11 de jun de 2010

De quê? - Parte 6/6 [O fim]

[Para os que tiveram a paciência de acompanhar a novela, lá vai o final...]

Marcelo José do Carmo, Luíza Fernandez Pereira, Helena Versiani, João Luiz Mol de Carvalho, Beatriz Lacerda dos Anjos, Bernardo Rodrigues Bartolomeu, Selma Teixeira de Castro, Flávia Maria Donizete, Enio Amaro Avelar, Pablo Eduardo Amaral, Celso Flores Pacheco, Vitória Augusta Figueiredo, José Flávio Branco Sampaio. De repente esses nomes invadiram meu pensamento, todos ao mesmo tempo, de uma vez só. Uma confusão sem fim. Todos milimétricos, métricos. Ou não. Ora eles pareciam certinhos, de uma lógica boa, ora soavam imprecisos, avulsos, errantes. Ora pareciam de verdade, ora apenas ecoavam, ecoavam, ecoavam. Vou ser franco: eu me senti em um nevoeiro de letras. Dos bons. Tonteei. Enxerguei páginas e páginas inteiramente redigidas de nomes, um catálogo sem telefones, e eles só faziam alucinar minha cabeça. Eu senti que a matemática estava se perdendo. Não via mais como colocar nos nomes as chaves, os colchetes e os parênteses das sentenças. Não via como amarrar cada um deles numa ordem própria deles mesmos. Tantos nomes, todos tão inexplicáveis, como se uma equação não tivesse mais que se reduzir a zero. Já pensou? Desordem. Vou contar: gosto de trigonometria e achei que sem o rigor do desenho trigonométrico, nenhum nome mais me dizia coisa nenhuma. Faltava juízo, não se via origem, nem destino, nem nada. Simples ou não, a verdade é que aquela montoeira de nomes parecia apontar para desígnios desconhecidos. Nomes à deriva. Nomes sem passado. Nomes sem história...

- O próximo!

Despertei assustado dos meus pensamentos... Só aí me dei conta de que a fila à minha frente já tinha se acabado e eu continuava imóvel com a caneta na mão. Enquanto ecoava na minha memória o último nome, José Flávio Branco Sampaio, pronunciado há pouco pelo ilustre desconhecido que me antecedera, dirigi-me, silenciosamente ao guichê 4 e entreguei o formulário.

- O nome Senhor...

- Antônio Aprígio Neto. Falei de forma bem pronunciada para a atendente...

- Este é o nome do pai. Ela respondeu. - O senhor não preencheu o nome da criança para o registro...

- Ah, pois não, desculpe-me. E com súbita e tranquila decisão, eu disse: - Antônio Aprígio!

- A-n-t-ô-n-i-o-A-p-r-í-g-i-o. Ela soletrou enquanto escrevia com a cabeça baixa e fria destreza de ofício. E concluiu: - Antônio Aprígio de quê?

[Fim]

[Desculpem-me antecipar o final da brincadeira. É verdade: eu disse que ia publicá-lo só no sábado. Mas eu achei que devia fazer, aqui, uma pequena homenagem ao velho João Luiz, que hoje estaria brindando os seus 79 anos. Saravá, meu pai!]

4 comentários:

ENIO EDUARDO disse...

Flávio amigo, depois de tantas letras. . . que fim exuberante, estou totalmente sem palavras. . .

Forte Abraço.

Flávia disse...

Flávio,

O que admiro na pessoas que escrevem é a percepção aguçada que elas tem das coisas mais corriqueiras da vida.
Me senti muito honrada com a homenagem.

Bjo

Flávia

Vitória Menezes disse...

Adorei o final da história. E parabéns ao seu pai, onde quer que ele esteja. Me lembro bem dele e acho que tenho aqui guardado uma foto do Emaús, onde ele e sua mãe participaram, ele como palestrante e ela da equipe de bem estar.Uma história pra se contar outro dia.
Grande abraço

Vitória Menezes disse...

Adorei o final da história. E parabéns ao seu pai, onde quer que ele esteja. Me lembro bem dele e acho que tenho aqui guardado uma foto do Emaús, onde ele e sua mãe participaram, ele como palestrante e ela da equipe de bem estar.Uma história pra se contar outro dia.
Grande abraço