30 de jul de 2010

O Canavial e o Mar

O meu amigo Rômulo Paes, atual secretário executivo do MDS, usou, hoje, na abertura do segundo dia do seminário, o mote do poema de João Cabral de Melo Neto, 'O canavial e o mar', como metáfora para descrever a importância das relações inter-institucionais, como a que o MDS e o BID estabeleceram. Rômulo associou o MDS ao canavial e o BID ao mar, e destacou, em sentido geral, o quanto isso é relevante para cada instituição, em especial para o 'canavial', superar as limitações de seus horizontes, sua auto-segurança, sua prepotência, sua convicção de que tem as melhores políticas e estabelecer confrontos e construir novos parâmetros e novos desafios.

[Ao ouvir isso, e ao lembrar a agenda acanhada que temos tido em Sete Lagoas, as maledicências irrelevantes que, de forma geral, têm sido a tônica de nosso ambiente político, essa associação me soou como um alerta à reflexão...]

O que o mar sim ensina ao canavial:
o avançar em linha rasteira da onda;
o espraiar-se minucioso, de líquido,
alagando cova a cova onde se alonga.
O que o canavial sim ensina ao mar:
a elocução horizontal de seu verso;
a geórgica de cordel, ininterrupta,
narrada em voz e silêncio paralelos.

O que o mar não ensina ao canavial:
a veemência passional da preamar;
a mão-de-pilão das ondas na areia,
moída e miúda, pilada do que pilar.
O que o canavial não ensina ao mar:
o desmedido do derramar-se da cana;
o comedimento do latifúndio do mar,
que menos lastradamente se derrama.

3 comentários:

Renato Alves disse...

Tenha certeza que quem precisa ler isso não lerá. Ou não entenderá.

Paulo do Boi disse...

Flávio que ótimo post...

Cada broto de cana tem seu valor e cada gota do mar tem o mesmo...
Então, a troca de conhecimetos se faz de gota em gota e de broto em broto. Porém, a troca de sabedoria é mais profunda e requer convivência. O mar não convive com o canavial e nem o canavial convive com o mar...O que o mar não ensina para o canavial é relativo ao saber e o que o canavial não ensina para o mar também...Mas, a troca de conhecimento amplia as fronteiras e nos conduz às certezas. Assim somos sábios quando trocamos conhecimentos e fortalecemos nossas experiências...

Um abraço
Paulinho do Boi

Paulo do Boi disse...

Flávio que ótimo post...

Cada broto de cana tem seu valor e cada gota do mar tem o mesmo...
Então, a troca de conhecimetos se faz de gota em gota e de broto em broto. Porém, a troca de sabedoria é mais profunda e requer convivência. O mar não convive com o canavial e nem o canavial convive com o mar...O que o mar não ensina para o canavial é relativo ao saber e o que o canavial não ensina para o mar também...Mas, a troca de conhecimento amplia as fronteiras e nos conduz às certezas. Assim somos sábios quando trocamos conhecimentos e fortalecemos nossas experiências...

Um abraço
Paulinho do Boi