29 de dez de 2010

2011

Eu vou recarregar as energias sob os fogos de Copacabana e, para recuperar o humor e a alegria, "tomar um sol em Copacabana"... Antes, quero deixar para os amigos e amigas deste blog uma mensagem com um pouco de Rimbaud, nas letras poéticas de Neruda:

"Um pobre e esplêndido poeta, o mais atroz dos desesperados, escreveu esta profecia: "Ao amanhecer, armados de uma ardente paciência, entraremos nas esplêndidas cidades". Eu creio nesta profecia de Rimbaud... Sempre tive confiança no homem. Não perdi jamais a esperança. Por isso talvez cheguei até aqui com a minha poesia, e também com a minha bandeira. Em conclusão, devo dizer aos homens de boa vontade, aos trabalhadores, aos poetas, que todo o porvir foi expresso nessa frase de Rimbaud: só com uma ardente paciência conquistaremos a esplêndida cidade que dará luz, justiça e dignidade a todos os homens. Assim a poesia não terá cantado em vão".

[Discurso do Prêmio Nobel]

Lula para Amaro


Fiquei devendo ao Amaro uma resposta sobre suas críticas ao governo Lula. Com a calmaria dos primeiros dias do novo ano e com a maior serenidade permitida a um petista que participou de seu governo, eu prometo cumprir a promessa que lhe fiz...

75.000

Olha aí ao lado, pessoal: ultrapassamos a barreira de 75 mil vistas!

No apagar das luzes

O ano encerra-se na Prefeitura sob a expectativa de uma reforma de secretariado. A reunião do prefeito com sua equipe, na segunda, pedindo que todos pusessem seus cargos à disposição, ganhou as ruas e aqueceu a feira de apostas. Meu nome freqüenta a maioria das bancas.

Eu estou à frente da Secretaria de Planejamento, Orçamento e Gestão há um ano e meio. Nesse tempo, sei, intimamente, que não blefei e fui leal. Aquilo com que me comprometi com o prefeito, procurei entregar. Não pude caminhar na direção do Orçamento Participativo, como queria, mas intensifiquei o diálogo aberto com os conselhos municipais. Corri atrás daquilo que acredito ser o elemento mais transformador na agenda sete-lagoana de hoje: a modernização administrativa da Prefeitura. Negociei um projeto amplo com o INDG e organizei as suas bases contratuais, embora isso tenha sido em vão. Articulei a ‘Central de Projetos’, capacitando servidores com cursos de altíssimo nível técnico, embora também tenha me deparado com algumas barreiras intransponíveis. Cheguei a montar uma ‘sala de situação’ para monitoramento das prioridades de governo, com excepcionais indicadores de que daria bons resultados, embora não tenha reunido força política suficiente para torná-la irreversível. Acordei com o Patrimônio da União a reapropriação pelo município da área da rede ferroviária para construção do Centro Administrativo Municipal e a cessão, à União, de um terreno para a construção de um Centro Administrativo Federal, apesar de não ter conseguido sensibilizar quase ninguém para esse projeto.

Sobretudo, dediquei-me àquilo que me é mais caro: atuar sobre a ocupação territorial de nossa Sete Lagoas. Nesse tema, quero ser franco: sou absolutamente favorável a um ‘choque de ordem’. Acho que vivemos um momento crucial: ou os homens públicos de hoje constroem uma Sete Lagoas para o futuro com qualidade de vida ou, não duvidem, oferecerão aos nossos cidadãos o mesmo que foi oferecido, cruelmente, no passado, às populações periféricas de Ribeirão das Neves ou Betim, por exemplo: muitas indústrias e nenhuma ‘cidade’. Nessa direção, fiz aquilo que muitos duvidaram que eu tivesse coragem de fazer: enfrentei a tarefa de profissionalizar e reestruturar o Departamento de Licenciamento de Obras, ainda que, depois de um trabalho de organização incomum, poucos tenham olhos para ver.

Não é verdade que travei loteamentos, como propositalmente alardeiam. Mas é a mais cristalina verdade que briguei, dentro da lei e de forma transparente, por novos loteamentos com qualidade e com serviços públicos compatíveis. Loteamentos dignos, para cidadãos dignos.

Não me lembro de ter faltado a um debate. De ter negado uma única entrevista. Não me lembro de quantas vezes fui à Câmara Municipal.

Lamento não ter iniciado, este ano, por razões orçamentárias, a revisão do Plano Diretor e a elaboração da nova Lei de Uso e Ocupação do Solo para melhorar o ambiente de negócios na cidade e assegurar condições mais concretas para uma vida urbana mais justa, fraterna, democrática e segura.

Faço um balanço e vejo que a pessoa que eu era e as opiniões que eu tinha em junho de 2009 são as mesmas que sou e tenho hoje, em dezembro de 2010. Se alguma coisa mudou, não fui eu que mudei.

Nesse um ano e meio, confesso que só uma vez me abati: quando dentro do próprio governo envolveram meu nome e de meu pai em intrigas doentias, que foram parar nas páginas de jornais. Governar é muito difícil. Governar qualquer setor público é um desafio. Mas intrigas intermináveis são mais do que difíceis: são demolidoras.

Termino o ano um pouco cansado, mas com a paz necessária e muito ânimo para 2011. Ou parafraseando o poeta, com “a mente quieta, a espinha ereta e o coração tranqüilo”. Se as apostas estiverem erradas, continuarei defendendo, com alento, o trabalho que estou realizando com a minha equipe, absolutamente seguro de que chegaremos aonde planejamos e da contribuição que podemos dar ao governo. Se as apostas estiverem certas, paciência!, terei perdido a batalha, sofrerei com a distância da minha equipe e de nosso projeto comum, mas seguirei lutando, coletivamente, pela construção de uma outra Sete Lagoas possível!

27 de dez de 2010

A intriga da vez

O Diário Boca do Povo, de sexta passada, trouxe a seguinte manchete: ‘SL perde 40 milhões do PAC I correspondentes a 1.000 casas’. Isso é inverídico e merece correção. Por isso mesmo, na manhã de hoje, liguei para o Paredão e combinei, se for o caso, de enviar-lhe um artigo de esclarecimento. O que está se passando?

Um breve histórico
De novo, estamos falando do empreendimento D. Sílvia, da Copermil Construtora Ltda. Em novembro, houve crítica semelhante que esclarecemos através de uma Nota [cliquem aqui]. Portanto, é coisa requentada. Lá, o problema era o licenciamento urbanístico do empreendimento, vinculado ao programa Minha Casa Minha Vida, da competência da minha secretaria e já superado. Agora, o seu licenciamento ambiental, da competência do CODEMA. Em ambos os casos, o problema não está na Prefeitura, numa aventada interposição de dificuldades, mas na instrução incorreta do processo, pela construtora, o que vem impedindo, LEGALMENTE, o licenciamento de forma mais ágil.

Releiam a Nota; ela narra tudo o que ocorreu nesse processo de fevereiro a outubro. Em novembro, a empresa providenciou a adequação do processo, ele foi licenciado, remetido ao CODEMA e entrou na pauta da sua primeira reunião subsequente, ocorrida no último dia 22. E foi retirado de pauta por duas razões objetivas: uma, porque os representantes do CREA e da ASE questionaram a competência do RT Geraldo Guaraci Rodrigues, como engenheiro agrimensor, para assinar projetos de abastecimento de água, esgotamento sanitário e drenagem pluvial, e a falta de RT para os projetos das casas; a outra, porque o projeto de esgotamento não tinha a necessária aprovação do SAAE.

As inverdades
I
Eu estive na CAIXA em setembro e a informação oficial da Gerência Regional de Negócios foi de que já não havia, desde então, recursos disponíveis do PAC I para Sete Lagoas. Eu liguei para a CAIXA, na quinta, quando fui contactado pela jornalista do Boca do Povo, e confirmei essa informação. Ou seja, os processos do PMCMV em andamento, esse e outros, serão incluídos no PAC II, em 2011. Sete Lagoas não perdeu nada.

II
Não são 1.000 casas. O projeto licenciado tem pouco mais de 570 unidades habitacionais.

III
A denúncia feita ao jornal ironiza o CODEMA dizendo que “teria sido gasto o período de 2 horas para discutir a remoção ou não de uma árvore na Rua Teófilo Otoni”, em detrimento do processo da Copermil. É lamentável, mas uma coisa não tem nada a ver com a outra e, seguramente, foi mencionada apenas para desqualificar o Conselho. Eu não respondo pelo CODEMA, mas como seu membro efetivo, presente à reunião, dou testemunho de que foram analisados 5 processos, todos com absoluta responsabilidade: renovação de Licença de Operação para duas estações de rádio base da Claro S/A; apreciação do Projeto de Lei nº 05/2010 que dispõe sobre ruídos urbanos e proteção do bem estar e do sossego público, de autoria do vereador Claudinei Dias; apreciação do Pedido de Providência do vereador Euro Andrade para poda ou corte de árvore imune de corte pela Lei nº 6.602/2002; concessão de Licença Prévia para o Centro de Estudos III Milênio Ltda – Faculdade Ciências da Vida; e concessão de Licença Única para o Residencial D. Sílvia I, da Copermil Construtora Ltda.

Comentário final
Em novembro, o disse-que-disse foi de que a intenção da crítica era me derrubar. Agora, o papo é o mesmo, ainda que o assunto nem seja mais da minha alçada... Minha posição: (a) Eu tenho uma linha de ação que é clara e pública. Cabe ao prefeito, a qualquer tempo, avaliar a conveniência ou não da continuidade da minha participação em sua equipe. Isso precisa ser visto com tranqüilidade e naturalidade; (b) Não tenho nenhuma relação com a Copermil, portanto, não tenho motivos nem para favorecê-la, nem, MUITO MENOS, para prejudicá-la. Ainda mais com relação a um programa federal que é importante para SL. [Mesmo porque, até onde sei, a obra da mesma empresa, de 377 casas, que licenciamos no começo do ano, só tem recebido elogios]; (c) Todos os processos relacionados ao PMCMV tem sido tratados de forma equânime na minha secretaria. Minha equipe pode atestar isso. (d) Não posso responder por problemas técnicos de um empreendimento, nem desse, nem de qualquer outro. O que eu posso fazer é agir com racionalidade, evidenciando onde estão os problemas e orientando soluções. Prova disso é que, independente dessa névoa de críticas infundadas, eu me reuni, com esse objetivo, com o dono da Copermil em novembro e voltei a falar com ele hoje. Tenho agido assim com todos os empreendedores. De forma inconteste, esse processo só não foi licenciado, não apenas agora (no CODEMA), mas também antes (na Secretaria de Planejamento), e com mais celeridade, por deficiências que só o requerente pode equacionar...

Eu não sei a quem servem essas críticas. Não vejo ganhos para o empreendedor, não vejo ganhos para a cidade. O DLO e a Secretaria de Planejamento têm licenciado diversos processos de parcelamento de solo, dentre eles o da CODEMIG, o Goiabeiras do Dr. Geraldo Machado, o Pousada do Sol da Rocholi, todos dentro da lei e todos sem nenhum blá-blá-blá...

24 de dez de 2010

Natal!

Sem quê nem pra quê passamos a nos ver aqui. Na volta pra casa, alguns ainda dão uma passada no Ramon. Outros chegam de lá e trazem notícias. Há quem estique o dia n’O Prelo, troca um dedo de prosa com a turma do Colcheia e ainda bate ponto aqui ou ali. Outros tantos levam e trazem notícias do Busu. Mesmo quando todos parecem ocupados com o novo point arrasa-quarteirão do Dalton, tem sempre os intermináveis que arranjam tempo para um último poema na Cidda, uma olhada na exposição nova no Quim ou no Leo. Ou vice-versa. Tem hora que o Brigidis lança um papo novo que monopoliza a clientela. Ou o Galo perde e vai todo mundo falar de futebol no Chico Maia. É isso. Sem quê nem pra quê passamos a circular por mesas imaginárias, em copos-sujos imaginários, de uma Sete Lagoas imaginária. Quantos somos não sabemos. Sabemos apenas que não somos iguais, que não pensamos as mesmas coisas, que não lemos os mesmos livros, que não vemos os mesmos filmes, que nem sempre gostamos dos mesmos assuntos. Que somos complexos, múltiplos e diversos. Erráticos às vezes. Convictos outras. Mas que temos um pequeno ponto de contato: um desejo impreciso de participar de uma comunidade de sentidos, sentidos amplos, sem nenhuma obsessão em acharmos o nosso mínimo denominador comum. Ou, quem sabe, mais que isso, talvez tenhamos uma vontade difusa de construirmos projetos coletivos, mundos novos comuns que sejam capazes de nos abrigar com as nossas incongruências e com as nossas verdades. De construirmos identidades, não uma, mas várias, que espelhem nossas ideias e utopias, mesmo que deformadas.

Se Natal mais do que nascimento é renascimento, mais do que inovação é renovação, mais do que afirmação é confirmação, mais do que partida é perseverança em caminhar, eu quero desejar a todos os amigos deste blog, para os cristãos e não cristãos, que se renovem em todos o incansável espírito da curiosidade que nos põe à disposição do novo, a inconformidade que nos coloca em movimento, a dúvida que nos abre à opinião do outro e o respeito e a tolerância que nos permitem a convivência fraterna e plural.

Bom Natal para todos!

23 de dez de 2010

Força, José!

Todas as nossas melhores energias para José Alencar, nosso vice-presidente, que passa, mais uma vez, por um momento crítico em sua longa luta contra o câncer...

O ministério de Dilma

Em números
Por gênero: 28 homens e 9 mulheres;
Por partido: 17 do PT, 6 do PMDB, 2 do PSB, 1 do PP, PCdoB, PR e PDT e 8 ‘sem partido’;
Por estado (estado de nascimento dos ‘sem partido’ e estado de vida política dos partidários): 9 de SP, 5 do RJ, 5 do RS, 5 da BA, 2 do MA, 2 do DF e 1 de SE, ES, CE, MG, PE, AM, PR, RN, SC.

Mentiras ou Verdades
I
Alguns jornais e analistas estão afirmando ser um ministério técnico. O Pablo Pacheco também parece achar isso. Não concordo. Dos 8 ministros ‘sem partido’, 6 ocuparão cargos que, não necessariamente, mas quase sempre, são vistos como’ técnicos’ (AGU, BC, CGU, GSI, SECOM e MRE); apenas 2 ocuparão ministérios ‘políticos’ (MINC e MMA). E nos ministérios ‘políticos’, não vejo mais do que 2 outros nomes que sejam técnicos. Acho dentro do padrão, inclusive com a mesma distribuição partidária.

II
Há um quase consenso de que é um ministério lulista. Não chego a discordar, mas tenho algumas interpretações pra isso. A principal: Dilma nunca teve carreira política e, portanto, não tem um grupo político de origem. As pessoas que ficaram conhecidas como sendo próximas da presidenta, como Erenice Guerra e Graça Foster, ela as conheceu já em Brasília. Ou seja, Dilma não tinha de onde prospectar nomes de sua confiança senão de dentro do governo de que participou.

III
Outro comentário: o PT cresceu. Em número, é mentira, manteve o atual; em valor político, aí acho que sim, já que ganhou 2 ministérios de peso: Saúde e Comunicação.

IV
Mais um: Dilma não cumpriu a promessa de ter 1/3 de ministras mulheres. Verdade, mas que ela triplicou o número atual, triplicou...

V
Por último: é um ministério paulista. Não acho que seja bem isso, mas quase isso. A linha de frente é mesmo paulista (paulista e petista...). Mas chama a atenção, também, a força da Bahia, do Rio e do Rio Grande do Sul. E do poderoso estado do Maranhão, claro! E o descrédito de Minas...

[Cliquem na imagem para ampliar]

22 de dez de 2010

Dilma anuncia mais cinco ministros


"A presidente eleita Dilma Rousseff anunciou nesta terça-feira mais cinco nomes para compor sua equipe de ministros. Entre eles está o de Luiz Sérgio Nóbrega de Oliveira, deputado federal do PT-RJ, que substituirá Alexandre Padilha na Secretaria de Relações Institucionais. O secretário de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco, Fernando Bezerra Coelho, assumirá o Ministério da Integração Nacional. O general José Elito Carvalho Siqueira assumirá o comando Gabinete de Segurança Institucional. Leônidas Cristino comandará a Secretaria de Portos e o ministro Jorge Hage continuará à frente da Controladoria Geral da União".

Ou seja, Ciro Gomes pulou fora e nenhum novo mineiro pulou dentro...

20 de dez de 2010

Uma leva de nomes

A presidente eleita Dilma Rousseff divulgou mais uma leva de nomes, nesta tarde. Alguns já bem previsíveis como a permanência do Adams na AGU e do Negromonte do PP no MCidades. Eu, pessoalmente, tive algumas surpresas. Sobre a Tereza Campello no MDS não propriamente uma surpresa, porque já vinha sendo comentado. Mas não deixa de ser curioso observar que um ministério que vinha tendo uma condução política, passa a ter uma ministra 100% técnica. Sobre o Padilha, achei que ele tivesse um perfil eminentemente político: foi assessor do Mares Guia na SRI; depois assumiu a titularidade da pasta. Achei que ficaria aonde está, mas acabou na Saúde [!]. Outra, a permanência do Orlando Silva no Esportes. Todos os portais, até há pouco, davam como certo o nome da ex-prefeita de Olinda. Por fim. a irmã do Chico Buarque na Cultura. Achei que a história de colocar um mineiro lá, ou uma mineira, para equilibrar mais o jogo regional, fosse colar. Não colou. Minas, o PT de Minas e toda a base lulo-dilmista mineira seguem com apenas um representante, que não chega a ser um consenso geral, o Pimentel...

Os já indicados:
- Advocacia-Geral da União: Luís Inácio Lucena Adams
- Agricultura: Wagner Rossi (PMDB)
- Banco Central: Alexandre Tombini
- Casa Civil: Antonio Palocci (PT)
- Cidades: Mário Negromonte (PP)
- Ciência e Tecnologia: Aloizio Mercadante (PT)
- Comunicações: Paulo Bernardo (PT)
- Comunicação Social: Helena Chagas
- Cultura: Ana de Hollanda
- Defesa: Nelson Jobim (PMDB)
- Desenvolvimento, Indústria e Comércio: Fernando Pimentel (PT)
- Desenvolvimento Social: Tereza Campello
- Direitos Humanos: Maria do Rosário (PT)
- Educação: Fernando Haddad (PT)
- Esportes: Orlando Silva (PC do B)
- Fazenda: Guido Mantega (PT)
- Justiça: José Eduardo Cardozo (PT)
- Meio Ambiente: Izabella Teixeira
- Minas e Energia: Edson Lobão (PMDB)
- Pesca: Ideli Salvatti (PT)
- Planejamento: Miriam Belchior (PT)
- Previdência: Garibaldi Alves (PMDB)
- Relações Exteriores: Antonio Patriota
- Saúde: Alexandre Padilha (PT)
- Secretaria de Assuntos Estratégicos: Moreira Franco (PMDB)
- Secretaria Especial de Promoção da Igualdade Racial: Luiza Helena de Bairros
- Secretaria-Geral: Gilberto Carvalho (PT)
- Trabalho: Carlos Lupi (PDT)
- Transportes: Alfredo Nascimento (PR)
- Turismo: Pedro Novais (PMDB)

Uma leva de confraternizações...

Dezembro exige resistência. Na sexta, dei um pulo na festa dos gabinetes dos vereadores Dalton, Renato e Tristeza. No sábado, no aniversário de 19 anos do jornal Sete Dias. Ontem, foi o dia do parabéns pra você para o Jayme, meu irmão. E hoje, a confraternização da Secretaria.

Dois comentários. Um sobre o Sete Dias. O que seria de nós sem o Sete Dias, ao longo de quase duas décadas? Um trabalho fantástico conduzido pelo Chico e pelo Julinho, por onde já passou e passa jornalistas de primeira qualidade. A tarefa é árdua, mas é muito honroso para todos nós sete-lagoanos ver, e ler toda sexta, que ela segue em frente com tamanha persistência e competência. Parabéns a toda turma do jornal, especialmente, aos frequentadores deste blog, o Celsinho Martinelli e o Renato Alexandre...

Outro, sobre a nossa festa, no final da tarde desta segunda. Foi uma festa tão bacana, tão alegre que eu a fiquei observando como uma ironia: engraçado, é exatamente essa a turma do DLO que anda sendo objeto de críticas eternas e eternamente intolerantes. Com toda dificuldade, duvido que haja pessoas melhores para realizar o trabalho de reestruturação que estamos implantando. [E foi muito bom ver o Luizinho entre nós; ele que dirigiu o departamento por tanto tempo, e encontra-se, agora,concluindo o processo de restabelecimento de sua saúde. Legal isso!]

18 de dez de 2010

Ausência

Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.

[Carlos Drummond de Andrade]

João

1970. Será esse o ano? Nós chegamos a Ouro Preto ao cair da tarde. A neblina, o cheiro de madeira e o entardecer me enchiam o coração de reservas. Eu tinha uns dez anos. Ou menos. Ele estava feliz. Ao longo da viagem, desde Sete Lagoas, ele me contou histórias da juventude. Eu só escutei. Estava um pouco encabulado. Pai inventou a viagem na última hora e me tomou de companhia. Eu precisava ir com uma roupa melhor e meu sapato era velho e me apertava. Eu fui me esforçando para tornar meus sapatos invisíveis. A casa de tio Zé de Castro tinha um mirante, tipo um sótão ou uma água furtada. Ficamos hospedados lá. Acho que foi a primeira vez que viajamos só nós dois. Da janela eu via o paço, o chafariz ao lado e o cinema à frente. Entramos, nos arrumamos e saímos. Fomos a pé até a Casa dos Contos, logo adiante, depois da ponte. Ele me tratava como gente grande e eu me sentia como gente grande. Entramos num salão com cadeiras iguais a de uma sala de jantar fingindo que compunham um auditório. Não me lembro de nenhuma outra criança. O ar era solene e me emudeceu. Bateram palmas quando apresentaram um tal padre Mendes, depois uma tal Condensa Nascimento e Brito, do Jornal do Brasil, depois mais outros tais, e mais palmas quando falaram de Tristão de Athaíde, que dava nome ao grêmio literário, e de cuja existência eu tinha acabado de tomar conhecimento, durante a viagem. Era um homem muito claro, gordo e simpático. Eu misturo as lembranças dessa viagem com outra, quando tinha uns 18 anos, quando, de novo, fomos a Ouro Preto para os 40 anos do GLTA. Mas sei que foi nessa primeira aventura que saímos da Casa dos Contos e fomos, um grupo, a um bar, a uma dessas cantinas ouro-pretanas. Fazia frio. Sentado bem ao lado de pai, eu ouvi, ouvi e ouvi e não disse um ‘a’. Às vezes riam, às vezes falavam baixo. Ouvi falar de uma revolução, de uma ditadura e de pessoas sumidas. Embora eu me atemorizasse um pouco com o tom obscuro da fala, do lugar e da noite, sei lá porque, eu me sentia feliz. Acho que era porque, naquela noite, eu me senti uma pessoa importante. Como nunca tinha sido antes e nunca mais conseguiria ser depois. Lembro da volta pra casa. Trôpegos, vagarosos, boêmios, cheio de conversas um com o outro. Ele me conduzia com a mão no ombro. Acho foi aí que selamos uma amizade que durou uma vida inteira...

Saudades, meu velho!

17 de dez de 2010

Underground

É uma tragédia. Os lugares são impróprios, os temas são impróprios, os personagens são impróprios, mas é uma história de amor. Ou melhor, são histórias de amor. Em meio a garimpeiros no interior do Pará, muita zona e puta, calor e mosquito, religião, pedofilia, agiotagem, maucaratismo às pencas, Marçal Aquino faz caminhar em paralelo, sem nenhuma linearidade, a narrativa de um amor platônico com outra de um amor devasso, voraz e instável. 'Eu receberia as piores notícias de seus belos lábios' (Companhia das Letras, 2005) é de tirar o fôlego.

Ah! E o cara ainda me inventa um filósofo chamado Benjamin Schianberg, cujo livro 'O que vemos no mundo' chega a enganar e enganar bem. Parece verdade. É o livro de cabeceira do personagem principal de Aquino, de onde ele retira ensinamentos como "o segredo não é descobrir o que as pessoas escondem, e sim entender o que elas mostram" ou "queremos o que não podemos ter, o que diferencia uma pessoa de outra é quanto cada uma quer o que não pode ter" e por aí afora...

16 de dez de 2010

'O cara'

Portal Folha:

"O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai encerrar os oito anos de mandato com aprovação de 87% da população brasileira. Segundo pesquisa CNI/Ibope divulgada nesta quinta-feira, 80% dos brasileiros fazem uma avaliação positiva do governo.

[...]
 
O presidente continua com melhor aprovação no Nordeste. A pesquisa mostra que 95% da população da região tem avaliação positiva de Lula e 86% avaliam o governo como ótimo ou bom. O pior desempenho está na região Sul, onde a aprovação do presidente é de 80% e a do governo, de 75%.

A pesquisa foi feita entre os dias 4 e 7 de dezembro. Foram entrevistados 2.002 eleitores maiores de 16 anos, em 140 municípios. A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos".

Bons amigos de Brasília

Eu fui a Brasília, nesta quarta e quinta, a convite, para reunião com o secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Rômulo Paes, e acabei participando, na noite de ontem, da festa de confraternização do ministério. Boa oportunidade de rever bons amigos...

[Da esquerda para a direita: Ronaldo Coutinho (secretário de Articulação para Inclusão Produtiva), Onaur Ruano (secretário executivo adjunto), Valdomiro Sousa (chefe de gabinete), Maria Luiza Rizzotti (secretária de Assistência Social), Rômulo Paes, ministra Márcia Lopes, eu, Crispim Moreira (secretário de Segurança  Alimentar e Nutricional, que já nos visitou em SL) e Luziele Tapajós (Secretária de Gestão da Informação). Naturalmente, eu entrei nessa foto de gaiato, como representante da 'velha guarda'...]

[Simone Albuquerque, diretora de Gestão do SUAS, ministra Márcia Lopes e eu, o penetra...]

Que absurdo é esse?

Deu no Hoje em Dia:

Gate encontra artefato explosivo em prédio de Sete Lagoas
O produto tinha potência suficiente para explodir em um raio de até 10 metros de distância

Amanda Paixão - Repórter - 16/12/2010 - 08:07

Um artefato explosivo foi desarmado na noite dessa quarta-feira (15) pela Polícia Militar (PM), em Sete Lagoas, Região Central de Minas Gerais. O produto, que tinha potência suficiente para explodir em um raio de até 10 metros de distância, foi encontrado na sala de um prédio do Serviço Autônomo de Água e Esgoto de Sete Lagoas (SAAE).

Um segurança do edifício ouviu barulhos na parte elétrica em um dos maquinários da empresa e chamou um eletricista. Quando ele examinava a fiação, um objeto parecido com uma banana de dinamite caiu. Pouco depois, o chefe de segurança acionou a polícia.

Os militares do Grupo de Ações Táticas (Gate) evacuaram o prédio e isolaram o quarteirão. Após algum tempo, eles conseguiram desarmar a bomba. Um técnico do Gate afirmou que o artefato é conhecido como powergel (emulsão explosiva).O técnico afirmou, ainda, que qualquer pessoa em um raio de 10 metros morreria e a estrutura das casas seriam comprometidas caso a bomba explodisse. A polícia suspeita que a pessoa que colocou o artefato tenha conhecimento da área e tenha acesso a empresa. As câmeras do olho vivo podem ter flagrado o criminoso. A Polícia Civil irá investigar o caso.

[Cliquem aqui e leiam uma cobertura decente sobre o assunto no blog do Ramon Lamar]

Isto é justo?

Foi aprovado, ontem, quarta, dia 15, pelo Congresso Nacional, o reajuste dos salários de parlamentares e do presidente em mais de 60%, o que eleva o atual salário de R$ 16,5 mil para R$ 26,7 mil, a partir de 2011.  Todos os representantes mineiros votaram a favor, inclusive o sete-lagoano.

Minha pergunta: é justo uma categoria ter poder de reajustar o próprio salário?


Enquete no Portal Terra, até a manhã desta quinta, com pouco mais de 50 mil votos, estava apontando 93,33% de repúdio...

[Cada dia eu me convenço mais daquela tese: políticos eleitos deveriam, condicionalmente, ter o salário reajustado pelo mesmo índice concedido para aumento do salário mínimo, os filhos deveriam frequentar escola pública e toda a família deveria utilizar os serviços de saúde do SUS...]

O site Petição Pública está fazendo um abaixo-assinado contra esse aumento. Quem quiser assinar, clique aqui.

Bi-campeão


Até o final do ano, a CBF deverá homologar a decisão de reconhecer a Taça Brasil como Campeonato Brasileiro. Com isso, o Cruzeiro passará a ser, de direito, o que já é de fato: bi-campeão. Mais: a decisão fará justiça a uma das melhores seleções nacionais de todos os tempos: Neco, Pedro Paulo, William, Procopio, Piazza e Raul; Natal, Tostão, Evaldo, Dirceu Lopes e Hilton Oliveira, comandandos por Airton Moreira. Esse time bateu o Santos, em 1966, por 6 a 2, no Mineirão; e por 3 a 2, em pleno Pacaembu.

14 de dez de 2010

[...]

O ano terminando, tudo começando a ficar meio acelerado, a melancolia rondando, tudo por fazer, a semana iniciando já meio atropelada... e a próxima já é Natal.

Colorado dá vexame no Mundial

Mazembe 2 x 0 Internacional

4:25 - Tatuagem sobre uma cicatriz urbana

A BHTRANS, a SUDECAP e a PBH fizeram, há tempos, uma intervenção viária no acesso à Avenida Prudente de Moraes pela Avenida do Contorno que se tornou uma cicatriz urbana. O caso é tão bizarro, tão urbanamente agressivo que já foi matéria de várias reportagens de TV, a última delas do MGTV, deste sábado, que ouviu opinião de especialistas como a urbanista Jurema Marteleto Rugani. Consenso geral: um horror! A intervenção pouco alterou o trânsito no local e, em contrapartida, desfez uma casa modernista, desfez uma esquina tradicional e, no lugar disso, deixou uma ruína. Isso mesmo: uma ruína. E uma promessa de uma praça...

O prédio ao lado dessa estupidez é onde Tiza, minha mulher, tem escritório. O projeto de reforma deste prédio é dela e tem gerado um resultado muito bacana. Mas o mais bacana mesmo foi ela ter proposto a um grupo de artistas grafiteiros fazer uma pintura enorme na parede que divisa com a ruína. Sensacional! É a arte combatendo o desleixo urbano... A sequência de fotos, da 4E25, está no flickr. Cliquem aqui e acompanhem o projeto em desenvolvimento. Imperdível!

Memória roceira

Quando éramos meninos, a 'Cooperativa', na Praça da Prefeitura, era ainda um laticínio ou uma leiteria, não sei o melhor nome. O leite era vendido à granel, se é que à granel se aplica bem a líquidos. Ou seja, o leite não vinha embalado e era vendido na quantidade desejada pelo freguês. Havia um medidor instalado no tanque de leite: quando se movia a trava, o recipiente de vidro enchia um litro, quando se movia novamente a trava, ele descarregava o leite na vasilha do comprador. Tudo isso à vista de um enorme painel com temas da roça: uma velha choupana, galinhas, carro de boi, caminhos de terra, um lago, cercas..., pintado por Expedito Silva, em 1963. Hoje, me lembrei desse painel e fui até lá vê-lo. E o reencontrei intacto, ainda que com a visão prejudicada pelas divisórias do, agora, escritório...


Programa do Gamela


Daqui a 15 minutos, eu serei o entrevistado do Edvar Gamela, no Programa Frente a Frente, na Rádio Eldorado....

12 de dez de 2010

Minas vai mesmo pagar o pato...

Eu comentei aqui que gostei das indicações iniciais da presidenta eleita. O grupo econômico (Mantega, Miriam e Tombini) e o grupo palaciano (Palocci, Gilberto Carvalho etc.) me soaram bem, apesar do paulistismo desvairado... Os passos seguintes, confesso, nem tanto. Tenho ótima impressão do José Eduardo Cardozo: vejo-o como um parlamentar jovem com um perfil ideológico claro e gostei de sua indicação para a Justiça. Ainda que seja mais um paulista. Talvez possa dizer o mesmo sobre o Patriota. Eu o conheci superficialmente porque ele foi chefe de gabinete do Amorim, por um tempo, no meu tempo. E manter quadros de carreira na chefia do Itamaraty, como é o caso, me parece correto. Até aí tudo bem. Mas quando veio o bloco do PMDB, sem rancores!, tomei um susto. E acho que há, de fato, razão para sustos. A pasta do Turismo, por exemplo, que ganhou um enorme valor estratégico com a Copa 2014 e as Olimpíadas 2016, será dirigida por um deputado maranhense do baixo clero com 80 anos? Esse é o melhor perfil? [O Turismo será apenas depositário de emendas parlamentares, algumas escandalosas como a que está nos jornais sobre a Inbrasil ou assumirá um papel de destaque econômico?]. Outro exemplo: o poder de Sarney foi contabilizado como valendo três vezes o de Minas Gerais, com dois ministros maranhenses e o favorecimento que lhe dá a indicação do Garibaldi Alves [Garibaldi na Previdência?!]. Ele vale mesmo tudo isso?

O destino do PT de Minas
Dois anos desastrosos. Minas 2008: o PT estava à frente da PBH, com uma seqüência de quatro gestões bem sucedidas de Patrus a Pimentel e com enormes chances de fazer o sucessor. Tinha esses dois nomes como potenciais futuros governadores. Tinha o vice-presidente da República; e um vice nada decorativo. E tinha 5 ministros em pastas, a maioria, estratégicas. Minas 2010: Numa aventura tresloucada, o PT perdeu a PBH. Neste domingo, perdeu até a presidência da Câmara de Vereadores e qualquer assento na mesa diretora. Perdeu não só o governo do Estado como as duas vagas ao Senado para a oposição. E terá um único ministro no governo Dilma, não na cota mineira do partido, mas na cota pessoal da presidenta eleita. [Pimentel chega a Brasília com sua tese de 2008 posta no chão, como derrotado ao Senado, como abatido na coordenação da campanha presidencial pelos paulistas e premiado com um cargo de consolação, muito aquém de sua história pessoal].

Na campanha, na voz ganhadora de Dilma ou na perdedora de Serra, Minas era o fiel da balança. Para onde Minas pendesse, diziam ambos, penderia o resultado. Com isso na cabeça, a direção nacional do PT não teve dúvida em subordinar o projeto mineiro ao projeto nacional. Se isso fosse bem engendrado seria aceitável. Mas foi um desastre às avessas. E deixou sinais simbólicos: o PT perdeu em Belo Horizonte, seu reduto histórico, no 1º turno; e não passou de um empate com o PSDB no segundo... Ainda assim, Minas pendeu para Dilma e Dilma ganhou no Brasil. Sem a lambança feita, Minas teria sido mais enfática. Da forma que foi, colheu muita perda, para quase nenhum ganho próprio. Nem  no novo governo...

O PT de Minas está agora com uma tarefa árdua: terá que reconstruir sua unidade, com suas próprias lideranças e com sua própria militância...

Os limites do ativismo político nas redes sociais

Se vocês não leram, leiam! 'A revolução não será tuitada', na Ilustríssima, deste domingo, de Malcolm Gladwell, com tradução de Paulo Migliacci. [É isso mesmo, Ramon: eu continuo lendo a FSP nos finais de semana e ainda encontro alguma coisa que vale a pena ler. Você acredita?!]

O interesse de Gladwell, no seu longo texto, é provar que as redes mundiais não estão reinventando o 'ativismo social'. Dentre outros, ele toma como contra-ponto a campanha pelos direitos civis nos EUA dos anos 1960. Um paralelo renitente utilizado por ele é o caso ocorrido numa lanchonete de uma loja Woolworth's, em Greensboro, na Carolina do Norte. Um caso de racismo. Com base nele, ele afirma que o elemento central de insurreições são sempre os 'vínculos fortes' entre os seus atores, no caso os quatro negros que pediram um café naquela lanchonete que não atendia 'crioulos';  'vínculos fortes' que os encorajou a se exporem ao risco. Segundo Gladwell, nas redes sociais não há risco e os vínculos são frouxos. Diz mais: que ações de alto risco precisam ser hierarquizadas. Ele chega a ser picante nos exemplos. Vai um aí: depois de elogiar aspectos de flexibilidade e adaptabilidade das redes, ele afirma que "há, no entanto, muitas coisas que redes não fazem direito. As montadoras de automóveis, sensatamente, usam uma estrutura de rede para organizar suas centenas de fornecedores, mas não para projetar carros (...)". Ao final, [quase] ironizando a bíblia do movimento das redes sociais ('Here comes everybody', de Shirky), que narra um caso de um smart-phone esquecido em um banco de taxi e recuperado graças à mobilização gerada na rede, Gladwell chega a ser mau. Dois trechos: um, 'os instrumentos de redes sociais estão aptos a tornar a ordem social existente mais eficiente. Não são inimigos naturais do status quo. Se, na sua opinião, o mundo só precisa de um ligeiro polimento, isso não deve lhe causar preocupação. Mas se você acredita que ainda existem lanchonetes por serem integradas ao mundo, essa tendência deveria incomodá-lo"; outra, 'um mundo feito de redes e vínculos fracos é bom para ajudar gente de Wall Street a recuperar celulares das mãos de garotas adolescentes. Viva la revolución'.

Impiedoso, não?!

No radar

Coloquem na radar: 'Oportunidade para um Pequeno Desespero', de Nikolaus Heidelbach, com seleção e ilustração de 26 narrativas e trechos dos diários de Franz Kafka. Martins Fontes, 120 págs. R$42.

Cancún

A opinião mais esclarecedora que ouvi sobre a Conferência  do Clima, em Cancún, encerrada neste sábado, após o desastre de Copenhague, foi de que ela teve o mérito de não deixar o trem descarrilhar. Ela instituiu um fundo de US$100 bi para apoio aos países em desenvolvimento, interessou-se em criar mecanismos para redução de desmatamentos em países tropicais (o que responde por 15% das emissões e é a forma mais barata de combater o efeito estufa), mas não conseguiu mexer uma vírgula no essencial: converter os EUA e a China para o caminho do bem e pactuar a sequência do Protocolo de Kyoto...

Wikileaks

Qual a opinião de vocês sobre toda essa história da 'Wikileaks'?


A melhor frase sobre o tema nos jornais do final de semana dizia mais ou menos o seguinte: 'não sei se sou anti-Wikileaks, mas tenho certeza que sou anti-anti-Wikileaks'. A frase é boa... Pelo menos uma coisa é fato: a Wikileaks mostrou que o governo americano é a maior central de fofocas do mundo. Mais: tem mostrado o padrão de banalidades que vem movendo as grandes decisões mundiais. Veja as de hoje: o Wikileads expôs que Vaticano foi o principal opositor da entrada da Turquia na União Européia por ter uma maioria muçulmana; tem base? Expôs também as tramóias do Vaticano para impedir depoimentos de eclesiásticos nas investigações de pedofilia; santo isso não?!

A nuvem negra sobre esse tema parece, entretanto, estar se deslocando das revelações, em si, da Wikileads para o controle, pelo governo americano, da rede mundial. Na cabeça da burocracia ianque, o problema não está nas próprias falhas de segurança dos dados que ela entende como confidenciais, mas na sua divulgação na internet. O primeiro movimento foi - diga-se, de passagem, inútil - bombardear os sites que recebem doações pró-Wikileads, como o da Mastercard e o da PayPal, e desalojar o site 'maldito' da Amazon. Ou seja, o que se vê é que Washington concluiu que a rede está fora de controle e anda dando sinais de que estuda formas de colocá-la sob controle. Em bom português: lá vem censura...

BH, 113

Hoje é a cidade de BH que faz aniversário. Cliquem aqui e vejam duas homenagens interessantes n'O Tempo Online: a primeira, uma colagem de detalhes múltiplos que conformam uma rua fictícia; a segunda, um mosaico de fotos de BH vistas pelas janelas dos leitores e enviadas voluntariamente ao portal.

Essa aí é uma foto belorizontina 'by Lu':

11 de dez de 2010

Noel, 100


Nesse dia 11, dia dos arquitetos, comemora-se o centenário de Noel Rosa...

+166

Ademg providencia inclusão de cadeiras e garante Arena pronta para a Libertadores

Diretor geral da autarquia diz que cadeiras já estão no estádio, obras para inclusão são simples e serão feitas até janeiro, deixando a Arena à disposição do Cruzeiro.

Esta é a boa nova do dia no Superesporte do Portal UAI. Cliquem aqui para lerem...

Qatar


A fantástica camisa 'limpa' do Barça, na qual só se via o escudo, a marca da Nike e da UNICEF, pela primeira vez, trará também a marca de um patrocinador clássico: a Qatar Foundation. Os comentários dão conta de que foi o 'melhor acordo da história do futebol'. Nada como uma crise, como a que varre a Europa e a Espanha, para acabar com velhas e boas tradicões...

Putz! Fernanda Torres escreve como ninguém

Impressionante o talento da moça. Como atriz, até Cannes já sabia, mas como escritora é novidade...

Eu acompanhei e adorei os artigos que ela escreveu sobre a campanha eleitoral; hoje, foi a vez de lê-la no caderno Ilustrada da Folha, onde ela passa a escrever aos sábados, dividindo a contracapa com o médico Drauzio Varella. Ou seja, teremos a oportunidade de conferir seus textos de 15 em 15 dias...

Na estreia, em 'Gênesis', ela recomendou a leitura da Bíblia com o auxílio 'luxuoso' de 'José e Seus Irmãos', de Thomas Mann, e, do que ela demonstrou gostar mais, de 'Gênesis' do artista americano Robert Crumb. As suas menções à 'volúpia dos traços', às 'taras', à 'devoção às curvas apetitosas das filhas de Eva' de Crumb foram ostensivas. Fica como sugestão de leitura...


[Sobre Crumb, segundo o site de vendas submarino.com.br: "Símbolo da contracultura nos anos 1960, Robert Crumb (1943, Filadélfia, Estados Unidos) lançou, no fim de 2009, "Gênesis" - uma versão em quadrinhos do mais antigo livro da Bíblia. Para produzir a obra de 210 páginas, o cartunista se dedicou, por mais de quatros anos, aos estudos religiosos. Agnóstico declarado, antes de adaptar o livro do Gênesis para os quadrinhos Crumb já havia transposto obras de Franz Kafka, Charles Bukowski e Philip K. Dick. Entre os títulos publicados no Brasil, estão "Kafka de Crumb", "Fritz", "The Cat", "Mr. Natural", "Mr. Natural Vai para o Hospício" e "Minha vida". Crumb já vendeu quadrinhos com a mulher, na época grávida, pelas ruas de São Francisco, colaborou com o roteirista Harvey Pekar nos anos 1970 e foi tema do documentário "Crumb", lançado em 1994 pelo diretor Terry Zwigoff. Em parceria com a esposa Aline Kominsky, produziu quadrinhos autobiográficos publicados pela New Yorker e reproduzidos no Brasil pela revista piauí. Vive com a família no Sul da França desde 1991."]

Arquivo Brasília

Os artistas Lina Kim e Michael Wesely estão lançando, nesse final de semana, o livro 'Arquivo Brasília', pela Cosac Naify. É um 'ambicioso trabalho de catalogação e restauração de fotografias históricas da cidade'. 'São mais de 1.400 fotos, em preto e branco e em cores, que registram desde as primeiras expedições do então presidente Juscelino Kubitschek à região, em 1956, até a inauguração da capital, às 16 horas do dia 21 de abril de 1960' [Cliquem aqui para lerem mais a respeito].

Família - Território - CRAS

Saindo da rotina sete-lagoana, fiz uma palestra, hoje, sobre o tema 'Família - Território - CRAS' para o curso de especialização em 'Política de Assistência Social e Gestão do SUAS', da Faculdade Pitágoras, com transmissão para diversos pólos do estado, inclusive Sete Lagoas, pela Escola Satélite.

Para a reflexão proposta, como em outras oportunidades, eu me referenciei nos resultados dos estudos que desenvolvi para o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome sobre o espaço físico do CRAS. Uma coisa, digamos, meio arqueológica: a partir da organização espacial do CRAS, do testemunho físico que ele nos oferece, eu procuro discutir como, na prática, a política tem considerado os conceitos de 'família' e de 'território'.

O divertido dessa vez foi a experiência de dar uma aula com transmissão em rede. Você tem que observar uma série de procedimentos (transitar apenas dentro de um espaço determinado, coberto pelas câmaras; aproximar-se do monitor sempre que vai se dirigir à apresentação; não voltar as costas para as câmaras; não virar excessivamente o rosto para não distanciar a fala do microfone na lapela etc...) que obriga a um desempenho que não fazia parte do negócio. Vivendo e aprendendo...

10 de dez de 2010

'A literatura salva'

[Cliquem na imagem e leiam nosso segundo artigo no site do vereador Dalton Andrade]

8 de dez de 2010

Governo municipal: o desfecho da série

Eu havia me proposto a uma série organizada de postagens sobre o governo municipal. Não precisamente sobre o governo em si, mas sobre minha participação nele ou minha visão dele. A coisa começou seqüenciada, mas foi atropelada pela realidade. No final, o DLO que daria lugar a um post, deu lugar a dois, a três, a quatro... e os temas à frente, alguns deles, perderam o sentido ou o time. Se a coisa desandou, então, é hora de por um ponto final na série.

Minha próxima tarefa era falar sobre o que ando fazendo no governo. Vou falar disso, mas vou aproveitar para dar uma limpada na praia. Quero responder a algumas perguntas que, aqui e ali, vira e mexe, me são feitas e responder a alguns comentários que ficaram sem resposta, um deles sobre a contratação do INDG. Vou falar numa perspectiva pessoal porque essa é a motivação deste blog.

O que NÃO ando fazendo
Falar sobre o que não estou fazendo ajuda, às avessas, a focar o que estou fazendo. Algumas pessoas vêem a minha secretaria como sendo a coordenadora das ações gerenciais do governo e cobram dela esse resultado. Isso não é verdade. Essa era a ideia inicial, em maio de 2009, quando pactuamos, eu e o prefeito, a minha vinda para o governo. Mas isso, de fato, nunca ocorreu seja pela dinâmica própria do governo, seja pela natureza das relações internas entre secretarias e secretários. Reconheço, com naturalidade, que as minhas últimas incursões nessa direção foram todas mal sucedidas. Aproveito, então, para responder a um anônimo que me perguntou sobre o INDG. Uma dessas incursões foi na direção, que longamente debatemos aqui, da ‘modernização administrativa do governo municipal’. Minha proposta era que isso se desse via contratação do INDG (consultoria para aumento de arrecadação, melhoria do gasto e reforma administrativa por processo). Pessoalmente, não acredito em modernização global da prefeitura por força endógena; acho que é preciso um motor de inovação externo. No período entre maio e julho de 2010, eu organizei todo o processo para contratação do INDG, mas, de julho a novembro, ele não foi licitado. Em dezembro, foi arquivado. E, ao que se vê, a realidade orçamentário-financeira para 2011 não é muito animadora para projetos dessa espécie. Uma segunda incursão foi na direção da montagem da ‘central de projetos’. Promovemos dois cursos de imersão, de alta qualidade, para diversos servidores municipais. A ideia era fomentar uma ‘cultura de projetos’. A tendência hoje, entretanto, é que a visão ‘central’ não vingue, prevalecendo a visão 'descentralizada'. Uma terceira incursão foi a estruturação de uma ‘sala de situação’ para monitoramento das prioridades do prefeito. A ideia era boa, a estratégia mostrou ter enorme potencial, mas não angariou o apoio político necessário. Nesse contexto, minha participação na gestão municipal, do ponto de vista intersetorial, tem se concentrado, na realidade, na gestão do orçamento. Essa é a contribuição efetiva que a secretaria tem podido dar. Ponto. De forma mais ampla, a coordenação geral do governo tem sido exercida diretamente pelo prefeito, junto com o secretário da Administração e o da Fazenda, o que é uma solução razoavelmente comum...

O que ando fazendo
Minhas prioridades relacionam-se, hoje, a administrar bem o meu quadrado:

Prioridade 0 – Concluir o processo de reestruturação do DLO, fazendo dele uma vitrine de gestão profissionalizada, competente, transparente, impessoal e eficiente, no curtíssimo prazo (incluem-se aí: revisão do arcabouço legal do Departamento, especialmente da Fiscalização, desenho e racionalização das rotinas de todos os procedimentos, proposição de concurso público, proposição de lei de regularização de construções etc.);

Prioridade 1 – Promover a revisão do Plano Diretor e a elaboração da nova Lei de Uso e Ocupação do Solo, até julho de 2011;

Prioridade 2 – Continuar, sistematicamente, a evoluir no planejamento e na gestão orçamentária;

Prioridade 3 – Desenvolver o ‘Projeto Territórios’, que proponha uma reorganização territorial do município, como lócus de integração potencial das várias políticas públicas.

Perguntas que quero responder
Eu quero concluir essa postagem respondendo a três perguntas que andam me rondando: uma, se eu estou voltando pra Brasília; outra, se eu sou candidato a alguma coisa; e a última, se eu saio do governo numa eventual reforma de secretariado. As respostas são não, não e não sei. E esclareço que só trago pra cá essas perguntas e as respondo para reforçar minha posição de que meu foco é a gestão pública sete-lagoana.

Sobre Brasília, tive, tenho e continuarei tendo agendas lá. Estive lá há dez dias atrás e volto nos dias 15 a 17 próximos. Nesse caso, deixo claro que não sou o interlocutor da Prefeitura junto ao Governo Federal e, apenas e tão somente, cumpro algumas agendas pontuais, umas, relacionadas a interesses de Sete Lagoas; a maioria, a convite do MDS. Confesso que já fui consultado para voltar, mas declinei. Meu momento não é esse.

Sobre ser candidato, isso não é assunto que a gente decide. Esse é um tema partidário que sequer foi iniciado no PT. E o mais importante: estando no governo, eu garanto que não tenho nenhuma propensão à deslealdade.

Sobre sair do governo, sei que andam pedindo minha cabeça ao prefeito em razão de interesses contrariados no processo de reestruturação do DLO. Pedir a cabeça de secretários é normal, ser exonerado também é normal.

30 anos sem John...

Viva Voz

[Fotos de Marcelo Miranda]

O Viva Voz, na segunda-feira, 06, sobre 'novas formas e meios de fazer cultura', promovido pelo gabinete do vereador Dalton Andrade e pelo Coletivo Colcheia, nos proporcionou um debate, sinceramente, incomum. Essa é a palavra: incomum. Um debate num padrão de qualidade que não temos feito habitualmente. Eu fiquei preso no trânsito infernal na saída de BH e em grande parte da 040 e perdi as falas iniciais do Dalton, do secretário Fredy Antoniazzi e do secretário adjunto Alan Keller. Mas cheguei a tempo de ouvir o Talles Lopes, do Coletivo Goma, de Uberlândia.

Em resumo: o Talles nos trouxe uma visão de cultura autônoma, nos falou do 'fim do rancor', das moedas alternativas que tem sido utilizadas no circuito 'fora do eixo' (achei isso genial!), defendeu não só a organização mas organicidade do meio cultural. Isso permitiu que tanto o Fredy, como o Alan, como diversas pessoas presentes pudessem, no debate, se colocar numa perspectiva bastante inovadora. Aí veio coisas como a necessidade de uma relação mais profissional entre o mundo cultural e o setor público, de busca de novas formas de financiamento,  da importância de desenvolvimento de bons projetos, da urgência da atualização da lei de incentivo, e por aí afora...

Sendo sincero novamente: se nós não soubermos aproveitar esse momento peculiar em que temos um vereador profundamente comprometido com a questão cultural e jogando o jogo de peito aberto, como o Dalton, e um secretário - e isso vale também para o Alan - como o Fredy, que não apenas tem feito uma gestão extraordinária na secretaria, mas que, ainda, tem a virtude de ser, ele próprio, um produtor cultural, o que lhe permite uma visão ativa, realista, 'sem mofo' de cultura, não sei não...

[Quero parabenizar também as intervenções muito pertinentes da Flávia, que preside o Conselho Municipal de Cultura, do Caio Pacheco, da Ana Luisa, do Paulinho, do Cerradão, do Rogério, do Eduardo, da Jéssica e outros mais. E, claro!, dizer pra Marcão, Marina e a turma do Colcheia, pra Christiane, Lidiane e a turma do Dalton que, nesse rumo, não há quem segure vocês... Show!]

[Cliquem aqui e leiam mais a respeito]

7 de dez de 2010

Arena do Jacaré fora da Libertadores

Por conta de míseras 166 cadeiras, o nosso alçapão não poderá receber jogos da Libertadores. O regulamento do torneio exige que os estádios comportem 20 mil torcedores em partidas até a semifinal e a Arena do Jacaré dispõe de apenas 19.834 lugares. A final tem que ocorrer em estádio para 40 mil espectadores.

Putz! A turma do governo estadual que reformou o estádio não pensou nisso?!

Ô Jacaré!

Do site da Associação dos Amigos do Democrata:

GOLEADO, DEMOCRATA DÁ ADEUS AO ACESSO

Os outros resultados ajudaram, mas o Democrata não fez sua parte e foi goleado por 4x1 pelo Varginha fora de casa. Numa atuação irreconhecível, o Jacaré em poucos minutos já perdia por 3x0. Vale lembrar que nos outros quatro jogos em casa, o Varginha não computava vitória, o que o deixou fora da briga pelo acesso ao módulo II.

[...]
O Democrata terminou o campeonato em quarto lugar. Subiram para o módulo II: Nacional, Patrocinense e Fluminense.

Apesar da campanha ruim, o Democrata teve o maior destaque da competição. O meia Bernard, de apenas 18 anos, foi artilheiro do certame com 14 gols ao lado de Diego Silva (Nacional), tendo feito grandes partidas, mostrando notável regularidade.

6 de dez de 2010

Orgia Picaresca

Ontem, eu só li a Folha e nenhum outro jornal. Eu só queria descanso: a ducha gelada e a sauna do Serra Del Rey e o futebol no final do dia. Nada mais... Mas valeu a leitura do Ilustríssima da Folha: um bom texto de Angela Alonso sobre Joaquim Nabuco ('Nabuco Absoluto'), outro de José Roberto Zan e Marcos Nobre sobre Tom Jobim ('A Canção e a Vaia'), mas, sobretudo, um mais de Álvaro Costa e Silva sobre a literatura de Reinaldo Moraes ('Orgia Picaresca'). Depois de falar de sua trajetória e de seus livros 'Tanto Faz',' Abacaxi' (esses dois em edições esgotadas, mas que devem ser relançados, juntos, pela Companhia das Letras, no início de 2011) e 'Umidade', o artigo focou o seu livro de 2009 (Editora Objetiva) e se derreteu em elogios a ele: 'Pornopopéia'.

Nunca li nada de Reinaldo Moraes, mas, agora, vou ler...

Na trave...

1.
Fluminense é campeão, não tem discussão.

2.
Cruzeiro é vice-campeão. Ou seja, nada. Só nos valeu três coisas: mais emoções, porque um mísero gol a mais ou a menos, até o último segundo, nos daria ou não o caneco; a ida direta para a fase de grupos da Libertadores; e a alegria de ficar na frente do Corinthians, que, no centenário, pagou e não levou...

3.
Esse Brasileirão deixa lições que deviam ser consideradas pelos cartolas, se é que a eles interessa melhorar o futebol brasileiro. Uma: eu sou super favorável ao sistema de pontos corridos, mas acho que ele precisa de ajustes. Um desses ajustes é evitar o que ocorreu ontem: três times sem nenhuma chance na parada, com seus reservas em campo, no meio do caminho de três outros times com chances de ser campeão. O que, na verdade, não aconteceu só ontem, mas nas rodadas finais. Alguém por aí já soprou a solução: empurrar os clássicos regionais para o final. Teria sido mais legal se, ontem, o Fluminense tivesse que sair campeão de um Fla-Flu, o Corinthians de um duelo com o São Paulo e a seleção celeste de uma disputa com as panteras. Quem faria corpo mole? Outra lição: uma revisão no sistema de arbitragem. Isso já foi longe demais, foram erros demais... Se a tecnologia serve para nos transtornar, em casa, com seus tira-teimas, ela precisa, seja como for, por os pés dentro das quatro linhas...

4.
Por falar nas panteras, o final de carreira delas ontem foi maravilhoso...

?Cuántas vidas para un abrigo?

[Ativistas espanhóis contra a matança de animais]

5 de dez de 2010

Sabores de Minas na TV

Eduardo 'Cabeça' foi nosso contemporâneo na Escola de Arquitetura. Hoje, Eduardo Avelar é  chef e consultor gastronômico de sucesso. Ele será o apresentador do Sabores de Minas, que deixa de ser apenas um guia encartado no jornal Estado de Minas para estrear na TV, na Alterosa, aos sábados, às 10:00.

3 de dez de 2010

Florbela

Para os que gostam de Florbela Espanca: dêem um pulo aqui...

Hay dias que no sé lo que me pasa

Ontem eu não estava pra samba. Tem dias que você fica aí entre algum desalento e o desalento total. Sabem como é: o tempo todo é muito por muito pouco. Nessa vida, só certa abstração de um incerto sentido futuro segura a sua onda. Mas, às vezes, o incerto torna-se incerto demais, não é mesmo? Então, você fica aí repetindo como um mantra: se segura, se segura! Talvez por isso eu tenha levantado, hoje, resmungando ‘se orienta, rapaz’; ‘considere, rapaz, a possibilidade de ir pro Japão’... Faz sentido. Ou não. É como a jabuticabeira do Amaro. Faz diferença ou não faz? Em alguns momentos, pra coisa ter nexo não basta você ter fé de que alguém colherá jabuticabas, é preciso ter netos para chupar jabuticabas. Netos metafóricos, pelo menos, que justifiquem sua boa causa. Se é que a causa é boa. Porque, em geral, só se sabe se a causa é boa tardiamente. Por ora, é tudo plantação de ilusões. Sem revoltas. ‘A revolta latente que ninguém vê e nem sabe se sente, pois é, pra que?' Nessa hora, é lei: você, meu amigo, sem respostas pra você mesmo, vai e vem, se esforça, puxa, empurra, assina e carimba, ouve besteira no rádio, lê escracho em jornal, tenta acreditar na ‘luz dentro da pilha’ e jura pra você mesmo que dias melhores virão. Mas é de matar! Fica sempre aquela sombra lhe seguindo, cismada: cara, abre o olho, você está malhando em ferro frio... E contra cismas, nem Deus... Sabe como é: ‘Diz que Deus dará, diz que dá, não vou duvidar. E se Deus não dá, como é que vai ficar, ô nega? Diz que deu, diz que dá, e se Deus negar, ô nega, eu vou me indignar e chega, Deus dará, Deus dará’. Aí lhe vem à cabeça que pode mesmo dar tudo errado. Sabe como é: ‘'Deus é um cara gozador. Adora brincadeira'...

Parabéns, Márcio


Recebi com alegria um exemplar autografado do livro do nosso amigo, o jornalista e escritor Márcio Vicente da Silveira Santos, 'Tiradentes em Sete Lagoas'. Ao que se vê, Márcio dedicou-se a dar sustentação documental e contextualização histórica à presença do alferes em Sete Lagoas e no sertão mineiro.

Eu sou um curioso em história, especialmente da história brasileira, mineira e sete-lagoana. Acho que é uma condição necessária para construção de nossa identidade e do verdadeiro sentido de cidadania. E, sabidamente, sobre a história de nossa cidade, em destaque, há lacunas enormes que precisam ser preenchidas. Nesse sentido, não é a primeira vez que o Márcio vem prestar a sua generosa contribuição...

Quero homenagear aqui o Márcio Vicente, antes mais nada comprometendo-me com a leitura do livro, o que me parece ser a melhor e mais sincera forma de reverenciá-lo.

Se oriente, rapaz


Aí pessoal, 'taí uma boa agenda pra segunda-feira. Saiam do buteco e contribuam nesse debate...

[Sei lá porque me lembrei de Gilberto Gil. Mas já que me lembrei: Se oriente, rapaz | Pela constelação do Cruzeiro do Sul | Se oriente, rapaz | Pela constatação de que a aranha | Vive do que tece | Vê se não se esquece | Pela simples razão de que tudo merece | Consideração...]

2 de dez de 2010

Há males que vem para o bem, há malas que vão pra Belém

No post ‘O que se passou na Câmara hoje?’ nós tivemos 34 comentários; no outro, ‘Help-me’, mais 17. Ou seja, foram mais de 50 sobre o fatídico dia 30. Além de ler todas essas opiniões, li o blog do Paredinha e, especialmente, duas postagens no Jornalismo no Prelo ['Um dia para ser esquecido' e 'Só Deus sabe quem é ateu']. Acho que, com isso, o tema se esgotou e esgotou a todos. Vou apenas fazer uma breve ponderação adicional. Pergunto: quando um problema vem à tona, onde está a novidade? No ‘problema’ ou no ‘fato dele ter vindo à tona’? Em outras palavras: tudo o que aconteceu foi uma excepcionalidade ou, ao contrário, foi a normalidade, excepcionalmente, posta nua na janela?

Sei lá. Minha percepção após a leitura de tudo foi de que se chegou a tal nível de anomia que as regras de organização política da Câmara se quebraram e impuseram um individualismo de sobrevivência. Desarticulados e/ou sem lideranças timoneiras, a saída, para os bons e para os maus, foi um reagrupamento inorgânico, movido pela lógica da captura da última oportunidade, por falta de artigos na prateleira. Sobre determinados relatos, sobretudo sobre quem se aliou a quem, chegou a me ocorrer a ideia da paixão emergencial pelo inimigo, quase uma síndrome de Estocolmo. Aí, nesse caos, ao que se viu, as tradicionais barganhas (por cargos como mencionaram alguns ou por outras vantagens lícitas ou ilícitas, não sei) ficaram sem os tradicionais bastidores para se ocultarem e tiveram que ser lavadas no chafariz público da praça. Afinal de contas, nada mais público do que uma ‘conversa a portas fechadas’ na hora errada e no local errado. Nesse caso, caiu-se naquele papo: os detalhes são irrelevantes; procedente ou não, a suspeita é a verdade. O problema era velho, a novidade foi ter vindo à tona...

Trocando em miúdos: se é fato que a coisa sempre foi assim, apenas em figurino mais elegante, a catarse ‘circense’ de terça não terá sido um mal que vem para o bem? Nesse caso, sem me opor ao Marcão, d’O Prelo, a não ser apenas no título, não será ‘um dia para ser lembrado’ e não ‘esquecido’?

Ou não estamos todos aqui torcendo por mudanças na política sete-lagoana?

Hoje é o Dia Nacional do Samba

Com vocês, logo mais, no Museu Ferroviário, Mestre Saúva!

Eu fui, você foi?

Ótima a festa de lançamento do site do vereador Dalton Andrade!


Três comentários: primeiro, cliquem aqui, dêem um pulo lá e naveguem pelo espaço que o Daltinho nos oferece. É importante ficar atento a um detalhe: o endereço é .com e não .com.br. Não se percam no 'br' porque, senão, vocês irão parar numa imobiliária de Floripa. Anotem aí: http://www.daltonandrade.com/

Segundo, cliquem aqui e vejam as fotos da festa. Quem foi vai gostar, quem não foi vai invejar...

Terceiro: tem um lugar que eu estou torcendo pra deslanchar: o Trovão! [Obviamente, uma homenagem à figura incomum da Isabel Trovão...] Numa roda, ontem, ficamos lembrando dos causos dos 'doidos' de Sete Lagoas. Um bom assunto para o Trovão...

Bom proveito!

1 de dez de 2010

Site de Dalton Andrade


Os sites de políticos pouco variam: são auto-referidos, auto-biográficos e personalistas. O vereador Dalton deu uma guinada nessa história. O site que ele lança, hoje, é um portal cultural. Se ele é a figura central ali, não deixam de ser centrais também as suas bandeiras: a história urbana, o patrimônio cultural, as manifestações populares. Mais: Dalton teve a generosidade de construir um site a várias mãos, com diversos colaboradores. Com muito orgulho, eu fui incluído entre eles para escrever, não sobre política ou gestão pública, mas sobre literatura. O site do vereador Dalton tem a cara dele e do seu mandato. Parabéns!

Recomendo aos  amigos que confiram: o lançamento é hoje, no Opinião, a partir das 19:30. Até lá!