31 de out de 2010

'Três mitos sobre a eleição de Dilma'

Está aí uma leitura necessária. Em Luis Nassif Online [cliquem aqui].

Marcos Coimbra desfaz falsas análises a respeito da eleição da petista.

Enquanto o País vai se acostumando à vitória de Dilma Rousseff, uma nova batalha começa. Nem é preciso sublinhar quão relevante, objetivamente, é o fato de ela ter vencido a eleição, nas condições em que aconteceu. Ela é a presidente do Brasil e, contra este fato, não há argumentos.

Sim e não. Porque, na política, nem sempre os fatos e as versões coincidem. E as coisas que se dizem a respeito deles nos levam a percebê-los de maneiras muito diferentes.

Nenhuma versão muda o resultado, mas pode fazer com que o interpretemos de forma equivocada. Como consequência, a reduzir seu significado e lhe diminuir a importância. É nesse sentido que cabe falar em nova batalha, que se trava em torno dos porquês e de como chegamos a ele.

Para entender a eleição de Dilma, é preciso evitar três erros, muito comuns na versão que as oposições (seja por meio de suas lideranças políticas, seja por seus jornalistas ou intelectuais) formularam a respeito da candidatura do PT desde quando foi lançada. E é voltando a usá-los que se começa a construir uma versão a respeito do resultado, como estamos vendo na reação da mídia e dos “especialistas” desde a noite de domingo.

O “economicismo” – O primeiro erro a respeito da eleição de Dilma é o mais singelo.

Consiste em explicá-la pelo velho bordão “é a economia, estúpido!”

É impressionante o curso que tem, no Brasil, a expressão cunhada por James Carville, marqueteiro de Bill Clinton, quando quis deixar clara a ênfase que propunha para o discurso de seu cliente nas eleições norte-americanas de 1992. Como o país estava mal e o eleitorado andava insatisfeito com a economia, parecia evidente que nela deveria estar o foco do candidato da oposição.

Era uma frase boa naquele momento, mas só naquele. Na sucessão de Clinton, por exemplo, a economia estava bem, mas Al Gore, o candidato democrata, perdeu, prejudicado pelo desgaste do presidente que saía. Ou seja, nem sempre “é a economia, estúpido!”

Aqui, as pessoas costumam citar a frase como se fosse uma verdade absoluta e a raciocinar com ela a todo momento. Como nas eleições que concluímos, ao discutir a candidatura Dilma.

É outra maneira de dizer que os eleitores votaram nela “com o bolso”.

Como se nada mais importasse. Satisfeitos com a economia, não pensaram em mais nada. Foi o bolso que mandou.

Esse reducionismo está equivocado. Quem acompanhou o processo de decisão do eleitorado viu que o voto não foi unidimensional. As pessoas, na sua imensa maioria, votaram com a cabeça, o coração e, sim, o bolso, mas este apenas como um elemento complementar da decisão. Nunca como o único critério (ou o mais importante).

A “segmentação” – O segundo erro está na suposição de que as eleições mostraram que o eleitorado brasileiro está segmentado por clivagens regionais e de classe. Tipicamente, a tese é de que os pobres, analfabetos, moradores de cidades pequenas, de estados atrasados, votaram em Dilma, enquanto ricos, educados, moradores de cidades grandes e de estados modernos, em Serra.

Ainda não temos o mapa exato da votação, com detalhe suficiente para testar a hipótese. Mas há um vasto acervo de pesquisas de intenção de voto que ajuda.

Por mais que se tenha tentado, no começo do processo eleitoral, sugerir que a eleição seria travada entre “dois Brasis”, opondo, grosso modo, Sul e Sudeste contra Norte, Nordeste e Centro-Oeste, os dados nunca disseram isso. Salvo no Nordeste, as distâncias entre eles, nas demais regiões, nunca foram grandes.

Também não é verdade que Dilma foi “eleita pelos pobres”. Ou afirmar que Serra era o “candidato dos ricos”. Ambos tinham eleitores em todos os segmentos socioeconômicos, embora pudessem ter presenças maiores em alguns do que em outros.

As diferenças no comportamento eleitoral dos brasileiros dependem mais de segmentações de opinião que de determinações materiais. Em outras palavras, há tucanos pobres e ricos, no Norte e no Sul, com alta e com baixa escolaridade. Assim como há petistas em todas as faixas e nichos de nossa sociedade.

Dilma venceu porque ganhou no conjunto do Brasil e não em razão de um segmento.

O “paternalismo” – O terceiro erro é interpretar a vitória de Dilma como decorrência do “paternalismo” e do “assistencialismo”. Tipicamente, como pensam alguns, como fruto do Bolsa Família.

Contrariando todas as evidências, há muita gente que acha isso na imprensa oposicionista e na classe média antilulista. São os que creem que Lula comprou o povo com meia dúzia de benefícios.

As pesquisas sempre mostraram que esse argumento não se sustenta. Dilma tinha, proporcionalmente, mais votos que Serra entre os beneficiários do programa, mas apenas um pouco mais que seu oponente. Ou seja: as pessoas que tinham direito a ele escolheram em quem votar de maneira muito parecida à dos demais eleitores. Em São Paulo e Minas Gerais, por exemplo, os candidatos do PSDB aos governos estaduais foram eleitos com o voto delas.

Os três erros têm o mesmo fundamento: uma profunda desconfiança na capacidade do povo. É o velho preconceito de que o “povo não sabe votar” que está por trás do reducionismo de quem acha que foi a barriga cheia que elegeu Dilma. Ou do argumento de que foram o atraso e a ignorância da maioria que fizeram com que ela vencesse. Ou de quem supõe que a pessoa que recebe o benefício de um programa público se escraviza.

É preciso enfrentar essa nova batalha. Se não, ficaremos com a versão dos perdedores.

[Marcos Coimbra é sociólogo, sócio do Instituto Vox Populi e colunista do Correio Brasiliense, Estado de Minas e Carta Capital]

Discursos


Baixando armas
Achei o discurso de Dilma correto. Acho que ela fez quatro coisas essenciais, por mais esperadas que fossem: uma, superar o tom de disputa da campanha a favor de uma fala de estadista. Ela teve perfeita compreensão desse momento, contendo-se, inclusive, nas emoções. Outra, falar para todo o pais, buscar a unidade e estender a mão aos adversários. Mais uma, reafirmar os compromissos de campanha, desenhando a linha dorsal de seu governo. Por último, ser grata aos partidos e às pessoas que estiveram com ela até a vitória. Ao seu modo de pouco carisma, fez exatamente tudo o que devia fazer. [Cliquem aqui para leitura do pronunciamento na íntegra]

Lutando contra o vento
Estranhei muito o discurso de Serra. Fez uma referência sumaríssima a Dilma. Não falou para o país, mas, de forma categórica, dirigiu-se exclusivamente aos seus eleitores, persistiu no tom belicoso da campanha e marcou seu lugar de oposição (alguma coisa como: esse momento não é fim, mas começo, eu não digo adeus, mas até já...) sem nenhuma daquelas tradicionais gentilezas de que será uma oposição construtiva, ainda que crítica. Por pouco, esquecia-se de agradecer seus companherios de jornada. E até o áudio ser cortado não pronunciou o nome de seu vice, nem de seus companheiros de Minas Gerais, tão badalados até ontem. Total falta de grandeza na saída...

Fantástico!

Temos que reconhecer o trabalho fantástico da Justiça Eleitoral brasileira. Recorde atrás de recorde, a cada eleição. São 21:47, menos de 5 horas de apuração, e 99,51% dos votos do Brasil inteiro, das áreas mais urbanizadas e desenvolvidas às áreas mais remotas e inacessíveis, estão contabilizados. Qual outro país do mundo faz isso? Muito legal!

Desta vez, as pesquisas acertaram

Com 97,91% dos votos apurados, o resultado aponta para a média dos resultados dos institutos de pesquisa. No piso, o Datafolha deu 54 a 45; no teto, o Vox Populi e o Sensus, 57 a 43. Deve acertar no alvo o resultado do IBOPE: 56 a 44%.

GloboNews

A cobertura da GloboNews parece um programa fúnebre. Os jornalistas parecem mais interessados em discutir o futuro da oposição, do que as perspectivas do novo governo Dilma. Merval Pereira insiste em enxergar um Serra vitorioso. Parece viúva do Serra...

Dilma Rousseff, presidente do Brasil


Às 20:04, o Tribunal Superior Eleitoral declarou eleita a primeira mulher presidente do Brasil, Dilma Rousseff, do Partido dos Trabalhadores.

Boca de urna 4

O fantasma do não comparecimento parece não ter dado as caras. A abstenção parece ter ficado dentro de um padrão de normalidade. A longo do dia, aventou-se que ela poderia ser maior no Nordeste (prejudicando Dilma) do que em São Paulo (prejudicando Serra), como se projetava...

Boca de urna 3

Boca de urna do IBOPE: 58 a 42% dos votos válidos a favor de Dilma.

Se verdadeiro, esse resultado estará acima do resultado mais favorável a Dilma, divulgado ontem, o do Vox Populi.

Boca de urna 2

Depois de dois meses de campanha, vocês sabem o que pensam, sinceramente, Dilma e Serra sobre o aborto? Vocês sabem o que pensam, sinceramente, Dilma e Serra sobre privatizações? Esta semana, Gilberto Dimenstein, num artigo que em parte concordo, em parte discordo, concluiu com a seguinte frase; "Muita gente podia não gostar do Serra que entrou na campanha, mas sabia quem era ele. O que está, neste momento nos vídeos, é difícil saber. No começo da campanha não sabíamos (e ainda não sabemos) quem era exatamente Dilma. Agora, não sabemos quem é Serra".

Essa é uma segunda marca dessas eleições: 'tornou-se obrigatório tergiversar'.

A profissionalização das campanhas eleitorais, à moda americana, estreou no Brasil junto com a democracia, em 1989. Collor foi o primeiro candidato a dizer não o que pensa, mas o que o povo quer ouvir, como principal estratégia, monitorada por um aparato de marqueteiros e pesquisadores. A presença de Lula nessa eleição e nas 4 posteriores, ou seja, em todas as eleições da nossa recente democracia e a representação em Lula de um projeto que não precisava ser exaustivamente explicado porque ele simbolizava o projeto em si, dissimulou a falta de consistência do debate. Nesta eleição, a primeira sem Lula, Dilma e Serra tiveram de partir do zero para construir uma nova simbologia em torno de cada um. Dilma, para o bem ou para o mal, tinha o patrimônio lulo-petista a defender. Serra ficou com o desafio de enfrentar a estratosférica popularidade de Lula com um discurso de oposição. A meu ver, a tarefa de Dilma tornou-se mais fácil, porque tinha um bote de salvamento em meio a tempestade que se tornou a disputa. Serra acabou tentando usar o mesmo bote, aderindo ao discurso petista, com propostas malucas como 13º para o Bolsa Família, R$600 de salário mínimo e defesa da estatização. Uma convergência acidental? Não: uma convergência movida pela obrigação de dizer apenas o que o povo quer ouvir e não dizer nada que possa contrariar o rumo tomado após o estouro da boiada.

Como ficarão os agrupamentos políticos daqui pra frente se a identidade das ideias já não parece suficiente para agregar ou desagregar?

Valeu, Lula!

Boca de urna 1

Minha sogra vestiu-se, elegantemente, de vermelho e foi votar em Dilma. Minha sogra é mais petista do que eu. Depois, como de hábito, foi à missa dominical. Na prática, o padre, recomendou, dissimuladamente, o voto em Serra. Minha sogra, em protesto e sem dissimulação, levantou-se e atravessou toda igreja até a sua saída.

Essa é uma das marcas negativas que fica desse processo eleitoral: a intromissão das igrejas num assunto laico.

Eu sigo tendo uma visão cristã do mundo, continuo respeitando as igrejas que se preocupam em espiritualizar as pessoas, impregnando-as com o sentimento da compaixão e da solidariedade, para que elas possam praticar, com plenitude de consciência, o atributo mais sagrado que elas tem: a liberdade.

Mas, contrariamente, me torno cada dia mais crítico, em especial, à Igreja Católica, sem generalizar a crítica à toda a comunidade, mas à Igreja como instituição, sobretudo aquela representada pelo papa Bento XVI, por cercear a liberdade de seus seguidores, quando não é capaz de cercear seus próprios e imperdoáveis pecados.

Bom voto a todos!

Não há convencimentos a fazer aqui. Tudo o que podíamos conversar sobre eleições, nós o fizemos, intensamente, nos últimos dias. O leitores deste blog são pessoas de ideias próprias. Isso permitiu um debate entre nós cheio de lucidez e respeito, apesar das diferenças. Hoje, a única coisa que me parece importante é esquecer a campanha que se encerrou, esquecer as críticas circunstanciais que foram feitas e votarmos com alegria. A alegria de quem tem o sentimento histórico de que está ajudando a construir um país democrático. Bom voto a todos!

30 de out de 2010

Balaio de pesquisas


A petista Dilma Rousseff, a depender das pesquisas eleitorais, é favorita a dormir, amanhã, como a 1ª mulher eleita presidente do Brasil. Os resultados, em votos válidos, das novas pesquisas divulgadas hoje são os seguintes:

Vox Populi: Dilma 57 - Serra 43%;
Sensus: Dilma 57 - Serra 43%;
Ibope: Dilma 56 - Serra 44%;
Datafolha: Dilma 55 - Serra 45%.

EU VOTO DILMA 13!

Mandei bem

Dei sangue. O mais importante eu fiz: descolei um empate entre Santos e Internacional, venci com o Vitória, vesti a camisa azul e dei uma pancada no Prudente e sequei as panteras. Hahaha, minha vingança foi malígna! Só não me dei bem com Goiás e Guarani. Mas aí também já era milagre... Quatro acertos em seis apostas. Coisa de craque. Totalmente excelente!

O que interessa: repus a Raposa na liderança, junto com o tricolor carioca, e devolvi o Galo para a zona da degola!

Trabalheira

Hoje, estou totalmente ocupado. Concentração total! Às quatro da tarde preciso descolar um empate entre Santos e Internacional e entrar em campo com a camisa rubro-negra do Vitória para derrotar o Vasco. Às seis e meia, aí a coisa vai pegar: preciso virar dois, três ou quatro. Um para vestir a camisa azul e dar uma pancada no Prudente, outro para secar as panteras, mais um para dar uma mão, ou um pé, para o Goiás e, de quebra, uma força para o Guarani. É muito trabalho para um cara só! Tudo eu, tudo eu!

Minas é Dilma

Dizem que Minas vai decidir essa parada. Tanto isso parece verdade que os dois candidatos vêm, hoje, encerrar a disputa em BH, Dilma em Venda Nova e Serra na zona sul.

Mas parece que Minas já pendeu para um lado, o de Dilma! O Estado de Minas, o órgão oficial de Aécio, trouxe pesquisa, na edição de hoje, que deu 49% a ela contra 32 a Serra, nos votos totais. Nos votos válidos, 61 a 39%. Pendeu mesmo!

Não assisti ao debate...

... e não onsegui colher, até agora, duas opiniões coincidentes. Tem gente que achou Dilma mais objetiva, com mais infrmações na ponta da língua, tem gente que achou que o formato foi de sabatina e não favoreceu o debate real entre candidatos, tem gente que achou que quem devia comentar a resposta do candidato devia ter sido o próprio cidadão que fez a pergunta, tem gente que achou que o debate favoreceu a oposição (Serra) porque quem está no governo (Dilma) tem que ficar se justificando, tem gente que achou as perguntas muito pragmáticas e as respostas muito genéricas, tem gente que achou que foi muito útil para transformar indecisos em entediados.

Pelo jeito, seguiu na linha dos anteriores: pouco útil para formar convicções e atrair votos indecisos. No fundo quem é Dilma acha que ela sempre vai melhor, quem é Serra acha que é ele...

E vocês? O que vocês acharam?

29 de out de 2010

Em casa...

Embora deva saber que o Estado brasileiro é laico, o papa resolveu envolver-se nas nossas eleiçoes, direta e pessoalmente. E decidiu envolver-se no exato momento em que o uso oportunista da religão para ganhos eleitorais vinha se arrefecendo. Talvez o papa devesse ser advertido de que, além de chefe religioso, ele é chefe de Estado e que sua iniciativa é uma intromissão incabível. Se bem que, dado o baixo nível que, vira e mexe, tem marcado essas eleições, o papa vai se sentir em casa. Se tem uma coisa na qual o Vaticano é especialista é em escândalos!

Putz!

Nada na vida é fácil... Para piorar, o Fluminense bateu o Grêmio por 2 a 0! Precisava?!

IBOPE, estabilidade pró-Dilma

Os resultados do IBOPE, divulgados há pouco, aproximaram-se muito dos do Vox Populi. Considerando os votos válidos, a diferença de Dilma para Serra subiu de 12 para 14 pontos (57% para a petista contra 43% do tucano).

Observando os votos totais, a peformance de Dilma também melhorou, indo de 11 para 13 pontos. Nesse caso, Dilma apareceu com 52% das intenções de voto, contra 39% de Serra.

Deus conserve!

Tem dia que cansa...

Eu parei de trabalhar às 22:30. Para encerrar o dia só mesmo uma cerveja, uma cachaça e uma conversa com Pablo, no Aconchego, vendo o especial na TV sobre Adoniran Barbosa....

Ontem, Paulinho ponderou que eu não devia ir ao 'Sem Censura'. Pablo Pacheco teve posição oposta. Eu confesso que estava dividido. Não que eu tivesse ou tenha reservas com o João Carlos. Todas as vezes que estive lá fui muito bem tratado. Mas, intimamente, sabia que, em indo lá, não poderia me furtar a falar sobre o tal 'pó da santa'. Especialmente, depois que o próprio João Carlos, em sua coluna 'Cornetando' n'O Jornal do Centro de Minas', de 16 a 22 deste mês, tratou do assunto, como "a nova definição para o famoso 'por fora', ou seja, o tal suborno". Quero dizer: eu não poderia ir ao programa e deixar de fazer a minha defesa contra a acusação leviana do deputado Márcio Reinaldo de que eu exijo 'pó da santa' para licenciar loteamentos.

Eu peço desculpas ao Paulinho por não querer replicar aqui o que disse lá. Estou sem estômago para ficar ruminando esse assunto vil. Eu estou com 50 anos e uma das poucas coisas que acumulei na vida, como homem comum, foi um nome honrado. E não há pior sentimento do que o de ter que defender a própria honra e o próprio nome em um microfone de uma rádio. Nessas horas, você não é político, você não é homem público, você não é nada além de você mesmo. Para quem tem muito sangue de barata e pouco caráter deve ser divertido; para nós outros essa experiência de falar de si mesmo sobre coisas ditas por quem não lhe conhece, essa auto-exposição são coisas melancólicas.

Falamos também, e longamente, sobre o DLO. Sobre esse tema, eu estou ficando exausto e repetitivo. Quando práticas usuais, legais, obrigatórias, já velhas na maioria das grandes cidades, precisam ser justificadas ad infinitum, como coisas novas, entre nós, então, as palavras vão escasseando e um sentimento de esquizofrenia vai se tornando irrefreável... Haja ânimo!

Defender idéias novas é fácil. Difícil é defender o óbvio!

28 de out de 2010

Ficha limpa vale para essas eleições!

Pra ser direto: isso é o mínimo que o país esperava do STF. E demorou...

"O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu nesta quarta-feira (27) que a Lei da Ficha Limpa vale para as eleições deste ano e se aplica a casos de renúncia de políticos a mandato eletivo para escapar de processo de cassação, mesmo nas situações ocorridas antes da vigência da lei. Diante do impasse causado pelo empate em 5 a 5, os ministros optaram por manter a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre a norma". [g1.com.br]

27 de out de 2010

Sensus e GPP

O Instituto Sensus, que na última safra de pesquisas, apresentou os resultados mais apertados entre Dilma e Serra (com 46,8 contra 41,8%, respectivamente, dos votos totais, ou seja, 5% de diferença - menos da metade da informada pelos demais institutos) deu, na pesquisa divulgada hoje, um salto extraordinário: desses 5% para o triplo, 15,2%! Dilma ficou com 51,9 e Serra com 36,7%. Considerando apenas os votos válidos, o Sensus bateu os 14% do Vox Populi e os 12% do Datafolha, divulgados nesta semana, atingindo 17,2%. Dilma teve 58,6% e Serra, 41,4% dos votos.

[Um detalhe curioso: com 43%, Serra atingiu o maior nível de rejeição desde o início do processo eleitoral.]


Sobre o GPP, sem entrar no mérito, ele passou a ser o único instituto a apontar uma diferença entre os candidatos inferior a dois dígitos. Os seus resultados divulgados ontem [cliquem aqui] deram uma diferença, em votos válidos, de apenas 6,4% (53,2 vs 46,8%). É um resultado que destoa bastante...

Sem Censura

Programa 'Sem Censura', amanhã, quinta-feira, dia 28, às 12:20

Eu acabei de ser convidado para participar, amanhã, quinta-feira, do programa 'Sem Censura', do João Carlos, na Rádio Cultura. Estarei lá ao meio dia. Acho que, em função do horário eleitoral, o programa entra no ar às 12:20.

26 de out de 2010

Direito de defesa

Eu comentei em postagem logo abaixo que teria duas agendas, hoje, que eu estava valorizando muito: mais uma entrevista no programa 'O Povo no Rádio', da Musirama, e a oportunidade de participação na Reunião Ordinária da Câmara, ambas para defender e prestar contas do trabalho meu e de minha equipe no DLO.

Tanto em uma, quanto noutra oportundidade, eu saí com um sentimento muito claro. O de que, na área pública, quando se deseja fazer um trabalho inovador, comprometido com o interesse público, o problema não está, exatamente, nas críticas que você recebe, mas na dificuldade em fazer a sua defesa, de prestar esclarecimentos e de prestar contas de seu projeto. Quando essas oportunidades se apresentam, é possível estabelecer um debate em nível elevado, com contribuições críticas e, mais, é possível construir, ainda que informalmente, um consenso em torno de pontos fundamentais. Eu tive essa percepção tanto junto aos ouvintes da rádio, quanto com respeito aos vereadores e à platéia presentes na Câmara.

Eu não tenho dúvida de que a pressão sobre mim e minha equipe vai perdurar. Menos acirrada, talvez, mas não menos constante. Há interesses comerciais em jogo e ninguém brinca com isso. E quanto maior o interesse, quanto maior a capacidade de articulação do interessado, maior a pressão. Óbvio! Sobre isso eu digo, com humildade, que me sinto preparado. Sinceramente, essa pressão eu acho sustentável, desde que me seja dado, sempre, o direito de contrapor, de elucidar os fatos e defender a minha equipe. O jogo silencioso de bastidores, esse sim é inaceitável. Mesmo porque é escuso na origem. Sendo novamente sincero, a pressão mais irresistível para mim é outra: é aquela da própria consciência, da auto-cobrança no sentido de não ser injusto, destacadamente, com a população mais pobre, aquela para quem a sua casa é resultado de uma vida de luta e de um esforço extraordinário.
Em todos esses aspectos, hoje, creio que demos um bom passo. Espero que ele seja estimulador para mim e para a minha equipe do DLO e da Secretaria de Planejamento, Orçamento e Gestão.

Vamos treinando...

Com o final do processo eleitoral, estou, praticamente, em pânico. Sabem como é: depois de meses com esse monotema infestando a cabeça, o risco de ficar sem assunto para postar no blog é altíssimo. Aquela história: a gente vai se acostumando, relaxa e, quando aciona novamente, descobre que a criatividade não está mais lá e foi para as cucuias.

Vou tratando, então, de me previnir, esquentar os tamborins e ir treinando para a hora que tiver que voltar para a gravidade... Vamos lá!

Ensaio #1
Assunto relevante: o polvo Paul, o oráculo da Copa, faleceu, hoje. Paul acertou 100% de suas apostas e deixou o mundo em estado de graça. Afinal de contas, se eu e você não temos certeza de nada, Paul tem! Melhor, tinha! Paul faleceu de causas naturais. Melhor assim...


Ensaio #2
Boa notícia! Motivo de várias reivindicações e protestos de usuários e moradores de suas proximidades, trecho da BR-040, compreendido entre Ribeirão das Neves e Contagem, na Grande BH, será contemplado com quatro passarelas, garantindo mais segurança tanto para pedestres quanto para motoristas. Além disso, a estrada, até Sete Lagoas, deve ser revitalizada, ganhando asfalto e sinalização novos.

Quem vive de lá pra cá sabe o tamanho do problema. É inaceitável o risco a que estão expostos os moradores da região ao transporem a BR, sobretudo no trevo de Neves e próximo ao Bairro Liberdade [Para saberem mais cliquem aqui].

Datafolha, desta noite de terça: mais estabilidade

Pesquisa Datafolha, que acabou de ser divulgada no Jornal Nacional, praticamente crava seus resultados sobre os da pesquisa anterior. Os votos válidos para Dilma e Serra, nesta ordem, permaneceram inalterados: diferença de 12 pontos: 56 a 44%. Já quanto aos votos totais, a diferença aumentou, dentro da margem de erro, de 10 para 11 pontos. Dilma caiu de 50 para 49% e Serra de 40 para 38%.

Comparando-se esses resultados com os do Vox Populi, de ontem, duas percepções curiosas: uma de que há estabilidade demais nessas pesquisas. Sinal de que os votos estão mesmo muito consolidados. Outra de que é de se atentar para o fato de que, em ambas, os dois candidatos perderam votos. Sinal de quê? De exaustão?

A conclusão final é aquela óbvia: um quadro estável, a cinco dias do pleito, é excepcional para quem segue à frente e horrível para quem está atrás...

Há pesquisas e pesquisas

Segundo o Blog do Noblat, sai hoje pesquisa de um instituto novo: o GPP. Três comentários, antes de conhecer os resultados, mas que dão uma boa pista sobre o que se terá pela frente:

(a) O GPP foi contratado por Índio da Costa (DEM), o vice de José Serra (PSDB) [Comentário: nada de errado nisto...];
(b) O candidato chegou a antecipar parcialmente o resultado (portanto, ele deve lhe ser favorável...), ontem, apesar de o prazo de carência para divulgação só se encerrar nesta terça [Comentário: isso é infração legal...];
(c) É a primeira pesquisa que o GPP divulga desde o começo da campanha, portanto, é incomparável. Não há série histórica para avaliar nada [Comentário: é um problema. Não dá pra avaliar a credibilidade do instituto e da pesquisa. Se com relação aos institutos conhecidos já há desconfiança, imagina com relação a esse...];
(d) "Índio explicou que o motivo de fazer isso é contestar os resultados dos outros institutos e motivar a militância. Ou seja, é um legítimo instrumento de propaganda de sua campanha". [Comentário: esculhambação de vez. Se, assumidamente, é um instrumento de campanha, devia ter sua publicação proibida. Pesquisas pra consumo interno são pra consumo interno...].

Resumindo: a coisa não está me cheirando bem... Lá vem rolo!

Inutilidades

Não sei, a esta altura da história, com um processo eleitoral saturado, em que as pesquisas mostram que os votos já estão, razoavelmente, decantados, qual o efeito ou o sentido ou a utilidade de debates, da forma como eles estão ocorrendo...

Eu estava trabalhando e perdi o primeiro bloco do debate da Record. Pelo visto, não perdi nada. Os dois blocos seguintes que assisti não me pareceram, em nada, elucidativos. O 2° bloco, por exemplo, começou com uma pergunta do Serra sobre petróleo e terminou sem que esse assunto saisse de pauta. A pergunta da Dilma sobre emprego foi solenemente ignorada. Na verdade, cada um fixou no que quis, ouviu o que quis, respondeu o que quis e enxergou a realidade, a sua realidade, como quis... E mais, pôs na conta do outro os defeitos que bem quis.

As palaras utilizadas, os termos empregados, os tons de voz preferidos, os temas escolhidos já são todos rigorosamente conhecidos. Inteiramente inútil voltar a ouví-los... As escolhas já estão feitas.

25 de out de 2010

Feijoada do Blog

Em função das eleições e do feriado no próximo final de semana, a proposta é remarcarmos a Feijoada do Blog para o sábado seguinte: dia 06/11/2010, no mesmo horário e no mesmo local.

Vamos então a uma nova chamada geral... Quem estiver de acordo, especialmente o nosso chef de cozinha, favor comentar a seguir. Vamos lá!

Governo municipal 13D: prestando contas sobre o DLO

Amanhã, terça-feira, dia 26, eu terei duas oportunidades de voltar a defender o trabalho que estamos desenvolvendo à frente do Departamento de Licenciamento de Obras.

09:00 às 10:00 - 'O Povo no Rádio', na Rádio Musirama, de Geraldo Padrão.

15:00 às 16:00 - Reunião Ordinária da Câmara Municipal, por convocação dos vereadores Dalton Andrade e Euro Andrade.

Quero informar, aqui, uma novidade sobre esse trabalho: antecipamos a disponibilização pela internet dos processos já analisados, conforme duas categorias: processos finalizados e processos com pendências. A expectativa é que essa consulta entrasse no ar em novembro, mas já está disponível a partir de hoje, dia 25. O aplicativo está em fase de homologação e, inicialmente, será atualizado a cada 24 horas. Na sua versão final, ele será atualizado em tempo real e trará também uma linha do tempo, informando sobre a tramitação dos processos, ou seja, onde cada processo se encontra no momento da consulta. Para acessar, basta ir ao site da Prefeitura (http://www.setelagoas.mg.gov.br/) e clicar, sequencialmente, em 'Serviço ao Cidadão' e 'DLO'. Vejam que, hoje, existem 149 processos liberados e 476 com pendências que precisam ser equacionadas pelo requerente.

Vox de hoje: estabilidade

Se havia um papo de que o caso 'bolinha de papel' havia ampliado a vantagem de Dilma sobre Serra, a coisa ficou mesmo só no papo. Os resultados do Vox Populi, divulgados agora há pouco, mostraram uma estabilidade total com relação à pesquisa anterior. Considerados os votos válidos, a diferença de 14 pontos pró-Dilma manteve-se rigorosamente a mesma: 57 a 43%. Com relação aos votos totais, ambos perderam pontos, dentro da margem de erro, reduzindo a diferença de 12 para 11 pontos: Dilma foi de 51 para 49 e Serra de 39 para 38%.

Nesta altura do campeonato, estabilidade é bom pra Dilma e péssimo para Serra...

Reta final

Entramos na reta final da campanha. À frente, dois debates e um cipoal de pesquisas. Todos os institutos têm divulgações programadas de resultados, esta semana. Alguns, mais de uma. Segundo consta, hoje tem Vox Populi.

[Recorte sobre foto de capa da FSP, obtida a partir de Luis Nassif Online]

Acho que o clima, nas ruas, tende a se acalmar. Depois das bolinhas de papel, rolos de fita crepe e balões d'água, todo mundo viu que a coisa tinha ido longe demais. Os sinais andam sendo mais amistosos. No Rio, nesse final de semana, ambos os candidatos fizeram campanhas sem agressões mútuas das torcidas. O presidente demorou, mas também decidiu recomendar juízo a todos. Na verdade, ninguém sabe quem ganha e quem perde no meio da estupidez. O ambiente está muito sensível e a repercussão de qualquer movimento, aos olhos do eleitor, é sempre imponderável. A tendência é de se reduzir os riscos.

Nas redes sociais na internet e na TV, ao contrário, acho que a temperatura deve se elevar. Aí ninguém morde, só late. Todos têm a liberdade de dizerem o que quizerem, mas também a graça divina de lerem só o que lhes interessarem. A coisa é mais democrática... Seguramente, no facebook e no twitter, vai-se ter uma overdose.

Mais do que os debates, já muito previsíveis, acho que as pesquisas darão o tom da semana. Mais um ou dois resultados na linha atual de crescimento de Dilma levará à tradicional serenidade de quem está ganhando e abatimento do adversário. A propósito, já há sinais disso nos jornais... Ao contrário, qualquer risco de convergência dos números põe fogo no circo.

Tem gente que ainda acredita em uma 'bala de prata', de última hora. Acho pouco provável. Está todo mundo exausto, a maioria com voto decidido e já sem ânimo para dar atenção a marolas...

Sem aposta

Hoje tem debate na Record | 23:00

Quando eu apostei que o debate seria um show de amenidades, deu combate. Quando eu apostei em um embate feroz, deu pura burocracia. Não sei o que vai dar, hoje, um debate nesse horário nobre das 23 horas.

24 de out de 2010

Ufa!

Suei! Evitei o vexame, mas não consegui impedir a derrota...

[Agora, escrevam: vocês nos tiraram a liderança. Isso não se faz. A minha vingança será maligna: já, já, devolvo vocês para a zona da degola...]

O movimento dos votos

Por Marcos Coimbra em Luis Nassif Online:

[...]

"Fazendo as contas: se praticamente todo o voto que Dilma e Serra receberam está mantido, se as flutuações entre eles se compensam, se nenhum dos dois tem a ganhar com alterações nos brancos e nulos ou mudanças nas abstenções, Serra precisaria receber quase integralmente o voto de Marina para equilibrar a disputa.

Até o momento, não é isso que se vê".

Recrudescimento do preconceito

Eu não queria voltar a esse assunto de eleições, 'bolinha de papel', baixarias, mas vou voltar...

Não vou fazer nenhuma defesa insana do PT. Acho que ele contribuiu, em parte, para esse clima beligerante, especialmente no caso do 'grave' incidente com o Serra. Achei lamentável sim a fala do presidente sobre isso. [Acho que ele tem direito de fazer campanha, mas não podia perder o limite e perdeu]. Concordo com as críticas à imposição de uma aliança em Minas que não funcionou e que todo mundo sabia que não ia funcionar e por aí afora...

Mas, cá entre nós, eu não vi, até o momento, nada produzido, diretamente ou indiretamente, pelo PT para agredir o Serra e o PSDB. Vocês viram? Não vi cartilhas assinadas pela Igreja contra Serra, senão apenas contra Dilma. Não vi panfletos apócrifos, ridículos, ao estilo TFP, contra os tucanos, somente contra o PT.


E apenas lendo os jornais diários e revistas semanais deste sábado (sem querer ir além dessas edições de ontem e sem querer envolver na crítica mais geral da postura ideológica da grande imprensa que, em alguns casos, chegou a declarar apoio a Serra), como negar que eles estão agindo, curiosa e exatamente, nessa reta final da campanha, de forma orquestrada, suscitando 'desvios' variados apenas de personagens petistas e nunca de tucanos? A Veja fez acusações a Dilma e Gilberto Carvalho e se negou a mostrar as provas; a Folha insistiu em associar o dossiê do Amaury Ribeiro só à campanha petista quando está provado que ele foi patrocinado pelo Estado de Minas e Aécio; o Estadão fez estardalhaço também contra Gilberto Carvalho, em que pese as informações que lhe haviam sido prestadas pelo advogado do chefe de gabinete de Lula  esclarecendo os fatos.

A oposição difama e o PT leva a fama. A despeito desses fatos, eu tenho ouvido mais críticas ao PT do que ao PSDB por ter posto esta campanha presidencial na lama. Há uma assimetria de julgamento movida pelo preconceito.

A semana promete...

Yeongam: muito tumulto e tédio

Comentário: corrida chatíssima! Perda de tempo só justificada pela perda de sono. A coisa prometia: chuva costuma ser sinal de emoções... Mas não houve nenhuma: na desconhecida pista de Yeongam sobrou tumulto e tédio. A largada foi atrasada em 1:40. Um larga-não-larga insuportável. E eu aqui, feito um idiota... Quatro marcas: recorde de entrada e saída de safety car, abuso de escapadas, muito azar da Red Bul e sorte de sobra da Ferrari...


7:00 - Corrida da Ferrari. Pódio: Alonso, Hamilton e Massa. Campeonato: Alonso 231, Webber 220, Hamilton 210 e Vettel 206. A disputa pelo título está entre esses quatro. Emoções nas duas provas finais: São Paulo, dia 07 e Abu Dhabi, dia14.

6:50 - Os pneus vão acabando. Menos o de Alonso... O cara pode ser bom, mas haja sorte: nem ele pensava em ver os dois carros da Red Bull fora.

6:40 - Volta 46. Azar total da Red Bull: Vettel, que já vinha sem freio, acabou de perder o motor. Está fora! Alonso passou a liderar a corrida e o campeonato...

6:20 - Saiu o safety car. Volta 35. Hamilton escapou e devolveu posição para Alonso. Esse Hamilton é doido: com safety car fica nervoso querendo corrida, sem safety car não faz nada ou faz besteira...

6:15 - Mais safety car. Volta 33. A Ferrari fez porcaria (literalmente: o mecânico deixou a porca da roda escapulir no pit stop) e Alonso perdeu a 2ª posição...

5:57 - Voltamos a ter corrida. Volta 24. A chuva que deveria dar razão a emoções fortes está provocando um tédio total...

5:47 - Mais safety car: Webber bateu sozinho na volta 20 e levou Rosberg junto. Webber não sai da Coréia na liderança...

5:45 - Já estava pronto pra desisitir, virar para o lado e dormir, quando deram a largada na 18ª volta. Variáveis: muita água na pista, voltas lentas, risco de mais chuva fraca, risco de avançar no horário e ficar sem luz, risco de estourar o limite de 2 horas...

5:30 - Emoção total na Coréia do Sul [!]. Já não chove forte no circuito, mas a água não drena. Mais de hora e meia de prova (ou de não-prova). Atraso inicial, largada com safety car, nova paralização, larga, pára... No momento, somam-se 13 voltas atrás do safety car...

Solidariedade ao Haiti

Não bastasse o sofrimento imposto pelo terremoto de janeiro, em Porto Príncipe, o Haiti vive, agora, um surto de cólera que atinge as regiões de Artibonite e Plateau Central. Três mil haitianos estão internados e 210 já faleceram. Pobre Haiti!

23 de out de 2010

Bombril investe R$ 60,3 mi para expandir unidade em Minas


Em Sete Lagoas, serão gerados 476 postos de trabalho diretos e 1.153 indiretos

A Bombril, em Sete Lagoas, Região Central do Estado, receberá investimentos no valor de R$ 60,3 milhões para expandir a sua unidade no município. Serão gerados 476 empregos diretos e 1.153 indiretos. O anúncio foi feito nesta sexta-feira, durante assinatura do protocolo de intenções entre o Governo de Minas e o diretor-presidente da Bombril, Marco Aurélio Guerreiro de Souza.

O projeto de ampliação da unidade fabril começou em julho deste ano. A previsão é que seja concluído até dezembro de 2012, quando a empresa deverá aumentar em 840%sua capacidade de produção e, em R$ 303 milhões, a receita. “Com essa expansão, a unidade passará a produzir as principais linhas de produtos, assumindo o atendimento de toda a demanda de Minas Gerais e dos Estados do Acre, Rondônia, Mato Grosso, Goiás, Distrito Federal, Tocantins, Rio de Janeiro e Espírito Santo, o que irá representar cerca de 30% da produção total da empresa”, explicou Marco Aurélio.

Picadinho do sábado

Falta de inspiração na noite de sábado? Vai aí uma saída honrosa. Corte bifes de lombo em tirinhas finas, tempere com ervas frescas que tiver à mão (alecrim, tomilho...), sal, pimenta e uma dose de cachaça. Dê um tempo. Frite dentes de alho bem picados no azeite e, em seguida, as tiras de lombo. Vá juntando: uma cebola em cubos, salsão picado, duas cenouras pequenas também em cubos, uma maça verde picada, meio pimentão amarelo em tiras, um tomate sem sementes em tiras, para dar uma cor. Ponha água e cozinhe. No final ponha um pouco de creme de leite fresco. Seque o caldo. Coma com azeite, uma boa pimenta malagueta, baguete rústica do 'Super Nosso' (imbatível!). Vinho e água gasosa. Com boa companhia, juro que quebra bem o galho...

En-tén-di?


Fora de campo, chato como poucos; dentro de campo, craque como ninguém! Parabéns, Pelé!

Náufragos da globalização

Leiam entrevsita com o cientista político parisiense Bertrand Badie, catedrático de Relações Internacionais da Fundação Nacional de Ciências Políticas de Paris, no Caderno Aliás, do Estadão:

Europa vive da memória de um continente que não existe mais e do papel de predominância ao qual se acostumou.


“Os acontecimentos na França tomaram tal proporção que a questão das aposentadorias não basta para explicá-los”.

'Bolinha provoca quatro pontos na cabeça de Serra'

Do Blog do Luis Nassif:

"O tracking diário do PT identificou uma abertura de quatro pontos na diferença entre Dilma e Serra. A abertura se deu em todas as regiões. Antes do episódio, Dilma mantinha uma dianteira de 12 pontos em relação a Serra. Depois, a distância aumentou para 16 pontos".

Ufa! Enfim: fim de semana...

Depois de uma semana que valeu por duas, trabalho, trabalho e mais trabalho, enfim sábado! E o fim de semana promete. Tem F1, na Córeia do Sul, de madrugada, jogo do Democrata domingo de manhã, na Arena do Jacaré, e o clássico mineiro, no Parque do Sabiá, em Uberlândia, domingo à noite.

Por falar em sabiá, ontem, na hora do almoço, um sabiá estava cantando sem parar, no ipê da porta daqui de casa. Eu estava saindo e fiquei, um bom tempo, no passeio, procurando e reparando o bicho. Aí uma senhora que disse se chamar Sônia passou e comentou baixinho: 'sabiá quando canta sem parar está chamando chuva'...

Bom fim de semana para todos!

22 de out de 2010

Contra a predisposição à ingenuidade

Fato 1:
A Globo gasta 7 minutos de seu precioso tempo de jornalismo com uma matéria em que procura comprovar que Serra foi, de fato, atingido por uma fita crepe. Usa recursos de imagens e consultoria do perito Ricardo Molina.

Fato 2:
José Antonio Meira da Rocha, professor de Jornalismo Gráfico da Universidade Federal de Santa Maria, Centro de Educação Superior Norte-RS (UFSM/CESNORS), campus de Frederico Westphalen, Rio Grande do Sul, detalha quadro-a-quadro as imagens utilizadas pela Globo e afirma que não há nessas imagens nenhum rolo de fita crepe indo ou vindo em direção à cabeça do Serra. O que há, segundo ele, é "um artifact de compressão de vídeo sobreposto à cabeça de alguém ao fundo". [Cliquem aqui e leiam a matéria 'Professor confirma armação da Globo'].

Fato 3:
Nas redes sociais há um monte de pessoas 'bem informadas' que se apóia nas imagens da Rede Globo e na sinceridade de Serra para, de forma agressiva, acusar os petistas de atacarem Serra ou reagir às brincadeiras feitas em torno da 'bolinha de papel'. O programa do PSDB na TV, naturalmente, faz o mesmo.

Duas questões:
Sem entrar no mérito da questão se houve ou não fita crepe, se os petistas prestam ou não prestam, duas perguntas que eu gostaria de fazer para aqueles que, nesse caso, são defensores da Rede Globo e de Serra, apenas para nos livrarmos do perigoso risco da ingenuidade:
1.  Vocês asseguram que a Rede Globo, nunca na história desse país, fez armações contra candidatos, em campanhas eleitorais? [Que a edição do debate de 1989, de Collor vs Lula jamais pode ser enquadrada nessa categoria de 'armação'?];
2. Vocês asseguram que Serra, nunca na história desse país, fez armações contra adversários? [Que ele nada tem a ver com o caso Lunus em 2002 e que Aécio estava se metendo em dossiês anti-Serra apenas por paranóia pessoal?].

[Desculpem-me, mas essa é boa!]

@Bolinha_dePapel

O perfil @Bolinha_dePapel no twitter é o maior sucesso da paróquia: 3.334 seguidores em dois dias. Um antídoto contra a maluquice mal humorada dessas eleições. Olhem que primor: "Essa eleição está como sexo: um clima antes, tensão durante, gritaria no fim, e o careca vai sair menor do que entrou".


 
[Calma Amaro, calma: juro!, é tudo brincadeira...]

Dossiê mutante

O jornal 'Hoje em Dia' traz hoje reportagens sobre o inquérito da PF que investiga o tal dossiê petista que vai se tornando cada dia mais um dossiê tucano: 'PF descobre que Estado de Minas pagou passagens do jornalista do dossiê'.

Olhem a pérola:
"Ele [o jornalista Amaury Ribeiro, do EM] afirmou que levantou informações do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge, e de outros tucanos e familiares de Serra, entre eles a filha Verônica, como parte de uma investigação de “mais de dez anos”, que foi concluída antes de ele pedir demissão do jornal “Estado de Minas”, em 15 de outubro de 2009.

Na reportagem, observa-se que tudo corre por conta de uma briga de dossiês entre os grupos de Serra  e Aécio. Vai ser bacana ver o cordial convívio dessas duas ilustres criaturas bicudas no ninho tucano, daqui pra frente.

@_bgc

Datafolha replica IBOPE

Os resultados do Datafolha, divulgados esta madrugada, são praticamente idênticos aos do IBOPE e próximos aos da Vox Populi. O PSDB vai ter que estender sua censura à Vox a  todos os demais institutos...

Votos válidos para Dilma e Serra, nesta ordem:
Vox Populi - diferença de 14 pontos: 57 a 43%;
IBOPE - dferença de 12 pontos: 56 a 44%;
Datafolha - dferença de 12 pontos: 56 a 44%;

Votos totais para Dilma e Serra, nesta ordem:
Vox Populi - diferença de 12 pontos: 51 a 39%;
IBOPE - dferença de 11 pontos: 51 a 40%;
Datafolha - dferença de 10 pontos: 50 a 40%;

21 de out de 2010

Nossa feijoada pode esperar...

Caros,

Eu acabo de receber e-mails dos amigos Caio e Pablo Pacheco. Acabou de falecer, nesta quinta-feira, a mãe do Caio e avó do Pablo, a Sra. Iséa Faria Pacheco, aos 86 anos, por insuficiência renal crônica. O velório será nesta sexta-feira, a partir das 9h, na Capela do Asilo, e o sepultamento, às 15h, no Cemitério Santa Helena.

O Pablo desmonstrou seu natural desconforto em fazermos a feijoada em sua casa, nesse momento de tristeza, e sugeriu outro lugar. Eu até acho que o quintal do Pablo pode ser substituível, mas não o Pablo. Nesse caso, estou sugerindo adiarmos a nossa tradicional feijoada para uma data mais oportuna...

Manual da Feijoada

1
As nossas festas andam sendo razoavelmente subsidiadas. Na festa passada, a organização desorganizou-se e esqueceu-se de incluir as bebidas na fatura. Ficou na conta do blogueiro. Nessa rodada, apesar de nossas contestações, o chef Enio desorganizou-se e resolveu bancar os ingredientes da feijoada que, diga-se de passagem, segundo a sua fiel guardiã Flávia Augusta, são de primeiríssima...

2
Por conta dos subsídios, a conta total de tira-gosto, comida, cerveja, cachaça, refrigerante, água e leite vai ficar em R$15 per capita. Como só no Restaurante Popular se come mais barato, mesmo assim não se bebe, a ideia, para não complicar, é não haver diferença de preço para quem bebe muito, bebe pouco ou não bebe.

3
Só crianças terão passe-livre. Famílias completas poderão se cadastrar a bolsa, digo, desconto-família. A concessão ou não caberá à organização. Não haverá direito a réplicas e tréplicas.

4
A concentração será às 10:00 da manhã pra turma de chão de fábrica, a gloriosa classe dos trabalhadores. A concentração da diretoria será às 13:00.

5
O horário de término será, pontualmente, no momento em que a mãe do Pablo, educadamente, indicar a porta de saida.

6
Todos podem ir tranquilos. Dado o clima um tanto tenso do período eleitoral, a festa contará com os serviços de segurança dos 'Anjos da Guarda'. A propósito, os discursos estarão proibidos, apesar dos justificados protestos de Christiane com 'h' que é especialista em interromper discursos.

7
Ah! O endereço: Rua Mariano Gonçalves, 02, Bairro Boa Vista. Modo de chegar: contorne a rotatória do início do Boa Vista, atrás do Museu do Ferroviário; entre na rua Sergipe; passe pelo bar Aconchego (só passe, não pare!) e vire à esquerda na rua Goiás; sem muito tempo para pensar, vire à esquerda novamente e vá até a última casa da rua, do lado esquerdo.

Ramon está achando a praça um tanto vazia...

Pelos contadores, Ramon, tem muita gente transitando. Estamos chegando a 54.500 visitantes e, o indicador mais atualizado, o que conta as aberturas de páginas nos últimos 30 dias, está mostrando que ultrapassamos a barreira dos 8.000 visitantes. Ou seja, 2.000 visitas por semana. O Google Analytics contou, só ontem, quase 400 visitas. Gente em trânsito tem; acho que o que lhe espanta, meu caro, é o silêncio...

Uma hipótese: acho que há um cansaço geral pelo assunto das eleições. Uma intoxicação. Digo por mim: não vejo mais o que explorar. Não vejo novidades. Não vejo debates a fazer. A coisa exauriu-se...

Uma constatação: depois de uma quarta-feira pesada, com tumultos aqui e ali, a quinta-feira foi de pura pilhéria. Vocês frequentam facebook e twitter? Vejam: no Top Trends Brasil, o #serrarojas, o #boladepapelfacts e o #chamex estão imbatíveis. Digitem 'bolinha de papel' que vocês verão um exagero de piadas. Coisas como 'médico receita repouso de 4 anos para Serra' ou 'Serra sofre ataque do PCC: Paper Chamex Corporation'. E mil histórias sobre a tomografia que o Serra disse que fez. E outras mil provocações sobre Serra ter descumprido orientação médica para gravar o programa de TV... Acho que já que o nível afundou, o brasileiro fez o que sabe fazer de melhor: transformar tudo em gozação. Como não?


Eu sigo um bom grupo de pessoas, de todos os partidos, no twitter. Vocês não acham curioso o fato de que a maioria, tradicionalmente presente, desapareceu e a pessoa que mais tuitou nesse final de dia foi o Plínio de Arruda Sampaio? Sim! Desocupado, o cara está sobrando e deu de aproveitar os mares alheios de estranhas calmarias...

Acho que estamos condenados a esse monotema até o dia 31. A França pode se partir ao meio, o dólar pode ir a zero, a superbactéria pode derreter o Distrito Federal, que nem assim...

Aloprados do B

Na medida em que partes do inquérito da Polícia Federal são vazados pela imprensa, quanto mais aparecem nomes ligados à pré-campanha petista, oficial ou não, mais se destaca a participação do jornalista Amaury Ribeiro Júnior na tramóia, e mais se envolve o ex-governador de Minas, Aécio Neves. Em matéria anti-petista, hoje, no Estadão Online, lê-se o seguinte:

"Segundo o jornalista [Amaury], a investigação fazia parte de um trabalho para o jornal Estado de Minas em busca de eventual proteção do ex-governador Aécio Neves contra um suposto serviço de espionagem comandado pelo deputado Marcelo Itagiba (PSDB-RJ) e pessoas ligadas a Serra. O jornal custeou as viagens, conforme comprovantes que estão no inquérito. Amaury, porém, deixou a empresa no fim de 2009".

Pergunta: petistas envolvidos com dossiês são 'aloprados'. que nome essa turma recebe no ninho tucano?

Rojas

A coisa segue como esperado: uma campanha num padrão inadmissível. Ontem, teve guerra de rua entre partidários do PT e do PSDB, nas ruas do Rio, durante uma caminhada do candidato Serra. O candidato foi atingido na cabeça por algum objeto. Falta de civilidade total.

A candidata Dilma também não ficou impune. Durante ato, em Brasília, de apoio de deputados e parte da direção do PV à petista, o Greenpeace apareceu para colocar água no chopp...

Como toda estupidez tem seu lado cômico, a gozação anda sendo sobre o tal objeto que atingiu a cabeça do candidto tucano. Os vídeos estão na internet. Não há dúvida que foi um material leve que, na hora, não foi sentido pelo candidato. Tudo leva a crer que foi uma 'bolinha de papel', segundo a opinião mais comum na internet. Passado um tempo, depois de um telefonema, o candidato resolveu sentir-se mal. Aí foi aquela novela, uma coisa totalmente desproporcional a outra. Com a cera, Serra fez lembrar o goleiro Roberto Rojas, do Chile, no Maracanã, em 1989, em disputa classificatória para a Copa do ano seguinte...

20 de out de 2010

Agendas exaustivas

Tive duas agendas hoje bastante cansativas, mas muito positivas.

Das 14:00 às 17:00, participei de audiência pública na Câmara sobre o PPA. Como no ano passado, e diferentemente de outros temas, a matéria orçamentária tem sido muito atrativa e tem reunido um grupo qualificado de pessoas. O debate, por consequência, tem atingido um nível supeiror que não tem sido comum entre nós. Nos próximos dias 4 e 5 de novembro teremos mais duas audiências, então, sobre a LOA-2011.

Das 18:00 às 20:30, participei de uma reunião com corretores. Os corretores, por não estarem bem informados de toda ação que estamos empreendendo para reestruturação do DLO, em sua maioria, vêm se posicionando contrariamente a ela, tendo, inclusive, pedido minha demissão ao prefeito. É óbvio que o processo em curso gera transtornos e, em parte, os corretores têm razão porque são atingidos diretamente. O importante é que o diálogo franco e esclarecedor, como o de hoje, permite a construção de afinidades e consensos. Nós voltaremos a nos reunir no dia 08 de novembro para avaliarmos juntos a evolução do processo, especialmente quanto à superação dos seus efeitos, circunstancialmente, negativos.

Pesquisas saídas do forno

Pesquisa IBOPE divulgada hoje dá 12 pontos de frente para Dilma nos votos válidos: 56 a 44%. Nos votos totais, Dilma aumenta a diferença de 6 para 11 pontos (51 a 40%)

Esse resultado é consistente com os da Vox Populi, divulgados ontem: nos votos válidos a diferença foi de 14 pontos (57 a 43%) e nos votos totais de 12  (51 a 39%).

O Datafolha e o Sensus é que andam destoando completamente com diferenças, considerados os votos totais, respectivamente, de 6 e 5 pontos. Ou seja, metade dos números encontrados pelos dois outros institutos...

[O Blog do Noblat chamou atenção para um fato curioso. O Instituto Sensus divulgou nota adiando seu resultado, previsto para hoje, para amanhã. Mas acabou publicando hoje mesmo. O que ocorreu?]

Que nome se dá a 'aparelhamento' do estado na nobreza tucana?

O Serra diz, dia sim, o outro também, que o PT usa cargos comissionados e empresas públicas para alojar os seus apaniguados, não é mesmo? Refere-se diretamente à distribuição de cargos entre partidos que o apoiam. Vejam como a mesmíssima coisa é natural entre os tucanos, noticiada pelo seu órgão oficial, o Estado de Minas, em 'Anastasia começa a mexer as peças de seu futuro governo! [Cliquem aqui para lerem]. Alguns trechos:

"(...) No primeiro escalão, são 19 secretarias mais três joias da coroa – Cemig, Copasa e Codemig. Neste primeiro momento, o desafio político é acomodar aliados de 12 partidos que compuseram formalmente a coligação, além dos aliados de primeira hora, apesar da orientação partidária em contrário, como é o caso de vários deputados estaduais do PV".

"Partidos e aliados não eleitos, sobretudo os primeiros suplentes na Assembleia e na Câmara dos Deputados, alimentam a expectativa de ter sua situação resolvida. Citam sempre declaração atribuída a Anastasia, no início da campanha: “Os suplentes não serão esquecidos” (...)"

"(...) No novo governo, entretanto, a indicação para a secretaria poderá ser política". [Não seria um governo 'técnico, professor?]

"Os democratas, querem uma compensação por não terem integrado a chapa majoritária ao governo de Minas. ...

"É provável que na montagem do governo sejam puxados dois deputados federais, abrindo as duas suplências para Penido e o tucano. Bittar, que não é considerado um aliado de primeira linha, poderá sobrar, mas Jairo Ataíde seria compensado por meio de sua mulher, a deputada estadual Ana Maria (PSDB), que está na segunda suplência para a Assembleia Legislativa. (...)"

"No PPS, também há pleitos. (...)"

"O PR e o PDT, partidos que encamparam o Dilmasia no estado, têm promessa de serem contemplados. (...)"

A política como ela é. A farsa da política como ela se dissimula...

19 de out de 2010

As razões de meu voto em Dilma


Eu compartilho da opinião de que essa campanha está sendo muito ruim. As razões de meu voto em Dilma são anteriores a ela.

Alguns podem entender como um voto automático: sou petista, portanto, voto em Dilma. Em parte, isso é verdadeiro. Mas eu nem sou petista, nem voto em Dilma de olhos fechados.

Eu não participo da comunidade que acha tudo do PT certo e tudo da oposição errado. Por isso mesmo, ignoro a oposição que acha tudo do PT errado e tudo da oposição certo. Nos dois casos, vejo sintomas de senilidade intelectual.

Eu tenho críticas ao PT. Para não ficar nas mais comumente usadas pelos anti-petistas, eu cito uma: o PT valoriza pouco a agenda da eficiência da gestão, da modernização do Estado e da redução do custeio da máquina. É um erro permitir que essa agenda seja confundida como uma agenda exclusiva do estado-mínimo neoliberal, sem oferecer uma versão apropriada a um estado alavancador e desenvolvimentista.

Também tenho críticas ao que a oposição diz do PT. Não critico a imprensa; apenas constato que há uma assimetria: quase toda a grande imprensa é anti-petista; há uma fração reduzida que tende a uma posição a favor. É natural, portanto, que a voz predominante da imprensa impregne os seus leitores, parte dos formadores de opinião da alta classe média, com uma ojeriza petista. Algumas palavras ou nomes ligados ao PT, quando pronunciados, por si só, determinam um processo catártico, na maioria das vezes irrefletido. Na linha que o Nuno Ramos (sobre outro assunto), em texto que já comentamos aqui, referiu-se “como trampolim para um discurso já pronto, anterior a ele”. Que eu adaptaria para 'como trampolim para um discurso classista e preconceituoso'.

Nesse sentido, considerando que a irracionalidade marca a apreciação da política, de parte a parte, ponho de lado essa neblina de opiniões controversas e procuro o 'caroço da pedra' para dizer que voto em Dilma por duas questões centrais, de natureza ideológica, que diferenciam, substantivamente, o projeto que ela, legitimamente, representa do projeto que o Serra, também legitimamente, defende.

Primeira questão: a visão de desenvolvimento da Dilma tem uma ênfase no desenvolvimento social maior do que a visão do Serra. Não é relevante pra mim o disse-que-disse quanto à continuidade ou não da política econômica pós-Real no governo Lula. Eu aceito bem a ideia de que os ganhos foram cumulativos. Tampouco digo que os tucanos não têm nenhuma sensibilidade social. Atenho-me, precisamente, ao que disse acima. O enfoque social petista é mais incisivo, mais decisivo, envolve montantes de recursos incomparavelmente maiores e, por decorrência, desenha um modelo de desenvolvimento socialmente mais sustentável, com efeitos econômicos melhores. É mais nítido no PT o conceito de que a superação da pobreza e da desigualdade é condição para o desenvolvimento nacional. No discurso tucano, essa é uma questão acessória.

Segunda questão: a concepção do Estado como força alavancadora – não apenas auxiliar, mas fundamental – ao desenvolvimento brasileiro é mais cara ao PT do que ao PSDB. Não me refiro a um estatismo ou a um nacionalismo exacerbados. Os tucanos têm demonstrado acreditar mais na força propulsora do mercado, no que o PT é bem menos crédulo. Vou dar um exemplo, evitando o surrado papo da privatização: na crise de 2008/2009, o receituário tucano, externado pelo próprio Serra, era o recrudescimento da segurança fiscal e a retração de investimentos; o bem sucedido esforço petista foi oposto, colocando o Estado como mantenedor do investimento, no momento de retração do setor privado. Acredito muito nisso.

O Povo no Rádio

Acabo de chegar de uma entrevista ao programa 'O Povo no Rádio', na Rádio Musirama, com Geraldo Padrão e Douglas Melo. Estive lá, há alguns dias, voltei hoje e retorno na próxima terça, dia 26. Quero agradecer muito ao Padrão pelos convites. É uma oportunidade muito importante pra mim, para que eu possa esclarecer para a população sete-lagoana o nosso trabalho à frente da Secretaria do Planejamento, em especial, do Departamento deLicenciamento de Obras. Peço aos amigos que assistam a próxima entrevista: terça-feira, dia 26, das 9:00 às 10:00 da manhã.

Hoje, eu pude conversar um pouco com o Padrão sobre o orçamento municipal. Quando mais esse tema for abordado, do meu ponto de vista, tanto melhor. Não há como a população apropriar-se da administração municipal se não compreender como tem sido feita a distribuição de recursos no orçamento anual, seus limites e suas possibilidades.

Começamos a falar, mas não concluimos a conversa, sobre a reestruturação que estamos promovendo no DLO. O tempo nos permitiu apenas dar uma pincelada no panorama geral: como estava o departamento, o que estamos fazendo e o estágio atual do processo. Na semana que vem espero poder responder às perguntas dos ouvintes que é a forma mais eficaz de explicar o nosso processo de mudanças e, sobretudo, dizer o que é fundamental para a sua compreensão total: onde queremos e vamos chegar.

Por um desses acasos que vêm a calhar, o deputado Márcio Reinaldo, que me critcou em entrevista na Rádio Cultura, no dia 4 passado, entrou no ar, na oportunidade em que visitava as obras do 'Jardim dos Pequis II'. Foi uma boa oportunidade para esclarecer aos ouvintes d'O Povo no Rádio' as infundadas críticas do deputado. O próprio empreendimento, vinculado ao programa federal Minha Casa Minha Vida, onde ele estava, só vai de vento em popa, revestido de toda legalidade e toda segurança jurídica, em razão do cumprimento das exigências feitas, quando de sua tramitação pela Secretaria que dirijo. Na sua concepção original, o projeto era irregular  e teria se mantido irregular, com prejuízos para a cidade e para o próprio empreendedor, não fosse a forma criteriosa com que trabalhamos. O que fez a diferença foi a exigência 'disso e daquilo' que o nobre deputado criticou...

Vox: Dilma avança e abre 12 pontos



Pesquisa Vox Populi/iG divulgada nesta terça-feira mostra que a vantagem da candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, em relação ao tucano José Serra aumentou para 12 pontos percentuais. Segundo o Vox Populi, Dilma tem 51% contra 39% de Serra. Na última pesquisa, realizada nos dias 10 e 11 de outubro, a vantagem era de 8 pontos (Dilma tinha 48% e Serra 40%). Os votos brancos e nulos permaneceram em 6% e os indecisos passaram de 6% para 4%.

Se forem considerados apenas os votos válidos (sem os brancos, nulos e indecisos) a vantagem subiu de 8 para 14 pontos. Dilma tinha 54% e passou para 57%. Serra caiu de 46% para 43%. A margem de erro da pesquisa é de 1,8 ponto percentual para mais ou para menos.

O Vox Populi ouviu 3 mil eleitores entre os dias 15 e 17 de outubro. Os resultados, portanto, não consideram o impacto do debate realizado pela Rede TV no último domingo, nem a entrevista concedida por Dilma ao Jornal Nacional ontem à noite.

Segundo o Vox Populi, 89% dos entrevistados disseram estar decididos enquanto 9% admitiram que ainda podem mudar de ideia. Entre os eleitores de Dilma a consolidação do voto é maior, 93%. No eleitorado de Serra, 89% disseram que estão decididos.

[Cliquem no link acima para conhecerem os resultados estratificados por região, religião, raça, gênero e renda]

18 de out de 2010

Pesquisa à vista...

Está lá no Blog do Noblat:
O DataPolvo, instituto de pesquisa deste blog [do Noblat], antecipa como de hábito: a nova pesquisa do Instituto Vox Populi deixará Dilma um pouquinho mais tranquila. Logo, Serra... Os resultados da pesquisa madrugarão nesta terça-feira estampados na página principal do portal IG.

E no Twitter do Noblat:
Correção do DataPolvo: a vantagem de Dilma sobre Serra na pesquisa Vox Populi de amanha será de 12 pontos, não de 11. Na anterior foi de 8.
[11 minutes ago]
Informação colhida junto ao alto comando da campanha de Dilma: a vantagem dela no próximo IBOPE será de 12 pontos. [IBOPE ou Vox?...]
[19 minutes ago]
Informação do alto comando da campanha de Dilma: a vantagem dela sobre Serra aumentará de 8 para 11 pontos percentuais.
[1 hour ago]

Coincidências

A Editora Gráfica Pana Ltda, localizada no Cambuci, na capital paulista, que imprimia os 20 milhões de folhetos anti-PT e anti-Dilma, em nome da Mitra Diocesana de Guarulhos, a serem pagos com recursos que ninguém diz de onde viriam, pertence, coincidentemente, a Arlety Satiko Kobayashi,  irmã do coordenador de infraestrutura da campanha de José Serra (PSDB), Sérgio Kobayashi [Cliquem aqui e leiam matéria na Folha].

Rodada de doido

Pra resumir: os jogos das seis e meia consertaram os estragos dos jogos das quatro. Vamos lá: no jogo do Cruzeiro a coisa começou mal. Pra mim, basta ver o Paulo César de Oliveira com um apito na mão pra eu perder a graça. Ele não falha nunca: dessa vez, anulou-nos um gol pra lá de legítimo. Sabe como é: num jogo tão amarrado, abrir vantagem faz toda diferença. O cara estragou tudo. Mas, por intervenção divina, mais tarde, o empate do Fluminense com o Botafogo repôs as coisas no lugar: a Raposa seguiu isolada na liderança...

Antes da sequência final de jogos, enquanto os cruzeirenses lamentavam, os atleticanos comemoravam a saída da zona de rebaixamento. Parecia final de campeonato, tal era a alegria da turma. Mas aí veio a vitória do Vitória e o Galo também seguiu onde estava. O máximo que ele conseguiu foi detonar o pobre do Avaí.

No mais, o Timão fez a gentileza de empatar (com dois gols anulados de Ronaldo), na rodada das 4, e o Santos, de perder (num jogo de 7 gols com o São Paulo; o último, o da derrota, no minuto final), na rodada das 6:30.

O Cruzeiro descansa, o Galo vai a Bogotá, e se encontram no clássico, domingo, no parque do Sabiá...

As escolhas de Aécio

A Veja está com Aécio na capa com o título 'O Poder de Aécio'. Não li. Mas vai aqui uma análise de botequim:

Cenário 1: Aécio saiu do 1º turno consagrado, mas tido como traidor no ninho tucano. Aécio foi muito bem, Anastasia foi bem, Itamar foi mais ou menos bem, mas Serra foi muito mal por aqui. Se ceder à pressão tucana e entrar de cabeça na campanha, em Minas, conseguir reverter o quadro e, digamos, eleger Serra, Aécio terá acabado de comprar um problemão: pode esquecer a Presidência nos próximos 8 anos. Quem não conhece Serra é bom ouvir Ciro Gomes pra saber quem é Serra. Aécio será o inimigo a ser vencido nos próximos anos. Fratricídio explícito...

Cenário 2: Aécio faz corpo mole, deixa Serra morrer sozinho, torce por Dilma, corre o risco de ser caçado dentro do PSDB, mas vai pro Senado nacionalizar seu nome para 2014. Sabe que legenda não lhe faltará...

Cenário 3: Aécio faz o que sabe fazer de melhor: apontar para um lado e atirar no outro. Faz oba-oba ao lado de Serra, mostra que é bom companheiro Brasil afora, mas sem muito esforço em Minas (mesmo porque o tempo é pouco); lamenta, pra inglês ver, a derrota do tucano; comemora, por dentro, a vitória de Dilma e o fim de Serra; e segue pra Brasília para unificar o PSDB em torno de si, a liderança com maior poder na oposição. Só aí a Veja terá razão...

17 de out de 2010

Irrelevância

A política é efêmera. Como as tais nuvens de Tancredo. O que vale hoje, não vale amanhã. Você pode reunir capital político num momento e torná-lo pó se não souber o que fazer com ele. Depois é nunca. Paga-se o valor do dia. Nesses termos, eu acho que Plínio de Arruda Sampaio e Marina Silva entregaram-se à irrelevância com a decisão que tomaram hoje. Que os partidos, no caso o PV e o PSOL, decidam-se pela neutralidade é compreensível porque a posição deles depende de construção de consensos. Pessoas, não. Pessoas são um consenso em si. Plínio, pela performance; Marina, pelo papel programático distinguiram-se no 1º turno. Marina, mais do que ninguém pela extraordinária votação e pelas consequências de sua votação, conduzindo todo processo a um 2º turno. E num 2º turno plebiscitário, desculpem-me os amigos verdes e os que votam branco, ou se vota em um ou em outro ou resta a irrelevância. O voto de protesto é invisível. Ele não constroe discurso nenhum. A omissão de Plínio e Marina também é invisível e também não constroe discurso algum. A fila segue. Amanhã é outro dia. Político sem posição é um simples cidadão. Posso estar errado: de hoje em diante, o que eles têm a dizer não encontrará ouvidos para escutar. Eles não se reposicionaram no processo; eles sairam do processo, hoje...

Urubus, crianças, arte e política

Nuno Ramos defende-se, hoje, na 'Ilustríssima' da Folha. É preciso! Os urubus usados em sua instalação na Bienal são nascidos e criados em cativeiro, estavam submetidos a plano de manejo aceito pelo Ibama tanto no que se refere à alimentação, quanto à exposição à iluminação e ao controle de som. Mas foram retirados de lá na marra. Ramos foi demonizado por mentes insanas como as de Barbara Gancia, colunista da Folha, Ingrid Newkirk da organização PETA e Djan Ivson, autor da pichação de sua obra. Na verdade, ninguém estava defendendo urubus coisa nenhuma. Muito menos fazia uma interpretação do seu trabalho, aderindo-o ou recusando-o. Para ele, com toda razão, o impressionante foi “a desfaçatez com que foi usado como trampolim para um discurso já pronto, anterior a ele, que via nele apenas uma possibilidade de irradiação”.

A vida imita a arte... É fato. Nessas eleições o que se vê não é nada diferente. Não se discute sobre urubus, tampouco sobre crianças, mulheres ou aborto, por exemplo. Tudo é plataforma para difusão de idéias prontas, para irradiação de pré-conceitos. A classe média, todos nós, do alto de nossa mediocridade apenas arrumamos pretextos para encaixar a cunha de nossas convicções prontas e mal-acabadas.

Até a CNBB vai nessa toada. A manchete do dia é a impressão ilegal de folhetos anti-Dilma pela sua Regional Sul 1. Promiscuidade intelectual. Aposto que a CNBB nacional deve estar em pânico. Tudo o que a Igreja não precisa no momento é de publicidade envolvendo ‘criancinhas’. A igreja sofre um estigma que transformou em pó a sua credibilidade. No imaginário coletivo, do papa ao mais franciscano dos padres, todos são suspeitos de pedófilos. Ao invés de tentar percorrer o duro caminho da reconstrução de sua autoridade, a Igreja prefere embarcar, também com desfaçatez, numa discussão de oportunidade, aproveitando o oba-oba eleitoral.

Lorenzo Mammi, no mesmo ‘Ilustríssima’ defende Nuno Ramos. Fala de arte como “a construção de um consenso sobre algo que não é óbvio de antemão”. Alguma coisa que precisa ser incorporada em um sistema de valores e só o é quando altera esse sistema inteiro. A arte, portanto, fica na fronteira. Testa limites. “A arte exerce constantemente o papel de apontar para valores futuros transgredindo os vigentes. É uma das formas que nossa civilização encontrou para se renovar”.

Mammi lembra Godard, “A cultura é regra, a arte é a exceção”, e continua: “Faz parte da regra querer eliminar a exceção. Vivemos numa época de regra, a sociedade está se enrijecendo em oposições simplórias”. Ele fala em urubus e arte, eu li como se falasse de crianças e política.

Duas páginas à frente, Nuno Ramos enfrenta a ignomínia com dignidade e clareza: “A institucionalização crescente da arte trouxe para junto dela uma pletora de discursos institucionais, todos perfeitamente centrados, seguros de si e disputando espaço na mídia e nas oportunidades orçamentárias. Isso vem, talvez, do estilhaçamento das grandes noções universais que acompanharam a formação do mundo moderno: política, religião, burguesia, proletariado, luta de classes, direita, esquerda etc. Com a quebra dessas noções universais, os particulares (ecologia, minorias étnicas, minorias sexuais etc.) firmaram-se, cheios de si, pontudos, zelosos de suas verdades (...)”. Nuno fala da arte, eu, de novo, li como se falasse, de forma mais abrangente, de nosso discurso contemporâneo. Afinal uma coisa imita a outra. Nuno vê na arte, talvez, a última experiência universalizante, razão para ser tão atacada, “toda vez que ela discrepar, como soberba ou como arbítrio”, condições para seguir criando.

Provocado por Mammi e Nuno, fico com o pressentimento de que nosso discurso esteja mesmo inteiramente estilhaçado. Que com estilhaços ‘pontudos’, 'simplórios', 'seguros de si', 'enrijecidos', estejamos construindo verdades ilusórias, sem ‘soberba’ e sem ‘arbítrio’. Reproduzindo velhas ideias, sem renovação.  O discurso político, posto na vitrine eleitoral, nesses dias, anda provando isso. De qualquer lado, há certo constrangimento no ar. Uma neblina espessa de debilidade.

O debate Folha/Rede TV está começando. Com esse pensamento, temo ter vergonha de mim mesmo ao assistí-lo...