31 de jul de 2010

Mais pesquisas

Os resultados do IBOPE para Presidência da República, divulgados hoje, aproximaram-se dos da Vox Populi, já conhecidos. Dilma superou Serra por 5 pontos: Dilma 39, Serra 34 e Marina 7%. Atualizando nosso gráfico:


Já para o Governo de Minas, o IBOPE apresentou os resultados mais apertados entre Hélio Costa e Anastasia: 39 a 21%, respectivamente:

Vício

Já que eu não consigo abandonar o vício, pelo menos vou mudar minhas apostas. Torcer por Massa é perder tempo: o cara virou 2º piloto mesmo, é apenas um coadjuvante, resignou-se e está condenado a levantar a bola para Alonso. Torcer para Alonso, nem pensar: piloto chorão que apela para a equipe, não merece estar na pista. Ali é lugar de gente grande. Portanto, apesar de ferrarista convicto, apesar do bom momento do carro com o cavalinho rampante, estou abandonando o time. Pra mim, perdeu a credibilidade esportiva. Agora sou Red Bull. Pode ser Vettel ou Webber. De preferência Sebastian Vettel que é mais doido e mais capaz de tornar as manhãs de domingo mais animadas...

Dá-lhe Vettel!

Simplifique:

30 de jul de 2010

Pra não perder viagem...

Aproveitei meia tarde livre, hoje, em Brasília, para um pulo no Ministério do Planejamento. Uma conversa rápida com o Francisco Gaetani, secretário executivo adjunto, e outra um pouco mais longa com Luís Antônio Padilha, diretor do Departamento de Programas de Cooperação Internacional em Gestão. Meu foco: saber um pouco mais sobre a cooperação brasileira com a União Européia, operacionalizada pelo BID, o 'Brasil Municípios'. O programa trabalha com três linhas de ação: capacitação, assistência técnica e associações municipais. Eu tinha muita vontade de encaixar servidores sete-lagoanos em projetos de capacitação, especialmente na área de planejamento e de orçamento; e, na linha de associações, meu desejo era formar um arranjo envolvendo o UNIFEMM (com o Centro de Desenvolvimento Regional), a Prefeitura de Sete Lagoas e de outras cidades vizinhas, em torno de soluções concretas compartilhadas (tratamento de resíduos sólidos por exemplo ou avaliação de algumas vocações ou perspectivas econômicas comuns). Por ora, fiz o que se pode fazer por ora: manter o contato ativo e estabelecer um fluxo de comunicação. Ou seja, colocar o assunto no radar meu e Sete Lagoas no radar deles...

O Canavial e o Mar

O meu amigo Rômulo Paes, atual secretário executivo do MDS, usou, hoje, na abertura do segundo dia do seminário, o mote do poema de João Cabral de Melo Neto, 'O canavial e o mar', como metáfora para descrever a importância das relações inter-institucionais, como a que o MDS e o BID estabeleceram. Rômulo associou o MDS ao canavial e o BID ao mar, e destacou, em sentido geral, o quanto isso é relevante para cada instituição, em especial para o 'canavial', superar as limitações de seus horizontes, sua auto-segurança, sua prepotência, sua convicção de que tem as melhores políticas e estabelecer confrontos e construir novos parâmetros e novos desafios.

[Ao ouvir isso, e ao lembrar a agenda acanhada que temos tido em Sete Lagoas, as maledicências irrelevantes que, de forma geral, têm sido a tônica de nosso ambiente político, essa associação me soou como um alerta à reflexão...]

O que o mar sim ensina ao canavial:
o avançar em linha rasteira da onda;
o espraiar-se minucioso, de líquido,
alagando cova a cova onde se alonga.
O que o canavial sim ensina ao mar:
a elocução horizontal de seu verso;
a geórgica de cordel, ininterrupta,
narrada em voz e silêncio paralelos.

O que o mar não ensina ao canavial:
a veemência passional da preamar;
a mão-de-pilão das ondas na areia,
moída e miúda, pilada do que pilar.
O que o canavial não ensina ao mar:
o desmedido do derramar-se da cana;
o comedimento do latifúndio do mar,
que menos lastradamente se derrama.

Série 'política sem grandeza'

Está na Folha Online: 'Aécio e Anastasia escondem Serra em material de campanha'...

Bolsa Família não é resposta à pobreza urbana, diz Economist

Esta é uma discussão relevante. Do meu ponto de vista, ela não deve se ater à questão se o PBF é ou não eficiente na regiões urbanas, especialmente nas áreas periféricas das metrópoles. Mas, sim, a qual arranjo de produtos sociais e de crédito é necessário para torná-lo eficaz. Ou seja, a perspectiva não pode ser ele 'não é', mas 'não está sendo'...

Cliquem aqui e leiam a cobertura do Portal Terra sobre a matéria do 'The Economist'.

A revista britânica The Economist traz em sua edição desta semana um longo artigo sobre o Bolsa Família, no qual afirma que, apesar da grande contribuição do programa para a redução dos índices de pobreza do Brasil, ele parece não funcionar tão bem no combate à pobreza nas grandes cidades. De acordo com a revista - que cita dados da Fundação Getúlio Vargas - cerca de um sexto da redução da pobreza no país nos últimos anos pode ser atribuído ao Bolsa Família, "mas algumas evidências sugerem que o programa não está funcionando tão bem nas cidades como nas áreas rurais".

Café sem pastel

Os candidatos seguem correndo o estado, de café em café...

Matando saudade dos amigos...

[Armazém do Ferreira, Brasília]

Seminário MDS - BID

Eu estou participando, ontem (29) e hoje (30), a convite, do Seminário de Encerramento do Programa 'Apoio ao Sistema de Proteção Social no Brasil'. Em outubro de 2005, o Governo Brasileiro, através do MDS, e o Banco Interamericano de Desenvolvimento - BID firmaram contrato de empréstimo para implementação daquele programa de trabalho, focado, especialmente, no apoio ao Programa Bolsa Família e ao Programa de Erradicação de Trabalho Infantil - PETI, e no fortalecimento institucional.

[Mesa de abertura: Lúcia Modesto, Maria Luiza e Onaur Ruano do MDS, Rita Sório do BID e Carlo Ferrari do CNAS]

O Seminário está tendo como objetivo avaliar os resultados finais da cooperação, após 5 anos de execução, segundo os seguintes temas: mobilização de gestors, gestão do PBF, capacitação de gestores, estudos e pesquisas, fortalecimento do sistema de proteção social brasileiro e do SUAS e integração de serviços socioassistenciais e PBF.

[Eu e Adriane Penna - SERPAF - que participou do primeiro dia de trabalho]

[Cliquem aqui para saberem mais a respeito]

29 de jul de 2010

PMCMV

Eu tive, ontem, uma conversa muito produtiva com gestores do programa federal Minha Casa e Minha Vida, tanto do Ministério das Cidades, quanto da Caixa. A despeito da seriedade e da qualidade técnica da conversa, pra mim, vai ficando cada vez mais patente, sem demérito ao programa, que a sua concepção original atribuiu um papel apenas protocolar ao município ('licenciar empreendimentos'), insuficiente para que ele possa intervir nas decisões mais relevantes, de sua competência, sobre a dimensão urbanística dos novos assentamos residenciais financiados pelo programa. Vou falar mais sobre isso, adiante...

Brasília


Brasília não me faz saudosista. Apenas tenho saudades. Eu estou hospedado no mesmo Sol Meliá, antes Confort, agora Tryp Brasil XXI. Por coincidência no mesmo 8º andar onde morei por mais de 3 anos. A turma de funcionários que estava de plantão, ontem, é quase a mesma. Alex e Danilo na recepção, Silvio, Junio e Juliano de mensageiros. [O Sílvio fez aniversário ontem e me disse que ganhou um filho]. O enorme céu de Brasília, a luz da manhã sobre o Parque da Cidade, os mesmos sons do entorno me transportam para um passado recente. Curiosamente, acordei no mesmo horário de praxe, daqueles tempos, e, inadvertidamente, segui a rotina habitual. 5:30, pés no chão; 6:00 café. Apenas não fui para a corrida de 10km no parque. Impossível!

Muita gente acha que Brasília seduz pelo poder ostensivo. Pelo carro preto, pelo aparato que cerca a autoridade pública, pelos ambientes palacianos, essas firulas. Não. O que me seduziu em Brasília foi a possibilidade de ter noção do Brasil, de se pensar soluções para o Brasil, por ofício, de conviver com o Brasil pela heterogeneidade de amigos de todas as partes. Mesmo a tensão, a alta velocidade com que tudo acontece, a exaustão me seduziram. Eu agradeço a Deus por ter tido a oportunidade de viver isso. São coisas únicas que não voltam...

28 de jul de 2010

Comparativo de pesquisas MG

O Ramon, em comentário abaixo, me perguntou se eu tinha os resultados das pesquisas em MG e SP para governador. As de Minas, divulgadas neste mês de julho, estão aí. E elas mostram resultados muito próximos entre os três institutos, Vox Populi, Datafolha e Sensus, com uma vantagem pró Hélio/Patrus na faixa entre 22 a 26% . Ou seja, tomando-se apenas os resultados da Vox e do Datafolha, eles não reproduzem o quadro de divergência sistemática que apresentam nas pesquisas nacionais para Presidente da República. É o caso de se perguntar para o Marcos Coimbra se aqui a metodologia utilizada por eles é padrão e se a história do filtro dos que não tem telefone (usado pelo Datafolha, segundo ele) não se aplica nas Gerais...

Rir dos candidatos é um direito

Nessa história de que, para quem está de fora, eleição é um show, ou quase um programa de humor, vale a pena a leitura da coluna de hoje do Marcos Coimbra, no Estado de Minas: 'Eleições sem graça'. Ele comenta o anacronismo da nossa legislação eleitoral que chegou ao cúmulo de constranger os programas de humor pelo eventual risco de degradar ou ridicularizar candidatos ou partidos. Marcos defende os programas de humor como forma de dessacralizar a política e aproximá-la do cidadão. Segundo ele, 'não há nada mais genuinamente democrático que rir dos poderosos e suas atribulações'. Ele conclui, de forma muito pertinente: 'Por trás das proibições à graça e ao humor, está o espírito que atravessa por inteiro nossa legislação eleitoral: a desconfiança na capacidade de discernimento do cidadão, de que ele consiga julgar sozinho, de que possa prescindir de patronos. No dia que nossas leis reconhecerem que o eleitor não precisa ser tratado com paternalismo, começaremos a construir uma cultura política verdadeiramente democrática. Onde rir dos candidatos é um direito que nenhuma falsa circunspecção deve reprimir'. É isso aí!

Poeira

Tempo de eleição: tempo de apostas! Ontem, numa roda, o papo era esse. No final: uma questão provocadora: independente de ganhar ou não, independente do número de votos: dentro de Sete Lagoas, numa disputa interna, quem sai na frente? Enunciando melhor: para deputado federal, admitindo-se que Márcio Reinaldo e Eduardo Azeredo terão um desempenho regional, como ficará a disputa entre os três candidatos locais a deputado federal - Sílvio, Tristeza e Violante? Da mesma forma, entre os vários a deputado estadual - especialmente, Duílio, Ronaldo João, Canabrava (?), Caio Dutra, Leonardo Barros e César Maciel - quem vai fazer poeira?

Claro que há sempre uma pimenta nessas conversas. No fundo, o papo acaba ficando mais estimulante quando é posta a questão inversa: e quem vai dar vexame? Quem vai tomar poeira? Há, por exemplo, três vereadores em exercício de mandato no páreo, quem vai mostrar que tem e que não tem liderança? Quem ladra, mas não morde?

Pra quem está de fora, a coisa é um show...

Governo municipal: o retorno

Até o final de semana, eu vou retornar à nossa série sobre o governo municipal com as seguintes postagens: 12 - um balanço; 13 - o aumento do servidor; 14 - o que ando fazendo; 15 - a reestruturação do DLO; e 16 - vem aí PPA e LOA...

27 de jul de 2010

Iniesta, de novo

No post 'Iniesta' eu contei uma história que ouvi de uma amiga muito querida sobre o craque espanhol, que eu não tinha certeza se era verídica ou não. De toda forma, era um boa história. Essa amiga é a Patrícia Clemente e ela me mandou, hoje, uma mensagem pelo Facebook, confirmando a tal história: 'Andrés Iniesta, o garoto que não sabia chutar'. Cliquem aqui e leiam a matéria da ESPN porque é bem bacana.

Logo nos primeiros treinos daquela temporada 2008/09, foi ao encontro do treinador [Pep Guardiola]. Deixando a timidez de lado, pediu uma dica. “Professor, como faço para marcar mais gols?”. Pep riu. “Você pergunta para mim? Não sou a pessoa mais indicada. Em dez anos, marquei apenas quatro”.

Sabor de Bar

O cidadão que foi o visitante 36.000 passou batido, não registrou e perdeu o direito sagrado de dar as ordens para nossa sensacional excursão 'O Blog no Sabor de Bar'. Ou, então, é daqueles sujeitos que preferem um copo de leite e achou por bem por água na fervura de nossa animação. Nada contra, mas é bom lembrar o velho Vinicius de Morais que dizia que 'nunca fez grandes amigos em leiterias'. Mas indo direto ao assunto: estamos chegando aos 37 mil visitantes e quem for o felizardo podia ficar atento, registrar, comprovar e marca dia, hora e local. Um detalhe: de amanhã  a sexta, estarei em Brasília, portanto, (ainda que o blog já me tenha sido subtraído, ande por conta própria e não precise de mim para ir pro boteco) o encontro podia bem ficar pra semana que vem...

Grande Jorge


Nos anos 1983 a 1987, eu trabalhei como arquiteto no Programa de Desenvolvimento de Comunidades - PRODECOM, depois, na Assessoria de Planejamento e Coordenação - APC, órgãos da hierarquia da Secretaria de Estado do Trabalho e Ação Social de Minas Gerais - SETAS-MG. Tive a satisfação de ser colega de trabalho de um cara chamado Jorge Santana. Hoje, o maior atributo do sociólogo Jorge não é sua vida profissional, mas sua competência pra falar de futebol. É um Cruzeirense da gema. E publica um blog genial chamado 'Páginas Heróicas Digitais'. Sobre essa confusão que os dois principais times mineiros armaram contra a Arena do Jacaré, especialmente o meu glorioso Cruzeiro, vejam a maravilha do texto do Jorge, intitulado 'Perdão, Sete Lagoas':

Cruzeiro e Atlético-MG não têm estádios. Pra tocarem seu negócio dependem do poder público, que os subsidia após arrecadar impostos de adeptos de todos os times e não apenas dos torcedores deles.

Quando o Mineirão estiver reformado para a Copa de 2014, Cruzeiro e Atlético-MG terão 54 mil confortáveis cadeiras pra venderem a cada partida.

Os demais clubes de Minas, nenhuma, embora seus torcedores tenham contribuído para o empreendimento.

Enquanto esse dia não chega, os dois grandes vão depender de favores de outros clubes.

Terão de jogar em estádios particulares como o do Democrata ou municipais como os de Uberlândia, Varginha, Ipatinga, Pouso Alegre ou Uberaba.

Pelo favor recebido, deveriam ser gratos. Ou, no mínimo, educados. Algo que a direção do Cruzeiro não foi quando seu Gerente de Futebol, Valdir Barbosa, desancou a Arena do Jacaré e, de raspão, também a bela, progressista e cruzeirense Sete Lagoas, na coletiva após o jogo contra o Grêmio.

Segundo jogadores e cartolas do Cruzeiro, a cancha da Arena é pequena. Comparada às do Mineirão e do Maracanã, pode até ser. Mas é oficial. E não é menor do que as do Olímpico, Baixada, Ressacada, Engenhão e outras nas quais os times mineiros jogam sem reclamar.

Disseram que o gramado é ruim. Realmente, ele não é nenhuma Brastemp. Mas não é esburacado, nem tem pontos carecas. Está perfeitamente apto para a prática do futebol. Só com muita cara-de-pau se pode dizer que ele prejudica o Cruzeiro, supostamente, um time mais técnico do que os outros.

Isto é desculpa esfarrapada. Qual é o time da primeira divisão que não joga com a bola no chão? Apontem um, por favor. Se o Cruzeiro fosse tão técnico quanto imaginam seus dirigentes e atletas, estaria na ponta e não na metade da tabela. Esse trololó é muleta antiga.

Valdir Barbosa criticou a estrada. Sete Lagoas está ligada a Beagá por duas rodovias, uma federal, outra estadual. Com um pouquinho de organização, chega-se lá em menos de uma hora. Obviamente, haverá casos de retenção, como aconteceu na rodovia federal nesse domingo. Em compensação, na estadual, o trânsito fluiu normalmente.

Segundo Valdir, não há hotéis pra receber a delegação caso ela queira viajar mais cedo pra descansar até a hora da partida. Não procede. A cidade dispõe de hotéis confortáveis. É só telefonar fazendo reservas. Como fez Wanderley Luxemburgo quando seu time jogou contra o Inter.

Domingo, a Arena recebeu 10 mil torcedores. Com todos os setores liberados, pode receber até 16 mil. O acesso ao estádio é fácil, existe estacionamento e a visão do campo é melhor do que a oferecida pelo Mineirão.

Os mais exigentes reclamam do sol. Ora, futebol não é esporte indoor. Queixa indeferida, pois. E ninguém pode reclamar de hostilidade. O público é bem mais educado do que o do estádio de Beagá.

Se alguém errou, foi a direção do Cruzeiro, que não colocou monitores pra orientar o público. Ou os torcedores que insistem em chegar a 10 minutos do início partida. Assim, nem nos estádios escandinavos se evita fila pra entrar.

Resta pedir desculpas ao povo de Sete Lagoas que, da euforia por receber seu time de coração, passou à decepção de receber carão de um cartola bem remunerado pra dirigir time de futebol, não pra queimar a imagem do clube que o paga.

O Cruzeiro pode jogar em outras cidades. Aproximar-se de sua torcida espalhada por toda Minas Gerais. Mas não deve cometer descortesias e nem fabricar desculpas pelo mau futebol que eventualmente esteja praticando.

Eu, torcedor cruzeirense de Belo Horizonte, peço desculpas ao povo de Sete Lagoas. Aos cruzeirenses, americanos, bela-vistenses, democratenses e até atleticanos, caso haja algum além do Chico Maia na cidade.

E estarei de volta, quando nosso (não apenas dos cartolas e jogadores) Cruzeiro jogar em Sete Lagoas.

Parabéns Chico Maia

Chico Maia tem sido uma voz dissonante em meio uma imprensa que resolveu fazer coro ao que dizem os cartolas do Cruzeiro e do Atlético. Eles andam fazendo menção a uma série de pretextos para encobrir interesses inconfessáveis. Gramado, segurança, desconforto passaram a ser os [falsos] culpados pelos problemas criados, na verdade, pela queda de arrecadação com a saída do Mineirão. Dizem que o grande problema do Cruzeiro não é gramado ou hotel, mas os prejuízos com os sócios torcedores, que consomem os espaços que poderiam ser postos a venda. A Associação dos Amigos do Democrata prestou, ontem, esclarecimentos claríssimos. A Arena tem problemas? Tem, mas são sanáveis. Nada que exija mais do que um período de adaptação. Hoje, o Chico publicou em seu blog o texto abaixo, intitulado 'O que é isso, companheiros?'. Nota 10, Chico!

Pensei que nenhum colega da imprensa fosse ao menos questionar os absurdos que estão sendo falados contra a Arena do Jacaré?

Mas hoje, felizmente, a TV Alterosa entrou com mais profundidade no assunto e mandou uma equipe a Sete Lagoas para esclarecer melhor ao público.

E no programa Apito Final, da Rádio Itatiaia, o Álvaro Damião foi contundente e corajoso ao chamar o Zezé Perrella à responsabilidade. Perguntou se tem cabimento um deputado estadual votado em todo o Estado, mandar dizer que não vai comparecer ao maior clássico mineiro, um dos maiores do país, do clube que ele preside, por medo de falta de segurança, ou um alegado “desconforto!”.

Ora, ora! Quem já enfrentou situações na vida como o Zezé, vai ter medo de um jogo em Sete Lagoas?

Alegar “falta de segurança” é uma desculpa esfarrapada, vergonhosa e que acabou de ser desmoralizada quando o Atlético passou a usar o vestiário que tradicionalmente era usado pelo Cruzeiro, e não houve problema nenhum, mesmo com o banco atleticano ficando debaixo da torcida cruzeirense.

Na Arena, o local reservado aos dirigentes dos clubes é o mesmo da imprensa e demais autoridades. Onde as torcidas não têm acesso. Será que alguma dessas pessoas vai surtar e atacar alguém? E o efetivo de seguranças militares, civis, secretos e particulares presente em qualquer jogo? Será que vai faltar justamente num clássico entre Atlético e Cruzeiro?

Felizmente o Álvaro Damião fez este tipo de questionamento e levantou uma suspeita séria: o Cruzeiro teria feito um acordo prévio com o prefeito de Uberlândia e estaria usando a desculpa do gramado da Arena, para ir jogar lá?

E continuo contra essa história de torcida só do mandante. Nossa Policia dá conta de qualquer jogo em qualquer lugar e o exemplo mais recente foi a decisão da Libertadores da América, entre Cruzeiro e Estudiantes, quando não houve nenhuma ocorrência grave. Os argentinos, minoria absoluta no estádio, vieram e voltaram sem sofrer nenhuma agressão.

Em Sete Lagoas é que haveria problema?

Está passando da hora da maioria da imprensa parar de dizer amém ao que dirigentes de futebol e autoridades políticas falam e ditam para o público.

E a Arena do Jacaré? De repente, além do gramado, o estádio passou a ser perigoso, é impossível chegar a Sete Lagoas e mais mil defeitos para não se jogar mais lá.

O Governo do Estado investiu quase R$ 16 milhões nas obras e está mandando a elite das Polícias Militar e Civil para garantir a segurança, mas vai ter que continuar negociando com os clubes.

O Atlético disse que não vai abandonar a Arena, e que jogará quatro partidas no Ipatingão, apenas para poupar o gramado setelagoano.

O Cruzeiro já está revendo a posição radical que adotou após o jogo contra o Grêmio. Especialmente depois da conversa que o ex-governador Aécio Neves teve com o Zezé Perrella hoje.

26 de jul de 2010

Nassif esclarece diferença entre Vox e Datafolha

Transcrevo abaixo o post do Luis Nassif intitulado 'Decifrando o Datafolha'. Inacreditável. Em pesquisa de opinião, a metodologia confiável é aquela que melhor retrata a realidade. Se há uma distorção, e essa distorção é conhecida, o que se tem não é uma diferença de método, mas uma fraude. Leiam e tirem suas conclusões:

Conversei agora há pouco com Marcos Coimbra, do Vox Populi, para entender as discrepâncias entre os dados do Vox e do Datafolha e tirar as dúvidas finais sobre o tema.

A explicação é claríssima.

Dentre os diversos cortes a serem feitos no universo dos entrevistados, um deles é entre os com telefone e os sem telefone.

No caso do Vox Populi, as pesquisas pegam todo o universo de eleitores. No caso do Datafolha, há um filtro: só se aceitam entrevistados que tenham ou telefone fixo ou celular.

Há algumas razões de ordem metodológica por trás dessa diferença.

A pesquisa consiste de duas etapas. Na primeira, os entrevistadores preenchem os questionários com os entrevistados. Na segunda, há um trabalho de checagem em campo, para conferir se o pesquisador trabalhou direito.

No caso Vox Populi, o entrevistador vai até à casa do entrevistado. A checagem é simples. Sorteia-se uma quantidade xis de casas pesquisadas e o fiscal vai até lá, conferir se o entrevistado existe, se as respostas são corretas.

No caso Datafolha, é impossível. Por questão de economia, o Datafolha optou por entrevistar pessoas em pontos de afluxo. Como conferir, então, se o pesquisador entrevistou corretamente, se não inventou entrevistados?

Em geral, um pesquisador consegue fazer bem 20 entrevistas por dia. O Datafolha anunciou ter realizado 10.000 pesquisas em dois dias, 5.000 por dia. Dividido por 20, são 250 entrevistadores. Como conferir a consistência dos questionários? Só se tiver o telefone no questionário.

É por aí que o Datafolha escorrega. O campo telefone é de preenchimento obrigatório. Com isso, fica de fora uma amostragem equivalente a todos os sem-telefone.

Segundo Marcos Coimbra, do universo pesquisado pelo Vox Populi, 30% não têm telefone nem fixo nem celular. Se se fizer um corte dos entrevistados, para o universo dos que têm telefone, os resultados do Datafolha batem com os do Vox Populi – diferença de 1 ponto apenas.

Quando entram os sem-telefone, Dilma dispara e aí aparece a diferença.

É possível que, mesmo telefone sendo de preenchimento obrigatório, o Datafolha inclua os sem-telefones? A resposta tem que vir do Datafolha.

Se não incluir, está explicada a diferença, o que compromete mais uma vez a reputação técnica do Instituto. Se diz que inclui, o caso pode ser mais grave e escapar das diferenças metodológicas.

Até já, Jacaré

[Adeus, não!]

Alegando problemas na estrutura física da arena e, sobretudo, falta de hotéis na cidade para hospedagem, o Cruzeiro anunciou que vai mandar seus próximos 2 jogos no Ipatingão. O time já definiu que jogará outros 3 jogos no Parque do Sabiá, em Uberlândia [cliquem aqui]. Da mesma forma, o Galo anuncia hoje a mesma medida, alegando, por sua vez, problemas no gramado com a sequência dos jogos dos 3 times da capital. A diretoria atleticana estaria insatisfeita também com o baixo número de torcedores no campo [cliquem aqui].

Esse é um assunto que o prefeito Maroca precisa chamar para si, rapidamente, envolver empresários da cidade e o governador Anastasia, que tem se mostrado favorável à Arena do Jacaré, para avaliar os problemas e reverter a situação. Ainda que os 3 times não joguem todos os seus jogos aqui, ainda que haja um rodízio, Sete Lagoas não pode ficar de fora do campeonato.

[Foto Portal UAI]

25 de jul de 2010

F1: categoria de invertebrados


A internet está explodindo de ira não só contra a Ferrari e Alonso, mas também e sobretudo, contra Felipe Massa, por aceitar um papel submisso, melhor: pusilânime, e nos colocar no lugar de 'palhaços'. Leiam, por exemplo, no Blog do Juca Kfouri, o post 'A F1 é um circo onde os palhaços somos nós', por Airton Gontow, e outro, 'Monte de babacas', pelo próprio Kfouri.

Um trecho do primeiro:
"Pior do que a atitude na pista, foi a justificativa de Felipe Massa fora dela. “Sou um homem de equipe”, justificou. Por ser homem de equipe, Nelsinho Piquet bateu o carro no GP de Cingapura, em 2008, para favorecer seu companheiro Fernando Alonso. Aliás, alguém consegue explicar porque o piloto espanhol não foi punido pela FIA e ainda foi contratado pela mais famosa das equipes?"

E do segundo:
"Mas do mesmo modo que Rubens Barrichelo mostrou não ter sangue nas veias, Felipe Massa mostrou que não tem espinha dorsal. Ambos se curvaram às ordens espúrias da Ferrari e entregaram vitórias ao alemão Michael Schumacher e ao espanhol Fernando Alonso. Queria ver fazerem isso com Nelson Piquet."

Coluna do Tostão

Eduardo Gonçalves de Andrade é craque em qualquer posição. No campo ou nos jornais. Sua coluna, de hoje, na Folha, está um primor.

"Com o eficiente mano Menezes, a filosofia da seleção continuará a mesma. Graças à tecnologia, às informações imediatas e às relações virtuais, todos os treinadores brasileiros pensam e fazem a mesma coisa, dentro de um padrão estabelecido como correto. Pequenas mudanças táticas, nos discursos e na maneira de treinar as equipes são variações sobre o mesmo tema, de que só interessa o resultado. E ponto final.
[...]
Muito mais importante do que o novo treinador da seleção nacional seria discutir a maneira de jogar do futebol brasileiro e tentar formar grandes armadores, como Xavi. Não confunda esse tipo de jogador com nossos meias ofensivos.
[...]
A CBF, uma entidade falida, não de dinheiro, mas de ideais esportivos, reina soberana, gigolando o time e os craques brasileiros, como se a seleção brasileira fosse dela.
A seleção é do Brasil."

Ou seja, tanto faz quem é o técnico da seleção, Muricy ou Mano, o futebol é o mesmo. O que muda são apenas os adereços: a maior ou menor experiência, o estilo disciplinador mais ou menos militar. E só...

O que Alonso não dá conta de fazer...



Vejam também Mansell vs Piquet em http://www.youtube.com/watch?v=X_wPa-phEFI

Não sei por que ainda gasto tempo com a F1...

Ótimo dia para a Ferrari. Péssimo dia para os amantes da F1. Tem gente que concorda com esse jogo de equipe. Eu não. Ainda mais quando o campeonato não está em disputa. Se fosse pra valer, a F1 devia ocupar espaço no Globo Ciência e não no Globo Esporte. Os pilotos vão se resignando ao papel de robôs tele-metricamente guiados pelas equipes e seus aparatos tecnológicos. São good-boys, manteigas-derretidas, frouxos. Falta-lhes o sangue de Nigel Mansell ou de Nelson Piquet. Falta-lhes graxa nas mãos. E brio na cara. A corrida era de Felipe Massa. Mas ele aceitou jogar fora sua bela largada, frear e deixar Fernando Alonso passar. Alonso, ao invés de desafiar-se a impor seu enorme talento na pista e no braço, preferiu fazer beiço e pedir ajuda a mamãe-equipe. Ridículo! Luciano Burti cantou a pedra quando ouviu a mensagem codificada da equipe para Massa: era uma ordem para deixar passar. "Fernando é mais rápido que você, entendeu a mensagem?". A telemetria mostrou que ele pisou no freio e obedeceu. O jogo de equipe não é proibido? Onde estão os comissários da prova? Resta um silêncio de covardia. Ou de deboche...

[Carros vermelhos de vergonha, em Hockenheim]

A eleição é regional, não local

Claro que a legenda de cada candidato é muito influente na sua eleição ou não. Mas vejam a tabela abaixo e concluam comigo: xenofobismo ou bairrismo não fazem parte das eleições.

ROBUSTEZ
Para deputado federal, ainda que sua legenda lhe exija muitos votos (cerca de 80 mil na última eleição), Márcio Reinaldo não tem sido eleito apenas porque tem sido bem votado em Sete Lagoas. Na verdade, ele tem dependido cada vez menos dos votos locais, que representaram apenas cerca de 1/3 de seu eleitorado, em 2006. Nesse ano, inclusive, ele teria sido eleito sem os votos daqui. Ou seja, goste ou não do cara, ele se consolidou como liderança regional...

FRAGILIDADE
Para deputado estadual, tem-se configurado uma situação oposta: os candidatos demonstraram não ter nenhuma liderança regional e ser inteiramente dependentes dos votos sete-lagoanos. Com isso ficaram à mercê do favorecimento de suas legendas para terem sucesso. Ronaldo Canabrava (1998) e Ronaldo João (2002) foram eleitos com cerca de 88% de seus votos obtidos em Sete Lagoas. Uma condição frágil: só chegaram lá porque a sorte lhes sorriu...

Como SL vota para deputado estadual

As tabelas abaixo mostram os 10 candidatos a deputado estadual mais votados em Sete Lagoas, nas eleições de 1998, 2002 e 2006.

O padrão:
O número de candidatos locais no páreo não tem alterado o padrão. Nessas três eleições, metade dos eleitores, pouco mais, pouco menos, descarregou os seus votos em dois ou três nomes; a outra metade se dispersou;

Algumas observações:
[a] O teto de votação do candidato mais votado variou entre 25 e 30% dos votos válidos. Ronaldo Canabrava, em 1998, teve o melhor desempenho da série;
[b] O teto do segundo colocado ficou num patamar entre 15 e 20% dos votos e do terceiro, próximo de 10%;
[c] Nesse padrão multinucleado, nesses anos, a cidade só foi capaz de eleger um representante na Assembléia, de cada vez: Canabrava em 1998 e Ronaldo João em 2002 e 2006 (como suplente);
[d] Ano a ano, o primeiro e o segundo colocado perderam, percentual e respectivamente, as densidades de votos;
[e] Do terceiro ou quarto nome em diante, os números de votos nominais, se tanto, foram dignos de eleições para vereador.

[1998]

[2002]

[2006]

Questões a serem respondidas em 2010:
[a] Os dois principais candidatos, provavelmente Ronaldo João e Duílio, conseguirão reverter a tendência de queda de votos, percentualmente, nas primeiras posições? [se não, não serão eleitos...];
[b] Qual será o efeito de um terceiro nome (Ronaldo Canabrava ou Caio Dutra), se ele for bem sucedido? [um nivelamento por baixo, comprometendo a todos?...];
[c] Dos outros nomes na disputa, algum conseguirá sair da ignomínia? [tudo leva a crer que não...].

Nostalgia


Daqui a pouco começa o GP da Alemanha, que promete marcar a reação da Ferrari, que conseguiu emplacar os seus dois bólidos nas primeiras filas do grid. Mas devo confessar que vejo esse GP sempre com nostalgia. Meu Deus, onde foi parar a belíssima pista de Hockenheim, com suas fantásticas retas cortando a Floresta Negra? Este novo circuito reduzido não merece o nome que carrega...

24 de jul de 2010

Como SL vota para deputado federal

As tabelas abaixo mostram os 10 candidatos a deputado federal mais votados em Sete Lagoas, nas eleições de 1998, 2002 e 2006. 

O padrão:
Nessas três eleições, quase metade dos eleitores, um pouco menos, concentrou os seus votos em um único nome; a outra metade se dispersou, tratando candidatos locais e 'forasteiros' quase que da mesma forma.

Algumas observações:
[a] O deputado Márcio Reinaldo, ainda que venha perdendo eleitores, ano a ano, foi o único ponto de concentração, com 42 a 49% dos votos válidos, nessas eleições. Na prática, ele nadou sozinho na raia;
[b] Os segundos mais votados não alcançaram sequer 10% dos votos, nas três disputas;
[c] O candidato local mais bem sucedido, depois de Márcio Reinaldo, foi Luiz Carlos Rodrigues, em 1998, que arranhou os 10% dos votos válidos. Léo Plotter e José das Graças, em 2002, não chegaram nem perto disso. Ou seja, fora o deputado, nunca houve candidato local competitivo;
[d] À exceção da eleição em que Patrus disputou e foi o segundo mais votado (2002), Virgílio Guimarães sempre teve o melhor desempenho entre os petistas. Mesmo assim, com não mais do que 2% dos votos válidos;

[1998]
[2002]
[2006]

Questões a serem respondidas em 2010:
[a] Com o status de ex-governador e senador, Eduardo Azeredo será capaz de rivalizar com Márcio Reinaldo e constituir-se em um segundo ponto de concentração de votos? (se sim, não haverá votos para mais ninguém...);
[b] Com Eduardo Azeredo, com mais candidatos locais (Sílvio e Tristeza), com mais candidatos apoiados localmente (Leonardo Quintão, Miguelzinho, Neusinha, por exemplo), Márcio Reinaldo terá uma erosão significativa no seu eleitorado?
[c] Os candidatos locais conseguirão romper a barreira dos 10% dos votos válidos ou cerca de 10 a 11 mil votos? (Pode parecer fácil, mas é bom conferir: nunca aconteceu...);
[d] Virgílio conseguirá manter e transferir seus fiéis votos para o seu filho?

Uma conclusão indiscutível:
Se Márcio Reinaldo, nos seus melhores momentos (candidato local, com mandato, sem competidores) não passou da casa dos 40 mil votos; em 2010, com mais candidatos e com candidatos mais competitivos, nem ele, nem nenhum outro, deverá alcançar esse patamar. Não tenho dúvida de que esse é o teto para todos. Ou seja, por mais bem votado que qualquer candidato seja aqui, para se eleger, ele terá que ser muito bem votado também na região...

Vamos combinar

Bastam os primeiros ventos eleitorais para alguns colocarem o fígado na boca e jogarem a razão no lixo. Bastou que eu fizesse algumas contas no post 'Matemática Aplicada' para um companheiro petista entender que estou torcendo contra o PT. A melhor resposta talvez seja aquela a la James Carville: 'é a matemática, estúpido!'. O post apenas fez contas, sem ilações. Apenas mostrou que, a repetir o comportamento de eleições anteriores, o que é muito provável, quem fizer projeções de votos nominais com base no eleitorado de 150 mil eleitores estará errando feio;  1/3 desse eleitorado fica pelo caminho e não vota em ninguém. Nem do PT, nem de outro partido. Ou seja: temos 100 mil votos em disputa e não 150 mil. Eu apenas dei sequência a uma conversa de bar, onde alguns amigos faziam contas fantásticas, e equivocadas, sobre as perspectivas de vários candidatos com base no eleitorado que tinha acabado de ser divulgado oficialmente.

Vamos combinar: aqui neste blog preza-se o pensamento livre e a autonomia intelectual. Transitam por aqui petistas de várias tendências, não petistas de vários partidos e amigos sem partido nenhum. A pluralidade é bem-vinda nesta praça. Nesse processo eleitoral, espero que o respeito à opção política de cada um sobreponha-se ao interesse pelo confronto de diferenças. Dogmatismos, sectarismos, irracionalidades não cabem aqui...

Datafolha em Minas

O Datafolha divulgou também sua primeira pesquisa em Minas Gerais. Hélio Costa mostrou que tem larga vantagem sobre Anastasia: 44 a 18% das intenções de voto. Este resultado bateu em cima do publicado na semana passada, pelo Instituto Sensus, que deu 43,3 a 21,5% para esses candidatos, respectivamente.

Pesquisa espontânea
Um dado impressinante: 73% dos entrevistados não souberam dizer o nome do candidato em que pretendem votar. Hélio Costa foi citado por 10% dos entrevistados; Anastasia, por 7%; e o ex-governador Aécio Neves (PSDB), por 4%. Ou seja, o nível de consolidação de intenções de voto ainda é baixíssimo.

Rejeição
Uma curiosidade: como Hélio Costa é velho de guerra e Anastasia um principiante nas urnas, era de se imaginar que o índice de rejeição do primeiro fosse maior do que o do segundo. Nada disso! Antonio Anastasia teve 14% e Hélio Costa, 10%.

Nova safra Datafolha e Vox

A Vox Populi divulgou uma pesquisa para Presidente da República, ontem; o Datafolha, hoje. Os resultados continuam muito discrepantes.

Vox Populi: Dilma abriu 8 pontos e lidera com 41%; Serra tem 33% e Marina 8%. Na simulação de um segundo turno Dilma apareceu com 46% e Serra com 38%.

Datafolha: empate técnico entre os candidatos José Serra (PSDB), com 37% das intenções de voto, e Dilma Rousseff (PT), com 36%. Marina, 10%. A simulação de segundo turno efetuada pelo Datafolha apontou Dilma com 46% e Serra com 45%.

Retomando o nosso velho gráfico que tinha dado com os burros n'água (alterando as linhas por data para linhas por institutos), vê-se que vão se consolidando dois padrões de resultados: o Datafolha, mais favorável ao Serra e, ultimamente, com um persistente empate técnico, e a Vox mais pró-Dilma. O Ibope e o Sensus oscilam entre esses dois limites:

[Gráfico com a diferença entre os dois principais candidatos, por instituto]

23 de jul de 2010

Comadres

Em briga de comadres, mistura-se amor e ódio... a ponto de se confundir as identidades. Está no portal Terra: 'site tucano "escorrega" e diz que Serra é filiado ao PT'. Só rindo:

Matemática aplicada

A divulgação, ontem, do eleitorado sete-lagoano [150.029 eleitores] suscitou comentários imediatos de que ele é suficiente para eleger dois deputados federais e dois estaduais. É melhor fazer as contas...

Uma coisa é o eleitorado, outra o número de votos nominais. Os candidatos locais, à exceção do deputado Márcio Reinaldo (que tem a liderança de votos de seu partido), não se beneficiam dos votos de legenda. Nesse caso, do eleitorado total, é necessário deduzir a abstenção, os votos brancos e nulos e os votos de legenda para se chegar ao número de votos efetivamente disponíveis. E, tomando-se a eleição de 2006 como parâmetro, esses números não chegam a 100 mil votos. Ou seja, se todos os eleitores se concentrarem em apenas dois candidatos a deputado federal, por exemplo, ainda assim, nenhum dos dois sairá eleito de Sete Lagoas. Dependendo do partido, se tanto, a coisa pode ser um pouco mais favorável para os candidatos a deputado estadual. Mesmo assim, pela natural dipersão, é pouco provável que os votos daqui elejam mais do que um. Vejam na tabela abaixo: os votos com nome, endereço e profissão não vão muito além de 65% do total...

O primoroso [texto de] Pablo

Diz-se que quando se elogia ou critica alguém, mais se revelam as qualidades ou defeitos de si mesmo do que as qualidades ou defeitos do outro. O nosso amigo Pablo comentou, ontem, aqui no blog, que havia feito um post de agradecimento a mim pelo livro que lhe dei na festa do ‘visitante 20 mil’, lá no blog dele [cliquem aqui]. O post intitula-se ‘Sobre dois Bernardos, um Flávio e um Manoel’. Sinceramente, ao lê-lo, o que me saltou aos olhos não foram os elogios feitos a mim – naturalmente, suspeitos por vir de um amigo -, mas a generosidade e a beleza do texto do Pablo. Primoroso!

Cancelado 1º debate on-line

Depois das desistências dos candidatos Dilma Rousseff (PT) e de José Serra (PSDB), foi cancelado o 1º Debate On-Line 2010, que seria promovido pelos portais iG, MSN, Terra e Yahoo!, na próxima segunda-feira (26). Conclusão óbvia: o que está determinando o jogo é o marketing eleitoral, a tática individual, o cálculo matemático. Debater, correr riscos imponderáveis, comprometer-se com o debate público não fazem mais parte das campanhas. Eu lamento. Acho indesculpáveis as atitudes dos dois principais candidatos. De novo, só Marina Silva fugiu do padrão de estupidez dominante!

22 de jul de 2010

A sorte nos traiu

Estava tudo dominado. Mas a sorte não assisitu ao jogo...

E aí, pessoal?!

Quando os amigos desaparecem do banco da praça, o jeito é falar mal do Atlético para animar a roda... E a pantera cor de rosa não deixa nunca de dar motivos. Hoje, não apenas perdeu em casa (leia-se Arena do Jacaré), de novo, como viu todos os resultados conspirarem fortemente contra. O Atlético do Paraná ganhou e passou; o Grêmio e o Vasco empataram e atropelaram. Consequência: o Galo caiu para o penúltimo lugar, na zona de rebaixamento. E entrou na mira do Atlético-GO, o lanterninha.

Que coisa, não?!

20 de jul de 2010

E aí, brother (gir.)?!

A Lexikon acabou de relançar o Dicionário Analógico da Língua Portuguesa de Francisco Ferreira dos Santos Neto. A primeira edição foi nos anos 1950. A atual traz um prefácio divertidíssimo de Chico Buarque que ganhou do pai, o intelectual Sérgio Buarque, há muitos anos, um exemplar da edição original, como um bastão: ‘isso pode te servir’.

Não se trata, exatamente, de um dicionário, mas de um thesaurus. Isso quer dizer que se trabalha com ‘idéias-afins’. Sendo prático: se você tem noção do que deseja expressar, mas a palavra certa não lhe vem à cabeça, o thesaurus lhe oferece uma ‘nuvem’ de palavras ou expressões associadas, com maior ou menor nível de proximidade, para o seu melhor uso. São mais de 100 mil termos vinculados a mil domínios temáticos. Zap!, é isso aí: verdadeira salvação da lavoura para quem gosta de escrever. Uma mão na roda!

Mas ainda que você não esteja, no momento, com problema de falta de palavras, vale a pena uma folheada desinteressada. Você vai encontrar coisas imperdíveis. ‘Amigo’, por exemplo, pertence ao grupo ‘sociais’, da divisão de ‘afeições simpáticas’, da classe ‘afeições’. Olha aí:

890 Amigo, amigo íntimo/afim/do peito/da alma/de fé/de taça/de copo/de todas as horas/de verdade; íntimo, companheiro, inseparável, irmão, conhecido, alter ego, fidus Achates (= ‘amigo confiável’), amicus usque ad aras confidente (= ‘amigo ao extremo’, ‘totalmente confiável’ [+-]), fac-totum, depositário, amigão, [...], parceiro, chapa (bras. pop.), brother (gir.), comparte, camarada, capeba (burl.), [...], Arcades ambo, Pilates e Orestes, Castor e Pólux, Dióscorus, Niso e Euríalo, Damon e Pítias, Dom Quixote e Sancho Pança, Athos, Porthos, Aramis e D’Artagnan, Sherlock Holmes e Watson, Mickey e Pateta, Fred e Barney; par nobile fratrum = um nobre par de irmãos, unha com/e carne, [...].

FRASES: Contas de perto e amigos de longe. Nos trabalhos se vêem os amigos. No aperto e no perigo se conhece o amigo. Nem preso, nem cativo têm amigo. Mais valem amigos na praça que dinheiro na caixa. Amigos, amigos, negócios à parte. Não há melhor parente que amigo fiel e prudente. Amigo é para essas coisas. Amigo é coisa pra se guardar do lado esquerdo do peito (Fernando Brant e Milton Nascimento – Canção da América).

PROVÉRBIOS: Dize-me com quem andas e dir-te-ei as manhas que tens. Dize-me com quem andas e eu te direi quem és.

[PS.: Putz! Essa história dos três mosqueteiros, Mickey e Pateta, Fred e Barney é genial!]

19 de jul de 2010

É preciso levar o DNA da classe média para a favela, diz Aravena

Excelente entrevista do arquiteto chileno Alejandro Aravena, 44, na última página do caderno A da Folha de hoje [cliquem aqui para acessarem na íntegra]. Alguns trechos:

"O arquiteto chileno Alejandro Aravena criou uma equação para atacar o que considera o ponto mais frágil dos projetos de arquitetura social: a qualidade da moradia. "É melhor fazer meia casa boa do que uma casa ruim", disse à Folha".

"Entre os anos 1960 e 1970, houve uma bifurcação no mundo da arquitetura e alguns arquitetos vivem uma espécie de foro criativo, como se dissessem: "Me deixem ser gênio. Sou talentoso. Deixem-me criar essas obras de arte, mas não me peçam para ter relação com o mundo real. Eu vou criar as regras do jogo. Esse caminho vai dar numa certa arquitetura de impacto. [...] O preço que pagaram por isso foi serem irrelevantes. [...] Outro caminho que se abriu nos anos 1960 e 1970 foi o dos problemas inespecíficos: pobreza, segregação, desenvolvimento, violência. Esse discurso levou muitos arquitetos a tratar desses temas duros, que interessam à sociedade como um todo. São problemas transversais, que poderiam ser tratados por um economista. Não é preciso ser arquiteto ou urbanista para opinar. Todos podem opinar. O problema é que os arquitetos que se dedicavam a essas questões abandonaram o projeto e os conhecimentos. Em vez de projetar, faziam "papers", informes, para organismos internacionais. Perderam a capacidade de fazer projetos. Entendem o fenômeno, mas não propõem nada.

É preciso levar o DNA da classe média para a favela para que a habitação se transforme em investimento e deixe de ser gasto social. O DNA de classe média é uma das cinco condições dos projetos do Elemental [grupo dirigido por Aravena]: 1) localização; 2) projeto do conjunto urbano; 3) 50% de frente para o lote urbano; 4) estrutura para os 80 metros finais, não para os 40 metros iniciais; 5) DNA de classe média nas partes mais complexas da casa --banheiro, cozinha e escada.
 
[Criticando o 'Minha Casa, Minha Vida', pelo conceito de conjuntos longes das áreas mais valorizadas] As evidências mostram que há uma capacidade de investimento das próprias pessoas. Elas são capazes de construir 30, 40 m2 sem qualquer tipo de apoio estatal. Se essa capacidade informal existe, não seria melhor usá-la nas políticas públicas? Se os fundos públicos não são capazes de construir casas de boa qualidade, por que não fazer a parte que as famílias não farão bem por conta própria? O ponto é que essas pessoas não conseguem construir com qualidade, e por qualidade entendo aumentar o valor do imóvel com o tempo e fazê-lo com segurança. Essa estratégia de aproveitar as capacidades individuais gera sociedade com responsabilidade compartilhada."
 
[Quinta Monroy, 2003: casas com metade da área vazia para expansão]

2002, revival

Os tucanos, decididamente, deixaram de lado as críticas políticas ao adversário, normais em período eleitoral, e pegaram em armas. Terrorismo puro. Marina Silva, ontem, do alto de sua serenidade reagiu a isso. Até então, parecia que tudo se resumia a um surto verbal adolescente do vice de Serra. Tudo levava a crer que suas acusações ao PT, de ligação com as FARC e com o narcotráfico, eram apenas estupidez pessoal. Como se falou no twitter: nada que Sarah Palin também não fizesse. Até Rodrigo Maia, seu correligionário, assutou: "não dá para cravar que o PT tenha relação com as Farc". A coisa parecia caminhar para a retomada de um mínimo de racionalidade, quando o PSDB não se conteve e mostrou que Índio da Costa era, na verdade, ventríloquo de uma ação orquestrada. Guerra e Serra, as duas principais vozes tucanas, no momento, presidente e candidato, acabaram por revelar a estratégia de terror: 'as FARC são sócias do PT', disse um; 'o PT tem relações com as FARC', assegurou o outro. Fernando de Barros Silva, em seu artigo de hoje na Folha ('Monstros políticos'), corretamente, já havia se antecipado: 'há uma certa histeria em curso'. O que se percebe é a reprodução do clima de medo de 2002, quando se dizia que a ascenção do PT levaria o país ao caos. Não levou, muito pelo contrário... Agora, em 2010, o arranjo tem um instrumento central: colar o sucesso dos últimos 8 anos em Lula e descolá-lo do PT. Ou seja, saindo Lula, fica o PT 'aloprado', sobre o qual Dilma não teria controle. Os instrumentos que tocam a seguir tratam de associar o PT às FARC, ao narcotráfico, a Chávez, a um certo 'subterrâneo da política'. De novo, a ameaça do caos. Um 2002 revisitado...

[Resta lembrar aos tucanos que essa estratégia em 2002 foi muito ruim pra eles e muito boa para o PT...]

Roger defende a Arena do Jacaré

Os primeiros jogos na Arena do Jacaré deram o que falar...

Na sexta à noite, no Quatro em Campo da CBN, Mário Marra, Carlos Éboli, Marcelo Gomes e Marcos Guiotti reclamaram da insuficiência dos vestiários e das lanchonetes e das obras inacabadas. Falaram que o governo do Estado fez economia porca. Mas se revoltaram mesmo foi com o pouco número de cabines para jornalistas e o consequente desconforto...

Ontem, a crítica dos jogadores cruzeirenses recaiu sobre o gramado 'duro' e 'irregular'.

Calma, pessoal! Não dá para comparar a Arena com o Mineirão. É preciso dar um tempo para adaptação. Numa conta de custo-benefício, não há como duvidar: a Arena do Jacaré é imbatível...

Prova disso foi a voz dissonante de Roger, meia do Cruzeiro, defendendo a Arena do Jacaré como a 'casa' azul:
“Isso aqui é a nossa casa. Temos que nos adaptar o mais rápido possível. Sou a favor da gente ter uma casa e não ficar ‘pingando’ de um lugar para o outro, para que a gente se adapte o mais rápido possível.”
[...]
“Quem quer ser campeão tem que ter uma identidade junto com o torcedor e no nosso local. É difícil a gente começar a pingar de um lado para o outro e conseguir uma colocação boa dentro do campeonato. Acredito que a gente possa escolher um desses locais, foi o primeiro jogo aqui, para que a gente tenha uma identidade dentro da competição em relação ao nosso campo.”

18 de jul de 2010

Sopa de Jamie Oliver

Fiz, agora, uma sopa de abóbora que vi no programa do J. Oliver, ontem, de matar de boa!

1
Coloque azeite, sal, pimenta, 2 cebolas, 3 dentes de alho, 2 hastes de salsão e alecrim no fogo. Ajunte 2 cenouras e ½ abóbora (com casca) picadas. Jogue uma panela cheia de molho de galinha. Cozinhe bem. Depois, bata com um mixer.

2
Esquente azeite numa frigideira e coloque folhas de sálvia para dar cheiro. Tire as sálvias. Passe, rapidamente, as 2 faces do pão em fatias (3 fatias). Retire. Coloque queijo parmesão ralado fino sobre o pão e aperte com a mão. Doure uma a uma, as 2 faces na panela quente. Monte: numa vasilha funda, uma torrada no fundo, 2 torradas inclinadas. Jogue a sopa por cima...

Putz!

Marina é incomum. Sempre!

Eu já disse aqui que tenho enorme admiração pela Marina Silva. Eu sou petista e vou votar no PT e em Dilma, mas, pra mim, isso não é razão para gostar menos da Marina. Como deixar de gostar dela se, até ontem, ela também era do PT e, mais do que isso, era um ícone do PT? Fora do PT, Marina Silva continua sendo, pra mim, um ícone da política brasileira. Pela trajetória, um ícone maior, muito superior à própria Dilma ou a qualquer outra pessoa...

Afinal, de qual outro candidato se poderia esperar palavras sempre tão verdadeiras e sensatas? Vejam: "Eu acho que talvez o deputado Indio (da Costa) ainda não esteja suficientemente preparado para ser cacique do Brasil", afirmou Marina, acrescentando: "tenho respeito pelo Partido dos Trabalhadores e pelo PSDB e não acho que seja bom para a democracia esse tipo de acusação e desqualificação" [referindo-se às bobagens ditas pelo vice do Serra em seu twitter, com insinuações de que o PT tem relação com as FARC e com o narcotráfico].

Pesquisa nova no pedaço

Vejam aí os resultados da pesquisa do Instituto Sensus:

Governo de Minas
Primeiro turno - Hélio Costa (PMDB) 43,3%, Anastasia (PSDB) 21,5%, José Fernando (PV) e Vanessa Portugal (PSTU) 2,3%.
Segundo turno - Hélio Costa venceria com 50,7% dos votos contra 25,7% de Antônio Anastasia.

Senado
Primeiro voto - Aécio Neves (PSDB) 68,2 %, Itamar Franco (PPS) 10,3% e Fernando Pimentel 6,8 %.
Segundo voto - Itamar 34,3%, Pimentel 15,2% e Aécio 6,6%.

Presidência
Primeiro turno - José Serra (PSDB) 35,5%, Dilma (PT) 34% e Marina (PV) 9,2%.
Segundo turno - Serra venceria com 41% e a petista tem 40,8%.

[Os jornais de hoje deram conta de que os tucanos estão reclamando dessa pesquisa. É curioso... A pesquisa é muito favorável a eles tanto nas intenções de voto para o Senado, quanto para a Presidência. Neste último caso, é bom lembrar que o Instituto Sensus já apresentou resultados mais favoráveis a Dilma. Os resultados atuais mostram uma estabilização, mas com viés pró-Serra. Então a pesquisa é metade confiável e metade suspeita? Como assim?]

[A pesquisa mostrou uma visível melhora do candidato Hélio Costa sobre o candidato tucano. Será o efeito Patrus/PT?]

A rodada

O campeonato deu sinais de que vai desembolar. Até o início dessa 9ª rodada, estava uma bagunça só: a diferença de pontos entre o último time do G4 (Santos, 12) e o primeiro do rebaixamento (Prudente, 9) resumia-se a uma vitória. Ao final, dobrou. Por ora, uma vitória ou uma derrota ainda põem um time no elevador diretamente para o céu ou para o inferno. Tudo ou nada. Se ganhasse, o Galo, por exemplo, subiria para a porta do G4, como perdeu, claro!, ficou na porta do rebaixamento. O Cruzeiro, na Arena do Jacaré, só jogou 20’. O suficiente para fazer o gol da vitória. Não interessa o aperto que passou, depois: pegou o elevador pra cima, subiu e viu os adversários (Santos, Guarani e Palmeiras) ficarem pelo caminho. Pena que a dupla Fla-Flu teve a mesma sorte. No G4, a seleção celeste já tem o Ceará na alça da mira. No rolar da bola, uma boa rodada!


[Tudo bem que paguei língua: andei falando tão mal do Gilberto e ele foi o nome do jogo de hoje]

High tech, eco tech: as modernas caixas de papelão

A compreensão de alta tecnologia sempre esteve vinculada aos novos produtos de consumo. E, naturalmente, de um consumo de alto nível, medido pelo padrão dos países ricos. Exatamente, o padrão que se mostrou insustentável como padrão universal, por não ser capaz de ser compartilhado não apenas por norte-americanos e europeus, mas também por chineses e brasileiros, por exemplo. A noção de sustentabilidade, em tempos de recursos sempre mais escassos, passou a reorientar, no mundo todo, o juízo sobre o que é bom e ruim em termos tecnológicos, sombreando a obsessão exclusiva pelo que era, impunimente, alta tecnologia. Ou seja, a alta-tecnologia passou a pressupor uma eco-tecnologia. Coisas que só passam a ser efetivas quando deixam de ser vistas apenas no Discovery Channel e entram na sua casa, no seu cotidiano, não só pelas suas convicções cidadãs, mas, antes, pela determinação de seus filhos. Quando subvertem o senso estético estereotipado corrente e constroem uma nova percepção de modernidade... Resumindo: estou dando voltas e voltas ao redor do mundo, com essa conversa fiada toda, para justificar a presença constante de caixas de papelão na área de serviço daqui de casa. O que era impensável, ficou 'in'. As caixas de papelão ganharam status de inovação, nos melhores supermercados, em troca das outrora mocinhas, agora bandidas sacolas plásticas. E passaram a ser o rosto mais visível da mais avançada tecnologia quando, além de embalagens recicláveis de compras, passaram a ser recipientes de separação de lixo para coleta seletiva, além de outras mil utilidades. Ou seja, pós-Copa, as modernas caixas de papelão correm sério risco de desbancar as obsoletas TV's de LCD. Bacana isso...

O inusitado Bresser

Eu estou vendo coisas ou o tucaníssimo Luiz Carlos Bresser-Pereira, em seu artigo na Folha de hoje, fez uma crítica ao governo FHC e um elogio ao governo Lula? Alguém aí leu?

Em seu artigo 'O menino tolo' (pág.A19), B-P chamou o Brasil de bobo: 'só um bobo dá a estrangeiros serviços públicos como as telefonias fixa e móvel'. Ele não se fixou em uma apologia à estatização total, o que não era mesmo de se esperar, mas delimitou claramente o território de sua reflexão nacionalista: ela não se aplica a setores econômicos altamente competitivos, mas entende que os controlados por poucas empresas e os monopolistas ou quase monopolistas, como os de serviços públicos, não devem ser objeto de concessões a empresas estrangeiras.

A crítica a FHC
"O governo espanhol, nos anos 90, aproveitou a hegemonia neoliberal da época para subsidiar de várias maneiras suas empresas a comprarem os serviços públicos que estavam sendo privatizados. Foram bem-sucedidos nessa tarefa. Neste caso, foram os espanhóis os nacionalistas, enquanto os latino-americanos, inclusive brasileiros, foram os colonialistas, ou os tolos". Ora, quem promoveu a privatização das teles nos anos 1990 (uma delas para a espanhola Telefonica) e, inclusive, se gaba delas?

O elogio a Lula e, especialmente, ao BNDES
"Vamos um dia ficar espertos novamente? Creio que sim. Nestes últimos anos, o governo brasileiro começou a reaprender, e está tratando de dar apoio a suas empresas. Para horror dos liberais locais, está ajudando a criar campeões nacionais. Ou seja, está fazendo exatamente a mesma coisa que fazem os países ricos, que, apesar de seu propalado liberalismo, também não têm dúvida em defender suas empresas nacionais". Ora, qual é o governo brasileiro dos últimos anos, que tem financiado empresas nacionais que atuam com concessões públicas?

Parabéns, Mandela [92]

Literatura Espanhola

Para quem se interessa pelo tema: está chegando às livrarias estudo de Mario Miguel González, da USP, sobre passado e presente da literatura do país - 'Leituras de Literatura Espanhola'. Cliquem aqui e leiam entrevista com o autor, no Estadão.

Votenaweb


Estado de Minas: ONU quer transformar site mineiro em projeto mundial. Cliquem na imagem e acessem...

17 de jul de 2010

Comadres - II

O vice de Serra está prestando excelentes serviços à cômica briga de comadres. No seu twitter (@viceindio), ele chamou Dilma de 'atéia' e 'esfínge (sic) do pau oco'. Críticas, sem dúvida alguma, profundamente esclarecedoras para o eleitor... As respostas do outro lado não foram menos relevantes para a alta qualidade do debate.


Roberto Freire (@freire_roberto) é outro que tem se dedicado à nobre arte do humorismo político inútil. E gasta um tempo e tanto com isso...

Não há risco de descontrole fiscal no Brasil


Para quem está acompanhando as críticas que estão sendo feitas ao BNDES e a aventada divergência entre o seu presidente e o do BC, vale a pena a leitura da entrevista de Luciano Coutinho ao Estadão deste sábado [cliquem aqui].

Comadres

A campanha eleitoral começa de fato quando o seu nível afunda na lama. Pois já está chegando perto... A troca de farpas entre os principais candidatos ao governo de Minas esquentou, esta semana. Críticas a comemorações extemporâneas de datas irrelevantes, a resultados de pesquisas, a uma coisa chamada falta de mineiridade (?!), a fulano ter ficado muito tempo fora do estado; exaltações a quem já rodou mais cidades, a quem detém mais o sentimento dessa coisa chamada de espítito de Minas... Um show de banalidades. Acompanhar pelo twitter, não apenas os próprios candidatos, mas a entourage de políticos que os cercam, anda sendo uma terapia. Os caras se entregam tão cegamente à paixão da disputam que perdem o senso de ridículo. Imaginar que são homens de terno, pretensamente sérios, falando aquelas besteiras... Hilárias. Pena que inúteis para o eleitor.

A camisa 1 atleticana

A camisa 1 do Galo vem dando um show à parte no Brasileirão. O quarteto Aranha, Marcelo, Carini e, agora, Fábio Costa foi responsável pelos frangos mais bonitos do campeonato. Cliquem aqui e vejam as pinturas...

15 de jul de 2010

Café com pastel


Está aí a marca registrada das campanhas: candidatos tomando um cafezinho ou comendo um pastel no ponto mais tradicional do centro de qualquer lugar. As campanhas mal-mal começaram e eu já estou ficando exausto de ver nos jornais: fulano fez campanha ontem em Montes Claros, por exemplo: está lá a foto do cidadão no balcão do bar tal. Cicrano fez campanha em BH: de novo, a foto dos caras com caras alegres comendo pastel no café não sei qual. Campanha boa tem que ter santinho, açucareiro dos antigos, colherinhas no copo lagoinha, biscoito de goma e ovo cozido no balcão... Dizem que Milton Campos frequentava o café da Paça Sete. Mas não era como candidato, era como governador. Faz diferença. Eu acho até que o mundo mudaria se o vencedor continuasse fazendo isso, normalmente, após eleito. Nunca soube que Aécio, por exemplo, num dia qualquer, de cabeça quente, depois de mais uma reunião insuportável, tenha deixado o Palácio da Liberdade, após o almoço, a pé, descido a João Pinheiro, depois a Bahia, até a Praça Sete para espairecer e tomar um cafezinho. Com pastel.

14 de jul de 2010

Sintonizando o canal

A Copa do Mundo acabou, temos que sintonizar logo o canal do Brasileirão. Relembrar como vinham atuando os times, como estava a classificação, essas coisas. Cada campeonato tem sua lógica e é preciso retomá-la. A cada rodada é preciso saber bem quem precisa ganhar e quem precisa perder, além do Atlético, claro! Tudo em benefício do glorioso time azul, que acabou de reestrear com uma vitória fora de casa. Atlético-PR 0 x 2 Cruzeiro. Qualquer que seja o Atlético, na dúvida, é melhor abater, pra não perder o costume...


Eu não sou adepto do futebol de defesas impenetráveis e contra-ataques de oportunidade. Gosto de futebol que vai pra cima do adversário. No Cruzeiro, Adilson Batista nunca abriu mão de atuar com 3 volantes e nem assim conseguiu consolidar uma defesa sólida. Nesse caso, gostei da armação inicial do time do Cuca, trocando um volante por mais um meia, colocando Gilberto e Roger juntos no campo. Queria ter visto o jogo para ver se funcionou. Pelo resultado, talvez tenha funcionado...

Governo municipal 11: formular uma reforma abrangente

[Fechando o detalhamento dos passos esboçados no texto Governo municipal 7: modernizar ou afogar, está aí o quarto e último deles. No próximo post, eu vou resgatar os comentários feitos por todos os leitores e fazer um balanço dessa discussão...]

Eu conheço muitos modelos organizacionais públicos. Sobretudo, conheço muitos modelos ruins. Um erro comum é ater-se a aspectos formais e confundir reforma administrativa com simples quebra-cabeça de quadradinhos em um organograma. Outro erro é achar que se resolve a estruturação do setor público, copiando, o máximo possível, o privado. Nem uma coisa nem outra funcionam. Se o setor privado, busca, sobretudo, eficiência interna para obtenção de lucro; o público tem como objetivo promover, através da eficácia de sua ação, o desenvolvimento igualitário da sociedade. Digo isso para fundamentar uma única afirmação: como já adiantei no último post, uma reforma administrativa ‘abrangente’ é aquela que foca os resultados que deseja alcançar e não apenas o aperfeiçoamento da burocracia. Isto tem que estar a serviço daquilo...

Essa hitória tem conseqüências práticas. Um exemplo. A discussão nacional sobre o tamanho do Estado, embora tenha aspectos ideológicos relevantes sobre a própria visão de Estado, tem também um bocado de conversa fiada. Na transição de governo municipal, a pergunta que mais respondi foi essa: você é a favor do ‘enxugamento’ da Prefeitura? Minha resposta continua sendo a mesma: o que você quer dizer com 'enxugamento'? Eu sou a favor de uma prefeitura organizada em torno de servidores de carreira, como, aliás, determina a lei; sendo assim, os funcionários ‘contratados’ devem responder, de fato, a situações emergenciais e temporárias e os 'cargos nomeados' devem se concentrar, tão somente, aos efetivamente de nível diretivo. Mas discordo do senso comum que entende ‘enxugamento’ como um mínimo abstrato de servidores. O indicador não pode ser esse quantum de servidores, mas a qualidade do serviço prestado e tantos servidores quanto isso demanda.

Mais um comentário sobre esse tema. Acho que não devemos ter a pretensão de resolver, na reorganização da estrutura pública, aspectos que não são estruturais, mas de gestão. Vai aí um exemplo: desde Barcelona, há uma série de desenhos de estruturas com algumas semelhanças, com grandes blocos de políticas (sociais, urbano-ambientais, econômicas etc.). Nos últimos anos, em Juiz de Fora e BH, por exemplo, na expectativa de forçar a integração de políticas, criou-se um nível hierárquico com essa finalidade. Diretorias em JF, supersecretarias em BH. Eu sempre olho essas tentativas com desconfiança e, de fato, vejo que elas têm dado água. Aumenta-se a hierarquização e não se alcança o objetivo. Em minha opinião, intersetorialidade se constrói no território e não no organograma. O que quero dizer: uma reforma administrativa deve diferenciar e consorciar uma estrutura moderna com um desejado modelo de gestão. Uma coisa não é a mesma que a outra e uma coisa não funciona sem a outra.