ter se licenciado por tanto tempo, não obteve promoção e, hoje, está submetido hierarquicamente a pessoas que entraram depois dele.

Ele queria se sentar ao lado de outros técnicos em pesquisa, mas a gerente-geral da escola, Ruth Schimitz de Castro, determinou a desativação de uma antiga sala de reuniões para ele ocupá-la. Antes de aceitar o pedido do GLOBO de acompanhar um dia de seu trabalho, o político pediu ao repórter que solicitasse autorização à Presidência da Assembléia Legislativa. O presidente interino, deputado Doutor Viana (DEM) achou graça.

Esta matéria foi publicada n'O Globo [cliquem aqui]. Ela me trouxe o sentimento de que não estamos preparados para lidar com políticos genuinamente corretos. No fundo, o estereótipo do político sempre desonesto, sempre zeloso de seus próprios interesses, ao qual podemos atacar sem reservas, nos garante um lugar no reino dos bons. O exemplo do Patrus é tão inusitado, embora devesse ser habitual, que chega a ser desconcertante. Sinceramente, eu não sei o que dizer...

Aviso aos navegantes

A nova conversa fiada no banco da Praça Barão do Rio Branco é que 'abandonei o DLO' e que 'abandonei a Secretaria'. Quero dizer que sou absolutamente cônscio de minhas responsabilidades: até ser oficializada a reforma a ser promovida pelo prefeito, eu continuo cumprindo as minhas obrigações, com total responsabilidade e inteireza. Assinei todos os licenciamentos expedidos no DLO, normalmente, todos os dias, inclusive nesta sexta-feira; fiz reuniões com a Procuradoria para esclarecer aspectos de um e outro processo, atendi diversos cidadãos que me procuraram e tenho diversas agendas relativas ao DLO para a próxima semana. Na Secretaria, não há um único documento pendente de encaminhamento por minha parte, dei todo suporte, na minha área de competência, para a instrução dos projetos de lei relativos à antecipação da data-base e ao aumento salarial dos servidores, debati e orientei minha equipe sobre todos os assuntos que chegaram a mim. Acho que tenho o direito, entretanto, nesse momento de transição, de agir com discrição. Tenho certeza que, se agisse de outra maneira, a maledicência seria de que eu estaria desrespeitando uma decisão superior...

26 de jan de 2011

12:29' de poesia para arquitetos e não arquitetos

The Third & The Seventh from Alex Roman on Vimeo.

'O desastre. Do planejamento'

Eu diria que esse artigo é perfeito. Ele me foi indicado por Bernardo, meu filho, e está no site da revista Carta Capital [cliquem aqui para lerem no original]. Mais do que recomendar a leitura, eu gostaria de ler, depois, comentários dos amigos deste blog...

O desastre. Do planejamento
Luiz Cesar de Queiroz Ribeiro

A tragédia expõe os vícios de um modelo baseado no vale-tudo urbano

Quando foi o último desastre? Angra dos Reis? Morro do Bumba? Santa Catarina? Já perdemos as referências diante de tantos incidentes climáticos que assolaram o País. Os mais recentes, na região serrana do Rio de Janeiro, impactam pela extensão e gravidade. Também porque desfazem a visão preconceituosa de que são apenas os pobres e as moradias irregulares os atingidos por esses fenômenos. Condomínios de classe média alta desapareceram sob um mar de lama, pedras e detritos.

As autoridades públicas explicam tais tragédias, invariavelmente, como as consequências de eventos climáticos incomuns, fora dos padrões previstos. Atribuem a culpa ainda à suposta irracionalidade da população, que aceita morar em áreas de risco. Desencadeiam-se, então, verdadeiras operações emergenciais. Engenheiros, bombeiros, policiais e técnicos são mobilizados de maneira excepcional para diminuir os estragos.

Desta vez, o governo federal chamou para si a responsabilidade de tomar a iniciativa quanto às ações preventivas. Na segunda-feira 17, a Presidência da República anunciou a criação do Sistema Nacional de Prevenção e Alerta de Desastres Naturais. A previsão é a de que ele esteja em funcionamento integral em quatro anos. No entanto, os dados das áreas de risco mais críticas já deveriam estar disponíveis no próximo verão. E esse sistema, por si só, não basta.

A intensidade e a extensão dos desastres não ocorrem por ausência de informações mais precisas, muito embora elas sejam imprescindíveis para mitigar os efeitos. A raiz do problema está na precariedade das cidades. Não é novidade que o espaço urbano foi e continua a ser apropriado à margem da regulação pública, dos planos diretores, das leis de uso e ocupação do solo. Impera um verdadeiro laissez-faire, reproduzido não apenas nas áreas pobres, mas também naquelas habitadas por setores de alta renda.

A explicação para a fatalidade das catástrofes que assolam as nossas improvisadas cidades é padrão catastrófico de gestão urbana. A reconhecida fragilidade institucional das nossas prefeituras resulta da inexistência de mecanismos de gestão fundados no universalismo de procedimentos. Torna-se necessária a constituição de uma burocracia técnica para exercer o importante papel de racionalização política, capaz de se impor como mediadora no jogo dos interesses particulares.

É a adoção do universalismo de procedimentos que permite à administração funcionar sob baixa influência do jogo político imediato e particularista. Como já mostraram vários analistas das relações entre Estado e sociedade, a constituição de burocracias com estas características ocorreu apenas nas áreas de interesses das classes capitalissas, como forma de proteger os pedaços do Estado que asseguram as condições gerais da acumulação de capital. Fenômeno que o cientista político Edson Nunes chamou de insulamento burocrático. São exemplos, ainda hoje, de ilhas de racionalidade técnica o BNDES, o Banco Central, os ministérios da Fazenda e do Planejamento. Nos outros setores de atuação do Estado, aqueles cuja função é atender às necessidades sociais, pouco ou nada foi feito nessa direção.

Na organização atual do chamado pacto federativo, coube às prefeituras cuidar da gestão urbana. Desde o início dos anos 1980 vem sendo descentralizada para os municípios parcelas significativas dos recursos fiscais. Essa descentralização, contudo, vem alimentando quatro lógicas de políticas particularistas que bloqueiam a adoção dos instrumentos de planejamento e gestão. Essas lógicas esquartejam a máquina pública em vários centros de decisão que funcionam segundo os interesses de quem comanda cada uma delas. São elas:

a) Clientelismo urbano, que trouxe para as modernas cidades brasileiras o padrão rural de privatização do poder local, tão bem transcrito por Vitor Nunes Leal na expressão coronelismo, enxada e voto, mas que nas condições urbanas transformou-se em assistencialismo, carência e voto. Trata-se da lógica que está na base da representação política no Poder Legislativo municipal, mas que precisa controlar parte da máquina administrativa para fazer a mediação do acesso do povo ao poder público. O clientelismo urbano é alimentado por práticas perversas de proteção de uma série de ilegalidades urbanas que atendem a interesses da economia subterrânea das cidades (comércio ambulante, vans etc.) e a necessidades de acessibilidade da população às condições urbanas de vida, dando nascimento às nossas favelas e às entidades filantrópicas que, travestidas de ONGs, usam recursos públicos para prestar seletivamente serviços que deveriam ser providos pela prefeitura.

b) Patrimonialismo urbano fundado na coalizão dos históricos interesses presentes nos circuitos da acumulação urbana, representados pelas empreiteiras de obras públicas, concessionárias dos serviços públicos e as empresas do mercado imobiliário. Essa lógica de gestão das cidades constitui-se, historicamente, na etapa de transição da economia agroex-portadora para a economia industrial, pela reconfiguração do capital mercantil em capital urbano, mas que mantém os traços fundamentais dessa forma de acumulação. Ou seja, a manipulação dos preços e a corrupção, obtidas pelo controle privatista de parte da máquina pública. Esses setores impulsionam a realização de vultosas obras viárias e de infraestrutura. Obras custosas, mas de finalidades duvidosas.

c) Empreendedorismo urbano é uma lógica emergente, que visa a transformação das cidades em “máquinas de entretenimento”, para usar a expressão cunhada pelo sociólogo americano Terry Clark. Integra esse circuito uma miríade de atores privados, que passam a interferir na política urbana com foco na atração de grandes eventos e na renovação de áreas degradadas. A lógica do empresariamento urbano, que se pretende mais eficiente, implica o abandono e a desvalorização da burocracia estatal. Os salários dos funcionários são aviltados, a base técnica dos órgãos públicos é fragilizada.

d) Corporativismo urbano, causado pelo baixo índice de associativismo – apenas 27% da população adulta integra sindicatos, associações profissionais, partidos, entidades de bairro – e pela diminuição do ímpeto dos movimentos sociais nas cidades. O resultado é que as experiências participativas resultam apenas no atendimento dos interesses dos poucos segmentos organizados, sem que exista universalização de procedimentos.

Se é verdade que estas catástrofes são geradas por incidentes climáticos fora do comum, os seus efeitos resultam de um padrão muito comum de gestão das nossas cidades, onde o planejamento, a regulação e a rotina das ações são substituídos por um padrão de operações por exceções. Diante desse quadro, os previsíveis problemas causados pelos eventos climáticos somente podem ser respondidos por ações emergenciais, o que contribui decisivamente para a reprodução da precariedade urbana, campo fértil para novas tragédias em nossas cidades.

Luiz Cesar de Queiroz Ribeiro é professor do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional da UFRJ e coordenador do Observatório das Metrópoles

25 de jan de 2011

Oscar 2011

Foram anunciados na manhã desta terça-feira, em Los Angeles, os indicados à 83ª edição do Oscar.

A entrega do principal prêmio do cinema americano será em 27 de fevereiro no teatro Kodak, em Los Angeles. Os atores James Franco e Anne Hathaway serão os apresentadores.

"O Discurso do Rei" lidera em número de indicações, com 12; "Bravura Indômita" tem 10; e "A Rede Social" e "A Origem" têm oito cada.

 [Colin Firth em cena do filme "O Discurso do Rei / FSP]

O documentário "Lixo Extraordinário", sobre o trabalho do artista brasileiro Vik Muniz, foi indicado em sua categoria.

[Cena de "Lixo Extraordinário", sobre Vik Muniz / FSP]

Cliquem aqui para verem a lista com todos os indicados, em todas as categorias.

Lei Delegada

Eu não vou ser hipócrita de condenar o governador Anastasia (Diabos! Meu corretor ortográfico só chama o governador de Anastásia...) por coisas que, concordando ou não, eu admiti no governo Lula: o aumento de cargos comissionados. Só fico curioso para ouvir a versão dos tucanos que sempre foram críticos duríssimos do governo petista, exatamente, nessa matéria. E com três detalhes. Um: Lula criou cargos via medidas provisórias, subordinadas a apreciação legislativa; Anastasia, via Lei Delegada, que prescinde de autorização da Assembléia. Dois: Anastasia, numa canetada só, criou 1.314 cargos, gerando uma expansão de quase 30% no número total. Isso nem Lula fez... Três: para criar um mísero cargo aqui na terra dos lagos encantados, somos obrigados a nos virar com traumáticos cálculos de impacto orçamentário; no Estado, nada! Não foi apresentado nenhum estudo de impacto, nem a curto, nem a médio, nem a longo prazos...

Quero apenas destacar, não o conteúdo, mas a forma: o uso de leis delegadas como instrumentos de reforma administrativa e reiterar minha opinião já manifestada em outras postagens [cliquem aqui e aqui]: discordo disso porque esse não é um tema de interesse exclusivo da burocracia, portanto, um ato interna corporis, mas de alto interesse público. E, antes que justifiquem, digo que não me filio à tese de que essa é a única saída para se evitar o engessamento do governo. Contra isso, eu sou absolutamente favorável à ideia de que reformas limitadas, especialmente as que permutam, fundem ou migram cargos, mas não geram impacto orçamentário, deveriam ser objeto de decreto e não de projeto de lei. Se isso fosse admitido, já atribuiria excepcional flexibilidade a qualquer governo. Mais do que isso, especialmente a expansão da máquina com novos cargos, deveria ser sim matéria de amplo debate.

'Aula do Céu'

Amigos,

Um presente fantástico nos caiu do céu. Literalmente! Vejam com o que fomos todos brindados pelo Claret: com uma 'aula do céu'. Acho que será uma oportunidade muito bacana de nos encontrarmos. Sugiro aos entusiastas da ideia que dêem o tradicional 'estou dentro', nos comentários abaixo. Havendo quorum, eu, então, peço ao claret que use meu e-mail para nos enviar as instruções: fjrcastro@gmail.com. Para não haver dúvida: eu já 'estou dentro'; se mais um topar a parada eu vou entender que já deu um quorum e tanto. Não é isso?

Olá todos/as,

perdoem-me falar de algo que não tem nada que ver com este post. Tenho uma noticia (acho que boa). Desde que participo desde Blog, só tenho recebido atenções e amizade. Estive pensando numa forma de "compensar" a todos vocês pela atenção, mas como minhas neuronas só pensam em uma mesma coisa, achei que talvez vocês gostariam de ter uma "aula do céu". Me explico: falei com um amigo meu que vive em Esmeraldas e ele se dispôs a levar seu telescópio a S. Lagoas e mostrar o céu pra vocês, com as explicações pertinentes. Antes da parte prática, atá mesmo um pequeno seminário com powerpoint.

Obviamente estão todos convidados. Se vocês acharem que é uma boa ideia, me avisem que mandarei a forma de contactar com ele.

um abraço,
Claret

24 de jan de 2011

Indo além no debate

Eu nunca vi um período tão fértil para o posicionamento de urbanistas, gestores urbanos, especialistas em habitação popular quanto esse gerado pelas tragédias do Rio de Janeiro. É lamentável, mas é uma coisa bem brasileira: é necessária alguma comoção social para que o debate em torno de certos temas voltem a se qualificar. Foram necessários números absurdos para que isso ocorresse. Só no Rio, 16 cidades envolvidas, 814 mortos, 12.293 desabrigados e 12.821 desalojados, contados até hoje. A coincidência da tragédia com a mudança na Presidência da República aumenta a velocidade com que determinados assuntos tendem a sair da gaveta e colocar mais fogo na fogueira. Já eram esperadas reformulações no PAC-2, já era esperada uma maior regulação do 'Minha Casa Minha Vida'. Mais do que esperadas, elas agora são críticas e precisam incorporar reposicionamentos à luz dos novos fatos. O caldeirão ferve no país, exatamente, no momento em que, aqui em Sete Lagoas, o mesmo tema, com as devidas proporções, ganha um balde de água fria. Entre uma coisa e outra, eu acho que devemos ficar mais atentos ao quente debate nacional. Por isso mesmo, me deu vontade de falar mais sobre o que penso a respeito do que cerca as políticas urbana e habitacional brasileiras ou sete-lagoanas, tanto faz. Me deu vontade de aprofundar mais esse debate aqui. Coisa que procurei evitar ao longo dos últimos meses para não tumultuar, mais do que já é, a minha ação na Secretaria de Planejamento. Sei que muita gente me acha arrogante ou o que o valha. Já que tenho essa fama, acho que vou deitar na cama. Ontem, eu prometi aqui falar sobre o PMCMV. Penso que devo ir além. Há temas em profusão sendo debatidos: onde o PMCMV acerta e falha? Porque exatamente as famílias mais pobres tendem a vender os imóveis recém adquiridos? Vamos continuar discutindo moradia sem discutir a questão fundiária? Em outras palavras: vamos continuar discutindo moradia como a não-cidade? Porque o PMCMV tornou-se um programa periférico? Há alternativa à visão tão estimulada socialmente da 'casa própria'? O que temos a falar sobre o Serviço de Moradia Social, sobre Moradia Social, sobre Bolsa Aluguel, ou seja, moradia como serviço público? Podemos discutir a ideia de 'Locação Social'? Porque as políticas urbana e habitacional permanecem como uma soma de programas alocadores de recursos e não se firmam como políticas públicas? Qual o risco do que se passou a chamar de 'novos rurais' no processo de expansão urbana? Não é hora do sistema ambiental tratar o ambiente urbano no mesmo nível com que trata os diversos biomas brasileiros? E, batendo na velha tecla, os Planos Diretores vão ser reformulados sob novos padrões de controle urbano ou permanecerão como abstrações acadêmicas?

E aí: vocês topam essa parada?

Minas Urgente desta terça

As enchentes deste verão e as tragédias que elas estão produzindo colocaram o debate sobre ocupação do solo urbano na ordem do dia. Na semana passada, eu comentei aqui que havia sido convidado para uma mesa redonda com o jornalista Luiz Carlos Bernardes, o Peninha. Não pude aceitar por problemas familiares. Hoje fui convidado para o Programa Minas Urgente, com o jornalista Paulo Leite, que será gravado e transmitido amanhã [terça-feira, dia 25] às 13:00 na TV BAND. Quem tiver um tempo na hora do almoço, assista!

O programa é interativo. Não sei, portanto, qual será o foco principal. Possivelmente, um de dois: ou sobre a ineficácia dos instrumentos de planejamento e gestão urbana no ordenamento da ocupação do solo ou sobre os problemas pós-tragédia: alternativas para provisão de moradias, bolsa-aluguel, mercado imobiliário para populações de baixa renda etc. A ver...

Consulta Online Grátis

Ramon, essas são as flores que a Tiza queria que você identificasse. Foram fotografadas na fazenda dela [Lagoa da Prata], dentro da mata fechada [dizem que é uma 'floresta estacional semidecidual'], no chão, em meio a folhas secas...

23 de jan de 2011

Quintal Pampulha

O lugar é muito aprazível. Os donos, pra lá de simpáticos: Nivaldo Miranda, um bom papo do lado de cá do balcão; sua esposa Urlenise, uma fera, do lado de lá. Mãe veio passar o fim de semana conosco. Bernardo tinha compromisso, hoje, na Pampulha. Juntando uma coisa a outra, pensamos em visitar o 'Aquário do Rio São Francisco', no Zoológico. Fomos a luta! Em vão: fila quilométrica de carros. Perambulando, lembramos do Quintal da Pampulha. Pimba! Na mosca. Tarde maravilhosa. Fica a dica.

[Entrada]

[Eu e Lu]

[Mãe e Tiza]

[Interior]

[Nivaldo Miranda]

O cardápio tem coisas meio exóticas ou pouco usuais: jacaré, galinha da angola, cabrito, rã, javali, cordeiro e por aí afora. Pedimos, de entrada, tilapas fritas com taioba e angu. Depois, perna de cordeiro com batatas coradas, ervilha e tomate cereja, arroz com lentilhas e cebolas fritas e molho de hortelã. O prato principal por R$82 para 4, na verdade, para 6 pessoas, sem miséria. Para a próxima vez, ficamos de olho no 'capote do quintal' (galinha da angola, arroz de viúva e pirão do próprio caldo. R$74 para 4 pessoas).

Um detalhe que faz toda diferença: o ambiente  de amizade. Eu já havia ido a um aniversário e a um casamento no 'quintal', ou seja, conhecia bem o lugar, a cozinha e sabia onde era. Mas não tinha nenhum relacionamento com os donos. Na hora de pagar a conta, e só aí, o Nivaldo me informou que a máquina Visa com chip não estava operando. Saia justa total?! Nada disso. Passaram-me a conta para depósito e nem se preocuparam em tomar meu nome e telefone. Isso existe? [Sem sacanagem, pessoal: já fiz a transferência...]. Mais uma razão para voltar e recomendar.

Dêem uma olhada no site: http://www.quintalpampulha.com.br/

KOMBInou está KOMBInado...

BH Limpa: um exemplo para Sete Lagoas


'As ilusões do Plano Diretor' [2]

Não pensem que sou contra Planos Diretores. Sou contra Planos Diretores ilusórios que, por sob um pretenso discurso de ordenamento, permite toda sorte de irregularidades.

Sobre a notícia de que Temer e Cardoso vão propor mudanças no Estatuto da Cidade, que já comentei aqui, compartilho neste blog o comentário de Fátima Tardin, no fórum do IBDU:

Caríssimos,
Esta notícia me lembrou uma palestra de Paulo Arantes, na abertura do PPLA em agosto/2010 - Seminário sobre Política e Planejamento, organizado pela Ambiens Cooperativa, em Curitiba, em que se referenciou à entrevista de Ermínia Maricato, da Caros Amigos, para fazer a crítica à expectativa na democracia e na política de participação popular e ao formalismo normativo (Estatuto da Cidade, por exemplo). Equipara o Estatuto da Cidade ao Estatuto da Criança e do Adolescente, destacando o fato de que os dois são referências internacionais mas são o "teto" (utilizando uma expressão da própria Ermínia). Paulo Arantes afirma algo mais ou menos assim:

"Há um formalismo normativo, no qual a realidade social desaparece. Supõe-se um discurso perfeito e ele se engendra e se reformula a si mesmo. Um discurso perfeito que a menor falha que se apresenta para corrigi-lo onde a realidade é indiscernível. O estatuto da cidade é isso!"

Será que esses caras acreditam nisso? não posso admitir tamanha ingenuidade em gente com tantos quiilômetros rodados na política...Quanto aos Planos diretores, como o Jorge Borges, bravíssimo companheiro, militante daqui do Rio de Janeiro, disse:

"Poderiam começar por uma devassa nos planos diretores atuais, não? Quem fez leitura técnica? Sob que condições? Como foram os mecanismos de participação? Como tem sido aplicados os instrumentos todos de controle da especulação imobiliária? Já achariam um monte de prefeitos e vereadores malvados e sem coração que deixaram ocupar áreas de risco..."

Saudações democráticas

PMCMV

O programa federal 'Minha Casa Minha Vida', menina dos olhos da presidenta Dilma, ganhou manchete, essa semana, em razão de vendas irregulares de apartamentos, de calotes, de beneficiários com perfil inadequado de renda e de abandonos de imóveis. Eu vou fazer um post sobre esse tema, a partir da experiência que tive, na Secretaria de Planejamento, Orçamento e Gestão, no licenciamento de projetos vinculados ao programa. Aguardem...

Araquém

Por favor, não deixem de ver a beleza das fotos de Araquém Alcântara, em 'Olhar sobre o Mundo', no Estadão. Apreciem os detalhes cuidadosamente. São impressionantes! Cliquem na imagem abaixo para acessarem:


"Consagrado como fotógrafo de natureza, Araquém Alcântara lança seu 43º livro. Ao todo são 82 fotografias em preto e branco, que segundo o autor, “é uma obra com o máximo de informação e com o mínimo de palavras”. “O livro foi batizado apenas de Araquém Alcântara: Fotografias e reúne instantes de histórias da vida no Brasil”, sintetiza. Fonte: AE"

'As ilusões do Plano Diretor'

Foi noticiado, hoje, que o vice-presidente, Michel Temer, e o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, vão propor mudanças na legislação sobre ocupação e uso do solo, especialmente no Estatuto das Cidades, para evitar problemas como o que aconteceu na região serrana do Rio de Janeiro. Dentre essas mudanças, aventa-se a extensão da obrigatoriedade dos Planos Diretores para municípios com menos de 20 mil habitantes. Eu me pergunto sobre a eficácia disso...

Eu me lembro que, há um ano, quando da tragédia em Angra dos Reis, o professor da FAU/USP e urbanista Flávio Vilaça foi enfático ao afirmar que os Planos Diretores eram inúteis. Numa entrevista à CBN, ele disse que eram formalidades incapazes de interferir, efetivamente, em fenômenos sociais reais, especialmente os relacionados à pobreza urbana e à sua inexorável ocupação de áreas precárias. [A propósito, Vilaça é autor de um livro intitulado ‘As ilusões do Plano Diretor’]. Ao que parece, ele tinha razão: o alarde de 2010 não foi além das chuvas de março, os Planos Diretores continuaram como eram e entre Angra e a região serrana do Rio, de um ano para outro, só mudou o tamanho da tragédia.

Em sintonia com a opinião de Vilaça, há uma percepção geral entre urbanistas de que a safra de Planos Diretores de 2006, impulsionada pela obrigatoriedade legal do Estatuto da Cidade, não construiu nada além de planos no papel, frouxos na execução de seu principal objetivo que é a intervenção concreta na propriedade da terra urbana, na alocação de zonas de interesse social e coisas do gênero. A periferização urbana da pobreza, com baixos níveis de mobilidade, por exemplo, pouco foi alterada.

O caso de Sete Lagoas não foge à regra...

Vamos à pergunta que importa: as mudanças em estudo irão contribuir na eficácia dos planos ou vão apenas obrigar a introdução neles de mais letras mortas? Um ponto crítico: o mesmo Estatuto da Cidade que obrigou a elaboração de Planos Diretores até outubro de 2006, depois até junho de 2008, obriga a revisão de todos eles apenas a cada 10 anos. Ou seja, teremos uma década de planos ilusórios? Por força da lei (e ninguém faz nada que a lei não obriga), só voltaremos a esse tema em 2016 ou 2018?

"Os Planos Diretores fracassaram não só em São Paulo, mas em todo o Brasil e América Latina. Fracassaram não só porque eram falhos, mas porque tomaram os desejos pela realidade".
Paul Singer

22 de jan de 2011

Chico L'Abbate

Eu tomei um susto ao saber, somente hoje, da morte, no princípio do ano, de Chico L'Abbate. Sinceramente, é uma perda que me traz muita tristeza e abatimento. Eu teria incontáveis razões para explicar minha admiração filial e fraterna pelo velho Chico. Mas, ao longo do dia de hoje, me vieram, de forma recorrente, lembranças suas como homem público. A propósito, eu não precisaria dos dedos de uma mão para incluir o Chico L'Abbate como um dos nomes mais importantes da vida pública sete-lagoana. Quando fui secretário, entre 2001 e 2003, havia uma Comissão do Plano Diretor que ele integrava. As reuniões desse conselho, pela sua presença, eram absolutamente gratificantes. Mais do que conhecer nossa cidade, ele sabia como ela funcionava. Na discussão sobre uma área, era capaz de lembrar que uma adutora passava por ali; sobre outra, era preciso em descrever seus problemas de drenagem. Para além desse conhecimento, era um mestre em propor soluções. Ainda que sua morte possa ser um descanso, depois de uma longa enfermidade, meu sentimento é de que, para nossa vida comunitária, um frondoso carvalho foi ao chão. É irreparável...

A volta triunfal da 'decoreba'

A notícia tem poder devastador. Arrisca pôr por terra as elogiadas modernidades pedagógicas construtivistas e reerguer os combatidos métodos tradicionais. Pesquisa publicada anteontem na revista 'Science', de autoria do psicólogo Jeffrey Karpicke, comentada em artigo de Hélio Schwartsman, na FSP, deste sábado, comparou o desempenho de voluntários e concluiu: quem estuda pelo método de fixação mnemônica - em bom português, pela velha e boa decoreba - é 50% mais eficiente do que aquele que emprega a técnica do mapa conceitual, que defende que aprender é estabelecer relações relevantes entre ideias. Nada disso: a turma da decoreba foi mais competente tanto na simples reprodução das ideias originais, quanto na construção de inferências e estabelecimento de conexões conceituais.

Só rindo... Meu Deus: nada nesse mundo se sutenta. Deus?! Se cuide!

21 de jan de 2011

Jornal Gerais

[Cliquem na imagem e acessem a matéria]

Página 3
O jornalista Caio Pacheco fez uma entrevista comigo, essa semana. Na verdade, foi um bate-papo sobre minha situação atual no governo Maroca. O Caio voltou a ser o velho repórter de sempre: sob um estilo pacífico, ele esconde perguntas diretas e retas. Terrível! A entrevista está no jornal Gerais, do nosso amigo Davidson Padrão, que está nas bancas. O jornal tem sua versão digital: http://www.jornalgerais.com.br/.

Página 4
Recomendo que leiam também a cobertura à coletiva do diretor-presidente do SAAE ['Ronaldo Andrade diz que fica no órgão e que Copasa não vem'].

Day 7

O joio e o trigo

Há certa convenção de que quem sai exonerado de um governo deve sair calado. Essa regra me parece válida desde que essa pessoa tenha tido sua honra preservada e que, apenas e exclusivamente, questões políticas tenham sido expostas como motivadoras de sua exoneração. Nessa ótica, acho justa e legítima a manifestação do ex-secretário do Meio Ambiente, Lairson Couto, em defesa tanto de sua honra pessoal, quanto de sua competência como homem público. A forma com que o Lairson foi tratado por parte da imprensa e por parte do mundo político foi sim absolutamente desrespeitosa e merecia resposta. O jornal Sete Dias está de parabéns por ter aberto uma página inteira de sua edição de hoje [página 6 – “Exoneração foi ardilosamente planejada”] para a entrevista do ex-secretário ao jornalista Celso Martinelli.

Aproveito para dizer que tão contundente quanto as palavras de Lairson é, para mim, o silêncio do também ex-secretário Eduardo Betti. Eu conheço as pressões que o Betti enfrentou e passei a ser seu admirador pela firmeza e honradez de suas posições.

Eu não conhecia, pessoalmente, nenhum desses dois senhores e os tenho, hoje, como bons amigos.

Por fim, aproveito a última parte da entrevista do Lairson [‘Sem Rancor’, quando ele agradece ao prefeito e a amigos, empresários, políticos e eleitores pelo apoio que recebeu], para chamar a atenção para um fato: o de que não se deve generalizar críticas e propagar derrotismos. Quando a repercussão da ação de determinados grupos políticos e empresariais, objetivando sobrepor seus interesses privados inconfessos ao interesse público, é exacerbada, a percepção que se cria é que em Sete Lagoas as coisas não têm jeito e que ninguém tem apreço pela cidade. Acaba-se por fazer da exceção a regra, o que não é correto. Eu tenho conversado e sempre conversei com muitos empresários, jornalistas, cidadãos comuns, políticos, profissionais liberais e não tenho dúvida de que eles formam uma maioria de homens de bem. Talvez o que falte é que essa extraordinária maioria compromissada com a cidade, no jogo de pressão que caracteriza a política, faça valer de forma mais incisiva o seu ponto de vista.

Despedida da Disa

[Putz! Esse blog está virando uma coluna social. Maura Lúcia que se cuide...]

Ela é sensata demais pra idade que tem. Se havia alguém com capacidade de fazer leituras políticas precisas, instantâneas e muito maduras, na Prefeitura, era a Ana Luisa. E mais: tinha enorme capacidade de posicionar-se de forma corajosa, no ambiente sempre nebuloso e de interesses cruzados que caracteriza o poder público, em que as pessoas tendem a não se posicionarem nunca. A Prefeitura perde, mas Sete Lagoas ganha. Livre para desenvolver seus projetos sociais e culturais, Disa ainda vai nos dar muito trabalho!

20 de jan de 2011

De: Flávio | Para: Claret

Em comentário na postagem sobre o Sítio Roberto Burle Marx, nosso amigo Claret indagou-me sobre as árvores da Praça Barão do Rio Branco, a praça da Prefeitura:

"[...] Uma pergunta: como está a praça da prefeitura com relação as árvores antigas que havia ali? Faz muito tempo que não a visito. Lembro que uma vez (uns 25 anos atras) questionei um secretário da prefeitura (creio que de meio-ambiente) porque pensavam cortá-las ou podá-las (podar até as raizes, claro)".

Para matar as saudades do Claret, vão aí algumas fotos. Sugiro ao nosso guru Ramon Lamar que faça considerações sobre a vegestação da praça e seu estado de manutenção. Perdoe-me, Claret, mas sobre isso não abro a boca ou não teclo uma letra. De minha parte, deixo aqui apenas três comentários, provavelmente contaminados pelas minhas melhores lembranças da infância, quando aquele espaço era o nosso quintal: [1] acho que o traçado antigo era muito mais bonito; [2] acho horrível o piso em retalhos de ardósia, além de impróprio; e [3] acho uma tristeza a utilização das bordas da praça para estacionamento...

Ramon, está aí o texto sobre intersetorialidade

Tempos contraditórios: a integração de políticas públicas, sob o elegante termo ‘intersetorialidade’, é a coisa mais falada e menos praticada no governo, qualquer que seja ele.

Enquanto se faz a apologia desse conceito, as políticas seguem sendo formuladas de forma absolutamente verticalizada. Comandos disparados do topo da burocracia prevêem sistemas, conselhos, planos e fundos setoriais, em todas as instâncias, com baixíssima capacidade de interação horizontal. Nada contra o avanço democrático que tantos conselhos propiciam; tudo contra a contribuição que eles dão à cristalização de políticas isoladas e autônomas.

Ninguém conversa com ninguém. A saúde tem o SUS, a assistência social o SUAS, a cultura tem seus agentes e pontos. Multiplicam-se estruturas, recursos humanos, recursos materiais, tudo em paralelo. Todo mundo sabe que, isoladamente, nenhuma política dá conta do recado, mas continua nadando em raia própria. Deseconomia e ineficácia.

Um exemplo: uma das teses correntes na área social é de que é necessário acompanhar as famílias do Bolsa Família e ajudá-las a fazer escolhas dentro de um conjunto de produtos sociais e geradores de renda. Quem se atrever a por no papel, descobrirá que essa tarefa consumirá um exército de assistentes sociais. No entanto, ao lado, no mesmo território, tem um exército de branco que visita as mesmas famílias: os agentes das equipes de saúde da família. Integração zero. Ou quando há, apenas na ponta, como solidariedade da tal burocracia de nível de rua que precisa se virar para resolver problemas dramáticos.

No topo não há integração. A integração está no chão, no território. Mas aí é preciso rever a noção de território. Hoje, utilizam-se conceitos meramente administrativos. Para o SUAS, território é um lugar abstrato com 5.000 famílias, para o SUS, tantas famílias quantas podem ser cobertas por uma equipe de ESF ou PSF. O governo não enxerga o cidadão individualizado com a sua história de vida; enxerga no mesmo cidadão vários indivíduos em função de cada um de seus problemas.

O caminho é recuperar a noção de’ território vivido’ do velho mestre Milton Santos. E sobre esse território real, estabelecer uma regra de convergência entre os vários territórios das várias políticas. E definir coordenações políticas territoriais intersetoriais. Isso abre, a meu ver, perspectivas inovadoras: uma delas a uniformização de indicadores de avaliação. Se em um território a violência, ou a evasão escolar, ou a gravidez na adolescência, por exemplo, apresenta uma incidência maior, esse fenômeno passa a ser um indicador compartilhado, a ser trabalhado na escola, no CRAS, na unidade de saúde. A essa ideia é que demos o nome de ‘Projeto Territórios’, que não conseguimos fazer decolar dentro da Secretaria. Pelo menos, por ora.

Ronaldo Andrade

Estou ansioso para ler, nos jornais de final de semana, a repercussão da entrevista coletiva concedida, ontem, pelo diretor-presidente do SAAE, Ronaldo Andrade. De largada, li apenas o que encontrei nos blogs e fiquei profundamente satisfeito.

Ronaldo pôs uma pá de cal sobre as fofocas que prosperavam sobre a transferência dos serviços de água e esgoto para a COPASA ou empresas privadas. Foi lapidar:  "Essa diretoria tem o compromisso com o SAAE".

Não há qualquer evidência que a COPASA seja capaz de realizar serviços de melhor qualidade do que aqueles que podem ser prestados por um SAAE municipal saneado, capitalizado e profissionalziado. Prova disso é que no ranking das melhores empresas nacionais de saneamento, as autarquias municipais sempre ocuparam a liderança.

Eu conheço Ronaldo desde criança. Fomos colegas e somos amigos. É uma pessoa humana extraordinária, de formação sólida, de integridade de caráter e enorme capacidade de trabalho. Torço muito pelo seu sucesso.

[Fonte: Diário do SAAE]

[A propósito, é obrigatória a leitura da postagem no blog No Prelo - cliquem aqui - sobre o vexame de alguns membros da imprensa local durante a coletiva no SAAE. É revoltante! Parabéns, Marcão, pela coragem da denúncia...]

[Em tempo: recomendo a todos acompanharem entrevista com o Ronaldo, sexta-feira, dia 21, às 12h na Rádio Cultura AM 1420]

Hoje é dia de São Sebastião...